sexta-feira, novembro 19, 2004

big brother

há uma lei inalienavável estabelecida à nascença entre irmãos/irmãs, cuja importância aprendemos a respeitar e a cumprir à regra desde o tempo das fraldas. uma lei que deve ter nascido no momento em que a humanidade tomou consciência de que haverá sempre conflitos atrás de conflitos a pautar as relações entre irmãos, ou seja, sempre existiu. e, no entanto, continua, e continuará sempre, tão actual como dantes porque está muito próxima do patamar das verdades absolutas - "do meu irmão só eu me posso queixar". e aqui tenho de tirar o chapéu aos amigos que sabem ouvir desabafos sobre irmãos e dar o conselho certo na hora h porque não é tarefa fácil. eu nunca sei o que dizer quando estou no papel de ouvinte, porque já sei do que a casa gasta. ou seja, sei que se não concordar com a visão do irmão que me é mais próximo, e que é também o que está a desabafar comigo, vou ouvir entre dois berros "mas afinal de que lado que é tu estás?". e sei também que se, por outro lado, lhe der razão à primeira, vou passar a sensação de que estou a concordar que o irmão acusado é isto e aquilo.... big mistake! a discussão vai mudar de rumo e acabo por ter de me defender é a mim. porque ao dizer mal do irmão de outra pessoa estou a invadir propriedade privada. porque já tenho o meu para me queixar. mas ai de quem me der razão quando eu estiver a exercer o meu direito de irmã queixosa....

aproveito a data de hoje para desfazer um mito - os irmãos quando são pequenos não andam sempre ao estalo. meet tiago & mary-john as beach kids [a sessão fotográfica neste dia deve ter decorrido no momento da chegada porque ainda estávamos de chapéu na cabeça]:



happy birthday, mano!
é a chamada prenda do século 21... ; )

quinta-feira, novembro 18, 2004

filmes

por que é que faço tantos filmes na vida real, e quando me pedem para ter uma ideia para um "filme" de 3 minutos, o vazio é total? até terça-feira o problema tem de estar resolvido.

mais vale nunca.....

ninguém me dá 25 anos. acho que nem eu dava... supostamente crescemos todos os dias, mas eu acho que só raramente dou por isso. tenho pressa, pois tenho, acusam-me disso frequentemente e eu não me defendo. é o meu ritmo, cada um tem o seu, e o meu é acelerado. nos dias em que consigo acalmar sinceramente nem me sinto muito eu. penso inevitavelmente que é assim que as outras pessoas se sentem todos os dias. mas nesse caso eu não estou nos meus dias. mas por outro lado, sinto-me bem. sabe-me bem não ter a cabeça às voltas todos os dias. e estou a começar a conseguir controlar isso. fico contente por chegar finalmente à conclusão que não me estavam a enganar de todas as vezes que me disseram que com o tempo ia aprender a relativizar a importância das coisas e que ia deixar de ver o fim do mundo em cada esquina e de fazer tempestades mentais em copos de água. resumindo, que ia aprender a não me preocupar demasiado com as coisas.

tem sido essa a minha maior luta pessoal dos últimos tempos. aprender a separar as águas, a dizer que não, a dar a cada pessoa e a cada coisa a importância devida de modo a salvaguardar-me e a constatar que quando menos me preocupo com as coisas melhor elas correm. já não sei qual foi o episódio que me fez querer seguir nesta direcção - o que significa que com o tempo lhe terei dado a importância devida, ou seja, nenhuma -, mas numa espécie de avaliação pessoal, e sem falsas modéstias, acho que este ano evoluí a olhos vistos nesse sentido. regredi noutros, claro, porque por uns pagam sempre outros, mas tendo em conta o objectivo a que me propus parece que vou chegar ao final do ano com a sensação de que completei realmente os 25 anos em 2004, como estava previsto no calendário. e confirma-se... são mesmo os baldes de água fria que nos fazem evoluir. se é no bom ou mau sentido, isso depois depende do quão fria estava a água e do lado humano de cada um.

sinto, no entanto, que ao mesmo tempo que consegui começar a ser mais "desligada" das coisas que não me interessavam e me faziam mal, levei também à frente e por arrasto algumas que me interessavam sem dar por isso. acho que hoje me importo menos com o que sentem as pessoas mas fico sempre com uma réstia de remorsos. não num sentido de frieza emocional ou egoísmo atroz, mas noutro de não me deixar pisar sempre que tenho de optar por prejudicar ou ser prejudicada. acho que cheguei à fase dos 50-50. acho que mais de que egoísmo, é tudo uma questão de auto-estima e segurança, duas coisas que sempre tive tendência a deixar cair com muita facilidade por achar que os outros se sentem sempre bem, melhor do que eu, e muito seguros de si. uma arte que eu não domino, de todo. e que fui aprendendo a ver que ninguém domina.

cake

não sei se os cake estão prestes a editar qualquer coisa nova, nem se editaram há pouco tempo. como comentava ainda há pouco com o luís, a partir do momento em que deixei de estar profissionalmente ligada à música houve algumas coisas a que deixei de prestar atenção. para além das coisas de que me desliguei propositadamente por motivos de sanidade mental e emocional até, a data de saída de discos foi uma delas. antes tinha de estar a par daquilo tudo, ou pelo menos daquilo que a memória e respectivos auxiliares me permitissem. agora não nem lá perto. sei os que mais me interessam e mesmo assim muito por alto. falei dos cake lá em cima, e foi por eles que abri a posta, porque ontem ao fim da tarde no caminho da faculdade para casa, praça de espanha-a5-algés, ouvi duas vezes os cake na rádio. postos diferentes como convém, porque quando oiço rádio no carro faço uma média de uma música por estação. voxx, antena 3, rcp, radar, mega fm, capital, oxigénio, tsf, não necessariamente por esta ordem. i will survive na antena 3, não eu, lol, longe disso, e the distance noutra daquelas que referi mas que já não consigo situar ao certo. pensei que a seguir podia dar o never there, mas já não tive sorte nenhuma. ainda assim durante aquele tempo abstraí-me da confusão do trânsito. antes pelo contrário, deu-me tempo para ouvir como deve ser a letra do i will survive a que acho que nunca tinha dado a devida atenção. fui agora ver o que era feito dos meus discos dos cake e constatei que ainda são do tempo em que lhes dava uso a sério. e também que só um não está emprestado, o prolonging the magic... e também que não sei a quem os emprestei.... e o dia que já me estava a correr tão bem... anyone? adoro esta banda, as capas dos discos, e as músicas riscadas....... e entretanto já vi que saíu disco novo este ano. vou ver isso.


Orelhas de Burro:


terça-feira, novembro 16, 2004

postal hair

ainda a propósito de publicidade - isto é que é uma sina -, para não ter de voltar a responder à pergunta do dia, e para o caso de mais alguém se questionar acerca da identidade da rapariga do look "afro-kelis" que está encostada à parede a ler uma carta do namorado num dos outdoors da nova campanha dos ctt... não , não sou eu. consta que de relance só posso ser eu. a minha mãe chamou-me a atenção para o facto. é grave. hoje, ao final do dia, uma professora dirigiu-se a mim no início de uma aula e chamou-me a atenção para o mesmo. é mais grave ainda. "estou sempre a vê-la naquele anúncio. é minha aluna, digo eu às pessoas" / "olhe que não, olhe que não, antes fosse, se calhar" / "ai não é você? mas é tão parecida..... olhe deixe lá que você está bem é aqui na universidade!"

não, não sou eu, e não gosto que me confundam.

leavers dance

é por estas e por outras que eu não me presto a ver publicidade na televisão... a catarina avisou-me via sms que o anúncio da optimus com a leavers dance dos veils já estava a passar. larguei o que estava a fazer e fui plantar-me em frente à televisão a ver o bloco publicitário que sucedeu ao telejornal da tvi, achei que ali teria de passar de certeza. não sei quanto tempo passou, mas perdi a pachorra ao 27º anúncio, acho que foi por aí... detergentes, telefones, telemóveis, brinquedos, chocolates, iogurtes, créditos e mais créditos e o diabo a quatro, mas nada de optimus. só uma cena de telefone fixo ligada à rede. desliguei a televisão e regressei ao que estava à fazer. um minuto depois - palavra de honra - o telemóvel toca. era o miguel - o anúncio estava a dar na tvi. mais um para a colecção outono-inverno. a música toca na rádio? toca. na ex-voxx e na antena 3 de fim de semana - mq3 e bons rapazes. what now?

