domingo, agosto 24, 2008

turning around.......

a semana do regresso de todas as incertezas e a sensação de voltou tudo à estaca zero. depois de meses de tranquilidade até eu me convenceria de que daqui para a frente seria sempre assim sem alterações de qualquer espécie, sem que nada nem ninguém pudesse surgir do nada e baralhar tudo aquilo que por agora eu tinha como certo e me bastava. e assim foi. acontece que o "sempre" acabou no fim de semana passado. estou confiante, decidida, satisfeita e entusiasmada para pôr ordem em mais uma fase de pernas para o ar, e em que me vejo ao contrário de tudo o que se passa à minha volta. adoro passar o dia a pensar em tudo e todos que nao devo; andar preocupada com tudo o que não posso resolver; dormir pouco porque a cabeça não pára... lá está, de pensar em tudo o que nao deve; sentir que a maioria dos que me rodeiam são apenas chatos e insensíveis porque não percebem à luz natural todas as tempestades, raios e trovões que me vão na alma.
posto isto, e ironias à parte, até me sinto bastante bem ao observar este quadro. finalmente, a sensação de que há pessoas que já não influem em nada no meu estado de espírito, mesmo que em tempos tenham tido o poder de me fazer rir e chorar de um minuto para o outro. não há nada como um caso "mais complicado" para tirar a importância de um caso "apenas complicado"... já que aí vem nova temporada de dúvidas e incertezas, então que sejam das melhores que me surgiram nos últimos tempos! assim pelo menos não aparece concorrência de duvidazinhas tão cedo...
urgente: férias!

segunda-feira, agosto 18, 2008

doggy dog world....

de um momento para o outro, deixei de poder:
- sair sem dar satisfações a ninguém e sem hora para voltar,
- organizar a minha vida de forma desorganizada,
- decidir à sexta à tarde que vou passar o fim de semana fora,
- estar fora horas a fio sem que isso me cause qualquer tipo de preocupação,
- andar por casa sem ter duas sombras atrás de mim em permanência,
- tomar banho sem guarda-costas,
- fazer o que quer que seja sem público a assistir.
basicamente... deixei de poder sentir-me independente do dia para a noite e ainda não sei como reagir a isto tudo. é ao mesmo tempo a coisa mais assustadora e o maior desafio. tinha portanto reunidas todas as condições para que avançasse para bingo. os 180 graus já estão em marcha.
a bobina está a dormir profundamente de barriga para o ar, mesmo aqui à minha frente, na cama dela. já percebeu que os sofás estão interditos. podia estar a brincar lá fora no quintal, mas parece que foi incumbida desta terrível missão de não me perder de vista, por um segundo que seja. é qualquer coisa de claustrofóbico para quem não gosta de sentir na pele controlo declarado de espécie alguma.
estamos as duas a ambientar-nos a situações perfeitamente desconhecidas. eu, que nunca tive de tratar de mais ninguém que não eu, tenho agora uma vida animal a meu cargo. ela, que caíu de pára-quedas numa casa estranha, com novos hábitos, tem agora de achar normal mudar tudo de um dia para o outro. eu, que tenho pavor de de feridas e curativos e afins, dou por mim a ter de tratar de uma otite, contra todas as forças de uma cadela que dia para dia está mais eléctrica. ela, que notoriamente está habituada a ter gente à volta todo o dia, tem agora de se entreter sozinha várias horas no quintal.
e eu, que não faço ideia como vai ser daqui para a frente, tenho aos meus pés uma cadela de 9 meses, feita de meiguice, que tem pavor de ser abandonada outra vez, e que só quer que lhe façam destas na barriga e retribuir com beijinhos.

up and down.....

voltámos a deitar abaixo o muro, que constantemente construímos pelos motivos mais e menos válidos que encontramos aqui e ali. o mais engraçado é que nos conseguimos sempre surpreender em matéria de momentos certos para atirar mais um pedra para a construção de novo muro. como se nos tivessemos conhecido ontem. é um processo cansativo, mas que aparentemente tem de ser feito. se assim não fosse, nao percebo por que motivo o fazemos há já tanto tempo. e agora que decidimos voltar a pôr-nos em bicos de pés para ver o que há para além do muro, volto a perceber porque atiramos nós as pedras para lá quando menos se espera. acaba por ser tudo muito mais fácil quando não se vê o que está do outro lado. estamos de volta à saga habitual, sem que ninguém o declare, qual novela, mas sem fim previsível nem à vista. começo a achar que caímos mentalmente dentro de um daqueles brinquedos para hamsters sem saída, tipo mini montanha-russa, e ali permaneceremos até que nos cansarmos de andar à voltas e a destruir aquilo que construímos.

domingo, julho 20, 2008

the light gets in...

