quinta-feira, julho 31, 2003

Utah Carol in the house

JinJa Davis e Grant Birkenbeuel são casados na vida real. Moram em Chicago, e mudaram de casa há muito pouco tempo. Agora têm mais espaço para arrumar a vasta colecção de discos e, quem sabe, para acolher o Burro durante uma semaninha, assim que houver palha suficiente para atravessar o Oceano.
Na vida artística o casal responde pelo nome de Utah Carol e faz canções lindíssimas, que são também grandes exemplos de Tangueta do mais fino recorte. O Burro recomenda sobretudo o álbum "Comfort for the Traveler", que em princípio já pode ser encontrado sem grandes dificuldades na Kingsize e até na Fnac. A do Chiado pelo menos.
A JinJa e o Grant estiveram a passar férias em Portugal há coisa de dois meses, mais ou menos (a memória do Burro, não é a de um elefante!), e telefonaram cá para o estábulo. Convém explicar que o primeiro contacto - via telefone - havia sido travado a propósito de outras (indies &) cobóiadas, e que ficara no ar o convite da praxe para que se um dia - num futuro longínquo e que provavelmente nunca chegaria a concretizar-se, mas que convém dizer porque fica sempre bem e eles até são pessoas fixes, e além disso até disseram que actuariam só para nós - passassem por cá dissessem qualquer coisa. Bem dito, bem feito! Eis que os Utah Carol ligam a dizer que estão em Sintra!
No dia seguinte, estavam a jantar cá no estábulo, e a actuar na sala de jantar (não que haja outra, nem que se jante muito na sala, mas.....) para uma assistência de 5 Burros! JinJa nas teclas e Grant à guitarra, tocaram canções dos dois álbuns editados e algumas do que está para vir. O Burro estava burro. É difícil acreditar, mesmo quando as coisas estão à frente do focinho, que uma das bandas que mais gostámos de ter descoberto nos últimos tempos, está a actuar na nossa sala...... Felizmente há provas e testemunhas! :)

[O Burro lembrou-se de partilhar este momento nesta altura do campeonato porque recebeu hoje notícias da dupla maravilha.]

Orelhas de Burro recomendam:


www.utahcarol.com

terça-feira, julho 29, 2003

E se um Burro chateia muita gente...

Vários Burros chateiam muito mais. Já somos 500!

Eis uma pequena parte da pandilha:


Da esquerda para a direita: Flora e Claude

segunda-feira, julho 28, 2003

Em queda-livre!

O Burro queria decorar o estábulo com qualquer coisa nova e de cores vivas, mas parece que está... emburrado! Nos últimos dias, as Burrices têm sido pontapeadas em catadupa para outras paragens, mais áridas por sinal, pelo que ao Burro só ocorre dizer: que bem que sabe começar a ouvir na rádio (pelo menos numa ou outra) com maior insistência o «Central Reservation» de Beth Orton, que imediatamante nos lembra da existência de «Sweetest Decline». Pode ser que passe amanhã... É isto o bom dos festivais terem cartazes fortes.
Mas o que o Burro acha mais engraçado no meio disto tudo é que toda a gente anda para aí a comentar a qualidade do cartaz do Sudoeste deste ano, ele é Beck, ele é Morcheeba, ele é Jamiroquai, ele é Badly Drawn Boy, ele é música com selo de qualidade para dar e - sobretudo - vender, mas no fim vai-se a ver e que espaço ocupam esses nomes todos ditos fortíssimos nas rádios-estudos-de-mercado? Se há tanta gente a atravessar o país para ver ao vivo esse pessoal que os estudos dizem não interessar nem ao menino jesus, como se explica que depois não haja interesse em ouvi-los na rádio? A Radar não tem audiência? O Burro não sabe.......... Sabe que ouve, e que a música está cada vez melhor. Sabe que pelo menos até 10 de Agosto há sempre a possibilidade de a qualquer momento ouvir aquele segredo bem guardado chamado «Sweetest Decline» na rádio. Depois disso, como dizia a outra, adeus. E ainda bem. Não convém ouvir muito, que é para não estragar, porque canções como esta não é qualquer um que as faz. Canções destas não aparecem todos os dias.

