domingo, novembro 28, 2004

you too... not me.....

há alturas em que me é impossível não ser do contra. não faço disso um modo de vida, até porque já experimentei durante a adolescência e dá muito trabalho, mas às vezes é mais forte que eu. não gosto de consensos absolutos, histerismos colectivos, prefiro a desordem e a discussão. tanto mal me disseram sobre a bomba dos u2, que comecei a ver a curiosidade a crescer ao bom estilo da bola de neve. não sou rande fã da banda, vejo os u2 como uma instituição que toda a gente respeita, que toda a gente gosta, mas que não me tira o sono, nem me faz estar três dias sem comer, e isso às vezes faz-me falta.

os u2 para mim são o símbolo do politicamente correcto na música, não me aquecem nem arrefecem. pior, fazem-me cair também no politicamente correcto e dizer chavões como "admiro muito o bono" e "o one continua a ser uma das canções que me mais me toca, mesmo depois depois de já a ter ouvido milhares de vezes". e a coisa piora se em seguida eu vier a acrescentar que quando o digo, digo-o a sério. e digo mesmo. é o lado humano do bono que me faz comprar os discos. é a esperança de vir a encontrar nos discos dos u2 outra canção que me faça sentir o mesmo que senti quando ouvi o "one" pela primeira vez. devia ter para aí doze anos e na altura de certeza que não percebi nada ou quase nada do que o bono estava a cantar. mas parou tudo à volta. o achtung baby faz parte do quadro de honra dos primeiros discos que comprei e continua a ser para mim o símbolo dos u2.

a partir dali, u2 speaking, acho que só voltei a sentir o mesmo quando ouvi o bono cantar o "the ground beneath her feet" no million dollar hotel, com os toques do daniel lanois. voltou a parar tudo. ainda pára.

não encontrei nada semelhante no "how to dismantle an atomic bomb". acontece que me pintaram o quadro tão negro em relação ao álbum, que ontem depois da entrada servida pelo álvaro na antena 3, fui ouvir o disco pela primeira vez. soou-me tão bem que o deixei tocar 5 vezes de seguida. e dei por muito bem investidos os quase 30 euros que gastei na quinta-feira na tão apregoada e raríssima edição xpto com cd+dvd+livro, que supostamente abandonaria o mercado na madrugada de domingo passado, mas que quase uma semana depois ainda havia aos pontapés e em destaque na fnac-colombo. tudo na base do politicamente correcto, he we go again, mas sinceramente não acho este disco pior do que o "all that you can't leave behind", que esse sim para mim foi uma xaropada. o atomic bomb, apesar de tudo, ganha-lhe com distinção. para mim são os u2 iguais a eles próprios. não percebo o porquê de tanta algazarra. não é isto que eles costumam fazer? não soa a achtung baby? o pop também não soava... e o vertigo também não me soava a nada... fui ver, era o octávio......

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