estou farta de ouvir e proferir sempre as mesmas queixas em relação à rádio em portugal. outro dia dei por mim a querer à força que uma colega da faculdade mudasse de opinião em relação ao "estilo" rádio comercial. fez-me confusão ao sistema que uma pessoa de 20 e poucos anos se identificasse com o tratamento por você (e mesmo que fosse por tu...) e com o tipo de "disparates malucos" (foi esta a expressão utilizada) que os "animadores" dizem. por momentos entrei numa espécie de curto-circuito mental, mas felizmente caí em mim. não tenho nada que estar a tentar fazer com que alguém deixe de gostar de uma coisa que lhe dá prazer, quando não está a prejudicar ninguém com isso. talvez a ela própria... não consigo deixar de voltar à ironia, porque penso sinceramente que aquela cena estupidifica quem ouve. mas não tenho de pregar nenhuma mensagem de alerta a quem não sente falta de mais.
e porque até já a mim me chateio por estar sempre a bater na mesma tecla, apetece-me dizer que me tem dado um prazer enorme ouvir os especiais que a antena 3 tem estado a transmitir aos sábados e domingos entre as 21h-22h. álvaro costa, henrique amaro, josé paulo alcobia e nuno calado foram alguns dos responsáveis pelos programas que apanhei até à data e que tenho pena de não ter gravado, mas a falta de espaço começa a ser por demais evidente cá no estábulo... melhores/piores filmes 2004, jeff buckley, josh rouse, música brasileira, rem, bob dylan deram o mote para as explorações mais recentes, e também as primeiros que me vêm à cabeça. gostei de regressar ontem, sábado, ao mundo dylan pela mão do especial do alvaro, que me lembrou mais uma vez que depois da maradó-bio tenho à espera o volume one das chronicles do pai dylan para consumir, e fez-me também pôr de lado os mp3 dos chemical brothers e do maximilian hecker e voltar a pegar nos discos do senhor e nas harmónicas mentais. e apesar de não ter grande afinidade com a sonoridade dos mão morta, curti ouvir a selecção musical a cargo do mr adolfo que preencheu a emissão de domingo que chegou agora mesmo ao fim... muita música francesa, e que por estar a ouvir e a escrever ao mesmo tempo, não registei e já não consigo identificar... lembro-me do nick cave e dos yeah yeah yeahs... os warlocks não tocaram pq o adolfo esqueceu-se do cd no carro... houve mais coisas familiares e coisas desconhecidas, que no entanto soaram bastante bem na rádio... sem "disparates malucos" [eu tinha dispensado apenas a última música...].
domingo, janeiro 23, 2005
fotografia... com cor e a cores
nunca tive especial sensibilidade para a fotografia. vejo exposições de fotografia com alguma regularidade, mas quase sempre a correr. não gosto que me tirem fotos nem gosto de as tirar. a máquina fotográfica é um objecto que me foi quase sempre indiferente. tive uma minolta em tempos de que gostava muito, mas que desapareceu não se sabe bem onde nem porquê. durante anos a minha mãe insistiu que eu a perdi, que a deixei nalgum lado, que se a arrumasse sempre no mesmo sítio tal não tinha acontecido... eu neguei sempre. ainda hoje não sei o que é feito da máquina, mas quase ponho as mãos no fogo em como não a deixei esquecida por aí. a partir daí não voltei a mostrar qualquer tipo de interesse em arranjar outra máquina. gosto de observar bem as coisas, de escrever sobre elas, fixar imagens soltas, mas raramente sinto necessidade de registar momentos em formato foto. chegando ao ponto de apanhar um comboio ou um avião para sítios onde nunca estive e esquecer-me de arrumar a máquina na bagagem. não levo. quando me apetece fotografar compro uma descartável.
no verão passado vi a aldeia dos meus avós com outros olhos. apeteceu-me fotografar os caminhos de cabras enquanto não são alcatroados. e os pormenores da casa que me fazem sentir ali tão em casa. e por ali não havia descartáveis. vi na pública, se não me falha a memória, uma breve sobre uma maquina nova da olympus. verdade seja dita, o que me chamou a atenção foi a variada selecção colorida em que está disponivel este novo modelo, e não as características técnicas da máquina. consta que não é má, mas que arranjo sem grande dificuldade o mesmo por preço mais baixo. mas não em azul, laranja, nem vermelho. assim...
é com uma destas que me apetece fotografar. com cores e a cores. preto, branco, cinzento dão outro toque, também gosto, mas com fumos. prefiro a cor. por dentro e por fora.
no verão passado vi a aldeia dos meus avós com outros olhos. apeteceu-me fotografar os caminhos de cabras enquanto não são alcatroados. e os pormenores da casa que me fazem sentir ali tão em casa. e por ali não havia descartáveis. vi na pública, se não me falha a memória, uma breve sobre uma maquina nova da olympus. verdade seja dita, o que me chamou a atenção foi a variada selecção colorida em que está disponivel este novo modelo, e não as características técnicas da máquina. consta que não é má, mas que arranjo sem grande dificuldade o mesmo por preço mais baixo. mas não em azul, laranja, nem vermelho. assim...
é com uma destas que me apetece fotografar. com cores e a cores. preto, branco, cinzento dão outro toque, também gosto, mas com fumos. prefiro a cor. por dentro e por fora.
bingo!
prestes a deixar os festejos aquarianos em stand-by por algumas horas em que mergulharei convictamente num sono profundo até que me apeteça voltar ao de cima, posso dizer que apesar de todas as incertezas inerentes à organização de um jantar de aniversário que me marcaram a semana passada acho que tomei a decisão certa. decidi finalmente contrariar a tendência de convidar por convidar, de convidar para não ofender, de convidar porque convido sempre, de convidar porque me convidaram... no fundo, de convidar sem vontade. este ano para evitar a confusão costumeira nestes eventos, e por razões de ordem muito prática que se prendiam com a lotação do famoso e concorridíssimo kome kala, fixei a fasquia no número 10 e voltei a reunir - apenas - o núcleo duro dos habitués. gambas, pizzas, sangria, rebordo de queijo, a minha queda para os mapas aliada ao meu inexplicável-de-tão-mau-que-é sentido de orientação em paris e em qualquer parte do mundo (menos em londres!), de novo a notre dame que não era notre dame, a salsa no mercado da ribeira, os pokémons, o i-ching que veio para pôr termos à minhas crises existenciais, os parabéns a você, o dolce & gabbana parte 2, o karaoke acústico do josh rouse que está para vir, as rock faces com a indicação de que o bob dylan era um dos fotografados... tudo numa noite que ainda não percebi bem a que propósito foi desaguar no bingo do belenenses que afinal não era no belenenses. para mim estreia absoluta, para a matinhos também, mas o resto da equipa já dominava a técnica. não tivemos sorte nenhuma de principiante,´isso já era, só faltava o 9 e 52... mas tivemos bingo na mesa! ou melhor, ameaça de bingo... e a algazarra foi bonita de se ver! e depois o bingo propriamente dito! nova algazarra! m&m és a maior! :) capitã de equipa eleita por unanimidade, voltamos aos treinos já no mês que vem. e para ganhar outra vez! até parece que já estou a ouvir... 1, o número 1. 57, 5-7. 8, o número 8! LOL
o último da noite... ia bem encaminhado, mas voltou a ficar pelo caminho...
já é domingo? não dei por nada... thank you all!
o último da noite... ia bem encaminhado, mas voltou a ficar pelo caminho...
já é domingo? não dei por nada... thank you all!
sábado, janeiro 22, 2005
26 is the magic number
costumava sentir-me diferente no dia do meu aniversário. melhor, acho eu. de há uns anos para cá o dia 23 de janeiro passou a ser para mim um dia como outro qualquer. já não acordo com a euforia de ir para a rua logo de manhã, como se toda a gente me fosse tratar de modo diferente, mais sorridente, mais atenciosamente, como acontecia nos tempos de escola, como se toda a gente soubesse que aquele dia era importante para mim, como se fosse só meu. acho que nessa altura pensava que cada pessoa tinha o seu dia. o 23 era o meu. hoje não ligo nenhuma. habituei-me a gostar do número 23, apenas isso. e não vou negar que gosto de ouvir o telefone tocar, mesmo que seja antes de tempo, ou depois, mesmo que seja para confirmar se o dia se mantém, se as comemorações são no mesmo dia do ano passado. e dos anteriores. nao gosto de domingos. fico depressiva. lembro-me que durante vários anos temi que chegasse o dia em que o meu aniversário voltasse a coincidir com o domingo no calendário. é um hábito de ano novo o de ver calendário novo em que dia da semana calha o meu dia de anos. em 2005 não havia volta a dar... da última vez que isto aconteceu... já não me lembro quando foi, mas lembro-me bem que tive de passar o dia em casa a estudar para uma frequência de história com uma neura de todo o tamanho... este ano a brincadeira esteve em vias de se repetir... mas tudo acabou em bem, em 11. venha então o domingo, que eu decidi dar início aos festejos no sábado para trocar as voltas às neuras do subconsciente.
sexta-feira, janeiro 14, 2005
bye bye, polly!
mtc is totally history and i feel fine!
a sensação de missão cumprida que hoje trouxe para casa compensa todas as discussões, noites mal dormidas, dores de cabeça e inexistência de vida para além dos papéis, que pautaram o último mês. hoje só quero voltar a sentir o que é não fazer nada. ver filmes e deixar-me levar pelo sono às horas que o joão pestana o quiser. estou farta de lhe dar a volta. as comemorações são no próximo fim de semana.
a sensação de missão cumprida que hoje trouxe para casa compensa todas as discussões, noites mal dormidas, dores de cabeça e inexistência de vida para além dos papéis, que pautaram o último mês. hoje só quero voltar a sentir o que é não fazer nada. ver filmes e deixar-me levar pelo sono às horas que o joão pestana o quiser. estou farta de lhe dar a volta. as comemorações são no próximo fim de semana.
quarta-feira, janeiro 12, 2005
full disk.....
o ritmo é de tal maneira acelerado que já nem tenho cabeça para dar importância às tempestades em copos de água do costume. ainda bem. ontem estive quase a ceder. as neuras femininas não precisam de qualquer motivo para tomar conta das operações... se bem que há sempre um motivo, por mais refundido que esteja, e por mais que não o queiramos admitir nem a nós as mesmas...... e havia realmente um motivo. percebi-o hoje no exacto momento em que dei por mim a resolver o problema quase inconscientemente. faz sentido? todo o sentido. e tenho a perfeita noção de que se não andasse atolada de trabalho e sem tempo para dar importância ao que quer que seja que não papéis, livros e contagem de valores, o meu estômago iria andar em trabalhos durante bastante mais tempo. em compensação, ando com a ligeira impressão de que não me cabe mais nada no cérebro..... já cheguei à fase da repetição sistemática das leituras.... só preciso de não pensar em nada por um dia que seja e rapidamente. ando a ler mais do que a dormir e o resultado não está nada bom em termos de humor.... dizem que é a vida de estudante universitário.... mas não era.... nunca foi assim..... nunca mais é sábado..... nunca mais é abril.... combinei ir à praia! e ja agora vai daqui um agradecimento especial ao meu anjo da guarda estudantil que me continua a fazer passar de nível na santa casa. será da santa? vamos ver se passo o desafio final na sexta-feira às 15h30..... a adversária não é muito maior do que eu..... mas tem mais poderes, é mais organizada e tem uma estratégia melhor. preciso de arranjar um espírito competitivo.
segunda-feira, janeiro 10, 2005
bright like neon love
bright like neon love dos cut copy é mais um bom exemplo do tipo de disco que eu teria encomendado na hora a partir da jojos, demorada mas eficiente, e também a salvação de quem teve vários anos para ir ao banco tratar do cartão de crédito e não o fez por preguiça. e agora não há nada para ninguém. neste momento, encomendas só de fotocópias, sebentas e rissóis. anyway, o disco está disponível desde o sábado passado no novo formato musical mq3, e no mp3 do costume. numa altura em que sou obrigada a passar a maior parte do tempo de fim de semana por minha conta e risco em casa ou algures em cafés da zona de phones nos ouvidos apenas com a companhia dos papéis que tenho de assimilar em tempo record de corrida contra o tempo, valha-me a música nova que arranjei este fim de semana. e os cut copy fizeram-me deixar ontem o novo do josh em casa, o que terá acontecido para o bem de todos, porque o número de vezes que ouvi o nashville entre sexta e sábado não pode ser saudável. going nowhere, a faixa 5 dos cut copy, é mais uma para a colecção pessoal de músicas que me vão directamente ao cérebro e que durante dois dias me fazem esquecer que existe mais música à face da terra. e não sei se terá alguma coisa a ver mas o refrão da música é irmão do going nowhere dos therapy?, que só por acaso também veste o número 5 do velhinho troublegum.
