há poucos discos que o Burro se arrepende de comprar. não porque compre poucos (o vício é mais forte...), nem porque se documente sempre muito bem antes de comprar. uma boa capa desconhecida às vezes vale mais que dez críticas positivas assinadas por aqueles cujas opiniões nos são quase sagradas. o segredo muitas vezes está em esperar pela altura certa para ouvir o disco. não haverá concerteza Burro que se preze que nunca tenha apanhado uma tremenda desilusão com um disco por que esperou dois anos para ouvir. ou por um disco por que tenha dispensado 20 euros e afinal vistas bem as coisas aquilo não valia nem 10... ou por um que tem um single tão bom, tão bom, tão bom que tenha de ser comprado na íntegra naquele momento sem documentação prévia e que depois pouco ou nada tem que se aproveite. mas o engraçado no meio de todos estes arrependimentos a curto prazo é que passado algum tempo a coisa muda de figura. e basta um desses tiros ao lado ser ouvido segunda vez em circunstâncias diferentes um ano depois, que seja, para tudo soar diferente. redescobrir a própria "colecção" de discos, sabe quase tão bem quanto a sensação de chegar a casa com um saco cheio de discos novos e passar horas a descascá-los e ler os créditos. olhar para a parte de trás de um disco que nos lembramos como se fosse ontem onde, quando e com quem foi comprado e ver..... 1989! passaram mais de dez anos, a loja entretanto já não existe e o pagamento agora já não é feito pelos pais. de resto, tudo na mesma. e há tantos assim. podem estar anos sem sair da prateleira, mas volta não volta regressam todos ao local do crime. e é nessas audições mais a frio, que nos apercebemos da importância que certas músicas/discos tiveram para nós em tempos.
o Burro está nostalgia-mood por ter redescoberto "the bends". um desses discos que apesar de ter rodado incansavelmente cá no estábulo na altura em que saíu (1995), só por alturas das electrónicas assumidas dos radiohead é que parece ter sido interiorizado pelo Burro em toda a sua magnitude... de simplicidade, sobretudo. o Burro é fã dos radiohead quer seja em versão acústica, electrónica ou assim assim. é fã de thom yorke, e não há como não ser depois de ver o senhor ao vivo. mas o "the bends" é o "the bends" e não há efeito de sintetizador que supere uma canção como o "high and dry" ou como o "fake plastic trees", e o burro ainda não conseguiu perceber por que é que foi o "ok computer" que açambarcou logo ali o estatuto de "clássico instantâneo".
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