quinta-feira, outubro 14, 2004

Z boyz em coimbra



o zig e o zag - o zé pedro e o miguel quintão, respectivamente - somam e seguem, desta feita para coimbra para mais uma sessão da digressão rock n' roll spirit. a festa é a 15 de outubro, no espaço ar de rato café, aliás celebra-se no dia a inauguração do bar. como chegar ao local? a amerika explica:

O povo sai em Coimbra-Sul e sai em frente na direcção de Stª Clara. Ao chegar à segunda rotunda, junto ao Portugal dos Pequeninos, vira-se à esquerda, em direcção aos semáforos e nos mesmos corta-se à direita e Voilá! o espaço fica um pouco antes das bombas da BP. Para malta de pêlo na venta, e que já tenha andado em Keimas Coimbrãs, o espaço é o antigo SCOTCH!

be there!

quarta-feira, outubro 13, 2004

school lights

dia de praxes na santa casa onde agora passo grande parte do meu tempo. ainda não tanto tempo como devia, mas já vou no bom caminho...... os alunos do 5º ano (dos outros não sei, mas calculo que também) são dispensados das aulas a partir das 11h30. seguindo a lógica do se me dás a mão puxo-te o braço pensei imediatamente de mim para mim que foi uma pena os professores das oito e meia não terem tido a mesma ideia... a eterna insatisfação.... passou depressa quando constatei no minuto seguinte que tinha um dia livre. de sol ainda por cima. ironia das ironias - passei o dia a organizar papéis. isto é ridículo, mas pronto.... comecei as aulas faz esta semana um mês e ainda não tinha cumprido o ritual do início do ano lectivo - a ida ao hipermercado para comprar material escolar. resultado - ainda não me tinha sentido realmente uma "estudante a sério". desde o dia 15 de setembro que levo todos os dias o mesmo caderno para as aulas e ali escrevo os apontamentos das 7 cadeiras que tenho este semeste, umas a seguir às outras, tudo ao molho se quisermos falar bem e depressa. tudo a preto. invejo a perícia das minhas colegas tão giras, tão perfeitas, tão confiantes e tão maquilhadas que conseguem escrever tudo, tudo, tudo o que o senhor prefessor diz e ainda têm tempo para mudar de cores a meio das frases. adiante..... percebi que o meu caderno estava a ficar uma coisa inenarrável quando hoje o fred tentou escrever o mail dele numa das páginas do dito-cujo e eu lhe disse prontamente "não escrevas aí que eu nem olho para isso". preocupante. parece que acordei ali mesmo. fui almoçar com a matosa e segui directa para o o office center de alfragide, um local onde quase me proibo de ir porque tenho um fascínio qualquer por material escolar, esferográficas principalmente. aliás, nunca foi ao acaso que quando me perguntavam o que queria ser quando fosse grande eu dizia que queria ter uma papelaria. acho que ainda quero. fui ao office center comprar uns separadores e só uns separadores, e saí de lá com os separadores, um dossier (que já tinha em casa para dar e vender...), um pack de 3 marcadores fluorescentes, e um pack de 6-repito-6-e-para-que-é-que-eu-preciso-de-6 esferográficas azuis (já não posso ver a tinta preta...). vá lá que me controlei para não trazer o teclado preto, os arquivos de revistas, os blocos a4 de linhas, e o caderno novo. assim como assim eu gosto é de escrever em folhas brancas sem margens sem nada. profissão? estudante. e até já voltei a ter letra de gente. ritual cumprido. amanhã prometo que às oito e meia estou na aula de marketing.

terça-feira, outubro 12, 2004

we all know

tenho o computador de volta. e o mesmo é dizer que tenho os mp3 interrompidos do devendra nino rojo de volta...... e já a verde. ao vivo tive de ceder às evidências. a ver se é desta que lhes ponho as orelhas em cima! por agora ainda não consegui passar do at the hop.... traz de volta o concerto..... e já estou mais do que atrasada!

Orelhas de Burro:


segunda-feira, outubro 11, 2004

palavra de autor

parece que aos poucos vai sendo possível recuperar o hábito de ouvir rádio à noite. ou o hábito de ouvir rádio e ponto final. as novidades da nova grelha da antena 3 foram reveladas hoje - os programas de autor estão de volta ao anoitecer. ainda hoje vinha no carro à tarde com o rádio ligado no rcp e entre o nik kershaw e os bee gees, a senhora - não faço ideia quem fosse... e também não interessa porque as palavras não eram dela de certeza, mas sim de um produtor contratado para o efeito - contou uma história sobre a maior planta do mundo, que está plantada num jardim botânico de sidney, na austrália, e cheira a peixe podre. e contou isto assim do nada. entre duas músicas. what's the point? fiquei a pensar por que razão está ali aquela senhora e não outra qualquer que saiba histórias de... hmmm.... não sei pá..... música talvez...... era capaz de até funcionar.... e porque não exigem a quem entra no estúdio que saiba pelo menos pronunciar os nomes dos artistas..... nossa senhora! desliguei. voltei a ligar há bocado quando ouvi o nuno reis, o henrique amaro e o pedro costa. vou pouco à bola com a música de dança - tem dias - mas já percebi que costumo alinhar facilmente nas cenas que o reis divulga. tive muita pensa de não apanhar alguns nomes que passaram hoje na caixa de ritmos, mas é complicadíssimo apanhar aquelas colaborações todas........ e depois quando decido fixar só um dos nomes já tarde demais...... talvez amanhã....

e o pedro costa está de volta. sem costa a costa, mas vestido de coyote das 22h às 23h. até estranhei, mas acho que volto a apanhar o hábito facilmente, é só uma questão de semanas tendo em conta que o programa é diário. não querendo armar em intelectual, só me apetece dizer que já temos alternativa à quinta das celebridades. já tentei, não adianta, eles que se celebrem uns aos outros. já sei que também há para lá um burro e tudo, mas neste caso eu prefiro o coyote. do que ouvi hoje, apanhei giant sand, steve earl, ani difranco, dave matthews band, gomez, the clash, ryan adams, whiskeytown... soube a pouco. amanhã same time same place.


Orelhas de Burro:



coyote by pedro costa - 22h-23h - 2ª a 6ª - antena 3

private joke do dia

porque há pessoal porreiro que se diverte com pouco aqui vai disto:

hoje bebi um sumo de ananás ao almoço.

pronto. era mesmo só isto.

sunshine tangueta

o novo álbum dos tahiti 80 está pronto e vai chamar-se fosbury. pura tangueta. sunshine tangueta se tudo correr bem, porque não gosto muito do lado introspectivo da banda, e porque eles soam bem é quando celebram a vida e o sol. levam-nos a fazer o mesmo. pode ser que sim, tudo indica que sim. o xavier boyer - vocalista - foi pai há pouco tempo de uma menina chamada suzanne, e além disso descobriu o mês passado que tem mais o vocação - o djing. durante 1h45, o xavier teve de entreter uma plateia fina e da moda, seja lá o que isso for, mas que o rapaz descreveu como "tipos de bigode e raparigas com vestidos de noite e a beber champanhe". parece que a finesse gostou desta selecção musical:

David Axelrod/ The Delfonics/ Smokey & The Miracles/The Chi-Lites/ Leroy Hutson/ Marlena Shaw/ The Jackson Sisters/ The Jackson 5/ Dusty Springfield/ The Spinners/ Marvin Gaye/ Natural Four/ Detroit Emeralds/ Aretha Franklin/ The Isley Brothers/ The Five Stairsteps/ Sly & The Family Stone/ Stevie Wonder/ Soul Travelling/ Barbara McNair/ Jimmy Castor Bunch/ Little Beaver/ Hot Wheels/ KC & The Sunshine Band/ Friends of Distinction/ Panic Buttons/ Jackie Mittoo/ Johnny Otis & Friends/ David Batiste/ The Fabulous Counts/ The TSU Tornadoes


longe da soul music, e muito mais perto da tangueta está o ep (?) "a piece of sunshine" que os tahiti 80 editaram há alguns meses no japão e que agora está a chegar à europa, ou parte dela..... fraquinho, sem sal, com uma outra canção mais expedita, mas nada que justificasse a edição ainda para mais se o novo álbum já está pronto. esmorece a curiosidade e baixa a expectativa. vá lá, não se perde tudo, porque as capas continuam a compensar.


Orelhas de Burro:


the real superman

morreu o super-homem. não quis acreditar quando ouvi a notícia hoje de manhã. paragem cardíaca aos 52 anos. ainda ontem estive a rever um dos filmes no canal hollywood, tenho impressão que era o primeiro da saga. não via aquilo há mais de dez anos, seguramente, e passei metade do filme com vontade de rir ao dar por cenas que pouco ou nada tem a ver com a realidade (que convenhamos, são aquelas dão forma ao grosso do filme), mas que em tempos para mim fizeram todo o sentido e foram reais do primeiro ao último minuto. não sei de quando são aqueles filmes, mas eu devia ter pouco mais de dez anos quando os devorei vezes sem conta. já sabia ler com rapidez suficiente para os acompanhar, mas não tinha, como se vê agora, a mínima noção da realidade. nunca por algum instante me passou pela cabeça que aquele senhor não conseguisse voar pelos seus próprios meios. sempre me fez confusão como conseguia o lex luthor chegar a uma situação de vantagem em relação ao super-homem, se ele não voava. aquela cena da kryptonite é que me intrigava..... e tinha um medo indescritível dos "maus"....... aqueles vestidos de preto, com raios a sair dos olhos, e às vezes parecia que tinham mais força que o super-homem....... isso é que me deixava doida..... e depois conseguiam andar sobre a água que foi uma coisa que não me lembro de ter visto o super-homem fazer....... mas no final perdiam sempre porque o super homem afinal era mais forte. isso é que eu gostava. e era tudo tão real...

christopher reeve terá feito muito mais coisas dignas de nota, dentro e fora do cinema, mas para mim será sempre o superman.

domingo, outubro 10, 2004

simplesmente jim white

Pára tudo. Cheguei finalmente ao disco novo do jim white. Estava no fundo da mala, “perdido”, à espera de vez, e o mais grave é que a fila estava parada há mais de uma semana. Em domingo de descanso, de recuperação, acho que é mais isso, quando já não apetece sair mais de casa porque já é de noite, está frio e já se faz sentir a olhos vistos a neura do amanhã é segunda... é neste ponto que preciso de um disco novo. Ainda restam alguns para explorar.. “drill a hole in that substrate and tell me what you see” está por estrear e assim sabe melhor porque não se dá o domingo por perdido. São oito da noite e parece que acabei de acordar.

