quinta-feira, março 25, 2004

10 antenas e mais algumas

da antena 3 tenho memórias. muitas. muitas cassetes, heróis de outros tempos, amigos de hoje, que fazem parte do meu dia-a-dia, da minha vida, mais até fora da radio do que dentro dela. os tempos são outros, os contornos são outros. destes dez anos de antena 3 ficam os finais de tarde da mónica das 19-22h, ficam as tardes do quintão, os três dukes à sexta, aquela emissão em que o mariño entrou em directo da buraca para se juntar a uma conversa sobre gangsta rap com o quintão, o álvaro e o freitas. não disseram nada digno de nota, mas foi uma cena tão fora e abstracta que não dá para esquecer. o programa da manhã da mónica e do mariño e do paulo castelo, responsável pelo acentuado crescimento da minha preocupante pancada pela rádio e pela música. por aqui nem vale a pena entrar no que toca a histórias porque são mais que muitas...... chorei baba e ranho na última emissão do mariño, viva aquilo intensamente. mais do que as histórias são as cassetes que tenho guardadas com os desatinos que por lá se viveram, e que há coisa de dois anos resultaram numa espécie de best of audio de uma hora registado em cassete. é um documento raro, só há três cópias, e eu não sei da minha.... aliás, é a mónica que tem essa tralha toda. m&m, livra-te de perderes isso no meio do entulho das obras! :)
o programa da manhã abriu-me o caminho para o resto da programação da rádio. deu-me tarde, mas com força. os finais de tarde agora do pedro costa, os tops do seabra, o indiegente do calado, o 100% do amaro, as trocas de horários, o M aos sábados que ouvi anos a fio e que gravei quando não pude ouvir, o gangsta rap do mariño no repto, que eu sinceramente não gostava muito, mas que achava que me fazia bem ouvir, e que como era do mariño devia ser bom, e então lá acabava por encontrar uma coisa ou outra que me diz qq coisa. :) dou a mão à palmatória e admito que se não tivesse tido aquela escola provavelmente hoje continuaria a ver o hip hop como uma arte menor. ou talvez não...... as pessoas crescem. e (des)aparecem.
comparável ao choque do final do programa da manhã, apenas o choque da saída do miguel quintão da rádio. estava a leste do paraíso quando ouvi o álvaro anunciar a retirada de um dos dukes. quando ouvi aquilo fiquei colado ao rádio à espera que desmentissem a piada até ao final da emissão. ninguém o desmentiu. pouco tempo depois o michael despedia-se tb do duas de rock. ex-febre de sábado à noite. e a seguir? o final dos delírios nocturnos do álvaro, rádio milénio, rádio 00, que eu sempre vi como uma espécie de ensino musical à distância, tipo universidade aberta. escusado será dizer que muitas noites de estudo foram passadas com os apontamentos fechados e os ouvidos bem abertos. tenho saudades. e ainda drive in, drive out, o concerto dmb@charlottesville com o pedro costa e o alcobia, as viagens de carro alugado pelas estradas americanas ali para os lados de washington, virginia, charlottesville, o scott stadium - os primeiros e´até à data únicos contactos que tive com os eua. lembro-me de ter recebido a notícia de q era a vencedora - via freitas - qd ia na segunda circular. disseram-me depois que tinha sido ele a desempatar a minha vitória. ainda o passatempo roxette, que à pala de uma lata de redbull e uma simples frase me levou a atirar-me de um avião por três vezes - à quarta tive medo, confesso. o pára-quedas é artilharia pesada e a minha coluna já não é muito direita.... o curso ficou incompleto. (alguém que não saiba a associação que me apetece fazer neste momento?)
o descambar da rádio foi por demais evidente a dada altura. foi sempre a perder.o fim do costa a costa, banda sonora das manhãs de domingo, o fim do m, a transformação da mais valia da antena 3, os chamados programas de autor, em "rubricas". nunca gostei do formato e continuo a não o entender. o das rubricas, entenda-se.

hoje os delírios nocturnos estão de volta à 3 pela mão dos bons rapazes, aka álvaro costa + miguel quintão, e o 2 de rock tem nova encarnação, devidamente apelidada de mq3. o amaro continua a defender a portugália, e o calado continua na sua indiegência. tal como o freitas nunca abandonou o metal. o humor do programa da manhã é outro. as preocupações da estação parecem ser outras. os tempos são, decididamente outros. quando dou os parabéns à antena 3 faço-o sobretudo para a mónica (o palco era teu!), mariño, quintão, álvaro, amaro, pedro costa e freitas. foi por este pessoal que à última da hora quis ir ao coliseu. concertos há todos os dias. mas a possibilidade de ver aquela equipa (quase....) toda reunida só acontece quando o rei faz anos. parabéns!

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