Ring the bells that still can ring
Forget your perfect offering
There is a crack in everything
That's how the light gets in...




como dizia o senhor cohen ontem à noite...
é bom que estejamos cientes da sorte que tivemos em partilhar um momento como o que se viveu no concerto em algés, tendo em conta toda a escuridão que por aí vai mundo fora. a lua cheia tratou do resto. numa semana, bob dylan, neil young, leonard cohen. numa semana, não houve escuridão que persistisse. o brilho é hipnotizante. não apaga. e a paz que dali vem infiltra-se pelos poros e agarra-se ao espírito... não existe. não pode existir.

sábado, julho 12, 2008

how does it feel...?




a presença, a alma, a energia e o desconcerto inexplicável de músicas que nunca ouvimos sequer, mas que nos batem a mil e nos desfazem por dentro em emoções que não sabemos de onde vêm. imagine-se a força com que saem disparadas do palco as que nos dizem muito... o respeito incomensurável. a empatia conquistada com o sorriso final, e o incontrolável medo de que isto acabe tudo um dia.

domingo, julho 06, 2008

open road...

quando as ideias se emaranham, regra geral o sentimento é um só. e há tanto em que pensar, que tudo acaba por se relativizar. porque quando todas as imagens têm a mesma importância, não há nenhuma capaz de se sobrepor à que mora ao lado. misturam-se, fundem-se, esbatem os contornos umas das outras. fazem tudo para que o mesmo não aconteça com os sentimentos. viajam a velocidades diferentes e seguem geralmente caminhos opostos, mas luta interior é tão grande que não pode haver dúvidas de que, mais cedo ou mais tarde, vão acabar por acertar o passo. quando chegarem ao destino vai haver só uma ideia aliada a um sentimento. à mesma velocidade e na mesma direcção.

terça-feira, maio 20, 2008

not a word......

o problema está todo em depositarmos expectativas irreais uns nos outros. até porque esses outros não fazem ideia dos mundos e fundos que esperamos deles. e às vezes, nem sendo assim tanto o que esperamos, é muito para eles na mesma. e o que não deixa volta a dar a isto, é que a disparidade dos valores do que esperamos e do que nos pode ser na realidade dado, não podem ser confrontados de antemão. é este o dia-a-dia dos amigos. tentar corresponder às expectativas uns dos outros, sem deixar mortos e feridos pelo caminho. tudo se desmorona quando tal não acontece. o chão desaparece.

air mail....

prestes a aterrar na caixa do correio.





death cab for cutie - "narrow stairs" - 2008


scarlett johansson - "anywhere o lay my head" - 2008





cut copy - "in ghost colours" - 2008

feeling grey(t).........

há dias em que nem eu devia sair de casa, nem uns e outros deviam abrir a boca. acho engraçado ver de fora como há quem pense que pode decidir tudo, como, onde, porquê e quando. quando se fala, quando não se fala, quando se ouve, quando se acciona a surdez, quando faz má cara, ou quando se abre o sorriso. tudo. por tudo e por nada, detesto ter de conviver com este efeito esponja de energias alheias que me persegue. siga. o tempo está em sintonia com o meu humor e vice-versa. acho que absorvi o cinzento.

quinta-feira, maio 15, 2008

talking head...

quanto mais aprendo a falar, menos preciso de escrever... é uma conclusão a que cheguei com alguma dificuldade. mais penoso ainda foi escrevê-la. é estranho já não sentir diariamente a necessidade de traduzir por palavras aquilo em que penso e que nao digo. porque o digo mais. é estranho conseguir falar sobre coisas que antes pensava nao interessarem a ninguém. porque talvez esteja agora rodeada das pessoas certas. é estranho ter livre o tempo diário que antes guardava religiosamente para escrever. porque o emprego em conversas com respostas. é estranho perceber que consigo exprimir-me e falar de coisas que, ora me constroem ora me destroem, sem uma caneta na mão. talvez seja só uma fase.

free to decide...

chego ao ponto de partida. era assim que me sentia antes de tudo acontecer e sinto-me feliz por isso. como se nada tivesse acontecido. como se tivesse saltado uma barreira que nunca devia ter saltado, mas que, olhando para trás agora, no fundo sempre soube que teria de saltar. é inexplicável a leveza que o desprendimente nos permite. é tão bom não pensar em mais nada a nao ser no agora e deixar as consequências, por enquanto mentais, para quando ganharem real forma. nessa altura, já a parte mental se encarregou de tratar de diminuir a importância de tudo. no fim de contas, tudo tem a importância que na realidade merece ter. e pelas minhas contas, não há-de ser nenhuma... gosto de pensar que uma análise mais perspicaz sobre mim me permite ver de fora a passagem de mais um capítulo, que dentro de pouco tempo já nem importância tem para o desenvolvimento do resto da acção... da minha vida. por enquanto ainda sou eu que a faço.

domingo, abril 27, 2008

step on it...

acredito que o fim de semana prolongado tenha vindo a calhar a todos quantos o gozaram. eu vou mais longe. tal é o nível de egocentrismo, que chego a pensar que a revolução se fez há 34 anos para que em 2008 eu tivesse três dias de retiro mental, nestes precisos três dias. foram o estágio para a road journey que se avizinha. um beijo para quem fica.

terça-feira, abril 15, 2008

wizard of all....

de manhã, à tarde e à noite por estes dias. mesmo quando não está a tocar...

ain't got........

