segunda-feira, fevereiro 14, 2005

such great heights

ainda em slow-motion mode e desta feita com a sensação de que não só regressei a casa depois das férias, mas que também me passou um camião bimbo por cima, o meu esqueleto diz-me que tinha realmente passado tempo demais sobre a última sessão zig zag. como dizia hoje à m&m por tlm pouco depois do difícil e mui atrasado acordar, "estou como hei-de ir". sinto que abri um pulso, fiz uma rotura de ligamentos na perna direita, uma distensão muscular na esquerda, desloquei uma omoplata, e estiquei ao limite todos os tendões dos pés, que agora me provocam cãibras permanentes quando dou dois passos. it's all in my head.... era previsível and i feel fine. power out!

sábado, fevereiro 12, 2005

contra gripes e constipações...

zig zag warriors - sábado, 12 de fevereiro - swing - porto

depois da curta (mas que já acabava, pois já!) temporada do descanso dos guerreiros, eis que zé pedro e miguel quintão estão de volta ao activo e a dar música ao pessoal as usual e como já vem sendo hábito a nuorte do país. enquanto lisboa não acorda, é sempre bom ter um pretexto destes para visitar o porto com regularidade. já estou com saudades... acho que a sensação é mesmo aquela do regresso a casa depois das férias.





train in vain...

estive três semanas sem carro e a lamentar o facto de não ter podido tirar partido convenientemente das férias. um dia depois de o ter ido buscar à oficina, vou apanhar o comboio para o porto e deixá-lo dois dias parado à porta de casa.


manteiga de amendoim

sou grande fã do filme meet joe black. já sei que naquela meia-hora final choro tudo o que tenho para chorar porque lido muito mal com despedidas e neste filme sinto que estamos desde o início a acumular a tensão de que no final as vai haver de certeza, mas continuo a gostar de ouvir contar aquela história. insisto nos visionamentos reincidentes, sobretudo desde que aproveitei a promoção da fnac e comprei o filme por oito euros, mais coisa menos coisa. de cada vez que vejo o filme, acabo a pensar num pormenor diferente. há ali muitas histórias. muita consciência. no entanto, e para desdramatizar as minhas tempestades em copos de água da última semana, achei piada ao facto de ontem ter constatado que da última vez que vi o filme o que me ficou a remoer cá dentro até agora sem que tivesse dado por isso não foi nenhum mal moral... foi aquela obsessão do mr joe black pela manteiga de amendoim. também é verdade que eram quase três da tarde e ainda não tinha almoçado, mas ainda assim... enquanto andava à procura de um queijo xpto nas prateleiras frias do pingo doce de algés, e estando fartinha de saber que não gosto mesmo nada de manteiga de amendoim, quando vi o frasco ali a olhar para mim senti-me um bocado "joe black". não consegui evitar e arrumei-no no cesto sem pensar duas vezes. gastei 2,5 euros numa coisa que só quando cheguei a casa me lembrei que não gostava. [filipa, quando puderes passa cá por casa, que tens ali mais um frasco...]


sexta-feira, fevereiro 11, 2005

psico-qualquer-coisa

há dias em que tenho a nítida sensação de que devia pôr os meus problemas à disposição dos outros. todos. desde os de impossível resolução aos que só existem na minha cabeça, aqueles que lá nascem e sucumbem sem que ninguém faça a mais pequena ideia de que li vivem e me consomem por dentro. e quando falo em "outros" não falo em especialistas, psicólogos e muito menos psiquiatras. já passei pela experiência e não me dei bem. o problema não foi de ninguém em particular. eu já estava demasiado habituada a ser eu a analisar-me para deixar que outra pessoa o fizesse, ainda para mais com diagnósticos divergentes. e ele não me levou a sério. riu-se. foi irónico. big mistake! mas não o posso censurar, e ainda assim acho podia ter feito um esforço para tentar perceber as minhas convicções. quando falo em "outros" falo em toda a gente. expor uma situação que me atrofia a alguém que tenha a pachorra de me ouvir com ouvidos e ouvir e o distanciamento necessário para me dar uma solução. mesmo que não conheça a pessoa, talvez assim até seja melhor. não é essa a vantagem dos psico-qualquer-coisa? é claro que se põem logo outras questões pertinentes... é que é muito raro eu conseguir seguir um conselho que vá contra a minha maneira de ver as coisas. ou seja, tenho o péssimo hábito de no final de contas só fazer o que me dá na gana. valha-me depois a integridade de saber arcar com as consequências para o bem e para o mal. chegava-me metade da consciência com que lido diariamente desde que me conheço. e é por estas e por outras que andei esta semana toda a agonizar como há muito não agonizava por uma coisa que se resolvia precisamente da maneira oposta àquela por que optei e levei teimosamente às últimas consequências. mas só hoje consegui ver isso. e voltei ao meu estado normal. tou farta de posts depressivos..... haja paciência! é que ainda por cima tenho sempre tendência a resolver as coisas das maneiras que mais me deitam abaixo... serei mesmo auto-destrutiva? terá sido realmente da temporada na incubadora?

i missed you....

e agora, o que fazemos?

vi o garden state ontem à noite. a identificação é inevitável. não só pela coincidência do número 26, que este ano trago nas costas desde janeiro, mas sobretudo pela sensação de abstracto que se respira em relação ao futuro. e ao presente, até. dá-me um certo conforto ser de vez em quando chamada à realidade de que nem toda a gente nasceu já com a vida toda planeada na cabeça, na família, no sangue, nas heranças, nos amigos. ver que afinal nem toda a gente sabe desde os cinco anos que quer estudar engenharia no técnico ou direito na ucp, como o pai, como a mãe, ou como o pai e a mãe não puderam. e vinte anos mais tarde a profecia concretiza-se. ver que nem toda a gente sonha sequer passar pela universidade, quanto mais casar no ano a seguir ao curso terminado. e que os filhos não têm necessariamente de vir dois anos depois para aos trinta e cinco se poder começar a viajar e pensar em comprar a casa de férias. afinal a incerteza existe aos 26. ou melhor, aos 26 não existe outra coisa que não a incerteza. pode haver sempre uma certeza, porque há, nem que seja apenas uma, nem que seja a mais óbvia, mas no meio de tanta abstracção é difícil ter isso em mente. sobretudo quando se vê tudo tão desfocado, com lítio ou sem ele. eu sabia lá o que queria fazer da vida quando tinha cinco anos... queria as férias de verão para ir para a praia... queria lá saber do técnico... nem hoje quero. gosto de descobrir e de seguir por caminhos sem grande definição. mas mentiria com todos os dentes se dissesse que não dava tudo para sentir um dia a segurança e as certezas de quem vive a vida por etapas previamente definidas e, mais importante, que as consegue cumprir. evitaria pelo menos o desgaste de pensar todos os dias - e tantas vezes nos últimos meses, nos últimos dias... - o fatídico lema da casa dos 20 e tal "e agora, o que fazemos?". e com sorte até encontraria a resposta perdida.


quinta-feira, fevereiro 10, 2005

jackie brown... long time no see...

à boleia de umas colectâneas caseiras que me encomendaram na semana passada - e que deslizam neste momento algures entre desfiladeiros de neve e saunas mistas na áustria - recuperei uma série de discos/ músicas que já não ouvia há anos, que já nem me lembrava que tinha. apesar de durante o cumprimento da missão ter rogado várias pragas à empreitada em que me meti voluntariamente, percebi no final, já com os discos na mão e as capas impressas, por que razão sou incapaz de recusar este tipo de "desarrumações" musicais. é que uma ideia que começa com cinco discos termina com cinquenta. óptimo. ajuda-me a perceber por que motivo a minha conta poupança habitação não cresce há vários anos. regrets? como as coisas estão, mesmo que os meus escassos investimentos tivessem sido canalizado de maneira mais "atinada", acho que neste momento não teria nem discos nem casa própria. assim sempre me posso dar por contente por poder redescobrir certos discos todos os dias... discos como este...


Orelhas de Burro:



quarta-feira, fevereiro 09, 2005

how convenient...

