quinta-feira, janeiro 15, 2009

toys

a quantidade e o requinte das asneiras que a bobina faz enquanto está sozinha é directamente proporcional ao número de horas que está por sua (dela) conta e risco. felizmente, esta cadela tem alguma sorte nesse aspecto, porque faço das tripas coração para que sejam raros os dias em que está sozinha de manhã à noite.

por mais brinquedos e bolas que lhe deixe para que se entretenha enquanto vou ali trabalhar e já venho, não há nada que ofereça concorrência às molas da roupa que caem dos andares de cima, às pedras que estão misturadas com a terra do quintal, nem aos arames que prendem as palhinhas que forram os muros lá de fora. os brinquedos? esses geralmente, quando regresso a casa, estão exactamente no sítio onde os deixei. arrumados.

já comprei um pouco de tudo a nível de entreténs para a cadela. regra geral, e depois de um momentâneo entusiasmo inicial pela novidade, a bobina despreza tudo quanto é brinquedo mais rebuscado. sejam aqueles feitos de cordas grossas, pneus de borracha para roer, rodelas cheias de piquinhos para entreter os dentes, rodelas com sininhos para distrair... tudo empurrado para um canto. até um que diz na embalagem ser super eficiente para entreter e ao mesmo tempo ajudar à higiene dentária dos cães e que me custou 10 euros. intacto!

outro truque que nao resulta com a bobina: os ossos para roer. assim que se apanha sozinha com eles e com a porta do quintal aberta vai enterrá-los. e quando pensamos que nunca mais os encontra, aparece com eles na boca, completamente desfeitos e transformados numa espécie de trapos com terra, como se fossem o maior petisco do mundo.

do que ela gosta? que eu vá ao continente e traga cenouras sorridentes e bolinhas de rugby, ambas de borracha, daquelas que apitam quando se morde e que custam 2 euros. um êxito cá em casa! a desvantagem? duram sensivelmente meia-hora naqueles dentinhos. já para não falar que ao fim dessa meia-hora há bocadinhos de borracha espalhados pela casa toda.

.....

continuo sem perceber por que razão o fim do mundo tão depressa aparece como desaparece da minha cabeça. acho que sempre será assim. por agora, as tempestades acalmaram. tranquilidade instalada. algumas noites bem dormidas têm poderes curativos que a razão desconhece.

rain drops keep falling on her head.....

As combinações "cão com chuva" e "iscas com elas" estão practicamente ao mesmo nível na minha lista de parcerias a evitar.


quando se alerta uma pessoa desprevenida para as contrariedades da vida-com-cão fala-se sempre do mesmo: as despesas do veterinário (vulgo vacinas), os passeios várias vezes ao dia, as férias, os banhos, os pêlos pela casa fora, o sofá e os sapatos roídos.
e pergunto eu: por que raio ninguém me falou dos malefícios do inverno na rotina diária de um cão? hummm? acredito que mesmo que o tivessem feito, estando nós no verão quando a bobina deu à costa, nunca me tivesse passado pela cabeça que esta conseguisse ser uma época assim tão chata.

os horários dos passeios corrompidos pela chuva, dias inteiros em casa deitada à porta à espera (a bobina, nao eu) que a porta se abra, passeios fugazes no quintal debaixo de chuva, patas molhadas a sapatinhar a casa toda, pêlo molhado que não só espalha o incrível aroma a cão molhado, como exige o uso constante de toalhas e mais toalhas, e em casos mais graves, do mal-amado secador! o positivo no meio disto tudo é que a fera por esta altura já não partilha do pavor que classe canina em geral nutre pelos secadores. Tem-lhe apenas respeito, sobretudo se estiver ao meu colo enquanto lhe trato, literalmente, do pêlo.

e como se bastasse tudo isto, a cadela tem pêlo comprido. ou seja, a escova, a par das toalhas, é por estes dias a nossa melhor amiga.

terça-feira, janeiro 06, 2009

broken nail

se a bonina é que faz das pedras do quintal o prato do dia, não percebo por que raio sou eu que continuo a partir um dente aqui um dente ali. como se não bastasse a fortuna que se gasta num sorriso inteiro e branquinho de orelha a orelha (valham-me pelo menos os elogios dos vários médicos ao "branquinho" da minha dentição), trago comigo a notícia de que se roer mais uma unha fico novamente sem parte de um dos dentes da frente. o mesmo dente que sexta à noite ficou incompleto. O mesmo dente que há vinte e tal anos tem sido ferramenta essencial nesta tarefa "pouco estética" aos olhos de muitos (e eu com isso...). o mesmo dente que desde ontem está de novo impecável e que agora se tornou numa espécie de dente-protegido-preferido. é este e o molar que há coisa de uma mês me custou um ordenado, mais coisa menos coisa. por este andar, acho que em breve vou ter mesmo de começar a acompanhar a bobina numas pedrinhas ao fim da tarde no quintal.

não foi resolução de ano novo porque nunca o seria. mas desde ontem que, por motivos de força maior, fui forçada a deixar de roer as unhas. e agora?

domingo, janeiro 04, 2009

2009

a sensação é de alívio. lembro-me da alegria com que entrei em 2008 e de todas as expectativas que depositava nesse, entao, novo ano. agora o alívio. respiro fundo por ter terminado um ano que, resumindo e concluindo, não dou como positivo. claro está que muita coisa muito boa aconteceu pelo meio, mas no fundo no fundo o meu balanço diz-me que 2008 se resumiu a um ano em que, por meias palavras, dei tudo por tudo e perdi. e de forma justa, reconheço sem problemas.

como não tenho mau perder, depois de algumas semanas de intenso trabalho mental, assimilei a derrota com toda a ombridade. no meio de todo o fumo que me saiu das orelhas e do próprio cérebro, cheguei à conclusão que apesar dos "maus resultados" obtidos, consegui "jogar" de uma forma que me espantou a mim mesma, e que me faz agora, a frio, ver que estou mais em forma do que alguma vez estive.

volto a pisar novo ano com a mesma alegria do ano passado e com as expectativas a dobrar. diz que 2009 é dos aquários... e mesmo que não seja... 2008 acabou. ufffffff.......... it's a kind of magic.

