quarta-feira, dezembro 08, 2004

eu ainda sou do tempo...

fazem-me bem as fases de saturação do computador. voltei a confirmar que o tempo se multiplica e isso é um achado quando o corpo obriga à inevitável cura de sono anual que por mais que tivesse tentado não consegui adiar mais... eram só mais duas semanas... mas quando os olhos querem fechar, fecham mesmo e eu já nem sequer tento contrariar. preciso urgentemente de recuperar a capacidade de concentração que me lembro de ter tido e já percebi que sem descanso não chego lá. as distracções e aluamentos do costume podem ser feitio de signo de ar, so they say, parece que os aquários assentam poucas vezes os pés na terra, confirma-se, mas tem de haver o mínimo de consciência do tempo que se pode passar lá em cima. as coisas estão a acontecer é no rés-do-chão, não é no 25º andar...

e essas distracções tão engraçadas que sempre me impediram de ser bem sucedida a matemática porque passava pelos sinais sem dar por eles, convicta de que tinha chegado ao resultado certo até à data da correcção, sinceramente já não lhes acho tanta graça... é essa a mesma concentração de que sinto falta hoje quando tenho de fazer contas rapidamente (percentagens então nem se fala), quando me tentam explicar caminhos ou quando tenho de os encontrar num mapa... sinto a cabeça a rebentar e bloqueio sem conseguir pensar em nada. esta incapacidade dá azo a cenas caricatas que de outra maneira não seriam vividas, mas não deixa de ser frustrante... tenho um sentido de (des)orientação vergonhoso, e sempre que volto a constatar isso sinto-me de novo no meio de um exercício de matemática em que não faço ideia do que estou a fazer... e a sensação continua a ser tão familiar... só sei que tenho de manter um ar convicto até ao fim... para depois me dizerem que o melhor é voltar tudo para trás.

e dizem hoje, pais e professores, que a falta de memória e de concentração da juventude advém da dependência do uso da máquina de calcular... no meu tempo a máquina de calcular ainda não era um bem essencial, era mais de luxo, e mesmo quando em fase terminal passou a essencial para refundir cábulas eu nunca lhe soube dar o devido valor nem tirar dela o proveito máximo... levava-a porque supostamente havia exercícios que só podiam ser feitos com o auxílio da máquina, pelo que dava jeito a professora ver a máquina em cima da mesa. ainda que sempre fechada. a criatividade de que acusam também os aquarianos, sempre me possibilitou apresentar resultados sem o auxílio da máquina para todos os problemas sem qualquer dificuldade. sempre errados, mas sempre com a minha lógica. a tal do 25º andar... hoje moro no 2º... cada vez mais perto do r/c... vou no bom caminho.

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