terça-feira, maio 17, 2005

break on through....

enquanto punha o disco dos doors a tocar no computador pensava de mim para mim que tavez não tivesse escolhido uma coisa muito animada. e enquanto ponderava a hipótese de trocar de banda sonora para as páginas de texto que tenho de ter prontas até às 16h, mas que não há meio de avançarem sozinhas, esqueci a ideia de que talvez não tivesse sido uma escolha musical muito acertada. ouvi o touch me e o resto desapareceu. não consigo ouvir os doors sem me lembrar da sofia e da susana, apesar de não saber nada delas há uns bons anos. inseparáveis as três. eu e as duas amigas mais velhas, irmãs góticas, que no oitavo ano me ensinaram que o jim morrison era deus e o nick cave uma espécie de papa. os doors sempre me impressionaram mais do que o nick cave, mas ainda hoje quando o oiço não consigo deixar de voltar ao tempo daquelas cassetes manhosas que me gravavam cheias de músicas que me soavam tão estranhas na altura, como hoje me soam a familiar. nunca me cheguei a vestir de preto nem a praticar o culto do pálido, mas acho que durante dois anos vivi de doc martens nos pés, na plena convicção de que o jim morrison era deus.


orelhas de burro:

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at the movies....

acabei de ver um potencial filme da minha vida. digo potencial porque a minha vida nao se vive, nem se resolve, em duas horas como o filme. vai neste momento a meio da acção, quase sem tirar nem pôr, no que diz respeito ao essencial. se calhar também vou precisar de ver passar dez anos... e sim quando tiver 36 anos talvez consiga olhar para o filme com o distanciamento de que preciso para conseguir rever aquela história sem a sensação de um permanente soco no estômago. se o consegui em relação ao lost in translation - isso sim, a lembrança de uma verdadeira obsessão que felizmente foi com o tempo - consigo-o de certeza em relação a qualquer "filme". é o que eu gosto de fazer... filmes. apeteceu-me ligar-te, mas achei que... nada. não liguei. já é tarde.

segunda-feira, maio 16, 2005

ouvintes rádio energia..... help me out!

apelo à navegação:

se em 1991 já tinha idade para ouvir rádio, e foi ouvinte - e apenas ouvinte - da rádio energia enquanto foi tempo, então é consigo que quero falar, até amanhã à tarde. preciso de opiniões, memórias, programas que ouviam ou críticas, tudo muito directo ao assunto. os mais participativos podem enviar ideias para mjserra_05@hotmail.com, ou se preferirem por telefone, para quem tiver o número, obviamente - peço a vossa ajuda e urgente colaboração.

thanks

sexta-feira, maio 13, 2005

no comprendo....

acordei com uma batida monótona na cabeça. já não a sei reproduzir, mas calculo que seja a mesma que ontem ouvi durante três horas a fio. foi essa a sensação com que fiquei. já percebi que o laurent garnier é o supra-sumo de qualquer coisa. será qualquer coisa que não entendo ainda, nem sei se virei a entender, porque saí do lux já quase de manhã com a impressão de que ao fim de meia-hora já tinha ouvido tudo o que havia para ouvir, mas foi esticando, fui esticando, porque estava a precisar do alheamento que a música alta provoca, e a companhia estava animada. o problema era meu evidentemente, porque olhando à volta, o delírio estava instalado nos quatro cantos da casa. nem se respirava.

quinta-feira, maio 12, 2005

don't dream it's over.....

o subconsciente não brinca em serviço. ontem sonhei que o benfica perdeu, logo eu que nem sei quando há jogos. aconteça o que acontecer, e os benfiquista que por aqui andam que me perdoem, mas já sabem que é para o lado que durmo melhor.

you chose....

é conforme a disposição. ora tranco o carro com as chaves lá dentro para que ninguém lá entre, repito ninguém, ora vou à minha vida deixando as portas com os sinais de "desocupado" e "entre por favor" a piscar, porque os cds até estão à vista e o rádio não anda muito longe... há para todos os gostos.


orelhas de burro:

a emissão especial 2 dukes dos dez anos sobre o nascimento da rádio energia, emitida em 2001 da cave fm para a telefonia virtual, e agora em formato cd e mq3.

back to the future...

já deixei de fumar. mas eu não fumo, já me tinha esquecido... esqueçam. a joana é que se sonhou que eu tinha começado a fumar. a descontracção com que puxei do cigarro deixou de boca aberta o resto da mesa de café. no sonho da joana, claro, porque no meu também a mim me deixaria perplexa. nao gosto particularmente de sabor a queimado. a força de algumas ligações de infância tem destas coisas, e o sexto sentido feminino ainda não tem concorrência à altura quando a prova é de "pespescácia". não se pode dar um passo em falso, mesmo que ainda só em pensamento e mesmo que os fins justifiquem os meios, sem que pelo menos uma pessoa o perceba na hora. pensei que tivessemos perdido a confiança de outros tempos porque a dada altura fizemos opções muito diferentes, e o afastamento criou-se por si só. na altura foi complicado. não sabíamos bem estar uma sem a outra. mais tarde, o que se tornou complicado foi reaver a proximidade. os caminhos diferentes parece que nos deixaram sem nada para dizer uma à outra que pudesse interessar, e apesar de morarmos na mesma praceta quase nunca nos víamos. nos últimos tempos, começou a ser hábito cruzarmo-nos à noite, depois de jantar. [ao que parece a lucky (a cadela da joana) gosta de fazer o seu cócó aqui à minha porta. é verdade. eu desculpo-lhe porque também temos uma amizade forte.] a confiança de infância afinal não se perdeu por atalhos. não andamos propriamente as duas muito animadas, já percebi que o mal é geral, mas como comentámos outro dia entre chás e cafés (chá para mim, se faz favor), só o facto de termos com quem tomar café à noite durante a semana e dizer umas piadas por entre lamentos já nos reforça o ânimo. é o papel dos amigos. quem diria que se passaram quase dez anos... e afinal nem tossi.

quarta-feira, maio 11, 2005

terça-feira, maio 10, 2005

perguntas difíceis.....

o que dizer quando uma criança de onze anos nos pede para explicar o conteúdo da sugestiva letra da nova canção do 50 cent, candy shop?

it's a zig zag thing...

equivalente só o delírio em paredes de coura no ano passado. acho que foi mais ou menos isto que disse ao michael zag na ressaca de estrondosa noite zig zag warriors no lux. e disse-lhe também que esta "vitória" me sabia especialmente bem por ter sido em "casa", em lisboa. porque, não é que ainda restassem dúvidas mas nunca se sabe, ficou mais do que provado que não há motivos nenhuns para continue a ter de se percorrer quilómetros e quilómetros de estrada para matar o vício do rock n' roll. é isso que estas noites são: um vício. um escape. cada um tem o seu, não interessa qual, o meu agora é este. e comparei a noite lisboeta de quinta-feira à do verão no after hours de paredes de coura porque a sensação de abstracção que se instalou de um momento para o outro foi a mesma. já ninguém sabia bem onde estava, nem o que se estava a passar, mas o importante era não parar. lá fora o dia começava a amanhecer e o facto de o rio estar logo ali ao lado a olhar para nós acentuava a sensação de balanço própria do alto mar. e estava tudo no mesmo barco. quando olhei para o lado o delírio colectivo era evidente. tanta gente... a tal comunhão estava ali outra vez. o café proibido funcionou como a âncora obrigatória e o chão voltou a estancar. assentei de vez os pés no chão, ou pelo menos quero acreditar que sim.

thinking out loud...

houve uma frase que me marcou especialmente quando li este primeiro volume das chronicles do bob dylan. nada a ver com música... não assentei a página, pensei que a fixava, mas claro que não fixei... há uma parte que el dillon fala de uma namorada/mulher e a dada altura diz que uma das coisas que mais gostava nela era a capacidade que a rapariga tinha para ser/estar feliz independentemente dos outros. preciso de desenvolver em mim essa capacidade e o quanto antes. estou farta de deixar que os meus estados de espírito se auto-regulem em função dos outros e daquilo que sentem por mim, dizem de mim, esperam de mim... sentem por mim. no fundo, penso que tudo passa por uma filtragem de emoções que continuo a não saber fazer, mas que esta queda natural que tenho para o abismo emcional me está aos poucos a fazer abrir os olhos antes de chegar ao ponto a que me deixei voltar a chegar. não sei porque é que ainda faço pactos comigo mesma, se depois basta um gesto, um olhar para que me esqueça de tudo aquilo a que me devia agarrar mentalmente, e pense apenas em tudo o que devia fazer por esquecer. e continuo sem perceber por que é que as recaídas são sempre (mas sempre) piores do que as quedas iniciais... não consigo ser como a namorada do dylan, não me basto para me sentir bem, e por mais satisfeita que ande comigo mesma, só me sinto feliz se o partilhar. e a partilha implica os outros. implicava-te a ti. implicava... não é irónica a palavra? mas aqui o que interessa é o tempo do verbo. e não me importo se dou parte fraca, se assumo que por ser psicossomática adoeço sempre com febres súbitas mas passageiras por coisas tao parvas como esta. assumo tudo isto, é assim que me sinto, e é a escrever que consigo fazer a tal filtragem das emoções. não sei porque não o fiz antes...

sábado, maio 07, 2005

always the sun...

cada vez me convenço mais de que devo ter tido a mania que era esperta numa qualquer vida anterior. é que nesta encontro cada vez mais provas de que de devo ser realmente muito estúpida. nisso dou-te razão.


let it ride... there's always the sun!

quinta-feira, maio 05, 2005

zboys hoje no lux

o regresso à capital é hoje, quinta-feira, dia 5. os zboys voltam ao lux para fazer estragos no bar pela noite dentro. be there!

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zig zag warriors - 5 de maio - lux - lisboa, finalmente!

domingo, maio 01, 2005

under pressure....

entre ontem e hoje já dei andamento a mais trabalhos do durante os últimos três meses juntos. não é que me tenha dado assim uma vontade súbita de trabalhar, de escrever sobre assuntos que não me despertam o mínimo interesse, de me ocupar com qualquer coisa que me faça não pensar no que ando a evitar pensar, porque para isso a solução é outra. amanhã tenho um prazo a cumprir e a pressão faz milagres. melhor ou pior vou cumpri-lo, claro. e mentalizar-me que para a próxima segunda-feira terei novo prazo para cumprir, esse então em verdadeiro tempo record, porque esta semana promete ritmo ainda mais alucinante do que a anterior. e assim em diante até 6 de junho. a data por que mais anseio desde o início do ano. pensar que já estamos em maio é acima de tudo compensador. e passar o dia do trabalhador a trabalhar, no meu caso, parece-me justo, já que nos restantes dias há muitos meses que não faço nada.


orelhas de burro:

as remixes do tv boy, neste momento hounds of love (phones' wolves at the remix) by the futureheads

sábado, abril 30, 2005

dance all night...

estava difícil, mas o cold roses do ryan adams já cá canta por inteiro desde ontem à tarde. foi o que mais tocou por aqui desde então, e foi também o mais procurado de entre os álbuns que tenho disponíveis no soulseek. gosto muito do single, let it ride, gosto muito do now that you're gone, e de muitas outras que mais do que eu estar aqui a enumerar nomes, vale a pena ouvir. dance all night é neste momento a melhor música do álbum e o vício dos próximos dias. não tem nada de especial, soa bem simplesmente. e é só disso que preciso por agora.


orelhas de burro:

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ryan adams & the cardinals - cold roses - 2005

sexta-feira, abril 29, 2005

a eterna censura......

não entendo por que é que se lutou e continua a lutar tanto para acabar com a censura na sociedade se depois, feitas bem as contas, na cabeça de cada um continuamos a riscar, cada um com com o seu próprio lápis azul, a maior parte das coisas que gostaríamos de dizer a quem realmente nos interessa. para o bem e mal, mas desconfio que mais para o bem do que para o mal. não entendo por que raio insistimos em dizer o que temos a dizer apenas em alturas de ruptura e quando sentimos que já não temos nada a perder, e aí então é que estamos perante o mais óbvio dos sinais de que já se perdeu tudo. acho que era mais produtivo começarmos a lutar pela liberdade de expressão a título individual sem o eterno medo das consequências, do futuro...

quarta-feira, abril 27, 2005

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a antena 3 fez ontem 11 anos. o ano passado por esta altura escrevi uma espécie de apanhado sobre o que me fez sentir que as comemorações também eram minhas. não vou repetir-me nem voltar a dizer que o cerne da questão está em ter sido através da antena 3 que comecei alimentar conscientemente o vício da música, nem no facto de ter sido através da antena 3 que conheci três pessoas de quem gosto muito e que são hoje grandes amigos meus - a mónica mendes, o josé mariño e o miguel quintão.

soube-me bem ontem depois deste tempo todo ter voltado a ficar colada à rádio durante horas dentro do carro. não sabia que haveria emissão especial a propósito do aniversário, muito menos que estaria entregue à mónica mendes. gosto muito da mónica, somos amigas e tenho muito orgulho nisso, cada vez mais, por tudo o que me tem ensinado, pelo modo como já me mostrou por várias vezes o significado das palavras frontalidade, integridade e respeito, independentemente das consequências em mente alheia. sempre gostei da ouvir pela postura de espontaneidade e naturalidade que tem na rádio. a rádio é isso. gostei de constatar que deste lado é a mesma pessoa. gostei de a ouvir ontem ao longo de daquelas quatro horas que apanhei por acaso e a caminho da faculdade. não houve aulas, voltei para o carro, perdi uma tarde de sol, de praia até, mas fiz questão de ouvir até ao fim, não só porque estava realmente a ser uma emissão do caraças, mas sobretudo porque estava novamente a ouvir a mónica no seu melhor, e a fazer aquilo para que nasceu, já lho disse várias vezes, e não sabia quando isso ia voltar a acontecer. ontem aconteceu. pela descontracção, pelo improviso que se impõe, pelos convidados, pelas conversas com os convidados. os momentos com o zé pedro e o henrique amaro em estúdio a recordar tempos de johnny guitar e música avariada, a conversa com o miguel cardona e a margarida pinto, as novas músicas dos coldfinger, a conversa com a sónia tavares e o john gonçalves e a música tocada em directo, o freitas a ler o trânsito, os parabéns em directo e, por outro lado, a secura nas palavras do director que fez questão de dar os parabéns aos ouvintes. os ouvintes ouvem a radio por quem a faz, gosto de pensar assim. e por isso, da minha parte os parabéns vão para a equipa. e sim, apesar de achar que por vezes a atitude em relação à nova música portuguesa é mais de condescendência do que outra coisa, acho que a antena 3 está outra vez a melhorar, só tenho pena de alguns desperdícios, mas isso já era entrar pelo campo dos treinadores de bancada (tv boy esta é para ti! :)) e eu gosto pouco disso até porque não é nada comigo. parabéns à antena 3!


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segunda-feira, abril 25, 2005

waking up.....

tendo em conta o estado zombie de que ainda não saí, nem sairei pelo menos, e na melhor das hipóteses, até amanhã, quando penso na tamanha surrealidade dos acontecimentos que marcaram o meu dia de ontem, dou por mim a pensar se tudo aquilo terá acontecido na realidade. terá o concerto do rufus dado mesmo aquela volta no encore? para chocar "cenas machas" ou não, enquanto cantar daquela maneira por mim pode fazer em palco o que bem lhe apetecer, até porque gosto sobretudo de genuinidade manifeste-se ela de que maneira se manifeste, e a veia teatral do rapaz não deve ser travada. e só espero que haja imagens do encore gravadas para a posteridade. sobre o pós-concerto, neste momento ainda só consigo pensar uma coisa... terei eu ouvido tanta atrocidade junta numa hora só, lá para os lados de sintra, para onde judas perdeu as botas? volto já, que descobri que tenho uma claque imbatível.

sábado, abril 23, 2005

freedom fighters....

stop by the bar entre as 02h-04h, de 24 para 25 - "rock & roll tangueta" para amigos, conhecidos e curiosos com o carimbo do burro.

the swimming years......

é este o mar que hoje me assusta e por isso me acalma, que antes me atraía quase cegamente. sabia que era só habituar os pés àquele frio que me gelava as ideias, passar a rebentação com dois ou três mergulhos dados em tempo record para não dar tempo ao medo de vir à tona de água nem às ondas de me levar de volta para a margem. não tinha a noção do perigo. sabia nadar e era na água que me sentia em casa, e isso naquela altura era tudo quanto me bastava. não tive sequer tempo para ter medo da água. a única vez que me lembro de ter receado pela vida no estado líquido devia ter eu quatro anos. nem sequer estava dentro de água, estava à borda da piscina do sport algés e dafundo, onde andei na infantil e na primária, e onde toda a gente tinha natação como outra disciplina qualquer. mas lembro-me que nao gostei da ideia de me atirar para dentro de água, sabendo que não fazia ideia como era suposto sobreviver lá dentro. era a primeira "aula". fui literalmente atirada pela professora para dentro da piscina. vim mais tarde a constatar que era prática comum para com todos os putos mais difíceis de convencer.

hoje quando penso nisto acho estranho não ter criado uma aversão a piscinas e uma qualquer fobia à água. mais estranho ainda, poucos anos mais tarde a mesma professora que me lançou aos tubarões naquele dia sem dó nem piedade, teve o descaramento de me convidar a aparecer nas aulas de natação da parte da tarde, já depois do horário das aulas, e no regime de pré-competição do algés enquanto clube desportivo. bizarro.... eu aceitei. gostava daquilo. e o que começou como uma brincadeira acabou por se tornar na minha grande responsabilidade da altura. mais até do que a escola. é que depois da pré-compretição veio a competição e com as coisas a tornarem-se cada vez mais sérias o sentido de responsabilidade disparou. os treinos diários que duravam horas, os tempos para melhorar, as provas ao fim de semana, os cronómetros, as medalhas, os adversários, o isostar e as bolachas de água e sal.