Orelhas de Burro:
Orelhas de Burro:
domingo, janeiro 09, 2005
ao limite eu vou......
paul lazarsfeld is the man of the hour.... the man of the weekend.... the man of the week.... as teorias dos efeitos (limitados ou ilimitados you decide) dos meios de comunicação são das poucas temáticas comunicacionais que ainda me conseguem entusiasmar a (cada vez mais) escassos meses do final do curso. isso e a feliz lembrança de que o trabalho megalómano de publicidade & marketing que me roubou as férias de natal na íntegra já foi entregue e devidamente apresentado. e os juízes que continuem a decidir como até aqui que eu não me importo. o pior está para vir. a bem ou a mal.... venham de lá esses números.
sábado, janeiro 08, 2005
falta mais de um mês para o o novo álbum do josh rouse sair, mas parece que já meio mundo o anda a ouvir. eu estou nessa metade. ha vícios instantâneos, melodias novas e imediatas e outras que deixam perceber por que se diz que ele voltou a deixar vir ao de cima o sangue country do nebraska que lhe corre nas veias. ainda assim, acho o rótulo um bocado puxado. gosto do my love has gone não tem a componente surpresa que trouxe o 1972, nem à primeira vista me parece um disco tão rico. assim de repente acho que está realmente mais próximo do andamento do nebraska, mais simples, gosto da caroliña e há por ali momentos que me fazem lembrar o miracle. está fresco. ouve-se de uma ponta à outra de rajada e sabe sempre a pouco. é assim que começam os vícios. [mas a capa parece-me fraca...]
nonsense
ontem voltei a ler estes versos da luiza neto jorge...
não podendo falar para toda a terra
direi um segredo a um só ouvido
já disse. vários. até mais do que esperava ter dito. e pelo facto de não escrever aqui certas coisas, não quer dizer que lhes dê menos importância. antes pelo contrário. o próximo semestre.... será um novo semestre.
não podendo falar para toda a terra
direi um segredo a um só ouvido
já disse. vários. até mais do que esperava ter dito. e pelo facto de não escrever aqui certas coisas, não quer dizer que lhes dê menos importância. antes pelo contrário. o próximo semestre.... será um novo semestre.
quarta-feira, janeiro 05, 2005
living by numbers.... again and again...
e neste momento já me dou por satisfeita por ver que o dia de ontem já era, e que o de amanhã, apesar de andar há coisa de três semanas a contribuir para uma eventual úlcera de estômago a curto/médio, também está quase arrumado. pelo caminho, algumas grandes compensações, que me fazem ver que afinal nem tudo está perdido, mas também alguns lamirés que antevêem arrependimentos tardios... nada a fazer, está feito, está feito. para a semana os "juízes" decidem e eu farei contas à vida. preciso de um calendário de 2005. e já agora de uma máquina de calcular. a memória pelos vistos anda um bocadinho melhor, mas a concentração.... já não nos vemos desde o final do ano passado. hoje é dia 5... parabéns ao rui, que hoje faz 27 anos, o que me lembra qua a mariana faz 11 na próxima segunda-feira.
sábado, janeiro 01, 2005
just like honey...
meia-noite lost in translation. passo hoje o dia sob o mesmo efeito aero-alienado em que fiquei das outras vezes em que vi o filme. não vou voltar a escrever sobre o filme. vi e revi as cenas que mais gostei as vezes que me apeteceu. aumentei o som e o just like honey foi a primeira música ouvida este ano. voltei atrás para a sequência com o more than this pela suntory-whisky voice do bill murray. porque tem mesmo de haver mais alguma coisa... preciso de aterrar.
sexta-feira, dezembro 31, 2004
music flash '04
sem disciplina nem organização mental suficiente para listas, e principalmente sem memória para datas, revejo a música em 2004 de uma forma aleatória, desorganizada e inevitavelmente incompleta.
os quatro concertos do josh rouse que vi este ano, as vezes sem conta que reouvi todos os álbuns, a magia de paredes de coura, a profundidade dos olhos azuis e a frustração de uma conversa perdida num bar do porto, entretanto agendada para uma próxima oportunidade. [zé, não te esqueças que comi o puré na covilhã - we have a deal! :)]
as duas viagens a londres num ano de sentida crise, os discos que ainda lá pude comprar, um dos quais me deu a alegria de ver a leavers dance dançar para onde é o seu lugar, na rádio. e ainda os concertos dos elefant e dos the stills. changes are no good. rádio? mq3 e bons rapazes, o regresso do m, a amizade verdadeira da mónica, o coyote e o regresso do pedro costa, o ter podido sentir o que é ser dona de uma rádio por uns meses e não no sentido que o cotonete lhe deu. foi no cotonete, mas não foi, esqueçam, fixem apenas os números 916, 91.6, é caso para dizer que a brincar às rádios é a gente se entende. e o cotonete já era. música? é mais dançar aos clássicos. e viva o marketing.
mr. brightside em santa maria da feira e todo o hot fuss dos killers em casa, no carro, onde calhou, os franz ferdinand mas não a sudoeste, os interpol de londres para os bons rapazes, slow hands, para o triplex, os stills outra vez, agora em disco, changes are no good como lema de um ano lixado, still in love song como esperança de um ano que afinal foi o meu, os elefant e a arrogância sedutora de diego garcia, papapapa, bokkie, sunlight makes me paranoid e o álbum todo.
first of the gang to die no triplex, do jardim para a pista, o álbum todo que trouxe o morrissey de volta, um vício, a summer parade dos brookville, um verdadeiro sample from heaven que marcou também a viagem de regresso da covilhã no porta-chaves do michael, a transmission c do moses leroy, assim com a love letter e todas as outras tanguetas perfeitas que fazem o become the soft lightes soar ao disco da minha vida.
a despedida de um carlos paredespor mim tardiamente descoberto, os 20 anos do blitz, o concerto dos 25 anos dos xutos que coincidiram também com os meus 25, e todos os concertos debaixo de chuva em paredes de coura, outra vez paredes de coura, porque foram quatro dias vividos com as emoções à flor da pele, longe de tudo o que pudesse ser considerado preocupação, com excepção das viagens de regresso diário até arcos de valdevez pela madrugada fora numa estrada onde não se via um boi, ainda que eles por lá aparecessem de quando em vez. aguardo com expectativa o paredes de coura 2005! e os meses de março.... [tenho saudades da indies....] e de junho.... [i want/need do break free!]
os quatro concertos do josh rouse que vi este ano, as vezes sem conta que reouvi todos os álbuns, a magia de paredes de coura, a profundidade dos olhos azuis e a frustração de uma conversa perdida num bar do porto, entretanto agendada para uma próxima oportunidade. [zé, não te esqueças que comi o puré na covilhã - we have a deal! :)]
as duas viagens a londres num ano de sentida crise, os discos que ainda lá pude comprar, um dos quais me deu a alegria de ver a leavers dance dançar para onde é o seu lugar, na rádio. e ainda os concertos dos elefant e dos the stills. changes are no good. rádio? mq3 e bons rapazes, o regresso do m, a amizade verdadeira da mónica, o coyote e o regresso do pedro costa, o ter podido sentir o que é ser dona de uma rádio por uns meses e não no sentido que o cotonete lhe deu. foi no cotonete, mas não foi, esqueçam, fixem apenas os números 916, 91.6, é caso para dizer que a brincar às rádios é a gente se entende. e o cotonete já era. música? é mais dançar aos clássicos. e viva o marketing.
mr. brightside em santa maria da feira e todo o hot fuss dos killers em casa, no carro, onde calhou, os franz ferdinand mas não a sudoeste, os interpol de londres para os bons rapazes, slow hands, para o triplex, os stills outra vez, agora em disco, changes are no good como lema de um ano lixado, still in love song como esperança de um ano que afinal foi o meu, os elefant e a arrogância sedutora de diego garcia, papapapa, bokkie, sunlight makes me paranoid e o álbum todo.
first of the gang to die no triplex, do jardim para a pista, o álbum todo que trouxe o morrissey de volta, um vício, a summer parade dos brookville, um verdadeiro sample from heaven que marcou também a viagem de regresso da covilhã no porta-chaves do michael, a transmission c do moses leroy, assim com a love letter e todas as outras tanguetas perfeitas que fazem o become the soft lightes soar ao disco da minha vida.
a despedida de um carlos paredespor mim tardiamente descoberto, os 20 anos do blitz, o concerto dos 25 anos dos xutos que coincidiram também com os meus 25, e todos os concertos debaixo de chuva em paredes de coura, outra vez paredes de coura, porque foram quatro dias vividos com as emoções à flor da pele, longe de tudo o que pudesse ser considerado preocupação, com excepção das viagens de regresso diário até arcos de valdevez pela madrugada fora numa estrada onde não se via um boi, ainda que eles por lá aparecessem de quando em vez. aguardo com expectativa o paredes de coura 2005! e os meses de março.... [tenho saudades da indies....] e de junho.... [i want/need do break free!]
o gang de lo habitual
nunca me tinha dado conta tão nitidamente de que de um ponto negativo podem surgir, a seu tempo, uma infinidade de coisas positivas. a constatação não é recente para a maioria do convencionado mundo adulto em que nem sempre tenho facilidade em integrar-me. para mim é muito recente, mas está cada vez mais nítida. os baldes de água fria com que levei por alturas do verão e que me deitaram abaixo muito mais do que pensei que me fossem deitar, abriram-me os olhos. tanto quanto possível a quem, confesso, continua a insistir em acreditar na terra do nunca e no pai natal. cada vez é mais difícil. mas, e apesar da minha apetência para a dramatização, tenho tido a sorte de encontrar novas pessoas todos os anos que me fazem ter a certeza de que nem tudo está virado ao contrário no mundo, e que nem todos nos movemos por interesses e valores menos próprios. ainda há humildade por aí. e muita amizade especialmente.
senti muito isso em paredes de coura, senti muito isso em todas as zig zag sessions em cuja claque de animação participei este ano sempre que possível. o ambiente criado em torno das noites rock n' roll dirigidas pela dupla zig ze pedro e michael zag serviu-me de antídoto para outros venenos. e mesmo as sessões menos conseguidas, darão um dia azo a histórias do arco da velha de tanto rir, como a inesquecível noite coimbrã. e tal como os zboys o fazem na hora da despedida, é para mim uma honra agradecer do fundo do coração ao gang de lo habitual por me ter feito sentir como parte de um grupo intocável - ze pedro, michael, alvy, miguel, cristina doutora, luís e sofia red river. thank you.
senti muito isso em paredes de coura, senti muito isso em todas as zig zag sessions em cuja claque de animação participei este ano sempre que possível. o ambiente criado em torno das noites rock n' roll dirigidas pela dupla zig ze pedro e michael zag serviu-me de antídoto para outros venenos. e mesmo as sessões menos conseguidas, darão um dia azo a histórias do arco da velha de tanto rir, como a inesquecível noite coimbrã. e tal como os zboys o fazem na hora da despedida, é para mim uma honra agradecer do fundo do coração ao gang de lo habitual por me ter feito sentir como parte de um grupo intocável - ze pedro, michael, alvy, miguel, cristina doutora, luís e sofia red river. thank you.
um conselho: gravai o html
[e por momentos 90 por cento do html que compõe o burro-template evaporou-se... não sei por alma de quem, nem o que poderá ter causado tal acção, mas o certo é que desapareceu. felizmente, alertada por alguém mais previdente do que eu, é o mais certo, tinha gravada uma "versão" já desactualizada do blog com o html. façam o mesmo. quem alimenta uma cena destas tipo tamagochi sabe que o susto de chegar à página e vê-la vazia não se prega nem ao inimigo público nº1].
da nostalgia não me safo......
a nostalgia que se me impõe no final do ano, no final de qualquer coisa, está aí. está um dia lindo, pensei que este sol me enganasse o relógio biológico, o fizesse pensar que era um dia como outro qualquer, de primavera, de preferência. parece que não.... estou pensativa, com olhos de olhar para o infinito durante que tempos e sem me dar conta. 31 não é um dia como outro qualquer porque é o último, do último mês. não gosto deste dia. gosto do dia 1. seja de janeiro, seja de que mês for, porque marca um início, nem que seja no calendário. porque na vida real muita coisa pode começar pelo fim, seja do mês, seja da semana, seja do ano. o importante é começar, dar a volta, continuar.
a minha mãe dizia-me ontem que 2004 lhe ia ficar na memória. eu disse que a mim também. "por razões negativas?", e eu disse que "não necessariamente". fiquei a pensar..... e cheguei à conclusão que apesar da minha absoluta tendência para deixar que a importância das coisas más se sobreponha à das coisas boas, consegui pensar em 2004 como um ano positivo, apesar de ter consciência que o não foi em muitos aspectos, para mim, para muita gente a quem quero muito, para o mundo. mas neste momento importa-me reter as boas lembranças dos últimos meses a nível pessoal, e deixar para trás as desilusões, a nível pessoal e profissional, dos primeiros meses, que a meio do caminho me fizeram duvidar de tudo e todos, inclusive de mim, sobretudo de mim. e quero agarrar-me a essas imagens mentais que fui coleccionando sem dar por isso para que o acordar no dia 1 seja feito com a certeza de que 2005 poderá ser melhor. para todos.
a minha mãe dizia-me ontem que 2004 lhe ia ficar na memória. eu disse que a mim também. "por razões negativas?", e eu disse que "não necessariamente". fiquei a pensar..... e cheguei à conclusão que apesar da minha absoluta tendência para deixar que a importância das coisas más se sobreponha à das coisas boas, consegui pensar em 2004 como um ano positivo, apesar de ter consciência que o não foi em muitos aspectos, para mim, para muita gente a quem quero muito, para o mundo. mas neste momento importa-me reter as boas lembranças dos últimos meses a nível pessoal, e deixar para trás as desilusões, a nível pessoal e profissional, dos primeiros meses, que a meio do caminho me fizeram duvidar de tudo e todos, inclusive de mim, sobretudo de mim. e quero agarrar-me a essas imagens mentais que fui coleccionando sem dar por isso para que o acordar no dia 1 seja feito com a certeza de que 2005 poderá ser melhor. para todos.
terça-feira, dezembro 28, 2004
quem não vê.....
