too late, but never too late to write. faz amanhã uma semana que josh rouse chegou a londres, ido de espanha sem parar em portugal, para dois concertos de lotação esgotada. o Burro é suspeito para falar - do concerto, não da escala que não foi feita por aqui - sobre o assunto ou não fosse consumidor ávido de tudo o que tem a assinatura josh rouse. ainda assim, há que reconhecer que um álbum como 1972, cheio de pormenores devidamente colocados aqui e ali de modo a recriar o ambiente "datado" que se pretendia, não tem metade da força quando tocado apenas à guitarra acústica. duas guitarras acústicas aliás, uma para josh rouse outra para daniel tashian.
sem teclas, sem bateria, sem baixo, sem flautas, sem saxofones, sem backing vocals, sem a passagem de ida até 72 paga pelo disco, a dupla rouse-tashian apresentou 1972 de uma nova perpectiva. de uma perspectiva intemporal, capaz de se chamar não 1972, mas sim sunshine ou light therapy.
light therapy é melhor, decididamente, já que de alguma maneira há que homenagear a canção, uma vez que foi das que mais sacrificadas saíu da operação acústica... nem sequer a linha de baixo..... e logo o maior vício do Burro....... por ser perfeita às orelhas do Burro, continuará a soar melhor em disco até uma próxima oportunidade.
em compensação, ficou provado que o
love vibration soa bem de qq maneira, mas ao vivo faz muito mais sentido sobretudo quando se vê o efeito positivo instantâneo que a música surte no público. sorrisos para todos os lados. uma espécie de hipnose colectiva de felicidade, seja lá o que isso for. ficou provado também que o
slaveship, apesar de soar ao Burro um pouco repetitivo em disco, porta-se muito melhor ao vivo e em acústico. desaparece metade da confusão sonora que por vezes cria uma certa implicância nas orelhas cá do estábulo, e o acompanhamento das palmas e as backing vocals são instintivamente asseguradas pelo público. um público participativo e entusiasta, dos 16 aos 60, que acabou por salvar ao vivo alguns dos pormenores mais importantes do disco, criando com uma brincadeira o melhor momento do concerto.
sparrows of birmingham já de si é uma das melhores canções de 1972. a melodia, o timbre limpo mais limpo não há de josh rouse, a força carregada na frase oh god was watching over you, o desconcerto arrepiante que se faz sentir quando josh rouse entoa simplesmente
úúúúúúúúúúú....... não era preciso mais nada. não eram precisas palavras. quem conhece a versão disco sabe que a canção abre em canto gospel, uma preciosidade que volta a ser recuperada quase no final da canção. james nixon é o nome do preacher, que à semelhança dos saxofones, do baixo, das flautas, etc, tb não esteve em palco. estiveram felizmente dois dos companheiros de concerto do Burro, conhecidos no local, tb fãs de longa data do artista, que a tempo e horas decidiram vestir a batina e fazer as vezes de preacher do bush hall.
para grande supresa de todos, sobretudo de josh rouse, que perdeu inclusivamente por momentos o fio à meada da canção, a dupla masculina que optou por manter o anonimato, projectou a voz de maneira a fazer-se da primeira fila para o resto da sala, salvando o misticismo da versão original do tema de estúdio. crente ou não, o certo é que o resto do público entrou na missa, e josh rouse, por entre sorrisos abertos de teve de parar por alguns segundos. o espanto deve tê-lo feito procurar na sala por james nixon. e pouco depois a recompensa...... a pedido do público siga para
late night conversation. fora do alinhamento inicialmente previsto, talvez por isso o único sem a prestação de daniel tashian, mas encaixado na perfeição. como qualquer outra que josh rouse cantasse. já não se fazem timbres vocais como aquele, que em
rise esteve na sua melhor forma, fazendo do tema um dos que mais beneficiou da mesma operação acústica. lindo.
7 Março 2004
Orelhas de Burro: