segunda-feira, dezembro 08, 2003

forever young

fora de prazo ou não os doors a la século 21 estiveram bem. o burro percebe o cepticismo dos seguidores de morrison. à primeira vista parece que manzareck e companhia estão a roubar a jim o que é de jim, e a dá-lo de mão beijada a ian astbury para que todos juntos consigam mais uns trocos. diz que não. que it's all about the music. que seja. a música sabe melhor quando é ouvida sem pensar, por isso ponham quem quiserem no lugar de morrison, que as canções continuam a ser as mesmas e a ter a mesma força. pelo menos foi essa a impressão que o mr cult passou. como é óbvio, o dramatismo, a teatralidade e a alma de morrison estavam lá apenas em espírito, mas quem cresceu a ouvir aquelas canções não recusa a oportunidade de as ouvir ao vivo. sobretudo quando essa possibilidade nunca teve sequer a mais pequena probabilidade de acontecer. é estranho poder assistir ao concerto de uma banda cujo vocalista morreu quase dez anos antes do nosso nascimento.
astbury desempenha bem o papel que lhe foi atribuído. os gestos são os mesmos, se bem que os mais provocadores a la mojo rising deixa-os apenas para as recordações dos que viam e vêem em jim morrison um mito. o burro é desses. an american poet too, so they say, cuja memória continua carregada de misticismo até hoje. o burro sentiu bem isso quando surgiu a imagem de morrison de braços abertos projectada na tela em palco, pouco arrepios antes de ter começado a soar a poderosa carmina burana.
não é difícil ficar do lado dos cépticos e ver todo aquele espectáculo pelo lado ridículo, mas a envolvência acaba por ser mais forte. são as canções. ainda assim o mais ridículo é que ao olhar para aqueles doors de longe, o burro sentiu por várias vezes que a única figura real que ali estava em palco era o jim morrison..... que afinal era o ian astbury. robbie krieger e ray manzarek pareciam menos eles próprios do que astbury parecia morrison. pelo menos para quem não lhes punha a vista em cima desde os sixties. em filme, claro.
ultrapassado o cepticismo e vendo as coisas pelo lado positivo, os doors do século 21 são a prova de que o rei lagarto continua a reinar um pouco por toda a parte e que ao contrário do resto da banda...... não envelhece.

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