muito rapidamente, que já me estou a esticar nas considerações, e no seguimento da posta anterior, acho que a liberdade de acção que os blogs não só permitem como incentivam funciona para mim como uma espécie de rádio para quem escreve. é escrita imediata, feita de momentos, flashs, ideias repentinas, de imagens diárias que nos habituamos a captar sem nos apercebermos, porque esta cena de "ter" de escrever todos os dias faz-nos andar mais despertos para pequenos pormenores, expressões, respostas, atitudes, que antes nem nos dávamos conta de que nos passavam pelos olhos diariamente, mas que agora dão pano para mangas quando vistas aos olhos de um blog. aos nossos olhos.
volto à comparação da rádio. é o imediato. é o momento. é claro que muito do que se escreve, do que escrevo, são coisas que já se passaram há muito mas que por algum motivo nos continuam a bater à porta sistematicamente, e o blog acaba por servir para isso, para abrir portas, mas na maioria dos casos as postas surgem de flashs que temos durante o dia. falo por mim. e que se não forem tratadas naquele dia deixam de fazer sentido para nós, para quem escreve. como estas cenas que estou a escrever neste momento. amanhã já viriam fora de prazo, para mim, não para quem lê. porque quando falei em rádio, falei para quem escreve, não para quem lê. porque quem escreve é que sente a segurança que dá não ter de o fazer "em directo". e não ter a pressão de que se não escrever aquela ideia naquele segundo, mais vale não o fazer porque passou o timing. posso escrever no parágrafo seguinte. e ainda por cima com uma liberdade que um jornal, uma revista, um site não me permitem. e ainda assim, com a mesma preocupação de verdade com que o faria dentro um qualquer estatuto editorial. aguardo expectante pela oficialização de um novo tipo de jornalismo escrito. isento, livre, sério, apaixonado. estou sentada, não há crise. já houve.
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