sábado, dezembro 10, 2011

bobina e os grandes


depois de uma escavação noturna que a bobina levou a cabo no quintal uma destas noites, lá pelas duas, três da manhã, decidi que estava na altura de voltar a um novo plano treino para a cansar o suficiente para que não voltasse a brincar ao bob, o construtor, de mandrugada, no nosso quintal.

resultado: há três dias que a bobina tem corrido cerca de 45 minutos na praia, ao fim do dia. o frio não tem ajudado, tem custado horrores sair de casa com destino à praia, já de noite, e as mãos e os pés geladinhos. felizmente, a chuva tem dado tréguas, e vedade seja dita, assim que solto a bobina e a vejo correr disparada em direção ao infinito com as patinhas e o focinho na areia, o frio torna-se mais fácil de suportar. até porque para a cansar acabo por andar também eu a correr à beira mar.

o melhor de tudo, é que nestas correrias, a bobina tem brincado com outros cães na praia. o ponto alto da sociabilização aconteceu um dia destes, em que assistimos a um verdadeiro milagre. a bobina, que ladra sem parar a cães de grande porte desde o dia que uma cadela gigante lhe deu uma dentada na coxa, brincou de igual para igual com um golden retriever. assim quatro ou cinco vezes maior do que ela.

quando vi o cão a correr lá ao funo, tipo cavalo a galope, na nossa direção, temi pela minha vida. sim, porque eu é que iria ter de separar os pequenitos de uma luta de cães, visto que o dono do golden retriever estava ao telemóvel a uns bons 500m de distância. para não piorar a situação, e passar o meu pânico à bobina, afastei-me calmamente, como se nada fosse, não sei antes a alertar para o "cãozinho amigo" que ali vinha.

ela topou-o e ficou em estado de alerta a vê-lo aproximar-se. qual não é o meu espanto quando olho para trás e vejo os dois a desafiarem-se um ao outro para uma boa correria! e assim foi. correram e brincaram os dois até cairem para o lado de cansaço. literalmente. a brincadeira acabou quando o golden retriever se desorientou numa finta que fez à bobina, e lhe caiu em cima do lombo com os seus bons 40 quilos. guincho histérico imediato da bobina, que sem demoras mostrou os dentes ao outro. fim da brincadeira. cada um para seu lado. a bobina, rodas baixas, visivelmente exausta. o outro, perna longa, a correr que nem um cavalo a galope, como se nada se tivesse passado.

segunda-feira, novembro 28, 2011

os maus


estou tão habituada a que a bobina conquiste ao primeiro contato a simpatia de toda a gente, que fico verdadeiramente incomodada quando nos cruzamos com alguém que por princípio não gosta de cães, e que obviamente não faz da bobina exceção. há um beto caixa d'óculos com a mania que é bom na minha rua que franze o sobrolho e torce o nariz de cada vez que nos vê passar. mora no prédio ao lado, onde a bobina é sempre convidada a entrar e a passear-se pelo jardim por boa parte dos inquilinos. aquele não gosta de a ver por lá e está no direito dele.

ontem à noite o beto ganhou coragem e pronunciou-se. talvez por estar acompanhado por um amigo. diz que a bobina vai para ali fazer xixi e cócó e suja aquilo tudo. expliquei-lhe que não, que ela só lá vai no regresso a casa, depois de estar aliviadinha, e que gosta de lá ir para comer ervas e cheirar os cantos à casa. e que só a deixo passar o portão porque tem autorização para entrar da senhora que trata do jardim, e que por sinal vive no prédio.

a coragem dissipou-se rapidamente, uma vez que depois da minha explicação não teve mais nada a dizer. como cão que é, é claro que a bobina já topou há muito a antipatia do senhor, pelo que ladra sem parar cada vez que o vê, o que também não ajudará muito...mas só por causa da má vontade espero que continue a ladrar cada vez mais quando vir aqueles óculos quadradões fundo de garrafa.

domingo, novembro 27, 2011

o comando é dela


eu queria ver o querido, mudei a casa, mas bobina está colada à televisão a ver o cão do "bruce, almighty", na sic. vou ter de esperar que adormeça para ela não dar por nada. se mudo agora, lá vai ela levantar-se em direção à televisão, à procura do cão, que na cabeça dela estará escondido atrás do móvel...