“that girl from brownsville texas” foi a primeira coisa que hoje me conseguiu prender por completo a atenção. E depois de ficar aproximadamente cinco minutos a olhar fixamente para a aparelhagem (não consigo perder este reflexo parvo), repeti o feito por mais 6m:23s – o tempo da música. A quarta do disco do jim white. Não sei descrever. Não tem nada de mais. Mas depois.... começa sem se dar por ela, sabemos que está lá, mas é como se não estivesse, vai tocando, e quando damos por isso já largámos tudo o que tínhamos em mãos, parámos de tossir, estamos a olhar para o infinito e a roer as unhas.... se fizer parte do clube, claro. [ninguém vai começar a roer as unhas por ouvir jim white, assim como ninguém começa a tocar piano depois de partir um braço]

E a partir daí está a atenção restaurada para digerir e absorver como deve ser o resto do álbum. Não de uma vez, longe disso, temos aqui música para pelo menos um mês. Só tinha ouvido o “static on the radio” com a aimee mann. Gosto muito da música, mas há vozes, intrumentais, pormenores, raios, forças no resto do disco que fazem esquecer por completo a aimee mann. Não consigo sequer destacar música nenhuma assim do nada. Talvez o “borrowed wings”, ou “if jesus drove a motor home”, ou “combing my hair in a brand new style”........ não....... só fazem sentido todas juntas. Falei na tal girl from texas porque foi a que hoje me fez acordar. Mas também não é decididamente a mais forte. Não sei. O álbum está construído naquela base rara do “cada música é melhor que a anterior”. E a primeira já é muito boa. Não adianta, já não passo daqui hoje....

Não costumo ter sensibilidade para dar pela importância que o produtor tem nos discos, salvo raras excepções que sigo com mais atenção. Joe henry produziu este disco com jim white “and others”, como se lê no verso. Não sabia, mas depois de ler isto faz todo o sentido. O ambiente de fumo, de jazz, blues, bar, western, suspense, dark city, remete realmente para as poucas coisas que ouvi do joe henry. Não sei quem são são os outros mas são bons de certeza. E nunca me tinha apercebido que a música tinha este efeito em mim. Ando sempre a tentar deixar de roer as unhas. Achava, mais uma vez, que estava no bom caminho. A mão direita já era......

“combing my hair in a brand new style”..... é esta. Twelve points, no doubt about it. [até porque consta que ando com um estilo afro lol]



Orelhas de Burro:




jim white - drill a hole in that substrate and tell me what you see - 2004

febre de xutos à noite

Vi muito poucos concertos dos xutos, mas vi-os em circunstâncias muito diferentes – em acústico, no avante e no pavilhão atlântico. A banda está a comemorar 25 anos de vida, não há nada que possa contar acerca do concerto que vá surpreender alguém, mesmo que nunca os tenha visto. E se à primeira vista esta imagem possa ser altamente entediante, a realidade acaba por ser outra. Quem lá vai, sabe ao que vai. Vai ver amigos de longa data, vai beber umas cervejas e passar umas horas bem passadas, vai cantar hinos também eles de longa data, vai saltar um bocado e esquecer que já foi há tanto tempo que começou a associar as músicas dos xutos a momentos-chave da vida que foram sendo substituídos por outras.... músicas, claro, e por outros... momentos, claro.

Estive até à última da hora a tentar convencer-me de que a atitude mais sensata era não sair de casa. A constipação do fim de semana passado tinha tudo para desaparecer em dois dias. Ignorei-a. Resultado? Vingou-se. Atacou em força, desregulou-me o sistema operativo, já de si desregulado, confundiu-me as temperaturas e deixou-me sem voz, como sinal de que tenho dito asneirada a mais nos últimos tempos. Mal por mal..... fui na mesma porque uma série de boas coincidências de última hora assim o quiseram. Fui... mas de manga-comprida, casaco, munida de lenços de papel e comprimidos anti-gripe. conclusão – passei um calor insuportável. Mas durante aquelas horas esqueci-me da febre. O delírio vinha do palco, vinha do lado, vinha de cima das bancadas, vinha da minha cabeça..... mas não só da minha cabeça.

Estava tudo ali para o mesmo. Fazer a festa e deitar os foguetes, e no entretanto, cantar a plenos pulmões todos aqueles hinos..... nem que a vaca tussa...... ou neste caso, o burro lol. Tossi, pois tossi, mas também cantei. E sabe-se lá como, talvez do calor, talvez do chá das cinco, mas por momentos a garganta ficou como nova. A filipa ainda hoje se interrogava ao telefone onde fui buscar a voz... é claro que foi sol de pouca dura...... no final do concerto o ar de preocupação da carla era mais do que evidente. Assustou-me, confesso, mas depois destapei os ouvidos e reparei que afinal ainda me fazia ouvir. Divertimo-nos à grande, apesar de continuar a achar que os xutos não são banda para pavilhões. No avante parece que ganham outra vida, deve ser do ar livre. Ou é o público que faz a festa de outra maneira... ainda não cheguei lá. Acho que ouvimos tudo o que queríamos ouvir e saltámos até os pés se colarem ao chão... a cerveja não andou só pelo ar... hoje a conversa é outra.... parece que passei a noite aos xutos e pontapés! E a gripe voltou a passar-me a perna.......

sexta-feira, outubro 08, 2004

afinal sou fã dos xutos?

Nunca tive o hábito de pôr o dedo no ar das aulas. E o mais engraçado é que essa prática apesar de ser normalmente associada à escola primária, continua a ser utilizada na faculdade. Foi assim que descobri que sou fã dos xutos. A propósito de uns trabalhos académicos que agora também não interessa explicar, o professor de públicos e audiências – também ele um aficionado do maravilhoso mundo blogo – pergunta para o ar no meio de um alvoroço maior que o habitual – se é que isso é possível - se há na sala algum fã dos xutos & pontapés. Quando dei por mim tinha o braço no ar. Fui a única, em 50 pessoas, e fi-lo quase inconscientemente. Acho que naquele momento senti o mesmo que deve sentir um benfiquista doente quando falo com todo o desprezo do seu benfica. E o mesmo se aplica aos outros clubes porque a minha simpatia pelo futebol não tem cor. Não curto nenhuma. Só o azul às vezes por tradição familiar. Azul lisboeta, leia-se. Conclusão, foi com muito orgulho que expliquei à multidão por que motivo sou fã dos xutos. Uma resposta politicamente correcta, como o exigia a circunstância e a formalidade do senhor professor. A minha reacção inicial foi responder-lhe com uma pergunta – já foi a algum concerto dos xutos? 8 e 9 de Outubro no pavilhão atlântico.

os xutos e eu.... eu e os xutos

Nunca liguei muito aos xutos & pontapés. Cresci a ouvir músicas da banda aqui e ali, conheço-as todas, até porque na minha geração duvido que alguém lhes tenha conseguido passar ao lado por completo, mas verdade seja dita nunca comprei um disco dos xutos. Lembro-me do meu irmão ter comprado o “dizer não de vez” quando saíu e de eu o ter ouvido vezes sem conta, mas nunca me deu para seguir a banda. Um bocado na lógica do dado daquirido. Um bocado naquela atitude estúpida de dar menos atenção ao que temos e sobetudo a quem temos como certo..... ou pensamos que temos. E depois é sempre a mesma cantiga – you don’t know what you got until it’s gone.

Na música os xutos funcionam um bocado como o senhor ou a senhora do telejornal que nos entra pela casa dentro todos os dias à hora de jantar – se quisermos continuar a pensar em horários convencionais, claro. Dizem os estudos que passam a fazer parte da família. Confirmo e assino por baixo. Outro dia vi ao longe o rodrigo guedes de carvalho e tive de me controlar para não ir cumprimentar o senhor. A admiração é grande e achei melhor estar quieta para não passar depois três quinze dias a pensar por que raio fui eu dizer aquilo.... o que quer que fosse porque ia de certeza ser qualquer coisa digna de nota e para mais tarde recordar.... e recordações dessas já eu tenho de sobra lol!

Com os xutos passa-se o mesmo. Só que à escala do país. São parte de uma grande família. Há ódios de estimação, claro que há, todas as bandas os têm, eu própria não vou muito à bola com a voz do tim, mas depois de os ver ao vivo que importância passa a ter um pormenor como a voz? Em disco para mim é quase tudo, mas ao vivo já percebi que a coisa é diferente. Ninguém lá vai para ouvir a voz do tim, vai lá tudo para cantar e saltar o tempo todo. Um concerto dos xutos é mais uma desculpa para festejar. Neste caso, para festejar 25 anos. Não é brincadeira nenhuma, eu que o diga, tenho a idade dos xutos, menos 10 dias se quiser ser mais precisa. Só o descobri quando a banda fez 20 anos.

Conheci a banda há muito pouco tempo, conheci melhor o zé pedro, de resto como portugal inteiro, e hoje não consigo ver os xutos da mesma maneira. A humildade é uma coisa que me desarma em três tempos. Mais uma vez parabéns aos xutos!

altas temperaturas

desfeito o mistério informático.......... parece que peguei a febre ao meu computador, que por sua vez me terá passado uma virose qualquer...... a máquina está internada com problemas de altas temperaturas e tudo indica que terá de ficar de molho durante o fim de semana. eu nem por isso.

quinta-feira, outubro 07, 2004

can't stand me now

não fui ao concerto dos libertines, nem cheguei a comprar o disco conforme tinha pensado porque o preço era uma coisa inenarrável. pelo menos na valentim de carvalho do ccb. adoro aquela loja, é do melhor para ouvir discos, nunca para comprar, e apesar de ter ficado com muito melhor aspecto depois da remodelação, ficou também com muito menos cds. assim como assim também não interessa, que aquilo acaba por servir apenas para ver e ouvir as novidades. quando vou ao ccb utilizo sempre a loja como ponto de encontro, porque assim ao menos ninguém dá seca a ninguém, ouvem-se uns discos no entretanto e poupa-se em telefonemas a apressar o/a atrasado/a de serviço. foi o caso. para compensar as secas que dou habitualmente por achar que chego a todo o lado em 15 minutos no meu porta-chaves. nunca contabilizo o tempo que se perde a estacionar em lisboa. mesmo que seja um porta-chaves. adiante. aproveitei a espera de terça-feira na valentim de carvalho para ouvir o disco dos libertines (ou pelo menos a ideia era essa), um dos seis que estava em escuta. havia também o triplo ao vivo no central park da dave matthews band (só ouvi o crush), o novo do tom waits (confesso que não sei ouvir tom waits - é grave eu sei, azar o meu - por isso passei à frente sem hesitar, sem no entanto deixar de reparar que tem uma capa fantástica), o novo do marilyn manson, dos primitive reason e outro que não me lembro....... uma cena de dança se não me engano. sem hesitações comecei por ouvir o can't stand me now dos libertines, que foi mais uma das músicas que fez o fim de semana. aquele final em harmónica tem muito que se lhe diga lol. som mais alto para deixar de ouvir a música ambiente, que normalmente é boa, mas quando se quer ouvir outra coisa só chateia. conclusão, o efeito daquela rockalhada melódica, diria mesmo SUNSHINE, quase tangueta porque tem harmónica, mas não completamente porque não preenche o requisito da voz, quase me fez dar 19,30 euros pelo disco. sem precisar sequer de passar à faixa 2. ouvi o can't stand me now três vezes para me fartar da música ali mesmo e não ceder ao impulso consumista que normalmente me leva a melhor. i won. mas agora não tenho computador, muito menos soulseek, para sacar o disco em casa alegremente. tóing! e não me apetece ouvir mais nada......