freedy johnston

sinto-me em dívida para com este senhor. descobri-o já há algum tempo, por acaso, se não me falha a memória na altura das cómodas sugestões do audiogalaxy. chamou-me a atenção porque pensei na hora que o nome estivesse mal escrito. freedy johnston. freedy soa a gralha. mas soa muito bem. sobretudo uma canção chamada "bad reputation". apercebi-me hoje que há já alguns meses que não passa uma semana que não a oiça pelo menos uma vez. gosto da melodia, gosto da voz do senhor, meio tangueta meio whisky, gosto do realismo da poesia e da maneira como um tema que me deprime e que volta não volta me faz criar tempestades em copos de água, se transforma numa coisa tão simples que até me faz criar dependência. a música, claro. oiço muito esta passagem:

Suddenly I'm down in Harold's Square
Looking in the crowd, your face is everywhere
Been turning around
Do you want me now?

mais uma ideia que já todos pensámos/escrevemos à nossa maneira vezes sem conta, mas que sistematizada assim e cantada assado parece que ganha finalmente o sentido certo. não conheço bem as leis de murphy, mas creio que deveria haver na listagem qualquer coisa mais humana que falasse sobre encontros e desencontros e e não apenas sobre filas de carros e pão com manteiga. há com certeza uma lei muito bem fundamentada que resuma as fracas probabilidades que temos de esbarrar "por acaso" com quem gostaríamos de esbarrar naquele dia e àquela hora. e outra que resuma as altíssimas probabilidades que temos de sentir a omnipresença de alguém de quem só queremos distância. é certinho que toda a gente na rua terá qualquer traço semelhante, seja aqui ou no japão, todas as vozes soarão igualmente familiares, e tudo o que vemos escrito nos faz lembrar um nome. as matrículas dos carros então são péssimas para isso. e se ouvir esta música me faz pensar nisto tudo, não percebo porque continuo a precisar de a ouvir regularmente..... enfim... já passa das 23h.....

segunda-feira, novembro 15, 2004

bloc party

o meu mais recente vício... ou o modo como a descoberta inesperada de um disco conseguiu arruinar quase por completo mais uma tarde de estudo..... não se perdeu tudo, digo eu, tenho três capítulos lidos e sublinhados e três páginas de apontamentos em computador... e ainda consegui sacar o ep dos bloc party na íntegra. a phones disco mix do "banquet" é um vício instantâneo, e mesmo a versão original, meaning sem batida extra, que abre o disco deixa de imediato de fora a hipótese de não ouvir o resto até ao fim. o "little thoughts" está pronto para tocar na rádio a qualquer momento, haja o que houver como já diziam os outros, e a "pulp song" tem potencial para divertir quem gosta dos pulp e para convencer quem nem por isso, é obrigatória, fica a deixa para o luís. assim já posso falar de músicas cá no estábulo? :)


Orelhas de Burro:



just thinking....

enquanto revejo mentalmente a figura cosmopolita do wainwright filho envolto naquela bolha gigante de sofisticação, não consigo deixar de pensar no que seria do rapaz e dos seus discos vestidos de sleeping beauty se tivesse crescido numa família e num meio que não os dele. ou se o fascínio que tem pela europa seria o mesmo se por acaso tivesse tido a sorte/azar de crescer num país latino, como ele disse que tanto gosta, tipo portugal. uma coisa é certa - francês saberia falar/cantar na mesma e isso é muito importante. enough is enough.

domingo, novembro 14, 2004

wanted one, had one....

o único truque que conheço para desbloquear a escrita é escrever que estou bloqueada. acontece-me normalmente quando gosto tanto de uma coisa, que tudo o que escrevo me parece pouco para a descrever. nunca consigo passar a sensação exacta para o papel, e a frustração que daí advém torna-me o bloqueio ainda maior. acho que é esta a melhor descrição que consigo fazer do concerto do rufus wainwright.

não vou falar de músicas. é óbvio que tenho as minhas preferidas, aliás enumerei ontem uma série delas, mas depois de ver o próprio compositor a dar-lhes forma ali a dois passos, e agora que olho para o concerto mais a frio (dentro do possível), não consigo escolher apenas uma, nem duas, nem três que se destaquem, como faço habitualmente. a força com que o rapaz reconstrói cada canção é de tal maneira poderosa, e a voz que lhe sai sei lá de onde é de tal forma infiltrante, que se o concerto teve 15 músicas então eu tive ao longo daquelas duas horas (terão sido duas? confesso que perdi mesmo por completo a noção do tempo, não é nenhum lugar-comum) 15 músicas preferidas. uma a seguir à outra, da primeira à última. é claro que o estômago se ressentiu mais em alguns momentos em que a carga emocional associada a uma ou outra música era maior, mas acho que nem posso dizer que tenha gostado mais desta ou daquela. gostei do concerto num todo. tanto mais, que só hoje quando voltei a ouvir os discos reparei que houve músicas que à partida ia na expectativa de ouvir e ficaram de fora... ontem não dei por nada. não me fizeram falta, mas tenho de admitir que houve momentos em que a banda me fez falta. os discos são muito ricos para aparecerem assim despidos, a modos que em versão “o rei vai nu”. parece que é só uma questão de tempo… no palco songwriters de coura, talvez, digo eu em grego. não, não vou falar de músicas.

quando aqui há tempos a propósito de núpcias passadas tive de escrever sobre o rufus wainwright e mais concretamente sobre o "want one", o título que dei ao texto pareceu-me completamente pateta (acho que é mesmo esta a palavra), mas deixei-o ficar na mesma porque na altura, quando acabei de ouvir o disco pela primeira vez, foi a frase que me veio imediatamente à cabeça: "eu quero um rufus só para mim". ontem tive um rufus só para mim. acho que toda a gente que viu o concerto teve.

e confirma-se: o rufus faz bem à vista, é um rapaz realmente bonito. arrogância, dizia eu? acho que até eu em dias de mau feitio consigo dar ares de maior arrogância do que ele demonstrou ontem. e pronto, last but not the least, sei que tenho de dar a mão à palmatória.... apesar do forte preconceito que vive em alguns representantes do sexo-masculino-muito-macho-muito-homem em relação ao factor gay do artista me tirar do sério, tenho de admitir que em carne e osso o rufus é realmente muito mais "menina" do que a imagem que as fotos deixam passar.

sábado, novembro 13, 2004

vicious rufus

para além das canções novas que ainda não consegui ouvir e de todas as que o rufus achar por bem tocar hoje na aula magna, não necessariamente por esta ordem, gostava de ouvir:

across the universe, hallelujah, vicious world, vibrate, greek song, foolish love, i don't know what it is, pretty things, one man guy, california, danny boy, 14th street, movies of myself, april fools, cigarettes and chocolate milk, 11:11, e hallelujah outra vez porque acho que (e correndo o risco de estar a dizer uma atrocidade de todo o tamanho) nem o cohen nem o buckley (e isso é que me admira!) me conseguem fazer arrepiar da mesma maneira que o rufus a cantar esta música.

espero sair do concerto com uma imagem menos arrogante do rapaz. pode ser só fachada, podem ser só poses, pode ser só impressão minha, mas é a imagem que passa nas fotos, para lá do resto. e apesar de ser grande fã do artista, acho que a artistice aguda não fica bem a ninguém. anyway, finalmente vou ver o rufus ao vivo.

sleepover...

acho que nunca consegui interiorizar completamente o hábito social das saídas à sexta-feira à noite. compreendo o lado óbvio da questão - é o fim de mais uma semana de trabalho/estudo, no dia seguinte não há despertador, e muitas vezes é o único dia em que se conseguem conciliar horários de modo a estar "toda" a gente no mesmo sítio e à mesma hora. depois há o outro lado da questão, o menos óbvio. e digo menos óbvio porque raramente encontro alguém - com menos de quarenta anos - que tenha a mesma visão do assunto. é à sexta-feira que o corpo paga em cansaço pelo esforço de mais uma semana de trabalho. mais, sexta ainda é dia de trabalho, o que significa que me levantei cedo e que por volta das dez, onze da noite é certo e sabido que me vai dar a quebra. e uma vez quebrada entro então no meu turno de bobo da corte (no seguimento do post anterior), não sai coisa com coisa, para além de saírem coisas que normalmente no dia seguinte me arrependo. a noite de hoje não foi excepção... zzzzzzzz...... o sono é um gajo traiçoeiro... zzzzzzz..... mas de vez em quando sabe tão bem ir na conversa..... do sono, volto a dizer, que este final é que me está a sair traiçoeiro...... lá está, é ele a falar, o sono. é sexta à noite. ainda é cedo. vou dormir.


Orelhas de Burro:

no grande sofá, uma cena antiga dos groove armada remisturada que eu adoro e já nem me lembrava que existia....... at the river, i guess

quinta-feira, novembro 11, 2004

o que foi (não) volta a ser...

não satisfeita com as trinta por uma linha que ando a fazer nesta vida, a minha mãe foi investigar o que andei a fazer de útil em tempos passados. entregou-me ontem o resultado da pesquisa. ao que parece, o diagnóstico do senhor doutor americano (que tanto dá para mim como para todos aqueles que nasceram no dia 23 de janeiro de 1979, aquarianos alucinados portanto) é o seguinte:

i don't know how you feel about it, but you were male in your last earthly incarnation.
[sinto-me bem, não se preocupe, que eu gosto pouco de monotonia. está assim explicado o meu lado maria-rapaz. mas e as cenas fêmea? os humores, as inseguranças, as depressões..... hã? :) ]

you were born somewhere in the territory of modern wales around year 975.
[e eu que não conheço o país de gales. parece impossível...]

your profession was that of a entertainer, musician, poet or temple-dancer.
[e acrescenta a minha mãe divertidíssima com a situação, que com todas estas qualidades terei sido com certeza um bobo da corte. isto não abona nada em meu favor......]

your brief psychological profile in your past life:
you always liked to travel and to investigate. you could have been a detective or a spy.
[e por que é que não me falaram destas opções nos testes psicotécnicos? de qualquer maneira já tenho desculpa para a pancada das viagens]

the lesson that your last past life brought to your present incarnation:
your lesson is to conquer jealousy and anger in yourself and then in those who will select you as their guide. you should understand that these weaknesses are caused by fear and self-regret.
[que tenha de aprender a ultrapassar as minhas ciumeiras e revoltas só me faz é bem, as dos outros também faz parte, agora o que me preocupa é haver gente que se queira guiar por mim..... chose the the other way!]

do you remeber now?
[tudo e mais alguma coisa]

atentamente,
o senhor doutor

rewind...

descobri o que fui na minha vida passada. e ao contrário do que dizem as más-línguas não fui índia nem cowgirl. diagnóstico para breve.

quarta-feira, novembro 10, 2004

morning dilemma

já reparei que todos os dias de manhã me questiono pelo menos 50 vezes se me levanto ao toque do despertador/telemóvel, ou se o desligo antes dele tocar e me viro para o outro lado até às oito e meia. ultimamente tenho combatido a tentação mais óbvia, tenho chegado a horas todos os dias, mas hoje estava decidida a não deixar sequer o despertador tocar. dormi pouco. por mais que tente não me consigo deitar às onze da noite - a hora a que as minhas colegas me recomendaram que me deitasse para não passar as manhãs inteiras a bocejar. fiz a experiência e resulta mesmo. mas raramente me consigo deitar à hora prevista. ontem não consegui. felizmente as coisas não me correram bem de manhã e o plano do atraso propositado foi por água abaixo. o despertador tocou antes do que eu estava à espera. acordei em sobressalto e com a ânsia de o fazer calar fiz o telemóvel voar como nunca tinha voado antes, acidentalmente diga-se. nem assim..... tive de me levantar, porque aquele toque, por mais leve que seja, antes das sete da manhã tem na minha cabeça o mesmo efeito da sirene dos bombeiros ao meio-dia. quando reparei estava fora da cama. fui estranhamente prática para aquela hora da manhã. consegui pensar que já que ali estava mais valia fazer o que tinha a fazer e deixar-me de ronhas. fui para as aulas e, de resto, tive um dia espectacular, aliás estou a ter porque até às 23h (!) ainda é dia. hoje tive tempo. tive sol. em lisboa esteve um dia magnífico.

início de estágio


terça-feira, novembro 09, 2004

twilight singers

chego à conclusão que por mais jeito que me dê ter à mão de um semear todo um mundo de música à borla - exclua-se o pagamento da netcabo -, este método não me satisfaz por aí além. nunca dou a mesma atenção à música que oiço por download do que dou à que compro, comprei, ou comprava. apercebi-me agora enquanto ouvia o "feeling of gaze" pelos twilight singers, que tenho ali o she love's you há não sei quanto tempo parado e não lhe dei a mínima atenção. acho que o ouvi uma vez no dia em que o saquei. isto é que é crime - sacar a música e não ouvi-la como deve ser. esta música tem qualquer coisa, assim como tem o "real love", e de resto como tem quase toda a obra dos twilight singers (não digo greg dulli porque os afghan whigs têm algumas coisas que não me dizem nada...), que me aterra directamente no estômago. faz-me mal, deixa-me depressiva, melancólica, mas não consigo deixar de a ouvir, antes pelo contrário. atrai-me mais a cada audição.

os twilight singers lembram-me tempos de inter-rail. lembram-se do que foi chegar à holanda, viajar de amesterdão a roterdão e lá ter encontrado aquela loja gigantesca (à minha modesta escala) de livros/discos onde deixei grande parte do dinheiro destinado aos restantes dias de viagem, o resto ficou em paris. o regresso teve de ser antecipado, mas agora que olho para trás faço-o com a certeza de que voltaria a fazer o mesmo. quem gosta de música e tem este vício consumista de discos sabe o que se sente ao entrar numa loja, com dinheiro para gastar (x-factor), e em dois minutos perceber que ali à frente estão 90% dos discos que andávamos à procura, mas que por cá nada feito. os twilight singers na altura eram um desses discos. os outros 10% correspondem a coisas que também andávamos à procura, mas ainda não sabíamos. e esses também lá estavam. os discos agora já vão chegando, mas para ver o senhor dulli ao vivo e a cores continua a ser preciso fazer inter-rails........ talvez para o ano....

golden brown

nada de novo, mas ainda me dá vontade de rir. algo vai mal quando no mesmo dia, à mesma hora e ao mesmo tempo se ouve a mesma canção na mega fm e no rádio clube português.

Orelhas de Burro:

o toque de entrada imaginário....

segunda-feira, novembro 08, 2004

the magic land of advertising

continua a haver na trupe da publicidade quem goste de música. melhor, quem goste de tangueta. acabei de ver o anúncio de uma carrinha ford (não fixei pormenores, mas de qualquer das maneiras não sou de certeza o público alvo de uma carrinha familiar...) que escolhe para banda sonora a canção "somewhere nicer" dos obi (o álbum chama-se the magic land of radio). uma melodia up with people, contagiante, sunshine tangueta, que justifica que se preste uma atenção especial ao anúncio. vistas bem as coisas até os canais generalistas já apostam mais na divulgação de música "nova" do que a rádio... pelo andar da carruagem, agora começam a testar-se as músicas através da publicidade, enquanto os consultores descansam. vamos em breve ter os obi a tocar na rádio? e os the veils? a leaver's dance ainda demora muito? e o new year dos living things?


Orelhas de Burro:



obi - the magic land of radio - somewhere nicer - 2002

[para além de boas tanguetas há também neste disco um solo de harmónica que só por si justifica a audição.]

ok! do you want something simple?

apesar de já ter cedido à evidência de que o computador tem sempre razão em caso de empate, sinto-me bem quando constato que afinal nem mesmo com as máquinas é sempre tudo assim tão preto no branco. pelo menos em 1980 não era....... verdade seja dita que nessa altura também qualquer computador, por mais básico que fosse, demostraria com certeza sinais muito mais evidentes de inteligência do que eu.... adiante! parece que é por curiosidades como esta, que li ontem algures na internet, que a maquinaria ainda não nos chega aos calcanhares: em 1980 um sistema especializado autorizou um crédito automóvel a uma pessoa que escreveu no contrato que trabalhava no mesmo emprego há 20 anos. mais à frente a mesma pessoa disse que tinha 18 anos de idade. o computador deu o ok. vê-se logo que foi programado pela mão humana. andamos todos tão preocupados com coisas megalómanas que não damos pelo mais óbvio. pelo mais simples. não o sabemos fazer, muito menos programá-lo/ensiná-lo.

