sexta-feira, outubro 29, 2004

e se de repente.......

..... eu mudasse de ideias e fosse mas é dormir e, para variar um bocadinho, guardasse para mim tudo aquilo que ia começar a escrever neste momento? talvez amanhã.... hoje tenho os pés frios.

quinta-feira, outubro 28, 2004

more than whisky

estava há bocado a ouvir a emissão do pedro costa dedicada ao john peel - um coyote feito de algumas das canções que o senhor mais gostava. sinceramente já não consigo dizer ao certo tudo o que ouvi..... joy division, smiths, morrissey, tim buckley são os que nomes que ficaram....... o ambiente criado fez-me regressar ao just like honey, ao lost in translation, cuja banda sonora tocava no sábado à tarde numa loja do bairro alto, e que quase me fez regressar lá abaixo à fnac para trazer para casa o dvd de uma vez por todas. resisti. não consegui voltar a ouvir o just like honey sem se me embrulhar o estômago como no dia em que vi o filme pela primeira vez. e more than this depois de ter sido cantado pelo bill murray nunca mais me soou ao mesmo..... acho que passou a ser uma das minhas músicas preferidas. mas tem é de ser cantada com aquela voz de whisky.

quarta-feira, outubro 27, 2004

eu nem gosto de ibiza.......

ainda estou para perceber por que raio temos nós a mania de nos isolar quando mais precisamos dos outros... eu pelo menos tenho. no auge da neura parece que é mais fácil não ter de encarar ninguém. não ter de fazer um esforço para a ultrapassar. não ter de dizer uma palavra. não ter de sorrir sem vontade. não ter de... de ser nós próprios. é que por muito que os amigos digam que não faz mal estarmos de mau humor ou sem vontade de ver ninguém, são raros os que sabem respeitar o silêncio esporádico de que todos precisamos e que sabem realmente estar, não no sentido social, mas simplesmente no sentido de estar ali. tenho andado com a neura, pois tenho, é o tempo e não só. o miguel diz que é «cena fêmea», e se for? faz parte. a filipa já nem precisa que lhe diga que nada. assim como ela não precisa de me dizer nada. estamos ali e pronto. as amizades de infância são um escape de ouro. já me dou por muito satisfeita por andar a conseguir contornar a ideologia isolacionista. é mais fácil e faz-me bem à cabeça, mas só me faz sentir mais à parte, e por mais que isso me incomode cada vez menos, se o puder evitar agradeço. cedi ao isolacionismo à tarde, mas à noite consegui reagir. hot chocolate @ gémeos rules!

chuva, trânsito, zzzzzzzz

adoro a sensação de fracasso de conseguir chegar a horas (tem sido raro o dia...) à quase desumana aula das oito da manhã e o senhor professor não aparecer. sobretudo quando para isso tenho de sair de casa ainda de noite e arrastar-me a 10km/hora debaixo de chuva torrencial e por entre o trânsito infindável da segunda circular e do eixo norte/sul. é a mesma coisa todos os dias, e não há manhã em que não pense que tenho de começar a sair de casa mais cedo, mas antes das sete da manhã ninguém consegue pensar com a mesma clareza que às dez ou às onze. a única coisa clara àquela hora é que ninguém devia ser obrigado a sair de casa de noite e à chuva quando sente que ainda não dormiu tudo. por isso se conserva até à última da hora a convicta esperança de que não vai haver trânsito nesse dia. uma esperança que morre depressa... mas que tem mais vidas do que qualquer gato aventureiro.

before sunset

ontem fui ver o before sunset. finalmente. sei que não faz sentido querer que um filme seja um dos filmes da nossa vida sem o ver primeiro, mas também quando se gosta há muita coisa que não faz sentido que passa a fazer. é mau criar grandes expectativas... foi mau... ontem não quis escrever sobre o filme porque pensei que hoje por esta hoje já iria ter percebido porque saí com um vazio tão grande do cinema... faltou ali qualquer coisa... ou então sou eu que ainda não estou na fase do cinismo.... mas recuso-me, por enquanto, a tecer considerações menos positivas sobre um filme que até ontem foi um dos filmes da minha vida. pelo menos até o ver outra vez. já nem os filmes de que gostamos podemos escolher? eu quero gostar deste. nem que seja por esta imagem. nem que seja por ser passado em paris.


terça-feira, outubro 26, 2004

john peel

john peel sempre foi uma figura distante para mim. há muitos anos que me habituei a ouvir e a respeitar o nome do senhor, mas sempre por intermédio de outros nomes da rádio, também eles de referência, e muito mais próximos do meu mundo radiofónico e não só. john peel sempre esteve um degrau acima na minha escala hierárquica. um bocado como o antónio sérgio, que quisermos pensar à escala nacional. falo em distância porque - directamente - nem um nem outro tiveram grande influência na minha "formação musical" nem na minha ligação - apenas e sempre só afectiva - à rádio. no entanto, a partir do momento em que percebo que tanto o john peel como o antónio sérgio são nomes de referência para aqueles que me passaram a paixão (passe o lugar comum, mas a palavra é mesmo esta) pela rádio e aguçaram a minha curiosidade pela música - you know who you are - sou "obrigada" a lançá-los para o pedestal. já lá vão uns anos.

não tive a aula das 14h. como não aponto os recados dos professores no caderno porque acho que ainda fixo tudo fui ao engano... acabei por ir parar ao open space e foi então que li no site da bbc a notícia que dava conta da morte de john peel. paralisei. e num minuto pensei em todos aqueles que me ensinaram a ouvir música na rádio e que ainda acreditam que um dia destes a rádio (peço desculpa pelas repetições sucessivas mas o tema é mesmo esse - a rádio) há-de dar a volta por cima. pensei que apesar da familiaridade do nome, pouco sabia (e sei) sobre o john peel. mantive-o à distância estes anos todos. mas quando desaparece uma figura destas, um símbolo até, por maior que seja a distância, o embate é sempre forte. o nome john peel para mim sempre teve apenas dois significados - rádio e música. só isso. que só por acaso são duas das coisas que mais impacto têm tido e continuam a ter na minha vida. eu nem gosto de lógica, acho-a muito redutora, mas se a quisermos seguir neste momento....

dios like to watch the sunset....

starting five para começar. uma tangueta imediata a fazer lembrar tudo e mais alguma coisa que já foi feita há mais de trinta anos e aconselhável a fãs da eterna onda sunshine beach boys. é para o lado que durmo melhor, soa-me muito bem. dios é o nome da banda e do álbum. têm um site que se torna fantástico de tão mauzinho que é, vale a pena visitar pelo menos uma vez porque explorando bem acaba por se tornar divertido.

Orelhas de Burro:


segunda-feira, outubro 25, 2004

new year thing

ainda os living things. ou muito me engano ou voltei a enganar-me quando "rejeitei" a banda às primeiras audições. na altura as músicas que ouvi não me disseram rigorosamente nada, mas o new year fez-me voltar atrás. ainda que os mp3 não estejam nas melhores condições, deu para ver que o resto do álbum segue por caminhos muito mais acidentados e por terrenos mais ásperos. não que eu não goste, mas lá está, conciliem-me esse andamento rough com uma boa melodia e estamos conversados. o new year é um bom exemplo, ainda que não seja perfeito porque a música até bem soft, chega quase a ser tangueta. mas o i owe ilustra muito bem a ideia que estou a tentar passar. tem um andamento do caraças e uma melodia que agarra em segundos. o end gospel também tem uma batida que lhe atenua a "agressividade". lembra-me danko jones e faz-me querer ouvir mais. por outro lado, coisas como o march in daylight e o on all fours não têm sorte nenhuma cá no estábulo. já tive a minha dose. mas quero voltar a ouvi-las com um som decente, talvez ajude. entretanto, é oficial.... crashei com o new year. mesmo com som de cassete.

word up!

lembrei-me dos gun, apercebi-me que 1994 já foi há dez anos e assustei-me. o swagger saíu em 1994 e lembro-me de ter comprado o disco como se fosse ontem. já foi há dez anos. a mariana nasceu em 1994, tem telemóvel, fala comigo no messenger e está quase da minha altura. adiante.

lembrei-me dos gun porque ouvi hoje à tarde a versão dos korn para o word up (original by cameo), uma música que ouvi vezes sem conta há dez anos, ao que parece, e que me fez descobrir uma banda de que até então nunca tinha ouvido falar e de que fiquei fã na hora - os gun. agora que volto a pegar no swagger, no gallus e no taking on the world vejo nitidamente a diferença do que era ouvir música há dez anos e do que é ouvir música hoje em dia. as caixas perderam o brilho, estão riscadas, usadas, gastas, velhas. actualmente não lhes dou sequer tempo de ficarem baças. uns riscos ainda ganham, e é quase certo que se partem as peças do círculo central onde encaixa o disco, mas aquele ar de "usado" já não vai lá. é por estas e por outras que curto versões. falava disso outro dia com a m&m. para além de muitas vezes servirem para os mais novos descobrirem bandas, outras dão-nos uma desculpa para reviver uma série de coisas que já nem nos lembrávamos de alguma vez terem existido. o word up! é uma tema do caraças.


Orelhas de Burro:


domingo, outubro 24, 2004

toma lá, dá cá

gosto de prestar atenção aos downloads que me fazem no soulseek. normalmente só me "levam" músicas que não me orgulho muito de ter no computador, mas acredito que não devemos renegar nem refundir o nosso lado pimba, todos temos um, e por isso guardo tão religiosamente essas cenas "foleiras" como as minhas preciosas tanguetas. mas pelo que reparei hoje, parece que ao domingo de manhã o pessoal dos downloads é mais selecto. neste momento, estou a "difundir" álbuns inteiros de coisas que nunca tinha dado conta que tivessem tanta saída - ryan adams, brookville, trashcan sinatras, the zutons, elliott smith, the faint, longwave, the killers, unkle, devendra e tahiti 80.

da parte que me toca, estou a pedir ao muggli (um pirata que acredito que seja uma simpatia porque ainda não me falhou, mas também temos de ser uns para os outros) o novo álbum dos living things - black skies in broad daylight. as primeiras coisas que ouvi - com os cumprimentos habituais da rapaziada 3 - não me disseram grande coisa, mas ontem a abertura do mq3 deixou-me no meu melhor estado catatónico - parei o carro no cais do sodré e consegui perceber que eram os living things - new year o nome da música. não pude ouvir o resto do programa, mas valeu por aqueles 5 minutos. há uma hora que estou no computador e há uma hora que não oiço mais nada que não este new year. tá de chuva outra vez... who cares? celebrate, é domingo!