há dias em que a máxima "you get what you give" parece ganhar vida própria. e o pior é que não são só dias. são fases. vamos lá por partes a ver se nos entendemos...
não, não me orgulho de todas as decisões que tomei até aqui... seria o cúmulo da prepotência.
não, não digo sem hesitar que voltaria a fazer tudo na mesma, sem tirar nem pôr.
e sim, ok, acho que finalmente percebi que fui parva e completamente egoísta, e que fiz tudo ao contrário sem sequer me aperceber do que estava a fazer. sem sequer me passar pela cabeça que um dia havia de estar a escrever isto.
escrevo-o agora, porque preciso de o admitir a mim mesma para que consiga arrumar esta prateleira mental que mais me parece um puzzle feito de peças trocadas. escrevo-o para mim, porque agora já não seria justo fazê-lo de outra maneira. há histórias que são muito bonitas quando ficam guardadas lá atrás do grande écran. sobretudo quando sabemos que ao fim de duas horas está tudo resolvido. para o bem ou para o mal. mas ao menos nao nos deixam com a sensação de que está sempre tudo em aberto, e de que o fim da indefinição só depende da nossa cabeça.

wash in......

como qualquer casa que se preze, a minha cabeça está por esta altura a começar a dar mostras do cotão acumulado, dada a falta de limpeza e arrumação que lhe tenho feito. que fique bem claro, que o cabelo anda sempre lavado. no entanto, há mais de dois meses que nao ponho a escrita em dia. que é como quem diz, há mais de dois meses que nao desfaço os nós mentais que para aqui vão. isto agora nem com o amaciador que a amy winehouse precisava lá ia...

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

i realize...

a sensação de conforto é a mesma de constatar na madrugada de sexta-feira, entre sonos, que no dia seguinte é sábado. respiro melhor ao reparar que já passa das seis da tarde e que ainda é bem de dia cá fora.

doctor, doctor....



o regresso à tangueta em dia de anestesia. há alturas em que não há nada como uma boa injecção, um bom odor a éter, resumindo e concluindo, um bom médico. Desconfio da classe médica em geral. Melhor, são as únicas pessoas de quem desconfio à partida, pelo que têm de provar primeiro que são dignas da minha confiança, para que deixe de os olhar de lado. Funciono com os médicos ao contrário do procedimento que emprego na vida em sociedade em geral e ainda não conheci os suficientes para tivesse conseguido mudar esta atitude quase "racista". mas quando são bons, profissional e humanamente falando, há poucas pessoas que me conseguem transmitir tanta segunrança quanto os senhores doutores. e as tanguetas dos stars ajudam agora a prolongar o efeito tranquilizante da anestesia, in our bedroom after the war.

domingo, fevereiro 03, 2008

shocking pinks...



fui até ao fim do arco-íris e cheguei ao fim do mundo. melhor... à nova zelândia. fui dar com os shocking pinks, a banda do multi-facetado nick harte. mais um sócio da dfa, que ao que parece já não soa tanto a dfa. esta dislexia melódica condiz em tudo com a confusão que me vai por estes dias (?) na cabeça. de outra maneira não lhe acharia sentido. é capaz é de me deixar ainda mais baralhada. se houver problema, eu depois levo as mãos à cabeça como a senhora da capa.

reading... thinking...

(...) Mas, às vezes, os factos são apenas consequências deploráveis. Uma pessoa não peca com aquilo que faz, mas com a intenção, com a qual comete isto ou aquilo. A intenção é tudo. (...) Uma pessoa pode cometer infidelidade, um acto infame, sim, até o pior, pode matar e, todavia, manter-se puro por dentro. Um acto não é equivalente à verdade. É sempre apenas uma consequência (...).

Isto está escrito nas páginas 84-85 do livro "As Velas Ardem Até ao Fim". O autor é Sándor Márai.

E faz tudo muito sentido, e é aparentemente tudo muito justo. Não fossemos nós todos dotados de uma coisa chamada consciência. Também aparentemente seria tudo mais fácil se nos regêssemos apenas pelas intenções e não pelas acções em si. E nesse caso voltaríamos a acreditar nos tempos do bom selvagem, sem a parte de que a sociedade nos veio estragar as intenções. E o que mais me assusta nisto tudo é que no fundo continuo realmente a acreditar nisso. A dúvida é tão parva que se torna pertinente... mas que raio leva alguém a pensar que prejudicar a vida de outra pessoa pode melhorar a sua (do que prejudica)?

in rainbows...




dentro de casa o arco-íris nasce no reflexo das chamas das velas no amarelo do quadro do j. e no azul do candeeiro dos peixes. e há três horas que toca o disco ideal para uma manhã de domingo passada entre a obrigatoriedade das teclas, aulins para adormecer uma dor que não tem sono nenhum, e a chuva ali tão perto a ocupar o refúgio onde a semana passada houve dia até o sol nascer, já no dia seguinte. hoje está deserto. é perfeito visto cá de dentro, com a chuva a cair sem parar.

sábado, janeiro 19, 2008

......

o egoísmo desvanece-se quando as adversidades acontecem a alguém de quem gostamos e sentimos na pele uma falta de ar mais forte do que se fosse connosco. porque não há nada que possamos fazer contra uma coisa que a todos já conteceu. até aos melhores. e ainda assim continua sempre a ser um choque, o fim de qualquer coisa.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

to begin, began, begun...