domingo, novembro 07, 2004

parabéns ao blitz

20 anos é muito tempo. sobretudo se pensarmos à escala portuguesa. não posso dizer que faça ou que alguma vez tenha feito parte do leque de leitores mais assíduos do blitz, mas foram/são raras as terças em que não passe pelo menos os olhos pelo jornal. se já foi melhor ou pior sinceramente é coisa que já deixou de me preocupar - é o que temos. quem gosta lê, quem não gosta não lê. ou pelo menos pela lógica era assim que devia ser. não tenho qualquer tipo de relação com o jornal, apenas curiosidade, e até a mim já se me embrulha o estômago quando sinto no ar o cheiro da conversa mal-dizente típica do costume. a crítica faz parte, pois claro que faz, sobretudo quando não há concorrência, mas segundo me parece as críticas nem sempre surgem da boca daqueles que sabem do que falam. e quem muito fala pouco acerta. também não gosto de tudo o que leio no jornal, obviamente, ou porque a banda não me interessa naquele dia, ou porque o jornalista não estava inspirado, ou porque não vou mesmo à bola com o tipo de abordagem do assunto, ou simplesmente porque embirro com o jornalista. no entanto, continuo a folhear o jornal porque tenho curiosidade em saber o que chega todas as semanas ao nosso país. e porque continuo a optar por comprar o jornal, acho por bem guardar para mim certas opiniões que volta não volta me assaltam a quente. no dia em que achar que a situação é realmente preocupante e que me faça deixar de querer sequer passar os olhos pelo jornal entrarei em contacto com quem de direito, em simples tom de desabafo, como aliás tenho por hábito fazer em relação aos mais variados assuntos. às vezes faz bem pensar antes de falar.

parabéns ao blitz!


sábado, novembro 06, 2004

tempos modernos.....

ter um blog, soulseek, messenger e uma quantidade considerável de mp3 no disco é o suficiente para demorar pelo menos mais três ou quatro dias do que estava inicialmente previsto para fazer qualquer coisa de útil no computador.

rebel soul music

martin luther. nem o rei, nem o da reforma da igreja, se bem que este também tem uma costela protestante bem activa. o mesmo que de vez em quando substitui o cody chesnutt nos concertos dos roots. fê-lo no zenith em paris, e bem feito, se bem que o the seed 2.0. nunca vai soar tão bem ao vivo como soa em disco, mesmo que seja o mr chesnutt a cantá-lo. no seguimento da posta anterior, a m&m fez o resto do trabalho por mim e foi investigar mais do passado e do futuro do lutero dos dias de hoje. eu limitei-me a ouvir. crashei no tema-título - rebel soul music - que tem um andamento a la chesnutt que se infiltra de modo instantâneo e leva tudo à frente. eu fui.


Orelhas de Burro:


linhas tortas

no domingo passado levei uma seca de todo o tamanho num fim de tarde de sol magnífico no porto. que me perdoem os três miguéis presentes, a sofia e a doutora, mas bola (seja ela de campo ou bastidores) não é um assunto que eu consiga acompanhar com facilidade (nem sem ela.....) e muito menos durante hora e meia. não pondo em causa a qualidade da companhia, antes pelo contrário, gosto muito de todos eles, fui obrigada a recorrer a mecanismos de alheamento para me aguentar à bronca (de resto nada de novo para qualquer estudante que se preze) uma vez que aparentemente só eu estava com dificuldade em manter os olhos abertos. e não era só por causa do sol nem das escassas horas de sono. ou seja, se não os podes vencer nem juntar-te a eles, desenmerda-te.

fixei a atenção na música. maxwell. lembrei-me que o m começava algumas horas depois. pensei em ligar à m&m para lhe dizer que o pessoal do bar/restaurante da praxe gostava do maxwell. para lhe dizer que fazia ali falta, nem que fosse para não falar de futebol comigo. e que até me podia mandar à cara outra vez as minhas azelhices geográficas parisienses e não só. infelizmente, o meu saldo não estava em dia de grandes falas...

já não ouvia o embrya há anos. e quanto mais oiço as músicas novas do maxwell, mais gosto das velhas. o embrya é um disco do caraças. e voltar a ouvir ali o "everwanting" , o "i'm you", o "matrimony", o "eachhour..." e sobretudo o "luxury: cococure" fizeram-me voltar a perceber por que é que em tempos eu fui completamente viciada em soul music. a pouco e pouco, por razões que ao mesmo tempo se conhecem e desconhecem, fui perdendo o contacto com a especialidade (mas não com a especialista). estreitei o caminho por outras áreas musicais que por enquanto continuo a achar serem as que me dizem mais. com a plena noção de que sentidos únicos nunca são positivos, mas também com a constatação de que o tempo não chega para investir em tudo com a mesma entrega e o mesmo empenho. se por um lado não consigo estar mais de uma semana sem procurar novas tanguetas, por outro acomodo-me em relação a muitos outros estilos de música que me fazem a mesma falta para me manter em (des)equilíbrio. se não mos apresentarem eu dificilmente vou à procura deles com a mesma regularidade. nem pouco mais ou menos. daí o vício da rádio. alguma.

os desaparecimentos súbitos destreinam os ouvidos. senti isso ao de leve com o m. já nem tudo é tão imediato, estão cá as resistências das doses cavalares de guitarras e harmónicas com que me tenho entupido ao longo dos últimos tempos, e que por mais que eu oiça de soul, hip hop, dança, teen, reggae, etc, etc, a concorrência é sempre desleal. na altura de comprar, o ecletismo já não pode ser tão grande. neste momento está a voltar a ser por razões muito práticas. euros ou falta deles. sacar, saco tudo. venha o rock and roll e o resto. venha a soul outra vez em força. e depois do maxwell, pode ser que na próxima seca de bola de me dêem, esteja a tocar o d'angelo live at jazz cafe.


Orelhas de Burro:



maxwell - embrya - 1998 [que reparei hoje que nem sequer é o original, mas sim uma cópia com uma fotocópia manhosa na capa... capas destas não andam por aí aos pontapés!]


quinta-feira, novembro 04, 2004

vhs or beta

uma vez que tenho tendência a dar importância a mais à chamada inteligência emocional, faz-me bem ter de pensar sobre o reverso da medalha. depois da pobreza e do combate à fome de ontem, eis que hoje - e até segunda-feira - tenho de começar a reflectir sobre inteligência artificial. as considerações ficam para mais tarde, já que as leituras ainda estão muito atrasadas.....

e já agora.... dado que hoje já consegui recuperar o espírito musical de lo habitual, fica uma sugestão para os fãs dos faint - vhs or beta - night on fire. já falei com quem não lhes reveja qualquer semelhança, por isso corro o risco de estar com esta comparação a induzir em erro os milhões e milhões de pessoas que visitam o burro, mas vou correr o risco. o som é parecido, o espírito é parecido, há aliás por ali muitas parecenças (como a voz a la robert smith e algumas batidas guitarradas daft punk ou chemical brothers) e haverá com certeza quem as consiga situar bem melhor do que eu, que neste momento me dou por satisfeita pelo facto do disco me estar a soar tão bem.


Orelhas de Burro:


bridge over troubled water

abstive-me até à última de fazer grandes comentários acerca das eleições nos estados unidos. no fundo já toda a gente sabia o que ia acontecer, mas por outro lado ninguém queria acreditar, ninguém podia acreditar nisso, porque o desastre era óbvio demais. e evitei sempre falar acerca do assunto porque sinceramente também não via no outro grande imagem de segurança ou do que quer que fosse. já chegámos à lógica "do mal o menos"?

ontem pensei muito nos americanos, nos que votaram contra o bush. não digo a favor do kerry porque acredito piamente que o que a maioria queria era que o bush fosse corrido, independentemente do sucessor. não os censuro. pensei em particular na jinja e no grant - aka utah carol - os únicos americanos com quem comunico numa base mais ou menos regular. vivem em chicago e quando vieram a portugal há dois anos (?) lembro-me de terem comentado no caminho entre alfama e algés como tinham vergonha de ter à frente do país deles uma figura daquelas. não voltámos a falar do assunto. até ontem...

não tenho por hábito publicar mensagens privadas, mas não consigo evitar partilhar parte de um dos mails que trocámos ontem:

It is terrible here. You have no idea. We are so afraid that we are moving towards totalitarianism. We are very sick and frightened. We are really afraid now. We are afraid for the whole world. The United States used to be the cavalry that rode in to save other countries from fear, evil and oppression. But, now, who is going to come and save us? Our government is now like the Taliban in Afghanistan.