e hoje quando revejo mentalmente aqueles anos em que praticamente vivi na água as recordações são as melhores. o espírito de equipa que encontrei ali foi uma coisa que nunca mais voltei a encontrar em lugar nenhum. nunca tive espírito competitivo, e no fundo acho que foi isso que me fez largar tudo ao fim de uns anos. a pressão das provas deixava-me de rastos, mas aguentei-a durante anos porque o tempo que passava nos treinos compensava tudo. quando comecei a querer faltar às provas, percebi que não ia conseguir lidar com o aumento progressivo da pressão. eu gostava de nadar, não me interessava provar que era a melhor ou constatar que afinal já não era. foi ali que aprendi por mim o sentido da frase que tantas vezes nos era repetida, "ganhar ou perder é desporto". foi ali que aprendi a ganhar e a perder. todos os atletas têm epocas altas e baixas, eu não fui excepção, sei bem qual é a sensação de dar uma vitória à equipa e ao clube, e também sei bem o que é chegar num distinto último lugar. não tive outro remédio se não aprender a lidar com isso por mais humilhante que pudesse parecer. nenhum de nós era sempre o melhor, nem o pior. sabíamos disso. sabíamos que nada girava só à nossa volta. éramos um grupo e todos tínhamos a mesma importância, quer ganhássemos quer perdêssemos naquele dia. no outro era tudo diferente. tenho plena consciência de que os anos que vivi dentro de água foram determinantes para a formação da minha personalidade e moldaram muito do que são hoje os meus modos de acção.

sexta-feira, abril 22, 2005

beckoven......

estive hoje à tarde na festa da música, no ccb. não via aquilo com tanta gente desde... desde a edição anterior da festa da música, acho eu. sinceramente os concertos que ali vi até à data integrados no programa deste fenómeno de afluência que é a festa da música nunca me disseram grande coisa. acabo por ir mais por curiosidade do que outra coisa, até porque moro ali perto e não há semana em que não passe por lá por um motivo ou por outro. normalmente é mais pela esplanada, sobretudo quando está sol. mas é engraçado ver a quantidade de pessoas agarradas aos programas criteriosamente anotados e com os horários assinalados, a correr de sala em sala com os olhos postos no relógio, numa maratona de três dias de música da qual fazem questão de não perder pitada. calculo que estejam a armazenar para o resto do ano e acho que fazem bem. também gostava de ter essa capacidade de absorver um concerto ao mesmo tempo que controlo as horas, penso no nome da sala do espectáculo seguinte que ainda por cima e com sorte deve ser em alemão, e escolho o melhor momento para abandonar o recinto sem dar muita bandeira porque para chegar a tempo ao concerto seguinte tenho de sair deste antes da peça final. não é para todos, mas acho que fazem bem. e para o ano há mais.


orelhas de burro:

depois do beethoven ao bandolim, ao cravo e à flauta, o novo do beck em deluxe edition com que me presenteei há dias para curar a neura (também em deluxe edition), que foi entretanto à vida dela e me deixou em paz.

quinta-feira, abril 21, 2005

group therapy.....

houve muitas alturas em que lamentei não ter feitio para pertencer a um grupo, de amigos neste caso, daqueles que permanecem intocáveis durante anos e para o que der e vier. nunca consegui habituar-me à ideia de conviver diariamente sempre com as mesmas pessoas, e das vezes que tentei contrariar a minha natural tendência para o isolamento ou para os chamados sub-grupos, mais reduzidos e mais restritos, acabei na mesma por reforçar laços apenas com uma pequena parte do grupo. apenas com aqueles com quem a identificação era mais que óbvia logo na linha de partida. e apesar de me sentir bem assim, no meio de pouca gente, levei anos a perceber que não havia nada de mal em não fazer parte de um grupo, e que não era dali que vinha a minha sensação de não pertencer a lugar nenhum. ainda hoje me sinto à margem frequentemente, mas sinto também que com o passar do tempo fui inconscientemente aprendendo a desenvolver defesas invisíveis para me proteger dessa insegurança. o problema é que nem sempre consigo manter a frieza suficiente para as usar nas alturas em que mais jeito me davam. percebi há pouco tempo que há muito de positivo em não alimentar o culto do grupo. percebi que ter crescido em subgrupos, e ter cultivado amizades individuais em vez de colectivas ao longo destes anos todos, tem muito que se lhe diga. começo até a pensar que terá sido o melhor caminho que podia ter seguido, quem diria..... gosto de estar com pessoas diferentes, que me falem de coisas diferentes das que lhes falo, de coisas que não sei mas quero saber, que me oiçam de diferentes perspectivas. gosto de dar atenção às pessoas com quem estou, e é claro que gosto que me dêem atenção, e para isso não posso estar rodeada de muita gente, muita confusão, porque acabo por me dispersar, por me isolar. gosto de pensar que que depois de ter percebido tudo isto e de ter chegado à conclusão de que alguma coisa tinha de mudar em mim, eliminei uma boa parte da minha tendência para me isolar. gosto de pensar que foi com uma grande ajuda do meu grupo feito de subgrupos dispersos que o consegui. percebi que alguma coisa tinha mudado por fim quando naquele dia em que me fui realmente abaixo preferi sair e falar do assunto do que ficar sozinha a lamentar o sucedido como era meu hábito. achei que era importante dizer isto.


orelhas de burro:

neste momento i predict a riot dos kaiser chiefs, e já em estágio para domingo à noite.

everlong....

ainda estou para descobrir por que é que sempre que tenho dúvidas me exigem decisões para ontem, mas quando tenho certezas insistem em dar-me mês e meio para pensar. e assim me vejo enrascada em sucessivos círculos viciosos, este é só mais um. é que a certeza com que saí de casa esta manhã, vai desvanecer-se ao longo das semanas que a separam do dia em que terei de voltar a dar a mesma resposta, e nessa altura terei de o fazer mesmo que sem certezas. o arrefecimento das ideias tem destas coisas. acontece que desta vez eu não quero mudar de opinião.


orelhas de burro:

várias sequências mentais em simultâneo, outras tantas no papel, mas por enquanto tudo em silêncio.

quarta-feira, abril 20, 2005

anti-skin.....

enquanto continuarem a trazer aquela anomalia-gritante a portugal, ela não vai parar de passar na rádio. a meu ver isso devia ser uma prioridade de todos e de cada um. perceber isso é meio caminho andado para que se comece a restaurar o sistema nervoso do país. há que detê-los. há que detê-la. se a banda acabou por alguma razão foi. ela que se deixe estar sossegada, que nós queremos o nosso sossego de volta. aqueles gritos não podem ser de gente de bem. odeio a skin e descobri no domingo que a minha mãe também.

terça-feira, abril 19, 2005

let it ride....

a música nova do ryan adams faz-me bem. ouvi-a há uns dias em estreia na cave fm. comentei com o michael zag que mais parecia estarmos perante el ryan adams & the whiskeytown do que d'el ryan adams & the cardinals. claro como a água. e enquanto falava senti que estava a dizer uma frase feita, como a anterior, por ser tão óbvio... e porque havia eu de querer ensinar o padre-nosso ao vigário? :) nem quis trazer a música porque na altura, mais do que ouvi-la outra vez, apeteceu-me foi voltar aos discos dos whiskeytown. e fi-lo no dia seguinte, soube-me bem, acalmam-me, fazem-me parar, tal como este let it ride me acalma. porque não tem aquela carga melancólica que me atrai na música, não só ryan adams, e em que insisto em fixar-me porque parece que me diz mais assim quando me faz fixar o olhar no infinito. let it ride não tem nada disso, é leve, canção de viagem, para ouvir no carro, e consegue passar toda aquela sensação de sossego, liberdade e confiança no que está para vir, que invade os que se fazem sozinhos à estrada em busca de qualquer coisa que os faça sentir melhor no final da estrada. tenho passado a última hora a fazer refresh no site do artista. let it ride easy down the road...... let it go. fui.



orelhas de burro:

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ryan adams - cold roses - 2005

enquanto o álbum não chega por inteiro, pode abusar-se do primeiro single, let it ride.

segunda-feira, abril 18, 2005

respect a thin line....

em memória dos velhos tempos de insónias em que durante cerca de um ano acordei quase diária e pontualmente às cinco da manhã sem que conseguisse voltar a adormecer... hoje voltei ao mesmo, apenas com oito minutos de atraso. foi a partir das cinco e oito da manhã, que aproveitei para pôr a conversa em dia com a minha almofada. a conversa foi mais ou menos esta...


imagina tu que nem gosto de discutir. parece que me provocas, apenas para me veres reagir, mas quando reajo não gostas do resultado. mudas de assunto, ignoras o que te digo. fico fora de mim. tu sorris, falas por cima do que te tento fazer ver, mas tu não ouves nada. dizes apenas que adoras ver-me furiosa. tiras-me de sério e... tu sabes o que vem a seguir, já desisti de tentar evitá-lo. e imagina tu que nem gosto de discutir... preciso de espaço para poder conservar pelo menos uma parte do "meu" mundo, para poder ser eu, como em tempos disseste que gostavas de mim. como eu. na altura quis acreditar, mas hoje tudo o que dizes me parece prova em contrário. sinto-me estúpida, e parece que fazes questão em fazer-me sentir assim, sinto que tenho de estar permanentemente numa competição que não existe, e que insisto em perder para não acabarmos a discutir outra vez. não gosto de competições, nem de perder sistematicamente, nem gosto de discutir, já to disse? invadimos o espaço que combinámos manter neutro, e ingenuamente pensei que fosse possível reavê-lo. preciso de sentir de novo a mesma liberdade, a mesma que me disseste que querias conservar para ti e que eu fiz de tudo para compreender. hoje sinceramente não me apetece compreender mais nada. acho que és tu que tens de te entender. a ti e não a mim. sou tua amiga e às vezes acho que te esqueces disso porque a pressão é demais.

não tivesse eu a mesma almofada há quase tantos anos como os que tenho eu, e teria achado estranho que tivesse sido novamente a melhor conselheira. eu podia ter escrito isto.


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jurassic 5 - power in numbers - 2002

domingo, abril 17, 2005

home alone......

estou em casa porque tenho três trabalhos em atraso para fazer e entregar amanhã. apesar de ter tempo livre durante a semana para dar e vender acho sempre que ao fim de semana, ao domingo especialmente, é a altura ideal para dar andamento a estes trabalhos académicos que me fazem deitar as mãos à cabeça. ao mesmo tempo, tenho música nova para ouvir, que me apetece ouvir, porque estou em boa fase de absorção. nunca discuti isto com ninguém, se sou só eu ou se é comum a quem partilha do mesmo gosto pela música, mas há alturas em que o vício vem ao de cima de tal maneira que só depois de algumas horas de headphones nos ouvidos obtenho o efeito de escuta pretendido - a assimilação. na altura o conforto é impagável, mas alguns dias depois o preço é normalmente quantificado em facturas de otorrino, porque é ver a otite externa do costume a dizer i told you so..... sim, os trabalhos para amanhã..... eu sei, é só mais um mês e meio... e porque insiste o telemóvel em tocar quando não posso atender?


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tahiti 80 - fosbury - 2005

mais algumas boas tanguetas a pedir a chegada definitiva do sol de verão. longe do impacto pessoal do primeiro disco, mas ainda assim a faixa 3, here comes, em sequência mental com a i've got you memorized dos ivy, anda lá muito perto. vou continuar a ouvir. os ouvidos ainda estão sossegados.

what humans drink......

o porto tem a casa da música, lisboa tem a cave fm. de acesso restrito como convém à conservação do misticismo que invade todos quantos já desceram as escadas de admissão, é do santuário musical da encarnação, que tenho trazido grande parte das doses de música consumidas na última semana.

willy mason, um puto de dezanove anos que cresceu na ilha de martha's vineyard, com voz de quem já celebrou trinta anos de casado e conserva ainda o velho hábito do whisky depois de jantar e, quem sabe, pela noite dentro. falou com conor oberst no backstage de um concerto e o menino bonito dos bright eyes (banda pela qual nutro uma solene embirrância) incentivou e apadrinhou a estreia artística de willy mason, pela team love. o primeiro álbum chama-se where the humans eat, para trás fica um ep sem nome, e pelo caminho ainda concertos de abertura para os grateful dead, death cab for cutie, roseanne cash e ben kweller. o disco tem momentos menos brilhantes que outros, mas um timbre cowboy irresistível e uma sequência 4, 5, 6 que é fabulosa - where the humans eat (dedicada aos gatos do artista... não entendo porque é que há tantas mais dedicatórias a gatos do que a cães... só me lembro da do axl, i used to love her, a cadela, neste caso), fear no pain e hard hand to hold .


orelhas de burro:

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willy mason - where the humans eat - 2005

celadon....

foi bastante presunçoso da minha parte pensar que ao fim de mais ou menos um mês sem roer as unhas, já me aguentava sem as roer bem mais um mês, sem recorrer ao verniz endurecedor. resultado, agora que olhei para as unhas constatei que quatro já foram à vida, sem que tenha dado por isso. parece que até já sinto o cheiro e o sabor do verniz.... é pavoroso.

sábado, abril 16, 2005

poison ivy

os ivy são claramente grandes compositores de tangueta. não admira. o andy chase e o adam schlesinger são fãs dos prefab sprout e dos go-betweens, e a dominique durand gosta dos smiths. tudo malta dos primórdios da tangueta. gosta dos smiths, é francesa e canta em inglês na perfeição, porque em tempos trocou paris por nova iorque para aprender inglês. [vendo bem as coisas, pelo dinheiro que se gasta nos cursos do british council, cambridge, e outros que tais, vale bem mais ir directa ao cerne da questão]. os ivy editam música há dez anos, mais coisa menos coisa, têm quatro álbuns de originais (realistic, apartment life, long distance e in the clear), um de versões (guestroom), e uns quantos eps, fora os temas que têm editados em compilações várias. montanhas (como escrevia na quarta-feira passada um professor meu com quem embirro todas as segundas, terças e quartas, mas sobretudo às segundas) de boas tanguetas. e pergunto-me eu nesta altura do campeonato... como é possível que nunca me tenha dado para comprar nenhum disco dos ivy? mais grave... como é que até hoje não me apercebi disso? e de tal maneira estava convencida de que tinha não apenas um, mas dois discos da banda, que cheguei ao ponto de ir esta manhã convictamente à prateleira em busca do apartment life e do long distance. não os tenho, conheço-os de vista apenas, e no entanto podia jurar que os tinha. e foi assim que voltei de novo ao mais recente in the clear.

nothing but the sky leva-me automaticamente ao mundo privado dos cocteau twins, o mesmo de onde em tempos me recusei a sair durante alguns, bons, largos, meses, e onde temo voltar a entrar dentro em breve se continuar a ouvir esta faixa com esta insistência. uma entrada magnífica. thinking about you, a primeira música que ouvi deste álbum, é a típica canção que me faz gostar dos ivy - está lá a melodia do costume, o andamento rápido mas sempre em harmonia, os coros da praxe, o verão aí à porta. parece estar tudo no lugar certo. e não falo só desta música, falo do álbum todo, que me ensina por si só e mais uma vez o significado de consistência, porque não o consigo ouvir aos bocados, como gosto de ouvir os discos habitualmente. respeito a ordem sem sentir que a estou a respeitar... ainda que por vezes não resista à tentação de a meio do caminho saltar até faixa 8, i've got you memorized, para mim a melhor do álbum, a mais viciante de momento.


orelhas de burro:

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ivy - in the clear - 2005


certainties of chance

encontros e desencontros que só acontecem, uns e outros, quando os não esperamos. quando os procuramos, nem vê-los, já sei... e por mais anos que passem sobre esta lei universal, não há meio de me habituar à ideia. acho no mínimo desagradável da parte do acaso, que até à data até tem tido uma boa relação comigo, que continue a fazer-me ver, quando não quero, e em tudo quanto toco e para onde quer que me vire, quem não quero, quem não gosto, ou quem não quero gostar pelo menos por uns dias. pior, que me faça dar de caras com o problema nas alturas mais inadequadas - todas! - mesmo sabendo do esforço que fiz para o contornar e evitar o tipo de confronto de que normalmente saio a perder. acho que percebi finalmente que o acaso não é mais do que um aliado da minha consciência. só pode ser.


orelhas de burro:

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ben folds - songs for silverman - 2005

(...)
so why you gotta act like you know
when you don't know?
it's ok if you don't know everything

(...)

in bastard, faixa 1 - já devíamos nascer todos com esta ideia na cabeça e bem interiorizada.

quinta-feira, abril 14, 2005

planos póstumos....

já perdi a conta às pessoas que já me falaram bem do canal axn. sinceramente nunca me despertou grande interesse, até porque até há bem pouco tempo nem sabia em que canal da televisão estava sintonizado. mediante tantos elogios decidi dar o benefício da dúvida e perder alguns minutos a encontrar o canal perdido - 34. até hoje a única coisa que tinha apanhado foram séries espanholas, ou de outra qualquer nacionalidade, mas dobradas em espanhol, não sei ao certo qual é a versão correcta. até hoje. porque ainda há pouco, em mais uma tentativa de perceber a dinâmica da uniformidade de opiniões sobre o axn, apanhei parte de uma entrevista com os dismemberment plan, desfeitos em 2003.

a última vez que ouvi falar da banda de washington foi no mq3 a propósito do novo projecto a solo do vocalista travis morrison, cujo álbum de estreia se chama travistan e foi editado um ano depois do final dos dismemberment plan. é no mínimo estranho apanhar pela primeira vez na televisão uma entrevista com uma banda numa altura em que já cada um dos elementos foi à sua vida. principalmente, quando mais do que uma entrevista o que foi transmitido foi uma "introdução" à banda, em que travis morrison (vocalista) e jason caddell (guitarrista) procediam às devidas apresentações. aproveite-se a aberta para mais um regresso aos discos antigos que jazem esquecidos na prateleira, e para voltar a trasladar os mp3 do travistan da pasta my tanguetas para a biblioteca do windows media player.

o nome dismemberment plan foi inspirado numa cena do filme groundhog day (em português, o feitiço do tempo) com o bill murray, e que data de 1993, também o ano de formação da banda.


