Ontem à noite, em zappings cuja finalidade era simplesmente adiar por mais alguns minutos escritas que não mais podiam ser adiadas (you must know the feeling), o Burro apanha por acaso a recta final de um concerto de uma figura carismática, que apesar de em termos musicais pouco ou nada dizer ao Burro, cativou as atenções cá do estábulo, mesmo sem que se soubesse de quem se tratava. Mais à frente, foi desfeito o mistério por Nuno Calado e António Freitas: em palco estava Danko Jones.
O Burro já tinha ouvido qualquer coisa do rapaz, mas verdade seja dita, rejeitou à partida quase metade do álbum. Talvez lhe volte a pegar agora. Não propriamente pelo pouco que ouviu no palco da Radical, mas antes pelo entusiasmo com que o Freitas falou do concerto. Visivelmente ainda em delírio pós-concerto, António Freitas falou da actuação de Danko Jones sem a frieza que habitualmente separa as declarações dos jornalistas das dos fãs. Quer seja por defeito ou formação profissional, a verdade é que cada vez mais começa a faltar vida e emoção à flor da pele nos relatos de quem fala de música. No futebol isso não acontece, por isso não se desculpa o amolecimento com a ideia de que jornalista não dá opinião.
Quando se fala de um concerto, diz o Burro, é essencial que fique bem expressa a opinião de quem o viu para que quem lê contextualize o sentido que é dado às palavras. A música não é uma coisa em relação à qual se possa manter a frieza jornalística. A intervenção de António Freitas, ainda que de apenas cerca de cinco minutos, foi das melhores que o Burro se lembra de ter visto na SIC Radical. A perspectiva jornalística (ou o que lhe quiserem chamar) aliada à emoção que marca habitualmente as intervenções do público quando entrevistados no final dos concertos.
Orelhas de Burro ouvem:
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