manhã à solta


habituada que está a ver a bobina no seu estado natural de energia a rodos, a vizinhança topa logo quando algo se passa. bastou ter passado a manhã na praia a correr atrás das gaivotas, dos cães, de lixarada, e da própria sombra, para enfraquecer logo as pilhas. perspicazes e atentas, a dona liberdade e a senhora do quiosque comentaram prontamente que a bobina hoje estava mais calminha. ajudasse a meteorologia e os preços dos combustíveis e a bobina seria uma cadela calminha e aparentemente tranquila durante todo o inverno. depois de lhes mostrar o que é correr na praia em liberdade, refrescar as patinhas e a barriga na água e rebolar à vontadinha na areia aquecida pelo sol, é quase um crime dizer aos cães que agora vamos ali dar uma volta ao quarteirão de trela.

a pastelaria nilo


o local da bobina por excelência para fugir à dieta continua a ser o café da esquina. no entanto, mesmo tento aquele cantinho garantido para o petisco do final de tarde, a bobina não deixa de continuar a conquistar tasquinhas nas ruas e benfica. o poder de conquista da pequenita, já chegou à pastelaria nilo. na semana passada veio de lá com duas línguas de veado no bucho, graças à empatia que já travámos com o empregado da esplanada.

maleitas da pulga


o betadine não foi suficiente. de manhã, a bobina tinha lambido tudo e mais alguma coisa. ferida em carne viva, bem viva, a reluzir por entre o pelo durado. impos-se mais uma consulta, siga para o veterinário depois de almoço. o diagnóstico foi uma nova dermatite, desta feita, por auto-mutilação. urge que a mutilação da bobina provocada pelas comichões monstras da lergia à pulga seja travada pela cortisona. uma injeção resolve o problema, eu já sei, mas desde o verão passado que tentei evitar o recurso à maldita e traiçoeira cortisona. apesar de parecer a melhor amiga da bobina numa crise alérgica, não se lhe podem medir as contra-indicações internas e invisíveis a curto prazo. para já, o importante foi travar a dermatite que já estava a erupção ali nos arredores da cauda.

travada de vez a comichão, e depois de novas doses de betadine e pomada cicatrizante para tratar a ferida, constatamos que temos mesmo de recorrer à solução de último recurso para ajudar a cicatrização: o abat-jour. o funil. o colar. o pesadelo dos cães. o inevitavel para evitar que a bobina escavacasse de novo a ferida na coxa. foram três dias de orelhas caídas, a dormir aos meus pés e a levar tudo à frente cá em casa. três dias quase sem comer, mas três dias bastaram para recuperar a mutilação canina.

uma nova bobina quando lhe tiro o abat-jour da cabeça. o apetite regressa num abrir e fechar de olhos, as orelhas arrebitam, os olhos brilham de satisfação. é a nossa bobina outra vez.

terça-feira, novembro 15, 2011

bastou uma pulga fora d'época


a bobina foi traída pelo banho, mais uma vez. foi mordida por uma pulga nas 48 horas que separaram o banho da aplicação do anti-pulgas. resultado, estamos de novo a braços com uma alergia que já lhe valeu uma ferida na coxa. morde, morde, morde sem parar, até fazer sangue, como já fez.

hoje, mais uma noite sem dormir, para a bobina que não parou de se coçar, e para mim que a ouvi desassossegada toda a noite em cima do banquinho onde quis dormir hoje. atingi o limite às três da manhã. agarrei nela e vai de betadine, o fim da picada de madrugada, ou não fugisse a pequenita do betadine como o diabo da cruz.

uma hora depois, estamos em condições de ir dormir. depois de ter fugido de mim como se lhe tivesse feito a pior coisa do mundo ao tratar a ferida, eis que a bobina volta a supreender ao querer vir dormir na minha cama, encostada a mim. é coisa que raramente se vê, tendo em conta que na cabeça da bobina, assim que apago a luz, se ela estiver na minha cama, pira-se de um salto para outro poiso qualquer onde pernoitar. foi educada assim, e não há dia que não cumpra a regra.

seguiremos com a rotina do betadine até esta alergia passar, e a bobina desistir de escavacar-se às dentadas dia e noite...

segunda-feira, novembro 14, 2011

o elefante amarelo


a bobina não liga patavina a bonecos de borracha ou de corda para roer. ou melhor, aos de borracha até liga se forem daqueles que chiam. não os larga até conseguir chegar à peça que cada um tem, e que os faz chiar a cada dentada. o objetivo é acabar com aquilo. uma vez arrancado o cerne da questão, eu que brinque com os ossos e as bolas de borracha, que a bobina tem mais que fazer.

