quarta-feira, agosto 30, 2006

vs

abro a janela o mais que posso e subo os estores até ao fim da linha. ainda corre um vento fresco e está-se bem aqui. subo o volume com a esperança de que o som passe para a vizinhança das traseiras e tiro proveito disto tudo como há muito não fazia.

um misto de nostalgia e calma imensas. o "olhar de infinito" permanece, mas arrisco dizer que ainda que completamente desfocado consigo avistar-lhe um fim. longínquo. quero o meu olhar grande e desperto de volta, permanentemente e não em dias espaçados. e por outro lado, estou lucidamente consciente de que o outro senhor sempre teve razão e que não há realmente nem longe nem distância.

e vejo-me chegar a um ponto onde nunca me imaginei. chama-se cepticismo. espero sinceramente que seja uma fase, fruto de águas passadas, mas que me tem vindo a atormentar por estes dias. duvido de tudo e sobretudo de todos. e a parte do todos é a que mais me desconcerta. ainda outro dia dizia convictamente que se havia coisa em que acreditava era nas pessoas. e na prática, tenho para mim que continuo a acreditar, ou não continuasse eu a sentir-me parva pelo menos uma vez por semana (e esta semana já foram três) por ter ido nesta ou naquela conversa. e conversa aqui significa conversa. fiada, acrescente-se.

e há quem se tenha em tão alta conta... valham-me os primeiros sintomas de cepticismo que fazem com que tudo perca importância e desapareça no ar em algumas horas... failure is always the best way to learn.


orelhas de burro:

Photobucket - Video and Image Hosting

kings of convenience - versus - 2001
[se hoje me transformasse num disco, era neste. e talvez transforme.]

segunda-feira, agosto 28, 2006

domingo, agosto 27, 2006

two more years...

diria que são mais uma banda que gostava de ver ao vivo num concerto à torreira do sol à beira de uma qualquer imaginária e cada vez mais longínqua estrada americana. "diria? já não diz?", diria um espirituoso empregado de balcão. não, não digo. fugindo à fugacidade das aparências, os palomino são escoceses, glasgow. o álbum de estreia chama-se emanuelle, e parece que já tem dois anos. novidade para quem? para mim. ouvi-o pela primeira vez há umas semanas, o luís ofereceu-mo. tal como me ofereceu uma série de outros discos que, criminosamente, ainda estão por ouvir. vamos com calma... que o que é bom acaba depressa e eu não quero que o disco risque.


orelhas de burro:


Photobucket - Video and Image Hosting

palomino - emanuelle - 2004

terça-feira, agosto 22, 2006

never say goodbye...

dos cat people só sei que são de barcelona. não vi o concerto. estava no parente e estava muito bem.

os shout out louds, a par dos bloc party, deram o concerto que mais gostei. empatados. o disco também ia muito bem estudado, e aquelas melodias..... tanguetas perfeitas. fica a imagem do baterista psicopata, do ramo de flores a circular pelo ar e dos caracóis cerrados do gajo preto à direita do palco. uma música? go sadness. the future is mine.

os maduros estiveram bem melhor do que no "ensaio geral" na zdb. volto a dizer o que disse na altura quando me perguntaram que tal. os maduros têm um som do caraças, a primeira impressão que me deu na zdb roçava os radio 4. o rock, o funk, a batida, o andamento. impek. nao gosto do zé pedro a "cantar". sei que faz aquilo pelo gozo que lhe dá e faz muito bem. talvez seja uma questão de hábito. e assim como assim, o tim também não tem voz nenhuma. e para aí tanta gente que nao sabe cantar e que grita a plenos pulmões.... não sei.

os !!! mais uma vez brilharam. não me lembro se chovia na altura, sei que o one man show desta vez veio vestido e que dançou novamente como se nao houvesse amanhã. e nao havia mesmo. nós fizemos o mesmo. afinal de contas, era o último dia e o ritmo assim o pedia. os impermeáveis e as camisolas quentes deixaram de ter razão de ser. queríamos segunda dose no palco after-hours.

os cramps e os bauhaus meto no mesmo saco. vestem de preto, tal como eu vesti, mas por acaso. como já disse por aí, pouca coisa me dizem. dos cramps nao trago nenhuma imagem, do bauhaus trago a chuva torrencial e a imagem do daniel ash. a escuridão era tal que nem o peter murphy consegui ver bem. o ecran a preto e branco nao ajudou nada. qual mística, pá!

o adieu ao som do justice e ainda debaixo de chuva, de novo em companhia dos sumos ika e tal, frutos do bosque desta vez, assinalaram o final dos festejos rock n' roll. no dia seguinte, a conversa foi outra, já em viana do castelo, o cortejo inaugural da nossa senhora da agonia. how convenient.

