quarta-feira, fevereiro 06, 2008

i realize...

a sensação de conforto é a mesma de constatar na madrugada de sexta-feira, entre sonos, que no dia seguinte é sábado. respiro melhor ao reparar que já passa das seis da tarde e que ainda é bem de dia cá fora.

doctor, doctor....



o regresso à tangueta em dia de anestesia. há alturas em que não há nada como uma boa injecção, um bom odor a éter, resumindo e concluindo, um bom médico. Desconfio da classe médica em geral. Melhor, são as únicas pessoas de quem desconfio à partida, pelo que têm de provar primeiro que são dignas da minha confiança, para que deixe de os olhar de lado. Funciono com os médicos ao contrário do procedimento que emprego na vida em sociedade em geral e ainda não conheci os suficientes para tivesse conseguido mudar esta atitude quase "racista". mas quando são bons, profissional e humanamente falando, há poucas pessoas que me conseguem transmitir tanta segunrança quanto os senhores doutores. e as tanguetas dos stars ajudam agora a prolongar o efeito tranquilizante da anestesia, in our bedroom after the war.

domingo, fevereiro 03, 2008

shocking pinks...



fui até ao fim do arco-íris e cheguei ao fim do mundo. melhor... à nova zelândia. fui dar com os shocking pinks, a banda do multi-facetado nick harte. mais um sócio da dfa, que ao que parece já não soa tanto a dfa. esta dislexia melódica condiz em tudo com a confusão que me vai por estes dias (?) na cabeça. de outra maneira não lhe acharia sentido. é capaz é de me deixar ainda mais baralhada. se houver problema, eu depois levo as mãos à cabeça como a senhora da capa.

reading... thinking...

(...) Mas, às vezes, os factos são apenas consequências deploráveis. Uma pessoa não peca com aquilo que faz, mas com a intenção, com a qual comete isto ou aquilo. A intenção é tudo. (...) Uma pessoa pode cometer infidelidade, um acto infame, sim, até o pior, pode matar e, todavia, manter-se puro por dentro. Um acto não é equivalente à verdade. É sempre apenas uma consequência (...).

Isto está escrito nas páginas 84-85 do livro "As Velas Ardem Até ao Fim". O autor é Sándor Márai.

E faz tudo muito sentido, e é aparentemente tudo muito justo. Não fossemos nós todos dotados de uma coisa chamada consciência. Também aparentemente seria tudo mais fácil se nos regêssemos apenas pelas intenções e não pelas acções em si. E nesse caso voltaríamos a acreditar nos tempos do bom selvagem, sem a parte de que a sociedade nos veio estragar as intenções. E o que mais me assusta nisto tudo é que no fundo continuo realmente a acreditar nisso. A dúvida é tão parva que se torna pertinente... mas que raio leva alguém a pensar que prejudicar a vida de outra pessoa pode melhorar a sua (do que prejudica)?

in rainbows...




dentro de casa o arco-íris nasce no reflexo das chamas das velas no amarelo do quadro do j. e no azul do candeeiro dos peixes. e há três horas que toca o disco ideal para uma manhã de domingo passada entre a obrigatoriedade das teclas, aulins para adormecer uma dor que não tem sono nenhum, e a chuva ali tão perto a ocupar o refúgio onde a semana passada houve dia até o sol nascer, já no dia seguinte. hoje está deserto. é perfeito visto cá de dentro, com a chuva a cair sem parar.