terça-feira, janeiro 20, 2004

last but not least

a propósito da discussão à volta do hip hop, que vai no post and the beat goes box, apetece-me dizer que me irrita como poucas coisas a pose de certos iluminados (nothing personal) em relação a esta história das tendências musicais ou de hypes criados à volta de filmes. lembro-me bem do fenómeno buena vista social club. quando fui ver o filme pouco ou nada sabia sobre a história daqueles músicos cubanos e as palavras buena vista social club não me soavam a rigorosamente nada, confesso. fui ao cinema porque li muito e muito bem acerca do filme. vi-o duas vezes. e à segunda lembro-me também que a maioria das pessoas que a princípio dizia bem, já falava do filme com ar entediado, como quem diz "já vi isso há muito tempo", ou pior ainda "eu vi primeiro", ou ainda pior "isso agora parece que está na moda". aparentemente ninguém quer estar na moda. ninguém quer ir com a maré. ninguém quer ser igual ao vizinho do lado. continua a mesma mentalidade do "marcar a diferença" a todo o custo. nem que seja pela negativa. que é normalmente o que acontece.....
como o buena vista, há uma série de outros exemplos. a marisa monte é outro. na altura do "amor, i love you" também se ficou a saber que portugal inteiro tinha sido fã da marisa durante uma vida inteira, mas que agora já cansava. estava na moda. "quando a moda passar volto a ouvir", dizia-se. e agora o hip hop? não sei muito de hip hop, mas uma coisa que leio sistematicamente em entrevistas de mcs e grupos portugueses é que o hip hop não consegue sair do underground porque não lhe dão oportunidade. será que agora que está a conseguir furar, já não vão querer que isso aconteça porque se vai tornar comercial? so what? não é por ser comercial e por chegar a mais gente que se perde qualidade na música. a qualidade da música é aquela que quem ouve lhe dá. qtas mais pessoas ouvirem uma música, mais hipóteses há de alguém lhe reconhecer qualidade. não é à margem que as coisas avançam, por muito estilo que isso tenha. uma coisa é não conseguir ir da margem para o centro por motivos de força maior, outra é por opção.
e não interessa quem ouve/lê/conhece/faz/diz primeiro. interessa, sim, é passar a mensagem para que todos acabem por lá chegar. mais tarde ou mais cedo.


Orelhas de Burro:

o novo divine comedy acabado de sacar





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