sábado, agosto 30, 2008

don't!

o diagnóstico é: tenho uma cadela dominante e com mau feitio. ou seja, durante as últimas duas semanas fui vítima de um sem número de truques e manhas de um ser vivo que conseguiu de mim tudo o que quis, não só sem que eu desse conta, mas ainda julgando (eu!) que estava no controlo da situação. por aqui se vê bem, que nunca tive de me debater com a preocupação de educar nada nem ninguém até hoje. desde os horários rígidos das refeições, à escolha da trela, à maneira de passear, aos assaltos à minha cama madrugada fora, à maneira de repreender.... errrr.... basicamente, fiz tudo ao contrário. { ainda assim, em duas semanas a bobina responde prontamente ao nome, dorme na cama dela e não sobe para o sofá.{
desde ontem as regras mudaram cá em casa. algum dia eu ia ter de mandar em alguém... parece que chegou a minha vez. estou em pânico! como quando nao sei, pergunto, fui consultar a opinião de especialistas nesta arte de educar cães. a primeira experiência foi qualquer coisa de aterrador...
- tenho de lhe gritar até que a voz me doa quando faz o que nao deve, para logo a seguir lhe dizer que é linda, sorrir, e abracá-la (talvez seja desta que aprendo a gerir mudanças de humor... hummm).
- tenho de lhe puxar pelos colarinhos no pescoço (nao será com certeza este o termo técnico) quando a quero pôr no lugar dela (diz que é o castigo que as mães aplicam nos filhotes... as coisas que eu andava a perder!)
- tenho de lhe retirar a tigela da comida se passados dez minutos ainda lá houver comida.
- tenho de a passear quase sempre ao meu lado (trelas que esticam estão proibidas!) e sempre com regras ao longo do passeio. (o objectivo último destes passeios regrados é que a bobiba um dia só faça xixi e cócó quando eu disser! e ela em casa não faz nada.)
- o mais assustador de tudo: este fim de semana estamos em treino intensivo. de cada vez que ladrar por eu sair de casa, ou por aparecer um vizinho no quintal do lado, vou ter de dar VALENTES sustos na coitada da cadela, que deve estar por esta altura a pensar "onde vim eu parar, que podia estar tão sossegada aí num jardim qualquer a caçar pombos e pardais!"
posto isto, pode ser que no fim de todo este duro processo eu consiga finalmente dizer "nãos" sem guardar remorsos, e fazer valer as minhas ideias de um modo muito mais assertivo do que fiz até então. e não falo só da minha relação com a bobina...
e sai um biscoito para a bobina que está calada lá fora há quase duas horas, com portas a bater, estores a abrir e a fechar, interrupções voluntárias de concentração provocadas pela dona, e outros barulhos de que me fui lembrando ao longo da manhã! e amanhã regressamos aos treinos.

quinta-feira, agosto 28, 2008

peace and quiet...

ainda não tive férias este ano. pelo menos as chamadas férias de verão. aquelas que normalmente duram quinze dias e em que se vai para um qualquer destino de praia, para cumprir o ritual das manhãs na praia e as tardes entre esplanadas, gelados, caracóis e o que mais houver para entreter o tempo, que durante pelo menos quinze dias parece voltar a existir. além disso, há sempre o lado positivo de passar o mês de Agosto a trabalhar... este ano estava difícil de perceber o porquê desse lado positivo, mas esta tarde, só o facto de poder trocar as voltas à rotina de trabalho habitual e poder estar em casa a horas que normalmente apenas os fins-de-semana o possibilitam.... já valeu a pena. o sossego e o silêncio que se sentem lá fora são qualquer coisa de se absorver a plenos pulmões. felizmente, a bobina já vai ajudando à calmaria, enquanto se entretém a enterrar/ esconder os ossos de cinco (!!!) euros que supostamente deveria estar a roer para não destruir tudo o que a rodeia.

quarta-feira, agosto 27, 2008

breathe in, breathe out...