Orelhas de Burro:


sábado, outubro 23, 2004

sábado de manhã em lisboa

adoro escrever de manhã, mesmo que não tenha nada para dizer. é o caso, mas uma ideia puxa outra e é tão fácil..... aliás, adoro as manhãs em geral, a partir das 10h mais coisa menos coisa, porque antes disso, apesar de estar acordada - o metabolismo impede-me de acordar depois das oito e meia, nove - prefiro que nem falem comigo. estou a pensar. e àquela hora não consigo pensar e falar ao mesmo tempo. quando está sol então, faz-me uma confusão tremenda como pode haver gente a dormir ou com os estores fechados ao meio dia. também dou a mão à palmatória... há alturas em que dava uma bela manhã de sábado de sol para conseguir estar ferrada até às duas ou três da tarde para compensar outros carnavais. é raríssimo conseguir tal proeza. depois tento dormir à tarde. é degradante.... acordo sempre sem saber onde estou e é garantido que se me perguntarem o nome e em que ano estamos não consigo responder. e enquanto não vou aproveitar o sol alfacinha, do chiado (acho que já me tinha esquecido como gosto dos sábados de manhã em lisboa) os stills são uma boa banda para ouvir de manhã.


Orelhas de Burro:

changes are no good/ still in love song

ainda os diários......

ainda a propósito da posta anterior sobre os diários, porque acordei agora ainda a pensar sobre esta cena.... (adoro estes filmes que involuntariamente me fazem pôr em causa uma série de coisas em causa - e até mudá-las radicalmente em casos mais extremos - uma série de coisas que tenho a mania de dar como certas). acho que independentemente de cores políticas e ideologias de eleição (ou não) é inevitável não admirar ou respeitar, pelo menos, a coragem, a força, o génio, a humanidade, chamem-lhe o que quiserem de certas figuras da história e do dia a dia, sendo da política ou não. aliás, não pensei uma única vez em política durante os diários de che guevara. talvez fosse mesmo esse um dos propósitos do filme - mostrar apenas o lado humano do herói, passe o paradoxo. a mim tocou-me fundo. e sinceramente nunca fui muito atenta ao percurso do senhor. começo agora a perceber a admiração que o rui tem e sempre teve pelo che. na altura eu encarava aquilo como uma panca dele, nada mais. foi preciso ir ao cinema depois destes anos todos para perceber certas coisas que me quis fazer ver em tempos. não estava para lá virada. a política nunca foi o meu forte, ainda hoje ando muitas vezes mal informada e o mais grave é que a podridão é tanta que acho que começo a preferir andar assim. vou lendo. lá diz o ditado, quem não sabe é como quem não vê e ultimamente tenho (temos todos!) visto muita coisa desnecessária. resumindo e baralhando e voltando ao post dos diários acho que as pessoas que nascem com este lado humano mais desenvolvido - lol - nunca o chegam a perder, mesmo com o tempo, mesmo com os baldes de água fria. acho até que essa humanidade rara só tende a aumentar com o crescer da injustiça alheia. políticas à parte, eu vejo-os como embaixadores da humanidade. o tipo de pessoas que por alguma razão raramente não vão dar à política.


Orelhas de Burro:

the rapture - sister saviour

super post me

mais uma dúvida existencial - mas alguém tem pachorra de ler estes lençois de texto até ao fim? não acredito que não saltem partes........ eu saltava. eu salto. consta que a ideia dos blogs é terem actualizações rápidas e constantes. tipo junk-post ou tipo fast-post, tanto faz. e realmente é mais fácil ler esse tipo de blogs. mas quem disse que eu gosto de facilidades ou de facilitar? gosto de ler, gosto de escrever. já tinha dito?

sexta-feira, outubro 22, 2004

os diários do burro

tenho uma certa mania para pensar sobre o tempo. não se faz frio sou se faz calor, mas sobre o tempo cronológico. quando cheguei à fase das crises existenciais - que não foi assim há tanto tempo e que pensando bem acho que ainda continua no auge - a frase que mais passei a ouvir foi "com o tempo isso passa". ninguém gosta de ouvir isto. eu pelo menos não gosto. enerva-me. tenho pressa, quero que passe já a inquietação, como as taquicardias estão a passar. há muita coisa que passa com o tempo, é um facto, e eu gosto de ver sempre isso pelo lado positivo. acordar um dia, depois de meses de "luta", e reparar que já há mais de 48 horas não pensamos em quem não queríamos pensar; ou darmo-nos conta que já não passamos tardes a olhar para o telemóvel (isto para mim é degradante!) à espera de uma chamada que afinal nunca chegou a ser feita, ou então chegou mas foi tarde demais. perceber que já conseguimos relativizar a importância de coisas que em tempos nos tiraram o sono noites a fio ou de pessoas que não interessam nem ao menino jesus. é um alívio e uma calma inexplicáveis. é o tempo.

mas há coisas que eu acredito que não passam com o tempo. numa visão muito redutora acredito que há pessoas e pessoas. as primeiras sentem e vivem tudo muito à flor da pele e por isso deixam-se tocar mais pelo que têm à volta, são mais sensíveis e vivem menos resguardadas emocionalmente. ou seja, ora estão muito bem ora estão muito mal, e tudo muda sem aviso prévio, de uma hora para outra e sem razão aparente. o pior de tudo é que não sabem lidar com a injustiça alheia. levam os problemas dos outros para casa, pensam, interferem, envolvem-se, sofrem, lutam, morrem se for preciso, porque o ideal é intrínseco. a justiça. para o que der e vier. a partilha.

as segundas.... basicamente sofrem menos. sabem/conseguem manter-se à distância, não dão confiança, talvez por não serem elas próprias de confiança e terem noção disso. têm atitudes frias e distantes, dizem não com toda a facilidade (é uma coisa que ando a treinar.....) e com os problemas dos outros podem elas bem e para o lado que dormem melhor.

o ideal seria conseguir um meio termo. nada de novo. apesar de ter escrito este parágrafo anterior com uma intenção "negativa" acho muito positivo uma pessoa conseguir manter um certo distanciamento das coisas porque facilita tudo. vivemos mais tempo, that's for sure, e eu sinceramente estou farta de ouvir que por este andar não chego aos quarenta, o que não pode ser bom sinal lol. há dias em que acho que a minha vocação não tem nada a ver com o caminho que quis seguir. no nono ano, na altura dos testes psicotécnicos, em que a única coisa que eu sabia que gostava era de escrever, uma professora que tentava adivinhar os nossos interesses futuros só para gastar tempo da aula, quando chegou à minha vez disse de rajada e com o ar mais confiante do mundo - assistente social. como disse? respondi apenas que gostava de escrever e de música e nunca mais pensei no assunto. até há bem pouco tempo. se calhar fiz mal, não sei, porque há dias em que vejo tudo tão claro..... mas lá está, há o problema de ainda não ter conseguido encontrar o equilíbrio entre aqueles dois tipos de pessoas. nesta altura do campeonato ainda não tenho o mínimo de estofo emocional para poder ajudar quem quer que seja, sem me deixar consumir vorazmente pelo problema. ou seja, sairia pior a emenda que o soneto. para além de não ajudar ainda acabava por atrapalhar. talvez com o tempo.... por agora vou escrevendo para burro e ouvindo música.

mas o que me assusta é que nos últimos tempos tenho pensado no assunto com mais frequência do que a que eu queria........ muito mais.


ps - vi ontem os diários de che guevara.

quarta-feira, outubro 20, 2004

back to M

agora que volto a ouvir o miss you do musiq com os cumprimentos dos stones, que me deixou de queixo caído desde a primeira audição, e me levou inclusivamente a interromper via sms uma emissão de rádio matinal lol, aproveito então para tentar recuperar parte da informação que há algumas horas debitei neste estábulo, mas que sem mais nem ontem deu o berro e foi para as urtigas.

como era de esperar não vi o jogo de domingo. só me lembrei da existência de tal acontecimento quando já perto da meia-noite vi a confusão e o trânsito entupido do outro lado da estrada por causa da marcha dos adeptos azuis (foram a pé para casa?), estranhamente calmos, até pensei que tivessem perdido. ah é verdade, o porto não perde, não é? cala-te boca, que eu não falo do que não sei.

o post era sobre o regresso do m. sobre como me soube bem à hora do jogo estar a ouvir a emissão de "estreia", a modos que experimental (não que eu tivesse notado.....), ainda sem as novas rubricas, mas com música que me fez lembrar como eu gostava de ouvir aquilo nas tardes de sábado. conheci tanta coisa....... em 2004 temos erykah badu, van hunt, dwele, les nubians, roy hargrove, anthony hamilton, the roots, amp fiddler, d'angelo, angela johnson, musiq, jill scott, amel larrieux e outros tantos cujo nome ainda não consegui fixar, mas vou ter tempo...... sempre aos domingos entre as 19h e as 21h [só tenho pena que a emissão não siga com os bons rapazes e tenha de haver um intervalo de duas horas......]

o post era sobre eu ser fã da mónica mendes. sobre como a mónica teve influência no desenvolvimento da minha curiosidade musical. sobre como é lixado quem está do lado de cá lidar com o fim de um programa de rádio. o hábito instala-se sem darmos por isso, e quando nos apercebemos já damos por garantido que aquela pessoa e aquelas músicas estarão sempre ali naquele dia e àquela hora. e não é bem assim. mas quando o envolvimento é grande nunca se pensa no fim. não vale a pena, não faz sentido. e depois é um vazio do caraças, que demora que tempos a desaparecer, mas como em tudo, o tempo faz mesmo milagres. como este.

o post era sobre como gostei de ouvir a mónica mendes de volta ao seu habitat natural - o da divulgação musical - e de como não consegui evitar dar-lhe aquele abraço depois da intervenção de boas-vindas. já lhe disse por diversas vezes que não a consigo ouvir em modo piloto automático. depois de a ter ouvido em registo de programa da manhã, em emissões especiais, reportagens, etc, onde impera o factor espontaneidade, que ela domina com a maior das naturalidades porque faz parte dela, não consigo voltar a ouvi-la em modo mecânico. não é ela. não é rádio. a meu ver, o trunfo e a imagem de marca da mónica é essa espontaneidade natural. que devia (voltar a) ser a mesma da rádio.

m&m, welcome back!


Orelhas de Burro:

wilco no coyote do pedro costa

post em branco

escrevi um post gigante e a net berrou na altura do publish..... é a mania das grandezas! ainda não estou em mim.......

