sexta-feira, fevereiro 11, 2005

e agora, o que fazemos?

vi o garden state ontem à noite. a identificação é inevitável. não só pela coincidência do número 26, que este ano trago nas costas desde janeiro, mas sobretudo pela sensação de abstracto que se respira em relação ao futuro. e ao presente, até. dá-me um certo conforto ser de vez em quando chamada à realidade de que nem toda a gente nasceu já com a vida toda planeada na cabeça, na família, no sangue, nas heranças, nos amigos. ver que afinal nem toda a gente sabe desde os cinco anos que quer estudar engenharia no técnico ou direito na ucp, como o pai, como a mãe, ou como o pai e a mãe não puderam. e vinte anos mais tarde a profecia concretiza-se. ver que nem toda a gente sonha sequer passar pela universidade, quanto mais casar no ano a seguir ao curso terminado. e que os filhos não têm necessariamente de vir dois anos depois para aos trinta e cinco se poder começar a viajar e pensar em comprar a casa de férias. afinal a incerteza existe aos 26. ou melhor, aos 26 não existe outra coisa que não a incerteza. pode haver sempre uma certeza, porque há, nem que seja apenas uma, nem que seja a mais óbvia, mas no meio de tanta abstracção é difícil ter isso em mente. sobretudo quando se vê tudo tão desfocado, com lítio ou sem ele. eu sabia lá o que queria fazer da vida quando tinha cinco anos... queria as férias de verão para ir para a praia... queria lá saber do técnico... nem hoje quero. gosto de descobrir e de seguir por caminhos sem grande definição. mas mentiria com todos os dentes se dissesse que não dava tudo para sentir um dia a segurança e as certezas de quem vive a vida por etapas previamente definidas e, mais importante, que as consegue cumprir. evitaria pelo menos o desgaste de pensar todos os dias - e tantas vezes nos últimos meses, nos últimos dias... - o fatídico lema da casa dos 20 e tal "e agora, o que fazemos?". e com sorte até encontraria a resposta perdida.


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