sexta-feira, julho 25, 2003

Humanidades Sawhneycas

O Burro foi à cidade. Universitária, leia-se. Há pouco mais de uma hora atrás ainda a Aula Magna estava completamente rendida ao poder daquele misticismo que não há meio de se descolar das cançõess do mestre Sawhney. E mais uma vez se comprova que quem sabe não precisa de o mostrar, e que quem tem o brilho agarrado à pele não precisa de solários para dar nas vistas. O Burro não tem palavras para descrever o que se sente quando se vê tanta humildade aliada a tanto engenho. Sawhney não precisa de estar no centro do palco para se tornar no centro das atenções. Aliás, parece mesmo que o evita. De ladecos, cede o protagonismo a quem dá voz às suas composições durante todo o tempo. As vozes mudam, entram e saem alternadamente, a negra, a branca, os cânticos indianos (we guess...) entoados com uma alma tão aberta que fazem de cada canção um momento de celebração espiritual. É muito forte, e mais intenso se torna quando se tenta perceber por que raio nos diz tanto uma música cantada numa língua que não nos diz rigorosamente nada. Não se explica, it's only human. «Human», o novo álbum de mr. Sawhney parece ser à primeira vista o disco do senhor que menos cativou o Burro. Verdade seja dita, tb ainda não houve tempo para lhe deitar as orelhas mais do que uma vez, mas o impacto foi menor que o habitual... talvez com o tempo comece a fazer sentido cá no estábulo.
Por agora, recorda-se a soul de «Broken Skin» e o misticismo sagrado de «Nadia». Repeat, repeat, repeat! Lindo! Para ouvir noite dentro e pensar que espiritualidade está onde um Burro quiser, e que não é preciso envergar nenhum traje especí­fico para fazer crer aos mais cépticos que existe realmente algo de muito melhor por desbravar. Nitin Sawhney usa calças de ganga e uma t-shirt cinzenta.

Orelhas de Burro ouvem (ainda):

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