quinta-feira, março 24, 2005

comédias...

sou um bocado reticente em relação a filmes de comédia. gosto de comédias românticas a la meg ryan e julia roberts, os chamados filmes de domingo à tarde, mas fico sempre de pé atrás quando um filme se intitula, logo à partida, de cómico. está mais do que constatado que o que nos faz rir é o inesperado. alertam-nos para isso nos primeiros anos de escola. quando uma pessoa cai, tropeça num degrau na sala de cinema porque entrou atrasada e está tudo escuro, vai contra um poste, um vidro que de tão bem lavado se torna invisível, tudo isto tem graça na vida real porque são coisas que não acontecem a toda a hora. ora, quando as coisas se passam no cinema o caso muda de figura. acho que se exige um bocado mais de quem escreve um argumento. e ou eu vi durante muitos anos as comédias erradas, ou então não tenho um sentido de humor assim tão apurado. não gosto de ir ver um filme "para rir". e na maioria dos casos em que vejo comédias dessas que não suporto, mas que por um motivo ou outro acabo por ir ver, fico com a nítida sensação de que metade das pessoas na sala passam o tempo todo a rir, não porque estão realmente a achar graça, mas porque sabem que aquilo é um filme onde se devem rir. "doidos à solta", "ace ventura" e grande parte dos filmes dos jim carrey (para grande frustração minha que sou grande fã do actor... felizmente nos últimos tempos a coisa tem melhorado bastante), e ainda coisas como "onde pára a polícia", e algumas palhaçadas do bill murray... nao passo do primeiro intervalo.

e depois há as outras comédias. as que ou fogem ao óbvio, as que são feitas de uma maneira mais subtil e não me fazem sentir que alguém esteve a pensar em cenas para me fazer rir. e volto ao bill murray. fui ver o life aquatic um bocado de pé atrás, e durante o filme arrependi-me várias vezes de o ter ido ver. mas às tantas o nonsense é tanto, que no final, olhando para o filme como um todo, parece que já me consigo rir de tudo aquilo que não achei graça nenhuma enquanto as cenas estão a decorrer. há ali coisas hilariantes, o david bowie revisto pelo seu jorge, o willem dafoe a fazer de bonzinho e rapaz sensível (just that), a importância do papel de carta, a seriedade do barrete, a emoção do aparecimento do tubarão-jaguar ao som do staralfur e o olhar petrificado da tripulação... fora tudo o resto. o filme tem um sem fim de sketches cómicos magníficos, mas como filme, como comédia, continuo a preferir o tipo de humor da sequela do ocean's eleven. e aí ao menos sei que todos os que fizeram o filme devem ter-se divertido mais do que qualquer um de nós. e isso para mim devia ser a base de qualquer comédia.

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