Orelhas de Burro querem ouvir mais:


Beth Orton no Sudoeste@10 de Agosto@22h30

É Muuuito TANGUETA



PARABÉNS, MÃE!


P.S. - a pedido de várias famílias, o Burro recupera um conceito de importância vital neste estábulo:

Tangueta - substantivo feminino de cariz musical utilizado pelo Burro e seus amigos para designar um determinado estilo de música, cuja principal (e obrigatória) característica consiste na utilização de uma voz melódica, límpida e extra-suave, pelo que se deduz desde já que a Tangueta não é um estilo livre de ser praticado por qualquer um. Para além disso, no caso de um artista iluminado querer elevar uma canção sua ao estatuto Muito Tangueta terá necessariamente de cumprir mais alguns requisito: não levantar a voz, tocar harmónica sempre que possível (muito importante) e banjo uma vez ou outra; e dedicar alguns versos a Pa Pa Pa's, La La La's e Oooo Oooo Oooo's - a la Brian Wilson - para facilitar o trauteamento das canções. Há mais especificidades a ter em conta, que o Burro se encarregará de publicar aqui no Estábulo, assim que possível. Para melhor se compreender o alcance da Tangueta, a exposição será feita em contraposição com outro estilo muito apreciado pelo Burro, que é o Songwriting.

sexta-feira, julho 25, 2003

Encerrado para obras.......

Ao fim de semana, o Burro joga aos índios e cowboys!

Humanidades Sawhneycas

O Burro foi à cidade. Universitária, leia-se. Há pouco mais de uma hora atrás ainda a Aula Magna estava completamente rendida ao poder daquele misticismo que não há meio de se descolar das cançõess do mestre Sawhney. E mais uma vez se comprova que quem sabe não precisa de o mostrar, e que quem tem o brilho agarrado à pele não precisa de solários para dar nas vistas. O Burro não tem palavras para descrever o que se sente quando se vê tanta humildade aliada a tanto engenho. Sawhney não precisa de estar no centro do palco para se tornar no centro das atenções. Aliás, parece mesmo que o evita. De ladecos, cede o protagonismo a quem dá voz às suas composições durante todo o tempo. As vozes mudam, entram e saem alternadamente, a negra, a branca, os cânticos indianos (we guess...) entoados com uma alma tão aberta que fazem de cada canção um momento de celebração espiritual. É muito forte, e mais intenso se torna quando se tenta perceber por que raio nos diz tanto uma música cantada numa língua que não nos diz rigorosamente nada. Não se explica, it's only human. «Human», o novo álbum de mr. Sawhney parece ser à primeira vista o disco do senhor que menos cativou o Burro. Verdade seja dita, tb ainda não houve tempo para lhe deitar as orelhas mais do que uma vez, mas o impacto foi menor que o habitual... talvez com o tempo comece a fazer sentido cá no estábulo.
Por agora, recorda-se a soul de «Broken Skin» e o misticismo sagrado de «Nadia». Repeat, repeat, repeat! Lindo! Para ouvir noite dentro e pensar que espiritualidade está onde um Burro quiser, e que não é preciso envergar nenhum traje especí­fico para fazer crer aos mais cépticos que existe realmente algo de muito melhor por desbravar. Nitin Sawhney usa calças de ganga e uma t-shirt cinzenta.

