quinta-feira, dezembro 16, 2004

see things change.....

nunca pensei dizer uma coisa destas, mas já acredito que um concerto ao ar livre, em ambiente festivaleiro, possa ser mais intimista do que numa sala pequena. o exemplo protishead e pj harvey a sudoeste de há uns anos parece ter sido exemplo disso, mas eu não estive lá, não pude, ouvi via antena 3, e sinceremente por muito que tenha gostado não me passou grande emoção.

no concerto de ontem do josh rouse no forum lisboa não houve o sol, nem a magia, a união, a proximidade, a comunhão, o contágio da emoção pelo sorriso, a estupefacção, as saudades por antecipação, a entrega, em duas palavras a love vibration, que se gerou naquele aglomerado lamacento fronteiriço em paredes de coura. gostei muito do concerto de ontem, mas agora que o sinto mais a frio, tenho saudades de paredes de coura.

ah! gostei muito, isso sim, que a minha mãe tivesse gostado tanto. e que depois de minutos antes da entrada na sala ter comentado com a filipa que pouca coisa ia conhecer, tivesse chegado à conclusão que se sentiu como peixe na água no reconhecimento das músicas. porque quase todas tocam regularmente aqui no quarto ao lado. senti isso como que uma espécie de passagem de testemunho. se a partir de dada altura, músicas do bob dylan, prefab sprout, everything but the girl, police, simply red (sempre embirrei com estes) e muitas outras cenas me começaram a soar a familiar sem perceber bem porquê, era porque as ouvia sem dar por isso nas cassetes que a minha mãe tinha tocar na cozinha. na altura não sabia o que era nem me interessava. quando as queria ouvir, sabia onde as encontrar. sentava-me no parapeito da janela mesmo ao lado do rádio, que ainda hoje está em cima do frigorífico. actualmente acontece o inverso. é uma sensação estranha. mas há concertos que simplesmente meto na cabeça que a minha mãe tem de ver. raramente atiro ao lado, mas também acontece. divine comedy no coliseu há uns anos, por exemplo. na fase em que o neil hannon deixou crescer o cabelo e se virou para o rock. :) eu gostei, sou fã do senhor, mas não era bem de guitarradas que eu estava à espera para mostrar à mãe-john, que ainda hoje fala do episódio com algum receio de ser apanhada noutra daquelas.

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