Orelhas de Burro:

the faint - i disappear.... nem de propósito.....

terça-feira, outubro 19, 2004

i disappear.........

parece que nem tudo se perdeu musicalmente na alucinante sexta-ar-de-rato. é que com tanta coisa "bonita" que se ouviu pela noite dentro e com tanta gente gira e devertida - como diz o meu ex-"presidente da companhia" lol - parece que até se me apagaram as horas decentes do serão. o livro sobre a exclusão social que tenho de ler para sexta-feira estava ali a olhar para mim de lado, e não sei porquê lembrei-me dos faint (o nome completo é the faint, mas faz-me comichão dizer os the faint, os the stills, etc, etc), que ainda tiveram tempo de dar o ar de sua graça no set zig zag. são habitués do mq3 há uma data de tempo, mas têm-me passado um bocado ao lado. o mal de não ouvirmos certas músicas na rádio com a frequência que devíamos tem destas coisas..... só três meses depois de as andarmos a ouvir é que reparamos que as andamos a ouvir há três meses. só precisei de ouvir mais uma vez o desperate guys para não passar dali. é a faixa 1. tenho o resto do wet from birth a sacar, metade já cá canta e com um som do caraças ainda por cima, mas ainda não consegui ouvir mais nada. de nome só reconheço mais o i disappear que também é imediato. esta cena tem sons que se alojam imediatamente no cérebro. é certinho que amanhã vou acordar com uma destas músicas na cabeça. e por hoje chega. vou excluir-me socialmente por umas horas. nada de novo, so they say. :)


Orelhas de Burro:


sunshine

não gosto do inverno. não posso com o tempo cinzento, parece que nunca chego a acordar por completo. e desta chuva misturada com ventanias desorganizadas até prefiro não falar... perdi a conta das molhas que apanhei entre ontem e hoje, e ainda nem sequer é meio dia e meia.... mas também já não quero saber. já percebi que não há nada a fazer quanto ao humor de cão com que fico nestes dias escuros - não é defeito, é feitio. o sol também precisa de descansar e desaparecer por uns tempos, de resto como todos nós. e é por isso que nestas alturas tenho por hábito regressar às terapias imaginárias para tentar equilibrar a balança. no inverno gosto de ouvir discos de verão. os beulah são... ou eram (infelizmente) uma banda de verão, e a capa do the coast is never clear não deixa margem para dúvidas. já tinha saudades deste disco.


Orelhas de Burro:


segunda-feira, outubro 18, 2004

quem quer ser anthony kiedis?

é só mais um caso. não é novidade para ninguém que a música continua a ser vista como arte menor - excepção feita à clássica. nada contra mas também nada a favor, é tão válida como as outras, todas têm o seu público. esta atitude diplomática é uma chatice, eu sei, e provavelmente é só o sono a falar...... é o tema até dava azo a uma discussão e peras, mas a ideia desta posta de pescada nem tinha nada a ver com isso..... adiante.
já não via o quem quer ser milionário desde que aquele senhor simpático ganhou o prémio máximo. hoje vi um bocado. o senhor em jogo estava à beira de ganhar 5000 euros. já tinha acertado sem ajudas a perguntas sobre pijamas, dinastias, e o diabo a quatro, mas foi na pergunta sobre música que empancou. anthony kiedis é o vocalista de que banda:

a) red hot chili peppers
b) metallica
c) blue
d) blur

o senhor de bigodes, dos 40 para cima, depois de adiantar que lia habitualmente os suplementos de música, apesar de não saber enunciar de cor nenhum dos nomes dos vocalistas das bandas em questão, sabia que dos blur kiedis não era vocalista. pediu ajuda 50-50:

a) red hot chili peppers
b) metallica

também não vai lá. jorge gabriel chama a atenção para o facto de o público presente ouvir rádio (?) e ir a concertos, porque os concertos até esgotam e as duas bandas já terem vindo a portugal. venha mais uma ajuda - a do público - ganham os rhcp. e no final o concorrente revela ainda com toda a segurança que o james hetfield fazia parte dos metallica, não sabia era se era vocalista, e que o damon albarn era o vocalista do blur. bem conduzida a prova e o senhor tinha chegado lá sem gastar duas ajudas. tive pena. eu no lugar do jorge gabriel tinha-o ajudado pelo simples facto de ter dito tão prontamente que o james hetfield era dos metallica. não era o típico fã(nático) de música, mas tinha noções do assunto, merecia passar sem as duas faltas.

no commentz.....

a sexta-feira passada foi surreal. o sábado não existiu. o domingo salvou o fim de semana. weird. domingo é dia de neura, mas este não foi, não houve tempo para isso, e o peso na consciência de ter desperdiçado um sábado (!) a pastelar falou mais alto. uma sexta feira que se adivinhava de rock n' roll (e ananás!) até de manhã foi...... nem sei o que lhe hei-de chamar porque quando penso naquela noite só me consigo rir e levar as mãos à cabeça.... foi tudo menos isso, acho que é isso. foi tudo tão fora que ainda só consigo reproduzir as cenas em modo flash. apesar do nome ar de rato o espaço era fixe, e enquanto esteve vazio tudo indicava que as coisas iam decorrer dentro da "normalidade" possível. não sou vip, nem celebridade, nem artista, nem nada que se pareça, aliás tenho por hábito fugir de todo e qualquer ambiente mais "mediático", mais selecto, por assim dizer. prefiro ambientes onde não se vai para dar nas vistas, nem para aparecer, e onde posso simplesmente estar à vontade. ou pelo menos eu achava que assim era. já nem sei. perdi-me........ depois do que vi e ouvi, tudo é possível. o que eu sei é que saí de lisboa com o miguel, a filipa, a sara (que entrou depressa de mais nas private jokes do gang!) e o luís para aproveitar uma noite zig zag coimbrã de rock n' roll e acabámos a dançar coisas como o "show me love" da robin s de quem eu não ouvia falar desde o oitavo ano, já lá vão seguramente pelo menos dez anos, mas que na altura era um êxito para todos os que ouviam a rádio cidade, então com sotaque brasileiro. depois do choque inicial das coisas não terem corrido pelo melhor ao zig e ao zag, era preciso dar por ganha uma violenta deslocação de ida e vinda no mesmo dia.... quer dizer.... mesmo dia, mesmo dia, não terá sido bem, mas quase. é que em vez de interpol, radio 4, josh rouse, the killers, e todas as novidades do costume que nos "obrigam" a estas frequentes digressões de apoio aos z boys, tivémos para a sobremesa música da geração morangos com açucar. estranho. aquela cena funciona como muitas outras - primeiro estranha-se, depois entranha-se de tão mau que é. mas que outra oportunidade ia eu ter para voltar recordar a robin s? e quem é consegue recusar o let's get it started dos black eyed peas? muita gente eu sei..... mas eu não, acho aquela cena uma granda música. quem não tem cão, caça com gato, era a música que tínhamos, mais valia entrar no espírito. e para mais tarde não haver chantagens - lol - revelo também (nunca pensei alguma vez dizer uma coisa destas!) que fui até à pista quando começaram a soar os mui populares romenos ozone que tanto abomino e de quem tanto mal tenho dito. não fui a única, mas não revelo nomes, que isto é vergonhoso para qualquer currículo lol. os black eyed peas e os wham são uma coisa, mas agora os ozone é uma situação bem mais grave! digo eu lol... vá lá que durante o tou nem aí da luka não me deu para aí..... devia estar a tossir.... com ozone ou sem ozone, com luka ou sem luka, valeu a pena a estafa das viagens (vá lá não houve relatos de bola), valeu a pena ver mais uma vez o fairplay do zé e do michael, valeu a pena ter perdido o sábado..... e só tenho pena de ainda não conseguir traduzir por palavras o retrato de algumas das figuras da noite......... e mais não digo! :)


Orelhas de Burro:

cenas foleiras desenterradas a propósito deste filme coimbrão, que nem me atrevo a revelar. por hoje já me enterrei que chegue lol. digo só que são do tempo da robin s.

sexta-feira, outubro 15, 2004

sleepover

os seafood já me tinham chamado a atenção a propósito de outros carnavais. cheguei a comprar o when do we start fighting para ver o que mais andava a banda a fazer para além do what may be the oldest, que na altura passava no polvo ou no menino é lindo, ou nos dois, já não me lembro. acabei por não ligar muito ao disco, por achar que era um bocado frio, distante e sem qualquer tipo de fio condutor, e na altura não me apeteceu fazer um esforço para tentar seguir o caminho por atalhos. pus de lado e esqueci a banda. anos mais tarde volto à casa da partida. começo a ouvir outra vez o nome seafood regularmente, agora no mq3. voltei a não fazer grande esforço para associar o nome da banda a música nenhuma porque as referências não eram fortes. até ao dia em que ~me apercebi que uma das músicas insistia em não me largar do pé, e já lá iam algumas semanas, era precisamente dos seafood. sleepover é o nome da canção. um crescendo em tangueta que culmina com uma potente guitarrada e volta depois a suavizar pela mão de um coro...... só me ocorre dreamy. sleepover faz parte do novo álbum da banda - as the cry flows -, que num todo, mais uma vez, não me diz nada. mas o sleepover não deixa de ser uma das canções que mais vezes ouvi nos últimos tempos.


Orelhas de Burro:


quinta-feira, outubro 14, 2004

another morrissey morning

reparei hoje ao chegar à santa casa, e enquanto estacionava o "porta-chaves" no recanto descampado do parque de estacionamento, que esta semana, entre uma estação de rádio e outra, ouvi todos os dias de manhã o "first of the gang to die" do morrissey. é o bom do zapping. chateia-me não conseguir ouvir nenhum programa da manhã sem mudar de posto de dois em dois minutos, mas por outro lado há outras recompensas. como esta do morrissey. assim até parece que vale a pena ter saído da cama àquela hora. podia pôr o cd mais tarde? pois podia. mas a música quando é ouvida na rádio soa diferente. soa melhor. é sinal de que há mais gente a ouvir e a gostar do mesmo, e quando se gosta muito há uma necessidade intrínseca de fazer com os outros gostem também... e oiçam também, neste caso.

