Diego Garcia (voz), Mod (guitarra), Kevin McAdams (bateria) e Jeff Berral (baixo) estrearam-se no dia 10 de Setembro em palcos londrinos, com um concerto organizado pela London School of Economics (LSE) e que teve lugar no The Quad, o simpático e pacato bar da Escola de Economia, onde não terão estado mais de 50 pessoas, na maioria amigos das bandas locais que partilharam o palco com os Elefant, nesta “Highscholl Rock N’ Roll Party”. Diego Garcia foi em tempos, também ele, estudante de Economia, mas acabou por abandonar a Universidade em prol da música. Alguém o culpa? Quem o vê agora em palco, com 25 anos de idade, constata que o futuro do senhor não poderia passar senão pelos palcos.
Verdade seja dita: Diego Garcia nunca quis enganar ninguém. Nao é preciso sequer passar da primeira faixa de “Sunlight Makes Me Paranoid”, o album de estreia dos Elefant, para perceber que o rapaz tem sangue de artista. O tom altivo e distante com que dá vida às letras que compõe pode ter consequências nocivas junto do publico que acredita no poder e na importância das primeiras impressões.
A altivez quase arrogante e a pose vocal quase a roçar o pouco genuíno denunciadas em disco, passam a fazer todo o sentido ao vivo e a cores. Toda a disconexão de um registo snob que canta melodias directamente encomendadas ao sol da Califórnia, e que por momentos quebram o gelo de “Sunlight Makes Me Paranoid”, é descodificada pela atitude de Garcia em palco. É uma personagem de estados, um líder indiscutível, teatral como poucos, e que por já ter estabelecido uma relação íntima com o microfone do alto dos seus quase dois metros de altura, consegue em palco completar as canções com o tal pormenor que falhava em disco, mas que até então não se sabia bem qual era. A devoção.
A genuinidade de canções como “Misift”, “Bokkie”, “Tonight Let’s Dance” ou “Now That I Miss Her”, que em disco tinham tudo para soar a grandes canções, mas sem no entanto deixar a sensação de vazio, vive do palco, onde Garcia concentra todas as atenções, contrastando assim com a descrição exemplar do resto da banda, que acaba por funcionar ao vivo mais como um suporte do que como um todo.
Ora imerso nas imagens que percorrem a sua mente já muito mais para lá do que para cá, ora estabelecendo contacto directo com as filas da frente, por onde distribuiu fervorosos apertos de mão, e que o fizeram perder a aura de estrela de cinema, Diego Garcia e os restantes Elefant percorreram em cerca de 40 minutos todas as canções de “Sunlight Makes Me Paranoid” de modo exemplar e capaz de converter mais alguns estudantes musicalmente cépticos à acesa causa do rock n’ roll.
[eu que à primeira audição desenvolvi uma espécie de ódio de estimação à banda, no final do concerto estava capaz de fundar um clube de fãs diego garcia]
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