terça-feira, dezembro 30, 2008

zzzzzzzzz

quando nem a bobina se quer levantar quando meu despertador toca, não restam dúvidas de que não são horas para um despertador tocar, muito menos para uma alminha se levantar. tenham santa paciência, mas há dias em que, de manhã, é impossível ver as vantagens de trabalhar num programa da manhã. às 5h da manhã é de noite, está frio, está a chover (mesmo que nao esteja), é tudo mau. lá para as 2 da tarde, as vantagens começam a vir à memória.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

nye

não querendo parecer pobre e mal agradecida, se me perguntam mais uma vez o que vou fazer na passagem de ano, tenho impressão que sei lá o quê. há o grupo dos que não gostam do natal, ora eu pertenço ao dos que nao gostam da passagem de ano. se me apanho no dia 5 sou capaz de ir comemorar como se da passagem de ano se tratasse. antes disso, ainda vamos ter de passar pela fase do que fizemos no dia 31, onde e com quem.

domingo, dezembro 28, 2008

meet bobina

a pedido do sofá, e porque a bobina gosta muito de sofás, aqui ficam algumas fotos:



bobina deprimida no quintal em set/08 por ter de usar o funil no pós-operatório. viveu escondida naquelas plantas durante dez dias.



bobina deprimida no quintal em set/08 - foi aliciada com biscoitos para sair do meio das plantas.



já de perfeita saúde, na cama dela, em dez/08




compriiidaaaaaaaa... à espera que a dona saia do quarto


a pedir para subir para o sofá. não ganhou.

aqui teve mais sorte: no sofá da avó glória na véspera de natal08

runaway dog

a bobina foi passar o natal ao campo. foi a segunda vez que esteve no refúgio da família, onde até há bem pouco tempo nem os telemóveis lá chegavam. da primeira vez, fez a habitual vistoria de cão que pisa pela primeira vez território novo, mas não se esticou muito para fora de pé. a confiança talvez ainda não fosse suficiente para se esticar nas braçadas pelos campos fora.

desta vez, foi dona e senhora dos terrenos dos (bis)avós, bem como dos dos vizinhos, com ou sem autorização, que isso para cão que é cão que gosta de correr e saltar em liberdade é apenas um pormenor que a dona se encarregará com certeza de resolver. e assim foi.

dente os inúmeros episódios que marcaram os últimos dias da bobina e, sobretudo, dos meus avós, o destaque foi para as duas quase-fugas da cadela a quem a avó glória insiste em chamar "princesa", diz ela "porque bobina não é um nome suficientemente carinhoso para chamar a uma cadela tão linda e tão querida".

o susto maior aconteceu na véspera de natal de manhã. depois do banho-sauna que nos permite armazenar calor para enfrentar o frio do interior do país, chego cá fora ao quintal, onde a bobina supostamente estaria a farejar tudo e mais alguma coisa. chamo por ela e nada. volto a chamar, em tom mais alto e assertivo, e ainda assim nada de bobina. munida de uma calma estonteante, que fui buscar à medalha que ela traz ao pescoço com nome e número e telefone, fiz-me à estrada, que é como quem diz, fui barreira acima confiante de que veria facilmente a cadela aos saltos lá para cima. terrenos desertos, nada mais à vista.

tenho para mim, que nos momentos seguintes toda a freguesia ouviu o eco dos meus apelos: bobiiiiiiiiinaaaaaaaaaaaa (nada de estranhar se tivermos em conta que para aqueles lados, apenas se ouvem os sinos da igreja vizinha, o ladrar dos cães e os badalos das cabras, vá lá, e um outro carro esporadicamente). fui de terreno em terreno, tentando pensar como a bobina, e cheguei à conclusão que a fera teria ido longe, mas não tão longe quanto possível, porque no fundo no fundo ela é mariquinhas e queria ser encontrada a tempo do jantar. parei entao num local estratégico e durante 10 minutos, que me pareceram 10 dias, gritei bobiiiiinaaaaaaaa com toda a convicção que me foi possível.

quando lhe apeteceu, e só quando se cansou, a cadela veio ter comigo como se nada fosse, coberta de terra no focinho e nas patas, feliz da vida, como se tivesse ganho o jogo das escondidas à dona, que andou às cegas campos fora até a menina de quatro patas achar que já chegava de sofrimento. o jogo terminou com uma palmada e dois berros que a levaram a correr a alta velocidade até casa, não sem antes ir dar mais um saltinhos ao terreno dos vizinhos, "mas rapidamente que pode ser que ninguém me veja", deverá ela pensar.

ve-la a saltar aqueles muros de pedras que separam os terrenos como quem salta os 100m metros barreiras com uma perna às costas valeu os sustos. aqui está ela agora, sã e salva, na cama dela, a pôr em dia o sono que trouxe em falta das férias de natal.

rainy days

o manel explicou-nos neste pós-natal por que é que as lambidelas da bobina são molhadas: porque ela anda à chuva.

o petiz continua a não perceber o porquê de tantas lambidelas... se uma lambidela é a maneira da bobina dizer olá e que gosta dele, por que raio continua ela a lamber-lhe a cara e as mãos a tarde toda, se já o fez assim que o viu quando ele chegou a a casa da avó raquel? dúvidas existênciais...

para quem só agora sintonizou esta estação, o manel é o sobrinho cá da casa e vai a caminho dos 3 anos lá para meados de março.

domingo, dezembro 21, 2008

bobby christmas


o inverno começa hoje. num dia a lembrar que a primavera é a senhora que se segue. posto isto, só resta mesmo dizer... feliz natal!

quarta-feira, dezembro 17, 2008

lost keys

desde que tenho a bobina que tenho conversas na rua com outros donos de cães, que muitas vezes nao lembram ao menino jesus. hoje, durante mais um passeio pelo nosso um jardim de benfica, cruzo-me com uma senhora que me pede auxílio. pensei a princípio que quisesse saber onde ficava uma rua qualquer. não. mais rebuscado: a senhora queria ajuda para que lhe tirasse as chaves de casa do bolso do casaco.... para não estragar as unhas!
ao que parece o tom lilás ainda nao estava bem seco e não podia, por isso, levar as mãos aos bolsos. ora bem... sem saber como recusar ajuda à senhora, lá mergulhei a mão à confiança no bolso do casaco que a senhora me indicava. encontrei uma carteira com fotos da família, um rebuçado e ainda um lenço de papel usado!!!
nada de chaves....
enquanto a senhora aproveitou para comer o rebuçado que encontrei, eu tive de mergulhar a mão no outro bolso. mais um lenço de papel... realmente anda mesmo tudo constipado. e nada de chaves. conclusão da senhora: "então têm de estar aqui na mala, ora veja lá!".
e nisto olhei para todos os lados antes de "assaltar" a mala da senhora, nao fossem os transeuntes pensar que estava a roubar uma senhora desprotegida. depois de remexer em tudo quanto se pode encontrar numa mala de senhora lá encontrei as ditas chaves!
tudo em prol de um verniz lilás.