tenho evitado ver as imagens. há coisas que prefiro acompanhar pelos jornais e pela net do que pela televisão. pela rádio já nem falo porque é preciso uma disponibilidade que não tenho tido. mas há imagens a que acho que se nos pudermos poupar devemos fazê-lo. às vezes é quase involuntária a atracção pela catástrofe, mas pode sempre ser controlada se tivermos consciência de que já estamos suficientemente marcados pelo que estamos a ver. foi há muito pouco tempo, por isso lembro-me como se tivesse sido ontem de não conseguir largar a televisão quando estavam a ser transmitidas as imagens do 11 de setembro. de chegar ao ponto de estar a chorar à frente da televisão, sem a conseguir desligar. mesmo que já tivesse ouvido as mesmas teorias 50 vezes, ditas pelas mesmas pessoas, acompanhadas pelas mesmas imagens. imagens essas que hoje não consigo apagar.
não me apetece renovar esse álbum de memórias cinzentas. é o som aliado à imagem que me faz tremer por dentro quando vejo o que se está a passar na ásia. a imagem pode valer pelas palavras que quiser, mas acho que é o som que traz o desespero. tenho tentado salvaguardar-me..... não ver as imagens, não ouvir os testemunhos... o jornal parece transmitir uma sensação de maior segurança, maior distância. parecia... porque quando leio um título como "maremoto pode ter feito 50 mil mortos" tremo por dentro, tanto ou mais, como quando vejo o fim do mundo na cara da mãe que de um segundo para o outro deixou de ter o filho nos braços. porque nem tenho bem a noção do que são 50 mil pessoas. não são números, não é dinheiro, nem quilos, nem carros, nem nada que possa visualizar apenas como uma mancha como faço habitualmente quando perco a noção das quantidades. são pessoas... 50 mil... eram.
não me apetece renovar esse álbum de memórias cinzentas. é o som aliado à imagem que me faz tremer por dentro quando vejo o que se está a passar na ásia. a imagem pode valer pelas palavras que quiser, mas acho que é o som que traz o desespero. tenho tentado salvaguardar-me..... não ver as imagens, não ouvir os testemunhos... o jornal parece transmitir uma sensação de maior segurança, maior distância. parecia... porque quando leio um título como "maremoto pode ter feito 50 mil mortos" tremo por dentro, tanto ou mais, como quando vejo o fim do mundo na cara da mãe que de um segundo para o outro deixou de ter o filho nos braços. porque nem tenho bem a noção do que são 50 mil pessoas. não são números, não é dinheiro, nem quilos, nem carros, nem nada que possa visualizar apenas como uma mancha como faço habitualmente quando perco a noção das quantidades. são pessoas... 50 mil... eram.
variar é humano
tenho ouvido falar dos humanos quase todos os dias. foi uma coisa tão repentina e tão insistente que acabei por nunca dar grande atenção ao assunto, e fui andando apenas com a ideia feita de que tinha a ver com o antónio variações. e que a manuela azevedo, o camané e o david fonseca também estavam metidos ao barulho, isto por ter visto as capas dos jornais/suplementos de música nacionais. acabei por não ler as entrevistas, não liguei, achei que era mais uma coisa igual a outras que se costumam fazer por alturas de aniversários de nomes de peso da música nacional, mas que muito sinceramente raramente me dizem alguma coisa. ainda não ouvi este disco, nem sequer tinha grande curiosidade em ouvir... mas hoje, não sei por alma de quem, acordei com a "maria albertina" na cabeça. talvez esteja na altura de recuperar os jornais antigos que insisto em guardar quase involuntariamente e de dar a devida atenção à humanidade em posto de escuta.
segunda-feira, dezembro 27, 2004
land of plenty
gosto de ir ao cinema sem saber bem ao que vou. pelo actor, pelo realizador, pelo que ouvi dizer, pelo que me recomendaram, pela banda sonora, até pelo poster às vezes escolho filmes. não acho que julgar os livros pelas capas seja sempre necessariamente mau, temos é de nos assegurar que o bom senso está apurado quando o fazemos.
tive um dia calmo comigo mesma, daqueles em que percebo o que sentem os outros que não vivem em permanente agitação interior. fui ao cinema, ao quarteto, desde que o mundial fechou que parece que perdi o hábito de ir ao cinema... gosto do quarteto, mas ainda não me sinto lá em casa... vi o land of plenty do wim wenders, que andava para ver há que tempos e até me admirou que ainda lá estivesse. tinha lido algumas linhas sobre o filme no cinecartaz do público, mas tudo muito por alto. gosto mais de ler sobre os filmes depois de os ver.
cheguei à conclusão que ando a ver muitos filmes sobre a américa. não que me faça mal, antes pelo contrário, mas acho que já estou suficientemente baralhada com as contradições que já conheço sobre os estados unidos. não sei sequer se me interessa saber de mais. as realidades são muitas e muito diferentes, ali e em qualquer parte do mundo, dá-me ideia que as discrepâncias variam consoante a dimensao do país. era bom, era... estávamos nós safos se assim fosse, e vai-se a ver e estamos enterrados até ao pescoço. gostei do filme... do modo como é tratado o 11 de setembro - aquele diálogo é de cortar a respiração -, da desmistificação do mítico sonho artístico de los angeles, da convicção da vitória americana no vietname por um eterno inconformado, do sentido de humor, da ideia de que uma pessoa pode herdar só as coisas boas de todas as pessoas da família, da alegria/tristeza genuína do irmão do malogrado hassan ahmed, das estradas intermináveis, das paisagens áridas laranja que ficam para trás, da carta que a mãe escreveu ao tio... e a banda sonora é qualquer coisa de fazer parar o filme. será desta que dou a devida atenção ao leonard cohen? agora sim preciso/quero ler mais sobre o filme.
tive um dia calmo comigo mesma, daqueles em que percebo o que sentem os outros que não vivem em permanente agitação interior. fui ao cinema, ao quarteto, desde que o mundial fechou que parece que perdi o hábito de ir ao cinema... gosto do quarteto, mas ainda não me sinto lá em casa... vi o land of plenty do wim wenders, que andava para ver há que tempos e até me admirou que ainda lá estivesse. tinha lido algumas linhas sobre o filme no cinecartaz do público, mas tudo muito por alto. gosto mais de ler sobre os filmes depois de os ver.
cheguei à conclusão que ando a ver muitos filmes sobre a américa. não que me faça mal, antes pelo contrário, mas acho que já estou suficientemente baralhada com as contradições que já conheço sobre os estados unidos. não sei sequer se me interessa saber de mais. as realidades são muitas e muito diferentes, ali e em qualquer parte do mundo, dá-me ideia que as discrepâncias variam consoante a dimensao do país. era bom, era... estávamos nós safos se assim fosse, e vai-se a ver e estamos enterrados até ao pescoço. gostei do filme... do modo como é tratado o 11 de setembro - aquele diálogo é de cortar a respiração -, da desmistificação do mítico sonho artístico de los angeles, da convicção da vitória americana no vietname por um eterno inconformado, do sentido de humor, da ideia de que uma pessoa pode herdar só as coisas boas de todas as pessoas da família, da alegria/tristeza genuína do irmão do malogrado hassan ahmed, das estradas intermináveis, das paisagens áridas laranja que ficam para trás, da carta que a mãe escreveu ao tio... e a banda sonora é qualquer coisa de fazer parar o filme. será desta que dou a devida atenção ao leonard cohen? agora sim preciso/quero ler mais sobre o filme.
eternal sunshine......
recebi muitas prendas este natal. o muitas é relativo, obviamente, foram muitas em comparação com as que costumo receber nesta época. cá em casa sempre se agiu segundo a lógica que as prendas são oferecidas durante o ano todo e não em dias específicos, ou seja, um computador é comprado quando é preciso e há possibilidade, e não quando é natal ou quando alguém faz anos. e por isso sempre me tentei esquivar às célebres perguntas escolares pós-férias de natal do "o que é que recebeste?". um livro, um pijama, um cd, uma caixa de chocolates e 10 contos nunca foi competição à altura de quem quer que fosse. não que eu me importasse com isso, não gostava era de ver o ar enjoado de quem ouvia a minha resposta pobre já com ânsias de me dizer que tinha recebido este mundo e o outro. e que depois ia-se a ver e não passavam de coisas que eu já tinha. porque as tinha recebido ao longo do ano sem dar por isso, porque o meu pai sempre esteve por perto para nos dar, a mim e ao meu irmão, este mundo e o outro. e deu. sem datas. sem horas. sem que alguma vez tivessemos percebido que nem sempre era tudo tão fácil como pensávamos. como ainda pensamos às vezes.
este ano recebi mais prendas, coisas simples, mas com significado. e que ganham ainda mais significado se tivermos em conta que as coisas não andam fáceis para (quase) ninguém e que comprar o que quer que seja implica poupança anterior ou posterior. da minha parte, foi anterior. os concertos do josh rouse, o perfume a que cheira a minha roupa desde sábado agora que já não cheira outra vez a lareira, a fotografia colorida tirada à queima-roupa num dos vários fins de semana zig zag, o moleskyne que me vai fazer voltar a escrever à mão, um dos cds que mais queria ouvir no próximo ano - want two do rufus wainwright - com dvd incluído, a obrigatória caixa de guillian que já aviei, os dvds dos dois filmes que mais gostei de ver este ano - lost in translation e eternal sunshine of the spotless mind, as meias quentinhas vindas directamente da serra da estrela porque faz frio onde passo o natal, o dinheiro que a família sabe que não me anda a nascer no banco nem em lado nenhum ao final do mês....
melhor momento deste natal? a surpresa, o sorriso e o brilho nos olhos da minha avó quando desembrulhou o livro dos melhores sketches dos malucos do riso que lhe ofereci. todos sabemos que é das tarefas mais difíceis do natal comprar a prenda para a avó e para o avô. ou porque não querem nada, ou porque não precisam de nada, ou porque não podem comer doces, ou porque já oferecemos todos os doces, ou porque simplesmente não sabemos o que comprar. este ano foi fácil. depois de já ter lido livros sobre tudo e mais alguma coisa a minha avó já só quer a sua bíblia e coisas que a distraiam... ainda assim continua a gostar de mostrar que apesar da idade ainda percebe inglês e se for preciso falar também desenrasca uma frase ou outra.
este ano recebi mais prendas, coisas simples, mas com significado. e que ganham ainda mais significado se tivermos em conta que as coisas não andam fáceis para (quase) ninguém e que comprar o que quer que seja implica poupança anterior ou posterior. da minha parte, foi anterior. os concertos do josh rouse, o perfume a que cheira a minha roupa desde sábado agora que já não cheira outra vez a lareira, a fotografia colorida tirada à queima-roupa num dos vários fins de semana zig zag, o moleskyne que me vai fazer voltar a escrever à mão, um dos cds que mais queria ouvir no próximo ano - want two do rufus wainwright - com dvd incluído, a obrigatória caixa de guillian que já aviei, os dvds dos dois filmes que mais gostei de ver este ano - lost in translation e eternal sunshine of the spotless mind, as meias quentinhas vindas directamente da serra da estrela porque faz frio onde passo o natal, o dinheiro que a família sabe que não me anda a nascer no banco nem em lado nenhum ao final do mês....
melhor momento deste natal? a surpresa, o sorriso e o brilho nos olhos da minha avó quando desembrulhou o livro dos melhores sketches dos malucos do riso que lhe ofereci. todos sabemos que é das tarefas mais difíceis do natal comprar a prenda para a avó e para o avô. ou porque não querem nada, ou porque não precisam de nada, ou porque não podem comer doces, ou porque já oferecemos todos os doces, ou porque simplesmente não sabemos o que comprar. este ano foi fácil. depois de já ter lido livros sobre tudo e mais alguma coisa a minha avó já só quer a sua bíblia e coisas que a distraiam... ainda assim continua a gostar de mostrar que apesar da idade ainda percebe inglês e se for preciso falar também desenrasca uma frase ou outra.
quanto tempo.....
sou fã do luís osório, acho que desde a altura do portugalmente. durante uns tempos perdi-lhe o rasto, talvez por desleixo meu, mas na memória tinham ficado flashes de uma entrevista feita a seu pai, que apanhei de fugida na rtp2 durante não mais de 10 minutos num total cheio de interrupções. não cheguei a perceber bem do que tratava, mas durante semanas dei por mim a ir buscar algumas imagens e palavras ditas durante aqueles tão curtos 10 minutos in cold blood, que na altura nem reparei que estava a absorver. as semanas passaram a anos e não foram poucas as vezes que me arrependi de não ter deixado o programa a gravar...