mr brightside

esta cena das fotografia mentais é engraçada precisamente por ser incontrolável. ontem a caminho do ikea durante a tarde - é bom ter tempo livre...... - ouvi os killers na rádio, 91.6 as usual, e quando me apercebi estava perdida de riso. o mr brightside ficou inconscientemente associado ao fim de semana em santa maria da feira porque marcou o virar dos acontecimentos de uma noite de música que parecia não ter mais nada para dar por causa do cansaço. a música funcionou como uma espécie de mola, e de repente já ninguém se lembrava que os joelhos estavam a querer flectir e olhos a querer fechar cada vez durante mais tempo. ainda não tínhamos saltado. o mr brightside não deu hipótese. e ouvir esta música agora, traz o delírio todo de volta. e como esta houve mais, tenho a certeza que todos voltámos para casa como uma música a soar diferente na cabeça.


Orelhas de Burro:

nada.... pelo menos enquanto o computador do estábulo não voltar do médico... sorte macaca!

quarta-feira, outubro 06, 2004

era uma vez... gente sentada e outras histórias...... directamente da rua de baixo

A harmónica omnipresente e os óculos charmosos de um Nicolai Dunger ao longe envelhecido, ao perto sorridente. As viagens, os desenhos a lápis de cor, a calma e a paz de espírito penetrantes de Sufjan Stevens e sua guitarra. As histórias mirabolantes, as aulas de ballet ao som de Lauryn Hill, as diversas vidas de Rosie Thomas. As afinações em directo, as aulas de português e a alegria de tocar de Kate Walsh. A presença, a segurança, a descontracção, o peso americano e a mão amiga de Robert Fisher. A alucinação, o delírio, a dança das cadeiras, os cabelos desgrenhados, a volta à América em oitenta minutos, o vinho do Porto de Devendra Banhart e companhia. As histórias de todos eles.

Longe da dinâmica fria e mecânica que, salvo raríssimas excepções, habitualmente marca o andamento dos grandes festivais em Portugal, o Festival para Gente Sentada funcionou como uma espécie de segunda casa para todos os que se deslocaram até Santa Maria da Feira nos dias 1 e 2 de Outubro. Artistas e anónimos. Até mais do que a simplicidade desarmante da música que desfilou pelo palco do Teatro António Lamoso, saltou à vista a humildade, o profissionalismo e o amor à camisola que partilham todos os músicos que fizeram deste fim de semana uma belíssima estreia para um festival inteiramente dedicado ao songwriting, e que acabou por funcionar como uma concretização das pistas lançadas no palco Songwriters do saudoso Paredes de Coura 2004. Há público, há música para mostrar, há músicos para tocar, há espaços para aproveitar.

Dois cenários nocturnos. Um exterior, campestre. Outro caseiro, de sala de estar. Não interessa situar quem actuou onde e quando, porque feitas as contas no final e vistas bem as coisas num todo, a totalidade dos músicos intervenientes na tertúlia sentada partilharam o mesmo quarto, perdão, o mesmo palco, e circularam pelos espectáculos alheios. A familiaridade sentia-se à distância, o ambiente intimista estendia-se muito para além dos cenários e dos jogos de luzes pensados ao pormenor. Os chamados artistas assistiram aos concertos uns dos outros, participaram nos concertos uns dos outros, contaram histórias, muitas histórias, à lareira e partilharam experiências de vida com o público.

Por entre toda esta humildade desarmante houve música. Outra vez a harmónica de Nicolai Dunger. Os sonhos à guitarra de Sufjan Stevens. A nostalgia ao piano de Rosie Thomas, que no final da noite tentava comprar um disco de Kate Walsh ao balcão. A “bagagem” e o humor sábio de Robert “Willard Grant Conspiracy” Fisher, que a meio do concerto deu carta branca ao público para conversar, dado que o espectáculo não estava a decorrer numa biblioteca, e aproveitou também para enviar os devidos agradecimentos ao DJ de serviço da noite anterior [Miguel Quintão] que incluiu no set o tema “Soft Hand” dos Willard Grant Conspiracy. A encerrar em grande a maratona de concertos, Devendra Banhart fez jus ao hype que à sua volta foi criado ao longo dos últimos meses e que foi responsável pela deslocação da maioria dos presentes em Santa Maria da Feira e deu um espectáculo poderoso do princípio ao fim com a respectiva banda. Um resumo da história da música americana, roots, rock, reggae, houve espaço para tudo, menos para todos
quantos gostariam de ter estado sentados durante o espectáculo. Há males que vêm por bem. No final, se uma cadeira incomodava muita gente, várias cadeiras incomodavam muito mais. Havia gente em pé. Finalmente.

a dança das cadeiras..... e na rua de baixo há mais

mais um regresso à realidade, que é como quem diz a lisboa, mais uma paragem cardíaca informática e para ajudar uma constipação que vai daqui a santa maria da feira...... e digo até santa maria da feira porque consigo localizar ao milímetro a causa destas crises de espirros e ataques de tosse que me deixaram sem voz na ressaca de mais um fim de semana a nuorte. em estilo ressaca mesmo, porque as dores de cabeça ainda que agora sejam clínicas persistem, ´lembro-me do fim de semana em flashs e recortes de private jokes, bocas saudáveis de manhã à noite (se bem que as manhãs até para mim parecem estar a acabar lol), muita música, ananás qb - podia ter sido mais lol - pijamas às riscas, almofadas, fotografias parvas e.... muita música.

era ponto assente que não houvesse gente em pé eu não teria ido de propósito ao gente sentada. e apesar de alguns dos concertos me terem surpreendido muito pela positiva - sobretudo o devendra, que me irritava solenemente por todo o estardalhaço que se criou à volta do rapaz de um dia para o outro, mas que depois me fez dar a mão à palmatória e me fez inclusivamente vir cá fora buscar o michael, o miguel e o luís para presenciarem o que se estava a passar ali dentro, porque era um desperdício estar a perder um espectáculo daqueles. o miguel não foi - "cena macho"....

curti os concertos, mas as imagens que ficam são as do delírio pós-acústico. achei um desperdício que estivessem estado apenas seis ou sete pessoas no set do álvaro. não deu para criar o ambiente festivo e festivaleiro do costume, e as quebras próprias do adiantado da hora instalaram-se de armas e bagagens mais cedo do que o que seria desejado.... felizmente no sábado ficou mais gente para a festa. houve quebras claro está, eram os restos da noite anterior, mas conseguiu-se dar a volta por cima. a música chamava e quando assim é, é difícil dizer que não. josh rouse, the stills, morrissey, elefant, the veils, moses leroy, franz ferdinand, the killers....... the killers, era o que me apetecia ouvir já desde os sets anteriores. já estava na fase "acabadíssima", mas a partir dali houve consciência colectiva de ou vai ou racha. acordou tudo. tinha de ser, ou ía tudo para casa mais cedo, e havia uma noite "perdida" para compensar. pelo alvy e o michael e por nós. saltámos até quase às seis da manhã, e não é fácil conseguir instalar um clima de euforia àquelas horas, mas conseguiu-se. para recordar ficam as figuras ridículas próprias de quem se diverte a sério indiferente ao que se passa ao lado, consciente de que o segredo está na música. porque a partir dali a musica não deu descanso. é que nestas sessões de rock n' roll ninguém ouve falar no tal descanso dos guerreiros.

sexta-feira, outubro 01, 2004

gente sentada vs gente em pé

vou hoje outra vez para nuorte a propósito do festival para gente sentada. não ponho as mãos no fogo por aquilo que vou dizer, porque não sou de confiança no que toca a coisas planeadas com antecedência, mas presumo que depois desta excursão vá ter de ficar uns bons tempos por lisboa non stop a aprender a tirar partido da bonita cidade onde tenho a sorte de viver. no kidding. eu adoro isto, não gosto é de me sentir presa aqui. azar..... aguentar e cara alegre, vanessa dixit!
festival para gente sentada? o nome é orginal, lá isso é, mas não me convence. parece uma cena chata, onde só estão intelectuais de óculos de massa e de bloco de notas na mão, sentados lol, a apontar as falhas e momentos-altos dos artistas em palco, e a comentar todo o tempo aos ouvidos uns dos outros que "aquele queria era ser o tom waits!" e que "o que aquela faz já a outra senhora fazia nos anos 70 e muito melhor". cada um vê os concertos como quer, sentado, de pé, a dançar, a cantar, pouco me importa, mas a conversar é que não. em salas fechadas, claro. já passei pela experiência algumas vezes e espero sempre que seja a última. gente sentada? será norma para ver os concertos? tou lixada..... não posso estar muito tempo sentada. uma violenta aterragem que fiz na infância durante um voo de escorrega, e de que felizmente não tenho qualquer memória, obriga-me a circular every now and then. em viagem, ao volante, é para esquecer lol, no cinema é a mesma coisa, sou péssima companhia, dou voltas e coltas na cadeira. circular é a palavra-chave. talvez seja por isso que um nome como "gente sentada" me deixa de pé atrás. sinto-me mais confortável quando leio que no after-hours haverá música para "gente em pé". tou safa. sem essa ressalva tenho a certeza de que dificilmente iria até santa maria da feira para estrear cadeiras.

para quem quiser ir até ao local:

gente sentada:
6ª feira: rosie thomas - sufjan stevens - nicolai dunger
sábado: devendra banhart - robert fisher - kate walsh

gente em pé:
6ª feira: álvaro costa
sábado: miguel quintão


bilhetes e horas não faço ideia.........