barkings

a bobina tem dois ladrares diferentes: o de guinchadeira (geralmente utilizado quando a deixo sozinha ou quando nao a deixo cumprimentar um da sua espécie) e o de homem (que utiliza quando sente o nosso lar ameaçado pelos vizinhos e quando se cruza com certaz pessoas).
ainda nao consegui perceber bem como escolhe ela as pessoas a quem ladra com voz de homem. não sei se a selecção é feita aleatoriamente ou se ela fareja um motivo que eu não alcanço com o meu faro amador. partindo do princípio que a bobina é desconfiada com'ó raio, não sei até que ponto terá razão em ladrar a esta classe de pessoas. certo é que é extremamente embaraçoso ir com ela na rua calmamente à uma da manhã, passar por dois vizinhos à conversa três portas acima, e a fera desatar a ladrar aos senhores como se estivessem a matar alguém.
felizmente, um deles já a conhece e assumiu que a cadela ladra daquela maneira porque não gosta de fumadores, nem de nada que cheire a tabaco. quer assim seja, quer nao, lá nos safámos e seguimos passeio fora novamente em silêncio.
isto tudo, para dizer que há dias em que me apetecia poder programar a bobina para ladrar à guinchadeira e saltar sem parar para as pernas de certas pessoas durante horas a fio. começo a achar cada vez mais urgente que comecemos todos a ter noção do impacto que as nossas palavras podem ter nos outros. uns mais que outros, mas precisamos todos de perceber rapidamente que podemos estragar o dia a alguém com apenas uma frase. ainda por cima uma frase parva. o tempo não pode andar mais depressa?

domingo, dezembro 14, 2008

kids

a bobina no mundo do manel:

- dá lambidelas molhadas
- gosta muito dele
- não pode comer os brinquedos dele
- não fala
- é um cãozinho pequenino
- cheira a cãozinho pequenino
- corre atrás de quem for a correr
- gosta muito de água fresquinha
- gosta de festinhas na barriga
- tem a barriga quentinha
- é linda

o manel é o meu sobrinho mais-que-tudo, tem 2 anos e meio (mais coisa menos coisa) e está a pouco e pouco a perceber como funciona o mundo canino com a ajuda da bobina e de todas estas frases. com estas ideias bem presentes, torna-se fácil mostrar a uma criança que os animais nao são nenhuma ameaça. apenas têm uma forma diferente da nossa de se exprimir, mais impulsiva. melhor, fazem-no sem reservas e independentemente do que levam em troca. fico muito feliz que o manel faça parte da vida da bobina e de poder dar ao manel a possibilidade de conviver com esta cadela linda, como ele próprio a definiu ontem.

sábado, dezembro 13, 2008

grounded

"castigo" também já começa a fazer sentido no vocabulário da bobina. motivo para o de hoje: fuga sem nome.

contextualização: quando vou pôr o lixo lá fora deixo a bobina vir comigo sem trela. regra geral não sai de ao pé de mim e volta para a casa a correr atrás de mim. hoje: fugiu rua acima a alta velocidade sem qualquer tipo de resposta ao nome. cega e surda rua acima a 100 à hora. depois de ter saltado para a pernas de um vizinho do início da rua, voltou a correr disparada para baixo e atirou-se contra a porta do prédio. pelo menos já sabe onde mora.

bobina days

à falta de vontade para falar de mim e arredores durante tanto tempo, desisiti de esperar que o assunto chegue, e falar de quem neste momento me ocupa a maior parte do tempo: a bobina.

a rotina diária teve vários acrescentos, que se notam sobretudo de manhã.

ficam algumas notas evolutivas desde a última vez que escrevi sobre a cadela que me alterou todos os cantos à vida:

- já sabe quem manda cá em casa - o jornal. não deixa, no entanto, de tentar todos os dias levar a melhor desde o momento em que (me) acorda até que se deita.

- dorme na cama dela toda a noite. assim que amanhece vai acordar-me, pé ante pé até à minha cabeça, que empurra com o focinho frio e cheio de determinação até eu reagir. à falta de resultados, deita-se encostada a mim até que lhe dê os bons dias como ela gosta: festas na barriga.

- passo seguinte: convencer a bobina de que sao horas de levantar e de ver se há xixis na cozinha. não é comum mas acontece. sempre que não há, faz-se uma festa (não só uma festa na cabeça, mas tb uma festa de elogios proferidos em tom da mais pura felicidade), abre-se a porta do quintal e incentiva-se em tom de ordem as palavras: "bonina xixi lá fora". nisto, a bobina sai a correr, faça chuva ou faça sol, cumpre a ordem e regressa para o seu biscoito!

- quer isto dizer que em mais ou menos 4 meses consegui a proeza de ensinar a uma cadela o que é xixi e cócó. também já sabe o obrigatório "vamos à rua", aliás, basta "vamos". a palavra "comer" também já provoca saltos em série para as minhas pernas. "para a tua cama" também já é um sucesso cá em casa. e "dona" também já a faz correr para mim. "aqui" já sabe o que é, mas nem sempre respeita - sobretudo se houver outros cães por perto ou pessoas a correr.

- ando agora a trabalhar no "senta" e "dá a pata". está a correr mal: qualquer destas ordens provocam na bobina uma vontade incontrolável de se deitar de barriga para o ar e pedir festas.

domingo, outubro 26, 2008

green grass......

com a minha hora extra fiz jardinagem.

quinta-feira, setembro 25, 2008

big in japan.......

