segunda-feira, março 29, 2004

cloud number 9......1.6

não há luz tardia que compense a violência de um acordar prematuro de uma segunda-feira pós-mudança de hora. pelo menos de manhã. hoje devia ser sábado. as coisas melhoram com a perspectiva de conseguir atravessar a zona das amoreiras em 5 minutos. às sete e meia ainda só os semáforos é que empatam o trânsito. nem sequer o sol para atrapalhar como de costume. e na rádio neal casal canta st. cloud. é segunda-feira, e depois? st cloud está a dar na rádio. e o Burro tem uma fixação por esta música, mas por causa dos efeitos secundários não pode ouvi-la sem receita médica. instabilidades crónicas mandam que st cloud seja ingerida cá no estábulo com moderação e de preferência em fases sim. é o caso. o burro não viu tudo, nem tão pouco viveu tudo, como lamenta o neal. a identificação é quase nula, mas a maneira como a carta é escrita tem o poder de nos fazer dizer as mesmas coisas, pelas mesmas palavras, mesmo que não correspondam à verdade. em dias não, ou fases não, temos o dom de absorver tudo o que ainda nos faz pior. inconscientemente. daí a importância de não ouvir uma canção como st cloud quando quando a fase é não. é triste. ideal para nos deitar abaixo e não nos querermos levantar sozinhos. para evitar que fique associada e tempos que não nos interessam. que sabemos que são de transição. uma canção como st cloud deve ser guardada para quando a confiança regressa. para que se possa ouvir em repeat mode sem efeitos secondários e sem receita médica.


Orelhas de Burro:



neal casal - basement dreams

quinta-feira, março 25, 2004

meet matt nathanson

aconselhável a fãs de tangueta. pelo menos a julgar pelo single "suspended". o Burro não ouve outra coisa desde o meio-dia, mais coisa menos coisa. diz o all music que o rapaz é um songwriter de são francisco dado à comédia, e que ao vivo actua na companhia de outro matt, o fish, ás do violoncelo. o Burro não ouviu mais que o single, mas gostou do que ouviu. venha agora o resto de "beneath these fireworks". até porque a lista de similar artists fornecida pelo all music diz que o trabalho de nathanson (o nome é um tanto ou quanto rebuscado.......) segue a linha tecida por josh ritter (outro vício do Burro), david gray, joe henry, ron sexsmith, john mayer e freedy johnston (este não conheço).


Orelhas de Burro:


10 antenas e mais algumas

da antena 3 tenho memórias. muitas. muitas cassetes, heróis de outros tempos, amigos de hoje, que fazem parte do meu dia-a-dia, da minha vida, mais até fora da radio do que dentro dela. os tempos são outros, os contornos são outros. destes dez anos de antena 3 ficam os finais de tarde da mónica das 19-22h, ficam as tardes do quintão, os três dukes à sexta, aquela emissão em que o mariño entrou em directo da buraca para se juntar a uma conversa sobre gangsta rap com o quintão, o álvaro e o freitas. não disseram nada digno de nota, mas foi uma cena tão fora e abstracta que não dá para esquecer. o programa da manhã da mónica e do mariño e do paulo castelo, responsável pelo acentuado crescimento da minha preocupante pancada pela rádio e pela música. por aqui nem vale a pena entrar no que toca a histórias porque são mais que muitas...... chorei baba e ranho na última emissão do mariño, viva aquilo intensamente. mais do que as histórias são as cassetes que tenho guardadas com os desatinos que por lá se viveram, e que há coisa de dois anos resultaram numa espécie de best of audio de uma hora registado em cassete. é um documento raro, só há três cópias, e eu não sei da minha.... aliás, é a mónica que tem essa tralha toda. m&m, livra-te de perderes isso no meio do entulho das obras! :)
o programa da manhã abriu-me o caminho para o resto da programação da rádio. deu-me tarde, mas com força. os finais de tarde agora do pedro costa, os tops do seabra, o indiegente do calado, o 100% do amaro, as trocas de horários, o M aos sábados que ouvi anos a fio e que gravei quando não pude ouvir, o gangsta rap do mariño no repto, que eu sinceramente não gostava muito, mas que achava que me fazia bem ouvir, e que como era do mariño devia ser bom, e então lá acabava por encontrar uma coisa ou outra que me diz qq coisa. :) dou a mão à palmatória e admito que se não tivesse tido aquela escola provavelmente hoje continuaria a ver o hip hop como uma arte menor. ou talvez não...... as pessoas crescem. e (des)aparecem.
comparável ao choque do final do programa da manhã, apenas o choque da saída do miguel quintão da rádio. estava a leste do paraíso quando ouvi o álvaro anunciar a retirada de um dos dukes. quando ouvi aquilo fiquei colado ao rádio à espera que desmentissem a piada até ao final da emissão. ninguém o desmentiu. pouco tempo depois o michael despedia-se tb do duas de rock. ex-febre de sábado à noite. e a seguir? o final dos delírios nocturnos do álvaro, rádio milénio, rádio 00, que eu sempre vi como uma espécie de ensino musical à distância, tipo universidade aberta. escusado será dizer que muitas noites de estudo foram passadas com os apontamentos fechados e os ouvidos bem abertos. tenho saudades. e ainda drive in, drive out, o concerto dmb@charlottesville com o pedro costa e o alcobia, as viagens de carro alugado pelas estradas americanas ali para os lados de washington, virginia, charlottesville, o scott stadium - os primeiros e´até à data únicos contactos que tive com os eua. lembro-me de ter recebido a notícia de q era a vencedora - via freitas - qd ia na segunda circular. disseram-me depois que tinha sido ele a desempatar a minha vitória. ainda o passatempo roxette, que à pala de uma lata de redbull e uma simples frase me levou a atirar-me de um avião por três vezes - à quarta tive medo, confesso. o pára-quedas é artilharia pesada e a minha coluna já não é muito direita.... o curso ficou incompleto. (alguém que não saiba a associação que me apetece fazer neste momento?)
o descambar da rádio foi por demais evidente a dada altura. foi sempre a perder.o fim do costa a costa, banda sonora das manhãs de domingo, o fim do m, a transformação da mais valia da antena 3, os chamados programas de autor, em "rubricas". nunca gostei do formato e continuo a não o entender. o das rubricas, entenda-se.

hoje os delírios nocturnos estão de volta à 3 pela mão dos bons rapazes, aka álvaro costa + miguel quintão, e o 2 de rock tem nova encarnação, devidamente apelidada de mq3. o amaro continua a defender a portugália, e o calado continua na sua indiegência. tal como o freitas nunca abandonou o metal. o humor do programa da manhã é outro. as preocupações da estação parecem ser outras. os tempos são, decididamente outros. quando dou os parabéns à antena 3 faço-o sobretudo para a mónica (o palco era teu!), mariño, quintão, álvaro, amaro, pedro costa e freitas. foi por este pessoal que à última da hora quis ir ao coliseu. concertos há todos os dias. mas a possibilidade de ver aquela equipa (quase....) toda reunida só acontece quando o rei faz anos. parabéns!

do peça que toca em diante.....

a antena 3 faz 10 anos em 2004. no dia 26 de abril. ´confesso que não me lembro do início da estação, nessa altura tinha uma relação conflituosa com a rádio pelas razões de que falei no post anterior, e as únicas coisas que gostava de ouvir na altura, se não me falha a memória eram o "peça que toca" na orbital em 101.9 com o nélson miguel, que tirando isso, acho que dava voz a toda a restante programação da estação; e as brasileiradas da rádio cidade, com excepção do cidade by night, porque a minha aceleração natural nunca teve muita pachorra para baladinhas, e do electricidade, porque aos quinze anos, naquela altura, era foleiro gostar-se daquilo a que continua a chamar-se hoje de forma depreciativa "martelada". (mais estranho do que ter gostado destas coisas, é estar a falar sobre elas nesta altura do campeonato e em "público".... deve ser um ataque de sinceridade e desprendimento, porquê não sei)
de volta à antena 3.... não me lembro do início, mas lembro-me do mariño me ter falado da importânica que teve a tábua de salvação lançada pelo jaime fernandes ao pessoal naufragado da energia. eu não quis saber da energia para nada. tinha onze anos e mais em que pensar, não tenho praticamente memória nenhuma do que foi a verdadeira 92.4. fm radical não conta, mesmo não sabendo da missa a metade, sempre a senti como uma fraude. to be continued.....

escândalo no estábulo: o Burro fala de futebol!


a propósito do jogo do benfica que passa agora na sport tv, o Burro decide prestar a devida homenagem a essa lenda viva dos relatos dessa praga chamada futebol..... houve uma altura em que a rádio era para o Burro sinónimo de relatos de futebol. na maioria feitos pelo grande valdemar. sabia lá eu quem era o valdemar. queria lá eu saber quem era o valdemar. não sabia tão pouco que dez ou quinze anos depois ia cruzar-me ao vivo, a cores e na mesma sala com a mesma voz que literalmente me dava a volta ao estômago de tão ágil que era no campo radiofónico, e que por pouco não me causava pesadelos à noite. tinha tanto de irritante como de ágil. insuportável para orelhas do burro. lá diz o ditado..... what goes around, comes around.....
dez ou quinze anos depois, numa altura em que me assumo rádio-dependente independentemente do rumo que o meio leva, e que assumo também sem qq tipo de reservas que não gosto de futebol, que o benfica não me diz rigorosamente nada, e que não suporto nem à lei da bala relatos na rádio porque me casam enjoos e dores de cabeça.... dez anos depois de tudo isso, gosto de me poder queixar do trauma que os relatos do valdemar e da bola branca causaram no meu potencial desenvolvimento enquanto fã de futebol (eu que um dia fui do belenenses com cartão e tudo)....... ao próprio valdemar! :)
ao próprio valdemar com quem hoje (vá-se lá explicar as voltas que isto dá) tenho regularmente divertidas discussões e picardias saudáveis e descomprometidas - raramente sobre futebol, como se pode supor, dado o fraco domínio que o Burro tem do esférico (não é assim que se diz?), daquelas que conseguimos estabelecer apenas com pessoas de quem gostamos.
hoje já não tenho de ouvir relatos do valdemar, nem de nenhum outro apanhado da bola, thank god! :) tenho, em compensação, de ouvir as "bocas" certeiras e aturar os "picanços" do ex-mestre da bola branca, que tem felizmente um fair-play de se lhe tirar o chapéu, e que faz dele o primeiro a felicitar o adversário, neste caso, o Burro, quando a "boca" enviada deste lado vai direita à rede. e mesmo assim..... eu prefiro as séries da sic mulher a qualquer badalado derby!


Orelhas de Burro:

Matt Nathanson - Suspended (já volto a este senhor)


domingo, março 21, 2004

indies & cowboys goes online


finalmente...... num blog perto de si!

o conteúdo da versão papel não será disponibilizado nos ecrãs de todo o mundo por questões de falta de tempo para investir em copy-pastes e/ou digitalizações. para começar estão lá apenas as capas e os manifestos de cada número da família indies. quem sabe se com o tempo haverá tempo e espaço para mais letras. o Burro ainda não sabe.


Orelhas de Burro:

lisboa - 91.6 fm - uma senhora rádio ; )
ed harcourt - watching the sun come up

domingo, março 14, 2004

outro vício chamado josh....... josh ritter

comprem, encomendem, saquem, peçam......... mas oiçam "hello starling" do josh ritter. o Burro confessa que entregou à confiança um número proibitivo de libras às hmv, por influência de leituras de última hora e dos muitos (por vezes enganosos, mas não neste caso) elogios estampados na capa. josh ritter é um songwriter do idaho, que depois de lançar "golden age of radio" passou a ser seguido com atenção pelos apreciadores daquele misto de tangueta-songwriting. o estilo preferido do Burro. hoje é considerado um dos melhores da especialidade. as comparações vão desde os whiskeytown ao ryan adams do heartbreaker e alguns momentos do gold (oiçam o início de snow is gone do josh e o new yourk do ryan), ron sexsmith, pete yorn, rufus wainwright.
para além do snow is gone, a quem tiver de recorrer ao soulseek, kazaa ou outras ferramentas de trabalho que tais, aconselha-se que se clique duas vezes sobre bright smile, you don't make it easy babe, california, e de preferência sobre o álbum todo.