Orelhas de Burro:

"bridge over troubled water", em versão johnny cash + fiona apple. sem palavras.

quarta-feira, novembro 03, 2004

pay it forward...

e enquanto no centro do mundo se contam os últimos votos, que é como quem diz as últimas notas, obrigam-me a reflectir sobre questões que me deixam ainda mais deprimida...... é possível erradicar a pobreza do mundo e combater a fome? e terei mesmo de dizer que acredito na conversa teórica dos objectivos do desenvolvimento do milénio da onu que continuam a falar por meio de suposições? se isto, se aquilo...... muitos dos "se" referem-se a autoridades competentes, a cidadãos activos e envolvidos nas suas comunidades, a partilha, a discussão, a entrega, a sensibilização. não vejo nada. não faço nada. limito-me a entregar a quem precisa roupas e livros que já não têm uso cá em casa, a comprar a cais e a contribuir com massas e arroz por alturas das acções do banco alimentar contra a fome. não é grande coisa... mas a questão é que não me chega informação para fazer mais, a não ser que vá à procura dela provavelmente. e como as coisas estão não só em portugal como pelo mundo fora, isso não devia ser preciso....

dei com um artigo do marcos peixoto de mello gonçalves que diz que "o verdadeiro milagre para acabar com a pobreza é existir vontade política para acabar com ela", mais à frente volta ao ponto de partida e redige com todas as letras o cerne da questão - "(...) os políticos e seus cúmplices multibiliardários concentram quase toda a mediocridade espiritual do planeta, o que permite à soberba, ao orgulho e ao egoísmo corromper seus corações e à ganância impedi-los de ter vontade política de erradicar a miséria material da terra(...)".

não percebo como ainda se luta para que se consiga reduzir para metade o número das pessoas que ganham menos de um dólar por dia, numa altura em que fala de viagens particulares à lua, numa altura em que se chegou à conclusão que o alívio da dívida dos 20 países mais pobres do mundo custaria o mesmo que se gastou na construção da euro disney. eu fui à euro disney há dois ou três anos, gostei muito, mas sinceramente se me perguntassem para onde achava que devia ir o dinheiro da construção eu queria lá saber da montanha do indiana jones (personagem de que sou grande fã!). mas alguém lhe perguntou alguma coisa? está visto que o caminho para que seja encontrada uma solução passa pela ideia do filme com a helen hunt e o kevin spacey - "pay it forward" - "favores em cadeia", se não me engano. é parar de pensar que se for só eu a mexer-me é o mesmo que não me mexer por isso mais vale estar quieta. o comodismo é isso. não vou trazer um sem-abrigo para casa, mas quando leio que a garantia do ensino básico para todos custa menos do que aquilo que se gasta no consumo de gelados na europa (e eu contribuo bastante para isso!), a atitude dos outros deixa de me interessar. é isso e convencer os cépticos de que quando se dão livros à cruz vermelha para irem para as crianças em áfrica, eles chegam realmente ao destino. mesmo que não cheguem.

segunda-feira, novembro 01, 2004

a [perfect] mistake

acho que não sou só eu, mas...... do mesmo modo que tenho tendência para dar mais importância a comentários negativos do que a elogios (especialmente em luas depressivas.....), também tenho a mania de sempre ouvir sempre aquelas músicas que já sei que me vão fazer mal ao estômago e à cabeça, nas alturas em que menos preciso disso. há quem regresse ao jeff buckley nesses dias mais cinzentos. eu às vezes também vou lá dar, mas normalmente conto com a solidariedade depressiva da fiona apple. juntamente com a angústia que dali emana (e que leva o marino a dizer-me que provavelmente já não vou a tempo de a ver ao vivo por razões que talvez a própria ainda nem saiba, if you know what i mean), habituei-me a retirar daquelas/destas (porque ainda rodam) canções uma clareza de ideias que me ajudam normalmente a conseguir sentir mais friamente as situações que me deitam abaixo. e não é só a clareza.... é o lado humano que está ali depositado em cada música. está tudo ali a nu, em estado cru, sem disfarces de boa disposição, sem facilidades, sem sorrisos falsos de boa educação, porque naquele momento não há motivos para rir. há, sim, os olhares 37, e que tal como as imagens (?) valem mais do que mil palavras. tenho de aprender a retirar o bom do meio do mau, não é? então dou-me por contente por ter regressado à fiona apple. é que apesar de sentir que ainda não tenho a organização mental desenvolvida o suficiente para elaborar determinadas listas, tenho a certeza que no dia em que fizer uma lista dos discos da minha vida vão lá estar o tidal e o when the pawn. estou farta de estar à espera do próximo.


Orelhas de Burro:



alguém que nunca tenha achado a canção "a mistake" do when the pawn uma canção perfeita? um desabafo perfeito? não passo para aqui a letra porque nos últimos dias não tenho feito outra coisa e se o pessoal que aqui vem for como eu, ninguém as lê... oiçam a música que o efeito é bem melhor.

i'm on a high......

as queixas são uma terapia barata. no sentido de pouco dispendioso e não depreciativo. e diz o ditado que o barato sai caro. neste caso para além de sair caro, não ajuda em nada. é verdade que ajudam no sentido de desabafo, mas no fundo fica tudo na mesma. hoje à tarde, enquanto adiava mais um bocadinho um comentário que tenho para entregar amanhã (e que por este andar me estou a preparar para escrever pela noite dentro), para pôr em dia os urgentes desabafos com a filipa, constatei/constatámos o óbvio - por mais que se diga que não, mais cedo ou mais tarde o arrependimento bate à porta quando se fala de escolhas que implicam deixar de lado ou para trás uma série de outras. nem que seja por um momento. é óbvio, mas não é fácil. parece que falta sempre qualquer coisa, e falta, mas na maioria da vezes aquilo que falta é por nossa culpa, falo por mim, é por minha culpa, porque no geral as coisas que me fazem regressar a este estado depressivo são normalmente "cozinhadas" por mim... [já tenho saudades de ouvir a carrie white dizer que tenho tendência para me meter em "assados"] começo a achar que o meu pânico da rotina não compensa estas canseiras de mudar constantemente de direcção. uma vez passada a frescura e a sensação de vento na cara com cheiro a novo e a aventura, o regresso à nova rotina é ainda mais violento. com a mania das pressas e de que sei sempre muito bem o que quero chego à conclusão que não me dou o tempo suficiente para pensar nas coisas. e os impulsos nem sempre são positivos.
talvez fosse boa ideia esquecer essa sensação e seguir em linha recta por uns tempos. preciso urgentemente de umas palas para descobrir que tal é viver em estado de calma mais de uma semana seguida.


Orelhas de Burro:



duncan sheik - daylight - i'm on a high

adoro esta música, não faço ideias das vezes que já a ouvi, mas não há meio de conseguir começar guiar-me por esta filosofia de vida...

I'm on a high, I'm on a high
there's nothing more to it.
We are the sea and the sky
and the blue that runs through it, yeah.

and there are some who say there are so many things I need
so I run or I fight and I crawl or I scream and I bleed
I bleed, I bleed

well, it's a lie it's a lie - don't you believe it.
if you're fine then you're fine - it's all how you see it.
oh, there never will be no conspiracy of happiness.

I'm on a high I'm on a high
and there's nothing more to it
I have the sun, it's a star
why should I refuse it

and there are so many reasons I could give you why I should be
down
there's not enough money or time and my love you're not around
around, around

but it's a lie it's a lie - don't you believe it.
if you're fine then you're fine - it's all how you see it.
oh, there never will be no conspiracy of happiness.

you're alive you're alive - how else could you hear me?
you are fine, you are fine - there's nothing worth fearing
'cause there never will be no conspiracy of happiness

I'm on a high, on a high
we are the sea and the sky
I'm on a high, on a high
I'm on a highIt's a lie,

It's a lie don't you believe it
'Cause I've tried and I've tried,
and I can't really see it
Yeah, I'm trapped inside my conspiracy of happiness

said I was yours, you were mine but I didn't really mean it
and I lied and I lied
and I wish you hadn't seen it
'cause I'm trapped inside my conspiracy of happiness

I'm on a high, on a high, there's nothing more to it, yeah.

sábado, outubro 30, 2004

sexta-feira, outubro 29, 2004

zuton fever...

... literalmente. acordei com a música na cabeça, apesar de não a ter ouvido ontem, nem me lembrar de quando foi a última vez que a ouvi. got the zuton fever in my head....