dia mundial da música...... e telemóveis

sinceramente a data costuma-me passar ao lado, mas hoje foi a primeira notícia que ouvi quando liguei a rádio pouco depois da oito da manhã. a aparelhagem ainda estava sintonizada na antena 3, sinal de que não voltara a ligar o tuner desde terça à noite. a reportagem alusiva à ao dia mundial da música destacava um senhor que se entretém a fazer toques de telemóveis com base em músicas "conhecidas". já não me lembro quais foram as escolhidas para a ocasião, mas estavam realmente parecidas com o original. para eu as ter identificado sem ajudas....... fiquei impressionada com a perícia do artista porque confesso aqui publicamente a minha azelhice para identificar músicas em toques de telemóvel. soa-me sempre tudo ao mesmo. evito sempre soltar uma hipótese que seja porque normalmente digo uma coisa qualquer para poder arrumar o assunto logo ali. "ouve lá o meu toque novo, é espectacular! reconheces?", "sim, parece o yellow submarine", "nãããããooooo, são os coldplay!", "ah pois é, que estupidez, vê-se logo!", "então e o que é que se faz este fim de semana?" etc, etc assunto encerrado e não se fala mais nisso! é por estas e por outras que nunca aderi a esta cena. aproveito o trabalho daqueles que pensam em toques de telemóveis por mim, neste caso o pessoal habilitado da siemens. uns mais discretos que outros, mas há sempre um toque adaptável a cada "grupo", caso se opte por divisões sonoras, of course - é o meu caso, evita-se cada chatice...... lol
não em telemóvel mas em hi-fi a alto e bom som brinda-se ao dia da música com aquela que me pareceu a escolha óbvia para a ocasião - sample from heaven, brookville ainda em loop.

quinta-feira, setembro 30, 2004

sempre o marketing...

previsível..... acordei à hora em que devia estar a entrar no auditório 2. o horário diz publicidade e marketing. não gosto daquilo, mas agrada-me não ter chegado ao fim do curso sem que pelo menos uma cadeira tivesse tratado o jornalismo como ele na realidade é tratado. um brinquedo nas mãos do marketing, aliás como tudo o resto. deontologia? isso é só às 11h30. e é só ali mesmo no auditório 2. e depois o tempo passa a correr quando se fala de marketing, mas quando se trata de deontologia os bocejos sucedem-se. teoria. na teoria e na prática. lá dentro e cá fora.

quarta-feira, setembro 29, 2004

chicken payback

já percebi que não me faz nada bem ouvir músicas nostálgicas, tristes, de manhã. a par da tangueta, é uma coisa que eu adoro e tenho sempre tendência para lá ir parar sem dar por isso. mas de manhã os resultados nem sempre são os melhores. há quinze dias que me levanto com as galinhas, e como ainda não entrei no ritmo, aliás estou longe disso, é por esta hora - sete e picos :) - que me sinto a galinha, perdão, a pessoa mais chata do mundo. o truque é não pensar, já sei. é fazer tudo em piloto automático até estar dentro do carro porque aí o resto é com o porta-chaves, que já sabe o caminho cril-segunda circular-eixo norte-sul de trás para a frente e de frente para trás. pus-me há bocado a ouvir uma música da fiona apple (tou farta de esperar por novo álbum.......) e estive a um passo de voltar para o vale de lençóis. já sei como é, mas não resisto lol. dei o sinal de alarme e accionei a "transmission c" do moses leroy imediatamente. é remédio santo. ontem também resultou. deve ser por isto que as rádios de manhã insistem em gritar aos ouvidos de quem acaba de acordar. a cena das gargalhadas nem comento. e dizer de 2ª a 6ª à mesma hora que o let's get it started dos black eyed peas é uma grande música..... pois pode ser, eu gosto da música, mas não é de manhã anunciada em delírio como se nunca se tivesse ouvido, sobretudo quando quem a está anunciar sabe que anda a vender a música como a última maravilha, a última das novidades, há quatro meses! para isso prefiro o eminem. e quem diz black eyes peas, diz linkin park, tim booth, o que quer que seja, deixei de conseguir ouvir rádio de manhã e não queria que isso tivesse acontecido. azar o meu! free the bees - chicken payback é a música ideal para ouvir de manhã!

Orelhas de Burro:


terça-feira, setembro 28, 2004

melodias inteligentes

é em momentos destes que me chateiam a sério frases pedantes como "só gosto de música com letras inteligentes". sobretudo quando vêm da parte de putos louros armados em bons e com a mania que são mais que os outros só porque têm amigos mais velhos. mas que raio é afinal uma letra inteligente? uma letra que não se percebe? que junta palavras difíceis enquanto fala de quão incerto é o dia de amanhã? tenho para mim que inteligência é cada vez mais sinónimo de simplicidade. nas letras e sobretudo nas pessoas. não faço ideia da quantidade de música que anda a perder o artista em causa, mas deve ser muita. da parte que me toca, e analisando bem as coisas, perco a conta das músicas em que fico viciada mesmo antes de perceber o que quer que seja que o vocalista está a dizer. voltei ontem à noite a confirmar a regra. a propósito de uma recuperação recente do "the runaway found" dos veils, que não ouvia há uns bons meses, voltei a bloquear na "leavers dance" (e não fui só eu lol) e a inclui-la nas colectâneas-tangueta caseiras. apercebi-me que depois de ter ouvido a música vezes sem conta (e quando eu empanco numa música empanco mesmo, há várias testemunhas!) nunca me tinha dado ao trabalho de perceber uma palavra. my hands, acho que era a única coisa que soava a familiar. não era preciso mais nada, a força estava e está na melodia, que assim prova por si só que é uma melodia inteligente. é isso. como o outro gosta de letras inteligentes, eu gosto de melodias inteligentes. não só, mas também.


[na mesma entrevista, um pouco mais à frente, o puto-armado-em-bom citava o nome de margarida rebelo pinto quando o jornalista lhe perguntava que escritores gostava de ler. restam dúvidas quanto à identidade do artista?]

segunda-feira, setembro 27, 2004

let's bottle melody

desisto..... não consigo achar piada ao novo álbum dos thrills. andei dias e dias com teorias mentais (aka desculpas) que justificassem tal facto, mas já percebi que não há volta a dar. não é por andar a tirar a barriga de misérias no consumo diário de discos, não é por andar com dificuldades de concentração, e muito menos é por ter criado uma grande expectativa à volta do disco por ter andado meses em delírio com o "so much for the city". hoje de manhã apanhei o "big sur" na rádio e fez-se luz. não adianta. não adianta querer gostar de nada por antecipação. estou neste momento a meio de mais uma tentativa para perceber a essência (o que quer que isso seja....) deste "let's bottle bohemia" e só consigo pensar em ir buscar o "so much for the city" e ouvir o "big sur" outra vez. eu gostei dos thrills à primeira vista pelas melodias, pela voz tangueta do conor deasy, por alguns pormenores sonoros que apareciam do nada e que faziam toda a diferença e sobretudo..... pelas melodias. eu sei que ninguém anda aqui para fazer discos iguais e muito menos para ouvir discos iguais, mas quando mudam as coordenadas que nos fazem gostar de qualquer coisa, então a coisa complica-se. as fases de adaptação não são imediatas. mas as melodias dos thrills para mim eram imediatas. agora têm momentos. gostei do single, mas achei-o fraco. ao longo do álbum continua a haver pormenores daqueles que de repente nos fazem parar tudo e olhar para o rádio para perceber de onde vêm, mas não chega. já devo ter ouvido o disco dez vezes, no mínimo, e ainda não fiquei com nenhuma música na cabeça, tão pouco acordei com uma destas novas melodias no ouvido. daquelas que não nos largam o dia inteiro por mais músicas que se oiçam por cima para passar o efeito. as novas melodias estão mais fracas, menos imediatas, o que não sendo necessariamente mau torna-se chato como a potassa se adicionarmos por cima um conor deasy agora deu para cantar com uma voz sofrida. olha que esta..... preciso de mais umas semanas para me adaptar.... por agora desisto. vou ouvir o big sur.


Orelhas de Burro:


domingo, setembro 26, 2004

elefant - rock n' roll paranoia








Diego Garcia (voz), Mod (guitarra), Kevin McAdams (bateria) e Jeff Berral (baixo) estrearam-se no dia 10 de Setembro em palcos londrinos, com um concerto organizado pela London School of Economics (LSE) e que teve lugar no The Quad, o simpático e pacato bar da Escola de Economia, onde não terão estado mais de 50 pessoas, na maioria amigos das bandas locais que partilharam o palco com os Elefant, nesta “Highscholl Rock N’ Roll Party”. Diego Garcia foi em tempos, também ele, estudante de Economia, mas acabou por abandonar a Universidade em prol da música. Alguém o culpa? Quem o vê agora em palco, com 25 anos de idade, constata que o futuro do senhor não poderia passar senão pelos palcos.

Verdade seja dita: Diego Garcia nunca quis enganar ninguém. Nao é preciso sequer passar da primeira faixa de “Sunlight Makes Me Paranoid”, o album de estreia dos Elefant, para perceber que o rapaz tem sangue de artista. O tom altivo e distante com que dá vida às letras que compõe pode ter consequências nocivas junto do publico que acredita no poder e na importância das primeiras impressões.

A altivez quase arrogante e a pose vocal quase a roçar o pouco genuíno denunciadas em disco, passam a fazer todo o sentido ao vivo e a cores. Toda a disconexão de um registo snob que canta melodias directamente encomendadas ao sol da Califórnia, e que por momentos quebram o gelo de “Sunlight Makes Me Paranoid”, é descodificada pela atitude de Garcia em palco. É uma personagem de estados, um líder indiscutível, teatral como poucos, e que por já ter estabelecido uma relação íntima com o microfone do alto dos seus quase dois metros de altura, consegue em palco completar as canções com o tal pormenor que falhava em disco, mas que até então não se sabia bem qual era. A devoção.

A genuinidade de canções como “Misift”, “Bokkie”, “Tonight Let’s Dance” ou “Now That I Miss Her”, que em disco tinham tudo para soar a grandes canções, mas sem no entanto deixar a sensação de vazio, vive do palco, onde Garcia concentra todas as atenções, contrastando assim com a descrição exemplar do resto da banda, que acaba por funcionar ao vivo mais como um suporte do que como um todo.

Ora imerso nas imagens que percorrem a sua mente já muito mais para lá do que para cá, ora estabelecendo contacto directo com as filas da frente, por onde distribuiu fervorosos apertos de mão, e que o fizeram perder a aura de estrela de cinema, Diego Garcia e os restantes Elefant percorreram em cerca de 40 minutos todas as canções de “Sunlight Makes Me Paranoid” de modo exemplar e capaz de converter mais alguns estudantes musicalmente cépticos à acesa causa do rock n’ roll.