escrever em 2008. talvez no mês dois. para já, ando sem capacidade de escrever com filtro e a tendência é sempre a de escrever sobre aquilo em que não quero pensar, para não escrever. o regresso de uma ansiedade que não descola nem por nada marca o início do ano e desforro-me na música. acho piada à facilidade com que nos apropriamos das músicas e elas de nós. estou a lembrar-me de um telefonema do t. há uns tempos a meio da manhã. ouviu uma música dos wilco e lembrou-se de mim. fiquei admirada. havia opções bastante mais óbvias. dei por mim a pensar ao telefone que músicas me fariam ligar-lhe pela mesma razão. hmm... esta não é fácil. talvez, ande distraída. voltando ao que estava a dizer, começo 2008 entre discos e análises instrospectivas. e por hoje, quero apenas deixar duas capas. dois discos que estão cheios de músicas capazes de me fazer esquecer que existe uma vida lá fora.

fui viciada no primeiro álbum dos shout out louds. sei-o de cor e foi um castigo para o trocar por outro no leitor de cds. lembro-me do concerto em paredes de coura como se fosse ontem e tenho uma especial empatia com a voz do - claro está - vocalista. gostei sobretudo de ouvir o "tonight i have to leave it" no anúncio da optimus porque é sinal que já mandaram à fava o assobio do "young folks" dos outros três sem sal. é bastante provável que daqui a um mês esteja outra vez a dizer mal da optimus. têm mesmo de fazer campanhas tão cerradas? o efeito inverso, o efeito inverso... mas, passando à frente do "tonight i have to leave it", só tenho a dizer que estou absolutamente viciada nas canções "you are dreaming", "impossible" e "south america". gosto particularmente da referência a portugal em "you are dreaming".



shout out louds - our ill wills - 2007



o outro disco que me tem acompanhado para trás e para a frente pertence ao novo projecto de Devonte Hynes dos Test Icicles. Este chama-se Lightspeed Champion e o álbum foi baptizado na graça do senhor - do Devonte, claro está - de "Falling off the Lavender Bridge". Começa de mansinho e quando damos por ele estamos infectados com o micróbio contagioso de uns e outros refrões. da parte que me toca já não sei o que fazer para tirar da cabeça as canções "dry lips" e "tell me what it's worth". até porque me fazem lembrar outras que tais,de que também já fui dependendente, mas que agora - convenientemente - não me lembro de que terra são.


lightspeed champion - falling off the lavender bridge - 2008

segunda-feira, dezembro 31, 2007

up to '08...

queria muito conseguir interiorizar de uma vez por todas que vou continuar - sempre - a fazer coisas de que nem sempre me orgulho, e de não me martirizar tempos a fio por causa disso. queria muito aplicar em mim o chavão que nos desculpa a todos os erros que fazemos. eu sei que somos todos humanos, mas penso que isso não nos dá o direito de sair por aí a errar a torto e a direito. não gosto de falhar, muito menos no que toca a princípios que vejo como valores intocáveis. e ainda assim, falho e continuo a falhar. claro que sim. e fico de rastos. e a ideia agora é aprender a viver com isso, que já vai sendo tempo. já para nao falar que é uma canseira do caraças.

só quero ter a capacidade de continuar a absorver da mesma forma desmedida canções como "Love is Enough", do Joe Henry. Deixar que canções como esta continuem a ganhar a importância que até então têm tido na minha vida utópica. Será com certeza a primeira de '08.

(...) this evening we're content believing
that love will be enough (...)


in here:

back in '07...

não me consigo lembrar com grande definição como estava a minha vida no início de 2007. prefiro pensar que é bom sinal, porque lembro-me que em dezembro, e mais precisamente no dia 31, estava a passar dias difícieis. lembro-me bem como foi resolvida a questão e de quem me ajudou a ultrapassar o problema que na altura, mais uma vez, dizia eu, não ia ter solução nunca. claro que teve. e é claro que ao longo do ano consegui meter-me noutras semelhantes trapalhadas que me fizeram recorrer novamente à minha lista 112 pessoal, sempre incansável, sempre eficaz. tanto quanto o tempo.

há dias, numa análise superficial que surgiu em conversa, chego à conclusão que se 2006 foi um ano mau para mim, 2007 foi um ano difícil. e agora que volto a pensar nisto, chego à conclusão que terá sido um ano bom, dado que tenho uma especial atracção pela dificuldade e uma enorme tendência a pôr as facilidades à borda do prato. qual é a graça de jogar no nível fácil?

consigo lembrar-me de um sem número de coisas que me fariam voltar a querer passar por 2007. claro que houve desilusões, claro que houve alturas em que pensei que este era o pior ano de sempre, claro que pensei vezes sem conta que não ando aqui a fazer nada. faz parte agora, mais a frio, em vista panorâmica a imagem que tenho deste ano é de que me ri muito. gargalhadas atrás umas das outras. chorar a rir. as eternas cumplicidades. dediquei muito tempo aos amigos, e acho que era disso mesmo este ano tinha de ser feito. de descompressão. convívio. conversa e partilha. o resto veio por acréscimo.

