o único truque que conheço para desbloquear a escrita é escrever que estou bloqueada. acontece-me normalmente quando gosto tanto de uma coisa, que tudo o que escrevo me parece pouco para a descrever. nunca consigo passar a sensação exacta para o papel, e a frustração que daí advém torna-me o bloqueio ainda maior. acho que é esta a melhor descrição que consigo fazer do concerto do rufus wainwright.
não vou falar de músicas. é óbvio que tenho as minhas preferidas, aliás enumerei ontem uma série delas, mas depois de ver o próprio compositor a dar-lhes forma ali a dois passos, e agora que olho para o concerto mais a frio (dentro do possível), não consigo escolher apenas uma, nem duas, nem três que se destaquem, como faço habitualmente. a força com que o rapaz reconstrói cada canção é de tal maneira poderosa, e a voz que lhe sai sei lá de onde é de tal forma infiltrante, que se o concerto teve 15 músicas então eu tive ao longo daquelas duas horas (terão sido duas? confesso que perdi mesmo por completo a noção do tempo, não é nenhum lugar-comum) 15 músicas preferidas. uma a seguir à outra, da primeira à última. é claro que o estômago se ressentiu mais em alguns momentos em que a carga emocional associada a uma ou outra música era maior, mas acho que nem posso dizer que tenha gostado mais desta ou daquela. gostei do concerto num todo. tanto mais, que só hoje quando voltei a ouvir os discos reparei que houve músicas que à partida ia na expectativa de ouvir e ficaram de fora... ontem não dei por nada. não me fizeram falta, mas tenho de admitir que houve momentos em que a banda me fez falta. os discos são muito ricos para aparecerem assim despidos, a modos que em versão “o rei vai nu”. parece que é só uma questão de tempo… no palco songwriters de coura, talvez, digo eu em grego. não, não vou falar de músicas.
quando aqui há tempos a propósito de núpcias passadas tive de escrever sobre o rufus wainwright e mais concretamente sobre o "want one", o título que dei ao texto pareceu-me completamente pateta (acho que é mesmo esta a palavra), mas deixei-o ficar na mesma porque na altura, quando acabei de ouvir o disco pela primeira vez, foi a frase que me veio imediatamente à cabeça: "eu quero um rufus só para mim". ontem tive um rufus só para mim. acho que toda a gente que viu o concerto teve.
e confirma-se: o rufus faz bem à vista, é um rapaz realmente bonito. arrogância, dizia eu? acho que até eu em dias de mau feitio consigo dar ares de maior arrogância do que ele demonstrou ontem. e pronto, last but not the least, sei que tenho de dar a mão à palmatória.... apesar do forte preconceito que vive em alguns representantes do sexo-masculino-muito-macho-muito-homem em relação ao factor gay do artista me tirar do sério, tenho de admitir que em carne e osso o rufus é realmente muito mais "menina" do que a imagem que as fotos deixam passar.
Sem comentários:
Enviar um comentário