é tão difícil voltar à realidade como sair dela. depois de quinze dias vividos no outro lado do mundo, acho que é compreensível que a perspectiva que tenho neste momento do tenho à minha volta seja um bocadinho diferente daquela que levava quando saí de lisboa a 8 de setembro. as minhas desculpas, mas todas aquelas situações parvas para que continuo a ser atraída sem perceber como nem porquê e que me pareciam casos de vida ou morte há quinze dias atrás.... passaram à história. perderam-se no oriente. desorientaram-se com o jet lag. perderam a importância. morreram. é altura de criar novas situações e falar apenas do que está para vir. está tudo a começar a fazer sentido segundo as novas perspectivas. que se mantenham.

terça-feira, setembro 02, 2008

bad to the bone....

quem a viu no dia em que deu à costa sem rei nem roque não acreditaria que estamos a falar de uma e da mesma cadela. as palavras que ma fizeram trazer para casa há quase 3 semanas, rezavam assim: "coitadinha, é tão sossegadinha, parece um boneco, olha para isto, só quer festinhas e poder dormir aos pés de alguém, é tão gira, é que é mesmo gira, olha para estes olhinhos".

três semanas depois... numa calma tarde de terça-feira, esse doce de cadela, coitadinha, tentou atirar-se com unhas e dentes ao pescoço de um rotweiler, felizmente sem sucesso por ter sido detida atempadamente. foi, possuída, a ladrar pela rua fora por ter sido obrigada a desistir da competição. horas depois, rosnou que nem um rotweiler a uma criança de seus 4 anos, por esta estar disfarçada com uma máscara de homem-aranha. certamente nao gosta de super-herois por se achar mais destemida do que todos eles juntos.

alguém acredita que ela nao morde? até prova em contrário, faço dela o que quero sem que tente sequer abrir a boca. abro-lhe o focinho, meto-lhe comprimidos pela garganta abaixo, mexo nas orelhas para tratar otites, puxo-lhe a roupa ao pelo, tudo sem qualquer tentativa de mordidelas. provavelmente ando a habilitar-me... coitadinha, é tão gira. sobretudo quando percebe qual é o lugar ela.

e para aqueles que dizem que a Bobina deve ser uma excelente companhia... enquanto nao estiver domada é mais um monte de preocupações e ansiedades permanentes do que propriamente uma companhia. daqui a dois ou três meses falamos. a luta continua... [final bem a propósito de mais uma festa do avante, que se aproxima... não que me diga alguma coisa, mas achei que era pertinente para a ocasião]

segunda-feira, setembro 01, 2008

crazy....

mais alguns nós cegos que se desembaraçam. há telefonemas que ganham uma importância do tamanho do mundo, por tudo aquilo que deixam por dizer. uma conversa entre pistas, contornada entre sorrisos cumplices e breves silêncios, à espera que qualquer coisa... saudades sentidas mas por declarar, provocações saudáveis e inevitáveis, fruto apenas de uma confiança ganha e construída passo a passo e de olhos fechados, quando já nada o faria prever, quando nunca nada o faria prever. porque simplesmente nao pode ser.

sábado, agosto 30, 2008

don't!

o diagnóstico é: tenho uma cadela dominante e com mau feitio. ou seja, durante as últimas duas semanas fui vítima de um sem número de truques e manhas de um ser vivo que conseguiu de mim tudo o que quis, não só sem que eu desse conta, mas ainda julgando (eu!) que estava no controlo da situação. por aqui se vê bem, que nunca tive de me debater com a preocupação de educar nada nem ninguém até hoje. desde os horários rígidos das refeições, à escolha da trela, à maneira de passear, aos assaltos à minha cama madrugada fora, à maneira de repreender.... errrr.... basicamente, fiz tudo ao contrário. { ainda assim, em duas semanas a bobina responde prontamente ao nome, dorme na cama dela e não sobe para o sofá.{
desde ontem as regras mudaram cá em casa. algum dia eu ia ter de mandar em alguém... parece que chegou a minha vez. estou em pânico! como quando nao sei, pergunto, fui consultar a opinião de especialistas nesta arte de educar cães. a primeira experiência foi qualquer coisa de aterrador...
- tenho de lhe gritar até que a voz me doa quando faz o que nao deve, para logo a seguir lhe dizer que é linda, sorrir, e abracá-la (talvez seja desta que aprendo a gerir mudanças de humor... hummm).
- tenho de lhe puxar pelos colarinhos no pescoço (nao será com certeza este o termo técnico) quando a quero pôr no lugar dela (diz que é o castigo que as mães aplicam nos filhotes... as coisas que eu andava a perder!)
- tenho de lhe retirar a tigela da comida se passados dez minutos ainda lá houver comida.
- tenho de a passear quase sempre ao meu lado (trelas que esticam estão proibidas!) e sempre com regras ao longo do passeio. (o objectivo último destes passeios regrados é que a bobiba um dia só faça xixi e cócó quando eu disser! e ela em casa não faz nada.)
- o mais assustador de tudo: este fim de semana estamos em treino intensivo. de cada vez que ladrar por eu sair de casa, ou por aparecer um vizinho no quintal do lado, vou ter de dar VALENTES sustos na coitada da cadela, que deve estar por esta altura a pensar "onde vim eu parar, que podia estar tão sossegada aí num jardim qualquer a caçar pombos e pardais!"
posto isto, pode ser que no fim de todo este duro processo eu consiga finalmente dizer "nãos" sem guardar remorsos, e fazer valer as minhas ideias de um modo muito mais assertivo do que fiz até então. e não falo só da minha relação com a bobina...
e sai um biscoito para a bobina que está calada lá fora há quase duas horas, com portas a bater, estores a abrir e a fechar, interrupções voluntárias de concentração provocadas pela dona, e outros barulhos de que me fui lembrando ao longo da manhã! e amanhã regressamos aos treinos.

quinta-feira, agosto 28, 2008

peace and quiet...

ainda não tive férias este ano. pelo menos as chamadas férias de verão. aquelas que normalmente duram quinze dias e em que se vai para um qualquer destino de praia, para cumprir o ritual das manhãs na praia e as tardes entre esplanadas, gelados, caracóis e o que mais houver para entreter o tempo, que durante pelo menos quinze dias parece voltar a existir. além disso, há sempre o lado positivo de passar o mês de Agosto a trabalhar... este ano estava difícil de perceber o porquê desse lado positivo, mas esta tarde, só o facto de poder trocar as voltas à rotina de trabalho habitual e poder estar em casa a horas que normalmente apenas os fins-de-semana o possibilitam.... já valeu a pena. o sossego e o silêncio que se sentem lá fora são qualquer coisa de se absorver a plenos pulmões. felizmente, a bobina já vai ajudando à calmaria, enquanto se entretém a enterrar/ esconder os ossos de cinco (!!!) euros que supostamente deveria estar a roer para não destruir tudo o que a rodeia.

quarta-feira, agosto 27, 2008

breathe in, breathe out...

