domingo, outubro 10, 2004

febre de xutos à noite

Vi muito poucos concertos dos xutos, mas vi-os em circunstâncias muito diferentes – em acústico, no avante e no pavilhão atlântico. A banda está a comemorar 25 anos de vida, não há nada que possa contar acerca do concerto que vá surpreender alguém, mesmo que nunca os tenha visto. E se à primeira vista esta imagem possa ser altamente entediante, a realidade acaba por ser outra. Quem lá vai, sabe ao que vai. Vai ver amigos de longa data, vai beber umas cervejas e passar umas horas bem passadas, vai cantar hinos também eles de longa data, vai saltar um bocado e esquecer que já foi há tanto tempo que começou a associar as músicas dos xutos a momentos-chave da vida que foram sendo substituídos por outras.... músicas, claro, e por outros... momentos, claro.

Estive até à última da hora a tentar convencer-me de que a atitude mais sensata era não sair de casa. A constipação do fim de semana passado tinha tudo para desaparecer em dois dias. Ignorei-a. Resultado? Vingou-se. Atacou em força, desregulou-me o sistema operativo, já de si desregulado, confundiu-me as temperaturas e deixou-me sem voz, como sinal de que tenho dito asneirada a mais nos últimos tempos. Mal por mal..... fui na mesma porque uma série de boas coincidências de última hora assim o quiseram. Fui... mas de manga-comprida, casaco, munida de lenços de papel e comprimidos anti-gripe. conclusão – passei um calor insuportável. Mas durante aquelas horas esqueci-me da febre. O delírio vinha do palco, vinha do lado, vinha de cima das bancadas, vinha da minha cabeça..... mas não só da minha cabeça.

Estava tudo ali para o mesmo. Fazer a festa e deitar os foguetes, e no entretanto, cantar a plenos pulmões todos aqueles hinos..... nem que a vaca tussa...... ou neste caso, o burro lol. Tossi, pois tossi, mas também cantei. E sabe-se lá como, talvez do calor, talvez do chá das cinco, mas por momentos a garganta ficou como nova. A filipa ainda hoje se interrogava ao telefone onde fui buscar a voz... é claro que foi sol de pouca dura...... no final do concerto o ar de preocupação da carla era mais do que evidente. Assustou-me, confesso, mas depois destapei os ouvidos e reparei que afinal ainda me fazia ouvir. Divertimo-nos à grande, apesar de continuar a achar que os xutos não são banda para pavilhões. No avante parece que ganham outra vida, deve ser do ar livre. Ou é o público que faz a festa de outra maneira... ainda não cheguei lá. Acho que ouvimos tudo o que queríamos ouvir e saltámos até os pés se colarem ao chão... a cerveja não andou só pelo ar... hoje a conversa é outra.... parece que passei a noite aos xutos e pontapés! E a gripe voltou a passar-me a perna.......

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