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travis morrison - travistan - 2004

quarta-feira, abril 13, 2005

fifteen going on fifty.....

sou péssima na elaboração de listas. exigem-me uma organização mental que para mim é um processo de tal maneira penoso, que raramente encontro uma situação que justifique pô-lo em prática. não querendo com isso dizer que sou uma pessoa desorganizada, antes pelo contrário, nem que gosto de trabalhar no meio do caos. cá me arranjo, mas não gosto, porque - lá está - a desorganização mental já é mais do suficiente. tudo isto para justificar que foram precisos cerca de cinco, seis anos talvez, para me convencer a fazer uma lista que não as de supermercado, que faço com alguma regularidade.

há coisa de dois meses dei início a uma lista que não terá fim. é feita de músicas que apesar de pouco ou nada terem a ver umas com as outras provocam em mim e de cada vez que as oiço uma reacção semelhante - um embrulho no estômago, fruto de uma nostalgia que não sei ao certo localizar, mas que me consome avidamente e sempre com a mesma intensidade das primeiras vezes que as ouvi. fico triste quando as oiço, a sensação de vazio não tem princípio nem fim porque também nao a sei explicar, sei sim que há dias em que não as posso pôr a tocar por ter as emoções demasiado à flor da pele, sob pena de me deixar levar por uma tristeza que até então não tinha reparado que estava ali.

sei também que quando caio na tentação de pôr uma delas a tocar vou desencadear um processo que não tem volta - vou ouvi-la vezes sem conta durante dias a fio sem conseguir sair dali, com a perfeita noção de que aquela canção só me faz mal, sempre fez, mas não quero sequer dar-me ao trabalho de a evitar. sabe-me bem enquanto está a tocar. gosto de sentir o estômago assim, gosto de pensar que haverá sempre músicas que me darão esta sensação de desconforto mas ao mesmo tempo de intimidade, gosto da ideia de haver músicas capazes de provocar reacções físicas, e ainda mais de as sentir.

a lista não está nem de longe nem de perto completa, tem neste momento quinze canções e a última actualização foi feita ainda há pouco - french kicks - the trial of the century. a ordem é completamente aleatória.isso já seria organização a mais.


following waves....

só tive pena de uma coisa... que todos os lisboetas que normalmente se lamentam por não terem ainda assistido ao carrocel de vaivéns que são habitualmente as noites zig zag warriors, por impossibilidade de deslocação ao norte do país, não tenham aproveitado a benesse deste fim de semana, na oficina do cais, no montijo, onde ainda que sem o zé pedro, o miguel quintão esteve a solo a animar as hostes até o sol nascer. o gang do costume, o mesmo espírito de festa e abstracção, porque uma vez dentro do barco não interessa o que fica lá fora, estamos bem ali, o dia seguinte ainda vem longe. e o tempo desaparece por entre as músicas que já fazem história entre os habitués, porque apesar de já terem histórias por trás, continuam a exibir o mesmo brilho com que soaram da primeira vez, ainda na rádio, mas agora o mais ao vivo que por enquanto lhes é possível entre nós, e a despertar as mesmas reacções que de tão espontâneas e descontraídas nos fazem sentir cada vez mais em casa.


orelhas de burro:

de novo o regresso à pista com o first of the gang to die já jogado entre os últimos cartuchos da noite, e o mesmo com que acordei na cabeça algumas horas mais tarde.

moving on.....

há neuras que não se explicam de maneira nenhuma. aparecem simplesmente. algumas entendêmo-las dias mais tarde, outras nunca chegam a ser explicadas, e também não interessa, porque na maioria dos casos no dia seguinte já desapareceram. sexta-feira passada foi assim. tinha todos os motivos para querer comemorar e estar no meio de confusão qualquer feita de música e amigos, porque de um momento para o outro vi resolvida uma série de impasses que todos esperávamos ver ultrapassados mais cedo ou mais tarde. ao mesmo tempo que vi as coisas resolvidas, percebi o alcance do desgaste provocado pela indefinição dos últimos meses. deixei o lux para outro dia, desliguei o telemóvel, agarrei nos headphones e em três discos e fui descansar. não me lembro de mais nada.


sábado, abril 09, 2005

sent by angels...

o bom das idas ao hard rock cafe é que regresso sempre a casa com "novos" discos para ouvir. novos no sentido de que a maior parte deles já estão de tal modo "arrumados" e adaptados à forma da prateleira que por vezes esqueço que estão ali. costumava ouvir os arc angels no saudoso "costa a costa" do pedro costa, aos domingos de manhã. foi depois de ter ouvido os black crowes no hard rock que me lembrei dos arc angels. na altura não me consegui lembrar do nome da banda. tinha a imagem da capa do disco na cabeça, as melodias do "sent by angels", do "famous jane", do "living in a dream", mas o único nome que ocorria era arcade fire. quando, já em casa, agarrei no disco e li arc angels dei o desconto à minha falta de memória. andava lá perto.

lembro-me bem, disso sim, do tempo que andei às voltas para descobrir que banda era aquela. depois da vitória de ter chegado ao nome arc angels, a frustração de não conseguir encontrar o álbum em lado nenhum. só o arranjei anos mais tarde, quando já tinha posto de parte a ideia de o comprar, numa discoteca de bairro algures em charlottesville, na virgina, usa, onde fui dar em 2001, curiosamente na companhia do pedro costa e do josé paulo alcobia que conheciam a zona como a palma da mão. de resto, como toda a costa norte-americana. os arc angels voltaram a tocar no leitor de cassetes do rádio do carro alugado. na rádio, frequentes referências ao regresso a casa da dave matthews band. tocavam nessa noite no scott stadium da universidade da virginia, com o neil young na primeira parte, para cinquenta mil pessoas.
hoje lembro-me mais daqueles dias, também de abril, quando oiço os arc angels, do que quando oiço a dmb.

charlie sexton, doyle bramhall II, tommy shannon e chris layton formaram os arc (austin rehearsal complex, onde começaram a tocar) angels em 1990 em memória do amigo, companheiro de estrada, ícone stevie ray vaughan, para quem compuseram o arrepiante e eternamente mágico "sent by angels".


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the arc angels - arc angels - 1992


sexta-feira, abril 08, 2005

new order... new indeed....

estou dependente do novo álbum dos new order. desde quarta feira que não oiço mais nada, ainda não consegui sequer passar ao disco de remisturas do "krafty" que vem com o "waiting for the sirens' call", se comprado na fnac. [desde já o meu agradecimento à mãe-john, que desta vez acabou por ceder ao pedido, quebrando por breves instantes a máxima vital "quem não tem dinheiro, não em vícios".] o bom do renascer obrigatório das sonoridades idas, é que actualmente é possível ouvir um disco de uma banda do tempo de nossos irmãos mais velhos, de nossos pais mesmo, com a sensação de que estamos a ouvir um aglomerado de putos de dezanove anos que ainda nem sabem como arranjaram meios para gravar um disco, quanto mais pensar em fazer da música um modo de vida. ouvir hoje o novo single dos new order na rádio deu-me um gozo do caraças. não sei o que dizem as más línguas, mas a mim soa-me a novo, soa-me bem. não me parece de todo que seja caso para dizer, como costuma ser nestes regressos emblemáticos, que deviam ter ficado quietos lá atrás. continuam a fazer canções com a mesma leveza, a mesma harmonia, a mesma consistência, a mesma cafeína, os mesmos aditivos que me fazem empancar aqui e não conseguir seguir em frente. sinto-me bem ao pensar que daqui a dez anos vou voltar a pegar no disco e reconhecê-lo de uma ponta à outra. não falta muito. porque apesar do tempo real, o disco ouve-se do princípio ao fim em dez minutos mentais. ninguém diria que passou mais uma hora. o que é bom acaba depressa....