" a rfm é como o amor. está em todo o lado. ou devia estar... (risos)"

in rfm, ontem à tarde, depois dos wet wet wet cantarem o "love is all around". até a espanha chegam, onde mais querem estar? e já não falo da internet.

o que eu gosto destas graçolas simpáticas para agradar a gente gira e super divertida...


enjoy the silence...

ontem não fiz mais nada a não ser pensar. nos escassos momentos em que me consegui desligar do óbvio-not-so-obvious cheguei a algumas conclusões de extrema importância para a minha humanidadezinha, mas que não interessam nem ao menino jesus. ainda assim, houve uma que me deu mais que pensar... sempre achei que há uma música para cada ocasião, para cada pessoa, para cada estado de espírito... sempre tive discos para as chamadas emergências, letras que traduzem na perfeição o que sinto no momento e que põem preto no branco o que na altura não consigo admitir nem a mim mesma, melodias que me fazem sorrir a qualquer custo. tudo isto é verdade. mas apenas para o bem. quando me decreto em estado de emergência nem sequer sou capaz de escolher um disco para ouvir, quanto mais uma música uma que me faça sentir melhor... confirmei ontem a regra. cheguei à conclusão que a agitação mental é de tal ordem que mesmo que ponha um disco a tocar nem sequer o oiço. o barulho é muito. e o silêncio acaba por ser o melhor remédio. não me incomoda, nem dou por ele. aquela sensação de que há músicas que têm o poder de nos fazer reagir no matter what, é um false friend. já desisti de a querer pôr em prática à força. é que para além de eu não ficar a sentir-me melhor, acabo por estragar a música... de cada vez que a ouvir mais tarde, vou associá-la sempre à crise de ontem, anteontem, ou a outra qualquer. e não quero isso. it's no good.


pés na terra...

ontem foi um dia mau. daqueles em que olho para o relógio de dois em dois minutos na esperança de que já sejam horas de ir dormir porque não vejo motivos para estar acordada. e porque vejo sempre no dia seguinte o fim do que quer que seja que me deixa assim. o tempo não passa. e depois apercebo-me que nunca tive horários para dormir pelo simples facto de que não os consigo respeitar. se acordo de noite, por que não hei-de adormecer de dia? porque quase nunca consigo... mas ontem o desgaste era tal que acho que dormi o dia todo, mesmo quando saí, mesmo na praia... fez-me bem, aterrei... hoje já não vejo o copo meio vazio, nem penso que a tempestade é que vem depois da bonança. levantei-me cedo para compensar o tempo que desperdicei ontem por um erro também provocado por mim. tenho agora consciência de que se voltasse atrás não agiria da mesma maneira. já conheço bem esta sensação e ja me fez perder muito tempo. enough is enough... too late... my (favourite) mistake, my problem... o sufoco é meu, agora é insuportável, mas já sei que com o tempo passa... passa sempre. e quando voltar, porque volta sempre, logo se vê.


e o bom disto tudo é que nem dei pelo carnaval.

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

el dillon smokin' rock face

one for the weekend entre dos tierras...



unfocused free falling...

há coisas que actualmente vejo tão desfocadas na minha vida, que não acho possível que algum dia venham a concretizar-se. e nada me convence do contrário porque não há rigorosamente nada que me incentive a pensar de outra maneira. sempre foi assim. fui? já nem falo da sensação de ver tudo muito ao longe, ainda que a espera me custe este mundo e o outro, porque me tem feito muito bem aprender a controlar as crises de ansiedade. falo do vazio de não ver de todo, que é uma coisa que me assusta. por mais que goste de surpresas, a expectativa que tenho tendência a criar em torno das coisas na maioria das vezes não compensa a espera. sobretudo quando não as vejo. e depois... mesmo que o desfecho seja sempre o mesmo, não há meio de conseguir agir by the book.

e o desfecho comprova sempre que as coisas só acontecem quando deixamos de pensar nelas. e o alívio que se sente quando finalmente conseguimos ver com toda a nitidez o que quer que seja que no dia anterior não passava de uma mancha sem contornos, só é superado pelo alívio ao quadrado de constatar que ao final de alguns anos conseguimos deixar de pensar no que quer que seja que nos perseguia, em quem quer que seja que nos consumia. e aí sim, é possível conseguir começar a discernir alguns contornos. o importante é não criar dependências desfocadas..... é que pior do que não ver, é ver e deixar de ver.... se eu conseguisse cumprir a regra....

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

turista acidental

correndo o risco de ser vítima de algumas pragas, invejas e maus olhados virtuais vou dizê-lo na mesma. hoje passei um dia sem qualquer obrigatoriedade de horários. já não sei há quanto tempo não me sentia tão à deriva, e pelos vistos o que me ia na cabeça era bem visível on the outside. o que tinha marcado, desmarquei, e decidi tirar o dia para mim e aproveitá-lo a la turista... mas sem mapa! não que tenha andado a ver as vistas, nem museus, nem nada de especial, depois de me ter cruzado por um feliz acaso com o rico perto das amoreiras, acabei no monumental a ver o incontornável (literalmente, está em tudo quanto é paragem de autocarro da cidade de lisboa) aviador, que ainda nem sem se gostei se não... fiquei com a impressão que tudo só começou a fazer sentido depois de terem passado duas horas e um quarto de filme. adiante... sair de casa sem rumo definido, a pé, apanhar o primeiro autocarro que nos lembre de um destino aprazível sem que para lá chegar tenha de atravessar meia lisboa... isso não existe, convenhamos... odeio autocarros. já depois de ter chegado a casa percebi que do que mais tinha saudades nestas raridades temporais sem horários é de poder sair do autocarro quando me apetece e ir a pé até onde quiser ir. porque simplesmente estou farta de estar sentada, porque enjoo no pára-arranca quando não vou eu ao volante, porque... porque tenho tempo. ou melhor, porque não tenho carro...


e fica assim tirada a prova dos nove de que se eu não conduzisse e não me deslocasse de carro para todo o lado no dia a dia não conseguiria fazer metade das coisas que faço habitualmente em 24h.

cinema ávila - lisboa

a selecção é feita com base em escolhas da crítica - estes são supostamente os melhores filmes de 2004. se são mesmo os melhores ou não, é com cada um, eu gosto muito da oferta, e como a maioria faz parte da lista de filmes que perdi por terem sido exibidos em temporada de alienação minha, faço tenções de aproveitar a reposição.

cinema ávila (av. duque d'ávila), a decorrer desde 27 de janeiro e até 30 de março.
os bilhetes custam 2,5 euros
sessões: 14h30/ 17h/ 19h30/ 22h - com excepção para o kill bill 2 (14h30/ 18h/ 21h30)


fevereiro

dias 2 e 3 (4ª e 5ª) - os friedmans - andrew jarecki
dias 4 e 5 (6ª e sábado) - os sonhadores - bernardo bertolucci
dias 6 e 7 (domingo e 2ª) - brown bunny - vincent gallo
dias 8 e 9 (3ª e 4ª) - a paixão de cristo - mel gibson
dias 10 e 11 (5ª e 6ª) - bom dia, noite - marco bellochio
dias 12 e 13 (sábado e domingo) - o candidato da verdade - jonathan demme
dias 14 e 15 (2ª e 3ª) - primavera, verão, outono, inverno... primavera - kim ki duk
dias 16 e 17 (4ª e 5ª) - noite escura - joão canijo
dias 18 e 19 (6ª e sábado) - o grande peixe - tim burton
dias 20 e 21 (domingo e 2ª) - 21 gramas - alejandro gonzalez iñarritu
dias 22 e 23 (3ª e 4ª) - agente triplo - eric rohmer
dias 24 e 25 (5ª e 6ª) - kill bill 2 - quentin tarantino
dias 26 e 27 (sábado e domingo) - má educação - pedro almodovar
dia 28 (2ª) - belleville rendez-vous - sylvian chomet


março

dia 1 (3ª) - belleville rendez-vous - sylvian chomet
dias 2 e 3 (4ª e 5ª) - diários de che guevara - walter salles
dias 4 e 5 (6ª e sábado) - eternal sunshine of the spotless mind - michael gondry
dias 6 e 7 (domingo e 2ª) - farenheit 9/11 - michael moore
dias 8 e 9 (3ª e 4ª) - a costa dos murmúrios - margarida cardoso
dias 10 e 11 (5ª e 6ª) - olhem para mim - agnès jaoui
dias 12 e 13 (sábado e domingo) - antes do anoitecer - richard linklater
dias 14 e 15 - (2ª e 3ª) - a história de marie e julien - jacques rivette
dias 16 e 17 (4ª e 5ª) - finding neverland - marc forster
dias 18 e 19 (6ª e sábado) - lost in translation - sofia coppolla
dias 20 e 21 (domingo e 2ª) - wanda - barbara loden
dias 22 e 23 (3ª e 4ª) - 2046 - wong kar wai
dias 24, 25 e 26 (5ª, 6ª e sábado) - a vila - m. night shyamalan
dias 27 e 28 (domingo e 2ª) - os super-heróis - brad bird
dias 29 e 30 (3ª e 4ª) - o regresso - andrei zvyagintsev