e o difícil de que falava há pouco é apenas sinónimo de mudança. e por mais que seja apologista da mudança, tenho de admitir que é sempre uma coisa que me faz virar do avesso. que me tira o sono e que me deixa com os nervos em franja. e apesar de tudo, é uma sensação sem a qual não consigo viver. o momento em que sinto que a mudança está feita e que a ela já estou adaptada vale tudo. sentir que saltei mais uma barreira e que avancei mais uma casa. e em 2007 avancei várias.

e o que mais me surpreende no fim de contas é que estamos no último dia do ano e não sei o que é feito daquela sensação de nostalgia que todos os anos se apodera de mim sem pedir licença. não faço ideia do que lhe aconteceu. o certo é que , desde que tenho consciência de mim, que não me lembro de alguma vez me ter sentido tão tranquila no último dia do ano. mesmo que, mais uma vez, pense que deixei tanto por concretizar... disso acho que não me vou livrar. nunca. nem posso.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

keep the music runnin'......

detesto esta época de contagens. parece que tem de ir tudo a correr para as prateleiras lá de casa e fazer as contas ao número de audições que deu a cada disco editado no corrente para chegar à conclusão de quais são entao os melhores discos do ano. o bom disto tudo é que me obriga a lembrar de discos que ouvi em janeiro pela ultima vez. há coisas que de cabeça, era capaz de dizer que já tinham dois ou três anos. incrível. e que tal começar a fazer-se menos e melhor música? o tempo passa mais depressa, e nao há como ouvir tudo o que para aí aparece. e já era uma grande ajuda nestas alturas do ano para aqueles, que como eu, se debatem diariamente com problemas de memória... no fim do ano, a diferença ia ser enorme. vamos lá a pensar mais um bocadinho antes de deitar cá para fora tudo o que tenha pelo menos doze músicas e uma capa com um autocolante qualquer.

two more years...

sei que a distância nao passa de uma ilusão.
e pode ser tudo uma ilusão, mas a força que nos dá - a distância - é mais real do que qualquer coisa a que nos pudessemos agarrar agora. e com o tempo, é essa mesma distância que nos permitirá recuperar a proximidade. para já, ficamos com a ilusão. concordarás comigo. talvez... quem sabe... e se... fim.

fake empire......

continuo a achar que todos devíamos ter três trunfos para jogar ao longo da vida que nos permitissem olhar para a nossa vida, de fora. jogaria o segundo por esta altura. ou talvez já nao fosse preciso... começo já a sentir ao fundo do túnel a calma que me assalta habitualmente quando começo a assentar os pés na terra e a interiorizar que o que tem de ser tem muita força. uma vez chegada a esta fase, consigo ser racional até ao fim por mais que me custe isto ou aquilo. o pior é chegar aqui... o fim do mundo aparece tantas vezes que nao faço ideia como o mundo ainda nao acabou realmente. fico instável, irritada, triste, impaciente, tudo ao mesmo tempo, e mesmo assim ainda me consigo rir de toda a trapalhada que digo e faço debaixo deste estado.
se olhasse de fora agora para a minha vida ia achar que era mais interessante do que alguma vez imaginara. e ia pensar o mesmo se da vida de outra pessoa se tratasse. mas nao. a vida é minha. os problemas sao meus, tenho eu de os resolver. e por isso, nao vejo esta fase como nada de interessante, antes pelo contrário. é apenas uma trapalhada pegada que há-de deixar boas recordações. o que consigo ver é que estou de novo a entrar na fase seguinte do processo. o alívio. o comando das operações está novo a cargo da minha diz-que-forte capacidade racional. o meu sistema nervoso foi derrotado por breves instantes. o espanto. há que aproveitá-los para tomar decisões acertadas e nao voltar a meter os pés pelas mãos nos próximos tempos.
estou confiante.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

waiting, watching, wishing...

e se for tudo verdade?
será que dou conta de tantas novidades num só ano?
não percebo porque é que não foram surgindo com conta, peso e medida ao longo do tempo. afinal 28 anos dá para muita coisa.

yesterday's news...

há alturas em que parece que o cansaço que não sentimos durante meses escolhe um dia para se abater sobre nós, todo de uma vez. de chapão. e não falo do cansaço acumulado das horas de trabalho a mais, nem das confusões do trânsito, nem das noitadas, nem da ditadura do despertador. esse passa com pouco. o que me deixa mesmo à beira da exaustão é ter de levar com estas fases em que de um momento para o outro parece que redescubro a apetência que tenho para fazer tudo ao contrário. mas em mau. já lá dizia o outro e tão sabiamente , que "viver todos os dias cansa". a sensação que me acompanha nos últimos dias é a de que não acerto uma, nem à lei da bala. faço sempre as escolhas erradas, e sem fazer muito por isso, estou cada vez mais refinada em meter-me em becos sem saída. talvez um dia aprenda a fazer inversão de marcha sem bater com a cabeça aqui e ali. e sobretudo, sem chocar com os outros.
isto era ontem.

let the games begin...

trabalhar maioritariamente com homens tem destas coisas... é tão bom chegar a casa com a certeza de que as conversas sobre os jogos do dia anterior ficaram lá fora. tão bom.

quinta-feira, novembro 29, 2007

the wilco thing...