Orelhas de Burro ouvem (ainda):

quinta-feira, julho 24, 2003

31 Songs, by Nick Hornby

O Nick Hornby tem um livro novo. O Burro encontrou-o por acaso numa das deambulações de fim de semana que faz habitualmente pela Fnac, desta feita do Colombo. Depois de escolhidos os discos da semana, é tempo de iniciar nova ronda pelas novidades literárias. As secções de eleição do Burro não variam muito, diga-se de passagem, mas acaba-se sempre por encontrar alguma coisa que nos faça sentir o tão urgente "tenho de ler/ter isto!". Primeiro a secção da música (ossos do ofício e vício de carne e osso!), depois o cinema, a de arquitectura (ai aquelas sugestões para decorações de lofts........... daqui a vinte anos o Burro quer viver numa casa igual à do Hugh Grant no "About a Boy", já que falamos de Nick Hornby), a comunicação (nunca se sabe quando alguém edita um livro que nos dê ânimo para acabar o curso...... o Burro (ainda) não é diplomado, ah pois não....... é só um Burro!), os estranjas, a poesia (nem toda........) and that's it!
De volta ao Nick Hornby..... o novo livro chama-se "31 Songs" e é sobre isso mesmo. O Burro ainda só leu algumas páginas na diagonal, mas pode adiantar que desta vez o Nick delira ao longo de quase 200 páginas sobre canções de que gosta muito ou que o marcaram de alguma maneira ao longo dos anos. E a título de curiosidade, o Burro revela que o Nick também é fã de Tangueta - chega mesmo a pedir desculpa por não ter incluído na lista canções dos Pernice Brothers (MUITO TANGUETAS) , Joe Henry, Lucinda Williams, Ron Sexsmith, Maurice Williams & the Zodiacs, Marvin Gaye, entre outros que o Burro agora não se lembra.....
À primeira vista parece um bom sucessor para "How to be Good", que fez as delícias do Burro no ano passado! (continuamos, no entanto, sem conseguir embarcar na onda de Fever Pitch..... o Burro não vai à bola com essa febre.....)

Eis a lista:

1. Teenage Fanclub - «Your Love is the Place Where I Come From»
2. Bruce Springsteen - «Thunder Road»
3. Nelly Furtado - «I'm Like a Bird»
4. Led Zeppelin - «Heartbreaker»
5. Rufus Wainwright - «One Man Guy»
6. Santana - «Samba Pa Ti»
7. Rod Stewart - «Mama You Been on My Mind»
8. Bob Dylan - «Can You Please Crawl Out Your Window?»
9. The Beatles - «Rain»

10. Ani di Franco - «You Had Time»
11. Aimee Mann - «I've Had it»
12. Paul Westerberg - «Born for Me»
13. Suicide - «Frankie Teardrop»
14. Teenage Fanclub - «Ain't That Enough»
15. The J. Geils Band - «First I Look at the Purse»
16. Ben Folds Five - «Smoke»
17. Badly Drawn Boy - «A Minor Incident»

18. The Bible - «Glorybound»
19. Van Morrison - «Caravan»
20. Butch Hancock and Marce LaCouture - «So I'll Run»
21. Gregory Isaacs - «Puff the Magic Dragon»
22. Ian Dury & the Blockheads - «Reasons to be Cheerful, Part 3»
23. Richard and Linda Thompson - «The Calvary Cross»
24. JAckson Browne - «Late for the Sky»
25. Mark Mulcahy - «Hey Self Defeater»
26. The Velvelettes - «Needle in a Haystack»
27. O.V. Wright - «Let's Straighten it Out»
28. Röyksopp - «Röyksopp's Night Out»
29. The Avalanches - «Frontier Psychyatrist»
30. Soulwax - «No Fun/Push it»
31. The Patti Smith Group - «Pissing in a River»

Debaixo d'olho:

quarta-feira, julho 23, 2003

Go shawty, it's your birthday!