day two....

ouvi os eagles of death metal via antena 3, na estrada, entre viana e coura. a necessidade inicial de acelerar a ver se ainda chegávamos a tempo, a constatação da impossibilidade, a tristeza, frustração, impotência, sei lá, tudo misturado. agarrei-me à tábua de salvação de que o josh homme nao apareceu por lá para me mentalizar que olha que se lixe, assim como assim, ele também nao está lá.

os gang of four não me disseram grande coisa. oiço ao longe algumas das "mais conhecidas". penso vezes sem conta que podiam ter trocado com os eagles of death metal.

nao gosto dos yeah yeah yeahs em disco. irrita-me a voz da karen-o e nao é pouco. vejo-a em palco e nao consigo desviar o olhar. está vestida de super-mulher e age como tal. um fato horrível de licra amarelo e tal, mas que ali resulta na perfeição. é a encarnação feminina do rock n' roll. não pára um segundo, está liberta de todas e quaisquer convenções. faz o que lhe apetece e até eu me sinto mais livre ao vê-la em palco.

os bloc party deram o concerto que mais gostei. explicar porquê é que é pior. se falar das músicas soa-me a pouco... o álbum já nao é novo, vem bem interiorizado, soa tudo a familiar, e essa sensação intensifica-se quando conciliada com a simpatia estampada no rosto de kele okereke e demais boémios. o telemóvel nao foi suficiente para registar todas a imagens desejadas. blue light foi a música que trouxe comigo. a rapariga aos saltos por ali fora ao som que banquet, sem cair, foi a imagem. e eu com o pé torcido...

os we are scientists parece que nao estiveram tão bem como de costume. achei que tiveram momentos de grande andamento, mas muito pontuais. o disco tem esse andamento de uma ponta à outra e esperava que ao vivo a coisa fosse ainda mais acesa. nem por isso. faltou ali qualquer coisa. talvez no coliseu. ah! e nao gostei das pseudo bocas aos bloc party.

day one...

concertos? olhando agora para o cartaz reúno ideias soltas, pessoais e mal fundamentadas sobre tudo o que vi. não vi tanto dos white rose movement como gostava. tocaram uma singela meia hora, pelo que alguns também singelos minutos de atraso na entrada do recinto provocaram uma perda irrecuperável. ficam as imagens.

gostei muito dos gomez. ouvi este novo álbum semanas a fio, encontrei ali tanguetas brilhantes, e achei-as ainda mais tanguetas ao vivo. trouxe comigo um bonito momento sha-la-la-la-la debaixo de uma chuva envergonhada e de uns sorrisos rasgados. a banda estava divertida e nós também.

dos madrugada pouco vi... uma obrigatória visita ao barbaças impunha-se e chego à conclusão que é o tipo de banda que ou se vê em recinto fechado ou se ouve em casa no aconchego do sofá.

os broken social scene deram realmente um concerto do caraças. e sim, como se disse por aí teve momentos em que trouxe à memória os arcade fire, por serem muitos em palco e pela panóplia de instrumentos à desgarrada. teve momentos de arrepiar, monumentais mesmo, mas o impacto não foi nem de longe nem de perto o causado pelos arcade fire. eu nem teceria a comparação.

o morrissey foi mal vestido. ninguém usa aquelas calças. de resto, que se lixe o mau feitio. eu adoro um bom mau feitio. adoro o sentido de humor irónico, caústico, inteligente, as bocas da reacção, trouxe comigo o "if you don't like me don't look at me" que antecedeu o "irish blood english heart". chovia a bem chover e ele a mandar recados para casa: "se estão a ouvir isto em casa estão cheios de sorte". e quem disse que eu quero saber da chuva? os sacos do lixo fazem milagres. morrissey à chuva é qualquer coisa. deixou a música a meio? nao me parece que isso faça dele o lobo mau. gosto dele, pronto, sou parcial porque posso.

os fischerspooner deram o espectáculo da noite. tenho impressão que não fosse todo o aparato cénico da coisa não tinha visto nada do concerto. o frio e a chuva às duas da manhã tornam-se em tortura. os fatos, as luzes, as bailarinas, o ritmo, a dinâmica de tudo aquilo tornam-se hipnotizantes. já não estamos habituados a espectáculos com esta produção. só quando se fala de grandes bandas. não conseguimos tirar os olhos do palco e só queremos saber o que vem a seguir.

firestarter.....