1 de dezembro de 2004. chego a casa à meia-noite e pouco e ligo a televisão para ver se dava algum filme de jeito. parou tudo. lembro-me que fui à sala ligar a televisão antes de ir à cozinha buscar o snack da meia-noite para compensar o jantar que não existiu, e que acabei por não comer nada... [só me fez foi bem]... apanhei a entrevista quase de início outra vez na 2, a propósito do dia mundial da luta contra a sida, e consegui finalmente fazer as devidas contextualizações. li entretanto em pesquisas várias e tardias sobre o assunto que a entrevista é afinal um documentário chamado "quanto tempo" em que luís osório entrevista o pai, josé manuel osório, portador do vírus da sida. a mãe, a infância, a doença do pai, a ausência sentida do pai... cintra torres analisou exaustivamente no público o conteúdo, a forma e o alcance da peça. fiquei com outra visão acerca do que tinha visto. menos emocional, talvez.
a intimidade está lá, os chamados planos de pormenor a focar os olhos emocionados de pai e filho também, as histórias da infância, da família, o desenrolar da doença, tudo jogado de um para um, em sofás distantes e sob o olhar das câmaras, anos mais tarde. aparentemente tudo o que não foi dito anteriormente e que não podia ficar por dizer. não sou grande tele-espectadora, mas foi das coisas de que tenho memória que mais me impressionou na televisao que por cá já se fez.
dei por mim a pensar que para mim o jornalismo podia bem ser aquilo e reparei que o terreno era muito escorregadio. gosto de ver, ler, ouvir jornalistas apaixonados, envolvidos, cegos, pior que estragados, mas emocionados com o trabalho que fazem. gosto de sentir o que eles estão a sentir, para bem ou para mal. porque a escrita vive disso mesmo, de passar emoções, que não se expressam de outra maneira para quem as escreve. escorregadios são os limites. não gosto de acabar de ler um texto sem ter a certeza se quem o escreveu o fez com intenção a ou b. passa-me a sensação de que quem o escreveu não se quer comprometer com a nem com b. então para isso, que não o tivesse escrito. gosto de ler opiniões bem marcadas, de ver quem escreve defender a sua posição até à última, gosto especialmente que me façam duvidar daquilo em que acredito, e que me façam mudar de opinião, porque quando escrevo tento fazer o mesmo. a escrita é para ser sentida, por quem a escreve e por quem a lê. em televisão não encontro isso. é um meio muito formatado, muito artificial, muito pouco sincero. daí ter ficado tão impressionada com o documentário. mais depressa o imaginava publicado em livro.
tudo isto para dizer que gostei de ler hoje a causa-nossa do luís osório.
1 de dezembro de 2004. chego a casa à meia-noite e pouco e ligo a televisão para ver se dava algum filme de jeito. parou tudo. lembro-me que fui à sala ligar a televisão antes de ir à cozinha buscar o snack da meia-noite para compensar o jantar que não existiu, e que acabei por não comer nada... [só me fez foi bem]... apanhei a entrevista quase de início outra vez na 2, a propósito do dia mundial da luta contra a sida, e consegui finalmente fazer as devidas contextualizações. li entretanto em pesquisas várias e tardias sobre o assunto que a entrevista é afinal um documentário chamado "quanto tempo" em que luís osório entrevista o pai, josé manuel osório, portador do vírus da sida. a mãe, a infância, a doença do pai, a ausência sentida do pai... cintra torres analisou exaustivamente no público o conteúdo, a forma e o alcance da peça. fiquei com outra visão acerca do que tinha visto. menos emocional, talvez.
a intimidade está lá, os chamados planos de pormenor a focar os olhos emocionados de pai e filho também, as histórias da infância, da família, o desenrolar da doença, tudo jogado de um para um, em sofás distantes e sob o olhar das câmaras, anos mais tarde. aparentemente tudo o que não foi dito anteriormente e que não podia ficar por dizer. não sou grande tele-espectadora, mas foi das coisas de que tenho memória que mais me impressionou na televisao que por cá já se fez.
dei por mim a pensar que para mim o jornalismo podia bem ser aquilo e reparei que o terreno era muito escorregadio. gosto de ver, ler, ouvir jornalistas apaixonados, envolvidos, cegos, pior que estragados, mas emocionados com o trabalho que fazem. gosto de sentir o que eles estão a sentir, para bem ou para mal. porque a escrita vive disso mesmo, de passar emoções, que não se expressam de outra maneira para quem as escreve. escorregadios são os limites. não gosto de acabar de ler um texto sem ter a certeza se quem o escreveu o fez com intenção a ou b. passa-me a sensação de que quem o escreveu não se quer comprometer com a nem com b. então para isso, que não o tivesse escrito. gosto de ler opiniões bem marcadas, de ver quem escreve defender a sua posição até à última, gosto especialmente que me façam duvidar daquilo em que acredito, e que me façam mudar de opinião, porque quando escrevo tento fazer o mesmo. a escrita é para ser sentida, por quem a escreve e por quem a lê. em televisão não encontro isso. é um meio muito formatado, muito artificial, muito pouco sincero. daí ter ficado tão impressionada com o documentário. mais depressa o imaginava publicado em livro.
tudo isto para dizer que gostei de ler hoje a causa-nossa do luís osório.
quinta-feira, dezembro 23, 2004
zig zag pré-natal
hoje há zig zag warriors no porto, indústria, não vou poder marcar presença, mas como presidente do clube de fãs envio daqui as melhores saudações à crew e ao gang de lo habitual que estará no local a animar a actuação. have fun!
pequeno momento de egoísmo
and now for something completely different.... para cortar com toda a nostalgia que em vésperas de natal se sobrepõe à azáfama das compras das últimas semanas, eu mary-john me confesso:
tive um ataque de egoísmo feio de se ver há dois dias, depois do sandro me ter mostrado o mini ipod que ganhou num passatempo da seven up. queria ter comprado um este ano, mas não era mini porque não faço a coisa por menos, queria um de 40 gigas, que é brinquedo para custar 565 euros, se não me engano, e para levar 10 mil músicas. o mini custa à volta de 250 euros. plenamente convencida de que durante este ano que passou não podia mesmo dar-me a luxos deste calibre, comecei a fazer contas e cheguei à conclusão que se não fosse lambuças e me tivesse mentalizado que o mini ipod me chegava por agora podia ter comprado o brinquedo. é que apercebi-me que todo somadinho, o dinheiro que gastei em prendas de natal, dava para comprar um a pronto! e foi nesse momento que o egoísmo me dominou o raciocínio e o bom senso e me fez pensar que se pudesse voltar atrás...... e depois acordei-me! talvez para o ano......
tive um ataque de egoísmo feio de se ver há dois dias, depois do sandro me ter mostrado o mini ipod que ganhou num passatempo da seven up. queria ter comprado um este ano, mas não era mini porque não faço a coisa por menos, queria um de 40 gigas, que é brinquedo para custar 565 euros, se não me engano, e para levar 10 mil músicas. o mini custa à volta de 250 euros. plenamente convencida de que durante este ano que passou não podia mesmo dar-me a luxos deste calibre, comecei a fazer contas e cheguei à conclusão que se não fosse lambuças e me tivesse mentalizado que o mini ipod me chegava por agora podia ter comprado o brinquedo. é que apercebi-me que todo somadinho, o dinheiro que gastei em prendas de natal, dava para comprar um a pronto! e foi nesse momento que o egoísmo me dominou o raciocínio e o bom senso e me fez pensar que se pudesse voltar atrás...... e depois acordei-me! talvez para o ano......
cebolais de cima
o meu natal cheira a lareira. cheira a ar fesco, frio, daquele que corta a respiração enquanto se entranha nos ossos e me faz chorar quando o vento sopra mais forte, apenas porque os olhos brilham demais. daquele frio que só desaparece com o cheiro da lareira. o mesmo que se infiltra na roupa durante dias a fio e me faz trazer os meus avós para casa, quando regresso a lisboa. por enquanto o natal só me faz sentido ali. mesmo sem árvore e sem enfeites, mesmo sem o presépio feito de musgo que apanhava com o meu irmão e os meus primos lá em cima na barreira, mesmo que já não ande à procura do pai natal pelos quartos todos do corredor escuro que antes me parecia tão grande, mesmo que há muito as prendas tenham deixado de ser surpresa. apesar de toda a nostalgia que durante pelo menos um dia me derruba na quadra natalícia, continuo a sentir e a ver o natal para lá do rótulo consumista que lhe colaram. o consumismo faz parte. mas ninguém me tira o prazer da semana da distribuição das prendas que antecede a partida da family-john para junto da avó glória e do avô albano. é hoje. mary christmas a todos os amigos do burro.
sexta-feira, dezembro 17, 2004
férias de natal
i feel good. missão cumprida sem ameaças de desistências, só falta metade do caminho. estou oficialmente de férias de escolares e vou celebrar a ocasião a norte com o gang de lo habitual. hoje há josh rouse no porto, so we meet again, e amanhã há z boys na covilhã, so we keep meeting again. :)
vinil... a sério
não tenho saudades do vinil porque não sou do tempo do vinil. ou melhor, até sou, mas foi sol de pouca dura. ainda aprendi a pôr um disco no gira-discos da sala (que mais tarde raptei para o meu quarto) numa altura em que ainda não havia cd cá em casa. lembro-me disso perfeitamente. lembro-me de querer comprar uma cassete dos beach boys e do meu pai me ter convencido de que o vinil era muito mehor do que a cassete. depois da obrigatória resistência inicial, porque na escola vivia-se o auge da geração cassete pirata, lá me deixei convencer pelo argumento de que para além de ficar com o disco, ainda o podia gravar para cassete e ficava com as duas coisas. foi o suficiente. a mania das grandezas aos dez anos..? foi o primeiro disco "a sério" que quis comprar. e ainda foi em vinil. the beach boys - collection, anunciado na tv, como se pode ler a vermelho no canto superior direito da capa do disco.
pouco depois o bryan adams chegava às escolas com o waking up the neighbours. esqueci os beach boys por uns tempos. ainda não havia cd, mas esse já quis comprar em vinil, mais por causa da capa em formato xl do que pela cena do vinil ser mais fiável do que a cassete. foi o tempo de ouro da balada do robin hood, o (everything i do) i do it for you, que naquela altura ainda ninguém nos condena por gostarmos, nem nós próprios, mesmo que hoje ouvido out of the blue não soe a mais nada do que uma grande lamechice. na altura fazia todo o sentido, e mesmo ainda hoje às vezes também faz. mas sinceramente sempre fui mais pelo lado rock n' roll do artista, do "can't stop this thing we started" e do "there will never be another tonight". do "can't stop..." principalmente. e entretanto já tive de ir buscar o disco para ouvir a música. espero que os vizinhos gostem. eu ainda gosto.
quando descobri os guns n' roses, o axl fez-me ver que o bryan era um menino piroso. e aí já o gira-discos tinha sido remetido para segundo plano. dos guns para a frente já foi tudo em cd. e foi nesta altura, já em formato cd, que percebi que a música podia ser um vício. para trás ficara uma sessão de aquecimento feita de 2 únicos vinis "a sério" e mais alguns "a brincar", que logo vou recuperar também.
pouco depois o bryan adams chegava às escolas com o waking up the neighbours. esqueci os beach boys por uns tempos. ainda não havia cd, mas esse já quis comprar em vinil, mais por causa da capa em formato xl do que pela cena do vinil ser mais fiável do que a cassete. foi o tempo de ouro da balada do robin hood, o (everything i do) i do it for you, que naquela altura ainda ninguém nos condena por gostarmos, nem nós próprios, mesmo que hoje ouvido out of the blue não soe a mais nada do que uma grande lamechice. na altura fazia todo o sentido, e mesmo ainda hoje às vezes também faz. mas sinceramente sempre fui mais pelo lado rock n' roll do artista, do "can't stop this thing we started" e do "there will never be another tonight". do "can't stop..." principalmente. e entretanto já tive de ir buscar o disco para ouvir a música. espero que os vizinhos gostem. eu ainda gosto.
quando descobri os guns n' roses, o axl fez-me ver que o bryan era um menino piroso. e aí já o gira-discos tinha sido remetido para segundo plano. dos guns para a frente já foi tudo em cd. e foi nesta altura, já em formato cd, que percebi que a música podia ser um vício. para trás ficara uma sessão de aquecimento feita de 2 únicos vinis "a sério" e mais alguns "a brincar", que logo vou recuperar também.
quinta-feira, dezembro 16, 2004
see things change.....
nunca pensei dizer uma coisa destas, mas já acredito que um concerto ao ar livre, em ambiente festivaleiro, possa ser mais intimista do que numa sala pequena. o exemplo protishead e pj harvey a sudoeste de há uns anos parece ter sido exemplo disso, mas eu não estive lá, não pude, ouvi via antena 3, e sinceremente por muito que tenha gostado não me passou grande emoção.
no concerto de ontem do josh rouse no forum lisboa não houve o sol, nem a magia, a união, a proximidade, a comunhão, o contágio da emoção pelo sorriso, a estupefacção, as saudades por antecipação, a entrega, em duas palavras a love vibration, que se gerou naquele aglomerado lamacento fronteiriço em paredes de coura. gostei muito do concerto de ontem, mas agora que o sinto mais a frio, tenho saudades de paredes de coura.
ah! gostei muito, isso sim, que a minha mãe tivesse gostado tanto. e que depois de minutos antes da entrada na sala ter comentado com a filipa que pouca coisa ia conhecer, tivesse chegado à conclusão que se sentiu como peixe na água no reconhecimento das músicas. porque quase todas tocam regularmente aqui no quarto ao lado. senti isso como que uma espécie de passagem de testemunho. se a partir de dada altura, músicas do bob dylan, prefab sprout, everything but the girl, police, simply red (sempre embirrei com estes) e muitas outras cenas me começaram a soar a familiar sem perceber bem porquê, era porque as ouvia sem dar por isso nas cassetes que a minha mãe tinha tocar na cozinha. na altura não sabia o que era nem me interessava. quando as queria ouvir, sabia onde as encontrar. sentava-me no parapeito da janela mesmo ao lado do rádio, que ainda hoje está em cima do frigorífico. actualmente acontece o inverso. é uma sensação estranha. mas há concertos que simplesmente meto na cabeça que a minha mãe tem de ver. raramente atiro ao lado, mas também acontece. divine comedy no coliseu há uns anos, por exemplo. na fase em que o neil hannon deixou crescer o cabelo e se virou para o rock. :) eu gostei, sou fã do senhor, mas não era bem de guitarradas que eu estava à espera para mostrar à mãe-john, que ainda hoje fala do episódio com algum receio de ser apanhada noutra daquelas.
no concerto de ontem do josh rouse no forum lisboa não houve o sol, nem a magia, a união, a proximidade, a comunhão, o contágio da emoção pelo sorriso, a estupefacção, as saudades por antecipação, a entrega, em duas palavras a love vibration, que se gerou naquele aglomerado lamacento fronteiriço em paredes de coura. gostei muito do concerto de ontem, mas agora que o sinto mais a frio, tenho saudades de paredes de coura.
ah! gostei muito, isso sim, que a minha mãe tivesse gostado tanto. e que depois de minutos antes da entrada na sala ter comentado com a filipa que pouca coisa ia conhecer, tivesse chegado à conclusão que se sentiu como peixe na água no reconhecimento das músicas. porque quase todas tocam regularmente aqui no quarto ao lado. senti isso como que uma espécie de passagem de testemunho. se a partir de dada altura, músicas do bob dylan, prefab sprout, everything but the girl, police, simply red (sempre embirrei com estes) e muitas outras cenas me começaram a soar a familiar sem perceber bem porquê, era porque as ouvia sem dar por isso nas cassetes que a minha mãe tinha tocar na cozinha. na altura não sabia o que era nem me interessava. quando as queria ouvir, sabia onde as encontrar. sentava-me no parapeito da janela mesmo ao lado do rádio, que ainda hoje está em cima do frigorífico. actualmente acontece o inverso. é uma sensação estranha. mas há concertos que simplesmente meto na cabeça que a minha mãe tem de ver. raramente atiro ao lado, mas também acontece. divine comedy no coliseu há uns anos, por exemplo. na fase em que o neil hannon deixou crescer o cabelo e se virou para o rock. :) eu gostei, sou fã do senhor, mas não era bem de guitarradas que eu estava à espera para mostrar à mãe-john, que ainda hoje fala do episódio com algum receio de ser apanhada noutra daquelas.
mind da gaps.......
hoje tive mais uma crise existencial. durante a frequência da tarde, a tal de mtc, da professora que fala num dialecto só dela, cheguei a uma triste conclusão na passagem da pergunta 3 para a 2. talvez seja fraqueza da minha parte, preguiça quem sabe, não sei, mas o certo é que a minha capacidade de memorização está a regredir a passos largos. toda a gente sabe que a memorização é uma capacidade que tem de ser exercitada, mas toda a gente sabe também que a vida nos impele a fazer o contrário. temos tudo cada vez mais facilitado, já são raras as coisas que temos de saber de cor. neste momento não me lembro de nenhuma. mas há de certeza, a memória é que me falha cada vez mais e não tenho idade para isso. mas hoje apercebo-me que nos últimos anos não fiz o mínimo esforço por exercitar a memória conscientemente. ao fim do dia não me lembro do que comi ao almoço. quando tenho aulas o dia todo, às oito da noite já não sei onde estacionei o carro às dez da manhã. lembro-me que houve um dia que à saída do trabalho, já aqui há uns tempos, dei quatro voltas aos quarteirões da sampaio e pina e da rodrigo da fonseca para encontrar o carro. não me lembro do nome do último filme que vi (duplamente grave pq para além da falta de memória revelo que não vou ao cinema há um tempo significativo), e podia estar aqui a dar exemplos até amanhã de manhã...
e a crise existencial surge então porque me deparei com uma falha minha que se tem tornado recorrente em tempo de frequências. sei explicar as coisas que me são pedidas, mas não sei chamar as coisas pelos nomes. quer isto dizer que sei, por exemplo, explicar em que consiste a teoria das balas mágicas, mas não consigo fixar o nome teoria das balas mágicas. hoje aconteceu-me isto nas duas frequências que fiz. é uma frustração do caraças, que me faz pensar cada vez mais nos benefícios dos exames orais, que sempre me assustaram, mas que actualmente me interessam cada vez mais. é que quando não se sabe chamar as coisas pelos nomes quando se escreve a tendência é a repetir vezes sem conta a mesma ideia para compensar o facto de faltar uma palavra-chave. esse problema pelo menos já está contolado. num exame oral, uma vez explicada a ideia passa-se à pergunta seguinte, com ou sem palavra-chave.
também sei que tenho por péssimo acreditar no milagre das vésperas e nos benefícios do estudo/trabalho sob pressão e que isso torna difícil fixar seja o que for de modo consistente. ainda assim, até aqui nunca tive problemas em fixar fosse o que fosse. números de telefone, moradas, números de porta e andares, bilhete de identidade, contribuinte, telemóveis que mais ligo, etc, etc... actualmente fixar um número de telefone equivale quase a pedirem-me de recite um soneto de camões. coisa que tive de fazer várias vezes, e que me lembre sem dificuldades por aí além, no ensino secundário. se quero mesmo fazer as cadeiras que me faltam, preciso urgentemente de arranjar um livro de exercícios de memorização para começar a treinar o quanto antes. talvez comece por decorar os números que tenho no telemóvel...
e a crise existencial surge então porque me deparei com uma falha minha que se tem tornado recorrente em tempo de frequências. sei explicar as coisas que me são pedidas, mas não sei chamar as coisas pelos nomes. quer isto dizer que sei, por exemplo, explicar em que consiste a teoria das balas mágicas, mas não consigo fixar o nome teoria das balas mágicas. hoje aconteceu-me isto nas duas frequências que fiz. é uma frustração do caraças, que me faz pensar cada vez mais nos benefícios dos exames orais, que sempre me assustaram, mas que actualmente me interessam cada vez mais. é que quando não se sabe chamar as coisas pelos nomes quando se escreve a tendência é a repetir vezes sem conta a mesma ideia para compensar o facto de faltar uma palavra-chave. esse problema pelo menos já está contolado. num exame oral, uma vez explicada a ideia passa-se à pergunta seguinte, com ou sem palavra-chave.
também sei que tenho por péssimo acreditar no milagre das vésperas e nos benefícios do estudo/trabalho sob pressão e que isso torna difícil fixar seja o que for de modo consistente. ainda assim, até aqui nunca tive problemas em fixar fosse o que fosse. números de telefone, moradas, números de porta e andares, bilhete de identidade, contribuinte, telemóveis que mais ligo, etc, etc... actualmente fixar um número de telefone equivale quase a pedirem-me de recite um soneto de camões. coisa que tive de fazer várias vezes, e que me lembre sem dificuldades por aí além, no ensino secundário. se quero mesmo fazer as cadeiras que me faltam, preciso urgentemente de arranjar um livro de exercícios de memorização para começar a treinar o quanto antes. talvez comece por decorar os números que tenho no telemóvel...
it's a miracle, and i'm here to say....
«continuamos à espera do milagre do aquecimento...
... entretanto, vão-se construindo estátuas»
é a frase-chave que se pode ler a branco em fundo negro nos novos cartazes afixados pelas paredes da santa casa da palma de cima, aka universidade católica portuguesa, neste caso de lisboa. não costumo sequer referenciar o nome da universidade que frequento, os rótulos são muitos, poucos me dizem respeito, mas hoje achei que fazia sentido. acabou de decorrer a cerimónia de "inauguração" do novo investimento da instituição. não sei com que intenção foi, nem tão pouco se foi oferta ou encomenda. muito menos quando se gasta numa brincadeira ostensiva daquelas. sei, isso sim, que para frequentar um curso de comunicação social no ano lectivo de 2004/2005 pago mensalmente 290 euros, fora os 50 cêntimos que dispenso cada vez que passo a cancela que dá acesso ao parque de estacionamento. temos acesso a uma biblioteca que consta ser o supra-sumo das bibliotecas, mas em compensação temos aulas em salas ou anfiteatros gelados que nos obrigam a permanecer de casaco vestido, cachecol e o que mais houver para aguentar hora e meia sentados sem congelar. está mais frio dentro da universidade do que na rua. e já não falo do que voltará a acontecer quando a temporada de chuvas regressar à base... falo, evidentemente, do edifício de comunicação social, porque o de economia/gestão por alguma razão é chamado de shopping dentro das fronteiras da universidade. bom para eles que até elevadores panorâmicos têm. mas foi à frente do "hospital", leia-se o pólo de comunicação social, que foi semeada a estátua da santa em bronze. nada contra a senhora. pode ser até que me ajude a partir de hoje com o milagre da multiplicação dos valores... é que as coisas não andam nada fáceis. e o josh que não tocou o miracle.....
ps - mais um exemplar de propaganda clandestina anti-santa que apanhei na saída norte da ucp...
é como digo... há quem diga que foi oferta, há quem diga que foi comprada... eu só lá ando para me ir embora em junho... se deus, perdão... se a santa quiser.
ou sorte ou nada.....
seguindo a convicção dos outros meninos, eu digo que não se fazem frequências de olhos fechados. peço sorte ao josh para que a partir das oito o discernimento me assalte e me permita decifrar sem problemas de maior os enigmas de marktês que me vão ser apresentados. não pus sequer a hipótese de renunciar ao concerto de lisboa para dedicar mais algumas horas tardias à causa do marketing e da publicidade. achei que não me ia arrepender independentemente da classificação que vier. há coisas mais importantes, e enfim... acho que não preciso de dizer mais nada... ontem depois do concerto não me arrependi. o espírito não foi o de coura, até porque não houve sol, nem chuva, nem lama, nem suburban sweetheart, mas o senhor mereceu bem a sala cheia que teve. hoje a conversa é outra. hoje, que ouvi o despertador tocar às 4h30 para ver se ainda decifro mais algumas noções supostamente básicas mas que não domino de todo da especialidade do consumo, estou solenemente arrependida... o sono e o frio... podia estar a dormir.... eu devia estar a estudar. amanhã há mais. talvez suburban sweetheart. talvez não.
segunda-feira, dezembro 13, 2004
as palavras da mana bedingfield
rejeitei os maroon 5 até não poder mais, até que tive de admitir que gosto de ouvir aquilo na rádio. E muito. Ao ponto de sacar para ouvir em casa. Fiz o mesmo com a mana bedingfield. Até hoje. Até agora. Acabei de ouvir a música na rádio e tive de pôr mais alto. Curto a melodia do refrão, soa-me a tangueta, curto a batida, soa-me bem, embala, soa-me a rádio. Já estou tão habituada a rejeitar todos os creed, staind, hoobastank, 3 doors down e outros que tais que não suporto nem à lei da bala, que quando alguma coisa me soa bem sem esperar, a tendência já é rejeitar também automaticamente porque o nome é assim ou assado. Ignorância minha.
Não sei será bom sinal, se estarei a ser formatada sem dar por isso, mas acho que aos poucos estou a começar a conseguir voltar a ouvir rádio sem mudar de estação de cinco em cinco minutos. E quando falo de rádio, falo da antena 3, falo de ouvir rádio em casa, porque no carro o zapping é incontrolável. E falo da antena 3 porque já cheguei à conclusão que não gosto de ouvir formatos muito dirigidos. Pensei que sim, mas cansam-me. Programas sim, formatos não. Prefiro que me misturem coisas que eu nunca misturaria, para ver o efeito que tem. Prefiro que me dêem a ouvir cenas que não conheço e que julgo não querer conhecer. Os preconceitos são inevitáveis e não gosto que assim seja.
Orelhas de Burro:
natasha bedingfield - these words
Não sei será bom sinal, se estarei a ser formatada sem dar por isso, mas acho que aos poucos estou a começar a conseguir voltar a ouvir rádio sem mudar de estação de cinco em cinco minutos. E quando falo de rádio, falo da antena 3, falo de ouvir rádio em casa, porque no carro o zapping é incontrolável. E falo da antena 3 porque já cheguei à conclusão que não gosto de ouvir formatos muito dirigidos. Pensei que sim, mas cansam-me. Programas sim, formatos não. Prefiro que me misturem coisas que eu nunca misturaria, para ver o efeito que tem. Prefiro que me dêem a ouvir cenas que não conheço e que julgo não querer conhecer. Os preconceitos são inevitáveis e não gosto que assim seja.
Orelhas de Burro:
natasha bedingfield - these words
domingo, dezembro 12, 2004
um pesadelo chamado mtc...
tenho azar à cadeira de metodologia do trabalho científico desde o início do curso. E digo azar porque acho que já fiz todos os cadeirões do curso que havia para fazer com notas até bastante razoáveis e não há meio de descalçar esta bota velha. tal como todo o meu percurso universitário, também a minha relação com esta maravilha do mundo feita etapinhas tem sido tudo menos regular. Parece que atrofio com tantas regras e tamanha organização…
já fiz a cadeira com 13 no 1º ano, mas tenho de a fazer novamente. uma mudança de curso, uma equivalência não atribuída, uma professora que enlouqueceu e que sempre fora carinhosamente apelidada de ana parva, em vez de paiva, uma desistência em plena frequência porque quase enlouqueci eu e que me custou um 8 final, uma outra professora que me disse que se quisesse fazer a cadeira tinha de optar pelos estudos em detrimento do emprego seguindo a lógica do senhor reitor, e um consequente cancelamento da matrícula.
não sou de desistir facilmente. este ano voltei à casa da partida. ainda lá está a mesma professora que me mandou optar. não sai de lá tão cedo, é competente e profissional como poucos professores. fala é muito depressa e sobre assuntos que me continuam a ser completamente estranhos apesar do meu passado metodológico. outro dia, fiquei de tal maneira preocupada por não ter percebido rigorosamente nada do que se havia passado na aula, que tive de perguntar ao colega que estava ao meu lado - também ele um veterano da mtc - se tinha percebido alguma coisa... eis a resposta: "esta mulher fala numa língua esquisita, é uma cena estranha, não deve ser para percebermos...".
hoje passei o dia a tentar decifrar essa língua esquisita. na quinta-feira vou ter de a falar fluentemente na hora da frequência. estou confiante. estudei todo o tempo a ouvir josh rouse.