De há umas semanas para cá, o Burro tem andado a ler umas coisas sobre hip hop por motivos de força maior. Como foi explicado no post de abertura deste estábulo, a música de eleição do Burro é mesmo a Tangueta, uma constatação que apesar de hoje ser dita com toda a convicção demorou quase 24 anos a ganhar forma. Mas voltando ao hip hop... depois de muito ler, o Burro ficou com a palavra "flow" na cabeça. Sem se aperceber deu por si (não você, ele mesmo) a pensar que até então nunca tinho lido a palavra flow associada ao hip hop. Diga-se passagem que os conhecimentos na matéria também não eram (nem são) muitos, mas mesmo assim há certas palavras/expressões que sempre nos habituámos a ver associadas àquela cultura, como o MC, o DJ, o scratching, os writers, o freestyle, etc, etc, mas "flow" nunca..... É estranho porque a partir do momento que se repara na palavra pela primeira vez, parece que a vemos em todo o lado. Depois da descoberta da palavra, a descoberta do significado. Ler que um MC tem um bom "flow" dá a entender que o MC é bom no que faz. No entanto, se pedirem ao Burro para explicar o que é o "flow" afinal de contas (confesso que nem sequer me ocorre o significado da palavra em inglês......) the answer is: no answer!
Acredito que não haja muita gente (que ainda não saiba) interessada em descobrir o que é isso de "flow"... mas como o Burro é utópico e acredita no Pai Natal vai deixar a chave para a resolução do enigma. É muito simples. Quando se ouvem músicas como "Wangsta" ou "In Da Club" ou "21 Questions" - 50 Cent rules! - a resposta surge de imediato. O tal de "flow" é aquele impulso que nos faz abanar a cabeça à  medida que balançamos os ombros da direita para esquerda e da esquerda para a direita sem repararmos que o fazemos over and over again, até ao final da música, durante dias a fio. E depois repeat, repeat repeat. O Burro é repetitivo quando gosta, mas só quando gosta muito. E gosta muito do 50 Cent. É pena é que o álbum [Get Rich or Die Tryin'] tenha uma capa tão gangsta rap da tanga, e capricho ou não, a verdade é que o Burro tem sérias dificuldades em comprar um disco quando não gosta da capa...... manias! Deve ser o flow que faz uma música tornar-se tão viciante como o "In da Club", que não nos deixa descansar enquanto não a tivermos ali à mão para ouvir sempre que nos vem à cabeça a frase «Go shawty, it's your birthday.....». (thanks again, mariño).
Agora, os efeitos que as músicas citadas provocam em cada Burro não constituem nenhuma ciência exacta, e além disso a teoria apresentada não foi alvo de confirmação de qualquer ordem, pelo que se estiver errada o Burro não se responsabiliza por....... por nada! É só um flowing.

Orelhas de Burro ouvem:
«What Up Gangsta» (aquela intro, a entrada da música como se de um tiro se tratasse, e o power da marcação das batidas ao longo daqueles minutos tornam difí­cil a passagem à faixa seguinte.......)

segunda-feira, julho 21, 2003

Uma cenoura por um bom poema!

Faith pours from your walls, drowning your calls,
I've tried to hear, you're not near.
Remembering when I saw your face,
shining my way, pure timing.
Now I've fallen in deep, slow silent sleep,
it's killing me, I'm dying.

To put a little sunshine in your life.

Soleil all over you, warm sun pours over me.
Soleil all over you
Warm sun.

Now this slick fallen rift,
came like a gift,
your body moves ever nearer
And your will dry this tear
Now that we're here, and grieve for me, not history
But now I'm dry of thoughts, wait for the rain,
Then it's replaced, sun setting

And suddenly we're in love with everything.

Soleil all over you, warm sun pours over me.
Soleil all over you
Warm sun.



