quinta-feira, janeiro 15, 2004

sem palavras... monstros & companhia - não esses, os outros

o Burro não entende por que motivo é tão difícil escrever sobre alguém/alguma coisa de que(m) se gosta. a falar é ao contrário - é mais fácil dizer coisas boas do que más. quando gostamos de alguém, quer queiramos quer não, falamos constantemente da mesma pessoa, pelas razões mais ridículas, porque qualquer que seja a razão é uma boa razão. o importante é falar muito, para não se esquecerem os pormenores. quando gostamos de uma música, ouvimo-la até à exaustão, em casa, no carro, nos phones sempre que possível, no computador do local de trabalho, onde acabaremos invariavelmente por passar o vício aos colegas, aos amigos e a quem mais calhar.... quando nos pedem para descrever no papel o que sentimos então em relação àquela pessoa ou àquela música, o caso muda de figura. as palavras perece que desaparecem como que por mistério. branca completa. parece que não há palavras para expressar o que sentimos de verdade. e que tudo o que possamos dizer não chega. porque desse lado nunca se vai perceber o que estou na realidade sentir. e as palavras, se o vento as leva quando são ditas, quando são escritas isso não acontece. é o peso da intemporalidade, do para sempre, do pensar de outra maneira no dia seguinte e não poder voltar atrás. porque está escrito e porque naquele momento era aquilo que queríamos dizer. ou se calhar não era, porque sob pressão dizemos e fazemos os maiores disparates. às vezes os melhores. escrever pode ser esgotante. e se for esse o caso é provável que estejamos realmente a conseguir deixar passar para o papel o que sentimos na vida real. e nem sempre é fácil. mesmo para quem tem a facilidade de o fazer de olhos fechados. sobretudo quando se gosta.


orelhas de Burro:

ryan adams - i see monsters

Sem comentários: