sexta-feira, agosto 27, 2004

a américa aqui tão perto........

tenho fases em que estou mais de um mês sem ir ao cinema. só me apercebo disso quando me começam a falar de filmes cujos títulos não me dizem rigorosamente nada. aí é que sinto que a alienação já foi longe demais. pego no jornal ou no cinecartaz e constato o óbvio - vai ser impossível pôr tudo em dia. como perdi o hábito de seguir os conselhos dos chamados entendidos na matéria acabo por começar por aqueles que, mesmo estando a leste do paraíso, dão mais que falar. aliás, acho que as únicas opiniões cinematográficas que ainda vou lendo são as do jmourinha@blitz, apesar de nas últimas semanas andar a falhar. eu, não o jm. acho-as descontraídas e descomprometidas.

fui ontem ver o fahrenheit 9/11. finalmente. andei a adiar porque já sabia que não ia conseguir sair da sala indiferente a tudo aquilo que é mostrado. não vou sequer comentar o estado da nação, o retrato do senhor presidente a jogar golfe, a caçar, a ler o cabritinho e o raio que o parta, o tão falado ódio de estimação do michael moore pelo bush-estica, as possíveis manipulações. manipulações? até já circula na net um documentário com provas de que o homem afinal não foi à lua.......... truth or dare? adiante.........

é claro que tudo o que é retratado no documentário do moore choca e não é pouco. os chico-espertos vão dizer que não, que com certeza já sabiam de tudo aquilo, que só não vê quem não quer e que só os parvos é que ainda acreditam....... que ainda acreditam e ponto final. sinceramente, fugindo ao óbvio, o que mais me choca no meio daquela pornografia política toda é ver ali explicada por a + b, a fórmula que faz girar todos os nossos mundinhos individuais. todos somos apanhados numa teia igual àquela, todos temos um bush de estimação no escritório, todos temos noção de que esse bush vai tão longe quanto as aranhas quiserem que ele vá. todos já sentimos na pele que dizer não ao bush é alistar-nos na guerra, mesmo que estejamos interessados na paz. soldados da paz? nesta guerra não foram os americanos que nos venderam as armas. trouxemo-las de casa. estamos em desvantagem. em número, não em estratégia. e o problema é que todos temos também a noção que para nos sagrarmos vencedores, para nos libertarmos da teiazinha em que nos atiram areia para os olhos, precisamos de ter a mesma atitude suicida que os árabes que se atiram contra os arranha-céus.

assusta-me pensar que é aquele esquema que faz andar (?) o mundo, mas assusta-me mais pensar que aqueles modos de agir e pensar estão a ser absorvidos pelas grandes e pequenas autoridades do resto mundo, que ao que parece andam a cumpri-los à risca. numa escala mais reduzida, mas andam.

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