paredes de coura '04 chegou ao fim, para o ano há mais. ainda no ar a sensação de vazio de algo que chega ao fim de repente. é verdade que ontem ao fim da tarde o cansaço, o frio, as ressacas várias da chuva, da lama, das greens, dos fumos e dos vapores vizinhos, já traziam à mente uma sensação de conforto ao imaginar que no dia seguinte pela mesma hora já estaríamos de regresso a casa. sem lama, sem molhas de corpo inteiro, sem zig zags intermináveis por estradas que à noite metem medo ao susto, mas que de dia contornam paisagens capazes de fazer balançar a eterna convicção citadina de que viver na capital é que é bom. de cortar a respiração. o ar puro que faz descer a temperatura, as ribanceiras logo ali ao virar da esquina sem qualquer tipo de protecção, os cavalos que saem à rua para passear os póneis nas bermas imaginárias às 5 da manhã, as vacas e os bois também eles noctívagos seguem o exemplo, um cão que se atira a correr para a estrada a ladrar desenfreadamente. e o sono........... o sono que impede a concentração de cumprir o seu papel e que espalha pelo escuro cerrado luzes de stop aqui e ali, que afinal não existem....... no dia seguinte, é inevitável não sentir o frio no estômago quando se aproxima a hora do regresso....
e agora que estou em casa sinto falta do cansaço da estrada, da paciência do vítor que cumpriu à risca a promessa que fez de não acelerar na carrinha e deixar o meu "porta-chaves" - :) - para trás, das farturas frias, da passagem do copo green/yellow/black gelado de mão e mão e boca em boca, dos bons-dias trocados pelas boas-tardes, do recepcionista manco que depois das 2 da manhã, por mais algazarra que fizéssemos, estava programado para acordar apenas com o barulho do bater da porta da rua da residencial. acho que até me sinto meia de mãos a abanar porque hoje ainda não recebi nenhum dos 300 pacotes de batatas fritas e doritos que aceitámos nos último dias para ajudar o pessoal do trabalho a despachar as remessas.
não há barulho, não tenho frio, já ninguém se queixa da chuva, já ninguém olha para os montes de lama com vontade de chorar de desespero porque não há onde pôr os pés sem que se enterrem pelo menos até aos tornozelos naquele merdum todo. a chuva ia sabotando o festival. acabou por deixar episódios que não teriam sido vividos de outra maneira. guarda-chuvas descartáveis improvisados a partir de caixas tipo televisores retiradas de uns caixotes de lixo refundidos que pelo aspecto, ironicamente, tinham ar de ser o sítio mais limpo de todo o recinto. molhas dos pés à cabeça que às tantas já nem deixavam sentir a água que continuava a cair e a escorrer pela cara, pelas costas, pelos pés. e quem caíu foi a carla, que escorregou na lama e desceu a encosta até lá abaixo qual escorrega a la aqua parque felizmente sem danos maiores nem menores - a alguém tinha de acontecer! apenas um dos episódios que deu azo aos estúpidos ataques de riso à chuva provocados pelo cansaço de quem já nem sabe onde está nem o que diz........ mas que me continua a fazer rir. deixa lá, carla, que para a próxima hei-de ser eu a malhar de alto no lamaçal! who cares? :)
Orelhas de Burro:
mp3 vários em random mode, neste momento new radicals - mother we just can't get enough
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