registo uma chegada debaixo de frio no domingo à noite. os chinelos e as t-shirts que em lisboa faziam todo o sentido, em coura eram despropositados. só quando sentimos o frio da noite percebemos isso. pela noite refresca, como dizia o outro. registo uma noite de abertura de segunda-feira tal como se queria. a inauguração oficial de uma semana de festival. não vi os concertos de abertura, bandex, corsage e warren suicide. deambulámos pelo recinto, conversas soltas, encontros e reencontros, no fundo acredito que todos sentimos aqueles dias como uma espécie de regresso a casa. e ika. muito ika. e as casas de banho deluxe undergound. tudo coisas que a esta distância passam a fazer sentido apenas quando recordadas em conjunto com quem as presenciou.

três e tal da manhã e música. miguel quintão em palco e um meio recinto ja bem composto e sedento de agitação. há que fazer esquecer o frio e sentir que o festival já vai alto. as duas missões, uma e outra, foram cumpridas. pensei na altura que ainda bem que fui porque era para aquilo que lá tinha ido. divertir-me. era de manhã quando saímos do recinto. a imagem nao desaparecerá tão cedo... na chegada a casa, ali mesmo em frente lá ao alto, as chamas continuavam a desbravar mato bem acesas. tão acesas. tão laranja. o contraste com o cinzento do céu... choveu no dia seguinte e nos que se lhe seguiram.

cold war.....

a pouco e pouco vou aterrando. ainda assim, o frio acumulado nos ossos durante a semana teima em nao me largar de uma vez por todas. já estive na praia, já senti os 30 e muitos graus que se têm sentido por estes dias em lisboa, mas não há nada que me convença que não está a chover lá fora e que o céu está cinzento escuro enquanto não abro os estores. o som dos chuveiros dos vizinhos que trabalham em agosto engana-me que eu gosto. não há dúvidas... é a chuva, o verão acabou. o frio psicológico faz virar para o outro lado e embrulhar-me bem embrulhada nos lençóis. cheguei mesmo a ir buscar o cobertor. que maravilha. está a chover na minha cabeça e estou de férias a sério.

abro os estores e nao entendo. está um sol que pede óculos escuros dentro de casa, um calor que obriga a que se fechem as janelas antes das dez da manhã. nem uma nuvem. e a chuva? e o inverno antecipado? fico aliviada. lembro-me que é terça-feira e que está na altura de ir ali gozar uns dias de praia e absorver sol suficiente para na minha cabeça voltar a ser verão até lá para março ou abril.

segunda-feira, agosto 21, 2006

stuck in a moment....

Photobucket - Video and Image Hosting

não passo daqui. por tudo e mais alguma coisa.


I saw the brightest light
It was the most wonderful sight
And I spotted the right time
The future is mine

domingo, agosto 20, 2006

brainstorm......

o disco que quis ouvir no dia a seguir foi o dos bloc party. o que ainda não saíu do leitor desde que cheguei a casa é o dos shout out louds. no meio de tanta oferta e, sobretudo tanta chuva, houve certos concertos que me passaram ao lado... não porque nao estivesse assistir, mas porque sinceramente não me dizem grande coisa. pasmem-se se quiserem: os bauhaus, os gang of four e os cramps. não vi os cat people, estava no parente a tratar de assuntos importantes para que o resto da noite de concertos corresse pelo melhor. segui o exemplo do josh homme e também não vi os eagles of death metal, ouvi via antena 3. fui a viana do castelo à tarde em busca de camisolas quentes, meias secas e impermeáveis. um almoço horrível mas um lanche do além entre impeks estendeu-se por mais tempo do que estava previsto e como não demos pelo avançar das horas... azarinho. veja-se o lado positivo da questão, ao menos a conversa ficou quase toda em dia. e digo quase porque algumas horas depois já haveria com certeza muito mais para contar. cena fêmea. já está em marcha o plano de novo reencontro de impeks.


[to be continued depois da praia]

it's not easy.....

a chegada é terrível. o choque é enorme. não me apetece olhar para nada, não me apetece sequer sair. acho que talvez assim consigo esquecer por mais uns dias onde estou, ou que estou de volta. tenho cá tudo à minha espera tal como deixei, inclusivé a ansiedade e a inquietação. estiveram congeladas durante estes dias, e acredito que o frio dilacerante que se me entranhou nos ossos dias a fio tenha ajudado e verdade seja dita preferia continuar a sentir esse frio.

os restos do costume... sacos de viagem abertos espalhados pelo chão da casa. a roupa que nao foi usada volta toda amarrotada e com o cheiro a mofo da que esvoaça desde há poucos minutos na corda debaixo do sol forte por que ansiámos durante toda a semana. se calhar esteve sempre ali. a humidade do costume, os restos de lama perdidos, as máquinas de roupa, a trilogia estende-apanha-volta a estender e a apanhar. volto a dizer... a chegada é terrível.

everything in its right place.....