os regressos ao razzmatazz sao sempre carregados de alguma euforia, por toda a envolvência que os acompanha. e também muito por causa do estágio já obrigatório feito na champagneria ao fim da tarde e a caminho do local do crime. casa cheia para ver os wilco em barcelona. a euforia afinal é generalizada. não consigo deixar de lado algum pasmo sempre que vejo salas cheias fora das fronteiras portuguesas para ver artistas que nunca cá puseram os pés e de quem os fazedores de concertos fogem como o diabo da cruz por tudo e mais alguma coisa que com certeza se justifica. ou se calhar até não.
apanhei os wilco ao vivo por acaso. e não há como o acaso para armar uma boa surpresa. a harmónica deu o pontapé de saída e a partir daí o objectivo era não pestanejar sequer. mais do que qualquer confusão generalizada por meio de encontrões regados a copos de cerveja e criaturas mais altas, a euforia torna-se interior. o pensamento centra-se na ideia de que quando quer que a música páre, vai ser sempre cedo demais. e lendo agora o que escrevo, sinto a ideia do exagero a aconchegar-me o pensamento. afasto-a para trás da nuca. na altura, nao foi exagero nenhum. em disco gosto dos wilco. ao vivo, fui parte deles e daquilo tudo. são intensos, são reais. e voltar atrás no tempo à boleia de de uma e outra canção é sempre uma boa viagem.

quarta-feira, novembro 21, 2007

lost and found...

eis que a tap encontra a minha bagagem em três tempos, tal como a perdeu. tem a sua graça fazer o caminho de saída dos passageiros que regressam de viagem em direcção aos seus familiares sorridentes e expectantes, em sentido contrário. tem também o seu quê de empolgante entrar numa sala de acesso restrito onde repousam centenas de malas perdidas (e achadas) e identificar numa prateleira a única que nos interessa, como se de um criminoso se tratasse. é esta.

terça-feira, novembro 20, 2007

help wanted....

não consigo perceber como acrescento links na barra lateral neste novo template. nem sequer encontro no actual html os links que já aqui tenho. presumo que o problema seja meu e que isto seja uma coisa fácil de fazer... anyone?

segunda-feira, novembro 19, 2007

1, 2, 3, ...

no fundo no fundo sempre quis ter oportunidade de usar este discurso:

não escrevo para quem lê, escrevo para o meu umbigo. se quem lê gosta, tanto melhor. se não gosta, paciência, porque a escrita é das coisas mais egoístas que existe. curiosamente, também das que mais gosto.
criei este blog em 2003 com a ajuda da t.b. e deste então o contador registou sessenta e tal mil visitas. a mudança de visual mandou o contador antigo para as urtigas. e fez muito bem, porque não há nada como um novo começo. here we go again.

disconnected...

aquilo que a princípio me pareceu um pormenor sem importância está a começar a tornar-se numa bola de neve. o efeito de anestesia provocado por dez dias de férias fez com que o facto da tap me ter perdido ontem o saco de viagem me parecesse coisa pouca na altura. no momento da constatação, a única coisa que consegui visualizar dentro do saco foi roupa suja, pelo que pensei que "mesmo que desapareça, não se perde grande coisa, e são menos umas peças que tenho de lavar, estender e arrumar". na altura não pensei que dentro do saco da puma que comprei num outlet no texas por uma verdadeira pechincha e que gostava tanto, vinham também cerca de 10 discos que agora poderia estar a ouvir, a minha mala de estimação da camel, os poucos recuerdos que comprei em londres, algumas revistas com os respectivos cds, o necessaire e todo o seu conteúdo, as luvas de cabedal que tanto jeito me dão para conduzir no inverno, e acabei de me lembrar que também lá vinha o carregador do telemóvel. e não, não estou conectada à nokia como toda a população por isso não tenho facilidade em arranjar um emprestado. que mais terá ficado dentro do saco? estou agora a ter a reacção que devia ter tido no aeroporto.
nunca tal me tinha acontecido, mas pelos relatos que já tenho ouvido parece que já se tornou numa coisa normal. gostei da descontracção com que a senhora que me atendeu lidou com a situação. "leve este papelinho e tem aqui este número para entrar em contacto connosco". com certeza. ligo na sexta para saber como correu a semana, e quais os planos para o fim de semana, ok?

left the blues...

a quase eternamente adiada mudança. hoje calhou. e o azul só porque parece que hoje me acalma o congestionamento das vias nasais. talvez esteja a atravessar o período azul, como o outro que expôs no guggenheim naquele fim de semana de loucos. não me lembro do nome. lembro-me que estou hoje bem melhor do que estava na altura e naquele dia não sabia. gosto muito do azul. tentarei nos próximos dias levar avante mais algumas mudanças, nomeadamente na secção de links, que não é actualizada vai para uns bons aninhos. só agora reparei que perdi o contador de visitas. mais um pormenor para resolver.

hangin' around.......

