quinta-feira, maio 14, 2009

hunting for witches....

vai para uns meses que por razões óbvias, pelo menos para quem segue este canto online, que ando mais alerta/ sensível para assuntos caninos. na sic, neste momento debate-se os direitos dos animais. entre muita coisa que me soa a burocracia, há uma frase de um dos oradores que chama a atenção: "se um perdigueiro não pode caçar, serve para quê?"
não querendo estar a contestar nada a quente, ocorre-me apenas uma simples comparação... um desempregado (qualquer que seja o ramo profissional) não serve para nada?
de todas as conversas que tenho tido com outros donos de cães (e quem os tem, sabe que é inevitável passar por estas trocas de impressões com outros donos, diariamente), em poucos meses descobri que há pessoas que (sobre)vivem graças às exigências/ companhia/ amor incondicional/ alegrias que o cão (neste caso) lhes proporciona no dia-a-dia. quer cace, quer não cace. e apenas por isso.
e também apenas por isso aprendi a respeitar e a gostar incondicionalmente da bobina. pelo esforço incansável com que a vejo dia após dia a tentar adaptar-se às regras que lhe imponho, mesmo que por entre dentes lhe saia o som da ronha. mesmo no meio de tanta rebeldia e tentativas de domínio, esta cadela faz tudo por uma festa. mesmo que isso implique obedecer à dona. mesmo que isso implique não ir à caça. e, na minha humilde interpretação de quem ainda pouco percebe disto, para o animal é bem mais importante uma festa, uma boa relação com o dono, umas boas corridas e uma boa taça de comida e água fresca, do que um coelho entre dentes.

quarta-feira, maio 13, 2009

off-bobina #4

activei o estado de dormência no mais parecido que tenho com o famigerado horário de expediente, para não dizer de uma assentada tudo o que me vai na alma e bater com a porta na cara de quem de direito de uma vez por todas. a anestesia cerebral, sem corantes nem conservantes, está a funcionar tão bem que até estou admirada. agora, não sei é onde é que se desliga o efeito. venha de lá a sexta-feira...

terça-feira, maio 12, 2009

daily planner...

a bobina está com a agenda cheia.
esta semana, temos um workshop de primeiros-socorros para cães (eu tiro as notas).
no fim de semana vai para o hotel mudar de ares, que a dona tb precisa do seu espaço de tempos a tempos.
para a semana, começam as aulas de comportamento, duas vezes por semana, durante um mês.
pelo meio, ainda em discussão, está em vista um casting... duvido que ela cumpra os requisitos, mas a ver...

isto sim, é uma cadela com uma vida social mais activa que muita gente.

la fontaine.....

acho que a bobina anda a passar fomeca... chegou agora do quintal com metade de um osso na boca, acabado de desenterrar. dou-lhe estes ossos de vez em quando ao fim de semana, para assinalar os dias em que a dona não vai trabalhar. quando não tem fome, vai direitinha ao quintal para os enterrar. normalmente ficam lá a ganhar raizes e cheiro a mofo até ao dia em que lhe dá a larica. resultado habitual: vomita passados poucos minutos de ter dado algumas dentadas nestas peças de colecção caninas. aquele osso estava debaixo da terra há mais de um mês. contra vontade da bobina vai para o caixote do lixo dentro de escassos minutos. acabou de vomitar aos meus pés. pelo menos é arrumadinha. e numa peça da cigarra e a formiga, a bobina faria certamente de formiga. vá lá, assim já se vai entender com os milhares de formigas que mais dia menos dia voltam a inundar o quintal que, durante o inverno, é só da bobina.
amanhã dou-lhe mais ração.

segunda-feira, maio 11, 2009

eating...

a bobina afinal gosta de morangos. têm é de ser cortados ao meio. eu bem estranhei, no dia em que a miss guloseimas dos cães deixou um morango inteiro intacto no chão em casa dos padrinhos, como realmente não lhe agradasse tal iguaria. mito desfeito este fim de semana na casa da avó.
petisco mais recente: uvas, as chamadas pretas. comeu três metades e acho que ficava aqui a tarde toda a olhar para mim, caso eu não tivesse dado conta do recado. eram docinhas.
a quebra da dieta da ração peles sensíveis no fim de semana acarretou ainda bocadinhos de massa de pizza da tia e massinhas em forma de estrela que o manel insistiu em deitar do prato dele para cima da bobina.
e já agora... a ração com sabor a peixe já vai marchando a maior velocidade.

quarta-feira, maio 06, 2009

the dog and the sea...

cá em casa inaugurámos a época balnear esta semana. em dias separados, mas ambos bastante frutíferos. seguindo o exemplo da bobina, que lá para o início da semana se estreou nas águas da linha de cascais, a dona mergulhou hoje todas as vezes que teve direito nas ondas da margem sul. conclusões a tirar destes dois dias: há que celebrar o facto de já estar ultrapassado o drama eterno do primeiro dia de praia e da pele branca-mais-branca-não-há, no caso da dona, e a feliz constatação de que a bobina SABE NADAR!

por muitos "passeios" (será mais correcto chamar-lhes maratonas ou sprints ou fugas) que ja tenha dado na praia e à beira mar, a bobina nunca se tinha aventurado nos mergulhos e nas braçadas. sem que ninguém esperasse, pois que foi desta que decidiu atirar-se de cabeça num elegante salto em direcção à agua que separava duas ilhas de rochas. para lá e para cá. encharcadinha, dos pés à cabeça. feliz da vida, tão feliz que repetiu a experiência, mas desta feita sem esperar.

a costela da caça é mais forte, e os pássaros puxam por ela. numa corrida desenfreada (literalmente) atrás de um passaroco, a bobina saltou de novo entre rochas e caiu por inteiro na água. desenvolta como sempre, nadou para trás, correu até à dona, e depois até duas senhoras que lachavam calmamente nas rochas, onde achou que seria conveniente sacudir toda a água salgada que lhe colava por completo o pêlo às costelinhas. benditas senhoras que lhe acharam graça e ainda lhe deram pão com queijo.

queria aqui também agradecer ao senhor do chapéu branco que esteve a assistir a toda a prova de correrias enlouquecidas da fera, e que lhe foi buscar uma garrafa de água e um copo de plástico, "porque ela devia estar cheia de sede e até já tinha ido cheirar a garrafa de água da senhora que estava ali deitada".

domingo, maio 03, 2009

uffff..............

acredito piamente que a bobina esteja neste momento lá fora a rezar, sozinha e em silêncio absoluto, para que a dona vá trabalhar amanhã bem cedo. depois do ritmo das andanças do fim-de-semana, com o atribulado primeiro banho a sério do ano pelo meio... as pilhas devem estar aí com apenas 80% da carga habitual. menos que isso, só em casos extremos de doença.
ainda a propósito do banho... é sempre uma sensação estranha ver esta bola de pêlos esvoaçantes, encharcada. se a encontrasse a passear na rua em dia de tempestade, não a reconheceria. parece que assim que á agua começa a assentar o pêlo, a bobina perde cerca de 10 kg. o resto das acrobacias... não me vou alongar. imaginem apenas um cão eléctrico debaixo de água, mas em assustado, com as patas a tremer e o focinho fixo para fora da banheira. e no meio disto tudo, ainda foi arranjando tempo para lamber a cara à dona, que não só teve de se meter também na banheira, como ainda saiu do processo com um arranhão nas costas de ombro a ombro. de resto, vestígios apenas do cheiro a champô, que tenho impressão vai perfumar a mansao por mais uns bons dias.

quarta-feira, abril 29, 2009

at home...

os passeios da bobina hoje limitam-se ao quintal e às correrias pela sala. a dona não está com disposição para mais nem melhor. amanhã é outro dia e sexta-feira é feriado. ar puro mesmo no centro de lisboa e longe de chelas.

segunda-feira, abril 27, 2009

off-bobina #3

para ser sincera, neste momento assusta-me mais a febre da carraça do que a dos porcos. mas pensando bem... hoje comi uma alheira eurest, estarei em risco?

chip trick....

a bobina já tem chip. acho que todo o processo me assustou mais a mim do que a ela, que esteve todo o tempo com o focinho bem encostado a mim. "é como furar as orelhas", previne-me a vet-li. "aaahhh", digo eu convencida, pelo menos aparentemente, já que não tenho as orelhas furadas e cuja dor me é tão familiar como a das dores de parto.
quando vi a "arma" confesso que antevi o pior. uma guinchadeira e um salto mortal da "marquesa" para o chão, no mínimo. surpresa das surpresas, a bobina apenas estremeceu, encostando-se mais a mim depois da picada. nem um piu. festa no consultório, com direito a duas mãos cheias de biscoitos dados à socapa pela nova grande amiga da bobina, a ori, que por sua vez é filha da vet-li e vai a caminho dos 4 aninhos.
e só para contrariar, no dia em que se estreou no passeio em rédea solta já com chip, a bobina não fez orelhas moucas ao chamamento da dona uma única vez. terá ficado a ouvir melhor?

off-bobina #2

é sempre bom quando sem esperar, o trabalho nos devolve recordações como estas:

pedro abrunhosa & bandemónio - "viagens" - 1994

ornatos violeta - "o monstro precisa de amigos" - 1999

off-bobina #1

um dia destes a bolha rebenta. o conselho e os avisos sábios dos mais velhos vinham distantes, tão distantes que lá atrás entraram a 100 e saíram a 1000. a ilusão era de tal maneira absorvente que nem podia ter sido de outra maneira. três anos mais tarde tudo faz sentido. tanto sentido que me sinto, agora eu, em condições de repetir esses conselhos a quem estiver para vir. o peso de que me falavam esses conselheiros, senhores, o peso... vejo agora que na altura não me podia sequer preocupar porque nem sabia do que tratava. hoje sinto-o às costas em dias cada vez menos espaçados. e o pior de tudo é que já lhe tomei consciência. estou prestes a dar início a mais uma contagem decrescente, que a julgar por episódios anteriores não seguirá a pacifidade do ritmo controlado do cronómetro. está activado o tic tac da bolha. é urgente que descubra qual dos fios devo cortar antes que se dê a explosão. mais urgente ainda é que nao corte o fio errado levada pelo chamado "mau feitio" com que me rotulam, mas que nestas alturas é a única coisa que me mantém viva a sanidade mental.

segunda-feira, abril 20, 2009

às urtigas...