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new order - waiting for the sirens' call - 2005


geração de 70... a nova... a minha



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peguei no exemplo dos queijinhos frescos porque acho que é um dos mais representativos. a geração de 70, a nova, está a pouco e pouco a tomar consciência do passar do tempo e a pensar cada vez mais no que ficou para trás, coisa que enquanto se é "novo" não acontece porque os olhos estão vidrados no futuro.

Houve ali uma altura, já não sei bem precisar quando, que sentia uma frustração enorme por não conseguir perceber que raio de alegria saudosista era aquela que os amigos mais velhos - que na altura eram tinham uma importância do tamanho deste mundo e do outro – deixavam transparecer quando falavam dos anos ontem. Ainda não tinha passado tempo suficiente para que sentisse falta do que quer que fosse, estava tudo tão próximo…. E fazia-me especial confusão como é que a indefinição do futuro não lhes parecia mais interessante do que o que já tinham vivido.

Tudo isto foi gradual, mas houve um dia em que parece que abri os olhos. Naquela tarde no café, em vez dos planos para as férias que aí vinham, a conversa desviou para os episódios do verão de há quatro ou cinco anos. E de repente, em todo o lado se fala do dartacão, do tom sawyer, do belle e sebastião, do bocas, do agora escolha, esse mítico programa de todos nós que tínhamos tardes inteiras para passar em casa colados à televisão. E a ana faria e os queijinhos frescos, claro, um ícone sagrado recordado há umas semanas na rtp memória com uma inesquecível entrevista de marco paulo a ana faria. terá sido a cantar aquelas adaptações clássicas às histórias do joão quer ser cowboy, do luís quer ir a paris, do miguel dos olhos de mel, da clarinha olha as pombas, que muitos que agora perdem a noção do tempo a ouvir os franz ferdinand ou os killers experimentaram pela primeira vez a sensação de estar agarrado a um disco, ou não tivessem as crianças essa grande apetência pela repetição. ouvir música cantada por putos como nós, devíamos ter quatro ou cinco ano, tinha na altura uma importância fulcral, porque sentíamos nos sentíamos equiparados aos adultos. era sinal de que conseguíamos fazer tudo como “eles”, mas sempre dentro do nosso próprio mundo, à parte, até com canções à nossa medida. [e o engraçado foi ter dado de caras, quinze anos mais tarde, um dos queijinhos frescos na faculdade]

Tirando isto tivemos ainda os polícias e ladrões, os índios e cowboys, os ministars, os onda choc, a turma do balão mágico, os woodpeckers from space, tudo coisas que ainda guardo em vinyl, seja de 33 ou 45 rotações. Há muito mais, tudo coisas que permitem um verdadeiro regresso ao passado, expressão que me lembra também os incontornáveis programas de domingo à tarde do eterno júlio Isidro [que só a título de curiosidade… vai ao mesmo dentista que eu].

Hoje estamos em condições de ter saudades dos velhos tempos. Voltei a constatar isso outro dia numa entrevista da rita ferro rodrigues ao rui unas num encontro marcado na sic mulher. Metade da entrevista foi ocupada com recordações deste tipo, com saudades do passado, com pena de que os nossos filhos não vão viver as coisas da mesma maneira que nós as vivemos. E foi durante aquela hora que percebi que por mais ano menos ano que nos separe houve coisas que marcaram a nossa geração num todo. Todos temos saudades de chegar da escola e ir brincar para a rua até à hora de jantar, altura em que os pais vinham à janela gritar pelos filhos. Todos jogámos às escondidas atrás dos carros; andámos de patins debaixo das arcadas contra a vontade das porteiras porque riscávamos o chão todo, mas ali o piso era mais liso; todos fizemos corridas de bicicleta na praceta depois de jantar, sem capacete nem protecções de qualquer tipo. E é por isso que hoje todos temos os joelhos cheios de pequenas cicatrizes, resultantes das quedas sucessivas no alcatrão. E depois do curativo feito lá íamos nós outra vez, e mesmo que as feridas nos doessem até aos ossos ninguém se queixava porque de outra maneira os pais não nos deixavam voltar a pegar na bicicleta naquele instante. E um instante naquela altura tinha a dimensão de uma eternidade.

Hoje já há distância suficiente para perceber o que era afinal aquela intrigante alegria saudosista. Já passou tempo suficiente para ter saudades de certas coisas que ficaram para trás e já houve vivência suficiente para perceber que afinal o futuro nem sempre é como nós o imaginámos. Mas continua tudo tão próximo….. a geração de 70, a nova, está aí em força, para dar continuidade à obra do pessoal com quem aprendeu tudo o que sabe.


quinta-feira, abril 07, 2005

be cool....

percebi ao telefone que nao estavas bem, mas julguei que fosse impressão minha. a mesma impressão com que fico quando me despachas em três tempos e me dizes adeus. "até logo" soa melhor, já to disse, mas agora insistes no "adeus" porque sabes que me irrita. estava a ouvir-te falar ainda há pouco sobre tudo o que passaste hoje e dei por mim a reviver uma série de coisas, tu sabes quais, que me deixaram assim completamente à toa, como estavas hoje. não te consegui dizer grande coisa porque na altura lembro-me que ninguém me podia dizer nada. senti que ninguém estava perto de compreender o quanto aquelas palavras me tinham magoado. não pelas palavras em si, mas pelo alcance que tudo aquilo teria de futuro, porque para trás ficara uma total entrega e várias certezas absolutas que de um momento para o outro foram postas em causa... foram abaladas e o chão tremeu, deixei de ver e ouvir por uns segundos que pareceram horas. afinal eu nao era quem eu pensava que era. para eles, só para eles. porque de resto, com o tempo, consegui voltar a convencer-me de que o problema não era eu, nem meu, nem do meu mau feitio, nem da minha "insolência", nem da minha "má vontade". o problema é que as coisas não mudam e quem as quer mudar será sempre "conflituoso" e "problemático", mas o engraçado é que nada avança sem "conflitos" esporádicos. e talvez por isso esteja tudo na mesma há anos, e assim vá continuar por tantos outros. porque aqueles que põem em causa o estabelecido acabam sempre à borda do prato, quer seja por decisão própria, quer seja por decisão de quem se julga de direito. estou farta de incompetência, estou farta de ratificar a hipótese de que para se ser sr director do que quer que seja há que primeiro demonstrar que se é, das duas uma, ou parvo/banana ou arrogante/incompetente/amigo do chefe da porta ao lado. não vale a pena dizer-te mais nada, sabes melhor que eu, bastante melhor indeed, que tens é de te concentrar na tal objectividade que tantas vezes dizes que me falta, e deixar de lado as emoções. aquelas que dizes que me atrapalham porque me dominam por completo, e com razão. dominaram e continuam a dominar. mas o tempo faz mesmo milagres. e fez-me constatar por mim que afinal quando me diziam que cair fazia bem para criar/reforçar defesas era mesmo verdade. beijos. be cool. desprezo neles.


quarta-feira, abril 06, 2005

i'm ready...

desde o fim de semana passado que ando a ouvir os new order compulsivamente. não o álbum novo, que tenho ouvido aos bocados e sempre de fugida nas idas diárias à fnac chiado com que tenho ocupado parte dos meus dias de "seca" mas ainda assim movimentados e bastante turísticos, mas sim o anterior, o "get ready". enquanto nao deito a mão ao "waiting for the siren's call" para o conseguir ouvir de uma assentada de uma vez por todas, já que dos excertos que ouvi quase todos me parecem potenciais singles, achei por bem dar o passo atrás. e agora que voltei a ouvir o "get ready" é que me apercebi que desde que comecei a ter de me organizar para ouvir música este deve ter sido dos discos que mais vezes ouvi e que durante mais tempo andou desarrumado.

e digo isto, não porque na altura em que saíu tenho gostado assim tanto do álbum (gostei muito, mas nada que se compare com certos exageros que me atacam não raras vezes), mas porque hoje quando volto a pegar em discos comprados nos últimos cinco anos, mais coisa menos coisa, são raros os que conheço de cor de trás para a frente e da frente para trás. conheço os singles, conheço as músicas que mais gosto, as capas e não passa disso. o "get ready" é de 2001, também não foi assim há tanto tempo que o ouvi, mas de qualquer maneira, gostei da sensação de depois destes quatro anos em que esteve arrumado ao lado dos new radicals, o disco me ter soado tão familiar como se nunca tivesse saído do leitor de cds.

gostei de reconhecer as músicas todas do disco e de o ouvir do princípio ao fim sem ter sequer a tentação de saltar músicas e fazer a minha própria ordem de escuta, como faço sempre com todos os discos, como sempre fiz. o impacto foi maior porque para além de até aqui nunca me ter apercebido que gostava tanto do disco, só costumo encontrar esta familiaridade musical fora de prazo ou em discos que se tornam vícios, ou em discos que comprei ali até à primeira metade de '90, já lá vão dez anos ou mais, e a minha geração 1979 já se apercebeu que isso não pode ser bom sinal... será que vamos ser como os das gerações anteriores à nossa que dizem que em '60, '70, '80 é que se inventou tudo? será que daqui a uns anos vamos andar a dizer aos putos de agora que estão a crescer com o r&b e o hip hop mtv, que em '90 é que era? vamos cair no erro de repetir tudo aquilo que tanto nos irritava....