Orelhas de Burro:




domingo, março 07, 2004

love vibrations

para quem gosta destas coisas, o Burro alinha por ordem de chegada as boas vibrações emitidas no concerto de 1 de Março 2004 @ Bush Hall, London:

1. 1972
2. love vibration
3. sunshine (come on lady)
4. james
5. slaveship
6. come back (light therapy)
7. under your charms
8. flight attendant
9. sparrows over birmingham
10. rise
11. feeling no pain
12. under cold blue stars
13. dressed up like nebraska
14. life (tema novo)
15. late night conversation
16. directions
17. for the turnstiles (cover neil young)


já não faço ideia onde começou o encore......


terça-feira, março 02, 2004

o Burro in London III - talvez mais tarde.....

esta muito calor aqui dentro, o tempo estah a passar e as libras ja nao dao para extravagancias!
as impressoes do concerto ficam para mais tarde, o mais certo eh so para amanha, stay tuned.

Orelhas de burro:
desisto..... mais uma baladinha q nao faco ideia quem cante, mto mazinha tb. comeco a pensar que escolhem estas musicas a dedo para as pessoas nao ocuparem os computadores durante mto tempo. and it works! : )

o Burro in London II

o bush hall fica no numero 310 da uxbridge road. vai-se bem a pe saindo na estacao de shepherds bush da hammersmith & city line. eh uma sala pequena, contruida ha cem anos como salao de baile, leva 300 pessoas de pe, nao ha espaco para lugares sentados. eh um espaco acolhedor mas parece que ninguem percebeu porque eh que levaram o josh rouse para um espaco tao pequeno. a sala estava cheia, um calor insuportavel, mas nada que se compare com as temperaturas incendiarias que habitualmente se fazem sentir ali para os lados de alcantara...... hoje ah noite ha lotacao esgotada outra vez. o publico vai dos 16 aos 60 e todos conhecem bem a vida e obra de josh rouse. muitos sao repetentes, e apesar do furor que 1972 tem feito ainda ha muito boa gente a torcer pelo under cold blue stars. e se ha quem tenha ido de lisboa de proposito, tb ha quem tenha ido de bruxelas. no final do concerto, o investimento revelou-se mto bem sucedido. sinceramente nao sei quando tempo esteve josh rouse em palco, mas pelas horas a que regressei ao smart hyde park inn - uma pousada cujas especificidadas davam um capitulo inteiro :) - o concerto deve ter durado cerca de hora e meia. e no final, uma troca de palavras com o artista, que trazia ainda as recordacoes da passagem por espanha bem presentes, sobretudo do frio que por la se fez sentir na semana passada. desabafa josh que tinha de ter acertado precisamente na semana em que as temperaturas desceram daquela maneira..... ate alguem se deu ao trabalho de fazer as contas e chegaram ah conclusao que ha 22 anos que nao fazia tanto frio em espanha como naqueles dias! a passagem por portugal estah apenas ah distancia de um convite..... nada confirmado, portanto.......


orelhas de burro:

ainda no mesmo internet cafe uma baladinha muito mah, tipo scorpions mas pior, se eh que isso possivel...... nao consigo identificar o responsavel...... vamos esperar pela proxima, talvez o seal outra vez.

o Burro in London I

estou ah meia hora a tentar escrever alguma coisa sobre o concerto do josh rouse, e a unica coisa que me ocorre quando revejo mentalmente o concerto de ontem ah noite eh que se tivesse aqui uma lampada magica o meu desejo seria ficar por londres mais um dia e ver a actuacao de hoje tambem. ah falta de maior organizacao, opta-se pela escrita automatica neste estabulo fora de portas, folhas soltas, notas mentais riscadas e cada um assimile o que quiser e organize como quiser.


Orelhas de Burro:

bem a proposito, neste internet cafe de queensway ouve-se o seal a cantar "but we're never gonna survive, unless... we get a little crazy"