Orelhas de Burro:



the zutons - who killed the zutons? - zuton fever

You know I get a funny feeling
Like an epidemic running through my head
Know I've got that feeling that's the best
Got the Zuton Fever in my head

And when it's running through my bones
You know I feel just like I'm ten years old
Know looking young and good again
Got the Zuton Fever in my head

It starts to make its way upstairs
It's like a ... in my veins and in my hair
You know where it comes from I don't care
Let me know if get some, I'll be there

Oh father, father
I have sinnedI've let myself down time and time again
Know the Zuton Fever's made me thin
Now I've got to clean my flaky skin

Oh doctor, doctor help and let
Me know if you can find a cure or antidote
You know I've always been true to you my friend
Hope that you can help me out again
You know I get a funny feeling
Like an epidemic running through my head

Know I got the feelin that's the best
Got the Zuton Fever in my head
I've got the Zuton Fever in my head
I've got the Zuton Fever in my head

big fish

quem não tem ar condicionado no carro saberá com certeza por experiência própria, que em dias de chuva (daqueles em que não se ter o vidro aberto, um bocadinho que seja), e em especial à noite, há alturas em que se torna particularmente difícil conduzir por causa do fenómeno dos vidros embaciados. um conselho: é melhor encostar e esperar que o "sistema desembaciante" actue. não se fie nas pequenas abertas que vão intervalando com a tempestade para abrir as janelas. lembre-se: há água no chão, acumulada em tudo quanto é buraco, e a cidade de lisboa nesse aspecto tem um património cada vez mais rico.... ao abrir uma janela está também a abrir uma oportunidade para o próximo carro que passar lhe atirar à cara com uma bela poça de água à cara. depois do sistema de rega das rotundas da costa da caparica, as poças de água de santos... começo a sentir-me um big fish.

e se de repente.......

..... eu mudasse de ideias e fosse mas é dormir e, para variar um bocadinho, guardasse para mim tudo aquilo que ia começar a escrever neste momento? talvez amanhã.... hoje tenho os pés frios.

quinta-feira, outubro 28, 2004

more than whisky

estava há bocado a ouvir a emissão do pedro costa dedicada ao john peel - um coyote feito de algumas das canções que o senhor mais gostava. sinceramente já não consigo dizer ao certo tudo o que ouvi..... joy division, smiths, morrissey, tim buckley são os que nomes que ficaram....... o ambiente criado fez-me regressar ao just like honey, ao lost in translation, cuja banda sonora tocava no sábado à tarde numa loja do bairro alto, e que quase me fez regressar lá abaixo à fnac para trazer para casa o dvd de uma vez por todas. resisti. não consegui voltar a ouvir o just like honey sem se me embrulhar o estômago como no dia em que vi o filme pela primeira vez. e more than this depois de ter sido cantado pelo bill murray nunca mais me soou ao mesmo..... acho que passou a ser uma das minhas músicas preferidas. mas tem é de ser cantada com aquela voz de whisky.

quarta-feira, outubro 27, 2004

eu nem gosto de ibiza.......

ainda estou para perceber por que raio temos nós a mania de nos isolar quando mais precisamos dos outros... eu pelo menos tenho. no auge da neura parece que é mais fácil não ter de encarar ninguém. não ter de fazer um esforço para a ultrapassar. não ter de dizer uma palavra. não ter de sorrir sem vontade. não ter de... de ser nós próprios. é que por muito que os amigos digam que não faz mal estarmos de mau humor ou sem vontade de ver ninguém, são raros os que sabem respeitar o silêncio esporádico de que todos precisamos e que sabem realmente estar, não no sentido social, mas simplesmente no sentido de estar ali. tenho andado com a neura, pois tenho, é o tempo e não só. o miguel diz que é «cena fêmea», e se for? faz parte. a filipa já nem precisa que lhe diga que nada. assim como ela não precisa de me dizer nada. estamos ali e pronto. as amizades de infância são um escape de ouro. já me dou por muito satisfeita por andar a conseguir contornar a ideologia isolacionista. é mais fácil e faz-me bem à cabeça, mas só me faz sentir mais à parte, e por mais que isso me incomode cada vez menos, se o puder evitar agradeço. cedi ao isolacionismo à tarde, mas à noite consegui reagir. hot chocolate @ gémeos rules!

chuva, trânsito, zzzzzzzz

adoro a sensação de fracasso de conseguir chegar a horas (tem sido raro o dia...) à quase desumana aula das oito da manhã e o senhor professor não aparecer. sobretudo quando para isso tenho de sair de casa ainda de noite e arrastar-me a 10km/hora debaixo de chuva torrencial e por entre o trânsito infindável da segunda circular e do eixo norte/sul. é a mesma coisa todos os dias, e não há manhã em que não pense que tenho de começar a sair de casa mais cedo, mas antes das sete da manhã ninguém consegue pensar com a mesma clareza que às dez ou às onze. a única coisa clara àquela hora é que ninguém devia ser obrigado a sair de casa de noite e à chuva quando sente que ainda não dormiu tudo. por isso se conserva até à última da hora a convicta esperança de que não vai haver trânsito nesse dia. uma esperança que morre depressa... mas que tem mais vidas do que qualquer gato aventureiro.

before sunset

ontem fui ver o before sunset. finalmente. sei que não faz sentido querer que um filme seja um dos filmes da nossa vida sem o ver primeiro, mas também quando se gosta há muita coisa que não faz sentido que passa a fazer. é mau criar grandes expectativas... foi mau... ontem não quis escrever sobre o filme porque pensei que hoje por esta hoje já iria ter percebido porque saí com um vazio tão grande do cinema... faltou ali qualquer coisa... ou então sou eu que ainda não estou na fase do cinismo.... mas recuso-me, por enquanto, a tecer considerações menos positivas sobre um filme que até ontem foi um dos filmes da minha vida. pelo menos até o ver outra vez. já nem os filmes de que gostamos podemos escolher? eu quero gostar deste. nem que seja por esta imagem. nem que seja por ser passado em paris.


terça-feira, outubro 26, 2004

john peel

john peel sempre foi uma figura distante para mim. há muitos anos que me habituei a ouvir e a respeitar o nome do senhor, mas sempre por intermédio de outros nomes da rádio, também eles de referência, e muito mais próximos do meu mundo radiofónico e não só. john peel sempre esteve um degrau acima na minha escala hierárquica. um bocado como o antónio sérgio, que quisermos pensar à escala nacional. falo em distância porque - directamente - nem um nem outro tiveram grande influência na minha "formação musical" nem na minha ligação - apenas e sempre só afectiva - à rádio. no entanto, a partir do momento em que percebo que tanto o john peel como o antónio sérgio são nomes de referência para aqueles que me passaram a paixão (passe o lugar comum, mas a palavra é mesmo esta) pela rádio e aguçaram a minha curiosidade pela música - you know who you are - sou "obrigada" a lançá-los para o pedestal. já lá vão uns anos.

não tive a aula das 14h. como não aponto os recados dos professores no caderno porque acho que ainda fixo tudo fui ao engano... acabei por ir parar ao open space e foi então que li no site da bbc a notícia que dava conta da morte de john peel. paralisei. e num minuto pensei em todos aqueles que me ensinaram a ouvir música na rádio e que ainda acreditam que um dia destes a rádio (peço desculpa pelas repetições sucessivas mas o tema é mesmo esse - a rádio) há-de dar a volta por cima. pensei que apesar da familiaridade do nome, pouco sabia (e sei) sobre o john peel. mantive-o à distância estes anos todos. mas quando desaparece uma figura destas, um símbolo até, por maior que seja a distância, o embate é sempre forte. o nome john peel para mim sempre teve apenas dois significados - rádio e música. só isso. que só por acaso são duas das coisas que mais impacto têm tido e continuam a ter na minha vida. eu nem gosto de lógica, acho-a muito redutora, mas se a quisermos seguir neste momento....

dios like to watch the sunset....

starting five para começar. uma tangueta imediata a fazer lembrar tudo e mais alguma coisa que já foi feita há mais de trinta anos e aconselhável a fãs da eterna onda sunshine beach boys. é para o lado que durmo melhor, soa-me muito bem. dios é o nome da banda e do álbum. têm um site que se torna fantástico de tão mauzinho que é, vale a pena visitar pelo menos uma vez porque explorando bem acaba por se tornar divertido.

