sexta-feira, setembro 24, 2004

brookville from heaven

disse à luísa que estava a pôr a música em dia. levantei-me cedo e fui ouvir música com ouvidos de ouvir, coisa que esta semana recomecei a fazer depois de alguns meses de abstinência, em que andei a ouvir discos mais para me abstrair do resto do que para os interiorizar. já me tinha esquecido como é calmante estar horas a ouvir o mesmo disco, sem ter de pensar no passar do tempo. a luísa pediu-me que lhe enviasse uma música por messenger. uma qualquer. "sample from heaven" era o que estava a ouvir na altura, eu e os vizinhos do lado, suponho. faz-lhes bem que também levo diariamente com doses industriais de coisas que não lembram ao menino jesus, mas que por alguma razão lembram, por exemplo, à rádio cidade, por aí.

sample from heaven é, se não o melhor, um dos melhores momentos do álbum que apresenta andy "ivy" chase a solo, e que se chama wonderfully nothing. a faixa 8, "summer parade" é muito mais imediata, tangueta perfeita, daquelas que à primeira audição me fez parar tudo e ouvir até ao fim sem me mexer para não perder o nome. estava a passar no mq3. por acaso acho que até perdi.... o michael disse-me depois que era uma cena chamada brookville. finalmente consegui comprar o disco, com os cumprimentos da hmv oxford picadilly circus, mas na altura à falta de melhor, saquei-o do soulseek, e descobri depois que aquela cena instrumental do saxofone, perdão, trompete do eric matthews que tinha passado nos bons rapazes era do mesmo disco. era esse tal "sample from heaven". ouvida à tarde nem parecia a mesma música. assim como o "summer parade" é para ouvir de dia, ao sol, o "sample from heaven" vive em ambientes escuros. está um calor insuportável lá fora e o sol ainda não passou para o outro lado.... baixei os estores, pus o som mais alto, como se assim a luísa conseguisse ouvir melhor a música enquanto a transferência estava a ser feita. ou isso ou era que estava (estou?) em delírio. se o i, lucifer é um discos dos diabos, este wonderfully nothing é um disco caído do céu.


Orelhas de Burro:


quinta-feira, setembro 23, 2004

visit me in music city

não, não vou bazar outra vez lol - ou se calhar até vou but not for long - talvez daqui a uns meses........ in a melancholic mood morning sabe bem ouvir música fora do tom. condiz com o estado de espírito, e de qualquer maneira as harmónicas estão lá, o resto não interessa, os coros fazem o resto e quando se tem histórias para contar tudo o mais desaparece, o tempo passa a correr. o próprio bobby bare, jr sabe que volta não volta sai da escala, who cares?, mesmo as melhores canções não se querem perfeitas. "from the end of your leash" é o nome do álbum da bobby bare jr's young criminals' starvation league - lol - onde vem arrumada a canção "visit me in music city". entre a vasta lista de criminosos convidados está o nome de will oldham.
para ouvir, para ler, as histórias são muitas, o humor é refinadíssimo, não obriga ninguém a bater palmas nem a levantar-se para rir.


it was easy growing up for me in nashville
music city has always been good to me
there's room for you and your cowboy boots (....)
you don't even have to sing on the key
computers can fix it all in nashville, tennessee


Orelhas de Burro:


branco mais branco......

ainda a propósito da reflexão living by numbers, fiquei ontem a saber numa aula de públicos e audiências que em 2002, em portugal, os investimentos publicitários na comunicação social somaram estes números:

tv - 1502 milhões de euros
imprensa - 558 milhões de euros
rádio - 169 milhões de euros

a quantia investida nos outdoors não foi divulgada, mas foi revelado que o investimento foi superior ao da rádio. porquê? há mais gente a passar de carro pelos outdoors do que a ouvir rádio. e embora me apetecesse, não vou entrar novamente por esta questão. abram os olhos e organizem-se. ninguém se safa eternamente a copiar o trabalho dos outros. nem na escola isso resulta, quanto mais num mundo de sete cães a um osso. e depois copiar de um que por sua vez também já tinha copiado de outro........... é como diz o perfume - inovate!