at the movies

em dia de estreias, e na ressaca de uma das maiores banhadas que apanhei nos últimos tempos (boleia arriscada, o nome diz tudo...), preciso urgentemente de ver outro filme que me impeça de cair em mais um período de abstinência cinematográfica.... às vezes duram meses... é o tempo, é o dinheiro, é a falta de concentração, é a agitação que me impede de estar quieta na cadeira (ficam as desculpas a quem costuma ir comigo ao cinema..... filipa, miguel, catarina, gonçalo, eu sei que é irritante!) são os dvds e é, por fim, a falta de hábito... mas o não ir ao cinema é um tipo de alienação que faço por contrariar com unhas e dentes. faz-me falta, mesmo que não dê logo por isso, faz-me ver as coisas de outra maneira sem a sensação de lição de moral que às vezes me impede de aceitar certos conselhos que só anos mais tarde vejo que eram os mais acertados... porque mesmo que o filme seja moralista sei que a lição não é para mim... e se não é para mim, consigo vê-la com maior frieza, o que me faz "aceitá-la" mais facilmente sem a sensação de frustração de que estou apenas a fazer o que me mandam... é meio caminho andado para fazer oposto, mas vá lá que ainda assim às vezes ainda acordo a tempo.


quarta-feira, fevereiro 02, 2005

smokin' rock faces

eu não fumo. ou melhor fumo que nem uma chaminé, a partir do momento em que me assuma como fumadora passiva inveterada que sou. percebi a gravidade da situação desde o dia em que a mãe da filipa, já há uns bons cinco anos, se dirigiu a mim com um ar desolado para me perguntar por que motivo tinha eu começado a fumar. não comecei. na generalidade o cheiro do tabaco não me incomoda no momento em que o cigarro está aceso. o que não suporto é o resto do fumo que se entranha na roupa, no cabelo, nas mãos, na pele, e que levo para casa, onde ninguém fuma, e onde por isso mesmo o cheiro se torna ainda mais activo, ao ponto de, quando estamos perto da marquise todos conseguirmos detectar em poucos minutos quando o vizinho de cima está a fumar à janela. tudo isto para chegar onde...? às fotografias. não tenho qualquer afinidade com o tabaco, nem especial sensibilidade para a fotografia seja a cores ou a preto e branco, como já tive oportunidade de escrever há alguns dias. acontece que quando se juntam as duas coisas o caso muda de figura. o efeito do fumo numa imagem a preto e branco é qualquer coisa de digna de ser registada para a posteridade. e, se calhar até por não fumar, continuo a achar que um cigarro na mão dá sempre um estilo cool numa fotografia. talvez porque não se sinta o cheiro a fumo fora de prazo.



texas, i miss you...

estou sem carro há uma semana e meia. o porta-chaves aka texas já não anda a caminhar para novo há muito tempo e desta vez o internamento teve de ser mais prolongado. depois da sensação de falta de liberdade que marca sempre os primeiros dias de quem se vê sem transporte próprio de um dia para o outro, tive de me habituar à ideia de que andar a pé só me faz é bem, e de que em algés passa tudo quanto é transporte público. nestes últimos dias tive de voltar a descobrir as alegrias dos autocarros, do metro e do eléctrico. não vou dizer que é muito mais prático chegar a lisboa de transportes públicos do que de carro porque não é. prefiro mil vezes encarar a saga do estacionamento (até porque não é à toa que o meu texas foi apelidado de porta-chaves nem é por acaso que dizem que tenho karma parking) do que todas as especificidades inerentes ao dia a dia dos transportes públicos. não vou dar exemplos porque toda a gente sabe que uma viagem de autocarro, por mais rotineira que seja, dá sempre azo a histórias do arco da velha. é tão mais cómodo ter o carro à porta.... ainda assim, há bocado dei por mim a pensar que nestes últimos dias, mais do que para me deslocar, o texas tem-me feito mais falta para pôr as ideias ordem... quem conduz sabe com certeza que o tempo que se passa no trânsito é precioso para pôr as reflexões pessoais em ordem ao fim do dia. desde que estou sem carro que a confusão mental aumentou a olhos vistos... preciso de conduzir. e na marginal de preferência.

brendan benson e outros que tais...

a par do grandioso regresso do puto-not-so-puto-anymore australiano também conhecido por ben lee, e que este ano consegue o impossível, ao destronar em três tempos o nashville do josh rouse do top do meu leitor de cds avariado for good, é com muito gosto que assinalo também o lançamento (antecipado pela net as usual) do novo disco do brendan benson, alternative to love. ainda que por enquanto me pareça mais fraco que o anterior Lapalco, que fui obrigada a recuperar para matar saudades do trio imbatível folk singer, what e good to me, e apesar de não me parecer que haja ali tantas canções imediatas, estou em crer que com as audições sucessivas com que me vou entreter nas próximas semanas, já vou ver o alternative to love com outros olhos. verdade seja dita... quase que sou incapaz de manter a imparcialidade em relação à música do josh rouse. talvez esteja a exagerar, mas tenho consciência de que não ando muito longe da verdade... :) e mesmo assim, tive de admitir - e já o fiz (não, já não tinha febre!) - que assim que ouvi o awake is the new sleep do ben lee pensei de mim para mim que aquele disco batia aos pontos os nashville do josh rouse. ora, depois disto é normal que todos os discos que agora oiça ao mesmo tempo me soem a medianos. preciso de me distanciar do que tenho ouvido nos últimos dias para formar opiniões sobre que discos for. e por isso também ainda não peguei no novo dos mercury rev, nem dos pharcyde, nem do chris stamey...


Orelhas de Burro:



brendan benson - alternative to love - 2005


confirma-se... duas horas depois o tema-título não me sai da cabeça. venha o resto.

domingo, janeiro 30, 2005

el dillon

o maradó que me perdoe, mas depois de ouvir o volume two da saga bob dylan que a antena 3 tem estado a apresentar ao fim de semana via alvaro costa, não consigo voltar a ignorar o livro que tenho ali no cimo da estante em lista de espera. o volume one. e só tenho pena de não ter o another side of bob dylan já aqui pronto a ouvir. volto a el diego logo que possível.


Lou Levy, top man of Leeds Music Publishing company, took me up in a taxi to Pythian Temple on West 70th Street to show me the pocket sized recording studio where Bill Haley and His Comets had recorded "Rock Around the Clock - then down to Jack Dempsey's restaurant on 58th and Broadway, where we sat down in a red leather upholstered booth facing the front window.

Lou introduced me to Jack Dempsey, the great boxer. Jack shook his fist at me.
"You look too light for a heavyweight kid, you'll have to put on a few pounds, You're gonna have to dress a little finer, look a little sharper - not that you'll need much in the way of clothes when you're in the ring - don't be afraid of hittinf somebody too hard."

"He's not a boxer, Jack, he's a songwriter and we'll be publishing his songs."