Badly Drawn Boy, «The Shining» in
«The Hour of Bewilderbeast», 2000






BDB@Sudoeste@10 de Agosto de 2003

Os suspeitos do costume

É engraçado como apesar de parecer que actualmente há uma constante tentativa (por parte de quem é que não sabemos...) de refundir um determinado modo de fazer divulgação musical em Portugal (e neste caso estamos a pensar na rádio), quem acaba por salvar o barco quando o assunto da reportagem (falamos agora de televisão) é a música são sempre os mesmos. Os clandestinos-à-força.
Nuno Calado, António Freitas, Jorge Amaral e João Xavier fizeram o Burro esquecer a desgraça que foram a maioria das bocas de Francisco Penim e Victor Figueiredo a propósito dos concertos de Vilar de Mouros.
Calado e companhia asseguraram durante várias horas de emissão intervenções com conteúdo, abordagens adequadas aos diversos estilos de música que passaram pelos palcos mouros com as devidas contextualizações, avaliações pós-concerto sóbrias e eficazes, sem espaço para histerismos nem tiros ao lado. Entrevistas, o Burro só assistiu à de Mike Patton, muito bem conduzida pelo Freitas, que a seu tempo foi chamando o Calado para a conversa. Habituados a estas andanças, souberam fazer perguntas simples como se quer num momento de confusão pós-sound check como aquele, e parar quando o senhor Patton já estava a dar a entender que ainda havia muito para fazer antes do concerto dos Tomahawk.
Como Patton adiantara na entrevista, houve "mto barulho" no concerto. O Burro não se entusiasma muito com este tipo de sonoridade. Ao vivo até é entra no espírito, mas via televisão/rádio/disco é complicado. Reconhece no entanto, pelo que pôde observar da prestação em palco de Patton que o artista é um verdadeiro artista, pelo que dá gosto observar as suas movimentações e concentradas trocas de instrumentos (sound off, though!), que lhe dão mesmo o ar de cientista louco, como dizia ontem à noite o Freitas na antena 3. O Burro sentiu a falta dos comentários do Álvaro Costa. Afinal de contas, ele é um dos principais suspeitos do costume........

Orelhas de Burro ouvem:

domingo, julho 20, 2003

Azar de Mouros......

O Burro é suspeito, mas nãoo consegue deixar de dar uns coices no que ouviu há bocado no directo da Sic Radical. Francisco Penim e Victor Figueiredo fazem o rescaldo da segunda noite de concertos num d¡álogo descontraí­do e simpático, com opiniões bem marcadas e gostos pessoais à mistura. Ficamos então primeiro a saber que os Blasted Machanism foram os grandes cavalos de corrida do serão - o Burro não duvida nada, pelo que pôde acompanhar na transmissão -; que os Los Planetas não valem nada e não deviam ter saí­do de Granada, e que o Lenine deu um grande concerto apesar de até então não ser muito conhecido entre nós. Recorde-se apenas que esta não era a primeira vez que o brasileiro passava por cá, e que o álbum "Na Pressão" foi até bastante mais falado do que "Falange Canibal", uma vez que trazia pela mão a canção "Paciência", que muito rodou numa novela que o Burro não via e por isso não sabe o nome... se fosse da "Por Amor" sabia de certeza, mas como não era não chegamos lá mesmo...... Além disso, pessoal atento como o Henrique Amaro e o João Miguel Tavares já muito destaque têm dado ao veterano da canção brasileira.

O Burro baixa as orelhas e faz uma vénia ao trabalho que a Sic Radical tem vindo a desenvolver, mas como fã sentiu-se insultado - e lá vamos nós outra vez - com os cinco minutos de reportagem dedicados ao rescaldo da prestação de Rufus Wainwright..... Saltando à  partida a ladaí­nha dos gostos não se discutem, e tendo em conta que quem escreve não esteve no local, o Burro não gostou de ouvir que o rapaz teve "uma prestação desadequada", como referiu em uníssono a dupla Sic Radical. Se alguma coisa foi desadequada foi a escolha do espaçoo e não a actuação, e isso não terá com certeza sido culpa do artista. E ainda assim, não é por se apresentar num palco de festival apenas (!) com um piano e uma guitarra que um artista pode ser catalogado de peixe fora d'água. A Bjork tb deixou bem claro há uns dias que mesmo nos momentos unplugged um artista completo munido de uma voz potente e penetrante soa tão bem num descampado como numa sala intimista. E nem se dá por falta das cadeiras... Encontrões é que não!
Não querendo fazer deles Burros, que para isso estamos cá nós, fica o apelo para que para a próxima se tenha mais cuidado quando se fazem avaliações dos motivos que levam o público a estar (ou não) presente nas actuações. A ideia que ficou no fim do rescaldo foi que o coitadinho do David Fonseca foi prejudicado por ter actuado depois do Rufus. (Não admira, não é rapazes? afinal o Rufus Wainright [sic] é só um singwriter [sic] a imitar o Leonard Cohen...)Aliás, a expressão do senhor Penim foi mesmo que David Fonseca "teve o azar de actuar a seguir a Rufus Wainwright, mas fez o que pôde"............... HI-HÓ!!!!!!! Se teve azar foi porque a fasquia terá sido deixada muito alta pelo antecessor. O Burro gosta da música do David, mas nem 8 nem 80.
O Burro põe as patas no fogo em como até o próprio David não gostaria de ouvir uma conclusão como esta. É que já por várias vezes ficou bem provado (até À  pedrada) que por muito pouco que o público goste da banda que actua antes daquela outra banda que lá foi ver, aguenta-se ali de pedra e cal (por vezes até literalmente) e não dispersa para não mais voltar. HI-Hó!!!!!!!!!