Z boyz em coimbra



o zig e o zag - o zé pedro e o miguel quintão, respectivamente - somam e seguem, desta feita para coimbra para mais uma sessão da digressão rock n' roll spirit. a festa é a 15 de outubro, no espaço ar de rato café, aliás celebra-se no dia a inauguração do bar. como chegar ao local? a amerika explica:

O povo sai em Coimbra-Sul e sai em frente na direcção de Stª Clara. Ao chegar à segunda rotunda, junto ao Portugal dos Pequeninos, vira-se à esquerda, em direcção aos semáforos e nos mesmos corta-se à direita e Voilá! o espaço fica um pouco antes das bombas da BP. Para malta de pêlo na venta, e que já tenha andado em Keimas Coimbrãs, o espaço é o antigo SCOTCH!

be there!

quarta-feira, outubro 13, 2004

school lights

dia de praxes na santa casa onde agora passo grande parte do meu tempo. ainda não tanto tempo como devia, mas já vou no bom caminho...... os alunos do 5º ano (dos outros não sei, mas calculo que também) são dispensados das aulas a partir das 11h30. seguindo a lógica do se me dás a mão puxo-te o braço pensei imediatamente de mim para mim que foi uma pena os professores das oito e meia não terem tido a mesma ideia... a eterna insatisfação.... passou depressa quando constatei no minuto seguinte que tinha um dia livre. de sol ainda por cima. ironia das ironias - passei o dia a organizar papéis. isto é ridículo, mas pronto.... comecei as aulas faz esta semana um mês e ainda não tinha cumprido o ritual do início do ano lectivo - a ida ao hipermercado para comprar material escolar. resultado - ainda não me tinha sentido realmente uma "estudante a sério". desde o dia 15 de setembro que levo todos os dias o mesmo caderno para as aulas e ali escrevo os apontamentos das 7 cadeiras que tenho este semeste, umas a seguir às outras, tudo ao molho se quisermos falar bem e depressa. tudo a preto. invejo a perícia das minhas colegas tão giras, tão perfeitas, tão confiantes e tão maquilhadas que conseguem escrever tudo, tudo, tudo o que o senhor prefessor diz e ainda têm tempo para mudar de cores a meio das frases. adiante..... percebi que o meu caderno estava a ficar uma coisa inenarrável quando hoje o fred tentou escrever o mail dele numa das páginas do dito-cujo e eu lhe disse prontamente "não escrevas aí que eu nem olho para isso". preocupante. parece que acordei ali mesmo. fui almoçar com a matosa e segui directa para o o office center de alfragide, um local onde quase me proibo de ir porque tenho um fascínio qualquer por material escolar, esferográficas principalmente. aliás, nunca foi ao acaso que quando me perguntavam o que queria ser quando fosse grande eu dizia que queria ter uma papelaria. acho que ainda quero. fui ao office center comprar uns separadores e só uns separadores, e saí de lá com os separadores, um dossier (que já tinha em casa para dar e vender...), um pack de 3 marcadores fluorescentes, e um pack de 6-repito-6-e-para-que-é-que-eu-preciso-de-6 esferográficas azuis (já não posso ver a tinta preta...). vá lá que me controlei para não trazer o teclado preto, os arquivos de revistas, os blocos a4 de linhas, e o caderno novo. assim como assim eu gosto é de escrever em folhas brancas sem margens sem nada. profissão? estudante. e até já voltei a ter letra de gente. ritual cumprido. amanhã prometo que às oito e meia estou na aula de marketing.

terça-feira, outubro 12, 2004

we all know

tenho o computador de volta. e o mesmo é dizer que tenho os mp3 interrompidos do devendra nino rojo de volta...... e já a verde. ao vivo tive de ceder às evidências. a ver se é desta que lhes ponho as orelhas em cima! por agora ainda não consegui passar do at the hop.... traz de volta o concerto..... e já estou mais do que atrasada!

Orelhas de Burro:


segunda-feira, outubro 11, 2004

palavra de autor

parece que aos poucos vai sendo possível recuperar o hábito de ouvir rádio à noite. ou o hábito de ouvir rádio e ponto final. as novidades da nova grelha da antena 3 foram reveladas hoje - os programas de autor estão de volta ao anoitecer. ainda hoje vinha no carro à tarde com o rádio ligado no rcp e entre o nik kershaw e os bee gees, a senhora - não faço ideia quem fosse... e também não interessa porque as palavras não eram dela de certeza, mas sim de um produtor contratado para o efeito - contou uma história sobre a maior planta do mundo, que está plantada num jardim botânico de sidney, na austrália, e cheira a peixe podre. e contou isto assim do nada. entre duas músicas. what's the point? fiquei a pensar por que razão está ali aquela senhora e não outra qualquer que saiba histórias de... hmmm.... não sei pá..... música talvez...... era capaz de até funcionar.... e porque não exigem a quem entra no estúdio que saiba pelo menos pronunciar os nomes dos artistas..... nossa senhora! desliguei. voltei a ligar há bocado quando ouvi o nuno reis, o henrique amaro e o pedro costa. vou pouco à bola com a música de dança - tem dias - mas já percebi que costumo alinhar facilmente nas cenas que o reis divulga. tive muita pensa de não apanhar alguns nomes que passaram hoje na caixa de ritmos, mas é complicadíssimo apanhar aquelas colaborações todas........ e depois quando decido fixar só um dos nomes já tarde demais...... talvez amanhã....

e o pedro costa está de volta. sem costa a costa, mas vestido de coyote das 22h às 23h. até estranhei, mas acho que volto a apanhar o hábito facilmente, é só uma questão de semanas tendo em conta que o programa é diário. não querendo armar em intelectual, só me apetece dizer que já temos alternativa à quinta das celebridades. já tentei, não adianta, eles que se celebrem uns aos outros. já sei que também há para lá um burro e tudo, mas neste caso eu prefiro o coyote. do que ouvi hoje, apanhei giant sand, steve earl, ani difranco, dave matthews band, gomez, the clash, ryan adams, whiskeytown... soube a pouco. amanhã same time same place.


Orelhas de Burro:



coyote by pedro costa - 22h-23h - 2ª a 6ª - antena 3

private joke do dia

porque há pessoal porreiro que se diverte com pouco aqui vai disto:

hoje bebi um sumo de ananás ao almoço.

pronto. era mesmo só isto.

sunshine tangueta

o novo álbum dos tahiti 80 está pronto e vai chamar-se fosbury. pura tangueta. sunshine tangueta se tudo correr bem, porque não gosto muito do lado introspectivo da banda, e porque eles soam bem é quando celebram a vida e o sol. levam-nos a fazer o mesmo. pode ser que sim, tudo indica que sim. o xavier boyer - vocalista - foi pai há pouco tempo de uma menina chamada suzanne, e além disso descobriu o mês passado que tem mais o vocação - o djing. durante 1h45, o xavier teve de entreter uma plateia fina e da moda, seja lá o que isso for, mas que o rapaz descreveu como "tipos de bigode e raparigas com vestidos de noite e a beber champanhe". parece que a finesse gostou desta selecção musical:

David Axelrod/ The Delfonics/ Smokey & The Miracles/The Chi-Lites/ Leroy Hutson/ Marlena Shaw/ The Jackson Sisters/ The Jackson 5/ Dusty Springfield/ The Spinners/ Marvin Gaye/ Natural Four/ Detroit Emeralds/ Aretha Franklin/ The Isley Brothers/ The Five Stairsteps/ Sly & The Family Stone/ Stevie Wonder/ Soul Travelling/ Barbara McNair/ Jimmy Castor Bunch/ Little Beaver/ Hot Wheels/ KC & The Sunshine Band/ Friends of Distinction/ Panic Buttons/ Jackie Mittoo/ Johnny Otis & Friends/ David Batiste/ The Fabulous Counts/ The TSU Tornadoes


longe da soul music, e muito mais perto da tangueta está o ep (?) "a piece of sunshine" que os tahiti 80 editaram há alguns meses no japão e que agora está a chegar à europa, ou parte dela..... fraquinho, sem sal, com uma outra canção mais expedita, mas nada que justificasse a edição ainda para mais se o novo álbum já está pronto. esmorece a curiosidade e baixa a expectativa. vá lá, não se perde tudo, porque as capas continuam a compensar.


Orelhas de Burro:


the real superman

morreu o super-homem. não quis acreditar quando ouvi a notícia hoje de manhã. paragem cardíaca aos 52 anos. ainda ontem estive a rever um dos filmes no canal hollywood, tenho impressão que era o primeiro da saga. não via aquilo há mais de dez anos, seguramente, e passei metade do filme com vontade de rir ao dar por cenas que pouco ou nada tem a ver com a realidade (que convenhamos, são aquelas dão forma ao grosso do filme), mas que em tempos para mim fizeram todo o sentido e foram reais do primeiro ao último minuto. não sei de quando são aqueles filmes, mas eu devia ter pouco mais de dez anos quando os devorei vezes sem conta. já sabia ler com rapidez suficiente para os acompanhar, mas não tinha, como se vê agora, a mínima noção da realidade. nunca por algum instante me passou pela cabeça que aquele senhor não conseguisse voar pelos seus próprios meios. sempre me fez confusão como conseguia o lex luthor chegar a uma situação de vantagem em relação ao super-homem, se ele não voava. aquela cena da kryptonite é que me intrigava..... e tinha um medo indescritível dos "maus"....... aqueles vestidos de preto, com raios a sair dos olhos, e às vezes parecia que tinham mais força que o super-homem....... isso é que me deixava doida..... e depois conseguiam andar sobre a água que foi uma coisa que não me lembro de ter visto o super-homem fazer....... mas no final perdiam sempre porque o super homem afinal era mais forte. isso é que eu gostava. e era tudo tão real...

christopher reeve terá feito muito mais coisas dignas de nota, dentro e fora do cinema, mas para mim será sempre o superman.

domingo, outubro 10, 2004

simplesmente jim white

Pára tudo. Cheguei finalmente ao disco novo do jim white. Estava no fundo da mala, “perdido”, à espera de vez, e o mais grave é que a fila estava parada há mais de uma semana. Em domingo de descanso, de recuperação, acho que é mais isso, quando já não apetece sair mais de casa porque já é de noite, está frio e já se faz sentir a olhos vistos a neura do amanhã é segunda... é neste ponto que preciso de um disco novo. Ainda restam alguns para explorar.. “drill a hole in that substrate and tell me what you see” está por estrear e assim sabe melhor porque não se dá o domingo por perdido. São oito da noite e parece que acabei de acordar.

