quinta-feira, dezembro 23, 2004

cebolais de cima

o meu natal cheira a lareira. cheira a ar fesco, frio, daquele que corta a respiração enquanto se entranha nos ossos e me faz chorar quando o vento sopra mais forte, apenas porque os olhos brilham demais. daquele frio que só desaparece com o cheiro da lareira. o mesmo que se infiltra na roupa durante dias a fio e me faz trazer os meus avós para casa, quando regresso a lisboa. por enquanto o natal só me faz sentido ali. mesmo sem árvore e sem enfeites, mesmo sem o presépio feito de musgo que apanhava com o meu irmão e os meus primos lá em cima na barreira, mesmo que já não ande à procura do pai natal pelos quartos todos do corredor escuro que antes me parecia tão grande, mesmo que há muito as prendas tenham deixado de ser surpresa. apesar de toda a nostalgia que durante pelo menos um dia me derruba na quadra natalícia, continuo a sentir e a ver o natal para lá do rótulo consumista que lhe colaram. o consumismo faz parte. mas ninguém me tira o prazer da semana da distribuição das prendas que antecede a partida da family-john para junto da avó glória e do avô albano. é hoje. mary christmas a todos os amigos do burro.

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