terça-feira, março 22, 2005

arrumação mental - pass it on...

eu sei qual é o meu mal. as situações são sempre as mesmas, as minhas reacções são recorrentes e as consequências, como é óbvio, não podem mudar sozinhas. acontece que por mais força de vontade e consciência que tenha das coisas e por mais vezes que diga que desta vez vai ser diferente, não é. há coisas que tenho de começar a aceitar. há coisas que não gosto de ouvir, claro que há, e esta é uma delas. quem é que tem moral para dizer seja a quem for que não gosta de ouvir "certas coisas"? "as verdades", como lhe chamam... ninguém gosta de as ouvir, portanto era mais prático que deixassem de se emproar com este tipo de verdades universais, que me entram a cem e saem a mil, porque só a partir dos quarenta ou cinquenta é que devem começar a fazer sentido. ainda estou longe. neste momento, para mal dos meus pecados, estou no auge da impaciância e da revolta (mas silenciosa, "não vá alguém que não me conhece pensar que estou a falar a sério", e não estou em condições de criar indisposições à minha volta) contra com uma data de coisas que tenho de aceitar e calar para não me chatear. o problema é que chateio. a mim ainda é o menos, sei que em dois me passa. um de voto de silêncio para assentar a poeira, e outro de desabafos contínuos antes que o mundo acabe. se dependesse de mim o mundo acabava todos os meses ou andava lá perto. apercebi-me no sábado que não gosto de ouvir que sou pessimista. foi a mónica que mo disse, fiquei a pensar naquilo, e ela tem toda a razão. sou muito pessimista, mas só quando as coisas têm a ver comigo. quero sempre esperar o pior para depois a desilusão não ser tão forte. mas como ainda não me consigo distanciar das coisas, das pessoas, de tudo, acabo desiludida na mesma, seja eu pessimista a priori, ou optimista. tenho depois as fazes de compensação. o oito ou oitenta do costume. a oeste nada de novo. apenas mais consciência disso. apenas mais vontade de mudar e urgência de acabar de uma vez por todas com as inquietações que me continuam a consumir. estão adormecidas durante meses, e de um dia para o outro....

do que mais sinto falta dos tempos em que fazia trinta por uma linha diariamente, era de não ter tempo para parar e pensar nestas coisas. nestas e noutras... passava-me muita coisa ao lado, que sinceramente preferia que assim tivesse permanecido. tenho saudades dos primeiros anos da faculdade em que sentia que era tudo tão simples.... e não foi assim há tanto tempo... se as coisas estão bem, por que temos sempre a tendência para as mudar, só por mudar? agora é que preciso de mudar muita coisa.... por mais que queira pensar que não e acreditar que eu é que estou bem, tenho felizmente escassos momentos de lucidez que me dizem o contrário com todas as letras. seria muita prepotência da minha parte se assim não fosse. tenho os meus momentos, não o nego. mas tenho também a perfeita noção de que seria tudo tão mais fácil se não me sentisse tantas vezes a correr em sentido contrário. quero atravessar a estrada. não há é meio de ver o sinal verde.


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