“that girl from brownsville texas” foi a primeira coisa que hoje me conseguiu prender por completo a atenção. E depois de ficar aproximadamente cinco minutos a olhar fixamente para a aparelhagem (não consigo perder este reflexo parvo), repeti o feito por mais 6m:23s – o tempo da música. A quarta do disco do jim white. Não sei descrever. Não tem nada de mais. Mas depois.... começa sem se dar por ela, sabemos que está lá, mas é como se não estivesse, vai tocando, e quando damos por isso já largámos tudo o que tínhamos em mãos, parámos de tossir, estamos a olhar para o infinito e a roer as unhas.... se fizer parte do clube, claro. [ninguém vai começar a roer as unhas por ouvir jim white, assim como ninguém começa a tocar piano depois de partir um braço]

E a partir daí está a atenção restaurada para digerir e absorver como deve ser o resto do álbum. Não de uma vez, longe disso, temos aqui música para pelo menos um mês. Só tinha ouvido o “static on the radio” com a aimee mann. Gosto muito da música, mas há vozes, intrumentais, pormenores, raios, forças no resto do disco que fazem esquecer por completo a aimee mann. Não consigo sequer destacar música nenhuma assim do nada. Talvez o “borrowed wings”, ou “if jesus drove a motor home”, ou “combing my hair in a brand new style”........ não....... só fazem sentido todas juntas. Falei na tal girl from texas porque foi a que hoje me fez acordar. Mas também não é decididamente a mais forte. Não sei. O álbum está construído naquela base rara do “cada música é melhor que a anterior”. E a primeira já é muito boa. Não adianta, já não passo daqui hoje....

Não costumo ter sensibilidade para dar pela importância que o produtor tem nos discos, salvo raras excepções que sigo com mais atenção. Joe henry produziu este disco com jim white “and others”, como se lê no verso. Não sabia, mas depois de ler isto faz todo o sentido. O ambiente de fumo, de jazz, blues, bar, western, suspense, dark city, remete realmente para as poucas coisas que ouvi do joe henry. Não sei quem são são os outros mas são bons de certeza. E nunca me tinha apercebido que a música tinha este efeito em mim. Ando sempre a tentar deixar de roer as unhas. Achava, mais uma vez, que estava no bom caminho. A mão direita já era......

“combing my hair in a brand new style”..... é esta. Twelve points, no doubt about it. [até porque consta que ando com um estilo afro lol]



Orelhas de Burro:




jim white - drill a hole in that substrate and tell me what you see - 2004

febre de xutos à noite

Vi muito poucos concertos dos xutos, mas vi-os em circunstâncias muito diferentes – em acústico, no avante e no pavilhão atlântico. A banda está a comemorar 25 anos de vida, não há nada que possa contar acerca do concerto que vá surpreender alguém, mesmo que nunca os tenha visto. E se à primeira vista esta imagem possa ser altamente entediante, a realidade acaba por ser outra. Quem lá vai, sabe ao que vai. Vai ver amigos de longa data, vai beber umas cervejas e passar umas horas bem passadas, vai cantar hinos também eles de longa data, vai saltar um bocado e esquecer que já foi há tanto tempo que começou a associar as músicas dos xutos a momentos-chave da vida que foram sendo substituídos por outras.... músicas, claro, e por outros... momentos, claro.

Estive até à última da hora a tentar convencer-me de que a atitude mais sensata era não sair de casa. A constipação do fim de semana passado tinha tudo para desaparecer em dois dias. Ignorei-a. Resultado? Vingou-se. Atacou em força, desregulou-me o sistema operativo, já de si desregulado, confundiu-me as temperaturas e deixou-me sem voz, como sinal de que tenho dito asneirada a mais nos últimos tempos. Mal por mal..... fui na mesma porque uma série de boas coincidências de última hora assim o quiseram. Fui... mas de manga-comprida, casaco, munida de lenços de papel e comprimidos anti-gripe. conclusão – passei um calor insuportável. Mas durante aquelas horas esqueci-me da febre. O delírio vinha do palco, vinha do lado, vinha de cima das bancadas, vinha da minha cabeça..... mas não só da minha cabeça.

Estava tudo ali para o mesmo. Fazer a festa e deitar os foguetes, e no entretanto, cantar a plenos pulmões todos aqueles hinos..... nem que a vaca tussa...... ou neste caso, o burro lol. Tossi, pois tossi, mas também cantei. E sabe-se lá como, talvez do calor, talvez do chá das cinco, mas por momentos a garganta ficou como nova. A filipa ainda hoje se interrogava ao telefone onde fui buscar a voz... é claro que foi sol de pouca dura...... no final do concerto o ar de preocupação da carla era mais do que evidente. Assustou-me, confesso, mas depois destapei os ouvidos e reparei que afinal ainda me fazia ouvir. Divertimo-nos à grande, apesar de continuar a achar que os xutos não são banda para pavilhões. No avante parece que ganham outra vida, deve ser do ar livre. Ou é o público que faz a festa de outra maneira... ainda não cheguei lá. Acho que ouvimos tudo o que queríamos ouvir e saltámos até os pés se colarem ao chão... a cerveja não andou só pelo ar... hoje a conversa é outra.... parece que passei a noite aos xutos e pontapés! E a gripe voltou a passar-me a perna.......

sexta-feira, outubro 08, 2004

afinal sou fã dos xutos?

Nunca tive o hábito de pôr o dedo no ar das aulas. E o mais engraçado é que essa prática apesar de ser normalmente associada à escola primária, continua a ser utilizada na faculdade. Foi assim que descobri que sou fã dos xutos. A propósito de uns trabalhos académicos que agora também não interessa explicar, o professor de públicos e audiências – também ele um aficionado do maravilhoso mundo blogo – pergunta para o ar no meio de um alvoroço maior que o habitual – se é que isso é possível - se há na sala algum fã dos xutos & pontapés. Quando dei por mim tinha o braço no ar. Fui a única, em 50 pessoas, e fi-lo quase inconscientemente. Acho que naquele momento senti o mesmo que deve sentir um benfiquista doente quando falo com todo o desprezo do seu benfica. E o mesmo se aplica aos outros clubes porque a minha simpatia pelo futebol não tem cor. Não curto nenhuma. Só o azul às vezes por tradição familiar. Azul lisboeta, leia-se. Conclusão, foi com muito orgulho que expliquei à multidão por que motivo sou fã dos xutos. Uma resposta politicamente correcta, como o exigia a circunstância e a formalidade do senhor professor. A minha reacção inicial foi responder-lhe com uma pergunta – já foi a algum concerto dos xutos? 8 e 9 de Outubro no pavilhão atlântico.

os xutos e eu.... eu e os xutos

Nunca liguei muito aos xutos & pontapés. Cresci a ouvir músicas da banda aqui e ali, conheço-as todas, até porque na minha geração duvido que alguém lhes tenha conseguido passar ao lado por completo, mas verdade seja dita nunca comprei um disco dos xutos. Lembro-me do meu irmão ter comprado o “dizer não de vez” quando saíu e de eu o ter ouvido vezes sem conta, mas nunca me deu para seguir a banda. Um bocado na lógica do dado daquirido. Um bocado naquela atitude estúpida de dar menos atenção ao que temos e sobetudo a quem temos como certo..... ou pensamos que temos. E depois é sempre a mesma cantiga – you don’t know what you got until it’s gone.

Na música os xutos funcionam um bocado como o senhor ou a senhora do telejornal que nos entra pela casa dentro todos os dias à hora de jantar – se quisermos continuar a pensar em horários convencionais, claro. Dizem os estudos que passam a fazer parte da família. Confirmo e assino por baixo. Outro dia vi ao longe o rodrigo guedes de carvalho e tive de me controlar para não ir cumprimentar o senhor. A admiração é grande e achei melhor estar quieta para não passar depois três quinze dias a pensar por que raio fui eu dizer aquilo.... o que quer que fosse porque ia de certeza ser qualquer coisa digna de nota e para mais tarde recordar.... e recordações dessas já eu tenho de sobra lol!

Com os xutos passa-se o mesmo. Só que à escala do país. São parte de uma grande família. Há ódios de estimação, claro que há, todas as bandas os têm, eu própria não vou muito à bola com a voz do tim, mas depois de os ver ao vivo que importância passa a ter um pormenor como a voz? Em disco para mim é quase tudo, mas ao vivo já percebi que a coisa é diferente. Ninguém lá vai para ouvir a voz do tim, vai lá tudo para cantar e saltar o tempo todo. Um concerto dos xutos é mais uma desculpa para festejar. Neste caso, para festejar 25 anos. Não é brincadeira nenhuma, eu que o diga, tenho a idade dos xutos, menos 10 dias se quiser ser mais precisa. Só o descobri quando a banda fez 20 anos.

Conheci a banda há muito pouco tempo, conheci melhor o zé pedro, de resto como portugal inteiro, e hoje não consigo ver os xutos da mesma maneira. A humildade é uma coisa que me desarma em três tempos. Mais uma vez parabéns aos xutos!

altas temperaturas

desfeito o mistério informático.......... parece que peguei a febre ao meu computador, que por sua vez me terá passado uma virose qualquer...... a máquina está internada com problemas de altas temperaturas e tudo indica que terá de ficar de molho durante o fim de semana. eu nem por isso.

quinta-feira, outubro 07, 2004

can't stand me now

não fui ao concerto dos libertines, nem cheguei a comprar o disco conforme tinha pensado porque o preço era uma coisa inenarrável. pelo menos na valentim de carvalho do ccb. adoro aquela loja, é do melhor para ouvir discos, nunca para comprar, e apesar de ter ficado com muito melhor aspecto depois da remodelação, ficou também com muito menos cds. assim como assim também não interessa, que aquilo acaba por servir apenas para ver e ouvir as novidades. quando vou ao ccb utilizo sempre a loja como ponto de encontro, porque assim ao menos ninguém dá seca a ninguém, ouvem-se uns discos no entretanto e poupa-se em telefonemas a apressar o/a atrasado/a de serviço. foi o caso. para compensar as secas que dou habitualmente por achar que chego a todo o lado em 15 minutos no meu porta-chaves. nunca contabilizo o tempo que se perde a estacionar em lisboa. mesmo que seja um porta-chaves. adiante. aproveitei a espera de terça-feira na valentim de carvalho para ouvir o disco dos libertines (ou pelo menos a ideia era essa), um dos seis que estava em escuta. havia também o triplo ao vivo no central park da dave matthews band (só ouvi o crush), o novo do tom waits (confesso que não sei ouvir tom waits - é grave eu sei, azar o meu - por isso passei à frente sem hesitar, sem no entanto deixar de reparar que tem uma capa fantástica), o novo do marilyn manson, dos primitive reason e outro que não me lembro....... uma cena de dança se não me engano. sem hesitações comecei por ouvir o can't stand me now dos libertines, que foi mais uma das músicas que fez o fim de semana. aquele final em harmónica tem muito que se lhe diga lol. som mais alto para deixar de ouvir a música ambiente, que normalmente é boa, mas quando se quer ouvir outra coisa só chateia. conclusão, o efeito daquela rockalhada melódica, diria mesmo SUNSHINE, quase tangueta porque tem harmónica, mas não completamente porque não preenche o requisito da voz, quase me fez dar 19,30 euros pelo disco. sem precisar sequer de passar à faixa 2. ouvi o can't stand me now três vezes para me fartar da música ali mesmo e não ceder ao impulso consumista que normalmente me leva a melhor. i won. mas agora não tenho computador, muito menos soulseek, para sacar o disco em casa alegremente. tóing! e não me apetece ouvir mais nada......