Orelhas de Burro ouvem:

Grey Gardens

Lindo! Obrigada Gamma, muito muito obrigada, o Burro ficou ainda mais triste por não estar a ouvir o Rufus ao vivo e a cores, mas o lado masoquista acaba sempre por falar mais alto em situaçõess extremas e toca a escarafunchar cada vez mais na ferida......... nãoo quis atender à primeira para não desatar aos coices nas paredes, mas não resisti a ligar de volta. Lindo! Fiquei sem palavras....... reconheci o Grey Gardens, sentei-me no chão para não cair. fechei os olhos para me abstrair de onde (não) estava. aquela voz é mágica, vai direita ao estômago, corta, embala, é viciante, triste, dourada, nascida ao sol como a Greek Song, e mais uma vez mágica. Uma das pérolas da china de que ele fala para lá. O resto não interessa... é difícil prestar atenção às palavras quando alguém as diz tão bem. A voz é mais forte. Forte demais. Até palavras como "tarecos" soam a "ápice". Até relatos da bola o Burro ouvia se por ele fossem ditos...
Mesmo via TMN, estes três minutos de Grey Gardens, e outros sete ou oito de duas músicas que presumo serem do novo álbum (uma dedicada ao pai, pelo que percebi...) ficarão na memória do Burro por bastante mais tempo do que alguns concertos inteiros vistos nos últimos anos.
A Sic Radical não está a transmitir........ a antena 3 não está a transmitir.......... o Pedro Costa anuncia agora "Born of Frustration"......... O Burro não acredita em coincidências, mas que as há, há......... no hay rufus....... it's all in a tape.........

O Burro ainda está de queixo caído... A antena 3 (via antónio jorge e antónio freitas) anuncia a saída de palco dos Blasted Mechanism, entrevista alguns campistas, prevê o fracasso comercial da actuaçãoo do Rufus, e enquanto se ouve ao fundo a entrada do artista da noite em palco gritando qq coisa como "está mui frio" (o meio espanhol dizem eles ser influência da entrevista que lhe fez ana galvão há bocado), daí o destaque da transmissão a essa mesma ana galvão que está a entrevistar o pessoal das barracas de artesanato, percings, etc, etc................. Não Há Explicação. O Burro não sabe como funciona essa história dos direitos de transmissão, mas se não ha licença para transmitir um concerto, tb não haverá com certeza para captar sons no recinto durante a actuação......... One Man Guy"... é o mais próximo que o Fado alguma vez estará de uma canção pop cantada em inglês. Silêncio.


Orelhas de Burro ouvem:

sábado, julho 19, 2003

O Burro não gosta de palha...