o que ela gosta mesmo é de bonecos de peluche. isso sim, deem-lhe os que houver que ela não rejeita nenhum, e arranja sempre tempo para brincar com todos e com cada um. agarra-os com os dentes e aí vai ela aos saltinhos pela casa fora com a bonecada na boca. às vezes quer que eu os atire para ela apanhar, outras vezes quer andar simplesmente ela a brincar. larga-os, fica parada a olhar para eles com o rabo a abanar, e de repente salta para cima deles, como quem ataca, para os agarrar outra vez com os dentinhos.

ontem, recebeu um boneco novo, por ter ficado em casa da avó e não ter feito chiadeira, nem choradeira à porta. um elefante pequenino de peluche amarelo, para ajudar a cerci. um sucesso aos olhos da pequenita. um brinquedo bem comprado, constatei ao final do dia, já na nossa casa, quando vejo a bobina escolher do meio da bonecada toda que já colecciona, o elefante novinho em folha. ignorou todos os outros por um dia.

sexta-feira, novembro 11, 2011

OSSOS


antes de se atirar à rótula de vaca, aka osso, que gentilmente lhe oferecem todas as semanas no renovado talho da grão vasco, a bobina circula uns bons dez minutos pela casa com a peça na boca. percorrer o quintal, vai lá dentro até à sala, passa por cima da cama dela, regressa à cozinha, passa por cima da cama que tem na cozinha e regressa ao quintal para mais uma volta. e assim sucessivamente até o osso começar a pesar no delicado focinho da predadora. acaba por pousá-lo em cima de qualquer tapete, não sem antes chorar um bocadinho, frustrada por não conseguir decidir o que fazer com tamanha preciosidade.

ontem à noite não foi exceção. todo este ritual às nove da noite. está claro que adormeci ao som tranquilizante de uma boa dentadura a roer incansavelmente a preciosa peça. osso para cá, osso para lá, pelo chão, pelos tapetes, pelas camas dela, tudo cheio de gordura. ainda tentou vir para a minha cama roer mais um bocadinho, mas foi recambiada par ao chão. tentou depois o sofá, e foi novamente repreendida. resignada, foi para a cama dela espalhar a porcaria. é claro que depois não pôs lá as patinhas para dormir, esperta a miúda.

o certo é que acabei por adormecer sem saber o desfecho do osso semanal, mas hoje de manhã tudo se esclareceu assim que acendi a luz. apesar de não ter visto o osso em lado nenhum, bastou ver o focinho da bobina para perceber que o ritual mais uma se cumpriu ontem quando eu já dormia. a bobina tinha ainda restos de terra espalhados pelo focinho, que ali se alojaram no momento em que foi enterrar o resto do osso no quintal, derrotada pelo cansaço.

quinta-feira, novembro 10, 2011

nem o mourinho nem o rock in rio


são sete da manhã, é de noite ainda e as únicas pessoas que se veem na rua estão aglomeradas nas paragens de autocarro, abrigadas da chuva. aí ou dentro das vistosas pastelarias de benfica. como habitualmente, passo com a bobina em frente ao milennium. não sei o que há para ali, mas a bobina gosta de cheirar todos os cantinhos do banco, ali quase em frente à igreja. ontem, numa análise mais pormenorizada do edifício a bobina descobriu qualquer coisa...

espetou as orelhas, perdeu a pose descontraída de quem cheira todas as pedras da calçada individualmente, e pôs-se em posição de defesa. colada ao chão, chegada para trás, pronta a saltar. e nisto começa a ladrar desalmadamente contra o vidro, cortando o silêncio que se vive na rua às sete da manhã. quando vou ver o que se passa, apercebo-me que a pequena bobina ladrava sem parar a uma figura de cartão em tamanho real de nada mais nada menos que josé mourinhoa promover uma conta que dá direito a bilhetes para o rock in rio. só se calou quando lhe garanti que nós não temos de ir ao festival. o senhor mourinho se quiser vai com a família, mas lá em casa não somos obrigados. bobina respira de alívio.

o futuro


o sofrimento por antecipação é capaz de ser uma das coisas mais estúpidas à face da terra. ainda assim, cada vez que leio um texto de despedida de um dono para o seu cão, não consigo nem por nada desapertar o coração quando penso que um dia chegará a vez da bobina sair de casa dos pais para o céu dos cães. não é para lá que vão todos? e tenho medo que na altura me faltem as palavras certas para expressar a sensação de vazio que será ela não andar colada às minhas pernas e debaixo dos meus pés a toda a hora.