é incrível como de um dia para o outro, e sem esperar, se resolvem quase por si mesmos dois ou três problemas de meia-noite, que durante semanas me impediram a livre circulação de ar pelos pulmões adentro. de repente, instala-se um vazio mental de que já tinha saudades. parece que já me tinha habituado a acordar e a permanecer preocupada ao longo do dia com estas questões que agora se evaporaram... e agora vou ali encher os pulmões de ar, respirar fundo e dar um grande suspiro. próximo passo: desembrulhar o estômago.

domingo, agosto 24, 2008

turning around.......

a semana do regresso de todas as incertezas e a sensação de voltou tudo à estaca zero. depois de meses de tranquilidade até eu me convenceria de que daqui para a frente seria sempre assim sem alterações de qualquer espécie, sem que nada nem ninguém pudesse surgir do nada e baralhar tudo aquilo que por agora eu tinha como certo e me bastava. e assim foi. acontece que o "sempre" acabou no fim de semana passado. estou confiante, decidida, satisfeita e entusiasmada para pôr ordem em mais uma fase de pernas para o ar, e em que me vejo ao contrário de tudo o que se passa à minha volta. adoro passar o dia a pensar em tudo e todos que nao devo; andar preocupada com tudo o que não posso resolver; dormir pouco porque a cabeça não pára... lá está, de pensar em tudo o que nao deve; sentir que a maioria dos que me rodeiam são apenas chatos e insensíveis porque não percebem à luz natural todas as tempestades, raios e trovões que me vão na alma.
posto isto, e ironias à parte, até me sinto bastante bem ao observar este quadro. finalmente, a sensação de que há pessoas que já não influem em nada no meu estado de espírito, mesmo que em tempos tenham tido o poder de me fazer rir e chorar de um minuto para o outro. não há nada como um caso "mais complicado" para tirar a importância de um caso "apenas complicado"... já que aí vem nova temporada de dúvidas e incertezas, então que sejam das melhores que me surgiram nos últimos tempos! assim pelo menos não aparece concorrência de duvidazinhas tão cedo...
urgente: férias!

segunda-feira, agosto 18, 2008

doggy dog world....

de um momento para o outro, deixei de poder:
- sair sem dar satisfações a ninguém e sem hora para voltar,
- organizar a minha vida de forma desorganizada,
- decidir à sexta à tarde que vou passar o fim de semana fora,
- estar fora horas a fio sem que isso me cause qualquer tipo de preocupação,
- andar por casa sem ter duas sombras atrás de mim em permanência,
- tomar banho sem guarda-costas,
- fazer o que quer que seja sem público a assistir.
basicamente... deixei de poder sentir-me independente do dia para a noite e ainda não sei como reagir a isto tudo. é ao mesmo tempo a coisa mais assustadora e o maior desafio. tinha portanto reunidas todas as condições para que avançasse para bingo. os 180 graus já estão em marcha.
a bobina está a dormir profundamente de barriga para o ar, mesmo aqui à minha frente, na cama dela. já percebeu que os sofás estão interditos. podia estar a brincar lá fora no quintal, mas parece que foi incumbida desta terrível missão de não me perder de vista, por um segundo que seja. é qualquer coisa de claustrofóbico para quem não gosta de sentir na pele controlo declarado de espécie alguma.
estamos as duas a ambientar-nos a situações perfeitamente desconhecidas. eu, que nunca tive de tratar de mais ninguém que não eu, tenho agora uma vida animal a meu cargo. ela, que caíu de pára-quedas numa casa estranha, com novos hábitos, tem agora de achar normal mudar tudo de um dia para o outro. eu, que tenho pavor de de feridas e curativos e afins, dou por mim a ter de tratar de uma otite, contra todas as forças de uma cadela que dia para dia está mais eléctrica. ela, que notoriamente está habituada a ter gente à volta todo o dia, tem agora de se entreter sozinha várias horas no quintal.
e eu, que não faço ideia como vai ser daqui para a frente, tenho aos meus pés uma cadela de 9 meses, feita de meiguice, que tem pavor de ser abandonada outra vez, e que só quer que lhe façam destas na barriga e retribuir com beijinhos.

up and down.....

voltámos a deitar abaixo o muro, que constantemente construímos pelos motivos mais e menos válidos que encontramos aqui e ali. o mais engraçado é que nos conseguimos sempre surpreender em matéria de momentos certos para atirar mais um pedra para a construção de novo muro. como se nos tivessemos conhecido ontem. é um processo cansativo, mas que aparentemente tem de ser feito. se assim não fosse, nao percebo por que motivo o fazemos há já tanto tempo. e agora que decidimos voltar a pôr-nos em bicos de pés para ver o que há para além do muro, volto a perceber porque atiramos nós as pedras para lá quando menos se espera. acaba por ser tudo muito mais fácil quando não se vê o que está do outro lado. estamos de volta à saga habitual, sem que ninguém o declare, qual novela, mas sem fim previsível nem à vista. começo a achar que caímos mentalmente dentro de um daqueles brinquedos para hamsters sem saída, tipo mini montanha-russa, e ali permaneceremos até que nos cansarmos de andar à voltas e a destruir aquilo que construímos.