não se diz a um puto de quinze anos que o rock que ele ouve agora já foi feito por outros há vinte anos e ainda por cima... melhor. ele chega lá por ele. pode demorar dez anos, mas acaba por perceber se assim for. voltando aos new order, não são da minha geração, não me marcaram em nada, não associo episódios-chave da minha vida a músicas da banda, ainda sempre me soaram muito bem quando os ouvia mais por acaso do que outra coisa. a ver se para este concerto vai haver bilhetes à venda...



orelhas de burro:

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new order - get ready - 2001



segunda-feira, abril 04, 2005

kaiser chiefs na 1ª parte....(?)

depois de toda a conversa fiada que tem havido sobre o assunto não sei se se irá concretizar ou não, mas diz que os kaiser chiefs também vão fazer a primeira parte do concerto de que todos falam, em alvalade. para amostra, ficam as datas de agosto dos meninos de leeds, divulgadas na mailing list da banda:



AUGUST
5 - HALDERN FESTIVAL (Germany)
7 - BARCELONA NOU CAMP STADIUM with U2 (Spain)
9 - SAN SEBASTIAN ESTADIO DE ANOETA with U2 & Franz Ferdiand (Spain)
11 - MADRID ESTADIO VICENTE CALDERON with U2 & Franz Ferdinand (Spain)
14 - LISBON AVALADE with U2 (Portugal)
20 - V FESTIVAL, Chelmsford
21 - V FESTIVAL, Stafford

show me the music.....

tenho constatado nos últimos meses, e mais ainda nos últimos dias, que mais difícil do que não poder comprar discos novos de artistas/bandas que agora estão a surgir, é não poder comprar os discos daqueles nomes cuja carreira tenho vindo a acompanhar ao longo dos anos, e dos quais hoje tenho discografias não completas, mas compostas. o recurso ao download tem sido a solução, mas ultimamente a quantidade de música nova que me interessa ouvir tem sido tanta, que para além de por dois meses consecutivos ter excedido o limite netcabo (e os senhores não se fazem pagar nada mal, antes pelo contrário....), estou a ficar cansada deste sistema. das buscas diárias e sucessivas até que apareça algum resultado daquilo que abdo à procura, da espera que o único utilizador que tem o disco que me interessa esteja online, da instabilidade da velocidade de ligação, de ouvir música no pc.... o processo de "aquisição" por vezes é de tal maneira demorado e complexo que quando finalmente consigo o disco na íntegra já nem o posso ver, quanto mais ouvi-lo. acaba por ficar para ali junto do resto dos mp3, que a pouco e pouco já comecei a apagar por não me dizerem rigorosamente nada naquele formato por muito que goste daqueles álbuns. nunca os oiço e ocupam muito espaço. sinto falta da comodidade de chegar a casa com o disco na mão, tirar-lhe o plástico e colocá-lo no leitor de cds. era o meu vício. não era autodestrutivo, nem me fazia mal à saúde. estou só à espera de uma aberta ter a primeira recaída. primeira de muitas.


domingo, abril 03, 2005

ai os imortais, os imortais.....

há pessoas com quem criamos fortes empatias sem que saibamos explicar porquê. mesmo que aparentemente não haja nada em comum, a ligação está lá ainda que ao longe, e só sentimos até onde vai o grau da empatia em situações limite. o mesmo acontece em relação a figuras públicas. a mim pelo menos é frequente isso acontecer.

acredito em deus (apesar de não achar que tenho de escrever a palavra com letra maíscula), tive uma educação católica, sou baptizada, sei o pai nosso e a avé-maria de cor, fiz a primeira comunhão e a primeira confissão apesar de nunca ter percebido o que querem que uma criança de 11 onze anos diga ao senhor padre... lembro-me q na altura inventei qualquer coisa tipo "menti à professora de inglês". assim ao menos já teria resolvido o problema do que dizer na confissão seguinte. apesar de conseguir ver alguma lógica em todo o funcionamento da igreja católica, nunca entrei bem na rigidez do cumprimento das inúmeras regras/leis que todos conhecemos pelo que nunca as cumpri, sempre abominei o sentimento de culpabilização que passam de geração em geração, e nunca fui à missa ao domingo apesar de gostar de visitar igrejas e de sentir uma paz quando lá entro que poucas outras coisas têm o poder de proporcionar.

estive no estádio do restelo numa das vindas do papa a portugal. não me marcou de forma alguma, não me lembro de nada, a nao ser da confusão de gente. nunca tive qualquer espécie de afinidade com o papa, daquela de que falava no início. habituei-me a vê-lo como um velhinho de ar simpático, com bom fundo, com uma força incrível. mas sempre muito ao de longe. habituei-me a ouvir dizer que estava doente, mas que não cedia a entraves e continuava a viajar apesar de todos dizerem desde sempre que a saúde está primeiro. e cada vez mais doente. e mais uma viagem. é assim que me lembro do papa - em viagem, a sorrir, a acenar, o olhar doce e brilhante. nao quero sequer reter as imagens que imaginei ao longo destes últimos dias com base na cobertura televisiva do assunto.

foi quando liguei a televisão anteonte de manhã e vi na barra da tvi a frase "papa está a morrer serenamente" que percebi que afinal tinha a tal empatia com o senhor. fiquei em estado de choque, senti o coração acelerar e não acreditei no que estava a ler. era forte demais para o dia das mentiras, mas naquele momento apercebi-me que com o tempo, e sem dar por isso, me fui habituando à imagem do papa como de um homem que resistia a tudo. até à morte. e dei-me conta de que estupidamente e infantilmente nunca tinha pensado que um dia o coração não resistiria mais. há pessoas que tomamos como garantidas para sempre. mesmo sem as conhecer. é a tal imortalidade dos sentimentos. mesmo que não haja nada em comum. e ontem quando cheguei a casa e li já perto das quatro da manhã a notícia da morte do papa no público online não consegui reter as lágrimas. mesmo que para mim o domingo seja um dia qualquer. e todos sabemos que os sentimentos não se explicam. as empatias.


quinta-feira, março 31, 2005

in and out...

não gosto que me questionem lá fora sobre o que escrevo no burro. é meu. é pessoal. é mais um diário do que qualquer daqueles que mantive em tempos. é para ser vivido, questionado, comentado, o que quer que seja, mas aqui dentro. lá fora, a conversa é outra, a postura é outra. não gosto de levar a vida "virtual" lá para fora, já basta o tempo que passo a teclar e a olhar para o ecran.

as pessoas que me conhecem da vida lá fora (e que nao sabem da existência do burro) terão com certeza uma imagem minha bem diferente das que me lêem aqui. pelo simples facto de que há coisas que escrevo, que raramento digo. é que só a escrever encontro a frieza e a distância necessárias para arrumar certas ideias e complicações que cozinho mentalmente. escrever sobre e expor essas complicações aqui é a maneira que encontro para as ultrapassar na vida lá fora. e conseguir depois falar sobre elas com um encadeamento que permita a mais alguém, para além de mim, perceber o que quero dizer.

quem me conhece apenas do burro, do que aqui lê, sabe mais dos meus dramatismos interiores do que muita gente que lida comigo regularmente lá fora. é normal. não ando por aí a apregoar que me sinto inútil todos os dias, quando me perguntam corriqueiramente se está tudo bem comigo. claro que está tudo bem comigo. mal estão aqueles que aparecem todos os dias nas notícias.

tomamos café, passamos a tarde a falar de filmes, de férias passadas, de tempos de inter rail, do que me falta para acabar o curso. está quase. estamos desempregados. é mau porque o dinheiro escasseia, já nao se compra nada sem olhar o preço, sem olhar primeiro para o que resta na carteira, sem fazer contas, sem pensar numa desculpa que justifique a compra. é mau por isso tudo. mas sobretudo por tudo aquilo de que não chegamos a falar. a impotência interior de não conseguir sair desta situação pelos próprios pés. sobre isso escrevemos ao chegar a casa para sentir que nao ficou nada por dizer.

quem me conhece lá de fora e lê o burro, saberá fazer o devido enquadramento. e se assim for´é possível que me conheça melhor do que eu porque me observa com um distanciamento que nunca me será permitido. saberá mais de mim do que aquilo que eu julgo que sabe. porque não sei ao certo quem lê o que escrevo, nem até que ponto me leva a sério. nao é para levar. porque quando escrevo deixo-me levar, e digo mais do que quero dizer sem notar que o estou a fazer. escrevo a quente, no automático, porque preciso de passar certas coisas que de outro modo que não o automático não passaria. é o poder da terapia, do verbo embriagar, do mr brightside, do let go e deixar andar. é que a escrever posso ser mesmo quem eu quiser. coisa que lá fora demora uns bons aninhos a conseguir. mas e daí..... eu sempre gostei mais de tudo o que dá luta. posso ser difícil, mas também tenho uma especial atracção por dificuldades e casos impossíveis. e escrever é demasiado fácil.....


