recebi muitas prendas este natal. o muitas é relativo, obviamente, foram muitas em comparação com as que costumo receber nesta época. cá em casa sempre se agiu segundo a lógica que as prendas são oferecidas durante o ano todo e não em dias específicos, ou seja, um computador é comprado quando é preciso e há possibilidade, e não quando é natal ou quando alguém faz anos. e por isso sempre me tentei esquivar às célebres perguntas escolares pós-férias de natal do "o que é que recebeste?". um livro, um pijama, um cd, uma caixa de chocolates e 10 contos nunca foi competição à altura de quem quer que fosse. não que eu me importasse com isso, não gostava era de ver o ar enjoado de quem ouvia a minha resposta pobre já com ânsias de me dizer que tinha recebido este mundo e o outro. e que depois ia-se a ver e não passavam de coisas que eu já tinha. porque as tinha recebido ao longo do ano sem dar por isso, porque o meu pai sempre esteve por perto para nos dar, a mim e ao meu irmão, este mundo e o outro. e deu. sem datas. sem horas. sem que alguma vez tivessemos percebido que nem sempre era tudo tão fácil como pensávamos. como ainda pensamos às vezes.
este ano recebi mais prendas, coisas simples, mas com significado. e que ganham ainda mais significado se tivermos em conta que as coisas não andam fáceis para (quase) ninguém e que comprar o que quer que seja implica poupança anterior ou posterior. da minha parte, foi anterior. os concertos do josh rouse, o perfume a que cheira a minha roupa desde sábado agora que já não cheira outra vez a lareira, a fotografia colorida tirada à queima-roupa num dos vários fins de semana zig zag, o moleskyne que me vai fazer voltar a escrever à mão, um dos cds que mais queria ouvir no próximo ano - want two do rufus wainwright - com dvd incluído, a obrigatória caixa de guillian que já aviei, os dvds dos dois filmes que mais gostei de ver este ano - lost in translation e eternal sunshine of the spotless mind, as meias quentinhas vindas directamente da serra da estrela porque faz frio onde passo o natal, o dinheiro que a família sabe que não me anda a nascer no banco nem em lado nenhum ao final do mês....
melhor momento deste natal? a surpresa, o sorriso e o brilho nos olhos da minha avó quando desembrulhou o livro dos melhores sketches dos malucos do riso que lhe ofereci. todos sabemos que é das tarefas mais difíceis do natal comprar a prenda para a avó e para o avô. ou porque não querem nada, ou porque não precisam de nada, ou porque não podem comer doces, ou porque já oferecemos todos os doces, ou porque simplesmente não sabemos o que comprar. este ano foi fácil. depois de já ter lido livros sobre tudo e mais alguma coisa a minha avó já só quer a sua bíblia e coisas que a distraiam... ainda assim continua a gostar de mostrar que apesar da idade ainda percebe inglês e se for preciso falar também desenrasca uma frase ou outra.
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