a bobina foi-me chamar. já tinha apagado a luz, ela já se tinha deitado de livre e espontânea vontade e o cansaço era tal que nem veio ter comigo quando a chamei para lhe fazer uma festa de boas noites e dorme bem. sim, trato a cadela, a modos que como uma criança. não se levantou. nada de estranhar nos dias de grande correria, como foi o caso.

a bobina foi-me chamar minutos depois de eu ter apagado a luz. saltou para a minha cama e andou com o focinho às voltas na minha cabeça. protegi a cara da língua compulsiva, ignorei as cabeçadas e mandei-a dormir. ela obedeceu, mas voltou a levantar-se da cama dela, sem conseguir estar quieta. acendi a luz, ao ouvi-la saltar para o sofá, para a repreender. veio ter comigo, já com os olhos mais vermelhos que o costume. fiquei preocupada, mas mandei-a descansar.

a bobina foi-me chamar de novo, agora já aflita. ao acender novamente a luz, em vez dos olhos simplesmente vermelhos vi duas batatas no lugar dos olhos e um focinho já disforme. as gengivas estavam do triplo do tamanho normal. presumo que na garganta o inchaço fosse semelhante, uma vez que as dificuldades em respirar já eram bem notórias. aquela espécie de tosse...

o pânico instalado ao domingo à noite. é suposto eu saber o que raio motivou isto? é suposto ligar à vet ao domingo às onze da noite? é suposto eu saber se isto é uma emergência ou se é normal acontecer? enquanto tudo me passa pela cabeça, a bobina instala-se confortavelmente no sofá, de olhos fechados, numa apatia assustadora, que me fez estar uns bons vinte minutos com a cabeça encostada ao focinho dela para ter a certeza de que continuava a respirar. os olhos já mal abrem, e o focinho está feito numa pêra disforme.

diagnóstico da vet por telefone: alergia a uma planta qualquer, do génereo urtiga. confirmo que há urtigas no quintal, porque choveu a semana toda e não pude tratar da jardinagem conforme previsto. ora, a bobina mete o nariz em tudo e com certeza foi dar a uma urtiga. o tratamento passava por metade de um anti-histamínico para combater a alergia e chá de camomila para lavar os olhos e acalmar a comichão.

a bobina foi salva pelo "tio", que em jeito de inem canino veio à nossa mansão munido de zyrtek e chá "noite tranquila", porque cá em casa não há mais que ben-u-ron e alcool etílico na farmácia. é capaz de ser bom sinal. tão bom quanto ver que quase 24 horas depois do incidente ninguém diria que a bobina esteve imóvel neste sofá. está de volta às suas caçadas nocturnas no quintal, que está livre de urtigas e daninhas desde as 7h da manhã (!!!) de hoje. 3-repito-3 sacos de urtigas... e quem precisa do zyrtek agora é a dona.

sábado, abril 18, 2009

sunny pics...







rainy pics...






run, forrest, run...

à falta de uma praia ou de um extenso relvado para correr, enquanto a chuva permanece, a bobina está cada vez mais rápida a correr atrás da cauda. no sentido inverso aos ponteiros do relógio. o treino tem sido tal que já consegue agarrar a cauda em passo de corrida com relativa facilidade. será a chamada cadelinha de rabo na boca, sem a parte do cheiro a fritos.
escusado será dizer que a bobina ja voltou a instalar a cama em frente à porta do quintal. e assim se passam os aborrecidos dias de chuva... com vista para o mar, à escala de uma cadela, claro.

sexta-feira, abril 17, 2009

sneeze...

a bobina está radiante... tem tido a dona em casa quase todo o dia. a culpa é da ventania que nos apanhou na curva há dias ai ao cimo da rua, e que me trouxe como brinde o vírus da gripe. nem quero supor uma hipotética febre da carraça... neste momento, preocupa-me apenas que a minha cabeça rebente nos próximos minutos e que o meu nariz deixe de fazer a circulação do ar. a minha velocidade mental por esta altura permite-me apenas ponderar sobre uma questão: fui eu que peguei a preguiça à bobina, ou foi ela que ma pegou a mim. o sofá não chega para as duas e estou incapaz de discutir sobre questões territoriais.

terça-feira, abril 14, 2009

it's rainin' again....

a chuva está a atrasar-me a vida e a aborrecer a bobina. tinha planos importantes para esta semana, que continuam em banho-maria até ver, e acredito que a bobina também. estão adiadas as correrias na praia e na relva. a cadela bem tenta inventar o que fazer com o tempo entre quatro paredes caiadas, mas está a tornar-se cada vez mais difícil. entre as idas frustradas, por causa da chuva, ao quintal, as correrias pela casa, as sestas fugazes, as sessões de festas da dona e as brincadeiras com a dona, pouco ou nada lhe resta para fazer. já chegou à fase terminal do aborrecimento: ladrar a qualquer pessoa que entre no prédio. por esta altura, acredito que a enjoadinha do r/c frente já tenha toda uma teoria redigida sobre a ferocidade da bobina.

segunda-feira, abril 13, 2009

ticks...