é incrível como de um dia para o outro, e sem esperar, se resolvem quase por si mesmos dois ou três problemas de meia-noite, que durante semanas me impediram a livre circulação de ar pelos pulmões adentro. de repente, instala-se um vazio mental de que já tinha saudades. parece que já me tinha habituado a acordar e a permanecer preocupada ao longo do dia com estas questões que agora se evaporaram... e agora vou ali encher os pulmões de ar, respirar fundo e dar um grande suspiro. próximo passo: desembrulhar o estômago.

domingo, agosto 24, 2008

turning around.......

a semana do regresso de todas as incertezas e a sensação de voltou tudo à estaca zero. depois de meses de tranquilidade até eu me convenceria de que daqui para a frente seria sempre assim sem alterações de qualquer espécie, sem que nada nem ninguém pudesse surgir do nada e baralhar tudo aquilo que por agora eu tinha como certo e me bastava. e assim foi. acontece que o "sempre" acabou no fim de semana passado. estou confiante, decidida, satisfeita e entusiasmada para pôr ordem em mais uma fase de pernas para o ar, e em que me vejo ao contrário de tudo o que se passa à minha volta. adoro passar o dia a pensar em tudo e todos que nao devo; andar preocupada com tudo o que não posso resolver; dormir pouco porque a cabeça não pára... lá está, de pensar em tudo o que nao deve; sentir que a maioria dos que me rodeiam são apenas chatos e insensíveis porque não percebem à luz natural todas as tempestades, raios e trovões que me vão na alma.
posto isto, e ironias à parte, até me sinto bastante bem ao observar este quadro. finalmente, a sensação de que há pessoas que já não influem em nada no meu estado de espírito, mesmo que em tempos tenham tido o poder de me fazer rir e chorar de um minuto para o outro. não há nada como um caso "mais complicado" para tirar a importância de um caso "apenas complicado"... já que aí vem nova temporada de dúvidas e incertezas, então que sejam das melhores que me surgiram nos últimos tempos! assim pelo menos não aparece concorrência de duvidazinhas tão cedo...
urgente: férias!

segunda-feira, agosto 18, 2008

doggy dog world....

de um momento para o outro, deixei de poder:
- sair sem dar satisfações a ninguém e sem hora para voltar,
- organizar a minha vida de forma desorganizada,
- decidir à sexta à tarde que vou passar o fim de semana fora,
- estar fora horas a fio sem que isso me cause qualquer tipo de preocupação,
- andar por casa sem ter duas sombras atrás de mim em permanência,
- tomar banho sem guarda-costas,
- fazer o que quer que seja sem público a assistir.
basicamente... deixei de poder sentir-me independente do dia para a noite e ainda não sei como reagir a isto tudo. é ao mesmo tempo a coisa mais assustadora e o maior desafio. tinha portanto reunidas todas as condições para que avançasse para bingo. os 180 graus já estão em marcha.
a bobina está a dormir profundamente de barriga para o ar, mesmo aqui à minha frente, na cama dela. já percebeu que os sofás estão interditos. podia estar a brincar lá fora no quintal, mas parece que foi incumbida desta terrível missão de não me perder de vista, por um segundo que seja. é qualquer coisa de claustrofóbico para quem não gosta de sentir na pele controlo declarado de espécie alguma.
estamos as duas a ambientar-nos a situações perfeitamente desconhecidas. eu, que nunca tive de tratar de mais ninguém que não eu, tenho agora uma vida animal a meu cargo. ela, que caíu de pára-quedas numa casa estranha, com novos hábitos, tem agora de achar normal mudar tudo de um dia para o outro. eu, que tenho pavor de de feridas e curativos e afins, dou por mim a ter de tratar de uma otite, contra todas as forças de uma cadela que dia para dia está mais eléctrica. ela, que notoriamente está habituada a ter gente à volta todo o dia, tem agora de se entreter sozinha várias horas no quintal.
e eu, que não faço ideia como vai ser daqui para a frente, tenho aos meus pés uma cadela de 9 meses, feita de meiguice, que tem pavor de ser abandonada outra vez, e que só quer que lhe façam destas na barriga e retribuir com beijinhos.

up and down.....

voltámos a deitar abaixo o muro, que constantemente construímos pelos motivos mais e menos válidos que encontramos aqui e ali. o mais engraçado é que nos conseguimos sempre surpreender em matéria de momentos certos para atirar mais um pedra para a construção de novo muro. como se nos tivessemos conhecido ontem. é um processo cansativo, mas que aparentemente tem de ser feito. se assim não fosse, nao percebo por que motivo o fazemos há já tanto tempo. e agora que decidimos voltar a pôr-nos em bicos de pés para ver o que há para além do muro, volto a perceber porque atiramos nós as pedras para lá quando menos se espera. acaba por ser tudo muito mais fácil quando não se vê o que está do outro lado. estamos de volta à saga habitual, sem que ninguém o declare, qual novela, mas sem fim previsível nem à vista. começo a achar que caímos mentalmente dentro de um daqueles brinquedos para hamsters sem saída, tipo mini montanha-russa, e ali permaneceremos até que nos cansarmos de andar à voltas e a destruir aquilo que construímos.

domingo, julho 20, 2008

the light gets in...

