domingo, outubro 10, 2004

simplesmente jim white

Pára tudo. Cheguei finalmente ao disco novo do jim white. Estava no fundo da mala, “perdido”, à espera de vez, e o mais grave é que a fila estava parada há mais de uma semana. Em domingo de descanso, de recuperação, acho que é mais isso, quando já não apetece sair mais de casa porque já é de noite, está frio e já se faz sentir a olhos vistos a neura do amanhã é segunda... é neste ponto que preciso de um disco novo. Ainda restam alguns para explorar.. “drill a hole in that substrate and tell me what you see” está por estrear e assim sabe melhor porque não se dá o domingo por perdido. São oito da noite e parece que acabei de acordar.

“that girl from brownsville texas” foi a primeira coisa que hoje me conseguiu prender por completo a atenção. E depois de ficar aproximadamente cinco minutos a olhar fixamente para a aparelhagem (não consigo perder este reflexo parvo), repeti o feito por mais 6m:23s – o tempo da música. A quarta do disco do jim white. Não sei descrever. Não tem nada de mais. Mas depois.... começa sem se dar por ela, sabemos que está lá, mas é como se não estivesse, vai tocando, e quando damos por isso já largámos tudo o que tínhamos em mãos, parámos de tossir, estamos a olhar para o infinito e a roer as unhas.... se fizer parte do clube, claro. [ninguém vai começar a roer as unhas por ouvir jim white, assim como ninguém começa a tocar piano depois de partir um braço]

E a partir daí está a atenção restaurada para digerir e absorver como deve ser o resto do álbum. Não de uma vez, longe disso, temos aqui música para pelo menos um mês. Só tinha ouvido o “static on the radio” com a aimee mann. Gosto muito da música, mas há vozes, intrumentais, pormenores, raios, forças no resto do disco que fazem esquecer por completo a aimee mann. Não consigo sequer destacar música nenhuma assim do nada. Talvez o “borrowed wings”, ou “if jesus drove a motor home”, ou “combing my hair in a brand new style”........ não....... só fazem sentido todas juntas. Falei na tal girl from texas porque foi a que hoje me fez acordar. Mas também não é decididamente a mais forte. Não sei. O álbum está construído naquela base rara do “cada música é melhor que a anterior”. E a primeira já é muito boa. Não adianta, já não passo daqui hoje....

Não costumo ter sensibilidade para dar pela importância que o produtor tem nos discos, salvo raras excepções que sigo com mais atenção. Joe henry produziu este disco com jim white “and others”, como se lê no verso. Não sabia, mas depois de ler isto faz todo o sentido. O ambiente de fumo, de jazz, blues, bar, western, suspense, dark city, remete realmente para as poucas coisas que ouvi do joe henry. Não sei quem são são os outros mas são bons de certeza. E nunca me tinha apercebido que a música tinha este efeito em mim. Ando sempre a tentar deixar de roer as unhas. Achava, mais uma vez, que estava no bom caminho. A mão direita já era......

“combing my hair in a brand new style”..... é esta. Twelve points, no doubt about it. [até porque consta que ando com um estilo afro lol]



Orelhas de Burro:




jim white - drill a hole in that substrate and tell me what you see - 2004

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