O Burro não foi a Vilar de Mouros e por isso está de trombas. Pior do que ver passar o tempo sem ter a oportunidade de ver ao vivo uma banda/artista que nos chega a fazer doer o estômago, é perder o tão aguardado concerto. Mas o Burro está aos poucos a desistir dos festivais.... Já nem pelo Rufus Wainwright lá vai. Há muita palha.
É muito complicado para um Burro que se enerva facilmente ver um concerto da sua banda mais-que-tudo no meio de uma enchente de mosquitos e macacos. Dada a sua baixa estatura já é complicado o suficiente ver para o palco em condições, mas imaginemos que por sorte lá se encontra um lugar de ladecos que ainda deixa ver pelo menos a cara do Rufus de vez em quando... É certo e sabido que dois minutos depois está um acampamento de fãs de outro artista qualquer plantado à  nossa frente, e que para ajudar à  festa vai aproveitar o tempo do concerto para pôr a conversa em dia.
Numa tentativa de total abstracçãoo, que com o poder de sedução de uma voz como a de que se fala aqui não seria de todo tarefa complicada, olhamos para as estrelas (sim, porque em vilar de mouros ainda será possí­vel encontrar algumas, ao contrário do que se vai verificando em muito boas zonas de lisboa...) ou fechamos os olhos para que a visão daqueles campistas a ignorar o momento que ali se celebra não nos volte a tirar do sério... É complicado. Os empurrões de quem tenta chegar ao palco a todo o custo, as marretadas das mochilas da macacada que dança com a casa às costas, os saltadores em altura que transportam cerveja no alto do seu metro e noventa, mas que acabam por deixar pelo caminho metade do abastecimento............ e correr o perigo de no meio disto tudo nem nos apercebermos que lá ao fundo se entoa uma obra prima como "Greek Song"? ou "Poses"? ou "One Man Guy"? Uma desilusão e um ataque de nervos que se podem evitar, enquanto se fazem planos alternativos para que à  hora marcada haja tanta burrice para fazer que nem se dá pelo que estamos a perder. E além disso, haverá de certeza outro concerto e num sí­tio mais apropriado. Va¡-se lá saber como é que um artista destes vai parar a um festival com um cartaz daqueles e ainda por cima nem direito tem a ser cabeça de cartaz do dia em que actua... David Fonseca? ok, o Burro até gosta do rapaz, mas daí­ a ser considerado o nome mais forte da noite... mas o Burro é só um Burro......
Por muito feliz que seja a ideia de ouvir ao vivo aqueles sons latinos da inexplicavelmente relax-hipnotizante "Greek Song", o Burro não arrisca........ nem petisca........
Ouve lá tu agora também ó Rufus, porque é que não vieste mas foi ao CCB aqui há uns meses como se tinha falado? Sabes no que é que te vais meter ali no meio da mosquitada e daquela macacada toda? Tá bem, és rapaz novo, mas tens pinta de ser fino demais para aquela confusão, pá! Deixa isso para nós, Burros. Mas pronto já que te meteste nisso, não se fala mais no assunto, e agora arranja mas é aí­ uns contactos para voltares cá à  Aula Magna lá para o final do ano. O Burro vai andando.

Orelhas de Burro ouvem:

sexta-feira, julho 18, 2003

o Burro gostava de ter visto...



Depois de (involutariamente) se terem confundido várias famílias, esclarece-se que na foto acima figura o senhor a quem se dedicam os posts que se seguem e não sua excelência, o Burro.

quinta-feira, julho 17, 2003

ONDE A TANGUETA E O SONGWRITING SE CRUZAM

Em construção.......


Tangueta - substantivo feminino de cariz musical utilizado pelo Burro e seus amigos para designar um determinado estilo de música, cuja principal (e obrigatória) característica consiste na utilização de uma voz melódica, límpida e extra-suave, pelo que se deduz desde já que a Tangueta não é um estilo livre de ser praticado por qualquer um. Para além disso, no caso de um artista iluminado querer elevar uma canção sua ao estatuto Muito Tangueta terá necessariamente de cumprir mais alguns requisito: não levantar a voz, tocar harmónica sempre que possível (muito importante) e banjo uma vez ou outra; e dedicar alguns versos a Pa Pa Pa's, La La La's e Oooo Oooo Oooo's - a la Brian Wilson - para facilitar o trauteamento das canções. Há mais especificidades a ter em conta, que o Burro se encarregará de publicar aqui no Estábulo, assim que possível. Para melhor se compreender o alcance da Tangueta, a exposição será feita em contraposição com outro estilo muito apreciado pelo Burro, que é o Songwriting.


Orelhas de Burro ouvem:


Muito Tangueta