Ring the bells that still can ring
Forget your perfect offering
There is a crack in everything
That's how the light gets in...




como dizia o senhor cohen ontem à noite...
é bom que estejamos cientes da sorte que tivemos em partilhar um momento como o que se viveu no concerto em algés, tendo em conta toda a escuridão que por aí vai mundo fora. a lua cheia tratou do resto. numa semana, bob dylan, neil young, leonard cohen. numa semana, não houve escuridão que persistisse. o brilho é hipnotizante. não apaga. e a paz que dali vem infiltra-se pelos poros e agarra-se ao espírito... não existe. não pode existir.

sábado, julho 12, 2008

how does it feel...?




a presença, a alma, a energia e o desconcerto inexplicável de músicas que nunca ouvimos sequer, mas que nos batem a mil e nos desfazem por dentro em emoções que não sabemos de onde vêm. imagine-se a força com que saem disparadas do palco as que nos dizem muito... o respeito incomensurável. a empatia conquistada com o sorriso final, e o incontrolável medo de que isto acabe tudo um dia.

domingo, julho 06, 2008

open road...

quando as ideias se emaranham, regra geral o sentimento é um só. e há tanto em que pensar, que tudo acaba por se relativizar. porque quando todas as imagens têm a mesma importância, não há nenhuma capaz de se sobrepor à que mora ao lado. misturam-se, fundem-se, esbatem os contornos umas das outras. fazem tudo para que o mesmo não aconteça com os sentimentos. viajam a velocidades diferentes e seguem geralmente caminhos opostos, mas luta interior é tão grande que não pode haver dúvidas de que, mais cedo ou mais tarde, vão acabar por acertar o passo. quando chegarem ao destino vai haver só uma ideia aliada a um sentimento. à mesma velocidade e na mesma direcção.

terça-feira, maio 20, 2008

not a word......

o problema está todo em depositarmos expectativas irreais uns nos outros. até porque esses outros não fazem ideia dos mundos e fundos que esperamos deles. e às vezes, nem sendo assim tanto o que esperamos, é muito para eles na mesma. e o que não deixa volta a dar a isto, é que a disparidade dos valores do que esperamos e do que nos pode ser na realidade dado, não podem ser confrontados de antemão. é este o dia-a-dia dos amigos. tentar corresponder às expectativas uns dos outros, sem deixar mortos e feridos pelo caminho. tudo se desmorona quando tal não acontece. o chão desaparece.

air mail....

prestes a aterrar na caixa do correio.





death cab for cutie - "narrow stairs" - 2008


scarlett johansson - "anywhere o lay my head" - 2008





cut copy - "in ghost colours" - 2008

feeling grey(t).........

há dias em que nem eu devia sair de casa, nem uns e outros deviam abrir a boca. acho engraçado ver de fora como há quem pense que pode decidir tudo, como, onde, porquê e quando. quando se fala, quando não se fala, quando se ouve, quando se acciona a surdez, quando faz má cara, ou quando se abre o sorriso. tudo. por tudo e por nada, detesto ter de conviver com este efeito esponja de energias alheias que me persegue. siga. o tempo está em sintonia com o meu humor e vice-versa. acho que absorvi o cinzento.

quinta-feira, maio 15, 2008

talking head...

quanto mais aprendo a falar, menos preciso de escrever... é uma conclusão a que cheguei com alguma dificuldade. mais penoso ainda foi escrevê-la. é estranho já não sentir diariamente a necessidade de traduzir por palavras aquilo em que penso e que nao digo. porque o digo mais. é estranho conseguir falar sobre coisas que antes pensava nao interessarem a ninguém. porque talvez esteja agora rodeada das pessoas certas. é estranho ter livre o tempo diário que antes guardava religiosamente para escrever. porque o emprego em conversas com respostas. é estranho perceber que consigo exprimir-me e falar de coisas que, ora me constroem ora me destroem, sem uma caneta na mão. talvez seja só uma fase.

free to decide...

chego ao ponto de partida. era assim que me sentia antes de tudo acontecer e sinto-me feliz por isso. como se nada tivesse acontecido. como se tivesse saltado uma barreira que nunca devia ter saltado, mas que, olhando para trás agora, no fundo sempre soube que teria de saltar. é inexplicável a leveza que o desprendimente nos permite. é tão bom não pensar em mais nada a nao ser no agora e deixar as consequências, por enquanto mentais, para quando ganharem real forma. nessa altura, já a parte mental se encarregou de tratar de diminuir a importância de tudo. no fim de contas, tudo tem a importância que na realidade merece ter. e pelas minhas contas, não há-de ser nenhuma... gosto de pensar que uma análise mais perspicaz sobre mim me permite ver de fora a passagem de mais um capítulo, que dentro de pouco tempo já nem importância tem para o desenvolvimento do resto da acção... da minha vida. por enquanto ainda sou eu que a faço.

domingo, abril 27, 2008

step on it...

acredito que o fim de semana prolongado tenha vindo a calhar a todos quantos o gozaram. eu vou mais longe. tal é o nível de egocentrismo, que chego a pensar que a revolução se fez há 34 anos para que em 2008 eu tivesse três dias de retiro mental, nestes precisos três dias. foram o estágio para a road journey que se avizinha. um beijo para quem fica.

terça-feira, abril 15, 2008

wizard of all....

de manhã, à tarde e à noite por estes dias. mesmo quando não está a tocar...

ain't got........

há dias em que a máxima "you get what you give" parece ganhar vida própria. e o pior é que não são só dias. são fases. vamos lá por partes a ver se nos entendemos...
não, não me orgulho de todas as decisões que tomei até aqui... seria o cúmulo da prepotência.
não, não digo sem hesitar que voltaria a fazer tudo na mesma, sem tirar nem pôr.
e sim, ok, acho que finalmente percebi que fui parva e completamente egoísta, e que fiz tudo ao contrário sem sequer me aperceber do que estava a fazer. sem sequer me passar pela cabeça que um dia havia de estar a escrever isto.
escrevo-o agora, porque preciso de o admitir a mim mesma para que consiga arrumar esta prateleira mental que mais me parece um puzzle feito de peças trocadas. escrevo-o para mim, porque agora já não seria justo fazê-lo de outra maneira. há histórias que são muito bonitas quando ficam guardadas lá atrás do grande écran. sobretudo quando sabemos que ao fim de duas horas está tudo resolvido. para o bem ou para o mal. mas ao menos nao nos deixam com a sensação de que está sempre tudo em aberto, e de que o fim da indefinição só depende da nossa cabeça.

wash in......

como qualquer casa que se preze, a minha cabeça está por esta altura a começar a dar mostras do cotão acumulado, dada a falta de limpeza e arrumação que lhe tenho feito. que fique bem claro, que o cabelo anda sempre lavado. no entanto, há mais de dois meses que nao ponho a escrita em dia. que é como quem diz, há mais de dois meses que nao desfaço os nós mentais que para aqui vão. isto agora nem com o amaciador que a amy winehouse precisava lá ia...