terça-feira, setembro 21, 2004

another zig zag session






nunca tinha estado no triplex, mas os comentários das z nites a nuorte sempre foram do melhor e a reacção do "público" nortenho, segundo diziam os próprios z boys, não era de longe nem de perto parecida com a nossa cá em lisboa aquando das tão bem sucedidas e inexplicavelmente interrompidas passagens pelo lux. lá em cima as coisas aquecem mais, em temperatura também, que é o lado mau. no sábado passado às tantas já não se respirava dentro do triplex e já ninguém sabia o que fazer à roupa. as janelas fechadas por causa do barulho, o jardim era pequeno para tanta gente e assim como assim era lá dentro que a música estava em força. com algumas pausas - muito poucas - para recuperar o fôlego e sobretudo para refrescar - dentro do possível - aguentou-se muito bem até de manhã (afinal o ananás foi mais do que suficiente lol), eram 7h quando abandonámos o recinto, elvis para o final, e apetecia mais. não houve, foi pena, os killers ficaram em lista de espera, talvez para a próxima. e agora que o cansaço está mais do que ultrapassado, já mais a frio e quase sem nostalgia ficam novos momentos, novas memórias, associadas às músicas que se começam a ouvir habitualmente nestas sessões. como aquela imagem que ainda guardo do delírio instantâneo de um grupo de rapazes que dançava ao meu lado no lux quando ouviu a entrada do dance to the underground. agora são muitas mais. não no lux, mas em coura ou agora no triplex, e mais haverá em sta maria da feira. take me out, slow hands, party crashers, changes are no good, first of the gang to die, enter sandman, killing in the name of, slaveship, são tantas...... e as imagens variam de sessão para sessão independentemente do gang se ir mantendo. não é a mesma coisa, claro que não, mas há músicas que resultam tão bem na altura e em sequência, que a reacção pós dj set acaba por ser tão forte como quando se sai de um concerto ganho. mas em vez de se visualizar a banda em palco quando se recupera o momento, recorda-se quem estava à volta também em delírio e a emoção nos olhos de quem está no comando dos pratos. zig e zag. cheers!

my dog for a day

o karuna é o cão da doutora. é um rafeiro lindo, branco, manchado, com uns olhos tão doces que só apetece levar para casa. ela levou-o. eu se pudesse trazia-o. a meio da viagem porto-lisboa deram-me as saudades. não tenho cão em casa, nunca tive, é a história dos apartamentos, mas sempre tive boas relações com os cães dos amigos e da vizinhança. e aquela cena dos cães abandonados escolherem eles próprios novos donos é mesmo verdade. há uns quantos anos houve um rafeiro cor de mel que todos os dias me seguia da escola até casa, chegou inclusivamente a mudar-se para algés. e chegou a tornar-se incómodo porque sempre que eu saía de casa a pé ele ia atrás. a única coisa que pude fazer foi passeá-lo pelas ruas de algés e dar-lhe comida. soube que foi atropelado meses mais tarde, nunca mais o vi.

fiquei em casa da doutora durante este fim de Zemana, que gentilmente cedeu as chaves de casa e fez de motorista sempre que necessário. percebi que não há volta a dar.... dê por onde der hei-de ter condições para ter um cão em casa. o karuna é um cão de bom gosto e muito evoluído - é fã do josh rouse é não é preciso dizer mais nada. cantei-lhe o feeling no pain e ele adormeceu. diga-se de passagem que o passeio de hora e meia que deu minutos antes também poderá ter ajudado, mas quem o conhece sabe que não é qualquer caminhadazita que o deita abaixo. pensam que ele é algum molengas, não? é um atleta.

na manhã de domingo pós zig zag session enquanto tudo dormia - não sei porquê! lol - demos dois belíssimos passeios pelas redondezas ali junto à praia em matosinhos, que prometi às doutoras repetir assim que possível e sempre que necessário!

porto capital do sorriso

estava a evitar escrever sobre o fim de semana passado. acho que já todos comprovámos por experiência própria que quanto melhores são os fins de semana, mais difíceis são as segundas-feiras. quanto melhores são as férias, mais difícil é o regresso ao activo. e não há pior do que continuar a pensar em como se estava tão bem lá onde fosse........ esta segunda-feira que passou anunciava-se complicadíssima já há muito, mas fiz por não pensar muito no assunto, que é uma coisa já começo a conseguir controlar..... digo eu. estive no porto sábado e domingo para ver mais uma sessão zig zag warriors desta feita no triplex. em estreia absoluta... no triplex e no porto. passagens fugazes não contam. vergonhoso. e não é que desta vez tenha visto tudo o queria, lá me escapou o museu de serralves - e não é que no domingo não tenha acordado a tempo lol -, mas já deu para ter ficado com uma ideia geral da cidade, coisa que não tinha de todo, apenas imagens soltas de telejornal. as palavras que ficam são disponibilidade e simpatia.