ainda não entrámos na estrada das curvas e já me apetece voltar para trás. não consigo pôr de lado a sensação de que me esqueci de qualquer coisa essencial. e talvez seja mesmo invisível aos olhos, mas só dos meus, porque há sempre quem consiga ver, mesmo que eu ache que já não há nada para ver. mesmo que eu ache que já nao existe. não sei. nem a mim me faz sentido. sei que me custa regressar. deixar para trás uma semana de completa liberdade, de cumplicidades, amizades, laços fortes. a música dita os únicos horários que nos interessam. e só há uma regra: neste dias podemos tudo. até o horóscopo fala em confiança. podemos tudo.

shut down.....

ligo o computador e alguns segundos depois algo me passa pela cabeça que me faz desligá-lo imediatamente. apercebo-me que ao longo de toda a semana não me lembrei uma única vez por mais longínqua que fosse que os computadores existem. fecho os olhos e apresso-me a tentar regressar ao sonho. a coura. shut down.

sexta-feira, agosto 11, 2006

back to the future........

Photobucket - Video and Image Hosting

fresh air......

e sim, vistas bem as coisas sinto-me bem. confiante no futuro, mais do que alguma vez me lembro de ter estado em muito tempo. quero que passe depressa, porque continuo a ter pressa. quero que passe. porque há algumas pessoas de quem gosto que estão a atravessar uma fase má. porque sentem tudo o que eu sinto e algo mais. esse mais também eu o sinto. só eu. porque cada um vive à sua maneira. e quanto a isso eu só quero ter uma certeza: que vivo muito.

predicting my mind....

só pode ser burrice minha... estou a (re)ver-me cair de cabeça, tronco e membros dentro de uma embrulhada de todo o tamanho de outros tempos e acho que isso só me vai fazer bem. talvez faça. e quando olhar para trás e me perguntar já de mãos na cabeça por que é que não mudei de direcção enquanto era tempo, vou lembrar-me do dia de hoje ou do de ontem, e pensar que nao tive outra alternativa. viver para o presente tem destas coisas.

speaking my mind.....

se digo que sim e me arrependo mais tarde a culpa é minha. porque nao sei dizer que não, porque não me sei impor, porque me prejudico. se digo que não, das duas uma. ou me tentam demover e fazer-me dizer que sim. ou estou muito diferente e tenho mau feitio. que estou diferente já eu sei. a ideia era mesmo essa. estou muito melhor, a meu ver. há quem apregoe aos quatro ventos que nao muda porque não, eu penso, apenas para mim, que ainda tenho muito a moldar, mudar, transformar, que é como quem diz numa só palavra, aprender. se tenho mau feitio... desculpem qualquer coisinha.
se eu digo sábado, é sábado. e nao domingo. se eu digo de manhã é de manhã. e não à tarde. os dias são meus, ou nao são? faço planos para mim, apenas. assim ao menos nao corro o risco de os ver ir por água abaixo por influência de terceiros. e já que estamos numa de desabafos.... porque é que me fazem tantas perguntas e tão indiscretas?

o bem contra o mal.....

a vida nunca é totalmente injusta com ninguém. digo eu de fora, e analisando o meu caso prático e individual. o que acontece é que há episódios que por acontecerem em simultâneo anulam por completo a importância de outros, quer seja para o bem quer para o mal. e escusado será dizer que um episódio mau tem clara vantagem sobre um bom. isto quando falamos evidentemente de coisas com grande importância. se se dá a coincidência de acontecerem no mesmo dia, ou até na mesma semana, o episódio bom passará claramente ao lado de tudo o que faz parte da nossa lista mental de coisas realmente importantes para a nossa vida. tudo o que aconteceu de mal é imediatmente visto como uma tragédia para o nosso futuro. o bom, afinal de contas nao era assim tão importante. claro que o caso muda de figura quando o mal começa a pouco e pouco a ser apagado. o bom começa então a ganhar terreno. e por mais que tomemos consciência disso já fora de tempo, não deixa de ser gratificante, tanto ou mais do que se tivessemos dado a devida importância na devida altura. e se eu acredito na versão utópica da coisa, que diz que somos bons por natureza, e se até me considero uma pessoa geralmente optimista, porque me deixo eu por vezes ir abaixo desta maneira, sem conseguir dar mais valor a tudo de de bom que me acontece? e é tanta coisa....

sexta-feira, agosto 04, 2006

eyes wide open.....

olho para mim e vejo os primeiros sinais do tão esperado acordar daquele sono profundo... daquele. quero pelo menos acreditar que é isso que sinto hoje. e quando acordar talvez consiga escrever sobre o assunto. enquanto isso oiço os problemas dos outros. ajuda sempre.


orelhas de burro:











the upper room - other people's problems - 2006