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

i realize...

a sensação de conforto é a mesma de constatar na madrugada de sexta-feira, entre sonos, que no dia seguinte é sábado. respiro melhor ao reparar que já passa das seis da tarde e que ainda é bem de dia cá fora.

doctor, doctor....



o regresso à tangueta em dia de anestesia. há alturas em que não há nada como uma boa injecção, um bom odor a éter, resumindo e concluindo, um bom médico. Desconfio da classe médica em geral. Melhor, são as únicas pessoas de quem desconfio à partida, pelo que têm de provar primeiro que são dignas da minha confiança, para que deixe de os olhar de lado. Funciono com os médicos ao contrário do procedimento que emprego na vida em sociedade em geral e ainda não conheci os suficientes para tivesse conseguido mudar esta atitude quase "racista". mas quando são bons, profissional e humanamente falando, há poucas pessoas que me conseguem transmitir tanta segunrança quanto os senhores doutores. e as tanguetas dos stars ajudam agora a prolongar o efeito tranquilizante da anestesia, in our bedroom after the war.

domingo, fevereiro 03, 2008

shocking pinks...



fui até ao fim do arco-íris e cheguei ao fim do mundo. melhor... à nova zelândia. fui dar com os shocking pinks, a banda do multi-facetado nick harte. mais um sócio da dfa, que ao que parece já não soa tanto a dfa. esta dislexia melódica condiz em tudo com a confusão que me vai por estes dias (?) na cabeça. de outra maneira não lhe acharia sentido. é capaz é de me deixar ainda mais baralhada. se houver problema, eu depois levo as mãos à cabeça como a senhora da capa.

reading... thinking...

(...) Mas, às vezes, os factos são apenas consequências deploráveis. Uma pessoa não peca com aquilo que faz, mas com a intenção, com a qual comete isto ou aquilo. A intenção é tudo. (...) Uma pessoa pode cometer infidelidade, um acto infame, sim, até o pior, pode matar e, todavia, manter-se puro por dentro. Um acto não é equivalente à verdade. É sempre apenas uma consequência (...).

Isto está escrito nas páginas 84-85 do livro "As Velas Ardem Até ao Fim". O autor é Sándor Márai.

E faz tudo muito sentido, e é aparentemente tudo muito justo. Não fossemos nós todos dotados de uma coisa chamada consciência. Também aparentemente seria tudo mais fácil se nos regêssemos apenas pelas intenções e não pelas acções em si. E nesse caso voltaríamos a acreditar nos tempos do bom selvagem, sem a parte de que a sociedade nos veio estragar as intenções. E o que mais me assusta nisto tudo é que no fundo continuo realmente a acreditar nisso. A dúvida é tão parva que se torna pertinente... mas que raio leva alguém a pensar que prejudicar a vida de outra pessoa pode melhorar a sua (do que prejudica)?

in rainbows...




dentro de casa o arco-íris nasce no reflexo das chamas das velas no amarelo do quadro do j. e no azul do candeeiro dos peixes. e há três horas que toca o disco ideal para uma manhã de domingo passada entre a obrigatoriedade das teclas, aulins para adormecer uma dor que não tem sono nenhum, e a chuva ali tão perto a ocupar o refúgio onde a semana passada houve dia até o sol nascer, já no dia seguinte. hoje está deserto. é perfeito visto cá de dentro, com a chuva a cair sem parar.

sábado, janeiro 19, 2008

......

o egoísmo desvanece-se quando as adversidades acontecem a alguém de quem gostamos e sentimos na pele uma falta de ar mais forte do que se fosse connosco. porque não há nada que possamos fazer contra uma coisa que a todos já conteceu. até aos melhores. e ainda assim continua sempre a ser um choque, o fim de qualquer coisa.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

to begin, began, begun...

escrever em 2008. talvez no mês dois. para já, ando sem capacidade de escrever com filtro e a tendência é sempre a de escrever sobre aquilo em que não quero pensar, para não escrever. o regresso de uma ansiedade que não descola nem por nada marca o início do ano e desforro-me na música. acho piada à facilidade com que nos apropriamos das músicas e elas de nós. estou a lembrar-me de um telefonema do t. há uns tempos a meio da manhã. ouviu uma música dos wilco e lembrou-se de mim. fiquei admirada. havia opções bastante mais óbvias. dei por mim a pensar ao telefone que músicas me fariam ligar-lhe pela mesma razão. hmm... esta não é fácil. talvez, ande distraída. voltando ao que estava a dizer, começo 2008 entre discos e análises instrospectivas. e por hoje, quero apenas deixar duas capas. dois discos que estão cheios de músicas capazes de me fazer esquecer que existe uma vida lá fora.

fui viciada no primeiro álbum dos shout out louds. sei-o de cor e foi um castigo para o trocar por outro no leitor de cds. lembro-me do concerto em paredes de coura como se fosse ontem e tenho uma especial empatia com a voz do - claro está - vocalista. gostei sobretudo de ouvir o "tonight i have to leave it" no anúncio da optimus porque é sinal que já mandaram à fava o assobio do "young folks" dos outros três sem sal. é bastante provável que daqui a um mês esteja outra vez a dizer mal da optimus. têm mesmo de fazer campanhas tão cerradas? o efeito inverso, o efeito inverso... mas, passando à frente do "tonight i have to leave it", só tenho a dizer que estou absolutamente viciada nas canções "you are dreaming", "impossible" e "south america". gosto particularmente da referência a portugal em "you are dreaming".



shout out louds - our ill wills - 2007



o outro disco que me tem acompanhado para trás e para a frente pertence ao novo projecto de Devonte Hynes dos Test Icicles. Este chama-se Lightspeed Champion e o álbum foi baptizado na graça do senhor - do Devonte, claro está - de "Falling off the Lavender Bridge". Começa de mansinho e quando damos por ele estamos infectados com o micróbio contagioso de uns e outros refrões. da parte que me toca já não sei o que fazer para tirar da cabeça as canções "dry lips" e "tell me what it's worth". até porque me fazem lembrar outras que tais,de que também já fui dependendente, mas que agora - convenientemente - não me lembro de que terra são.


lightspeed champion - falling off the lavender bridge - 2008

segunda-feira, dezembro 31, 2007

up to '08...

queria muito conseguir interiorizar de uma vez por todas que vou continuar - sempre - a fazer coisas de que nem sempre me orgulho, e de não me martirizar tempos a fio por causa disso. queria muito aplicar em mim o chavão que nos desculpa a todos os erros que fazemos. eu sei que somos todos humanos, mas penso que isso não nos dá o direito de sair por aí a errar a torto e a direito. não gosto de falhar, muito menos no que toca a princípios que vejo como valores intocáveis. e ainda assim, falho e continuo a falhar. claro que sim. e fico de rastos. e a ideia agora é aprender a viver com isso, que já vai sendo tempo. já para nao falar que é uma canseira do caraças.

só quero ter a capacidade de continuar a absorver da mesma forma desmedida canções como "Love is Enough", do Joe Henry. Deixar que canções como esta continuem a ganhar a importância que até então têm tido na minha vida utópica. Será com certeza a primeira de '08.