Orelhas de Burro:


segunda-feira, outubro 25, 2004

new year thing

ainda os living things. ou muito me engano ou voltei a enganar-me quando "rejeitei" a banda às primeiras audições. na altura as músicas que ouvi não me disseram rigorosamente nada, mas o new year fez-me voltar atrás. ainda que os mp3 não estejam nas melhores condições, deu para ver que o resto do álbum segue por caminhos muito mais acidentados e por terrenos mais ásperos. não que eu não goste, mas lá está, conciliem-me esse andamento rough com uma boa melodia e estamos conversados. o new year é um bom exemplo, ainda que não seja perfeito porque a música até bem soft, chega quase a ser tangueta. mas o i owe ilustra muito bem a ideia que estou a tentar passar. tem um andamento do caraças e uma melodia que agarra em segundos. o end gospel também tem uma batida que lhe atenua a "agressividade". lembra-me danko jones e faz-me querer ouvir mais. por outro lado, coisas como o march in daylight e o on all fours não têm sorte nenhuma cá no estábulo. já tive a minha dose. mas quero voltar a ouvi-las com um som decente, talvez ajude. entretanto, é oficial.... crashei com o new year. mesmo com som de cassete.

word up!

lembrei-me dos gun, apercebi-me que 1994 já foi há dez anos e assustei-me. o swagger saíu em 1994 e lembro-me de ter comprado o disco como se fosse ontem. já foi há dez anos. a mariana nasceu em 1994, tem telemóvel, fala comigo no messenger e está quase da minha altura. adiante.

lembrei-me dos gun porque ouvi hoje à tarde a versão dos korn para o word up (original by cameo), uma música que ouvi vezes sem conta há dez anos, ao que parece, e que me fez descobrir uma banda de que até então nunca tinha ouvido falar e de que fiquei fã na hora - os gun. agora que volto a pegar no swagger, no gallus e no taking on the world vejo nitidamente a diferença do que era ouvir música há dez anos e do que é ouvir música hoje em dia. as caixas perderam o brilho, estão riscadas, usadas, gastas, velhas. actualmente não lhes dou sequer tempo de ficarem baças. uns riscos ainda ganham, e é quase certo que se partem as peças do círculo central onde encaixa o disco, mas aquele ar de "usado" já não vai lá. é por estas e por outras que curto versões. falava disso outro dia com a m&m. para além de muitas vezes servirem para os mais novos descobrirem bandas, outras dão-nos uma desculpa para reviver uma série de coisas que já nem nos lembrávamos de alguma vez terem existido. o word up! é uma tema do caraças.


Orelhas de Burro:


domingo, outubro 24, 2004

toma lá, dá cá

gosto de prestar atenção aos downloads que me fazem no soulseek. normalmente só me "levam" músicas que não me orgulho muito de ter no computador, mas acredito que não devemos renegar nem refundir o nosso lado pimba, todos temos um, e por isso guardo tão religiosamente essas cenas "foleiras" como as minhas preciosas tanguetas. mas pelo que reparei hoje, parece que ao domingo de manhã o pessoal dos downloads é mais selecto. neste momento, estou a "difundir" álbuns inteiros de coisas que nunca tinha dado conta que tivessem tanta saída - ryan adams, brookville, trashcan sinatras, the zutons, elliott smith, the faint, longwave, the killers, unkle, devendra e tahiti 80.

da parte que me toca, estou a pedir ao muggli (um pirata que acredito que seja uma simpatia porque ainda não me falhou, mas também temos de ser uns para os outros) o novo álbum dos living things - black skies in broad daylight. as primeiras coisas que ouvi - com os cumprimentos habituais da rapaziada 3 - não me disseram grande coisa, mas ontem a abertura do mq3 deixou-me no meu melhor estado catatónico - parei o carro no cais do sodré e consegui perceber que eram os living things - new year o nome da música. não pude ouvir o resto do programa, mas valeu por aqueles 5 minutos. há uma hora que estou no computador e há uma hora que não oiço mais nada que não este new year. tá de chuva outra vez... who cares? celebrate, é domingo!


Orelhas de Burro:


sábado, outubro 23, 2004

sábado de manhã em lisboa

adoro escrever de manhã, mesmo que não tenha nada para dizer. é o caso, mas uma ideia puxa outra e é tão fácil..... aliás, adoro as manhãs em geral, a partir das 10h mais coisa menos coisa, porque antes disso, apesar de estar acordada - o metabolismo impede-me de acordar depois das oito e meia, nove - prefiro que nem falem comigo. estou a pensar. e àquela hora não consigo pensar e falar ao mesmo tempo. quando está sol então, faz-me uma confusão tremenda como pode haver gente a dormir ou com os estores fechados ao meio dia. também dou a mão à palmatória... há alturas em que dava uma bela manhã de sábado de sol para conseguir estar ferrada até às duas ou três da tarde para compensar outros carnavais. é raríssimo conseguir tal proeza. depois tento dormir à tarde. é degradante.... acordo sempre sem saber onde estou e é garantido que se me perguntarem o nome e em que ano estamos não consigo responder. e enquanto não vou aproveitar o sol alfacinha, do chiado (acho que já me tinha esquecido como gosto dos sábados de manhã em lisboa) os stills são uma boa banda para ouvir de manhã.


Orelhas de Burro:

changes are no good/ still in love song

ainda os diários......

ainda a propósito da posta anterior sobre os diários, porque acordei agora ainda a pensar sobre esta cena.... (adoro estes filmes que involuntariamente me fazem pôr em causa uma série de coisas em causa - e até mudá-las radicalmente em casos mais extremos - uma série de coisas que tenho a mania de dar como certas). acho que independentemente de cores políticas e ideologias de eleição (ou não) é inevitável não admirar ou respeitar, pelo menos, a coragem, a força, o génio, a humanidade, chamem-lhe o que quiserem de certas figuras da história e do dia a dia, sendo da política ou não. aliás, não pensei uma única vez em política durante os diários de che guevara. talvez fosse mesmo esse um dos propósitos do filme - mostrar apenas o lado humano do herói, passe o paradoxo. a mim tocou-me fundo. e sinceramente nunca fui muito atenta ao percurso do senhor. começo agora a perceber a admiração que o rui tem e sempre teve pelo che. na altura eu encarava aquilo como uma panca dele, nada mais. foi preciso ir ao cinema depois destes anos todos para perceber certas coisas que me quis fazer ver em tempos. não estava para lá virada. a política nunca foi o meu forte, ainda hoje ando muitas vezes mal informada e o mais grave é que a podridão é tanta que acho que começo a preferir andar assim. vou lendo. lá diz o ditado, quem não sabe é como quem não vê e ultimamente tenho (temos todos!) visto muita coisa desnecessária. resumindo e baralhando e voltando ao post dos diários acho que as pessoas que nascem com este lado humano mais desenvolvido - lol - nunca o chegam a perder, mesmo com o tempo, mesmo com os baldes de água fria. acho até que essa humanidade rara só tende a aumentar com o crescer da injustiça alheia. políticas à parte, eu vejo-os como embaixadores da humanidade. o tipo de pessoas que por alguma razão raramente não vão dar à política.


Orelhas de Burro:

the rapture - sister saviour

super post me

mais uma dúvida existencial - mas alguém tem pachorra de ler estes lençois de texto até ao fim? não acredito que não saltem partes........ eu saltava. eu salto. consta que a ideia dos blogs é terem actualizações rápidas e constantes. tipo junk-post ou tipo fast-post, tanto faz. e realmente é mais fácil ler esse tipo de blogs. mas quem disse que eu gosto de facilidades ou de facilitar? gosto de ler, gosto de escrever. já tinha dito?

sexta-feira, outubro 22, 2004

os diários do burro

tenho uma certa mania para pensar sobre o tempo. não se faz frio sou se faz calor, mas sobre o tempo cronológico. quando cheguei à fase das crises existenciais - que não foi assim há tanto tempo e que pensando bem acho que ainda continua no auge - a frase que mais passei a ouvir foi "com o tempo isso passa". ninguém gosta de ouvir isto. eu pelo menos não gosto. enerva-me. tenho pressa, quero que passe já a inquietação, como as taquicardias estão a passar. há muita coisa que passa com o tempo, é um facto, e eu gosto de ver sempre isso pelo lado positivo. acordar um dia, depois de meses de "luta", e reparar que já há mais de 48 horas não pensamos em quem não queríamos pensar; ou darmo-nos conta que já não passamos tardes a olhar para o telemóvel (isto para mim é degradante!) à espera de uma chamada que afinal nunca chegou a ser feita, ou então chegou mas foi tarde demais. perceber que já conseguimos relativizar a importância de coisas que em tempos nos tiraram o sono noites a fio ou de pessoas que não interessam nem ao menino jesus. é um alívio e uma calma inexplicáveis. é o tempo.