ao fim de nao sei quantos anos consegui finalmente pensar antecipadamente no jeito que pode dar um dia de férias gozado naquele compasso de espera importante que é o dia a seguir ao regresso de viagem e o dia antes do regresso ao trabalho. à rotina... sobretudo quando se acorda a chover, com frio, com cinzento e tudo quanto a quanto o outono tem direito. o choque não foi tão frontal como seria de esperar porque este ano tive a sorte de fazer o estágio para a mudança de estação em barcelona e em londres. os lowcosts já permitem estes pequenos luxos. de barcelona trouxe a alma cheia, recordações impecábeis e muitas e surpreendentes previsões para o futuro, lidas num inesperado místico fim de tarde. resumindo muito, a laura, colombiana, diz que as cartas me reservam dias felizes. contamos com isso.
de londres trouxe mais uma vez a convicção de que cada vez que lá vou gosto mais de lá ir, e uma tentativa mais ou menos bem sucedida de pôr a cabeça no lugar pelo menos por uns meses.... semanas, talvez. por acréscimo, consegui ainda trazer uma super constipação que não estava nada nos planos. sim, fui agasalhada, mas o frio era daqueles que parece que queima a cara, faz arder os olhos e as lágrimas caírem sem querer, e deixa as mãos e os pés em pedra e numa cor que não é natural em nenhum ser vivo. as plantas aqui nao contam. nunca gostei de roxo, aliás. é verdade que nao gosto nada de casacos, mas desta vez até cedi aos argumumentos das baixas temperaturas e andei tipo trambolho. e para quê? ao menos o casaco não era roxo.
e o regresso a casa pode saber tão bem...

at the movies....

gosto muito de cinema, mas só do lado das cadeiras. gosto pouco do papel de protagonista, sobretudo quando isso implica começar a confundir a minha vida com aquilo a que se chama habitualmente um filme "a sério". a questão é mesmo essa... existem filmes a sério? guess not. quero obrigar-me a pensar que o genérico já passou e tudo, e que agora a imagem está toda em preto e de cortinas fechadas. porque é assim que tem de estar. mesmo que no fundo não acredite nem um bocadinho nos finais dos meus argumentos. e é isso que me preocupa de vez em quando.

quarta-feira, novembro 07, 2007

maybe today...



the times they are a-changin'...
... e que boa maneira de inaugurar umas férias.

quarta-feira, outubro 24, 2007

ok...

está tudo bem, obrigada.
talvez para a semana tenha mais para contar.

terça-feira, outubro 16, 2007

transnormal skiperoo........

em semana de poucas palavras, por tudo e por nada, apetece-me só dizer que o jim white é um bom terapeuta e que me dou muito bem com este método chamado "transnormal skiperoo". neste caso concreto, porque me faz parar para ouvir com uma atenção desmedida. um feito, a que muito poucas pessoas tenho dado o privilégio ultimamente. a culpa é da também desmedida ansiedade que me assalta não sei bem vinda de onde, ou que prefiro não saber. para quebrar o feitiço, oiça-se, por exemplo, "a town called amen", que não há inquietação que sobreviva. noutro registo, igualmente cativante, salte-se até "crash into the sun". não vou mais longe... regresso a austin, à igreja da rua 10 ou 11, que já me falha a memória. lotação esgotada na igreja. no lugar do sacerdote, temos nina nastasia e jim white. comungamos todos sem sair do lugar e sem precisar de confissão. o maior pecado era não estar ali naquele momento. vi o jim white ao vivo por uma feliz coincidência, mas de tão surreal que me continua a parecer tudo ainda hoje, continuo a achar que é daqueles artistas que nunca terei a oportunidade de ver em palco.


orelhas de burro:




jim white - transnormal skiperoo - 2007

sábado, outubro 13, 2007

infectious.....

infectuous é a palavra certa para descrever a rádio que não existe do bruce springteen e da e-street band. sem tradução. a primeira vez que a ouvi, foi através de um link promocional enviado pela editora há coisa de dois meses atrás, já não sei situar ao certo. eram sete e pouco da manhã e o que tenho ainda muito presente foi o que me levou a clicar no link. o instinto de sobrevivência para me manter acordada na cadeira, em frente ao computador e conseguir pensar em alguma coisa que não fosse na violência que é trabalhar às seis da manhã. e foi remédio santo. ouvi a canção até ao fim e fui a correr perguntar ao m. se já tinha ouvido. "radio nowhere" tocou na rádio minutos depois. continuo a achá-la sempre que a oiço uma canção com empatia. e quanto mais a oiço, mais me apetece ouvir. conhecendo depois "magic" por inteiro, a sensação de cumplicidade estende-se pelo álbum todo. sobretudo ao sábado de manhã que se viveu à tarde. e ajuda tanto ouvir coisas como "long walk home", "livin in the future" e "i'll work for your love".


orelhas de burro:
bruce springsteen - radio nowhere - 2007

quinta-feira, outubro 11, 2007

rock n' roll friends...

não, não gosto dos arctic monkeys. estampo aqui esta foto apenas para ilustrar uma curiosidade. o rapaz fumador que brilha na capa, é o chris - irmão do jon macclure dos reverend and the makers, que como se diz logo abaixo, são todos grandes amigos lá em sheffield.


the state of things...

gosto muito dos reverend and the makers. a primeira vez que ouvi o "heavyweight champion of the world" foi no carro. estava na marginal, sentido cascais-lisboa. levei como que um estaladão mental na altura. acordei do mundo que não existe e em que me perco bastas vezes quando conduzo na marginal. o meu maior problema na altura era perceber o que estava a tocar. o desconforto de não conseguir saber o que era no momento ainda durou um dia ou dois. se o single é acelerado, o disco em si funciona em mim como uma espécie de bateria que não descarrega. e gosto que me façam lembrar os charlatans no tema "open your window", porque me faz ir recuperar discos que não oiço há demasiado tempo. e acho piada que a batida inicial da faixa "machine" me leve de volta aos offspring de 1994 - "come out and play".