quarta-feira, março 30, 2005

how near how far...

a distância tem muito que se lhe diga. mesmo que seja apenas temporária, mesmo que o temporário não tenha fim definido, mesmo que o regresso e a reaproximação sirvam tão só para constatar que entretanto nada mudou, que a distância afinal só funciona quando se mantém... à distância, e se assim a quisermos conservar. há dias em que parece a única solução viável, mas há outros em que as certezas da obrigatoriedade do regresso são plenas. situem-se as palavras no contexto que se quiser... emocional, pessoal, profissional, não interessa. a mim neste momento só me interessava saber situar o regresso. no plural, talvez. regressos. preciso disso. e preciso de música. a manhã hoje rendeu. muita música nova, nomes até então para mim desconhecidos na maioria dos casos, posterior investigação, audições sucessivas, colectâneas caseiras novas, utilidades imaginadas e nada mais do que isso. uma rotina e um método que a distância desvanece, mas que de um momento para o outro voltam ao de cima. regressam, porque há certezas que ainda são fortes. algumas. outras nem por isso, resta agora convencer-me disso e seguir em frente.


Orelhas de Burro

o novo single dos tahiti 80 - "what next", que faz parte do novo álbum fosbury. uma das novidades do dia de hoje.



terça-feira, março 29, 2005

time and time again....

estranhamente ainda não consegui dar o devido valor à mudança da hora. passo o inverno a pensar que no verão é que o tempo rende porque é de dia até muito mais tarde. e digo-o porque na realidade no inverno os dias se me acabam mais cedo. este ano a novidade é que com o adiantar da hora tenho sentido o tempo a fugir. é possível que seja pela proximidade da mudança, mas também é verdade que isto nunca me aconteceu. cada vez que olho para o relógio parece que já passou mais um par de horas e eu não saí do mesmo sítio, nem tão pouco fiz nada que se visse. talvez seja isso e o tempo apenas uma muleta. the end has no end......


quinta-feira, março 24, 2005

easter sweet easter.....

levava a cabo mais uma desintoxicação de chocolate há coisa dez dias. mais uma. acabei de encontrar mais uma desculpa para interromper esta tortura abstémia, que tem em muito contribuído para o meu humor de cão dos últimos dias: estamos na páscoa. há ovos de chocolate por todo o lado, amêndoas de tantos tipos que acredito que haja mesmo alguma espécie que agrade mesmo àqueles que não gostam de amêndoas. eu quando não gostava de amêndoas, gostava daquelas de licor. raramente as provava, eram muito caras, hoje serão mais ainda. não ligo muito aos doces da páscoa, tão pouco me sinto tentada a comprar aqueles ovos-embrulhos gigantes. mas quando olho para aquela ostentação toda, não consigo deixar de pensar que não como chocolate há um ror de dias. tenho resisitido e tentado enganar o vício com outros hábitos. hoje não me apeteceu fazer-lhe frente. acabei de dar início às comemorações da páscoa com um mini-toblerone só para mim. apesar de não ser grande fã da especialidade, soube-me tão bem que nem me sinto culpada. felizmente não tenho guylian por perto. nos tempos que correm há que ter cuidado porque os dentistas são, cada vez mais, artigos de luxo.

vou comer amêndoas com os avós. façam o mesmo. boa páscoa a todos!


comédias...

sou um bocado reticente em relação a filmes de comédia. gosto de comédias românticas a la meg ryan e julia roberts, os chamados filmes de domingo à tarde, mas fico sempre de pé atrás quando um filme se intitula, logo à partida, de cómico. está mais do que constatado que o que nos faz rir é o inesperado. alertam-nos para isso nos primeiros anos de escola. quando uma pessoa cai, tropeça num degrau na sala de cinema porque entrou atrasada e está tudo escuro, vai contra um poste, um vidro que de tão bem lavado se torna invisível, tudo isto tem graça na vida real porque são coisas que não acontecem a toda a hora. ora, quando as coisas se passam no cinema o caso muda de figura. acho que se exige um bocado mais de quem escreve um argumento. e ou eu vi durante muitos anos as comédias erradas, ou então não tenho um sentido de humor assim tão apurado. não gosto de ir ver um filme "para rir". e na maioria dos casos em que vejo comédias dessas que não suporto, mas que por um motivo ou outro acabo por ir ver, fico com a nítida sensação de que metade das pessoas na sala passam o tempo todo a rir, não porque estão realmente a achar graça, mas porque sabem que aquilo é um filme onde se devem rir. "doidos à solta", "ace ventura" e grande parte dos filmes dos jim carrey (para grande frustração minha que sou grande fã do actor... felizmente nos últimos tempos a coisa tem melhorado bastante), e ainda coisas como "onde pára a polícia", e algumas palhaçadas do bill murray... nao passo do primeiro intervalo.

e depois há as outras comédias. as que ou fogem ao óbvio, as que são feitas de uma maneira mais subtil e não me fazem sentir que alguém esteve a pensar em cenas para me fazer rir. e volto ao bill murray. fui ver o life aquatic um bocado de pé atrás, e durante o filme arrependi-me várias vezes de o ter ido ver. mas às tantas o nonsense é tanto, que no final, olhando para o filme como um todo, parece que já me consigo rir de tudo aquilo que não achei graça nenhuma enquanto as cenas estão a decorrer. há ali coisas hilariantes, o david bowie revisto pelo seu jorge, o willem dafoe a fazer de bonzinho e rapaz sensível (just that), a importância do papel de carta, a seriedade do barrete, a emoção do aparecimento do tubarão-jaguar ao som do staralfur e o olhar petrificado da tripulação... fora tudo o resto. o filme tem um sem fim de sketches cómicos magníficos, mas como filme, como comédia, continuo a preferir o tipo de humor da sequela do ocean's eleven. e aí ao menos sei que todos os que fizeram o filme devem ter-se divertido mais do que qualquer um de nós. e isso para mim devia ser a base de qualquer comédia.

quarta-feira, março 23, 2005

celebrity skin

quem vai a concertos com alguma regularidade, já terá dedicado algum tempo a pensar, pelo menos uma vez ou outra, na disparidade de públicos que se encontram por esse mundo de palcos fora, mas cá dentro, dependendo das salas em que decorrem os ditos concertos. por maior abertura de espírito e poder de encaixe que queira/tente ter, não consigo deixar de me sentir um bocado "fora d'água" quando vou ver certos artistas/bandas ao ccb, por exemplo. digo por exemplo porque já percebi que não tem a ver com a sala, mas sim com o tipo de música em questão, ou com o próprio artista. que me lembre, já senti o mesmo na aula magna, no são luiz e no coliseu. acontece que este tipo de situações ultimamente só me tem acontecido no ccb. que situações?

fui ver a diane reeves ao ccb ontem à noite. o meu tio é fã de música, apaixonado incondicional pelo jazz e volta não volta, quando vem a lisboa, eu sou levada nestas andanças jazzísticas, mais ao vivo do que em disco, confesso.... mas voltando às tais situações... ver concertos em salas repletas da chamada gente bonita, elegante e divertida, eles de fato, gravata e gel à discrição, elas de vestido comprido e cabelos armados (e só não digo muito encaracolados porque... enfim... não posso falar muito!), não me parece uma coisa natural.

assim como não me parece uma coisa natural ver fotógrafos por tudo quanto é lado no recinto, que parecem mais empenhados em fotografar a audiência do que os músicos em palco. quem são afinal ali as "celebridades"? decidam-se. por alguma razão as luzes da sala estarão apontadas para o palco e não para a assistência. e terão os músicos consciência do público para quem estão a tocar? eu estou em crer que sim, mas custa-me a entender que optem por tocar num ambiente daqueles em vez de irem animar um espaço informal, ao ar livre até, tocar para gente que vai a concertos.


de resto... a senhora tem claramente uma qualquer força interior que é expelida através da voz. não imagino o que teria sido aquele concerto num espaço como o jazz na relva de paredes de coura. de preferência debaixo de chuva. a comunhão seria maior do que a que se vive nas cenas musicais "do cabaret para o convento".


terça-feira, março 22, 2005

mar adentro

«disseram-me onde estavas, e voei até aqui.»

a cena é lindíssima. o filme também.
nunca sonhei que estava a voar, acho que já tenho uma dose mais do que bem aviada de voos mentais enquanto estou acordada, mas conseguir imaginar voos como aqueles que podem ver-se janela fora em "mar adentro" deve ser um segredo bem guardado.

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