"Oh, yeah, well i hope to hear 'em some of these days. Good luck to you, kid."



bob dylan, pag.3

escrever para a parede...

não somos iguais, claro que não somos. não quis dizer isso, nem nunca o quis dar a entender. no momento em que isso acontecer, nem o digo, pura e simplesmente desapareço. não era a primeira vez nem seria a última. tenho pensado casa vez mais frequentemente que todos devíamos ter a possibilidade de olhar para a nossa vida pelos olhos dos outros, de fora. poupávamos de certeza muito tempo a tomar certas decisões e a pôr em prática uma série de conversas que já tivémos com a almofada vezes sem conta, mas que assim que o dia clareia voltamos a pôr uma pedra sobre o assunto. até à insónia seguinte. o mal está sempre em pensar demasiado sobre as coisas, em analisar tudo e todos à nossa imagem e semelhança, em querer adivinhar o que pensam os outros, como reagem, como respondem, o que sentem... não adianta. é involuntário. temos de ter um ponto de referência, e acabamos sempre por ser nós o termo de comparação. mas também não adianta. porque os outros não foram criados à nossa imagem e semelhança. e por muito que gostássemos, não nos podemos ver como referência para nada, para ninguém. cada um tem as suas. e por mais que continuemos a cair no erro de acreditar que do outro lado as reacções, os pensamentos, as atitudes, os sentimenos vêm de encontro aos nossos, isso raramente acontece. até eu já percebi isso. às vezes esqueço-me, mas isso é problema meu... não somos iguais, pois não. mas temos pressa, muita. e quanto maior a velocidade, maior o embate...

whatever it is...

o bom de viver e sentir tudo intensamente é que tão depressa vejo o fim do mundo ao virar da esquina, como no minuto a seguir já nem me lembro do que me tirou o sono nas noites anteriores.... para além do fenómeno da respiração alternada com que me tenho visto a braços por causa desta constipação que não me larga. quando oiço uma música como a que ouvi há bocado, uma das novas do ben lee, whatever it is, não há egoísmos, nem crises de meia-idade (sim, acredito que na minha geração ninguém vá muito para além dos 50), nem assuntos mal resolvidos, nem dores de ouvidos, nem nada que me interesse.... whatever it is... it's all about you.... it's all yours.... awake is the new sleep - so wake up! i will......


Orelhas de Burro:




ben lee - awake is the new sleep - 2005

primeira impressão... do que ouvi hoje do disco, e depois da semi-decepção melódica que foi o anterior e mui próximo hey you yes you, este awake is the new sleep é para mim, e sem sombra de dúvida, o melhor álbum que o ben lee editou até à data. o fio condutor está de volta. o mesmo fio que faltou no hey you e que me deixou à nora com a sombra da dislexia sonora que a meu ver assombra os discos do mr conor oberst, cujo mundo a meu ver é feito de espaços onde nada tem a ver com nada. preciso de harmonia. a dislexia interior já é suficiente. neste awake is the new sleep as melodias estão de volta, sim as tanguetas, as histórias, as harmónicas, tudo. o ben lee está de volta. pode ser que alguma operadora de telemóveis dê por ele.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

me, myself and i

às vezes assusto-me a sério com a enormidade de certos ataques de egoísmo que me atingem sem mais nem menos e sem que me aperceba do grau de estupidez das atrocidades que me passam pela cabeça nessas alturas. em relação a mim e em relação aos outros. felizmente, na maioria dos casos ainda consigo ter o bom senso suficiente para guardar essas crises existenciais só para mim... é que depois de cair em mim, e de tomar consciência do quão egoísta fui/sou por coisas tão parvas mas que naquele momento me parecem decisivas, e mesmo que por vezes só em pensamento, é um alívio saber que a crise nasceu e morreu ali. comigo e apenas com aqueles que sabem que não sou melhor nem pior que ninguém mesmo quando alguém/alguma coisa me cega por completo.

terça-feira, janeiro 25, 2005

jornais, jornais, jornais...

não costumo ter dificuldade em deitar tralha fora quando mergulho em arrumações, até porque normalmente é com essa finalidade que as faço. não sei porquê, quando chega à altura de pôr ordem na secção das revistas e jornais não consigo desfazer-me de nada, ou é com uma enorme sensação de culpa que o faço. para as revistas ainda vou arranjando espaço, agora os jornais já não sei mesmo o que lhes hei-de fazer. às vezes já dou por mim a evitar comprá-los e a ler emprestados, para depois não ter de me obrigar a pô-los no lixo. estou a meio de uma tarde de arrumações daquelas de caixão à cova, acabei de arrumar as revistas e não sei o que faça agora com o monte de blitz, dn+ e y que tenho ali em cima da cama. é provável que não volte a ler nada do que ali está, mas não consigo livrar-me desta sensação de que um dia ainda poderei vir a precisar disto. não sei é para quê.......

rock faces - forever young.....

the world's top rock 'n' roll photographers and their greatest images é o subtítulo do livro "arrumado" por oliver craske, onde foram reunidas fotos de algumas rock faces como o título do livro indica. um mundo assim definido.... "where everybody is beautiful and nobody grows old".



radiohead
one of danny clinch's favorite contemporary bands, on new york's 6th avenue. december 1997. das minhas também. danny clinch é o fotógrafo.

back to rufus

li agora a confirmação da música no coração de que o rufus wainwright vai mesmo fazer a primeira parte do concerto dos keane no dia 10 de março. não sei se faz sentido ou não, nem me interessa se a maioria das pessoas que lá forem o façam com a intenção da sair no intervalo. eu pessoalmente não acho grande graça aos keane, ouve-se bem mas não me animam, mas se lá for é para ficar até ao fim. gosto do novo álbum do rufus, se bem que não o ache nada fácil. comparado com o want one, o want two é um disco que exige muito mais disponibilidade auditiva, pelo menos a mim exige porque não é tão imediato, nem as melodias são tão óbvias. o want two é muito mais clássico, no sentido de menos pop, e no sentido de grandes influências da formação clássica do artista. há por ali momentos mais próximos da pop one que agarram de caras como o the one you love e o gay messiah, que se não me engano até já foram apresentados no concerto da aula magna, mas na generalidade são canções que se aprendem a ouvir e a descobrir, que não se esgotam a si mesmas. para além daquelas mais fáceis que adoro, gosto muito dos ares franceses da hometown waltz. pode ser que até março me passe a sensação de que ainda é muito cedo para estar a ver outro concerto do artista. deste, definitivamente, sou fã. mas parece que foi ontem que o vi na aula magna. e com tantas bandas novas para trazer a portugal.... parece-me desperdício trazer o mesmo artista num intervalo tão curto.

os bilhetes custam 20 euros (até já parece um preço barato... ao que isto chegou!) e a primeira parte começa às 21h. os concertos são no coliseu dos recreios.

segunda-feira, janeiro 24, 2005

u2 - mais bilhetes a prestações?

acabei de ouvir na antena 3 o nuno brancaamp da ritmos & blues a dizer que os bilhetes dos u2 vão estar à venda a partir de fevereiro e custam 53 euros. o concerto afinal é dia 14 de agosto (aniversário da minha avó), a digressão é que chega à europa a 10 de junho, e os bilhetes vão ser vendidos por fases. primeiro só para fãs e depois para o resto do público. não ficou foi explicado como será analisada a fasquia que separa o estatuto de "fã" do de "resto do público". há espectáculos que podem valer todo o dinheiro e mais algum, mas se estes preços viram moda em portugal não há noção de fã que nos valha. depois das multas, temos de começar também a pagar a prestações para ver concertos. eu que achava que estaria incluída no lote "resto de público"... se pago esta quantia para ver o concerto, devia ter o direito de entrar directamente para o clube de fãs dos u2.


domingo, janeiro 23, 2005

radio or not

estou farta de ouvir e proferir sempre as mesmas queixas em relação à rádio em portugal. outro dia dei por mim a querer à força que uma colega da faculdade mudasse de opinião em relação ao "estilo" rádio comercial. fez-me confusão ao sistema que uma pessoa de 20 e poucos anos se identificasse com o tratamento por você (e mesmo que fosse por tu...) e com o tipo de "disparates malucos" (foi esta a expressão utilizada) que os "animadores" dizem. por momentos entrei numa espécie de curto-circuito mental, mas felizmente caí em mim. não tenho nada que estar a tentar fazer com que alguém deixe de gostar de uma coisa que lhe dá prazer, quando não está a prejudicar ninguém com isso. talvez a ela própria... não consigo deixar de voltar à ironia, porque penso sinceramente que aquela cena estupidifica quem ouve. mas não tenho de pregar nenhuma mensagem de alerta a quem não sente falta de mais.