mais uma semana à espera do banho e da tosquia... depois da época das pulgas, e da alergia descoberta e tratada, a bobina experimentou este fim de semana a época da carraça. dezenas a passear por aquele pêlo lustroso, à procura de um poiso onde cravar aquelas patorras, ainda minusculas. muitas ficaram pelo caminho, eficazmente encerrado pela dona atenta. outras, chegaram a bom porto, mas foram desalojadas, novamente, pela atenta proprietária do animal, que não pode nem deve sub-arrendar o corpinho. outras talvez por lá ainda residam, até o advantix fazer efeito.

espera-se agora que nenhuma das carraças estivesse infectada, e que nenhuma tenha saltado a hierarquia estabelecida e se tenha alojado nalgum canto da dona. posto isto, e tal como comecámos por dizer, a tosquia vai ter de ser adiada mais uma semana, visto que o banho só pode ser dado quatro dias depois do anti-pulgas/carraças/mosquitos.

e daqui a duas semanas... que a bobina não esteja apática nem abatida!

e no meio disto tudo, assinale-se ainda que eu nunca tinha visto uma carraça.

zzzzzzzz

desde 5ª feira que a bobina mal dormia. foi passar o fim de semana fora e bem pode dizer-se que foi para um campo de férias com a família. o facto de ter "muitas" pessoas à volta impede-a de adormecer mais do que escassos minutos de cada vez. e ainda assim, nunca deu provas de cansaço, a não ser ontem ao final da tarde, na chegada à casa. eram sete da tarde quando se aninhou discretamente no banquinho vermelho da sala, cujo acesso lhe está habitualmente vedado, e só de lá saiu cerca de duas horas e meia depois. o sono profundo da sesta não a impediu, no entanto, de continuar o sono dos anjos na cama dela até de manhã, serena e tranquila. tive de a chamar para que se levantasse, coisa rara, nunca vista. e por agora, está de volta à cama dela, de barriga para o ar, no meio de mais uma profunda sesta. a preguiça é tanta que até se pega...

quarta-feira, abril 08, 2009

at the window...

a bobina tem um novo hábito: arrastar a cama que tem debaixo da mesa da cozinha (onde ela fica quando está sozinha em casa) para o pé da porta/janela que dá acesso da cozinha para o quintal. e ali fica. enquanto eu estou no sofá, tal como neste preciso momento, ela fica na cama da cozinha e olhar lá para fora. sem a antiga necessidade de me vigiar. sem estar a olhar-me ao microscópio horas a fio. inédito.

há que contextualizar, que até há bem poucos dias, a bobina não me perdia de vista mais do que 5 minutos, assim que eu punha um pé em casa. eu estar no sofá significava para ela deitar-se na cama dela da sala, que fica a poucos passos do sofá. agora, é capaz de estar ali com o focinho "à janela" mais de uma hora. normalmente regressa quando houve um barulho que possa significar uma mudança de posição por parte da dona. vem tão contente ter comigo como se fosse ela que estivesse a chegar a casa para me vir buscar lá para fora. e se a chamo, fica tão contente como se lhe estivesse a dizer que estou a pensar nela.

mais um passo.

terça-feira, abril 07, 2009

dogging stones.....

por este andar, a bobina qualquer dia tem, não uma pedra, mas um muro nos rins. com as pedras que ja lhe saquei do focinho, tenho impressão que já podia substituir um dos muros do quintal. é que ainda por cima, traz as pedras na boca para o pé de mim toda contente à espera de uma recompensa. o raspanete neste aspecto não faz efeito. agora é só arranjar o cimento e a tinta para o muro.

domingo, abril 05, 2009

hot dog.....

a bobina foi a um churrasco. saiu-lhe a sorte grande, porque não estava prevista a autorização para a entrada dos rodas baixas. uma viragem de última hora nos acontecimentos, levou a bobina a um parque de merendas a tresandar a entremeada, salsichas e entrecosto assados. habituada a uma casa "vegetariana", a alegria da cadela era visível na desorientação momentânea ao saborear umas poucas dezenas de aromas num mesmo espaço.
andou à solta, fez amigos, deu dentadas a um cão melga, e apaixonou-se pelo jimmy (page). fugiram os dois sem que ninguém visse, estiveram desaparecidos durante uns bons 5 minutos, até que voltaram pelo próprio pé a correr em alta velocidade, tão depressa como desapareceram.
a bobina comeu batatas fritas, salsichas e entrecosto. um dia não são dias, sobretudo na vida de uma cadela que só come ração e vegetais crus. quando ficou cheia achou por bem enterrar com a habitual ajuda do focinho as restantes iguarias que lhe foram dando para a boca. deu espectáculo.

terça-feira, março 24, 2009

@ the beach...

a bobina acabou de chegar da praia. nota-se que o sol está outra vez mais fraco quando em vez de um urso de peluche a bobina parece um rato ao regressar a casa. o motivo? aventurou-se num sem fim de poças de águas que as ondas vão alimentando entre as rochas à beira mar. sim, a bobina é medricas. tem medo das ondas, mas não passa por mariquinhas. dá saltos de gazela de rocha em rocha e mergulhos de pés nas poças com uma elegância que sim senhora. as pessoas olham e reparam na ginástica da cadela, que onde quer que vá continua a conquistar pelo menos mais uma ou duas pessoas de cada vez. hoje lanchou duas bolachas maria oferecidas por uma criança (eu sei que faz mal, mas nao soube como dizer não à avó da criança), que ao perceber o apetite da fera se apressou a esconder o tupperware do lanche.
cá por casa, o chuveiro e o secador começam a ser vistos cada vez menos como ameaças. o urso de peluche descansa agora tranquilamente na sua kingsize.

sit and listen....