[eu que à primeira audição desenvolvi uma espécie de ódio de estimação à banda, no final do concerto estava capaz de fundar um clube de fãs diego garcia]

head automatica

já percebi que esta hora é óptima para downloads. já estava com um pé dentro da cama e outro no shut down do computador quando reparei que no soulseek já estava tudo a verde. head automatica (o site tá fixe, pouco prático, mas apelativo) - decadence. foi a última sugestão que o mário me fez. chegou por mail na sexta-feira e falava em "dan the automator e outro gajo qualquer". não podia ser tangueta, that's for sure lol, mas como o dan automático não me tem deixado ficar mal, e o mário já sabe o tipo de sonoridades que não vale a pena tentar passar-me dado o seu teor agressive-screaming - tipo hives no auge fase hate to say i told you so (até levo as mãos à cabeça para atenuar o embate!) - fui investigar. ia só ouvir a faixa 1, mas acabei por ouvir o álbum todo. o sono já era. outra vez. head automatica soundsystem, faixa 10, é um vício instantâneo. há lá outros. please please please (young hollywood) é mais um, beating heart baby até laivos de tangueta tem por entre a "gritaria" costumeira, enough is enough vou dormir.......


Orelhas de Burro:


Nuorte-Zul

a viagem-relâmpago ao porto foi cancelada. a ideia da ida foi do miguel. íamos jantar com a doutora, o luís, a sofia e reencontrar o álvaro-pasteleira, desta feita em versão gangsta rap. um imprevisto profissional de última hora entornou o caldo, ficámos em terra e adiámos o convívio a norte para a semana entre gente sentada. dependendo do ponto de vista, uma semana pode ser muito tempo. não tem sido nada fácil lidar com os regressos a lisboa, quando dei por mim já tinha combinado nova deslocação, esta a sul, para tirar melhor partido do fim de semana. next stop: sines. uma coincidência vinda do nada, ou melhor de um almoço de esparguete à carbonara com a matosa, que à última da hora acabou por proporcionar o acompanhamento de mais uma data da digressão zig zag. para esquecer. não a prestação dos z boys, mas as condições que tiveram de respeitar. quase três horas de atraso provocadas por não faço ideia o quê, e depois de finalmente serem chamados a depor, eram 4h da manhã, são convidados a abandonar o recinto por causa de uns desacatos desencadeados à entrada do castelo. tinha passado uma hora, se tanto....... e os resistentes que sobreviveram ao pincel que foi aquele último concerto - não sei o nome da banda - estavam então a começar a dar a espera por bem empregue. muito sinceramente não sei como ainda lá estava "tanta" gente. por momentos perdemos a perspectiva geral do recinto, tínhamos apenas uma visão auditiva do que se passava no palco, e a julgar pela "animação" da coisa, não raras vezes pensei que já não estaria ninguém no castelo. quase que me apetece dizer que era o que a tal banda merecia. admiro o fairplay do zig e do zag face uma situação destas. não era nada comigo, não sou eu que passo horas a pensar em sequências, a vibrar por antecipação com as prováveis reacções entusiastas do pessoal, que depois afinal nem sequer chega a ter oportunidade de as ouvir. não era nada comigo directamente e fiquei pior que estragada. acho que é mais uma daquelas situações que incomodam mais quem vê de fora e não pode fazer nada do que quem está directamente envolvido. como se dizia no fim (início?) - foi bom enquanto durou. valeu pelos outros concerto - micro audio waves, flux e gomo -, pela companhia, pelas senhas bebíveis de sobra (que afinal não sobraram), pelo ambiente familiar dentro das muralhas do castelo e pela hora final de rock n' roll. hoje (ontem?) ainda acordei com o hit the road, jack na cabeça.


Orelhas de Burro:

Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.........................

sonos trocados

acordei agora. são quase duas da manhã. estava a ficar complicado manter os olhos abertos e a impaciência e má disposição advindas da falta de sono estavam a ficar por demais evidentes, por isso às 19h30, para o bem de todos e especialmente para o meu, achei que o melhor era ir dormir uma sesta. raramente durmo mais do que vinte minutos à tarde. normalmente fico restebelecida pelo simples facto de perceber que consegui apagar por um minuto que seja no sofá. não consigo dormir à tarde. de manhã então é melhor nem falar, as histórias são mais que muitas. deve ser uma insuficência qualquer. está tudo a dormir, não me apetece dormir mais e odeio sentir este frio do cansaço que me faz vestir camisolas umas por cima das outras, mas que não passa nem por nada.


Orelhas de Burro:

ainda o sample from heaven by brookville, agora em fones não só pelo adiantado da hora, mas também porque me lembrei que o efeito devia ser ainda mais pujante. no comments.....

sexta-feira, setembro 24, 2004

the stills - até a lógica é composta de mudança




Já não era a primeira vez que os Stills vinham do Canadá para tocar no “The Club That Cannot Be Named”, o espaço que fica situado no andar de cima do clube britânico The Zodiac, em Oxford, e onde a estreia havia tido direito a lotação esgotada. E a provar que essa mesma lógica de que fala o vocalista Tim Fletcher também tem caminhos que a razão desconhece, esse passado comum, feliz, entre a banda e o público britânico, não soube como contornar o constrangimento inicial que escurece obrigatoriamente um reencontro tão aguardado, aqui materializado no dia 12 deste mês.

Casa cheia mais uma vez, mas um público desconfiado, que manteve uma postura de passo atrás até Tim Fletcher ter aberto o jogo: “Este foi um dos sítios onde mais gostámos de tocar e onde fomos mais bem acolhidos. Por isso, estamos de volta e queremos fazer deste um concerto inesquecível para vocês e para nós, porque depois desta digressão vamos para casa trabalhar no novo disco e só voltamos a Inglaterra daqui a oito meses!”.

O concerto começou aqui. Para trás haviam já ficado “Lola Stars and Stripes”, “Gender Bombs” e “Changes Are No Good”. Confirma-se: os Stills seguem o alinhamento do álbum por boa parte do concerto. Perde a graça para quem conhece o disco. Siga. Ainda que com pouca receptividade do público, não se perdeu tudo nas melodias iniciais, ou não fossem aquelas três das canções mais fortes de “Logic Will Break Your Heart”. Uma “Lola Stars and Stripes” bastante mais rock n’ roll do que melódica, mas que para bem de todos os pecados cometidos naquela hora, conservou a suavidade do refrão como a conhecíamos.

Pelo contrário, o hino “Changes Are No Good” foi tudo menos suave. E daí? As mudanças não se querem suaves, e esta é uma canção para ouvir alto, tocar alto, distorcer se a ocasião assim o exigir – um arranque muito mais dançável do que estava previsto (?), e depois dos primeiros versos que dão conta das mudanças em curso, as guitarras em desgarrada com a bateria potentíssima de Dave Hamelin, que acabou por não dar hipótese a qualquer adversário sonoro. Abrandou apenas para deixar entrar novamente a batida comandada por Liam O’Neil que marcou o ritmo da música até aos acordes finais novamente com Fletcher a cantar em passo de dança.

Ainda a par de “Love and Death” e da mais requisitada da noite “Still in Love Song”, um dos momentos-chave do concerto foi protagonizado por Dave Hamelin, o baterista-engraçadinho (e com graça, diga-se de passagem) que antes do encore trocou os pratos pelo microfone e mostrou não só os dotes vocais, que já deixara antever na faixa que encerra o álbum, “Yesterday Never Tomorrow”, mas também os de entertainer. Aliás, o baterista Hamelin mostrou em cinco minutos ter mais espírito de palco e de mestre de cerimónias do que Fletcher ao longo de todo o espectáculo. Fez questão de realçar que apesar não estar ninguém atrás dos pratos, a bateria continuava a soar. “É um dom que tenho. E só estou à venda numa cor!”. As luzes destacaram de seguida Liam O’Neil, discretamente posicionado lá atrás no comando das teclas e da maquinaria.

Por esta altura já o público sorria e dançava animadamente, enquanto a “Still in Love Song” era pedida a plenos pulmões por parte da assistência feminina que gritava como se estivesse na última fila da Wembley Arena e se quisesse fazer ouvir no palco. À escala portuguesa, o “clube sem nome” devia levar metade da lotação do Paradise Garage, e as entusiastas fãs estavam na segunda fila. Pouco depois, soava a batida inicial da música mais pedida da noite. Lógico.

brookville from heaven

disse à luísa que estava a pôr a música em dia. levantei-me cedo e fui ouvir música com ouvidos de ouvir, coisa que esta semana recomecei a fazer depois de alguns meses de abstinência, em que andei a ouvir discos mais para me abstrair do resto do que para os interiorizar. já me tinha esquecido como é calmante estar horas a ouvir o mesmo disco, sem ter de pensar no passar do tempo. a luísa pediu-me que lhe enviasse uma música por messenger. uma qualquer. "sample from heaven" era o que estava a ouvir na altura, eu e os vizinhos do lado, suponho. faz-lhes bem que também levo diariamente com doses industriais de coisas que não lembram ao menino jesus, mas que por alguma razão lembram, por exemplo, à rádio cidade, por aí.

sample from heaven é, se não o melhor, um dos melhores momentos do álbum que apresenta andy "ivy" chase a solo, e que se chama wonderfully nothing. a faixa 8, "summer parade" é muito mais imediata, tangueta perfeita, daquelas que à primeira audição me fez parar tudo e ouvir até ao fim sem me mexer para não perder o nome. estava a passar no mq3. por acaso acho que até perdi.... o michael disse-me depois que era uma cena chamada brookville. finalmente consegui comprar o disco, com os cumprimentos da hmv oxford picadilly circus, mas na altura à falta de melhor, saquei-o do soulseek, e descobri depois que aquela cena instrumental do saxofone, perdão, trompete do eric matthews que tinha passado nos bons rapazes era do mesmo disco. era esse tal "sample from heaven". ouvida à tarde nem parecia a mesma música. assim como o "summer parade" é para ouvir de dia, ao sol, o "sample from heaven" vive em ambientes escuros. está um calor insuportável lá fora e o sol ainda não passou para o outro lado.... baixei os estores, pus o som mais alto, como se assim a luísa conseguisse ouvir melhor a música enquanto a transferência estava a ser feita. ou isso ou era que estava (estou?) em delírio. se o i, lucifer é um discos dos diabos, este wonderfully nothing é um disco caído do céu.