- bobina, ai de ti que batas o recorde de anos de vida dos pequenitos.

terça-feira, novembro 08, 2011

a cadela que não dava a pata


a bobina nunca foi cadela de dar a pata. sabe bem o que esperamos dela quando lhe pedimos uma patinha, só porque não temos mais nada de interessante para fazer ou com que a chatear, mas pensará baixinho para ela que as patinhas são dela, e que só nós já temos as nossas mãozinhas, não precisamos das patinhas dela para nada. e vai daí presenteia-nos com lambidelas várias. a bobina só dá a pata, e às vezes até as duas, uma de cada vez, quando quer muito alguma coisa que não está a conseguir do modo convencional - lambidelas e saltos em direção à nossa cara. aí sim, é ver como ela entende tudo sem deixar espaço para dúvidas, e venham de lá essas patas!

por ter constatado isto ao fim de uns tempos, deixei de pedir a pata à bobina. beijinhos ela dá com fartura, por isso achei que podia deixar cair a gracinha da pata. o único momento do dia em que o faço é quando chego a casa. agora até mais para ver a repetição da cena, do que outra coisa. no meio das festas do reecontro dona-bobina, como quem não quer a coisa, vai de pedir a pata à bobina para testar a reação: se me ignora, se me dá uma lambidela, ou se me dá realmente a pata. nada disso. nesse momento, a felicidade é tanta que ao pedir-lhe a pata, a bobina salta para cima de mim em direção à minha cara com toda a força que arranja debaixo daquele lombinho gordo e pesado. e é então que constato que a alegria é tanta que a pequenita lança diariamente à dona, não uma, mas quatro patas a alta velocidade.

é bom referir que que estes cumprimentos são trocados quando estou sentada, à altura da bobina. quem lhe dera, do alto dos seus 20 cm de altura, conseguir alcançar com o focinho a minha cara assim de uma assentada.

bolachas de aveia... era o que faltava!


depois dos palitos de la reine da dona conceição, da carne cozida e do chouriço do tio luís, do frango assado e das fatias de queijo da dona fernanda no café da esquina, dos biscoitos da dona piedade, das gambas cozidas na cervejaria, das bolachas maria na retrosaria, dos bocadinhos de croissant da senhora do banco de jardim, das fatias de mortadela do senhor do banco de jardim e das rótulas de vaca no talho.... eis que a bobina conseguiu mais um cromo para a sua caderneta de petiscos das ruas de benfica: as bolachas de aveia da loja de desporto big joe!

posto isto, qualquer dia temos de mudar de casa em prol da linha e da saúde da bobina. não há quem resista ao olhar - olhos nos olhos - da glutona de pelo comprido, que já conquistou pelo estômago toda a vizinhaça da igreja de benfica...

segunda-feira, novembro 07, 2011

tanto pêlo para nada


acusando a chegada das baixas temperaturas, a bobina já começou a recuperar alguns hábitos de inverno, atirando com as rotinas de verão para o fundo do armário. bom exemplo disso é o poiso escolhido para dormitar durante os quinze minutos que me levam o banho e as rotinas de higiene matinais. já não fica lá fora a ladrar aos melros, nem na cama dela a preguiçar. hoje já fui dar com ela de olhinhos meio fechados estendida nos meus lençois ainda quentinhos. a única reação observada quando me aproximei, com olhos de inspetora, foi uma bobina de barriga para cima à espera de festas.

quarta-feira, novembro 02, 2011

quarta de manhã


o dia começa cedo, ainda de noite. três dias depois, a bobina já não dá mostras da confusão com a mudança da hora. hoje sou eu que acordo primeiro. ela só se dirige para o meu braço, onde apoia a cabeça todas as manhãs para as devidas festas, depois de me ouvir espreguiçar. mal dou ordem para levantar, a bobina sai disparada como um foguete em direção ao quintal. sabe que é para lá que vai ver se está tudo como deixou na noite anterior, antes do merecido pequeno almoço. já de barriga cheia, é na cama dela que se deita para mais uma curta sesta, enquanto tomo banho. não é quando fecho a água ou saio da banheira, que a bobina decide juntar-se a mim na casa de banho. o sinal de partida é dado quando me ouve escovar os dentes. aí sim, ela tem a certeza de que há vida lá em casa e que provavelmente se adivinha uma saída. quando passo ao quarto para me vestir, a bobina regressa à cama dela. observa tudo com atenção até ao momento em que calço o primeiro sapato. nesse instante troca a cama dela pela minha e salta em direção à minha cara com uma lambidela pronta a sair. não restam dúvidas de que vamos sair. assim acontece. 