e porque até já a mim me chateio por estar sempre a bater na mesma tecla, apetece-me dizer que me tem dado um prazer enorme ouvir os especiais que a antena 3 tem estado a transmitir aos sábados e domingos entre as 21h-22h. álvaro costa, henrique amaro, josé paulo alcobia e nuno calado foram alguns dos responsáveis pelos programas que apanhei até à data e que tenho pena de não ter gravado, mas a falta de espaço começa a ser por demais evidente cá no estábulo... melhores/piores filmes 2004, jeff buckley, josh rouse, música brasileira, rem, bob dylan deram o mote para as explorações mais recentes, e também as primeiros que me vêm à cabeça. gostei de regressar ontem, sábado, ao mundo dylan pela mão do especial do alvaro, que me lembrou mais uma vez que depois da maradó-bio tenho à espera o volume one das chronicles do pai dylan para consumir, e fez-me também pôr de lado os mp3 dos chemical brothers e do maximilian hecker e voltar a pegar nos discos do senhor e nas harmónicas mentais. e apesar de não ter grande afinidade com a sonoridade dos mão morta, curti ouvir a selecção musical a cargo do mr adolfo que preencheu a emissão de domingo que chegou agora mesmo ao fim... muita música francesa, e que por estar a ouvir e a escrever ao mesmo tempo, não registei e já não consigo identificar... lembro-me do nick cave e dos yeah yeah yeahs... os warlocks não tocaram pq o adolfo esqueceu-se do cd no carro... houve mais coisas familiares e coisas desconhecidas, que no entanto soaram bastante bem na rádio... sem "disparates malucos" [eu tinha dispensado apenas a última música...].

fotografia... com cor e a cores

nunca tive especial sensibilidade para a fotografia. vejo exposições de fotografia com alguma regularidade, mas quase sempre a correr. não gosto que me tirem fotos nem gosto de as tirar. a máquina fotográfica é um objecto que me foi quase sempre indiferente. tive uma minolta em tempos de que gostava muito, mas que desapareceu não se sabe bem onde nem porquê. durante anos a minha mãe insistiu que eu a perdi, que a deixei nalgum lado, que se a arrumasse sempre no mesmo sítio tal não tinha acontecido... eu neguei sempre. ainda hoje não sei o que é feito da máquina, mas quase ponho as mãos no fogo em como não a deixei esquecida por aí. a partir daí não voltei a mostrar qualquer tipo de interesse em arranjar outra máquina. gosto de observar bem as coisas, de escrever sobre elas, fixar imagens soltas, mas raramente sinto necessidade de registar momentos em formato foto. chegando ao ponto de apanhar um comboio ou um avião para sítios onde nunca estive e esquecer-me de arrumar a máquina na bagagem. não levo. quando me apetece fotografar compro uma descartável.
no verão passado vi a aldeia dos meus avós com outros olhos. apeteceu-me fotografar os caminhos de cabras enquanto não são alcatroados. e os pormenores da casa que me fazem sentir ali tão em casa. e por ali não havia descartáveis. vi na pública, se não me falha a memória, uma breve sobre uma maquina nova da olympus. verdade seja dita, o que me chamou a atenção foi a variada selecção colorida em que está disponivel este novo modelo, e não as características técnicas da máquina. consta que não é má, mas que arranjo sem grande dificuldade o mesmo por preço mais baixo. mas não em azul, laranja, nem vermelho. assim...



é com uma destas que me apetece fotografar. com cores e a cores. preto, branco, cinzento dão outro toque, também gosto, mas com fumos. prefiro a cor. por dentro e por fora.

bingo!

prestes a deixar os festejos aquarianos em stand-by por algumas horas em que mergulharei convictamente num sono profundo até que me apeteça voltar ao de cima, posso dizer que apesar de todas as incertezas inerentes à organização de um jantar de aniversário que me marcaram a semana passada acho que tomei a decisão certa. decidi finalmente contrariar a tendência de convidar por convidar, de convidar para não ofender, de convidar porque convido sempre, de convidar porque me convidaram... no fundo, de convidar sem vontade. este ano para evitar a confusão costumeira nestes eventos, e por razões de ordem muito prática que se prendiam com a lotação do famoso e concorridíssimo kome kala, fixei a fasquia no número 10 e voltei a reunir - apenas - o núcleo duro dos habitués. gambas, pizzas, sangria, rebordo de queijo, a minha queda para os mapas aliada ao meu inexplicável-de-tão-mau-que-é sentido de orientação em paris e em qualquer parte do mundo (menos em londres!), de novo a notre dame que não era notre dame, a salsa no mercado da ribeira, os pokémons, o i-ching que veio para pôr termos à minhas crises existenciais, os parabéns a você, o dolce & gabbana parte 2, o karaoke acústico do josh rouse que está para vir, as rock faces com a indicação de que o bob dylan era um dos fotografados... tudo numa noite que ainda não percebi bem a que propósito foi desaguar no bingo do belenenses que afinal não era no belenenses. para mim estreia absoluta, para a matinhos também, mas o resto da equipa já dominava a técnica. não tivemos sorte nenhuma de principiante,´isso já era, só faltava o 9 e 52... mas tivemos bingo na mesa! ou melhor, ameaça de bingo... e a algazarra foi bonita de se ver! e depois o bingo propriamente dito! nova algazarra! m&m és a maior! :) capitã de equipa eleita por unanimidade, voltamos aos treinos já no mês que vem. e para ganhar outra vez! até parece que já estou a ouvir... 1, o número 1. 57, 5-7. 8, o número 8! LOL



o último da noite... ia bem encaminhado, mas voltou a ficar pelo caminho...
já é domingo? não dei por nada... thank you all!


sábado, janeiro 22, 2005

26 is the magic number

costumava sentir-me diferente no dia do meu aniversário. melhor, acho eu. de há uns anos para cá o dia 23 de janeiro passou a ser para mim um dia como outro qualquer. já não acordo com a euforia de ir para a rua logo de manhã, como se toda a gente me fosse tratar de modo diferente, mais sorridente, mais atenciosamente, como acontecia nos tempos de escola, como se toda a gente soubesse que aquele dia era importante para mim, como se fosse só meu. acho que nessa altura pensava que cada pessoa tinha o seu dia. o 23 era o meu. hoje não ligo nenhuma. habituei-me a gostar do número 23, apenas isso. e não vou negar que gosto de ouvir o telefone tocar, mesmo que seja antes de tempo, ou depois, mesmo que seja para confirmar se o dia se mantém, se as comemorações são no mesmo dia do ano passado. e dos anteriores. nao gosto de domingos. fico depressiva. lembro-me que durante vários anos temi que chegasse o dia em que o meu aniversário voltasse a coincidir com o domingo no calendário. é um hábito de ano novo o de ver calendário novo em que dia da semana calha o meu dia de anos. em 2005 não havia volta a dar... da última vez que isto aconteceu... já não me lembro quando foi, mas lembro-me bem que tive de passar o dia em casa a estudar para uma frequência de história com uma neura de todo o tamanho... este ano a brincadeira esteve em vias de se repetir... mas tudo acabou em bem, em 11. venha então o domingo, que eu decidi dar início aos festejos no sábado para trocar as voltas às neuras do subconsciente.


sexta-feira, janeiro 14, 2005

bye bye, polly!

mtc is totally history and i feel fine!
a sensação de missão cumprida que hoje trouxe para casa compensa todas as discussões, noites mal dormidas, dores de cabeça e inexistência de vida para além dos papéis, que pautaram o último mês. hoje só quero voltar a sentir o que é não fazer nada. ver filmes e deixar-me levar pelo sono às horas que o joão pestana o quiser. estou farta de lhe dar a volta. as comemorações são no próximo fim de semana.

quarta-feira, janeiro 12, 2005

full disk.....

o ritmo é de tal maneira acelerado que já nem tenho cabeça para dar importância às tempestades em copos de água do costume. ainda bem. ontem estive quase a ceder. as neuras femininas não precisam de qualquer motivo para tomar conta das operações... se bem que há sempre um motivo, por mais refundido que esteja, e por mais que não o queiramos admitir nem a nós as mesmas...... e havia realmente um motivo. percebi-o hoje no exacto momento em que dei por mim a resolver o problema quase inconscientemente. faz sentido? todo o sentido. e tenho a perfeita noção de que se não andasse atolada de trabalho e sem tempo para dar importância ao que quer que seja que não papéis, livros e contagem de valores, o meu estômago iria andar em trabalhos durante bastante mais tempo. em compensação, ando com a ligeira impressão de que não me cabe mais nada no cérebro..... já cheguei à fase da repetição sistemática das leituras.... só preciso de não pensar em nada por um dia que seja e rapidamente. ando a ler mais do que a dormir e o resultado não está nada bom em termos de humor.... dizem que é a vida de estudante universitário.... mas não era.... nunca foi assim..... nunca mais é sábado..... nunca mais é abril.... combinei ir à praia! e ja agora vai daqui um agradecimento especial ao meu anjo da guarda estudantil que me continua a fazer passar de nível na santa casa. será da santa? vamos ver se passo o desafio final na sexta-feira às 15h30..... a adversária não é muito maior do que eu..... mas tem mais poderes, é mais organizada e tem uma estratégia melhor. preciso de arranjar um espírito competitivo.

