hoje tive mais uma crise existencial. durante a frequência da tarde, a tal de mtc, da professora que fala num dialecto só dela, cheguei a uma triste conclusão na passagem da pergunta 3 para a 2. talvez seja fraqueza da minha parte, preguiça quem sabe, não sei, mas o certo é que a minha capacidade de memorização está a regredir a passos largos. toda a gente sabe que a memorização é uma capacidade que tem de ser exercitada, mas toda a gente sabe também que a vida nos impele a fazer o contrário. temos tudo cada vez mais facilitado, já são raras as coisas que temos de saber de cor. neste momento não me lembro de nenhuma. mas há de certeza, a memória é que me falha cada vez mais e não tenho idade para isso. mas hoje apercebo-me que nos últimos anos não fiz o mínimo esforço por exercitar a memória conscientemente. ao fim do dia não me lembro do que comi ao almoço. quando tenho aulas o dia todo, às oito da noite já não sei onde estacionei o carro às dez da manhã. lembro-me que houve um dia que à saída do trabalho, já aqui há uns tempos, dei quatro voltas aos quarteirões da sampaio e pina e da rodrigo da fonseca para encontrar o carro. não me lembro do nome do último filme que vi (duplamente grave pq para além da falta de memória revelo que não vou ao cinema há um tempo significativo), e podia estar aqui a dar exemplos até amanhã de manhã...
e a crise existencial surge então porque me deparei com uma falha minha que se tem tornado recorrente em tempo de frequências. sei explicar as coisas que me são pedidas, mas não sei chamar as coisas pelos nomes. quer isto dizer que sei, por exemplo, explicar em que consiste a teoria das balas mágicas, mas não consigo fixar o nome teoria das balas mágicas. hoje aconteceu-me isto nas duas frequências que fiz. é uma frustração do caraças, que me faz pensar cada vez mais nos benefícios dos exames orais, que sempre me assustaram, mas que actualmente me interessam cada vez mais. é que quando não se sabe chamar as coisas pelos nomes quando se escreve a tendência é a repetir vezes sem conta a mesma ideia para compensar o facto de faltar uma palavra-chave. esse problema pelo menos já está contolado. num exame oral, uma vez explicada a ideia passa-se à pergunta seguinte, com ou sem palavra-chave.
também sei que tenho por péssimo acreditar no milagre das vésperas e nos benefícios do estudo/trabalho sob pressão e que isso torna difícil fixar seja o que for de modo consistente. ainda assim, até aqui nunca tive problemas em fixar fosse o que fosse. números de telefone, moradas, números de porta e andares, bilhete de identidade, contribuinte, telemóveis que mais ligo, etc, etc... actualmente fixar um número de telefone equivale quase a pedirem-me de recite um soneto de camões. coisa que tive de fazer várias vezes, e que me lembre sem dificuldades por aí além, no ensino secundário. se quero mesmo fazer as cadeiras que me faltam, preciso urgentemente de arranjar um livro de exercícios de memorização para começar a treinar o quanto antes. talvez comece por decorar os números que tenho no telemóvel...
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