Orelhas de Burro:


quinta-feira, setembro 23, 2004

visit me in music city

não, não vou bazar outra vez lol - ou se calhar até vou but not for long - talvez daqui a uns meses........ in a melancholic mood morning sabe bem ouvir música fora do tom. condiz com o estado de espírito, e de qualquer maneira as harmónicas estão lá, o resto não interessa, os coros fazem o resto e quando se tem histórias para contar tudo o mais desaparece, o tempo passa a correr. o próprio bobby bare, jr sabe que volta não volta sai da escala, who cares?, mesmo as melhores canções não se querem perfeitas. "from the end of your leash" é o nome do álbum da bobby bare jr's young criminals' starvation league - lol - onde vem arrumada a canção "visit me in music city". entre a vasta lista de criminosos convidados está o nome de will oldham.
para ouvir, para ler, as histórias são muitas, o humor é refinadíssimo, não obriga ninguém a bater palmas nem a levantar-se para rir.


it was easy growing up for me in nashville
music city has always been good to me
there's room for you and your cowboy boots (....)
you don't even have to sing on the key
computers can fix it all in nashville, tennessee


Orelhas de Burro:


branco mais branco......

ainda a propósito da reflexão living by numbers, fiquei ontem a saber numa aula de públicos e audiências que em 2002, em portugal, os investimentos publicitários na comunicação social somaram estes números:

tv - 1502 milhões de euros
imprensa - 558 milhões de euros
rádio - 169 milhões de euros

a quantia investida nos outdoors não foi divulgada, mas foi revelado que o investimento foi superior ao da rádio. porquê? há mais gente a passar de carro pelos outdoors do que a ouvir rádio. e embora me apetecesse, não vou entrar novamente por esta questão. abram os olhos e organizem-se. ninguém se safa eternamente a copiar o trabalho dos outros. nem na escola isso resulta, quanto mais num mundo de sete cães a um osso. e depois copiar de um que por sua vez também já tinha copiado de outro........... é como diz o perfume - inovate!

terça-feira, setembro 21, 2004

another zig zag session






nunca tinha estado no triplex, mas os comentários das z nites a nuorte sempre foram do melhor e a reacção do "público" nortenho, segundo diziam os próprios z boys, não era de longe nem de perto parecida com a nossa cá em lisboa aquando das tão bem sucedidas e inexplicavelmente interrompidas passagens pelo lux. lá em cima as coisas aquecem mais, em temperatura também, que é o lado mau. no sábado passado às tantas já não se respirava dentro do triplex e já ninguém sabia o que fazer à roupa. as janelas fechadas por causa do barulho, o jardim era pequeno para tanta gente e assim como assim era lá dentro que a música estava em força. com algumas pausas - muito poucas - para recuperar o fôlego e sobretudo para refrescar - dentro do possível - aguentou-se muito bem até de manhã (afinal o ananás foi mais do que suficiente lol), eram 7h quando abandonámos o recinto, elvis para o final, e apetecia mais. não houve, foi pena, os killers ficaram em lista de espera, talvez para a próxima. e agora que o cansaço está mais do que ultrapassado, já mais a frio e quase sem nostalgia ficam novos momentos, novas memórias, associadas às músicas que se começam a ouvir habitualmente nestas sessões. como aquela imagem que ainda guardo do delírio instantâneo de um grupo de rapazes que dançava ao meu lado no lux quando ouviu a entrada do dance to the underground. agora são muitas mais. não no lux, mas em coura ou agora no triplex, e mais haverá em sta maria da feira. take me out, slow hands, party crashers, changes are no good, first of the gang to die, enter sandman, killing in the name of, slaveship, são tantas...... e as imagens variam de sessão para sessão independentemente do gang se ir mantendo. não é a mesma coisa, claro que não, mas há músicas que resultam tão bem na altura e em sequência, que a reacção pós dj set acaba por ser tão forte como quando se sai de um concerto ganho. mas em vez de se visualizar a banda em palco quando se recupera o momento, recorda-se quem estava à volta também em delírio e a emoção nos olhos de quem está no comando dos pratos. zig e zag. cheers!

my dog for a day

o karuna é o cão da doutora. é um rafeiro lindo, branco, manchado, com uns olhos tão doces que só apetece levar para casa. ela levou-o. eu se pudesse trazia-o. a meio da viagem porto-lisboa deram-me as saudades. não tenho cão em casa, nunca tive, é a história dos apartamentos, mas sempre tive boas relações com os cães dos amigos e da vizinhança. e aquela cena dos cães abandonados escolherem eles próprios novos donos é mesmo verdade. há uns quantos anos houve um rafeiro cor de mel que todos os dias me seguia da escola até casa, chegou inclusivamente a mudar-se para algés. e chegou a tornar-se incómodo porque sempre que eu saía de casa a pé ele ia atrás. a única coisa que pude fazer foi passeá-lo pelas ruas de algés e dar-lhe comida. soube que foi atropelado meses mais tarde, nunca mais o vi.

fiquei em casa da doutora durante este fim de Zemana, que gentilmente cedeu as chaves de casa e fez de motorista sempre que necessário. percebi que não há volta a dar.... dê por onde der hei-de ter condições para ter um cão em casa. o karuna é um cão de bom gosto e muito evoluído - é fã do josh rouse é não é preciso dizer mais nada. cantei-lhe o feeling no pain e ele adormeceu. diga-se de passagem que o passeio de hora e meia que deu minutos antes também poderá ter ajudado, mas quem o conhece sabe que não é qualquer caminhadazita que o deita abaixo. pensam que ele é algum molengas, não? é um atleta.

na manhã de domingo pós zig zag session enquanto tudo dormia - não sei porquê! lol - demos dois belíssimos passeios pelas redondezas ali junto à praia em matosinhos, que prometi às doutoras repetir assim que possível e sempre que necessário!

porto capital do sorriso

estava a evitar escrever sobre o fim de semana passado. acho que já todos comprovámos por experiência própria que quanto melhores são os fins de semana, mais difíceis são as segundas-feiras. quanto melhores são as férias, mais difícil é o regresso ao activo. e não há pior do que continuar a pensar em como se estava tão bem lá onde fosse........ esta segunda-feira que passou anunciava-se complicadíssima já há muito, mas fiz por não pensar muito no assunto, que é uma coisa já começo a conseguir controlar..... digo eu. estive no porto sábado e domingo para ver mais uma sessão zig zag warriors desta feita no triplex. em estreia absoluta... no triplex e no porto. passagens fugazes não contam. vergonhoso. e não é que desta vez tenha visto tudo o queria, lá me escapou o museu de serralves - e não é que no domingo não tenha acordado a tempo lol -, mas já deu para ter ficado com uma ideia geral da cidade, coisa que não tinha de todo, apenas imagens soltas de telejornal. as palavras que ficam são disponibilidade e simpatia.

a francesinha caíu-me mal, é verdade, tenho estômago fraco para chouriços, eu é mais rissóis e saladas de frango portanto não admira, mas sinceramente nem me lembrei disso até ter começado a sentir o estômago às voltas ao fim da tarde. em compensação, o café do majestic soube-me a pouco e acrescente-se que eu para além de estar proibida de beber café nem sequer gosto muito do sabor, por isso nunca bebo. já diz o ditado que não há regra sem senão e sábado foi dia de festa. em vez de um foram dois e o speed deu-me até domingo à noite lol, só adormeci à chegada a lisboa e foi graças ao efeito entediante que os relatos de futebol têm em mim. o miguel quis ouvir o benfica, ele é que ia ao volante portanto, como diz a vanessa, é aguentar e cara alegre! neste caso, foi mais cara de sono. lembro-me de ter pensado que ia só fechar os olhos um bocadinho. quando o miguel me acordou já estávamos a chegar ao parque das nações........ veja-se o lado positivo: safei-me de ouvir o ribeirinho a stressar com as ameaças de golo. nem sei como ficou o resultado....... se fosse o valdemar ainda dava o desconto, mas assim........

the real tuesday weld

agora sim, começo a digerir as receitas do último grande investimento que fiz...... discos, novos, a estrear, na maioria completas surpresas, até agora só um tiro ao lado, mas ainda nem cheguei a meio da viagem. neste acertei em cheio - i, lucifer by the real tuesday weld, o nome artístico de stephen coates - singer/songwriter britânico e homem dos sete instrumentos. inspirado no conto do diabo do glen duncan com o mesmo nome, i lucifer é ele também um disco dos diabos. tangueta, electrónica, jazz, cartoon a preto e branco, outros tempos de que já não há memória porque não chegámos a tempo de dos ver.... tudo isto e o que mais a imaginação quiser. é só dar a devida atenção.


Orelhas de Burro:


the grim northern social

urban pressure é como se chama o primeiro single, que é também a música que abre de forma poderosa o álbum de estreia dos escoceses the grim northern social. ouvi a música uma vez e foi suficiente. andei doente quase uma semana por não ter maneira de voltar a ouvi-la, no soulseek na altura nem sinal........ alguns dias depois lá apareceu, com uma espera de algumas centenas de interessados, mas apareceu. passei dois dias a tirar a barriga de misérias, em repeat mode. aquela entrada guitarrística, o balanço constante, a explosão no primeiro take a ride, e depois nos seguintes, a melodia que embala, para depois voltar ao balanço inicial. é complicadíssimo passar à faixa 2. gonna take a short vacation, meet me at the petro station, drive with me into temptation............. TAKE THE RIDE of your life in my house.......... também fez sucesso entre os bons rapazes no domingo passado, é sempre bom sinal, aqui no estábulo continua em alta porque o resto do álbum também não é nada de se deitar fora. o balanço é contínuo e aquela guitarra fica para jantar. são os ares da escócia. talvez numa próxima oportunidade lol..........

if urban pressure gets the better of you, have no fear
if urban pressure gets the better of you, disappear
disappear!

Orelhas de Burro:


segunda-feira, setembro 20, 2004

perguntas difíceis

hoje à tarde bloqueei. regressei finalmente à faculdade, e na primeira aula que tive, eram 17h, o senhor professor, depois de me perguntar o que estava ali a fazer (já tive uma cadeira com ele, despachada a 10 em exame, portanto ele presumiu que já tivesse feito as restantes cadeiras que lecciona), contextualizou-me acerca do que se passara na aula anterior e escreveu no quadro:

1. o que é (hoje) o jornalismo?
2. qual o papel do jornalista?
3. porque quero ser jornalista?

foi na terceira que bloqueei. as outras respostas ensinam-nos o que responder noutras cadeiras ao longo do curso, mas aquela terceira não tem regras. e nesta altura do campeonato...... expliquei antes por que (já não) quero ser jornalista.