à falta de uma porteira a sério cá no prédio, a bobina assumiu o lugar deixado pela dona qualquer coisa, que, soube ontem pela dona alzira, morreu há um par de anos. está com o focinho colado à porta (a bonina, não a dona alzira) da rua a ouvir atentamente a conversa entre duas vizinhas, que estão em amena cavaqueira lá pelo 2º andar.

segunda-feira, março 23, 2009

don't let the bedbugs bite.....

a bobina está neste momento naquela fase do dia, prestes a adormecer a olhar para mim. vai entrar no segundo sono profundo depois de um intervalo de breves minutos, que aproveita para se certificar que a dona ainda está onde a deixou.
muitos progressos na educação da bobina desde a última vez que lhe dediquei (à bobina) umas linhas. para os fãs da nova protagonista do blog, vêm novas histórias por aí nos próximos dias.

domingo, fevereiro 22, 2009

no sleep 'till brooklyn......

sempre me disseram que os cães dormem muito. a d. manuela, que vive por cima de mim, no 1ºesq, queixa-se de que a cadela dela, a lady, dorme o dia todo. anda deprimida, parece. não desejo o mesmo à bobina, mas se ela dormisse pelo menos mais um bocadinho, nem pedia muito, mas só mais um bocadinho, não vinha mal ao mundo por causa disso.

pegando no exemplo concreto do dia de hoje: a bobina levantou-se às 8h30, ao mesmo tempo que a dona, como é costume. apanhou banhos de sol em cima da mesa, e andou por aí a cirandar entre o quintal e o resto da casa até às 15h, hora em que foi passear. fomos ao jardim, ao parque e andámos pelas redondezas ao bom estilo turístico. às 16h30 estávamos de volta à casa da partida. eu aterrei na espreguiçadeira lá fora até ter atacado a jardinagem. ela estendeu-se no chão, ainda quente do sol, até a água ter começado a sair da mangueira. assistiu à rega dos canteiros, refastelada no tapete da cozinha, rodeada dos brinquedos, e abrigada de qualquer gota de água que lhe pudesse atingir o pêlo, já dourado do sol. dormir? nada.

venho então sentar-me no sofá e dar andamento ao trabalho que está em falta para amanhã de manhã. ela segue-me. e como se nada fosse, deita-se de livre e espontânea vontade na cama dela e.... DORME!!! dorme profundamente. por fim, o sossego. que não durou mais do que uns bons 15 minutos. e mal se levantou, olhou para mim, sacudiu o pêlo e saiu a correr em direcção à cozinha. depois de uns goles de água, está de novo em forma para recomeçar as correrias desenfreadas. e quando digo desenfreada não estou a exagerar, porque não há travões que a impeçam de ir contra as portas, nem contra nada.

o que vale é que de noite não tem insónias.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

go towards...

os cães têm vários tipos de ladrar. como dizia o Manuel Alegre, naquela magnífica ode ao seu épagneul-breton... cães "como nós". porque nós, por mais cuidadas sejam as palavras que usamos para dizer o queremos, e sobretudo o que não queremos dizer, a entoação que lhes damos em tudo nos denuncia. porque um rosnar nunca se confunde com o ladrar de contentamento. e a pouco e pouco se vai fazendo luz. a bobina dorme, neste momento, tranquila e confortável na cama dela. e novamente... "como nós".

terça-feira, fevereiro 17, 2009

our house...

o fim das chuva (pelo menos para já) e o aproximar da primavera, para além dos banhos de sol da bobina, significa mais uma coisa: o recomeçar da jardinagem regular. as urtigas e as daninhas foram ontem à vida delas, não sem antes se despedirem convenientemente dos meus braços e das minhas mãos. hoje foi a vez das folhas e dos ramos secos, que já eram mais do que os verdes. neste momento, lá fora, o chão está quente das horas que reflectiu o sol, respira-se melhor e a vista está mais desimpedida. a época balnear abre oficialmente no dia que voltar a abrir o chapéu de sol.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

sit!

não há meio de conseguir que a bobina dê a pata, nem que se sente quando assim o peço. bem sei que a minha persistência também não é das maiores, mas as reacções da fera são de tirar a paciência a um santo. se não, veja-se: quando lhe peço a pata, regra geral, lambe-me a mão. das outras vezes, olha para mim e vira-se de barriga para o ar a pedir festas. quando lhe digo "senta" temos três hipóteses, dependendo da disposição da aluna: ou ignora a ordem da dona, ou se deita, ou - espante-se - senta-se. Agora... ainda não percebi se o faz apenas para conforto dela, enquanto espera que a dona desista de gritar tal coisa como "senta!".

eeerrrrrrr...........

é nojento, mas preciso de partilhar isto de alguma maneira. como não é um tema de conversa agradável, nem me parece que venha à baila em momento algum, aqui fica o registo por escrito:
descobri que no passeio à solta desta tarde a bobina comeu cocó, quando o vomitou todo no banco de trás do meu carro a caminho de casa. em cima de um cobertor, felizmente. mas aquele cheiro... meu deus, aquele cheiro!