segunda-feira, janeiro 10, 2005

bright like neon love

bright like neon love dos cut copy é mais um bom exemplo do tipo de disco que eu teria encomendado na hora a partir da jojos, demorada mas eficiente, e também a salvação de quem teve vários anos para ir ao banco tratar do cartão de crédito e não o fez por preguiça. e agora não há nada para ninguém. neste momento, encomendas só de fotocópias, sebentas e rissóis. anyway, o disco está disponível desde o sábado passado no novo formato musical mq3, e no mp3 do costume. numa altura em que sou obrigada a passar a maior parte do tempo de fim de semana por minha conta e risco em casa ou algures em cafés da zona de phones nos ouvidos apenas com a companhia dos papéis que tenho de assimilar em tempo record de corrida contra o tempo, valha-me a música nova que arranjei este fim de semana. e os cut copy fizeram-me deixar ontem o novo do josh em casa, o que terá acontecido para o bem de todos, porque o número de vezes que ouvi o nashville entre sexta e sábado não pode ser saudável. going nowhere, a faixa 5 dos cut copy, é mais uma para a colecção pessoal de músicas que me vão directamente ao cérebro e que durante dois dias me fazem esquecer que existe mais música à face da terra. e não sei se terá alguma coisa a ver mas o refrão da música é irmão do going nowhere dos therapy?, que só por acaso também veste o número 5 do velhinho troublegum.


Orelhas de Burro:



domingo, janeiro 09, 2005

ao limite eu vou......

paul lazarsfeld is the man of the hour.... the man of the weekend.... the man of the week.... as teorias dos efeitos (limitados ou ilimitados you decide) dos meios de comunicação são das poucas temáticas comunicacionais que ainda me conseguem entusiasmar a (cada vez mais) escassos meses do final do curso. isso e a feliz lembrança de que o trabalho megalómano de publicidade & marketing que me roubou as férias de natal na íntegra já foi entregue e devidamente apresentado. e os juízes que continuem a decidir como até aqui que eu não me importo. o pior está para vir. a bem ou a mal.... venham de lá esses números.

sábado, janeiro 08, 2005



falta mais de um mês para o o novo álbum do josh rouse sair, mas parece que já meio mundo o anda a ouvir. eu estou nessa metade. ha vícios instantâneos, melodias novas e imediatas e outras que deixam perceber por que se diz que ele voltou a deixar vir ao de cima o sangue country do nebraska que lhe corre nas veias. ainda assim, acho o rótulo um bocado puxado. gosto do my love has gone não tem a componente surpresa que trouxe o 1972, nem à primeira vista me parece um disco tão rico. assim de repente acho que está realmente mais próximo do andamento do nebraska, mais simples, gosto da caroliña e há por ali momentos que me fazem lembrar o miracle. está fresco. ouve-se de uma ponta à outra de rajada e sabe sempre a pouco. é assim que começam os vícios. [mas a capa parece-me fraca...]



nonsense

ontem voltei a ler estes versos da luiza neto jorge...

não podendo falar para toda a terra
direi um segredo a um só ouvido


já disse. vários. até mais do que esperava ter dito. e pelo facto de não escrever aqui certas coisas, não quer dizer que lhes dê menos importância. antes pelo contrário. o próximo semestre.... será um novo semestre.

quarta-feira, janeiro 05, 2005

living by numbers.... again and again...

e neste momento já me dou por satisfeita por ver que o dia de ontem já era, e que o de amanhã, apesar de andar há coisa de três semanas a contribuir para uma eventual úlcera de estômago a curto/médio, também está quase arrumado. pelo caminho, algumas grandes compensações, que me fazem ver que afinal nem tudo está perdido, mas também alguns lamirés que antevêem arrependimentos tardios... nada a fazer, está feito, está feito. para a semana os "juízes" decidem e eu farei contas à vida. preciso de um calendário de 2005. e já agora de uma máquina de calcular. a memória pelos vistos anda um bocadinho melhor, mas a concentração.... já não nos vemos desde o final do ano passado. hoje é dia 5... parabéns ao rui, que hoje faz 27 anos, o que me lembra qua a mariana faz 11 na próxima segunda-feira.

sábado, janeiro 01, 2005

just like honey...

meia-noite lost in translation. passo hoje o dia sob o mesmo efeito aero-alienado em que fiquei das outras vezes em que vi o filme. não vou voltar a escrever sobre o filme. vi e revi as cenas que mais gostei as vezes que me apeteceu. aumentei o som e o just like honey foi a primeira música ouvida este ano. voltei atrás para a sequência com o more than this pela suntory-whisky voice do bill murray. porque tem mesmo de haver mais alguma coisa... preciso de aterrar.

sexta-feira, dezembro 31, 2004

music flash '04

sem disciplina nem organização mental suficiente para listas, e principalmente sem memória para datas, revejo a música em 2004 de uma forma aleatória, desorganizada e inevitavelmente incompleta.

os quatro concertos do josh rouse que vi este ano, as vezes sem conta que reouvi todos os álbuns, a magia de paredes de coura, a profundidade dos olhos azuis e a frustração de uma conversa perdida num bar do porto, entretanto agendada para uma próxima oportunidade. [zé, não te esqueças que comi o puré na covilhã - we have a deal! :)]

as duas viagens a londres num ano de sentida crise, os discos que ainda lá pude comprar, um dos quais me deu a alegria de ver a leavers dance dançar para onde é o seu lugar, na rádio. e ainda os concertos dos elefant e dos the stills. changes are no good. rádio? mq3 e bons rapazes, o regresso do m, a amizade verdadeira da mónica, o coyote e o regresso do pedro costa, o ter podido sentir o que é ser dona de uma rádio por uns meses e não no sentido que o cotonete lhe deu. foi no cotonete, mas não foi, esqueçam, fixem apenas os números 916, 91.6, é caso para dizer que a brincar às rádios é a gente se entende. e o cotonete já era. música? é mais dançar aos clássicos. e viva o marketing.

mr. brightside em santa maria da feira e todo o hot fuss dos killers em casa, no carro, onde calhou, os franz ferdinand mas não a sudoeste, os interpol de londres para os bons rapazes, slow hands, para o triplex, os stills outra vez, agora em disco, changes are no good como lema de um ano lixado, still in love song como esperança de um ano que afinal foi o meu, os elefant e a arrogância sedutora de diego garcia, papapapa, bokkie, sunlight makes me paranoid e o álbum todo.

first of the gang to die no triplex, do jardim para a pista, o álbum todo que trouxe o morrissey de volta, um vício, a summer parade dos brookville, um verdadeiro sample from heaven que marcou também a viagem de regresso da covilhã no porta-chaves do michael, a transmission c do moses leroy, assim com a love letter e todas as outras tanguetas perfeitas que fazem o become the soft lightes soar ao disco da minha vida.

a despedida de um carlos paredespor mim tardiamente descoberto, os 20 anos do blitz, o concerto dos 25 anos dos xutos que coincidiram também com os meus 25, e todos os concertos debaixo de chuva em paredes de coura, outra vez paredes de coura, porque foram quatro dias vividos com as emoções à flor da pele, longe de tudo o que pudesse ser considerado preocupação, com excepção das viagens de regresso diário até arcos de valdevez pela madrugada fora numa estrada onde não se via um boi, ainda que eles por lá aparecessem de quando em vez. aguardo com expectativa o paredes de coura 2005! e os meses de março.... [tenho saudades da indies....] e de junho.... [i want/need do break free!]


o gang de lo habitual

nunca me tinha dado conta tão nitidamente de que de um ponto negativo podem surgir, a seu tempo, uma infinidade de coisas positivas. a constatação não é recente para a maioria do convencionado mundo adulto em que nem sempre tenho facilidade em integrar-me. para mim é muito recente, mas está cada vez mais nítida. os baldes de água fria com que levei por alturas do verão e que me deitaram abaixo muito mais do que pensei que me fossem deitar, abriram-me os olhos. tanto quanto possível a quem, confesso, continua a insistir em acreditar na terra do nunca e no pai natal. cada vez é mais difícil. mas, e apesar da minha apetência para a dramatização, tenho tido a sorte de encontrar novas pessoas todos os anos que me fazem ter a certeza de que nem tudo está virado ao contrário no mundo, e que nem todos nos movemos por interesses e valores menos próprios. ainda há humildade por aí. e muita amizade especialmente.

