quem vai a concertos com alguma regularidade, já terá dedicado algum tempo a pensar, pelo menos uma vez ou outra, na disparidade de públicos que se encontram por esse mundo de palcos fora, mas cá dentro, dependendo das salas em que decorrem os ditos concertos. por maior abertura de espírito e poder de encaixe que queira/tente ter, não consigo deixar de me sentir um bocado "fora d'água" quando vou ver certos artistas/bandas ao ccb, por exemplo. digo por exemplo porque já percebi que não tem a ver com a sala, mas sim com o tipo de música em questão, ou com o próprio artista. que me lembre, já senti o mesmo na aula magna, no são luiz e no coliseu. acontece que este tipo de situações ultimamente só me tem acontecido no ccb. que situações?
fui ver a diane reeves ao ccb ontem à noite. o meu tio é fã de música, apaixonado incondicional pelo jazz e volta não volta, quando vem a lisboa, eu sou levada nestas andanças jazzísticas, mais ao vivo do que em disco, confesso.... mas voltando às tais situações... ver concertos em salas repletas da chamada gente bonita, elegante e divertida, eles de fato, gravata e gel à discrição, elas de vestido comprido e cabelos armados (e só não digo muito encaracolados porque... enfim... não posso falar muito!), não me parece uma coisa natural.
assim como não me parece uma coisa natural ver fotógrafos por tudo quanto é lado no recinto, que parecem mais empenhados em fotografar a audiência do que os músicos em palco. quem são afinal ali as "celebridades"? decidam-se. por alguma razão as luzes da sala estarão apontadas para o palco e não para a assistência. e terão os músicos consciência do público para quem estão a tocar? eu estou em crer que sim, mas custa-me a entender que optem por tocar num ambiente daqueles em vez de irem animar um espaço informal, ao ar livre até, tocar para gente que vai a concertos.
de resto... a senhora tem claramente uma qualquer força interior que é expelida através da voz. não imagino o que teria sido aquele concerto num espaço como o jazz na relva de paredes de coura. de preferência debaixo de chuva. a comunhão seria maior do que a que se vive nas cenas musicais "do cabaret para o convento".
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