Orelhas de Burro:

first of the gang to die, e a corrida (neste momento, apenas mental) da ala feminina da claque zig zag do jardim do triplex em direcção à pista. uma ala mto despachada e "pespescaz", porque ainda chegámos a tempo dos versos inicias!

living by numbers

é preciso chegar a lisboa para começar outra vez a encher a cabeça com estas cenas...... nada de novo, nada que não me tivessem já prevenido, nada de estranhar, diziam-me hoje. eu estranho. e tanto estranho que não consegui evitar escrever este post em vez do que me estava realmente a apetecer, que era falar do fim de semana a nuorte...... fica para amanhã.

isto está tudo num estado que quando mais se sabe menos se quer saber. e depois a culpa nunca é de ninguém, ou pelo menos nunca é daqueles com quem falamos, that's a fact. ordens são ordens. "o meio da música em portugal é muito pequeno", ainda nem eu sabia o que era o "meio" (nem posso com o conceito....) e já ouvia dizer isso. "melhor", pensava eu, "então é fácil entrar". não foi, não é e acho que nunca virá a ser. e a questão neste momento é quem é que quer entrar? a não ser...... não vale a pena dizer mais nada........ todas as embalagens trazem uma consciência. como em todos os produtos a qualidade não é a mesma em todos os casos. depois culpem a crise. se calhar afinal até há um culpado. já nem eu acredito. se não fosse a crise era outra coisa. mas nunca há dinheiro. estamos em permanente contenção de despesas no sector dos ordenados 500-800 euros. todos os anos a mesma cantiga - para o ano é que é, vá lá anime-se, perceba a situação da empresa, ponha-se no lugar do chefe que nem dorme à noite a pensar como vai conservar os vossos empregos, e agora vá lá trabalhar e não se esquça de fazer um esforço extra que no final do ano há avaliações! por outro lado, a partir da fasquia dos 1000 é um ver se te avias - telemóveis, almoços, férias, prémios, mais uns trocos pela porta do cavalo e a coisa compõe-se! preciso de mudar de sector. ou melhor, de arranjar um sector.

as coisas já chegaram a um ponto que uma pessoa chega a pagar para trabalhar, e mesmo assim as coisas não avançam. estou desiludida. estou em vias de constatar que neste momento não há mesmo espaço escrito em portugal para poder contar o que andam os stills e os elefant a fazer em palco pela europa fora, logo ali ao lado. o álvaro é que tem razão - esta cena dos blogs tem mesmo de começar a ser levada mais a sério. saudações à rapaziada de domingo à noite, é nestas alturas que tenho mesmo pena de não conseguir tirar pleno partido das oportunidades que me andam a dar.

Orelhas de Burro:

changes are no good, e a recuerdo do delírio @ triplex acentuado pelas recentes memories britânicas, como se apercebeu a doutora, também ela em delírio mesmo à minha frente na altura!

the end has no end

a saga do computador está terminada. até ver........ depois de resolvido (mais ou menos) o mistério dos sucessivos restarts, das várias deslocações a carcavelos e das quase duas horas de ligação de um sem número de fios que eu nem sabia de onde vinham nem para onde iam (temos muito em comum) sou neste momento um burro orgulhoso de sua obra, com ligação netcabo. sem curtos-circuitos, sem vírus e, muito importante, com muita música para ouvir e, por enquanto, pouca para sacar.


Orelhas de Burro:

slow hands by interpol, em loop e apenas em album version, os bons rapazes passam mais duas, uma do spoon britt daniels e a outra não me consigo lembrar......

sexta-feira, setembro 17, 2004

firecraker e outras harmonicas

a filipa ofereceu-me uma harmónica. chegou ontem por correio verde, em estreia absoluta da, ao que parece, mais prática invenção dos correios dos últimos tempos. diz ela que me queria fazer uma surpresa, mas eu não deixei, confirma-se. sou curiosa, muito mesmo, pelo que era certo que não a ia deixar desligar o telefone sem que antes me dissesse o que é que me queria enviar. tenho um fascínio absoluto pelo som da harmónica, chega a ser hipnotizante, mas não sei porquê nunca me deu para investir numa carreira paralela nesse campo. não sei tocar nenhum instrumento musical, tive flauta na escola primária como toda a gente e não gostava por aí além. detestava que na terceira classe nos fizessem tocar a toda a hora nas aulas de música. lembro-me perfeitamente de como em forma de protesto silencioso no dia da festa de final de ano em que toda a turma deveria tocar a peça em uníssono me "esqueci" da flauta em casa...... e não fui só eu. acho que ainda hoje muitas daquelas crianças da colheita de 1979 estão traumatizadas com o bolero de ravel. a filipa (outra filipa, a teles, grande amiga de infância com quem diariamente constato que esta história de cada vez falarmos mais de coisas passadas não pode ser muito bom sinal lol) pelo menos tb não gosta do bolero. temos também um trauma com uma música dos dire straits, de outra festa, que partilharei noutra oportunidade......

vou aprender a tocar harmónica, já percebi que não tenho muito jeito para o improviso, e estou determinada a conseguir tocar o "firecracker" do ryan adams - aquela entrada é um vício - o quanto antes. o deadline era o próximo sábado. o gonçálio já a toca na guitarra e eu comprometi-me a desenrascar-me com a harmónica com o auxílio da internet. tenho uma semana lol, e estou longe de descobrir qual o tom em que começa a música, quanto mais o resto..... e quem vai cantar? o concerto está para breve - para superar a madonna (que eu não cheguei a tempo de ver) só mesmo um show destes! escusado será dizer que é só para convidados lol, vou ligar ao ryan!

thanks filipa!

o delírio da tangueta

o mário chamou-lhe tangueta depreciativamente. o gonçálio achou piada, não só ao termo, mas sobretudo à minha indignação e à discussão que se gerou à volta do assunto. adoptou-o também. se não os podes vencer junta-te a eles, fiz o mesmo, e a partir de então qualquer música por mim sugerida era à partida considerada tangueta, mesmo sem audição prévia. a mala onde habitualmente levava os discos que não conseguia deixar em casa foi inclusivamente baptizada de maleta da tangueta. nem sei porque estou a dizer estas coisas nesta altura do campeonato........ acho que já é das saudades...... sinto a falta que me piquem acerca do assunto só porque sabem que vou reagir, dar luta, tentar defender e explicar que a tangueta é uma arte! :) às vezes resulta, mesmo que os resultados só sejam visíveis a longo prazo. outras acaba por ser apenas mais uma forma de passar tempo.
quando resulta é compensador.

converti o gonças à tangueta. enquanto trabalhámos juntos havia "batalhas" diárias de tangueta vs electrónicas. e convém não esquecer o rock javardo ou o cobra rock com que o mário apagava qualquer sonoridade alheia. já deviam ser os hives na altura! :) hoje já não estamos numa de converter ninguém, acho não minto quando digo que estamos todos mais interessados em saber o que andam os outros a ouvir. mas é claro que gostei muito do gonçálio me ter pedido no outro dia que lhe arranjasse urgentemente novas tanguetas, porque já estava a sentir a falta. também não se pode ouvir só josh rouse todos os dias. nem eu aguento! mas deixa lá gonçálio, que no sábado já tá prometido que levo um carregamento de novas colectâneas-tangueta para a janta!

always better on holiday

o estábulo continua netless......... acho que nunca tinha demorado tanto tempo.... o computador continua fora...... vou tirando partido do renovado sistema informático da santa casa de aprendizagem empacotada e instantânea onde agora me movimento a tempo inteiro.... ou melhor, onde a partir de segunda me movimentarei a tempo inteiro, pelo menos farei por isso, sem no entanto prometer nada de muito exaustivo....
acaba por ser positivo nao ter computador (temporariamente) em casa porque sobra mais tempo para o resto. o que é o resto não interessa, interessa sim que sobra tempo. e aí outra vez se calhar sobrar não é a palavra certa, porque o tempo já deixou de sobrar há muito tempo. quando se olha para o relógio - desde há muito que deixou de estar no pulso para estar no canto inferior direito do écran ou do telemóvel - são duas da manhã e já não se consegue pensar em mais nada se não no facto de haver um despertador programado para tocar quatro ou cinco horas depois........... não me posso queixar, ainda estou com espírito de férias, e a fazer vida de café, com horários trocados mas já em fase de lenta adaptação...... mais mental que outra coisa.... segunda-feira é a doer, há que encarar a situação com a frieza possível - apesar da nova vaga de calor que se faz sentir, o outono está aí há porta e isso é sinal que as férias acabaram. para o natal há mais!

sábado, setembro 11, 2004

terapia de voo

aos que vivem habituamente em violentos ciclos de altos e baixos, mais acentuados do que o costume, porque de altos e baixos nem o papa se safa, aconselho vivamente a que, se for caso disso, larguem as psico-terapias e invistam o dinheiro que nisso investem de alma e coracao em viagens regulares. mesmo que por tres ou quatro dias, o efeito eh instantaneo e permananece por muito mais tempo. se a pratica for mantida com regularidade tanto melhor. o problema sao efeitos secundarios: a experiencia pode tornar-se viciante, e depois nao havendo dinheiro para continuar o "tratamento" sai pior a emenda que o soneto, porque a necessidade de deslocacao pode tornanar-se obsessiva.


Orelhas de Burro:

ainda os elefant, que se anteciparam aos stills numa feliz coincidencia

quinta-feira, setembro 09, 2004

presente!

eu ia ver os libertines, os velvet revolver e a madonna, mas já não vou...... vou bazar, vim picar o ponto pelos vários dias de ausência, mostrar que ainda há vida no estábulo apesar do silêncio........ não há é internet, há vírus maléficos! talvez para a semana esteja tudo a postos. vou passear, arejar as ideias, aprender mais qualquer coisa, esquecer outras tantas e dar início a uma nova etapa com o pé direito!

bons concertos a todos, se for o caso!


Orelhas de Burro:

the stills até terça-feira

quinta-feira, setembro 02, 2004

o M está de volta..... em blog!

o M foi um dos programas da antena 3 que me fez apanhar o vício da rádio. e quando digo vício é mesmo vício, quem passou pelo mesmo com este ou outros programas sabe de certeza o que é organizar a vida de modo a estar (quase) sempre disponível no sábado ou no domingo ou quando quer que seja às tantas horas para ouvir o programa x. não é fácil, falo por mim, que senti muitas vezes na pele a dificuldade de uma missão impossível ao tentar explicar a quem não partilha da mesma dependência o porquê que não poder estar aqui ou ali às tantas horas nesse dia porque queria ouvir um programa de rádio. visto agora de fora sinceramente até consigo perceber a posição dos outros. continuo a fazer por organizar a minha vida deixando tempo para ouvir este e aquele programas sempre que posso, até porque são cada vez menos os que me interessam ouvir, mas falando bem e depressa já não deixo de fazer isto ou aquilo por causa da rádio. tudo muda, não é assim que diz o slogan da estação que afinal não mudou nada? vendo bem as coisas e ironicamente foi a própria rádio que me fez perder o vício da rádio. nunca o da música, mas o da rádio. acho que não preciso de explicar a ironia..... tudo o que sempre me levou a ouvir determinados programas foi o cunho pessoal de cada um deles. eu não ouvia os programas, nem a música..... ou melhor, ouvia-os sim, mas´em primeiro lugar ouvia (e oiço) as pessoas e confiava cegamente nas sugestões que enviavam via rádio.
de volta ao m....... deixei de ouvir a mónica, pois deixei, partiram-na aos bocadinhos, sim a ela, porque ela era o m e o m era ela. felizmente nos tempos em que o vício estava mais aceso gravei cassetes atrás de cassetes, algumas delas já passadas para minidiscs, onde o m ainda era o m. e depois há sempre os programas que por uma razão ou por outra acabam por ficar na memória, mesmo sem suporte físico. (lembrei-me agora..... era só eu que me irritava (e ainda irrito!) com o facto das cassetes só terem 90 minutos e os programas serem de duas horas?)
enfim....... isto tudo para dizer à mónica que continuo a acreditar que o m voltará à sua versão integral-original, what goes around comes around, mas que enquanto isso não acontece vou estar atenta às sugestões do mmmusicas! what took you so long, m&m?


fica tudo em http://mmmusicas.blogspot.com (neste computador não consigo pôr links...)
ainda fase de testes mas já online, check it out!

domingo, agosto 29, 2004

porque hoje é domingo....