senti muito isso em paredes de coura, senti muito isso em todas as zig zag sessions em cuja claque de animação participei este ano sempre que possível. o ambiente criado em torno das noites rock n' roll dirigidas pela dupla zig ze pedro e michael zag serviu-me de antídoto para outros venenos. e mesmo as sessões menos conseguidas, darão um dia azo a histórias do arco da velha de tanto rir, como a inesquecível noite coimbrã. e tal como os zboys o fazem na hora da despedida, é para mim uma honra agradecer do fundo do coração ao gang de lo habitual por me ter feito sentir como parte de um grupo intocável - ze pedro, michael, alvy, miguel, cristina doutora, luís e sofia red river. thank you.

um conselho: gravai o html

[e por momentos 90 por cento do html que compõe o burro-template evaporou-se... não sei por alma de quem, nem o que poderá ter causado tal acção, mas o certo é que desapareceu. felizmente, alertada por alguém mais previdente do que eu, é o mais certo, tinha gravada uma "versão" já desactualizada do blog com o html. façam o mesmo. quem alimenta uma cena destas tipo tamagochi sabe que o susto de chegar à página e vê-la vazia não se prega nem ao inimigo público nº1].

da nostalgia não me safo......

a nostalgia que se me impõe no final do ano, no final de qualquer coisa, está aí. está um dia lindo, pensei que este sol me enganasse o relógio biológico, o fizesse pensar que era um dia como outro qualquer, de primavera, de preferência. parece que não.... estou pensativa, com olhos de olhar para o infinito durante que tempos e sem me dar conta. 31 não é um dia como outro qualquer porque é o último, do último mês. não gosto deste dia. gosto do dia 1. seja de janeiro, seja de que mês for, porque marca um início, nem que seja no calendário. porque na vida real muita coisa pode começar pelo fim, seja do mês, seja da semana, seja do ano. o importante é começar, dar a volta, continuar.

a minha mãe dizia-me ontem que 2004 lhe ia ficar na memória. eu disse que a mim também. "por razões negativas?", e eu disse que "não necessariamente". fiquei a pensar..... e cheguei à conclusão que apesar da minha absoluta tendência para deixar que a importância das coisas más se sobreponha à das coisas boas, consegui pensar em 2004 como um ano positivo, apesar de ter consciência que o não foi em muitos aspectos, para mim, para muita gente a quem quero muito, para o mundo. mas neste momento importa-me reter as boas lembranças dos últimos meses a nível pessoal, e deixar para trás as desilusões, a nível pessoal e profissional, dos primeiros meses, que a meio do caminho me fizeram duvidar de tudo e todos, inclusive de mim, sobretudo de mim. e quero agarrar-me a essas imagens mentais que fui coleccionando sem dar por isso para que o acordar no dia 1 seja feito com a certeza de que 2005 poderá ser melhor. para todos.

terça-feira, dezembro 28, 2004

quem não vê.....

tenho evitado ver as imagens. há coisas que prefiro acompanhar pelos jornais e pela net do que pela televisão. pela rádio já nem falo porque é preciso uma disponibilidade que não tenho tido. mas há imagens a que acho que se nos pudermos poupar devemos fazê-lo. às vezes é quase involuntária a atracção pela catástrofe, mas pode sempre ser controlada se tivermos consciência de que já estamos suficientemente marcados pelo que estamos a ver. foi há muito pouco tempo, por isso lembro-me como se tivesse sido ontem de não conseguir largar a televisão quando estavam a ser transmitidas as imagens do 11 de setembro. de chegar ao ponto de estar a chorar à frente da televisão, sem a conseguir desligar. mesmo que já tivesse ouvido as mesmas teorias 50 vezes, ditas pelas mesmas pessoas, acompanhadas pelas mesmas imagens. imagens essas que hoje não consigo apagar.

não me apetece renovar esse álbum de memórias cinzentas. é o som aliado à imagem que me faz tremer por dentro quando vejo o que se está a passar na ásia. a imagem pode valer pelas palavras que quiser, mas acho que é o som que traz o desespero. tenho tentado salvaguardar-me..... não ver as imagens, não ouvir os testemunhos... o jornal parece transmitir uma sensação de maior segurança, maior distância. parecia... porque quando leio um título como "maremoto pode ter feito 50 mil mortos" tremo por dentro, tanto ou mais, como quando vejo o fim do mundo na cara da mãe que de um segundo para o outro deixou de ter o filho nos braços. porque nem tenho bem a noção do que são 50 mil pessoas. não são números, não é dinheiro, nem quilos, nem carros, nem nada que possa visualizar apenas como uma mancha como faço habitualmente quando perco a noção das quantidades. são pessoas... 50 mil... eram.

variar é humano

tenho ouvido falar dos humanos quase todos os dias. foi uma coisa tão repentina e tão insistente que acabei por nunca dar grande atenção ao assunto, e fui andando apenas com a ideia feita de que tinha a ver com o antónio variações. e que a manuela azevedo, o camané e o david fonseca também estavam metidos ao barulho, isto por ter visto as capas dos jornais/suplementos de música nacionais. acabei por não ler as entrevistas, não liguei, achei que era mais uma coisa igual a outras que se costumam fazer por alturas de aniversários de nomes de peso da música nacional, mas que muito sinceramente raramente me dizem alguma coisa. ainda não ouvi este disco, nem sequer tinha grande curiosidade em ouvir... mas hoje, não sei por alma de quem, acordei com a "maria albertina" na cabeça. talvez esteja na altura de recuperar os jornais antigos que insisto em guardar quase involuntariamente e de dar a devida atenção à humanidade em posto de escuta.

segunda-feira, dezembro 27, 2004

land of plenty

gosto de ir ao cinema sem saber bem ao que vou. pelo actor, pelo realizador, pelo que ouvi dizer, pelo que me recomendaram, pela banda sonora, até pelo poster às vezes escolho filmes. não acho que julgar os livros pelas capas seja sempre necessariamente mau, temos é de nos assegurar que o bom senso está apurado quando o fazemos.

tive um dia calmo comigo mesma, daqueles em que percebo o que sentem os outros que não vivem em permanente agitação interior. fui ao cinema, ao quarteto, desde que o mundial fechou que parece que perdi o hábito de ir ao cinema... gosto do quarteto, mas ainda não me sinto lá em casa... vi o land of plenty do wim wenders, que andava para ver há que tempos e até me admirou que ainda lá estivesse. tinha lido algumas linhas sobre o filme no cinecartaz do público, mas tudo muito por alto. gosto mais de ler sobre os filmes depois de os ver.

cheguei à conclusão que ando a ver muitos filmes sobre a américa. não que me faça mal, antes pelo contrário, mas acho que já estou suficientemente baralhada com as contradições que já conheço sobre os estados unidos. não sei sequer se me interessa saber de mais. as realidades são muitas e muito diferentes, ali e em qualquer parte do mundo, dá-me ideia que as discrepâncias variam consoante a dimensao do país. era bom, era... estávamos nós safos se assim fosse, e vai-se a ver e estamos enterrados até ao pescoço. gostei do filme... do modo como é tratado o 11 de setembro - aquele diálogo é de cortar a respiração -, da desmistificação do mítico sonho artístico de los angeles, da convicção da vitória americana no vietname por um eterno inconformado, do sentido de humor, da ideia de que uma pessoa pode herdar só as coisas boas de todas as pessoas da família, da alegria/tristeza genuína do irmão do malogrado hassan ahmed, das estradas intermináveis, das paisagens áridas laranja que ficam para trás, da carta que a mãe escreveu ao tio... e a banda sonora é qualquer coisa de fazer parar o filme. será desta que dou a devida atenção ao leonard cohen? agora sim preciso/quero ler mais sobre o filme.

eternal sunshine......