mr brightside

esta cena das fotografia mentais é engraçada precisamente por ser incontrolável. ontem a caminho do ikea durante a tarde - é bom ter tempo livre...... - ouvi os killers na rádio, 91.6 as usual, e quando me apercebi estava perdida de riso. o mr brightside ficou inconscientemente associado ao fim de semana em santa maria da feira porque marcou o virar dos acontecimentos de uma noite de música que parecia não ter mais nada para dar por causa do cansaço. a música funcionou como uma espécie de mola, e de repente já ninguém se lembrava que os joelhos estavam a querer flectir e olhos a querer fechar cada vez durante mais tempo. ainda não tínhamos saltado. o mr brightside não deu hipótese. e ouvir esta música agora, traz o delírio todo de volta. e como esta houve mais, tenho a certeza que todos voltámos para casa como uma música a soar diferente na cabeça.


Orelhas de Burro:

nada.... pelo menos enquanto o computador do estábulo não voltar do médico... sorte macaca!

quarta-feira, outubro 06, 2004

era uma vez... gente sentada e outras histórias...... directamente da rua de baixo

A harmónica omnipresente e os óculos charmosos de um Nicolai Dunger ao longe envelhecido, ao perto sorridente. As viagens, os desenhos a lápis de cor, a calma e a paz de espírito penetrantes de Sufjan Stevens e sua guitarra. As histórias mirabolantes, as aulas de ballet ao som de Lauryn Hill, as diversas vidas de Rosie Thomas. As afinações em directo, as aulas de português e a alegria de tocar de Kate Walsh. A presença, a segurança, a descontracção, o peso americano e a mão amiga de Robert Fisher. A alucinação, o delírio, a dança das cadeiras, os cabelos desgrenhados, a volta à América em oitenta minutos, o vinho do Porto de Devendra Banhart e companhia. As histórias de todos eles.

Longe da dinâmica fria e mecânica que, salvo raríssimas excepções, habitualmente marca o andamento dos grandes festivais em Portugal, o Festival para Gente Sentada funcionou como uma espécie de segunda casa para todos os que se deslocaram até Santa Maria da Feira nos dias 1 e 2 de Outubro. Artistas e anónimos. Até mais do que a simplicidade desarmante da música que desfilou pelo palco do Teatro António Lamoso, saltou à vista a humildade, o profissionalismo e o amor à camisola que partilham todos os músicos que fizeram deste fim de semana uma belíssima estreia para um festival inteiramente dedicado ao songwriting, e que acabou por funcionar como uma concretização das pistas lançadas no palco Songwriters do saudoso Paredes de Coura 2004. Há público, há música para mostrar, há músicos para tocar, há espaços para aproveitar.

Dois cenários nocturnos. Um exterior, campestre. Outro caseiro, de sala de estar. Não interessa situar quem actuou onde e quando, porque feitas as contas no final e vistas bem as coisas num todo, a totalidade dos músicos intervenientes na tertúlia sentada partilharam o mesmo quarto, perdão, o mesmo palco, e circularam pelos espectáculos alheios. A familiaridade sentia-se à distância, o ambiente intimista estendia-se muito para além dos cenários e dos jogos de luzes pensados ao pormenor. Os chamados artistas assistiram aos concertos uns dos outros, participaram nos concertos uns dos outros, contaram histórias, muitas histórias, à lareira e partilharam experiências de vida com o público.

Por entre toda esta humildade desarmante houve música. Outra vez a harmónica de Nicolai Dunger. Os sonhos à guitarra de Sufjan Stevens. A nostalgia ao piano de Rosie Thomas, que no final da noite tentava comprar um disco de Kate Walsh ao balcão. A “bagagem” e o humor sábio de Robert “Willard Grant Conspiracy” Fisher, que a meio do concerto deu carta branca ao público para conversar, dado que o espectáculo não estava a decorrer numa biblioteca, e aproveitou também para enviar os devidos agradecimentos ao DJ de serviço da noite anterior [Miguel Quintão] que incluiu no set o tema “Soft Hand” dos Willard Grant Conspiracy. A encerrar em grande a maratona de concertos, Devendra Banhart fez jus ao hype que à sua volta foi criado ao longo dos últimos meses e que foi responsável pela deslocação da maioria dos presentes em Santa Maria da Feira e deu um espectáculo poderoso do princípio ao fim com a respectiva banda. Um resumo da história da música americana, roots, rock, reggae, houve espaço para tudo, menos para todos
quantos gostariam de ter estado sentados durante o espectáculo. Há males que vêm por bem. No final, se uma cadeira incomodava muita gente, várias cadeiras incomodavam muito mais. Havia gente em pé. Finalmente.

a dança das cadeiras..... e na rua de baixo há mais

mais um regresso à realidade, que é como quem diz a lisboa, mais uma paragem cardíaca informática e para ajudar uma constipação que vai daqui a santa maria da feira...... e digo até santa maria da feira porque consigo localizar ao milímetro a causa destas crises de espirros e ataques de tosse que me deixaram sem voz na ressaca de mais um fim de semana a nuorte. em estilo ressaca mesmo, porque as dores de cabeça ainda que agora sejam clínicas persistem, ´lembro-me do fim de semana em flashs e recortes de private jokes, bocas saudáveis de manhã à noite (se bem que as manhãs até para mim parecem estar a acabar lol), muita música, ananás qb - podia ter sido mais lol - pijamas às riscas, almofadas, fotografias parvas e.... muita música.

era ponto assente que não houvesse gente em pé eu não teria ido de propósito ao gente sentada. e apesar de alguns dos concertos me terem surpreendido muito pela positiva - sobretudo o devendra, que me irritava solenemente por todo o estardalhaço que se criou à volta do rapaz de um dia para o outro, mas que depois me fez dar a mão à palmatória e me fez inclusivamente vir cá fora buscar o michael, o miguel e o luís para presenciarem o que se estava a passar ali dentro, porque era um desperdício estar a perder um espectáculo daqueles. o miguel não foi - "cena macho"....

curti os concertos, mas as imagens que ficam são as do delírio pós-acústico. achei um desperdício que estivessem estado apenas seis ou sete pessoas no set do álvaro. não deu para criar o ambiente festivo e festivaleiro do costume, e as quebras próprias do adiantado da hora instalaram-se de armas e bagagens mais cedo do que o que seria desejado.... felizmente no sábado ficou mais gente para a festa. houve quebras claro está, eram os restos da noite anterior, mas conseguiu-se dar a volta por cima. a música chamava e quando assim é, é difícil dizer que não. josh rouse, the stills, morrissey, elefant, the veils, moses leroy, franz ferdinand, the killers....... the killers, era o que me apetecia ouvir já desde os sets anteriores. já estava na fase "acabadíssima", mas a partir dali houve consciência colectiva de ou vai ou racha. acordou tudo. tinha de ser, ou ía tudo para casa mais cedo, e havia uma noite "perdida" para compensar. pelo alvy e o michael e por nós. saltámos até quase às seis da manhã, e não é fácil conseguir instalar um clima de euforia àquelas horas, mas conseguiu-se. para recordar ficam as figuras ridículas próprias de quem se diverte a sério indiferente ao que se passa ao lado, consciente de que o segredo está na música. porque a partir dali a musica não deu descanso. é que nestas sessões de rock n' roll ninguém ouve falar no tal descanso dos guerreiros.

sexta-feira, outubro 01, 2004

gente sentada vs gente em pé

vou hoje outra vez para nuorte a propósito do festival para gente sentada. não ponho as mãos no fogo por aquilo que vou dizer, porque não sou de confiança no que toca a coisas planeadas com antecedência, mas presumo que depois desta excursão vá ter de ficar uns bons tempos por lisboa non stop a aprender a tirar partido da bonita cidade onde tenho a sorte de viver. no kidding. eu adoro isto, não gosto é de me sentir presa aqui. azar..... aguentar e cara alegre, vanessa dixit!
festival para gente sentada? o nome é orginal, lá isso é, mas não me convence. parece uma cena chata, onde só estão intelectuais de óculos de massa e de bloco de notas na mão, sentados lol, a apontar as falhas e momentos-altos dos artistas em palco, e a comentar todo o tempo aos ouvidos uns dos outros que "aquele queria era ser o tom waits!" e que "o que aquela faz já a outra senhora fazia nos anos 70 e muito melhor". cada um vê os concertos como quer, sentado, de pé, a dançar, a cantar, pouco me importa, mas a conversar é que não. em salas fechadas, claro. já passei pela experiência algumas vezes e espero sempre que seja a última. gente sentada? será norma para ver os concertos? tou lixada..... não posso estar muito tempo sentada. uma violenta aterragem que fiz na infância durante um voo de escorrega, e de que felizmente não tenho qualquer memória, obriga-me a circular every now and then. em viagem, ao volante, é para esquecer lol, no cinema é a mesma coisa, sou péssima companhia, dou voltas e coltas na cadeira. circular é a palavra-chave. talvez seja por isso que um nome como "gente sentada" me deixa de pé atrás. sinto-me mais confortável quando leio que no after-hours haverá música para "gente em pé". tou safa. sem essa ressalva tenho a certeza de que dificilmente iria até santa maria da feira para estrear cadeiras.

para quem quiser ir até ao local:

gente sentada:
6ª feira: rosie thomas - sufjan stevens - nicolai dunger
sábado: devendra banhart - robert fisher - kate walsh

gente em pé:
6ª feira: álvaro costa
sábado: miguel quintão


bilhetes e horas não faço ideia.........