já na rua, já de dia, são sete da manhã, vê do outro lado da estrada duas senhores grisalhas encasacadas e de chapéu de chuva na mão. não lhe ligam, não a veem. como quem não quer a coisa, a bobina atravessa a estrada disparada na direção das vizinhas. ladra como um pastor alemão enquanto correr, e cala-se quando chega ao pé delas. ofendida por ter sido negligenciada, a bobina pede desculpa com lambidelas quando se aproximam e lhe estendem a mão em jeito de festas. as ditas senhoras tomam o pequeno almoço todos os dias à mesma hora na mesma pastelaria. ficam à janela, sempre na mesma mesa. a bobina reconhece-as à distância. passa por elas todas as manhãs e vê-as cá de fora junto ao vidro. nunca tinham trocado impressões, mas ficaram amigas para a vida. mais duas cabeças grisalhas que a bobina irá procurar diariamente durante os passeios pelas ruas de benfica.

terça-feira, maio 31, 2011

eu vou, tu vais, ela vai... vamos!

a esperteza saloia da bobina chega ao ponto de:


quando estou no sofá e ela não me larga porque quer alguma coisa - e acreditem que ela pode ser bem insistente com patinhas, lambidelas e saltos para a minha barriga -, tento safar-me dos pequenitos ataques dizendo coisas como:

«- bobina! vai beber água!» ou
«- bobina! vai lá fora!»


nada resulta, nada a faz sair do sofá se eu não for atrás. a não ser que... e reparem na especificidade da aprendizagem dos pormonores da língua portuguesa desta cadela... a não ser que... eu faça uma ligeira alteração na frase.


Se em vez das formas anteriores, eu disser à bobina:


«- bobina! VAMOS beber água!» ou

«- bobina! VAMOS lá fora!»


salta imediatamente do sofá, de cima de mim, de onde quer que seja! é instantâneo! abençoado plural.

sexta-feira, maio 27, 2011

do calor...

o calor na rua às cinco da tarde é de tal ordem, que a bobina opta por deitar-se debaixo do banco de jardim, à sombra, onde segundos antes eu optei por sentar-me. à noite, pela fresca, a história será outra, como habitualmente.

update semanal...

últimos dias marcados por concertos, petiscos, chamadas anónimas, insectos, aloes, e muuiiita falta de paciência para pessoas que são uma perda de tempo.

nova tentativa natural...

na luta contra o uso da cortisona no tratamento das alergias, a bobina está em fase de testes no que toca aos poderes milagrosos do aloes. diz que é do melhor que há no tratatamento de alergias da pele. para já, não houve reação negativa por parte da barriga da bobina e parece que até aliviou as comichões durante umas boas horas. aguardamos pelos resultados dos próximos dias. se o saldo for positivo, vou tornar-me na maior consumidora nacional de aloes, quem sabe até me dedicarei ao cultivo. bobina, por favor, colabora.

segunda-feira, maio 23, 2011

raios e trovões...

descobir recentemente, graças às minhas simpáticas vizinhas, que a bobina quando está sozinha em casa tem medo da trovoada. não parece nada de extraordinário, visto que a maioria dos cães fica em pânico perante o barulho dos trovões. a novidade aqui é que em quase três anos de bobina cá em casa, nunca tal reação se tinha manifestado. a bobina tem passado por trovoadas bem barulhentas, sem pestanejar e sem dar mostras de estar sequer a ouvir o barulho do céu a desmontar-se aos bocados lá fora. impávida e serena.

durante a trovoada da semana passada, a bobina ficou sozinha em casa, enquanto a dona se presenteava com um prato de caracóis e outros petiscos numa cervejaria aqui na rua. no dia seguinte, duas vizinhas que nos encontraram num dos passeios do dia, dirigiram-se à bobina muito preocupadas, interrogando-a se estava melhor.

eu, traumatizada com as alergias da pequenita, pensei que se referiam às intermináveis comichões. pois que não. as senhoras estavam preocupadas porque durante a trovoada, a bobina uivou, chorou, ladrou, fez trinta por uma linha no quintal, e só acalmou quando as simpáticas senhoras começaram a falar com ela.

nessa noite, voltou a trovejar de madrugada. a bobina, que dorme de olhos abertos, nem sequer acordou com um trovão de tal maneira estridente, que me acordou a mim, que durmo de olhos fechados.