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

zzzzzzzz

a bobina ontem teve de ficar a tomar conta aqui da mansão umas eternas 12 horitas. contam-se pelos dedos de uma mão, e ainda sobram, as vezes que isso aconteceu desde que se juntou à família. resultado... não está habituada. presumo que tenha chorado cada vez que entrou um vizinho no prédio, que tenha ladrado a todos quantos a foram espreitar no quintal, da janela; e ainda que tenha tentado fazer trinta por uma linha ao longo do dia (aparentemente nao conseguiu porque nao houve estragos à vista nem queixas da vizinhança).
o pior de tudo... a dona esteve pouco tempo com ela, desde que chegou ao conforto do lar e até que lhe disse que eram horas de dormir. resultado... a bobina terá pensado que em querendo reclamar o tempo de qualidade cadela/dona de que foi privada, decidiu acordar-me com um focinho gelado e as tais lambidelas molhadas de que se queixa o meu sobrinho, umas singelas 3 vezes durante a noite, a começar logo à meia-noite. nada de muito grave, se eu nao tivesse de me levantar às 05h da manhã...

sunny side...

lado positivo de tantos dias de chuva consecutivos: quando damos por ela, de repente, o sol ainda vai alto às 17h30 e às 18h ainda é dia. de repente e sem notarmos o gradual do costume. antes da chuva ter começado ainda não nos podíamos dar a estes luxos.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

play and destroy

há 4 bolas de ténis às cores e três de borracha espalhadas pela casa e pelo quintal. a bobina passa dias a fio em que só liga a umas de borracha com um guizos lá dentro. hoje reservou o serão para destruir com todos os dentes uma bola de ténis laranja, que se deciciu a trazer do quintal para dentro de casa, completamente ensopada (a bola) com a chuva das últimas semanas. não sei ao certo o que vai para ali, posso só adiantar que daqui já vejo parte do interior da bola. e agora se me dão licença, vou ver com o que se parece uma bola de ténis por dentro...

cats & dogs

a bobina não sabe, nem (aparentemente) desconfia, que há um gato vadio abrigado da chuva no quintal do lado. na ausência dos donos da casa, o gato preto dorme sestas intermináveis em cima de uma mesa, que não só está abrigada da chuva por um toldo, como tem o tampo coberto de almofadas de espreguiçadeiras e afins. visto assim, chego a pensar por momentos que o gato passa o dia mais confortável do que a própria bobina. depois passa...

i win...

a bobina tem truques para tudo. quando quer ir à rua deita-se encostada à porta de casa. quando o desespero bate à porta salta para a chave pendurada na fechadura. quando quer ir para o quintal, bate com as patas dianteiras na porta. quando quer brinca traz-me uma bola ou uma toalha ou um pano qualquer para que eu faça com ela aquilo a que chamamos por aqui "a luta de panos" - ela puxa de um lado com os dentes, a dona puxa do outro com as mãos. ela rosna, e eu rosno de volta. geralmente deixo-a ganhar.
para além destes, há muitos mais. mas aquele que bate o record da chico-espertice, ela usa-o quando a mando para a cama dela contra vontade de sua excelência. deita-se na cama, pois deita, mas a pouco e pouco vai saindo, rasteirinha, até que dentro da cama já só estão as patas de trás. como quem diz, "eu estou na minha cama... olha ali as patas!"

dog watching...

mando a bobina para a cama dela depois de meia-hora literalmente em cima de mim no sofá. ela vai, a modos que contrariada, mas vai. dá cinco ou seis voltas sobre ela própria até que se deita enrolada num canto da cama. fico satisfeita com a minha decisão, porque assim ela descansa. dorme. ao fim de uns bons dez minutos plenamente convencida de que a bobina está a dormir profundamente, apercebo-me que todo esse tempo ela teve aqueles olhinhos brilhantes completamente abertos, sem pestanejar, apontados na minha direcção. estavam escondidos debaixo da franja. escondidos, mas atentos, alerta, e à espera do primeiro movimento da dona para abandonar o seu posto. assim aconteceu.

terça-feira, janeiro 27, 2009

at last...

e como raio é suposto alguém conseguir impor respeito nestes dias em que a única forma da cadela sossegar, é deixá-la deitar-se ao meu lado no sofá? vencida(s) pelo cansaço.... eu consigo finalmente adiantar trabalho. ela, por fim, respira fundo. adormeceu.

help....

eu juro... mais uns minutos e vou entregar a cadela de mão beijada aos gatos gordos com que ela andou à luta hoje à tarde.

já perdi a conta das vezes que esta tarde disse "não", "chão", "para a tua cama", "feia" e "castigo". e insiste em subir para o sofá sempre que me apanha ao telefone. chiçaaaaaa que é persistente!
era só um desabafo...

