as músicas dos beatles nunca fizeram parte da minha lista mental de canções para ouvir obrigatoriamente ao vivo, não porque não gostasse delas o suficiente - antes fosse - mas porque acho que inconscientemente me conformei desde início com a impossibilidade do acontecimento. fazendo a comparação contextual do costume, sempre fui mais pelos beatles do que pelos stones, e sempre fui mais pelo george e pelo john do que pelo paul, mas ver o paul ali ao fundo, de vermelho como nas fotos, com a mesma expressão (bem disfarçada) de há tantos anos, e de guitarra levantada no ar como se vê na televisão, fez-me sentir o mesmo que senti quando vi o mick jagger em carne e osso em coimbra mesmo ali à frente - espanto. para quem cresce a ver estas figuraças na televisão é muito estranho vê-las em formato 3D. então os heróis sempre existem?
a experiência é uma coisa magnífica e o paul mccartney é um senhor, é vê-lo em palco e perceber o porquê do título. confesso que no meio de tantos regressos ao passado volta não volta a expressão do artista tornava difícil controlar a chegada aos tempos em que cá no estábulo mccartney era apenas uma cara ao lado de um urso branco, também ele vestido de vermelho, estampada na capa de um velhinho single em vinil que ainda para aí anda, não se sabe bem é onde. mas a música não era com sapos? pelo meio helter skelter, penny lane, let it be, live and let die e o fogo de artifício, eleanor rigby, yesterday, hey jude, tantas, e as emoções à flor da pele com as dedicatórias e os aplausos para os amigos john lennon e george harrison. para ringo, yellow submarine em edit mode.
Orelhas de Burro:
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