dia mundial da música...... e telemóveis

sinceramente a data costuma-me passar ao lado, mas hoje foi a primeira notícia que ouvi quando liguei a rádio pouco depois da oito da manhã. a aparelhagem ainda estava sintonizada na antena 3, sinal de que não voltara a ligar o tuner desde terça à noite. a reportagem alusiva à ao dia mundial da música destacava um senhor que se entretém a fazer toques de telemóveis com base em músicas "conhecidas". já não me lembro quais foram as escolhidas para a ocasião, mas estavam realmente parecidas com o original. para eu as ter identificado sem ajudas....... fiquei impressionada com a perícia do artista porque confesso aqui publicamente a minha azelhice para identificar músicas em toques de telemóvel. soa-me sempre tudo ao mesmo. evito sempre soltar uma hipótese que seja porque normalmente digo uma coisa qualquer para poder arrumar o assunto logo ali. "ouve lá o meu toque novo, é espectacular! reconheces?", "sim, parece o yellow submarine", "nãããããooooo, são os coldplay!", "ah pois é, que estupidez, vê-se logo!", "então e o que é que se faz este fim de semana?" etc, etc assunto encerrado e não se fala mais nisso! é por estas e por outras que nunca aderi a esta cena. aproveito o trabalho daqueles que pensam em toques de telemóveis por mim, neste caso o pessoal habilitado da siemens. uns mais discretos que outros, mas há sempre um toque adaptável a cada "grupo", caso se opte por divisões sonoras, of course - é o meu caso, evita-se cada chatice...... lol
não em telemóvel mas em hi-fi a alto e bom som brinda-se ao dia da música com aquela que me pareceu a escolha óbvia para a ocasião - sample from heaven, brookville ainda em loop.

quinta-feira, setembro 30, 2004

sempre o marketing...

previsível..... acordei à hora em que devia estar a entrar no auditório 2. o horário diz publicidade e marketing. não gosto daquilo, mas agrada-me não ter chegado ao fim do curso sem que pelo menos uma cadeira tivesse tratado o jornalismo como ele na realidade é tratado. um brinquedo nas mãos do marketing, aliás como tudo o resto. deontologia? isso é só às 11h30. e é só ali mesmo no auditório 2. e depois o tempo passa a correr quando se fala de marketing, mas quando se trata de deontologia os bocejos sucedem-se. teoria. na teoria e na prática. lá dentro e cá fora.

quarta-feira, setembro 29, 2004

chicken payback

já percebi que não me faz nada bem ouvir músicas nostálgicas, tristes, de manhã. a par da tangueta, é uma coisa que eu adoro e tenho sempre tendência para lá ir parar sem dar por isso. mas de manhã os resultados nem sempre são os melhores. há quinze dias que me levanto com as galinhas, e como ainda não entrei no ritmo, aliás estou longe disso, é por esta hora - sete e picos :) - que me sinto a galinha, perdão, a pessoa mais chata do mundo. o truque é não pensar, já sei. é fazer tudo em piloto automático até estar dentro do carro porque aí o resto é com o porta-chaves, que já sabe o caminho cril-segunda circular-eixo norte-sul de trás para a frente e de frente para trás. pus-me há bocado a ouvir uma música da fiona apple (tou farta de esperar por novo álbum.......) e estive a um passo de voltar para o vale de lençóis. já sei como é, mas não resisto lol. dei o sinal de alarme e accionei a "transmission c" do moses leroy imediatamente. é remédio santo. ontem também resultou. deve ser por isto que as rádios de manhã insistem em gritar aos ouvidos de quem acaba de acordar. a cena das gargalhadas nem comento. e dizer de 2ª a 6ª à mesma hora que o let's get it started dos black eyed peas é uma grande música..... pois pode ser, eu gosto da música, mas não é de manhã anunciada em delírio como se nunca se tivesse ouvido, sobretudo quando quem a está anunciar sabe que anda a vender a música como a última maravilha, a última das novidades, há quatro meses! para isso prefiro o eminem. e quem diz black eyes peas, diz linkin park, tim booth, o que quer que seja, deixei de conseguir ouvir rádio de manhã e não queria que isso tivesse acontecido. azar o meu! free the bees - chicken payback é a música ideal para ouvir de manhã!

Orelhas de Burro:


terça-feira, setembro 28, 2004

melodias inteligentes

é em momentos destes que me chateiam a sério frases pedantes como "só gosto de música com letras inteligentes". sobretudo quando vêm da parte de putos louros armados em bons e com a mania que são mais que os outros só porque têm amigos mais velhos. mas que raio é afinal uma letra inteligente? uma letra que não se percebe? que junta palavras difíceis enquanto fala de quão incerto é o dia de amanhã? tenho para mim que inteligência é cada vez mais sinónimo de simplicidade. nas letras e sobretudo nas pessoas. não faço ideia da quantidade de música que anda a perder o artista em causa, mas deve ser muita. da parte que me toca, e analisando bem as coisas, perco a conta das músicas em que fico viciada mesmo antes de perceber o que quer que seja que o vocalista está a dizer. voltei ontem à noite a confirmar a regra. a propósito de uma recuperação recente do "the runaway found" dos veils, que não ouvia há uns bons meses, voltei a bloquear na "leavers dance" (e não fui só eu lol) e a inclui-la nas colectâneas-tangueta caseiras. apercebi-me que depois de ter ouvido a música vezes sem conta (e quando eu empanco numa música empanco mesmo, há várias testemunhas!) nunca me tinha dado ao trabalho de perceber uma palavra. my hands, acho que era a única coisa que soava a familiar. não era preciso mais nada, a força estava e está na melodia, que assim prova por si só que é uma melodia inteligente. é isso. como o outro gosta de letras inteligentes, eu gosto de melodias inteligentes. não só, mas também.


[na mesma entrevista, um pouco mais à frente, o puto-armado-em-bom citava o nome de margarida rebelo pinto quando o jornalista lhe perguntava que escritores gostava de ler. restam dúvidas quanto à identidade do artista?]

segunda-feira, setembro 27, 2004

let's bottle melody

desisto..... não consigo achar piada ao novo álbum dos thrills. andei dias e dias com teorias mentais (aka desculpas) que justificassem tal facto, mas já percebi que não há volta a dar. não é por andar a tirar a barriga de misérias no consumo diário de discos, não é por andar com dificuldades de concentração, e muito menos é por ter criado uma grande expectativa à volta do disco por ter andado meses em delírio com o "so much for the city". hoje de manhã apanhei o "big sur" na rádio e fez-se luz. não adianta. não adianta querer gostar de nada por antecipação. estou neste momento a meio de mais uma tentativa para perceber a essência (o que quer que isso seja....) deste "let's bottle bohemia" e só consigo pensar em ir buscar o "so much for the city" e ouvir o "big sur" outra vez. eu gostei dos thrills à primeira vista pelas melodias, pela voz tangueta do conor deasy, por alguns pormenores sonoros que apareciam do nada e que faziam toda a diferença e sobretudo..... pelas melodias. eu sei que ninguém anda aqui para fazer discos iguais e muito menos para ouvir discos iguais, mas quando mudam as coordenadas que nos fazem gostar de qualquer coisa, então a coisa complica-se. as fases de adaptação não são imediatas. mas as melodias dos thrills para mim eram imediatas. agora têm momentos. gostei do single, mas achei-o fraco. ao longo do álbum continua a haver pormenores daqueles que de repente nos fazem parar tudo e olhar para o rádio para perceber de onde vêm, mas não chega. já devo ter ouvido o disco dez vezes, no mínimo, e ainda não fiquei com nenhuma música na cabeça, tão pouco acordei com uma destas novas melodias no ouvido. daquelas que não nos largam o dia inteiro por mais músicas que se oiçam por cima para passar o efeito. as novas melodias estão mais fracas, menos imediatas, o que não sendo necessariamente mau torna-se chato como a potassa se adicionarmos por cima um conor deasy agora deu para cantar com uma voz sofrida. olha que esta..... preciso de mais umas semanas para me adaptar.... por agora desisto. vou ouvir o big sur.


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domingo, setembro 26, 2004

elefant - rock n' roll paranoia








Diego Garcia (voz), Mod (guitarra), Kevin McAdams (bateria) e Jeff Berral (baixo) estrearam-se no dia 10 de Setembro em palcos londrinos, com um concerto organizado pela London School of Economics (LSE) e que teve lugar no The Quad, o simpático e pacato bar da Escola de Economia, onde não terão estado mais de 50 pessoas, na maioria amigos das bandas locais que partilharam o palco com os Elefant, nesta “Highscholl Rock N’ Roll Party”. Diego Garcia foi em tempos, também ele, estudante de Economia, mas acabou por abandonar a Universidade em prol da música. Alguém o culpa? Quem o vê agora em palco, com 25 anos de idade, constata que o futuro do senhor não poderia passar senão pelos palcos.

Verdade seja dita: Diego Garcia nunca quis enganar ninguém. Nao é preciso sequer passar da primeira faixa de “Sunlight Makes Me Paranoid”, o album de estreia dos Elefant, para perceber que o rapaz tem sangue de artista. O tom altivo e distante com que dá vida às letras que compõe pode ter consequências nocivas junto do publico que acredita no poder e na importância das primeiras impressões.

A altivez quase arrogante e a pose vocal quase a roçar o pouco genuíno denunciadas em disco, passam a fazer todo o sentido ao vivo e a cores. Toda a disconexão de um registo snob que canta melodias directamente encomendadas ao sol da Califórnia, e que por momentos quebram o gelo de “Sunlight Makes Me Paranoid”, é descodificada pela atitude de Garcia em palco. É uma personagem de estados, um líder indiscutível, teatral como poucos, e que por já ter estabelecido uma relação íntima com o microfone do alto dos seus quase dois metros de altura, consegue em palco completar as canções com o tal pormenor que falhava em disco, mas que até então não se sabia bem qual era. A devoção.

A genuinidade de canções como “Misift”, “Bokkie”, “Tonight Let’s Dance” ou “Now That I Miss Her”, que em disco tinham tudo para soar a grandes canções, mas sem no entanto deixar a sensação de vazio, vive do palco, onde Garcia concentra todas as atenções, contrastando assim com a descrição exemplar do resto da banda, que acaba por funcionar ao vivo mais como um suporte do que como um todo.

Ora imerso nas imagens que percorrem a sua mente já muito mais para lá do que para cá, ora estabelecendo contacto directo com as filas da frente, por onde distribuiu fervorosos apertos de mão, e que o fizeram perder a aura de estrela de cinema, Diego Garcia e os restantes Elefant percorreram em cerca de 40 minutos todas as canções de “Sunlight Makes Me Paranoid” de modo exemplar e capaz de converter mais alguns estudantes musicalmente cépticos à acesa causa do rock n’ roll.