....... mas não me parece domingo e a roupa já está ao sol no estendal. é muito bom sinal. depois de várias e afincadas buscas consegui deitar a mão ao álbum novo dos trashcan sinatras - weighlifting. "all the dark horses" parece-me neste momento uma canção perfeita. mais um bom exemplo de tangueta no seu melhor. talvez lá para o fim do dia consiga desligar o repeat e ouvir o resto do disco. por agora não preciso de mais nada. lá fora, ao sol , vai soar ainda melhor.


Orelhas de Burro:


remember me

há semanas que ando a ouvir esta música dos zutons várias vezes ao dia. a melodia faz-me lembrar qualquer coisa que não há meio de conseguir identificar, mas que me é tremendamente familiar. confesso que me soava tão bem que nem sequer me tinha dado ainda ao trabalho de tentar perceber o que estava o david mccabe a cantar. apenas palavras soltas. e o keep the feelin' in do refrão. era o suficiente. mas agora, não sei por que carga d'água, dei por mim a prestar atenção à história desde o início e acabei por ficar para ouvir até ao fim, apesar do adiantado da hora e de já ter aberto oficialmente mais uma sessão nocturna de comentários absolutamente desnecessários e que se tudo correr amanhã já ninguém se lembra! pelo menos até à próxima passagem pelo bairro alto...... por hoje chega..... onde é que eu ia? percebi que este remember me dos zutons tem uma daquelas letras que já todos escrevemos pelo menos mentalmente, talvez de uma maneira um bocadinho mais desorganizada, mas de certeza até mais do que uma vez. e visto assim de fora parece tudo tão simples. agora é tudo tão simples. imagino o tempo que se terá passado entre a constatação dos primeiros versos e o doce fair-play expresso naquela última quadra.
e imagino os dias que vou andar a acordar com esta cena na cabeça, já está entranhado....

Orelhas de Burro:

Well we used to be the best of friends
And we used to hang around
Now I always see you and your new girlfriend
On the sunny side of town
Oh your body is the same and your face ain't changed
But your mind ain't where that's at

You're too busy hugging and a-kissing now
And for you that can't be bad


But I've made a deal with the clouds
Gonna turn that sun into rain

So you forget about your love
Come and see me again


Oh remember me I'm your best friend
And we don't talk no more
So if you're in the neighbourhood
Don't forget to knock on my door


Cause I've got to keep the feeling, keep the feeling in

Now I stand upon your path
And I'm shouting up to you
Won't you come and give me a minute now
There's a message here for you


Me and a couple of old school friends
We're going out to drink
You can come along but leave your girl at home
It'll give you time to think


But you called at the last minute
Said that you were staying in
Well this is not a joke old friend
I'm a-getting sick of this


Oh remember me when she leaves you
And you come and knock on my door
Well I can nurse your broken heart
Cause that's what friends are for


Cause I've got to keep the feeling, keep the feeling in

the zutons - remember me - who killed the zutons?


sexta-feira, agosto 27, 2004

re-audições

mais alguém foi remetido para o lose yourself do eminem depois de ouvir o re-tratamento dos da weasel? aquela batida inicial e que serve e suporte ao resto da música do pac e companhia fez-me recuperar ontem à tarde o hit do 8 mile que levei comigo para todo o lado durante meses no ano passado, e que me despertou em força o interesse por tudo o que o eminem fizera até então. com as dicas - os discos e as revistas - do mariño pus a matéria e a escrita em dia e passei a respeitar um artista que até então para mim não era mais do que um palhaço rico. gosto do single dos da weasel, mas como cada vez que o oiço só me vem à cabeça o lose yourself parece-me fraco........ ao vivo a conversa é outra!


Orelhas de Burro:

as re-definições dos da weasel

a américa aqui tão perto........

tenho fases em que estou mais de um mês sem ir ao cinema. só me apercebo disso quando me começam a falar de filmes cujos títulos não me dizem rigorosamente nada. aí é que sinto que a alienação já foi longe demais. pego no jornal ou no cinecartaz e constato o óbvio - vai ser impossível pôr tudo em dia. como perdi o hábito de seguir os conselhos dos chamados entendidos na matéria acabo por começar por aqueles que, mesmo estando a leste do paraíso, dão mais que falar. aliás, acho que as únicas opiniões cinematográficas que ainda vou lendo são as do jmourinha@blitz, apesar de nas últimas semanas andar a falhar. eu, não o jm. acho-as descontraídas e descomprometidas.

fui ontem ver o fahrenheit 9/11. finalmente. andei a adiar porque já sabia que não ia conseguir sair da sala indiferente a tudo aquilo que é mostrado. não vou sequer comentar o estado da nação, o retrato do senhor presidente a jogar golfe, a caçar, a ler o cabritinho e o raio que o parta, o tão falado ódio de estimação do michael moore pelo bush-estica, as possíveis manipulações. manipulações? até já circula na net um documentário com provas de que o homem afinal não foi à lua.......... truth or dare? adiante.........

é claro que tudo o que é retratado no documentário do moore choca e não é pouco. os chico-espertos vão dizer que não, que com certeza já sabiam de tudo aquilo, que só não vê quem não quer e que só os parvos é que ainda acreditam....... que ainda acreditam e ponto final. sinceramente, fugindo ao óbvio, o que mais me choca no meio daquela pornografia política toda é ver ali explicada por a + b, a fórmula que faz girar todos os nossos mundinhos individuais. todos somos apanhados numa teia igual àquela, todos temos um bush de estimação no escritório, todos temos noção de que esse bush vai tão longe quanto as aranhas quiserem que ele vá. todos já sentimos na pele que dizer não ao bush é alistar-nos na guerra, mesmo que estejamos interessados na paz. soldados da paz? nesta guerra não foram os americanos que nos venderam as armas. trouxemo-las de casa. estamos em desvantagem. em número, não em estratégia. e o problema é que todos temos também a noção que para nos sagrarmos vencedores, para nos libertarmos da teiazinha em que nos atiram areia para os olhos, precisamos de ter a mesma atitude suicida que os árabes que se atiram contra os arranha-céus.

assusta-me pensar que é aquele esquema que faz andar (?) o mundo, mas assusta-me mais pensar que aqueles modos de agir e pensar estão a ser absorvidos pelas grandes e pequenas autoridades do resto mundo, que ao que parece andam a cumpri-los à risca. numa escala mais reduzida, mas andam.

segunda-feira, agosto 23, 2004

...... gotta keep workin'

é importante que comece a pensar em deixar depressa para trás a nostalgia de tudo o que se viveu na semana passada em coura, e que comece a aterrar em lisboa de uma vez por todas. expresso aqui a minha solidariedade para com todos os que tiveram de regressar ao hoje ao trabalho, à rotina dos despertadores, ao trânsito na A5, ao túnel do marquês, às passwords esquecidas, aos pontos que se picam à chegada porque os de saída só interessam às vezes, e demais especiarias que cada empresa oferece aos seus trabalhadores. não cheguei atrasada, foi um bom começo, cheguei antes da marreca, ninguém me chateou a cabeça. de resto... soube bem reencontrar o "grupo" e ver que o espírito continua o mesmo. o convívio durante o almoço nas "tias" ajudou a aguentar a tarde. é disto que vou sentir falta..........

ah! já disse que não curto a marreca? não suporto marrecas com pose de estrela, vedetas, pequenas autoridades, birras de gente grande (ou será pequena?), umbigos demasiado grandes e mal cicatrizados, queixinhas com ou sem fundamento, "amizades" ocasionais. e já disse que a marreca também não me curte? sou mal educada, mal comportada e não tenho consideração por ninguém. e agora além de tudo o mais sou invisível. cool.


Orelhas de Burro:

mais mp3 ao acaso, agora a versão do jason mraz para o viciante i melt with you

domingo, agosto 22, 2004

saudações sul norte

esta cena toda alucinada criada à volta de paredes de coura '04 não ficaria completa se não enviasse neste momento saudações sentidas ao pessoal do nuorte que encontrei, reencontrei, o que quer que seja, são todos da mesma "família", somos todos da mesma "família: cristina doutora - nice talking to you, bora a austin :)!; luís (que convictamente decidi chamar de pedro, lol, ainda não sei bem a que propósito) - see you soon; álvaro duke do norte, que por entre grande agitação e euforia rock n' roll ainda me conseguiu gritar ao ouvido um simpático welcome to the club a meio da zig zag session - duvido que te lembres, lol, mas na altura fez-me sentir em casa. e michael, não és do norte, mas fazes parte da banda, nice talking to you too, acabou por valer a pena andar a fugir aos seguranças, lol. aguardo triplex news pós-setembro!

nunca liguei muito ao que se diz sobre as pessoas do norte serem mais isto e mais aquilo e os lisboetas mais assim e mais assado porque as diferenças sinceramente nunca me tinha tocado tão a quente como nestes dias. a diferença norte-sul foi demasiado óbvia, e contra mim falo que sou de lisboa de alma e coração, anti-social - diz que sim, diz que sim - por natureza, ainda que com tendência para sofrer de alguns ataques súbitos de extrema sociabilidade. e é tudo tão mais fácil assim.

ainda não sei o que foi, talvez o conjunto de todas as boas coincidências, (re)encontros inesperados, desencontros planeados, mas este festival teve qualquer coisa a mais que os outros em que estive. não sei se é o tal ambiente de coura de que se fala e se é assim todos os anos, mas nunca saí do sudoeste, nem de vilar de mouros com a mesma sensação de saudades antecipadas com que saí ontem do local e que me fizeram passar a primeira hora da viagem de regresso em silêncio. ninguém queria regressar, ninguém queria parar para as obrigatórias despedidas. foi um festival e tanto.