recebi muitas prendas este natal. o muitas é relativo, obviamente, foram muitas em comparação com as que costumo receber nesta época. cá em casa sempre se agiu segundo a lógica que as prendas são oferecidas durante o ano todo e não em dias específicos, ou seja, um computador é comprado quando é preciso e há possibilidade, e não quando é natal ou quando alguém faz anos. e por isso sempre me tentei esquivar às célebres perguntas escolares pós-férias de natal do "o que é que recebeste?". um livro, um pijama, um cd, uma caixa de chocolates e 10 contos nunca foi competição à altura de quem quer que fosse. não que eu me importasse com isso, não gostava era de ver o ar enjoado de quem ouvia a minha resposta pobre já com ânsias de me dizer que tinha recebido este mundo e o outro. e que depois ia-se a ver e não passavam de coisas que eu já tinha. porque as tinha recebido ao longo do ano sem dar por isso, porque o meu pai sempre esteve por perto para nos dar, a mim e ao meu irmão, este mundo e o outro. e deu. sem datas. sem horas. sem que alguma vez tivessemos percebido que nem sempre era tudo tão fácil como pensávamos. como ainda pensamos às vezes.

este ano recebi mais prendas, coisas simples, mas com significado. e que ganham ainda mais significado se tivermos em conta que as coisas não andam fáceis para (quase) ninguém e que comprar o que quer que seja implica poupança anterior ou posterior. da minha parte, foi anterior. os concertos do josh rouse, o perfume a que cheira a minha roupa desde sábado agora que já não cheira outra vez a lareira, a fotografia colorida tirada à queima-roupa num dos vários fins de semana zig zag, o moleskyne que me vai fazer voltar a escrever à mão, um dos cds que mais queria ouvir no próximo ano - want two do rufus wainwright - com dvd incluído, a obrigatória caixa de guillian que já aviei, os dvds dos dois filmes que mais gostei de ver este ano - lost in translation e eternal sunshine of the spotless mind, as meias quentinhas vindas directamente da serra da estrela porque faz frio onde passo o natal, o dinheiro que a família sabe que não me anda a nascer no banco nem em lado nenhum ao final do mês....

melhor momento deste natal? a surpresa, o sorriso e o brilho nos olhos da minha avó quando desembrulhou o livro dos melhores sketches dos malucos do riso que lhe ofereci. todos sabemos que é das tarefas mais difíceis do natal comprar a prenda para a avó e para o avô. ou porque não querem nada, ou porque não precisam de nada, ou porque não podem comer doces, ou porque já oferecemos todos os doces, ou porque simplesmente não sabemos o que comprar. este ano foi fácil. depois de já ter lido livros sobre tudo e mais alguma coisa a minha avó já só quer a sua bíblia e coisas que a distraiam... ainda assim continua a gostar de mostrar que apesar da idade ainda percebe inglês e se for preciso falar também desenrasca uma frase ou outra.

quanto tempo.....

sou fã do luís osório, acho que desde a altura do portugalmente. durante uns tempos perdi-lhe o rasto, talvez por desleixo meu, mas na memória tinham ficado flashes de uma entrevista feita a seu pai, que apanhei de fugida na rtp2 durante não mais de 10 minutos num total cheio de interrupções. não cheguei a perceber bem do que tratava, mas durante semanas dei por mim a ir buscar algumas imagens e palavras ditas durante aqueles tão curtos 10 minutos in cold blood, que na altura nem reparei que estava a absorver. as semanas passaram a anos e não foram poucas as vezes que me arrependi de não ter deixado o programa a gravar...

1 de dezembro de 2004. chego a casa à meia-noite e pouco e ligo a televisão para ver se dava algum filme de jeito. parou tudo. lembro-me que fui à sala ligar a televisão antes de ir à cozinha buscar o snack da meia-noite para compensar o jantar que não existiu, e que acabei por não comer nada... [só me fez foi bem]... apanhei a entrevista quase de início outra vez na 2, a propósito do dia mundial da luta contra a sida, e consegui finalmente fazer as devidas contextualizações. li entretanto em pesquisas várias e tardias sobre o assunto que a entrevista é afinal um documentário chamado "quanto tempo" em que luís osório entrevista o pai, josé manuel osório, portador do vírus da sida. a mãe, a infância, a doença do pai, a ausência sentida do pai... cintra torres analisou exaustivamente no público o conteúdo, a forma e o alcance da peça. fiquei com outra visão acerca do que tinha visto. menos emocional, talvez.

a intimidade está lá, os chamados planos de pormenor a focar os olhos emocionados de pai e filho também, as histórias da infância, da família, o desenrolar da doença, tudo jogado de um para um, em sofás distantes e sob o olhar das câmaras, anos mais tarde. aparentemente tudo o que não foi dito anteriormente e que não podia ficar por dizer. não sou grande tele-espectadora, mas foi das coisas de que tenho memória que mais me impressionou na televisao que por cá já se fez.

dei por mim a pensar que para mim o jornalismo podia bem ser aquilo e reparei que o terreno era muito escorregadio. gosto de ver, ler, ouvir jornalistas apaixonados, envolvidos, cegos, pior que estragados, mas emocionados com o trabalho que fazem. gosto de sentir o que eles estão a sentir, para bem ou para mal. porque a escrita vive disso mesmo, de passar emoções, que não se expressam de outra maneira para quem as escreve. escorregadios são os limites. não gosto de acabar de ler um texto sem ter a certeza se quem o escreveu o fez com intenção a ou b. passa-me a sensação de que quem o escreveu não se quer comprometer com a nem com b. então para isso, que não o tivesse escrito. gosto de ler opiniões bem marcadas, de ver quem escreve defender a sua posição até à última, gosto especialmente que me façam duvidar daquilo em que acredito, e que me façam mudar de opinião, porque quando escrevo tento fazer o mesmo. a escrita é para ser sentida, por quem a escreve e por quem a lê. em televisão não encontro isso. é um meio muito formatado, muito artificial, muito pouco sincero. daí ter ficado tão impressionada com o documentário. mais depressa o imaginava publicado em livro.

tudo isto para dizer que gostei de ler hoje a causa-nossa do luís osório.

quinta-feira, dezembro 23, 2004

zig zag pré-natal

hoje há zig zag warriors no porto, indústria, não vou poder marcar presença, mas como presidente do clube de fãs envio daqui as melhores saudações à crew e ao gang de lo habitual que estará no local a animar a actuação. have fun!



pequeno momento de egoísmo

and now for something completely different.... para cortar com toda a nostalgia que em vésperas de natal se sobrepõe à azáfama das compras das últimas semanas, eu mary-john me confesso:

tive um ataque de egoísmo feio de se ver há dois dias, depois do sandro me ter mostrado o mini ipod que ganhou num passatempo da seven up. queria ter comprado um este ano, mas não era mini porque não faço a coisa por menos, queria um de 40 gigas, que é brinquedo para custar 565 euros, se não me engano, e para levar 10 mil músicas. o mini custa à volta de 250 euros. plenamente convencida de que durante este ano que passou não podia mesmo dar-me a luxos deste calibre, comecei a fazer contas e cheguei à conclusão que se não fosse lambuças e me tivesse mentalizado que o mini ipod me chegava por agora podia ter comprado o brinquedo. é que apercebi-me que todo somadinho, o dinheiro que gastei em prendas de natal, dava para comprar um a pronto! e foi nesse momento que o egoísmo me dominou o raciocínio e o bom senso e me fez pensar que se pudesse voltar atrás...... e depois acordei-me! talvez para o ano......

cebolais de cima

o meu natal cheira a lareira. cheira a ar fesco, frio, daquele que corta a respiração enquanto se entranha nos ossos e me faz chorar quando o vento sopra mais forte, apenas porque os olhos brilham demais. daquele frio que só desaparece com o cheiro da lareira. o mesmo que se infiltra na roupa durante dias a fio e me faz trazer os meus avós para casa, quando regresso a lisboa. por enquanto o natal só me faz sentido ali. mesmo sem árvore e sem enfeites, mesmo sem o presépio feito de musgo que apanhava com o meu irmão e os meus primos lá em cima na barreira, mesmo que já não ande à procura do pai natal pelos quartos todos do corredor escuro que antes me parecia tão grande, mesmo que há muito as prendas tenham deixado de ser surpresa. apesar de toda a nostalgia que durante pelo menos um dia me derruba na quadra natalícia, continuo a sentir e a ver o natal para lá do rótulo consumista que lhe colaram. o consumismo faz parte. mas ninguém me tira o prazer da semana da distribuição das prendas que antecede a partida da family-john para junto da avó glória e do avô albano. é hoje. mary christmas a todos os amigos do burro.