Orelhas de Burro:
já fiz a cadeira com 13 no 1º ano, mas tenho de a fazer novamente. uma mudança de curso, uma equivalência não atribuída, uma professora que enlouqueceu e que sempre fora carinhosamente apelidada de ana parva, em vez de paiva, uma desistência em plena frequência porque quase enlouqueci eu e que me custou um 8 final, uma outra professora que me disse que se quisesse fazer a cadeira tinha de optar pelos estudos em detrimento do emprego seguindo a lógica do senhor reitor, e um consequente cancelamento da matrícula.
não sou de desistir facilmente. este ano voltei à casa da partida. ainda lá está a mesma professora que me mandou optar. não sai de lá tão cedo, é competente e profissional como poucos professores. fala é muito depressa e sobre assuntos que me continuam a ser completamente estranhos apesar do meu passado metodológico. outro dia, fiquei de tal maneira preocupada por não ter percebido rigorosamente nada do que se havia passado na aula, que tive de perguntar ao colega que estava ao meu lado - também ele um veterano da mtc - se tinha percebido alguma coisa... eis a resposta: "esta mulher fala numa língua esquisita, é uma cena estranha, não deve ser para percebermos...".
hoje passei o dia a tentar decifrar essa língua esquisita. na quinta-feira vou ter de a falar fluentemente na hora da frequência. estou confiante. estudei todo o tempo a ouvir josh rouse.
Orelhas de Burro:
guess who's back?
semana da digressão josh rouse. infelizmente o artista vem novamente sem a banda ao contrário do que constou no verão na hora da despedida do inesquecível paredes de coura '04. who cares? dia 15 é já na quarta-feira e isso é que me importa agora. quero lá estar para ver o que vem de novo e rever o que tiver de ser revisto, porque ainda não cheguei à fase do déjà-vu...
há poucos artistas que me fazem quase perder a possível imparcialidade, o josh tem esse efeito, ao menos tenho consciência disso, pelo que acho que não é tão grave como às vezes faço parecer, mas reparei outro dia que continuo a querer descolar um cartaz da parede de cada vez que vejo um na rua (ainda não encontrei nenhum desprotegido...) e que continuo a sorrir involuntariamente quando oiço a promoção ao concerto na antena 3... sou fã do josh rouse, como acho que nunca fui de nenhum artista, nem de nenhuma banda. mesmo dos guns n' roses.
tenho a admiração que tenho pelos grandes da música por ter alguma noção da influência que tiveram não só no trabalho daqueles que hoje oiço, mas em muito do desenrolar da história da música, mas... falta-me qualquer coisa. estou a hesitar... estou a hesitar porque me está a soar quase a sacrilégio escrever que o josh rouse me diz mais que o bob dylan... mas depois olho para trás e vejo que por enquanto ainda tenho mais discos do bob dylan do que do josh rouse. já não é mau... mas não foram os discos do bob dylan que ouvi compulsivamente sexta, sábado e domingo... nem é pelo dylan que sigo digressão para o porto na sexta-feira... mas também não é nada que não fizesse.
mais do que pela música em si, acho que o que neste momento me deixa mais contente em relação ao "fenómeno" josh rouse é ver que já não é preciso ir a londres para o ver actuar, posso vê-lo em lisboa e depois no porto, e que os concertos estão a ser promovidos pela rádio e televisão de portugal, queira lá isso dizer o que quiser, seja lá isso influência de quem for... não me interessa... quero é ver outra vez aqueles olhos azuis e ouvir o "miracle"... e o que mais vier.
o natal começa mais cedo : )
thanks!
há poucos artistas que me fazem quase perder a possível imparcialidade, o josh tem esse efeito, ao menos tenho consciência disso, pelo que acho que não é tão grave como às vezes faço parecer, mas reparei outro dia que continuo a querer descolar um cartaz da parede de cada vez que vejo um na rua (ainda não encontrei nenhum desprotegido...) e que continuo a sorrir involuntariamente quando oiço a promoção ao concerto na antena 3... sou fã do josh rouse, como acho que nunca fui de nenhum artista, nem de nenhuma banda. mesmo dos guns n' roses.
tenho a admiração que tenho pelos grandes da música por ter alguma noção da influência que tiveram não só no trabalho daqueles que hoje oiço, mas em muito do desenrolar da história da música, mas... falta-me qualquer coisa. estou a hesitar... estou a hesitar porque me está a soar quase a sacrilégio escrever que o josh rouse me diz mais que o bob dylan... mas depois olho para trás e vejo que por enquanto ainda tenho mais discos do bob dylan do que do josh rouse. já não é mau... mas não foram os discos do bob dylan que ouvi compulsivamente sexta, sábado e domingo... nem é pelo dylan que sigo digressão para o porto na sexta-feira... mas também não é nada que não fizesse.
mais do que pela música em si, acho que o que neste momento me deixa mais contente em relação ao "fenómeno" josh rouse é ver que já não é preciso ir a londres para o ver actuar, posso vê-lo em lisboa e depois no porto, e que os concertos estão a ser promovidos pela rádio e televisão de portugal, queira lá isso dizer o que quiser, seja lá isso influência de quem for... não me interessa... quero é ver outra vez aqueles olhos azuis e ouvir o "miracle"... e o que mais vier.
o natal começa mais cedo : )
thanks!
quinta-feira, dezembro 09, 2004
o pai natal não tem dinheiro...
o meu fim de semana foi ontem. um trabalho de grupo adiado (afinal deus existe à 2ª, 4ª e 6ª) deixou-me um dia de sol inteiro para passar na baixa-chiado, ou melhor entre o cais do sodré e a rua do século. comprei metade das prendas. adoro o ritual, se é cumprido apenas uma vez por ano e com que intenção isso é com cada um. com a sua bolsa e a sua consciência. consumismo? seja. eu não gosto é de falsos moralismos. gosto de comprar, de escolher as prendas certas, ou melhor de ver qualquer coisa e ver estampada a cara da pessoa para quem aquio foi feito. e depois comprar, mesmo que não se possa comprar, para chegar ao objectivo de todo o processo. oferecer. todos os anos caio no mesmo erro. gasto muito nas primeiras prendas que compro e nas seguintes é que são elas... este ano não foi excepção, mas o que comprei foi tudo bem comprado. não ofereço nada só por oferecer. o dinheiro já é tão escasso que prefiro passar uma noite em claro a confeccionar prendas personalizadas do que gastar 5 euros numa porcaria qualquer só para cumprir a tradição. mais depressa gasto 30 ou 40 numa coisa que se justifique, e depois compenso noutra coisa... a comida é o mais comum. é que quando o saldo bancário desce da fasquia do pouco ao muito pouco, mais euro menos euro já não faz qualquer diferença... e para isso mais vale uma conta em baixo e a satisfação de oferecer uma prenda ao nosso gosto, do que apenas uma conta em baixo. um mal de que até já o pai natal sofre... pelo menos era o que dizia ontem uma criança no telejornal quando lhe perguntaram o que ia pedir velhinho de vermelho... "pouca coisa, porque o pai natal não tem dinheiro...", e disse aquilo com um sorriso de compreensão do tamanho do mundo, que me impressionou de tal maneira que acho que não me esqueço da imagem tão cedo.
quarta-feira, dezembro 08, 2004
eu ainda sou do tempo...
fazem-me bem as fases de saturação do computador. voltei a confirmar que o tempo se multiplica e isso é um achado quando o corpo obriga à inevitável cura de sono anual que por mais que tivesse tentado não consegui adiar mais... eram só mais duas semanas... mas quando os olhos querem fechar, fecham mesmo e eu já nem sequer tento contrariar. preciso urgentemente de recuperar a capacidade de concentração que me lembro de ter tido e já percebi que sem descanso não chego lá. as distracções e aluamentos do costume podem ser feitio de signo de ar, so they say, parece que os aquários assentam poucas vezes os pés na terra, confirma-se, mas tem de haver o mínimo de consciência do tempo que se pode passar lá em cima. as coisas estão a acontecer é no rés-do-chão, não é no 25º andar...
e essas distracções tão engraçadas que sempre me impediram de ser bem sucedida a matemática porque passava pelos sinais sem dar por eles, convicta de que tinha chegado ao resultado certo até à data da correcção, sinceramente já não lhes acho tanta graça... é essa a mesma concentração de que sinto falta hoje quando tenho de fazer contas rapidamente (percentagens então nem se fala), quando me tentam explicar caminhos ou quando tenho de os encontrar num mapa... sinto a cabeça a rebentar e bloqueio sem conseguir pensar em nada. esta incapacidade dá azo a cenas caricatas que de outra maneira não seriam vividas, mas não deixa de ser frustrante... tenho um sentido de (des)orientação vergonhoso, e sempre que volto a constatar isso sinto-me de novo no meio de um exercício de matemática em que não faço ideia do que estou a fazer... e a sensação continua a ser tão familiar... só sei que tenho de manter um ar convicto até ao fim... para depois me dizerem que o melhor é voltar tudo para trás.
e dizem hoje, pais e professores, que a falta de memória e de concentração da juventude advém da dependência do uso da máquina de calcular... no meu tempo a máquina de calcular ainda não era um bem essencial, era mais de luxo, e mesmo quando em fase terminal passou a essencial para refundir cábulas eu nunca lhe soube dar o devido valor nem tirar dela o proveito máximo... levava-a porque supostamente havia exercícios que só podiam ser feitos com o auxílio da máquina, pelo que dava jeito a professora ver a máquina em cima da mesa. ainda que sempre fechada. a criatividade de que acusam também os aquarianos, sempre me possibilitou apresentar resultados sem o auxílio da máquina para todos os problemas sem qualquer dificuldade. sempre errados, mas sempre com a minha lógica. a tal do 25º andar... hoje moro no 2º... cada vez mais perto do r/c... vou no bom caminho.
e essas distracções tão engraçadas que sempre me impediram de ser bem sucedida a matemática porque passava pelos sinais sem dar por eles, convicta de que tinha chegado ao resultado certo até à data da correcção, sinceramente já não lhes acho tanta graça... é essa a mesma concentração de que sinto falta hoje quando tenho de fazer contas rapidamente (percentagens então nem se fala), quando me tentam explicar caminhos ou quando tenho de os encontrar num mapa... sinto a cabeça a rebentar e bloqueio sem conseguir pensar em nada. esta incapacidade dá azo a cenas caricatas que de outra maneira não seriam vividas, mas não deixa de ser frustrante... tenho um sentido de (des)orientação vergonhoso, e sempre que volto a constatar isso sinto-me de novo no meio de um exercício de matemática em que não faço ideia do que estou a fazer... e a sensação continua a ser tão familiar... só sei que tenho de manter um ar convicto até ao fim... para depois me dizerem que o melhor é voltar tudo para trás.
e dizem hoje, pais e professores, que a falta de memória e de concentração da juventude advém da dependência do uso da máquina de calcular... no meu tempo a máquina de calcular ainda não era um bem essencial, era mais de luxo, e mesmo quando em fase terminal passou a essencial para refundir cábulas eu nunca lhe soube dar o devido valor nem tirar dela o proveito máximo... levava-a porque supostamente havia exercícios que só podiam ser feitos com o auxílio da máquina, pelo que dava jeito a professora ver a máquina em cima da mesa. ainda que sempre fechada. a criatividade de que acusam também os aquarianos, sempre me possibilitou apresentar resultados sem o auxílio da máquina para todos os problemas sem qualquer dificuldade. sempre errados, mas sempre com a minha lógica. a tal do 25º andar... hoje moro no 2º... cada vez mais perto do r/c... vou no bom caminho.
quinta-feira, dezembro 02, 2004
not to write...
parece que perdi a prática..... quando se interrompe um ciclo repentinamente, mesmo que só por três dias, o regresso à rotina não é tão natural como se pensa à partida. hoje até parece que me custa a escrever. desliguei a net por causa das tosses, passei três dias a ler compulsivamente e a matar a cabeça com o mesmo assunto... vá lá que hoje soube explicá-lo sem grandes atrapalhações perante uma plateia - felizmente - reduzida. e agora que posso escrever sobre o que me apetece, só me vem à cabeça o paradigma dominante, a crise do paradigma dominante e o paradigma emergente do amigo boaventura. e para voltar a esses assuntos, por agora prefiro não escrever.
segunda-feira, novembro 29, 2004
5 is the magic number...
fiz ontem as contas e desde que pus a marreca e o marquês com dono em prol da minha sanidade profissional e sobretudo mental, comprei ao todo 5 discos. já lá vão três meses, mas como dizia ontem à mãe-john parecem-me muitos mais... está tudo tão distante.... e se por uma lado é muito positivo eu estar a falar em distância mental antes sequer de chegar ao final do ano, por outro cinco discos em três meses é uma média de tal maneira baixa para mim que já me começa mesmo a consumir por dentro. 5 discos chegava eu a comprar numa semana.... quanto mais em três meses..... não admira que ande a voltar aos discos antigos... para além dos u2, já voltei neste últimos dias aos gin blossoms, gun n' roses, maxwell, james, dave matthews band, handsome boy modeling school, moses leroy, d'angelo, fiona apple, cake e mais aqueles todos que estão ali em cima da aparelhagem a precisar de nova arrumação e para onde eu prefiro nem olhar..... mas isso ainda é o menos... no sofá, logo ao lado, já atingi a fasquia da banca mais concorrida da feira de carcavelos em hora de ponta, tal é o amontoado de roupa, malas, livros, papéis e vejo também mais alguns cds perdidos da mãe...
domingo, novembro 28, 2004
rebellion, pounding, waterfall.......
