eu não fumo. ou melhor fumo que nem uma chaminé, a partir do momento em que me assuma como fumadora passiva inveterada que sou. percebi a gravidade da situação desde o dia em que a mãe da filipa, já há uns bons cinco anos, se dirigiu a mim com um ar desolado para me perguntar por que motivo tinha eu começado a fumar. não comecei. na generalidade o cheiro do tabaco não me incomoda no momento em que o cigarro está aceso. o que não suporto é o resto do fumo que se entranha na roupa, no cabelo, nas mãos, na pele, e que levo para casa, onde ninguém fuma, e onde por isso mesmo o cheiro se torna ainda mais activo, ao ponto de, quando estamos perto da marquise todos conseguirmos detectar em poucos minutos quando o vizinho de cima está a fumar à janela. tudo isto para chegar onde...? às fotografias. não tenho qualquer afinidade com o tabaco, nem especial sensibilidade para a fotografia seja a cores ou a preto e branco, como já tive oportunidade de escrever há alguns dias. acontece que quando se juntam as duas coisas o caso muda de figura. o efeito do fumo numa imagem a preto e branco é qualquer coisa de digna de ser registada para a posteridade. e, se calhar até por não fumar, continuo a achar que um cigarro na mão dá sempre um estilo cool numa fotografia. talvez porque não se sinta o cheiro a fumo fora de prazo.
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