sit and listen to the rain

há dias em que me apetecia simplesmente deixar a bobina a correr atrás dos gatos rua fora a seu bel-prazer, e voltar para casa sozinha (eu!) como se não fosse nada comigo. é que para além de fugir por completo do meu alcance, ouve-me chamá-la, pára o que está a fazer, olha fixamente para mim lá ao longe, e continua a sua caça ao gato como se a dona não existisse e muito menos estivesse no meio da rua a gritar "bobina".
acredito com todas as minhas forças que estes dias sucessivos de mau comportamento são fruto de dias sucessivos de chuva, em que a coitada da cadela nao pode correr em lado nenhum sem cair numa poça ou ficar com as patas enterradas em lama. ai o pêlo comprido...

domingo, janeiro 25, 2009

1, 2, 3

constatei agora que no ano em que faço 30 anos, o manel e a bonina fazem 3. era só isso.

being quiet....

depois de dois dias longe da dona, e de uma tarde inteira de correrias em casa da avó raquel, a bobina dorme tranquilamente na cama dela há quase duas horas. tranquilamente é relativo, se tivermos em conta o número e a estranheza das posições em que já ressonou, se ela ressonasse, claro. e eu, pois que estarei de castigo aqui no sofá até a fera acordar porque não sou capaz de lhe interromper o (necessário) descanso. assim que puser um pé no chão, é esta a ordem de actividades: salta de cama, sacode o pêlo, abana o rabo e salta-me para as pernas. esteja ou não em sono profundo.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

missing dog

há uns meses, os dias em que deixava a bobina no "hotel", eram dias de alívio, descanso, despreocupações, saídas. cinco meses depois (mais coisa menos coisa) de ter dado entrada nesta casa, a bobina tem definitivamente o seu lugar conquistado. deixei-a hoje no "hotel" do costume. vai lá estar apenas por duas noites, e ninguém imagina do sufoco que senti esta semana sempre que pensei no assunto. andei até à última a tentar encontrar uma alternativa, mas sem êxito. não vou poder estar com ela amanhã e depois. e está a custar-me mais do que quando tive de a deixar 3 semanas em setembro.

depois da difícil despedida (a ansiedade do abandono dificulta tudo), o regresso a casa é no mínimo estranho. não tenho ninguém a querer passar a porta por baixo dos meus pés. ninguém a querer subir para o sofá à força toda, nem em correrias desenfradas pela casa e pelo quintal, ninguem a saltar-me para as pernas cada vez que me movimento, nem a lamber-me as mãos cada vez que me baixo para apanhar qualquer coisa. apercebo-me agora que quando a bobina não está, passo novamente a ter apenas uma sombra. sabe a pouco.

e dias de alívio são agora aqueles que passo com esta cadela milagrosa debaixo de olho. estou a um passo de entrar nos 30, e chego à conclusão de que tenho muita pena de só agora ter tido a oportunidade de conviver de perto com a classe canina. nunca fui de dizer que gosto mais dos animais do que das pessoas, mas às vezes é complicado não partilhar dessa opinião.

terça-feira, janeiro 20, 2009

taste of green

a bobina gosta de bróculos cozidos e beringela crua. e por hoje chega de novas experiências, porque felizmente o jantar já confeccionado não me caíu todo ao chão.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

zzzzz

há muito tempo que uma 2ª feira não me sabia tanto a 2ª feira. há dias em que sinto com todos os meus sentimentos que era capaz de viver o resto da minha vida sem trabalhar. que era capaz de ocupar todos os meus dias com actividades lúdicas e saudáveis sem me aborrecer por um minuto que fosse. mesmo que todo este pensamento não passe tudo de uma ilusão de 2ª feira de alguém que não consegue estar sem fazer nada. é uma ideia bonita.

and the beat goes on...

é possível que seja uma fase. é provável que nem por isso. nova tentativa de ordem de soltura no parque de benfica onde a bobina já tem cartão de sócia. novo gato na área. desta vez, felizmente, o gato não correu para a estrada. não satisfeita com o susto (a dona), decidi libertá-la novamente dado que já não havia felinos, pelo menos, no meu raio de visão. decisão errada... com medo do raspanete, ou outra coisa qualquer que a valha, a bobina decide desatar a correr a alta velocidade, como é seu apanágio, por todas as encostas do jardim, perdendo-se de vista por alguns minutos entre arbustos por podar. o que mais me tira do sério nestes acessos de desobediência é que a fera sabe que está a desafiar a dona. de outra maneira, não viria por fim ter comigo a rastejar e com o rabo entre as pernas.
será tudo isto um teste à minha (escassa) paciência? o que é certo é que com os acessos de desobediência dos últimos dias, o jornal com que a castigo (como se diz às crianças: é mais o susto) já está a ficar sem páginas de tão desfeito que está... vou ter de arranjar outro blitz. a primeira página spiritualized já foi à vida.

domingo, janeiro 18, 2009

cats & dogs

ando a treinar a bobina em breves passeios sem trela, dentro de locais resguardados de carros, como parques e descampados. comecei há pouco tempo a soltá-la no parque onde a passeio diariamente. evito faze-lo porque são raros os donos que ali passeiam os cães com trela. nao percebo como se torna regra sair pela rua fora com os cães soltos. eu percebo que possam estar altamente treinados a permanecer perto do dono, que estejam velhinhos e já sem forças para correr ou desobedecer... mas há outros cães na rua, que não só estão cheios de energia para os desafiar, como podem não se entender com os outros, supostamente, inofensivos. ninguém pode prever se dois cães/cadelas se vão entender ou rosnar um ao outro. e, acreditem, há cães com mesmo muito mau feitio. não é o caso da bobina. nunca a vi rosnar a nenhum cão nem cadela.