o boaventura sousa santos mais o seu discurso sobre as ciências que me desculpem, mas eu hoje estou com sede de música, muito mais do que de leituras. são fases. fui dar novamente aos arcade fire, que me trazem à memória que na semana passada por esta altura estava a braços com um acordar mui difícil no porto, mais concretamente na simpática red river city da sofia, em convalesceça de mais uma data da interminável mas sempre saudável digressão zig zag. convenhamos que a música com batida bem marcada não será o ritmo ideal para os acordares difíceis, mas acordei (se é que cheguei mesmo a adormecer...) com o "rebellion (lies)" na cabeça, que me tinha feito companhia em repeat mode durante toda a manhã do dia anterior enquanto li-repito-li um sem número de páginas da obra "jornalismo e verdade".
a música é um vício instantâneo, não sei se é da batida, das lies em coro, da melodia tangueta, ou se é tudo junto, mas que se infiltra por todo o lado, lá isso infiltra. e de tanto que ouvi a música naquele sábado, às tantas começou a soar diferente, como acontece com tudo aquilo que ouvimos mais do que a conta. como a cena das músicas ouvidas em cassete, que a partir de certa altura parece que tocavam mais depressa ou mais devagar. em formato cd, ou mp3, ou mq3, a cena resulta mais no sentido de associação de músicas e não tanto na transformação de ritmos.
agora quando oiço este "rebellion (lies)" associo-o involuntariamente a uma sequência conjunta com o "pounding" dos doves e o "waterfall" dos stone roses. vício ao cubo.
a música é um vício instantâneo, não sei se é da batida, das lies em coro, da melodia tangueta, ou se é tudo junto, mas que se infiltra por todo o lado, lá isso infiltra. e de tanto que ouvi a música naquele sábado, às tantas começou a soar diferente, como acontece com tudo aquilo que ouvimos mais do que a conta. como a cena das músicas ouvidas em cassete, que a partir de certa altura parece que tocavam mais depressa ou mais devagar. em formato cd, ou mp3, ou mq3, a cena resulta mais no sentido de associação de músicas e não tanto na transformação de ritmos.
agora quando oiço este "rebellion (lies)" associo-o involuntariamente a uma sequência conjunta com o "pounding" dos doves e o "waterfall" dos stone roses. vício ao cubo.
you too... not me.....
há alturas em que me é impossível não ser do contra. não faço disso um modo de vida, até porque já experimentei durante a adolescência e dá muito trabalho, mas às vezes é mais forte que eu. não gosto de consensos absolutos, histerismos colectivos, prefiro a desordem e a discussão. tanto mal me disseram sobre a bomba dos u2, que comecei a ver a curiosidade a crescer ao bom estilo da bola de neve. não sou rande fã da banda, vejo os u2 como uma instituição que toda a gente respeita, que toda a gente gosta, mas que não me tira o sono, nem me faz estar três dias sem comer, e isso às vezes faz-me falta.
os u2 para mim são o símbolo do politicamente correcto na música, não me aquecem nem arrefecem. pior, fazem-me cair também no politicamente correcto e dizer chavões como "admiro muito o bono" e "o one continua a ser uma das canções que me mais me toca, mesmo depois depois de já a ter ouvido milhares de vezes". e a coisa piora se em seguida eu vier a acrescentar que quando o digo, digo-o a sério. e digo mesmo. é o lado humano do bono que me faz comprar os discos. é a esperança de vir a encontrar nos discos dos u2 outra canção que me faça sentir o mesmo que senti quando ouvi o "one" pela primeira vez. devia ter para aí doze anos e na altura de certeza que não percebi nada ou quase nada do que o bono estava a cantar. mas parou tudo à volta. o achtung baby faz parte do quadro de honra dos primeiros discos que comprei e continua a ser para mim o símbolo dos u2.
a partir dali, u2 speaking, acho que só voltei a sentir o mesmo quando ouvi o bono cantar o "the ground beneath her feet" no million dollar hotel, com os toques do daniel lanois. voltou a parar tudo. ainda pára.
não encontrei nada semelhante no "how to dismantle an atomic bomb". acontece que me pintaram o quadro tão negro em relação ao álbum, que ontem depois da entrada servida pelo álvaro na antena 3, fui ouvir o disco pela primeira vez. soou-me tão bem que o deixei tocar 5 vezes de seguida. e dei por muito bem investidos os quase 30 euros que gastei na quinta-feira na tão apregoada e raríssima edição xpto com cd+dvd+livro, que supostamente abandonaria o mercado na madrugada de domingo passado, mas que quase uma semana depois ainda havia aos pontapés e em destaque na fnac-colombo. tudo na base do politicamente correcto, he we go again, mas sinceramente não acho este disco pior do que o "all that you can't leave behind", que esse sim para mim foi uma xaropada. o atomic bomb, apesar de tudo, ganha-lhe com distinção. para mim são os u2 iguais a eles próprios. não percebo o porquê de tanta algazarra. não é isto que eles costumam fazer? não soa a achtung baby? o pop também não soava... e o vertigo também não me soava a nada... fui ver, era o octávio......
os u2 para mim são o símbolo do politicamente correcto na música, não me aquecem nem arrefecem. pior, fazem-me cair também no politicamente correcto e dizer chavões como "admiro muito o bono" e "o one continua a ser uma das canções que me mais me toca, mesmo depois depois de já a ter ouvido milhares de vezes". e a coisa piora se em seguida eu vier a acrescentar que quando o digo, digo-o a sério. e digo mesmo. é o lado humano do bono que me faz comprar os discos. é a esperança de vir a encontrar nos discos dos u2 outra canção que me faça sentir o mesmo que senti quando ouvi o "one" pela primeira vez. devia ter para aí doze anos e na altura de certeza que não percebi nada ou quase nada do que o bono estava a cantar. mas parou tudo à volta. o achtung baby faz parte do quadro de honra dos primeiros discos que comprei e continua a ser para mim o símbolo dos u2.
a partir dali, u2 speaking, acho que só voltei a sentir o mesmo quando ouvi o bono cantar o "the ground beneath her feet" no million dollar hotel, com os toques do daniel lanois. voltou a parar tudo. ainda pára.
não encontrei nada semelhante no "how to dismantle an atomic bomb". acontece que me pintaram o quadro tão negro em relação ao álbum, que ontem depois da entrada servida pelo álvaro na antena 3, fui ouvir o disco pela primeira vez. soou-me tão bem que o deixei tocar 5 vezes de seguida. e dei por muito bem investidos os quase 30 euros que gastei na quinta-feira na tão apregoada e raríssima edição xpto com cd+dvd+livro, que supostamente abandonaria o mercado na madrugada de domingo passado, mas que quase uma semana depois ainda havia aos pontapés e em destaque na fnac-colombo. tudo na base do politicamente correcto, he we go again, mas sinceramente não acho este disco pior do que o "all that you can't leave behind", que esse sim para mim foi uma xaropada. o atomic bomb, apesar de tudo, ganha-lhe com distinção. para mim são os u2 iguais a eles próprios. não percebo o porquê de tanta algazarra. não é isto que eles costumam fazer? não soa a achtung baby? o pop também não soava... e o vertigo também não me soava a nada... fui ver, era o octávio......
sábado, novembro 27, 2004
i started a joke...
eu sei que só se goza/brinca com pessoas de quem gostamos e em quem temos confiança. sei disso porque também tenho por hábito fazê-lo com pessoas com quem tenho à vontade para tal. mas há uma regra neste jogo de comunicação que aprendi jogar sem dar por isso num ambiente profissional de maioria masculina, que nem sempre vejo ser respeitada - o sinal stop. gosto muito de ambientes descontraídos, de entrar nas picardias humorísticas saudáveis, de rir de mim quando é preciso (e as vezes não são poucas...), mas há alturas em que as piadas perdem a graça.
provavelmente até sou eu que motivo isso, não sei, mas a verdade é que há alturas em que me sinto mesmo o tal bobo da corte de que falava no outro dia. parece que tudo o que digo e faço dá vontade de rir à "assistência", e se há coisa que nunca gostei foi de palhaços, nem no circo nem na vida real, se é que ainda há diferenças... volto a dizer que tenho a perfeita noção de que a tal "assistência" é formada única e exclusivamente por pessoas que gostam de mim, caso contrário nem sequer lá estariam. ou melhor, eu nem sequer lá estaria. mas rir também cansa.
e depois há que ver que há alturas em que a racionalidade desaparece. eu respeito a regra do sinal stop quando sou a parte engraçadinha, e espero que a respeitem também quando sou eu o motivo das "graçolas". fico fora de mim quando passam o sinal sem parar, mesmo que seja sem intenção, depois de eu ter dado o alerta de "end of joke". é que nessa altura os nervos já estão à flor da pele, o mau feito já foi accionado, e já eu deixei há muito de conseguir ver as coisas tão friamente como vejo agora que me obriguei a escrever sobre o assunto para ter noção do quão idiota consigo ser quando me enervo.
fico fora de mim quando se riem da minha cara quando estou chateada. mas não me orgulho das minhas reacções a quente, nada, sobretudo porque quem leva com elas é sempre quem menos merece.
provavelmente até sou eu que motivo isso, não sei, mas a verdade é que há alturas em que me sinto mesmo o tal bobo da corte de que falava no outro dia. parece que tudo o que digo e faço dá vontade de rir à "assistência", e se há coisa que nunca gostei foi de palhaços, nem no circo nem na vida real, se é que ainda há diferenças... volto a dizer que tenho a perfeita noção de que a tal "assistência" é formada única e exclusivamente por pessoas que gostam de mim, caso contrário nem sequer lá estariam. ou melhor, eu nem sequer lá estaria. mas rir também cansa.
e depois há que ver que há alturas em que a racionalidade desaparece. eu respeito a regra do sinal stop quando sou a parte engraçadinha, e espero que a respeitem também quando sou eu o motivo das "graçolas". fico fora de mim quando passam o sinal sem parar, mesmo que seja sem intenção, depois de eu ter dado o alerta de "end of joke". é que nessa altura os nervos já estão à flor da pele, o mau feito já foi accionado, e já eu deixei há muito de conseguir ver as coisas tão friamente como vejo agora que me obriguei a escrever sobre o assunto para ter noção do quão idiota consigo ser quando me enervo.
fico fora de mim quando se riem da minha cara quando estou chateada. mas não me orgulho das minhas reacções a quente, nada, sobretudo porque quem leva com elas é sempre quem menos merece.
sexta-feira, novembro 26, 2004
under the influence...
quando me dou por feliz por pensar que há certas pessoas que já não têm grande influência sobre o que penso ou o que sinto, como já tiveram, por vezes até mais do que eu gostaria que tivessem tido, recebo um telefonema inesperado - tão esperado em tempos - e constato que afinal nem tudo o que parece é. que a influência continua lá, pelo menos no meu estado de espírito e na habitual chamada à realidade, que é uma coisa que me custa "horrores" como diz o outro, mas nada mais do que isso, e já não é pouco. volto ao guia espiritual moses leroy e assino por baixo... three years too late, but always right on time. a tempo de me fazer ver mais uma vez que afinal não sou tão independente como queria ser, nem tão pouco influenciável como julgo ser. as influências é que vão mudando. como eu.
Orelhas de Burro:
streets of your town by the go-betweens
Orelhas de Burro:
streets of your town by the go-betweens
quinta-feira, novembro 25, 2004
blog-radio 2
ainda a comparação de ontem.... com as pressas de largar isto ontem à noite e ir acabar de ler as muitas fotocópias que deixei para a véspera, acabei por não explicar a teoria toda... acho que neste momento me faz todo o sentido associar o blog, a escrita-blog, à rádio porque este hábito diário me fez finalmente perceber uma coisa que o marino me tentou explicar há uns anos. para quem vive a rádio é quase tão importante como respirar poder ir ao microfone dizer qualquer coisa regularmente. nem que seja umas piadas ensaiadas. à falta de melhor, aceita-se o que há disponível, para ir matando o vício, o da rádio. na altura fez-me confusão, acho que ainda faz, mas hoje percebo melhor a ideia. não faço rádio, o único dom que tenho nesse campo é o do bloqueio, mas escrevo, para o blog, para mim, para quem quiser. e neste momento cheguei à conclusão que estar a privar-me de escrever - nem que seja uma das tais piadas ensaiadas - é uma estupidez tão grande como obrigar-me a reter a respiração.
quarta-feira, novembro 24, 2004
blog-radio
muito rapidamente, que já me estou a esticar nas considerações, e no seguimento da posta anterior, acho que a liberdade de acção que os blogs não só permitem como incentivam funciona para mim como uma espécie de rádio para quem escreve. é escrita imediata, feita de momentos, flashs, ideias repentinas, de imagens diárias que nos habituamos a captar sem nos apercebermos, porque esta cena de "ter" de escrever todos os dias faz-nos andar mais despertos para pequenos pormenores, expressões, respostas, atitudes, que antes nem nos dávamos conta de que nos passavam pelos olhos diariamente, mas que agora dão pano para mangas quando vistas aos olhos de um blog. aos nossos olhos.
volto à comparação da rádio. é o imediato. é o momento. é claro que muito do que se escreve, do que escrevo, são coisas que já se passaram há muito mas que por algum motivo nos continuam a bater à porta sistematicamente, e o blog acaba por servir para isso, para abrir portas, mas na maioria dos casos as postas surgem de flashs que temos durante o dia. falo por mim. e que se não forem tratadas naquele dia deixam de fazer sentido para nós, para quem escreve. como estas cenas que estou a escrever neste momento. amanhã já viriam fora de prazo, para mim, não para quem lê. porque quando falei em rádio, falei para quem escreve, não para quem lê. porque quem escreve é que sente a segurança que dá não ter de o fazer "em directo". e não ter a pressão de que se não escrever aquela ideia naquele segundo, mais vale não o fazer porque passou o timing. posso escrever no parágrafo seguinte. e ainda por cima com uma liberdade que um jornal, uma revista, um site não me permitem. e ainda assim, com a mesma preocupação de verdade com que o faria dentro um qualquer estatuto editorial. aguardo expectante pela oficialização de um novo tipo de jornalismo escrito. isento, livre, sério, apaixonado. estou sentada, não há crise. já houve.