[eu que à primeira audição desenvolvi uma espécie de ódio de estimação à banda, no final do concerto estava capaz de fundar um clube de fãs diego garcia]

head automatica

já percebi que esta hora é óptima para downloads. já estava com um pé dentro da cama e outro no shut down do computador quando reparei que no soulseek já estava tudo a verde. head automatica (o site tá fixe, pouco prático, mas apelativo) - decadence. foi a última sugestão que o mário me fez. chegou por mail na sexta-feira e falava em "dan the automator e outro gajo qualquer". não podia ser tangueta, that's for sure lol, mas como o dan automático não me tem deixado ficar mal, e o mário já sabe o tipo de sonoridades que não vale a pena tentar passar-me dado o seu teor agressive-screaming - tipo hives no auge fase hate to say i told you so (até levo as mãos à cabeça para atenuar o embate!) - fui investigar. ia só ouvir a faixa 1, mas acabei por ouvir o álbum todo. o sono já era. outra vez. head automatica soundsystem, faixa 10, é um vício instantâneo. há lá outros. please please please (young hollywood) é mais um, beating heart baby até laivos de tangueta tem por entre a "gritaria" costumeira, enough is enough vou dormir.......


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Nuorte-Zul

a viagem-relâmpago ao porto foi cancelada. a ideia da ida foi do miguel. íamos jantar com a doutora, o luís, a sofia e reencontrar o álvaro-pasteleira, desta feita em versão gangsta rap. um imprevisto profissional de última hora entornou o caldo, ficámos em terra e adiámos o convívio a norte para a semana entre gente sentada. dependendo do ponto de vista, uma semana pode ser muito tempo. não tem sido nada fácil lidar com os regressos a lisboa, quando dei por mim já tinha combinado nova deslocação, esta a sul, para tirar melhor partido do fim de semana. next stop: sines. uma coincidência vinda do nada, ou melhor de um almoço de esparguete à carbonara com a matosa, que à última da hora acabou por proporcionar o acompanhamento de mais uma data da digressão zig zag. para esquecer. não a prestação dos z boys, mas as condições que tiveram de respeitar. quase três horas de atraso provocadas por não faço ideia o quê, e depois de finalmente serem chamados a depor, eram 4h da manhã, são convidados a abandonar o recinto por causa de uns desacatos desencadeados à entrada do castelo. tinha passado uma hora, se tanto....... e os resistentes que sobreviveram ao pincel que foi aquele último concerto - não sei o nome da banda - estavam então a começar a dar a espera por bem empregue. muito sinceramente não sei como ainda lá estava "tanta" gente. por momentos perdemos a perspectiva geral do recinto, tínhamos apenas uma visão auditiva do que se passava no palco, e a julgar pela "animação" da coisa, não raras vezes pensei que já não estaria ninguém no castelo. quase que me apetece dizer que era o que a tal banda merecia. admiro o fairplay do zig e do zag face uma situação destas. não era nada comigo, não sou eu que passo horas a pensar em sequências, a vibrar por antecipação com as prováveis reacções entusiastas do pessoal, que depois afinal nem sequer chega a ter oportunidade de as ouvir. não era nada comigo directamente e fiquei pior que estragada. acho que é mais uma daquelas situações que incomodam mais quem vê de fora e não pode fazer nada do que quem está directamente envolvido. como se dizia no fim (início?) - foi bom enquanto durou. valeu pelos outros concerto - micro audio waves, flux e gomo -, pela companhia, pelas senhas bebíveis de sobra (que afinal não sobraram), pelo ambiente familiar dentro das muralhas do castelo e pela hora final de rock n' roll. hoje (ontem?) ainda acordei com o hit the road, jack na cabeça.


Orelhas de Burro:

Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.........................

sonos trocados

acordei agora. são quase duas da manhã. estava a ficar complicado manter os olhos abertos e a impaciência e má disposição advindas da falta de sono estavam a ficar por demais evidentes, por isso às 19h30, para o bem de todos e especialmente para o meu, achei que o melhor era ir dormir uma sesta. raramente durmo mais do que vinte minutos à tarde. normalmente fico restebelecida pelo simples facto de perceber que consegui apagar por um minuto que seja no sofá. não consigo dormir à tarde. de manhã então é melhor nem falar, as histórias são mais que muitas. deve ser uma insuficência qualquer. está tudo a dormir, não me apetece dormir mais e odeio sentir este frio do cansaço que me faz vestir camisolas umas por cima das outras, mas que não passa nem por nada.


Orelhas de Burro:

ainda o sample from heaven by brookville, agora em fones não só pelo adiantado da hora, mas também porque me lembrei que o efeito devia ser ainda mais pujante. no comments.....

sexta-feira, setembro 24, 2004

the stills - até a lógica é composta de mudança




Já não era a primeira vez que os Stills vinham do Canadá para tocar no “The Club That Cannot Be Named”, o espaço que fica situado no andar de cima do clube britânico The Zodiac, em Oxford, e onde a estreia havia tido direito a lotação esgotada. E a provar que essa mesma lógica de que fala o vocalista Tim Fletcher também tem caminhos que a razão desconhece, esse passado comum, feliz, entre a banda e o público britânico, não soube como contornar o constrangimento inicial que escurece obrigatoriamente um reencontro tão aguardado, aqui materializado no dia 12 deste mês.

Casa cheia mais uma vez, mas um público desconfiado, que manteve uma postura de passo atrás até Tim Fletcher ter aberto o jogo: “Este foi um dos sítios onde mais gostámos de tocar e onde fomos mais bem acolhidos. Por isso, estamos de volta e queremos fazer deste um concerto inesquecível para vocês e para nós, porque depois desta digressão vamos para casa trabalhar no novo disco e só voltamos a Inglaterra daqui a oito meses!”.

O concerto começou aqui. Para trás haviam já ficado “Lola Stars and Stripes”, “Gender Bombs” e “Changes Are No Good”. Confirma-se: os Stills seguem o alinhamento do álbum por boa parte do concerto. Perde a graça para quem conhece o disco. Siga. Ainda que com pouca receptividade do público, não se perdeu tudo nas melodias iniciais, ou não fossem aquelas três das canções mais fortes de “Logic Will Break Your Heart”. Uma “Lola Stars and Stripes” bastante mais rock n’ roll do que melódica, mas que para bem de todos os pecados cometidos naquela hora, conservou a suavidade do refrão como a conhecíamos.

Pelo contrário, o hino “Changes Are No Good” foi tudo menos suave. E daí? As mudanças não se querem suaves, e esta é uma canção para ouvir alto, tocar alto, distorcer se a ocasião assim o exigir – um arranque muito mais dançável do que estava previsto (?), e depois dos primeiros versos que dão conta das mudanças em curso, as guitarras em desgarrada com a bateria potentíssima de Dave Hamelin, que acabou por não dar hipótese a qualquer adversário sonoro. Abrandou apenas para deixar entrar novamente a batida comandada por Liam O’Neil que marcou o ritmo da música até aos acordes finais novamente com Fletcher a cantar em passo de dança.

Ainda a par de “Love and Death” e da mais requisitada da noite “Still in Love Song”, um dos momentos-chave do concerto foi protagonizado por Dave Hamelin, o baterista-engraçadinho (e com graça, diga-se de passagem) que antes do encore trocou os pratos pelo microfone e mostrou não só os dotes vocais, que já deixara antever na faixa que encerra o álbum, “Yesterday Never Tomorrow”, mas também os de entertainer. Aliás, o baterista Hamelin mostrou em cinco minutos ter mais espírito de palco e de mestre de cerimónias do que Fletcher ao longo de todo o espectáculo. Fez questão de realçar que apesar não estar ninguém atrás dos pratos, a bateria continuava a soar. “É um dom que tenho. E só estou à venda numa cor!”. As luzes destacaram de seguida Liam O’Neil, discretamente posicionado lá atrás no comando das teclas e da maquinaria.

Por esta altura já o público sorria e dançava animadamente, enquanto a “Still in Love Song” era pedida a plenos pulmões por parte da assistência feminina que gritava como se estivesse na última fila da Wembley Arena e se quisesse fazer ouvir no palco. À escala portuguesa, o “clube sem nome” devia levar metade da lotação do Paradise Garage, e as entusiastas fãs estavam na segunda fila. Pouco depois, soava a batida inicial da música mais pedida da noite. Lógico.

brookville from heaven

disse à luísa que estava a pôr a música em dia. levantei-me cedo e fui ouvir música com ouvidos de ouvir, coisa que esta semana recomecei a fazer depois de alguns meses de abstinência, em que andei a ouvir discos mais para me abstrair do resto do que para os interiorizar. já me tinha esquecido como é calmante estar horas a ouvir o mesmo disco, sem ter de pensar no passar do tempo. a luísa pediu-me que lhe enviasse uma música por messenger. uma qualquer. "sample from heaven" era o que estava a ouvir na altura, eu e os vizinhos do lado, suponho. faz-lhes bem que também levo diariamente com doses industriais de coisas que não lembram ao menino jesus, mas que por alguma razão lembram, por exemplo, à rádio cidade, por aí.

sample from heaven é, se não o melhor, um dos melhores momentos do álbum que apresenta andy "ivy" chase a solo, e que se chama wonderfully nothing. a faixa 8, "summer parade" é muito mais imediata, tangueta perfeita, daquelas que à primeira audição me fez parar tudo e ouvir até ao fim sem me mexer para não perder o nome. estava a passar no mq3. por acaso acho que até perdi.... o michael disse-me depois que era uma cena chamada brookville. finalmente consegui comprar o disco, com os cumprimentos da hmv oxford picadilly circus, mas na altura à falta de melhor, saquei-o do soulseek, e descobri depois que aquela cena instrumental do saxofone, perdão, trompete do eric matthews que tinha passado nos bons rapazes era do mesmo disco. era esse tal "sample from heaven". ouvida à tarde nem parecia a mesma música. assim como o "summer parade" é para ouvir de dia, ao sol, o "sample from heaven" vive em ambientes escuros. está um calor insuportável lá fora e o sol ainda não passou para o outro lado.... baixei os estores, pus o som mais alto, como se assim a luísa conseguisse ouvir melhor a música enquanto a transferência estava a ser feita. ou isso ou era que estava (estou?) em delírio. se o i, lucifer é um discos dos diabos, este wonderfully nothing é um disco caído do céu.


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