onde é que eu ia? na ordem de soltura. depois de verificar que nao havia outros animais nem à solta nem presos no parque, soltei a bobina por uns momentos. correu e saltou tudo o que quis durante uns bons 15 minutos, dentro dos limites impostos pela dona, eu mesma. até que...

até que se afastou um passinhos e conseguiu visualizar a rua, lá em baixo do jardim. pior... avistou ou cheirou ou sei lá o quê uns quantos gatos que ali andavam. conclusão: não foi atropelada porque não calhou. ou melhor, porque o carro vinha devagar e parou a tempo. foi a correr até ao fundo da rua, e eu bem que podia chamar à vontade, que ela - tenho impressão - nem ouvia.

no fim de contas, e depois de ter posto um gato no cimo de uma árvore a uma altura mais ou menos equivalente a um 2º andar, foi esconder-se do ralhete da dona. só gostava de perceber por que raio têm os cães o instinto de caçar gatos. e espero do fundo do coração que a bobina não tenha de sentir na pele o que as garras dos gatos lhe podem fazer àqueles lindos olhos e àquele focinho irresistível, para que deixe de lhes querer pôr a vida em risco. e a dela também!

quinta-feira, janeiro 15, 2009

toys

a quantidade e o requinte das asneiras que a bobina faz enquanto está sozinha é directamente proporcional ao número de horas que está por sua (dela) conta e risco. felizmente, esta cadela tem alguma sorte nesse aspecto, porque faço das tripas coração para que sejam raros os dias em que está sozinha de manhã à noite.

por mais brinquedos e bolas que lhe deixe para que se entretenha enquanto vou ali trabalhar e já venho, não há nada que ofereça concorrência às molas da roupa que caem dos andares de cima, às pedras que estão misturadas com a terra do quintal, nem aos arames que prendem as palhinhas que forram os muros lá de fora. os brinquedos? esses geralmente, quando regresso a casa, estão exactamente no sítio onde os deixei. arrumados.

já comprei um pouco de tudo a nível de entreténs para a cadela. regra geral, e depois de um momentâneo entusiasmo inicial pela novidade, a bobina despreza tudo quanto é brinquedo mais rebuscado. sejam aqueles feitos de cordas grossas, pneus de borracha para roer, rodelas cheias de piquinhos para entreter os dentes, rodelas com sininhos para distrair... tudo empurrado para um canto. até um que diz na embalagem ser super eficiente para entreter e ao mesmo tempo ajudar à higiene dentária dos cães e que me custou 10 euros. intacto!

outro truque que nao resulta com a bobina: os ossos para roer. assim que se apanha sozinha com eles e com a porta do quintal aberta vai enterrá-los. e quando pensamos que nunca mais os encontra, aparece com eles na boca, completamente desfeitos e transformados numa espécie de trapos com terra, como se fossem o maior petisco do mundo.

do que ela gosta? que eu vá ao continente e traga cenouras sorridentes e bolinhas de rugby, ambas de borracha, daquelas que apitam quando se morde e que custam 2 euros. um êxito cá em casa! a desvantagem? duram sensivelmente meia-hora naqueles dentinhos. já para não falar que ao fim dessa meia-hora há bocadinhos de borracha espalhados pela casa toda.

.....

continuo sem perceber por que razão o fim do mundo tão depressa aparece como desaparece da minha cabeça. acho que sempre será assim. por agora, as tempestades acalmaram. tranquilidade instalada. algumas noites bem dormidas têm poderes curativos que a razão desconhece.

rain drops keep falling on her head.....

As combinações "cão com chuva" e "iscas com elas" estão practicamente ao mesmo nível na minha lista de parcerias a evitar.


quando se alerta uma pessoa desprevenida para as contrariedades da vida-com-cão fala-se sempre do mesmo: as despesas do veterinário (vulgo vacinas), os passeios várias vezes ao dia, as férias, os banhos, os pêlos pela casa fora, o sofá e os sapatos roídos.
e pergunto eu: por que raio ninguém me falou dos malefícios do inverno na rotina diária de um cão? hummm? acredito que mesmo que o tivessem feito, estando nós no verão quando a bobina deu à costa, nunca me tivesse passado pela cabeça que esta conseguisse ser uma época assim tão chata.

os horários dos passeios corrompidos pela chuva, dias inteiros em casa deitada à porta à espera (a bobina, nao eu) que a porta se abra, passeios fugazes no quintal debaixo de chuva, patas molhadas a sapatinhar a casa toda, pêlo molhado que não só espalha o incrível aroma a cão molhado, como exige o uso constante de toalhas e mais toalhas, e em casos mais graves, do mal-amado secador! o positivo no meio disto tudo é que a fera por esta altura já não partilha do pavor que classe canina em geral nutre pelos secadores. Tem-lhe apenas respeito, sobretudo se estiver ao meu colo enquanto lhe trato, literalmente, do pêlo.

e como se bastasse tudo isto, a cadela tem pêlo comprido. ou seja, a escova, a par das toalhas, é por estes dias a nossa melhor amiga.