volto à comparação da rádio. é o imediato. é o momento. é claro que muito do que se escreve, do que escrevo, são coisas que já se passaram há muito mas que por algum motivo nos continuam a bater à porta sistematicamente, e o blog acaba por servir para isso, para abrir portas, mas na maioria dos casos as postas surgem de flashs que temos durante o dia. falo por mim. e que se não forem tratadas naquele dia deixam de fazer sentido para nós, para quem escreve. como estas cenas que estou a escrever neste momento. amanhã já viriam fora de prazo, para mim, não para quem lê. porque quando falei em rádio, falei para quem escreve, não para quem lê. porque quem escreve é que sente a segurança que dá não ter de o fazer "em directo". e não ter a pressão de que se não escrever aquela ideia naquele segundo, mais vale não o fazer porque passou o timing. posso escrever no parágrafo seguinte. e ainda por cima com uma liberdade que um jornal, uma revista, um site não me permitem. e ainda assim, com a mesma preocupação de verdade com que o faria dentro um qualquer estatuto editorial. aguardo expectante pela oficialização de um novo tipo de jornalismo escrito. isento, livre, sério, apaixonado. estou sentada, não há crise. já houve.
to write or not to write.....
estava ali controlar-me para não ligar o computador, mas o o êxito disciplinar foi tanto ou tão pouco que fiquei meia hora a ler uma página que se me perguntarem agora sobre o que tratava não faço ideia porque estive todo o tempo a pensar em desculpas para vir escrever qualquer coisa. se eu já gostava de escrever na era pré-blog, neste momento estou viciada. criei um hábito, sobretudo ao longo dos últimos dois, três meses, em que tenho tido muito mais tempo livre para preencher, que me ajuda a organizar ideias e principalmente a ver as coisas de fora e com mais clareza. a ver-me de fora, acho que é mais isso. pode ser que um dia consiga no dia a dia começar a ver tudo com a mesma clareza com que revejo as coisas depois de escrever sobre elas. esta escrita livre de blog acaba por ter em mim o mesmo efeito da luz do dia. tenho tendência a fazer grandes filmes e a stressar com coisas muitas vezes insignificantes quando acordo durante a noite. hoje isso raramente acontece, mas em tempos aconteceu quase diariamente durante meses a fio, e o que ainda agora me faz confusão à cabeça é como é que uma coisa que às quatro da manhã era para mim o fim do mundo, às oito ou às nove do dia seguinte já nem sequer me dava que pensar, bastava amanhecer. mas na noite seguinte, voltava tudo ao mesmo...... se calhar se na altura tivesse optado por escrever sobre tudo o que me tirava o sono, tinha resolvido o problema bastante mais depressa. não sei se já há alguma terapia da escrita clinicamente testada, mas se não há algum senhor doutor que avance nesse sentido.
terça-feira, novembro 23, 2004
got my mind set on you...
Deontologia dos jornalistas portugueses
PINA, SARA
Autor: PINA, SARA
Colecção: COMUNICACAO
Editora: MINERVA
Idioma: PORTUGUES
PREÇO CAPA: 13.83 €
PREÇO FNAC: 12.57 €
Ganha 1.26 €
algo me diz que não era sobre deontologia nem cursos superiores que o george harrison cantava aqui, mas a esta letra actualmente serve-me que nem uma luva... agora só falta interiorizá-la e mentalizar-me que a partir de hoje e até dezembro/janeiro it's all about me and the books. este foi o primeiro exercício.
querido curso:
I got my mind set on you
But it’s gonna take money
A whole lotta spending money
It’s gonne take plenty of money
To do it right child
It’s gonna take time
A whole lot of precious time
It’s gonna take patience and time, ummm
To do it, to do it, to do it, to do it, to do it,
To do it right child
I got my mind set on you
And this time I know it’s for real
The feelings that I feel
I know if I put my mind to it
I know that I really can do it
I got my mind set on you
até já,
mary-john
p.s. - prometo que o blog ficará remetido para segundo plano durante toda esta época crítica.
segunda-feira, novembro 22, 2004
segunda-feira
acordei com a nostalgia do fim de semana já ter acabado. regressei a lisboa com o enter sandman na cabeça, com as imagens das cenas de cumplicidade dançante que se geraram mais uma vez dentro do gang de lo habitual (miguel, we missed you...) desta feita em torno do momento alto rock da noite de sábado no triplex animada pelos z boys. tenha as consequências académicas que tiver, valeu a pena, estava a precisar deste fim de semana. venha o próximo... mas só para o meio de dezembro. preciso de acordar......
sexta-feira, novembro 19, 2004
big brother
há uma lei inalienavável estabelecida à nascença entre irmãos/irmãs, cuja importância aprendemos a respeitar e a cumprir à regra desde o tempo das fraldas. uma lei que deve ter nascido no momento em que a humanidade tomou consciência de que haverá sempre conflitos atrás de conflitos a pautar as relações entre irmãos, ou seja, sempre existiu. e, no entanto, continua, e continuará sempre, tão actual como dantes porque está muito próxima do patamar das verdades absolutas - "do meu irmão só eu me posso queixar". e aqui tenho de tirar o chapéu aos amigos que sabem ouvir desabafos sobre irmãos e dar o conselho certo na hora h porque não é tarefa fácil. eu nunca sei o que dizer quando estou no papel de ouvinte, porque já sei do que a casa gasta. ou seja, sei que se não concordar com a visão do irmão que me é mais próximo, e que é também o que está a desabafar comigo, vou ouvir entre dois berros "mas afinal de que lado que é tu estás?". e sei também que se, por outro lado, lhe der razão à primeira, vou passar a sensação de que estou a concordar que o irmão acusado é isto e aquilo.... big mistake! a discussão vai mudar de rumo e acabo por ter de me defender é a mim. porque ao dizer mal do irmão de outra pessoa estou a invadir propriedade privada. porque já tenho o meu para me queixar. mas ai de quem me der razão quando eu estiver a exercer o meu direito de irmã queixosa....
aproveito a data de hoje para desfazer um mito - os irmãos quando são pequenos não andam sempre ao estalo. meet tiago & mary-john as beach kids [a sessão fotográfica neste dia deve ter decorrido no momento da chegada porque ainda estávamos de chapéu na cabeça]:
happy birthday, mano!
é a chamada prenda do século 21... ; )
aproveito a data de hoje para desfazer um mito - os irmãos quando são pequenos não andam sempre ao estalo. meet tiago & mary-john as beach kids [a sessão fotográfica neste dia deve ter decorrido no momento da chegada porque ainda estávamos de chapéu na cabeça]:
happy birthday, mano!
é a chamada prenda do século 21... ; )
quinta-feira, novembro 18, 2004
filmes
por que é que faço tantos filmes na vida real, e quando me pedem para ter uma ideia para um "filme" de 3 minutos, o vazio é total? até terça-feira o problema tem de estar resolvido.
mais vale nunca.....
ninguém me dá 25 anos. acho que nem eu dava... supostamente crescemos todos os dias, mas eu acho que só raramente dou por isso. tenho pressa, pois tenho, acusam-me disso frequentemente e eu não me defendo. é o meu ritmo, cada um tem o seu, e o meu é acelerado. nos dias em que consigo acalmar sinceramente nem me sinto muito eu. penso inevitavelmente que é assim que as outras pessoas se sentem todos os dias. mas nesse caso eu não estou nos meus dias. mas por outro lado, sinto-me bem. sabe-me bem não ter a cabeça às voltas todos os dias. e estou a começar a conseguir controlar isso. fico contente por chegar finalmente à conclusão que não me estavam a enganar de todas as vezes que me disseram que com o tempo ia aprender a relativizar a importância das coisas e que ia deixar de ver o fim do mundo em cada esquina e de fazer tempestades mentais em copos de água. resumindo, que ia aprender a não me preocupar demasiado com as coisas.
tem sido essa a minha maior luta pessoal dos últimos tempos. aprender a separar as águas, a dizer que não, a dar a cada pessoa e a cada coisa a importância devida de modo a salvaguardar-me e a constatar que quando menos me preocupo com as coisas melhor elas correm. já não sei qual foi o episódio que me fez querer seguir nesta direcção - o que significa que com o tempo lhe terei dado a importância devida, ou seja, nenhuma -, mas numa espécie de avaliação pessoal, e sem falsas modéstias, acho que este ano evoluí a olhos vistos nesse sentido. regredi noutros, claro, porque por uns pagam sempre outros, mas tendo em conta o objectivo a que me propus parece que vou chegar ao final do ano com a sensação de que completei realmente os 25 anos em 2004, como estava previsto no calendário. e confirma-se... são mesmo os baldes de água fria que nos fazem evoluir. se é no bom ou mau sentido, isso depois depende do quão fria estava a água e do lado humano de cada um.
sinto, no entanto, que ao mesmo tempo que consegui começar a ser mais "desligada" das coisas que não me interessavam e me faziam mal, levei também à frente e por arrasto algumas que me interessavam sem dar por isso. acho que hoje me importo menos com o que sentem as pessoas mas fico sempre com uma réstia de remorsos. não num sentido de frieza emocional ou egoísmo atroz, mas noutro de não me deixar pisar sempre que tenho de optar por prejudicar ou ser prejudicada. acho que cheguei à fase dos 50-50. acho que mais de que egoísmo, é tudo uma questão de auto-estima e segurança, duas coisas que sempre tive tendência a deixar cair com muita facilidade por achar que os outros se sentem sempre bem, melhor do que eu, e muito seguros de si. uma arte que eu não domino, de todo. e que fui aprendendo a ver que ninguém domina.
tem sido essa a minha maior luta pessoal dos últimos tempos. aprender a separar as águas, a dizer que não, a dar a cada pessoa e a cada coisa a importância devida de modo a salvaguardar-me e a constatar que quando menos me preocupo com as coisas melhor elas correm. já não sei qual foi o episódio que me fez querer seguir nesta direcção - o que significa que com o tempo lhe terei dado a importância devida, ou seja, nenhuma -, mas numa espécie de avaliação pessoal, e sem falsas modéstias, acho que este ano evoluí a olhos vistos nesse sentido. regredi noutros, claro, porque por uns pagam sempre outros, mas tendo em conta o objectivo a que me propus parece que vou chegar ao final do ano com a sensação de que completei realmente os 25 anos em 2004, como estava previsto no calendário. e confirma-se... são mesmo os baldes de água fria que nos fazem evoluir. se é no bom ou mau sentido, isso depois depende do quão fria estava a água e do lado humano de cada um.
sinto, no entanto, que ao mesmo tempo que consegui começar a ser mais "desligada" das coisas que não me interessavam e me faziam mal, levei também à frente e por arrasto algumas que me interessavam sem dar por isso. acho que hoje me importo menos com o que sentem as pessoas mas fico sempre com uma réstia de remorsos. não num sentido de frieza emocional ou egoísmo atroz, mas noutro de não me deixar pisar sempre que tenho de optar por prejudicar ou ser prejudicada. acho que cheguei à fase dos 50-50. acho que mais de que egoísmo, é tudo uma questão de auto-estima e segurança, duas coisas que sempre tive tendência a deixar cair com muita facilidade por achar que os outros se sentem sempre bem, melhor do que eu, e muito seguros de si. uma arte que eu não domino, de todo. e que fui aprendendo a ver que ninguém domina.
cake
não sei se os cake estão prestes a editar qualquer coisa nova, nem se editaram há pouco tempo. como comentava ainda há pouco com o luís, a partir do momento em que deixei de estar profissionalmente ligada à música houve algumas coisas a que deixei de prestar atenção. para além das coisas de que me desliguei propositadamente por motivos de sanidade mental e emocional até, a data de saída de discos foi uma delas. antes tinha de estar a par daquilo tudo, ou pelo menos daquilo que a memória e respectivos auxiliares me permitissem. agora não nem lá perto. sei os que mais me interessam e mesmo assim muito por alto. falei dos cake lá em cima, e foi por eles que abri a posta, porque ontem ao fim da tarde no caminho da faculdade para casa, praça de espanha-a5-algés, ouvi duas vezes os cake na rádio. postos diferentes como convém, porque quando oiço rádio no carro faço uma média de uma música por estação. voxx, antena 3, rcp, radar, mega fm, capital, oxigénio, tsf, não necessariamente por esta ordem. i will survive na antena 3, não eu, lol, longe disso, e the distance noutra daquelas que referi mas que já não consigo situar ao certo. pensei que a seguir podia dar o never there, mas já não tive sorte nenhuma. ainda assim durante aquele tempo abstraí-me da confusão do trânsito. antes pelo contrário, deu-me tempo para ouvir como deve ser a letra do i will survive a que acho que nunca tinha dado a devida atenção. fui agora ver o que era feito dos meus discos dos cake e constatei que ainda são do tempo em que lhes dava uso a sério. e também que só um não está emprestado, o prolonging the magic... e também que não sei a quem os emprestei.... e o dia que já me estava a correr tão bem... anyone? adoro esta banda, as capas dos discos, e as músicas riscadas....... e entretanto já vi que saíu disco novo este ano. vou ver isso.
Orelhas de Burro:
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