mas há coisas que eu acredito que não passam com o tempo. numa visão muito redutora acredito que há pessoas e pessoas. as primeiras sentem e vivem tudo muito à flor da pele e por isso deixam-se tocar mais pelo que têm à volta, são mais sensíveis e vivem menos resguardadas emocionalmente. ou seja, ora estão muito bem ora estão muito mal, e tudo muda sem aviso prévio, de uma hora para outra e sem razão aparente. o pior de tudo é que não sabem lidar com a injustiça alheia. levam os problemas dos outros para casa, pensam, interferem, envolvem-se, sofrem, lutam, morrem se for preciso, porque o ideal é intrínseco. a justiça. para o que der e vier. a partilha.

as segundas.... basicamente sofrem menos. sabem/conseguem manter-se à distância, não dão confiança, talvez por não serem elas próprias de confiança e terem noção disso. têm atitudes frias e distantes, dizem não com toda a facilidade (é uma coisa que ando a treinar.....) e com os problemas dos outros podem elas bem e para o lado que dormem melhor.

o ideal seria conseguir um meio termo. nada de novo. apesar de ter escrito este parágrafo anterior com uma intenção "negativa" acho muito positivo uma pessoa conseguir manter um certo distanciamento das coisas porque facilita tudo. vivemos mais tempo, that's for sure, e eu sinceramente estou farta de ouvir que por este andar não chego aos quarenta, o que não pode ser bom sinal lol. há dias em que acho que a minha vocação não tem nada a ver com o caminho que quis seguir. no nono ano, na altura dos testes psicotécnicos, em que a única coisa que eu sabia que gostava era de escrever, uma professora que tentava adivinhar os nossos interesses futuros só para gastar tempo da aula, quando chegou à minha vez disse de rajada e com o ar mais confiante do mundo - assistente social. como disse? respondi apenas que gostava de escrever e de música e nunca mais pensei no assunto. até há bem pouco tempo. se calhar fiz mal, não sei, porque há dias em que vejo tudo tão claro..... mas lá está, há o problema de ainda não ter conseguido encontrar o equilíbrio entre aqueles dois tipos de pessoas. nesta altura do campeonato ainda não tenho o mínimo de estofo emocional para poder ajudar quem quer que seja, sem me deixar consumir vorazmente pelo problema. ou seja, sairia pior a emenda que o soneto. para além de não ajudar ainda acabava por atrapalhar. talvez com o tempo.... por agora vou escrevendo para burro e ouvindo música.

mas o que me assusta é que nos últimos tempos tenho pensado no assunto com mais frequência do que a que eu queria........ muito mais.


ps - vi ontem os diários de che guevara.

quarta-feira, outubro 20, 2004

back to M

agora que volto a ouvir o miss you do musiq com os cumprimentos dos stones, que me deixou de queixo caído desde a primeira audição, e me levou inclusivamente a interromper via sms uma emissão de rádio matinal lol, aproveito então para tentar recuperar parte da informação que há algumas horas debitei neste estábulo, mas que sem mais nem ontem deu o berro e foi para as urtigas.

como era de esperar não vi o jogo de domingo. só me lembrei da existência de tal acontecimento quando já perto da meia-noite vi a confusão e o trânsito entupido do outro lado da estrada por causa da marcha dos adeptos azuis (foram a pé para casa?), estranhamente calmos, até pensei que tivessem perdido. ah é verdade, o porto não perde, não é? cala-te boca, que eu não falo do que não sei.

o post era sobre o regresso do m. sobre como me soube bem à hora do jogo estar a ouvir a emissão de "estreia", a modos que experimental (não que eu tivesse notado.....), ainda sem as novas rubricas, mas com música que me fez lembrar como eu gostava de ouvir aquilo nas tardes de sábado. conheci tanta coisa....... em 2004 temos erykah badu, van hunt, dwele, les nubians, roy hargrove, anthony hamilton, the roots, amp fiddler, d'angelo, angela johnson, musiq, jill scott, amel larrieux e outros tantos cujo nome ainda não consegui fixar, mas vou ter tempo...... sempre aos domingos entre as 19h e as 21h [só tenho pena que a emissão não siga com os bons rapazes e tenha de haver um intervalo de duas horas......]

o post era sobre eu ser fã da mónica mendes. sobre como a mónica teve influência no desenvolvimento da minha curiosidade musical. sobre como é lixado quem está do lado de cá lidar com o fim de um programa de rádio. o hábito instala-se sem darmos por isso, e quando nos apercebemos já damos por garantido que aquela pessoa e aquelas músicas estarão sempre ali naquele dia e àquela hora. e não é bem assim. mas quando o envolvimento é grande nunca se pensa no fim. não vale a pena, não faz sentido. e depois é um vazio do caraças, que demora que tempos a desaparecer, mas como em tudo, o tempo faz mesmo milagres. como este.

o post era sobre como gostei de ouvir a mónica mendes de volta ao seu habitat natural - o da divulgação musical - e de como não consegui evitar dar-lhe aquele abraço depois da intervenção de boas-vindas. já lhe disse por diversas vezes que não a consigo ouvir em modo piloto automático. depois de a ter ouvido em registo de programa da manhã, em emissões especiais, reportagens, etc, onde impera o factor espontaneidade, que ela domina com a maior das naturalidades porque faz parte dela, não consigo voltar a ouvi-la em modo mecânico. não é ela. não é rádio. a meu ver, o trunfo e a imagem de marca da mónica é essa espontaneidade natural. que devia (voltar a) ser a mesma da rádio.

m&m, welcome back!


Orelhas de Burro:

wilco no coyote do pedro costa

post em branco

escrevi um post gigante e a net berrou na altura do publish..... é a mania das grandezas! ainda não estou em mim.......

Orelhas de Burro:

the faint - i disappear.... nem de propósito.....

terça-feira, outubro 19, 2004

i disappear.........

parece que nem tudo se perdeu musicalmente na alucinante sexta-ar-de-rato. é que com tanta coisa "bonita" que se ouviu pela noite dentro e com tanta gente gira e devertida - como diz o meu ex-"presidente da companhia" lol - parece que até se me apagaram as horas decentes do serão. o livro sobre a exclusão social que tenho de ler para sexta-feira estava ali a olhar para mim de lado, e não sei porquê lembrei-me dos faint (o nome completo é the faint, mas faz-me comichão dizer os the faint, os the stills, etc, etc), que ainda tiveram tempo de dar o ar de sua graça no set zig zag. são habitués do mq3 há uma data de tempo, mas têm-me passado um bocado ao lado. o mal de não ouvirmos certas músicas na rádio com a frequência que devíamos tem destas coisas..... só três meses depois de as andarmos a ouvir é que reparamos que as andamos a ouvir há três meses. só precisei de ouvir mais uma vez o desperate guys para não passar dali. é a faixa 1. tenho o resto do wet from birth a sacar, metade já cá canta e com um som do caraças ainda por cima, mas ainda não consegui ouvir mais nada. de nome só reconheço mais o i disappear que também é imediato. esta cena tem sons que se alojam imediatamente no cérebro. é certinho que amanhã vou acordar com uma destas músicas na cabeça. e por hoje chega. vou excluir-me socialmente por umas horas. nada de novo, so they say. :)


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sunshine

não gosto do inverno. não posso com o tempo cinzento, parece que nunca chego a acordar por completo. e desta chuva misturada com ventanias desorganizadas até prefiro não falar... perdi a conta das molhas que apanhei entre ontem e hoje, e ainda nem sequer é meio dia e meia.... mas também já não quero saber. já percebi que não há nada a fazer quanto ao humor de cão com que fico nestes dias escuros - não é defeito, é feitio. o sol também precisa de descansar e desaparecer por uns tempos, de resto como todos nós. e é por isso que nestas alturas tenho por hábito regressar às terapias imaginárias para tentar equilibrar a balança. no inverno gosto de ouvir discos de verão. os beulah são... ou eram (infelizmente) uma banda de verão, e a capa do the coast is never clear não deixa margem para dúvidas. já tinha saudades deste disco.


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