john mcclure tem 25 anos e é o líder dos reverend and the makers. na uncut deste mês dizem que gosta que ser visto como uma espécie de Manu Chao de Sheffield - e diz isto no sentido de ambos terem como principal objectivo espalhar mensagens positivas. da parte que me toca, mission accomplished.

esta malta é, portanto, de sheffield, amigos dos arctic monkeys. curiosamente não vou à bola com os arctic monkeys. mas também não sou de sheffield nem tenho de ser amiga deles. gosto do mcclure e pronto.


orelhas de burro:

reverend and the makers - the state of things - 2007

bring on the comets...

e porque amanhã já é sexta-feira (alguém deu pela semana a passar?), o estágio para o fim das dores nas costas faz-se ao som do regresso dos vhs or beta. "bring on the comets" é aquilo a que se chama em bom português um vício pegado, daqueles que balançam a pilhas, sem paragem à vista. e não cansa a cabeça com potência a mais, o que nestes dias faz toda a diferença. batidas leves, viradas para os oitentas, tal como a voz a atirar para a tangueta em certos momentos. o tema-título (gosto muito de dizer tema-título) leva-me aos jesus & mary chain. sabe-se lá porquê... mas sabe-me bem e dá-me que pensar. já crashei no "fall down lightly". ora bem... tendo em conta que é a faixa 9, é possível que só chegue ao fim do disco lá para domingo à tarde.


orelhas de burro:


vhs or beta - bring on the comets - 2007

quarta-feira, outubro 10, 2007

house of pain....

o que era bom, era que eu agora fosse ali dormir depressa enquanto as dores ainda são poucas, e que amanhã, quando o despertador tocasse já fosse sábado. e não, o pedia pelas razões mais óbvias assim só porque sim. é que calculo que lá para sábado as minhas costas já estejam bem mais aliviadinhas do tratamento que levaram hoje e que me vai deixar com problemas de circulação (e não é da sanguínea, nem automóvel) seguramente durante um bom par de dias. a quem é que se pede para fazer o tempo saltar?

praise the fall...

queria aqui dizer apenas que o outono já começou e eu não disse nada. assim como assim, ainda bem porque ainda faltam umas semanitas para ir ali gozar as férias de verão, e sinceramente não gosto lá muito do outono, porque o verão é deixado para trás. mas há coisas que facilitam, e sobretudo há vozes que facilitam e que não soam tão bem no verão.

queria só deixar aqui a minha devida homenagem a estes senhores, que já chegou o tempo deles: richard hawley, joe henry e mark knopfler. são ícones do outono tão importantes como as castanhas, as folhas caídas, as romãs e as golas altas (pelo menos quando outono ainda era uma estação independente e definida).


orelhas de burro:


richard hawley - lady's bridge - 2007
joe henry - civilians - 2007
mark knopfler - kill to get crimson - 2007

quinta-feira, outubro 04, 2007

something for the weekend...

muita música nova para o fim de semana
leitura em dia
verde... muito verde
boas horas de sono
ar puro
abraços
e mais música!

so what...?

há momentos em que tenho a nítida sensação de que há pessoas que são pessimistas, por defeito. leia-se defeito por princípio, e não no sentido oposto de qualidade. se somos medianos ou mauzinhos a fazer qualquer coisa, passamos bem despercebidos e ninguém se choca, nem se admira, nem expressa reacção perante os nossos feitozinhos. se afinal a coisa até corre bem é a admiração generalizada. infelizmente, continuo a preferir passar despercebida. admira-me como é tão fácil as pessoas deslumbrarem-se com tão pouco. há que manter a fasquia alta... a sensação de deslumbramento não se devia desperdiçar assim ao minuto e meio.

quarta-feira, outubro 03, 2007

red cross...

viver em benfica... que maravilha, muito comércio, pastelarias com bolos de perder de vista, mercearias recheadas com a mais fina fruta da época, farmácias porta sim porta sim, bancos de todas as cores, cada um com o seu crédito, com multibancos sempre disponíveis, quiosques bem fornecidos de leitura, cervejarias em cada esquina, frango assado sempre a sair. tudo e mais alguma coisa a meio caminho de lisboa e da linha. e perto do trabalho. tudo para ser feliz. mas... inevitável haver um mas para além das formigas... a águia, senhores, a águia. e nem vale a pena dizer mais nada. toda a gente saberá melhor do que eu quantos é que eles são. para mim são apenas MUITOS. uma mancha. que inunda todos os caminhos que me trazem a casa. resta um atalho, vá lá. é chato, mas vem cá dar. e polícia... há batalhões de polícia por todo o lado, parece que estamos numa zona vigiada de banhos perigosa. e por que raio tenho eu sempre pontaria para agendar ir ao colombo nos dias de jogo? pensei que a única cruz vermelha que carregasse com a minha vida fosse o sítio onde nasci...