(...) this evening we're content believing
that love will be enough (...)


in here:

back in '07...

não me consigo lembrar com grande definição como estava a minha vida no início de 2007. prefiro pensar que é bom sinal, porque lembro-me que em dezembro, e mais precisamente no dia 31, estava a passar dias difícieis. lembro-me bem como foi resolvida a questão e de quem me ajudou a ultrapassar o problema que na altura, mais uma vez, dizia eu, não ia ter solução nunca. claro que teve. e é claro que ao longo do ano consegui meter-me noutras semelhantes trapalhadas que me fizeram recorrer novamente à minha lista 112 pessoal, sempre incansável, sempre eficaz. tanto quanto o tempo.

há dias, numa análise superficial que surgiu em conversa, chego à conclusão que se 2006 foi um ano mau para mim, 2007 foi um ano difícil. e agora que volto a pensar nisto, chego à conclusão que terá sido um ano bom, dado que tenho uma especial atracção pela dificuldade e uma enorme tendência a pôr as facilidades à borda do prato. qual é a graça de jogar no nível fácil?

consigo lembrar-me de um sem número de coisas que me fariam voltar a querer passar por 2007. claro que houve desilusões, claro que houve alturas em que pensei que este era o pior ano de sempre, claro que pensei vezes sem conta que não ando aqui a fazer nada. faz parte agora, mais a frio, em vista panorâmica a imagem que tenho deste ano é de que me ri muito. gargalhadas atrás umas das outras. chorar a rir. as eternas cumplicidades. dediquei muito tempo aos amigos, e acho que era disso mesmo este ano tinha de ser feito. de descompressão. convívio. conversa e partilha. o resto veio por acréscimo.

e o difícil de que falava há pouco é apenas sinónimo de mudança. e por mais que seja apologista da mudança, tenho de admitir que é sempre uma coisa que me faz virar do avesso. que me tira o sono e que me deixa com os nervos em franja. e apesar de tudo, é uma sensação sem a qual não consigo viver. o momento em que sinto que a mudança está feita e que a ela já estou adaptada vale tudo. sentir que saltei mais uma barreira e que avancei mais uma casa. e em 2007 avancei várias.

e o que mais me surpreende no fim de contas é que estamos no último dia do ano e não sei o que é feito daquela sensação de nostalgia que todos os anos se apodera de mim sem pedir licença. não faço ideia do que lhe aconteceu. o certo é que , desde que tenho consciência de mim, que não me lembro de alguma vez me ter sentido tão tranquila no último dia do ano. mesmo que, mais uma vez, pense que deixei tanto por concretizar... disso acho que não me vou livrar. nunca. nem posso.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

keep the music runnin'......

detesto esta época de contagens. parece que tem de ir tudo a correr para as prateleiras lá de casa e fazer as contas ao número de audições que deu a cada disco editado no corrente para chegar à conclusão de quais são entao os melhores discos do ano. o bom disto tudo é que me obriga a lembrar de discos que ouvi em janeiro pela ultima vez. há coisas que de cabeça, era capaz de dizer que já tinham dois ou três anos. incrível. e que tal começar a fazer-se menos e melhor música? o tempo passa mais depressa, e nao há como ouvir tudo o que para aí aparece. e já era uma grande ajuda nestas alturas do ano para aqueles, que como eu, se debatem diariamente com problemas de memória... no fim do ano, a diferença ia ser enorme. vamos lá a pensar mais um bocadinho antes de deitar cá para fora tudo o que tenha pelo menos doze músicas e uma capa com um autocolante qualquer.

two more years...

sei que a distância nao passa de uma ilusão.
e pode ser tudo uma ilusão, mas a força que nos dá - a distância - é mais real do que qualquer coisa a que nos pudessemos agarrar agora. e com o tempo, é essa mesma distância que nos permitirá recuperar a proximidade. para já, ficamos com a ilusão. concordarás comigo. talvez... quem sabe... e se... fim.

fake empire......

continuo a achar que todos devíamos ter três trunfos para jogar ao longo da vida que nos permitissem olhar para a nossa vida, de fora. jogaria o segundo por esta altura. ou talvez já nao fosse preciso... começo já a sentir ao fundo do túnel a calma que me assalta habitualmente quando começo a assentar os pés na terra e a interiorizar que o que tem de ser tem muita força. uma vez chegada a esta fase, consigo ser racional até ao fim por mais que me custe isto ou aquilo. o pior é chegar aqui... o fim do mundo aparece tantas vezes que nao faço ideia como o mundo ainda nao acabou realmente. fico instável, irritada, triste, impaciente, tudo ao mesmo tempo, e mesmo assim ainda me consigo rir de toda a trapalhada que digo e faço debaixo deste estado.
se olhasse de fora agora para a minha vida ia achar que era mais interessante do que alguma vez imaginara. e ia pensar o mesmo se da vida de outra pessoa se tratasse. mas nao. a vida é minha. os problemas sao meus, tenho eu de os resolver. e por isso, nao vejo esta fase como nada de interessante, antes pelo contrário. é apenas uma trapalhada pegada que há-de deixar boas recordações. o que consigo ver é que estou de novo a entrar na fase seguinte do processo. o alívio. o comando das operações está novo a cargo da minha diz-que-forte capacidade racional. o meu sistema nervoso foi derrotado por breves instantes. o espanto. há que aproveitá-los para tomar decisões acertadas e nao voltar a meter os pés pelas mãos nos próximos tempos.
estou confiante.