a francesinha caíu-me mal, é verdade, tenho estômago fraco para chouriços, eu é mais rissóis e saladas de frango portanto não admira, mas sinceramente nem me lembrei disso até ter começado a sentir o estômago às voltas ao fim da tarde. em compensação, o café do majestic soube-me a pouco e acrescente-se que eu para além de estar proibida de beber café nem sequer gosto muito do sabor, por isso nunca bebo. já diz o ditado que não há regra sem senão e sábado foi dia de festa. em vez de um foram dois e o speed deu-me até domingo à noite lol, só adormeci à chegada a lisboa e foi graças ao efeito entediante que os relatos de futebol têm em mim. o miguel quis ouvir o benfica, ele é que ia ao volante portanto, como diz a vanessa, é aguentar e cara alegre! neste caso, foi mais cara de sono. lembro-me de ter pensado que ia só fechar os olhos um bocadinho. quando o miguel me acordou já estávamos a chegar ao parque das nações........ veja-se o lado positivo: safei-me de ouvir o ribeirinho a stressar com as ameaças de golo. nem sei como ficou o resultado....... se fosse o valdemar ainda dava o desconto, mas assim........

the real tuesday weld

agora sim, começo a digerir as receitas do último grande investimento que fiz...... discos, novos, a estrear, na maioria completas surpresas, até agora só um tiro ao lado, mas ainda nem cheguei a meio da viagem. neste acertei em cheio - i, lucifer by the real tuesday weld, o nome artístico de stephen coates - singer/songwriter britânico e homem dos sete instrumentos. inspirado no conto do diabo do glen duncan com o mesmo nome, i lucifer é ele também um disco dos diabos. tangueta, electrónica, jazz, cartoon a preto e branco, outros tempos de que já não há memória porque não chegámos a tempo de dos ver.... tudo isto e o que mais a imaginação quiser. é só dar a devida atenção.


Orelhas de Burro:


the grim northern social

urban pressure é como se chama o primeiro single, que é também a música que abre de forma poderosa o álbum de estreia dos escoceses the grim northern social. ouvi a música uma vez e foi suficiente. andei doente quase uma semana por não ter maneira de voltar a ouvi-la, no soulseek na altura nem sinal........ alguns dias depois lá apareceu, com uma espera de algumas centenas de interessados, mas apareceu. passei dois dias a tirar a barriga de misérias, em repeat mode. aquela entrada guitarrística, o balanço constante, a explosão no primeiro take a ride, e depois nos seguintes, a melodia que embala, para depois voltar ao balanço inicial. é complicadíssimo passar à faixa 2. gonna take a short vacation, meet me at the petro station, drive with me into temptation............. TAKE THE RIDE of your life in my house.......... também fez sucesso entre os bons rapazes no domingo passado, é sempre bom sinal, aqui no estábulo continua em alta porque o resto do álbum também não é nada de se deitar fora. o balanço é contínuo e aquela guitarra fica para jantar. são os ares da escócia. talvez numa próxima oportunidade lol..........

if urban pressure gets the better of you, have no fear
if urban pressure gets the better of you, disappear
disappear!

Orelhas de Burro:


segunda-feira, setembro 20, 2004

perguntas difíceis

hoje à tarde bloqueei. regressei finalmente à faculdade, e na primeira aula que tive, eram 17h, o senhor professor, depois de me perguntar o que estava ali a fazer (já tive uma cadeira com ele, despachada a 10 em exame, portanto ele presumiu que já tivesse feito as restantes cadeiras que lecciona), contextualizou-me acerca do que se passara na aula anterior e escreveu no quadro:

1. o que é (hoje) o jornalismo?
2. qual o papel do jornalista?
3. porque quero ser jornalista?

foi na terceira que bloqueei. as outras respostas ensinam-nos o que responder noutras cadeiras ao longo do curso, mas aquela terceira não tem regras. e nesta altura do campeonato...... expliquei antes por que (já não) quero ser jornalista.


Orelhas de Burro:

first of the gang to die, e a corrida (neste momento, apenas mental) da ala feminina da claque zig zag do jardim do triplex em direcção à pista. uma ala mto despachada e "pespescaz", porque ainda chegámos a tempo dos versos inicias!

living by numbers

é preciso chegar a lisboa para começar outra vez a encher a cabeça com estas cenas...... nada de novo, nada que não me tivessem já prevenido, nada de estranhar, diziam-me hoje. eu estranho. e tanto estranho que não consegui evitar escrever este post em vez do que me estava realmente a apetecer, que era falar do fim de semana a nuorte...... fica para amanhã.

isto está tudo num estado que quando mais se sabe menos se quer saber. e depois a culpa nunca é de ninguém, ou pelo menos nunca é daqueles com quem falamos, that's a fact. ordens são ordens. "o meio da música em portugal é muito pequeno", ainda nem eu sabia o que era o "meio" (nem posso com o conceito....) e já ouvia dizer isso. "melhor", pensava eu, "então é fácil entrar". não foi, não é e acho que nunca virá a ser. e a questão neste momento é quem é que quer entrar? a não ser...... não vale a pena dizer mais nada........ todas as embalagens trazem uma consciência. como em todos os produtos a qualidade não é a mesma em todos os casos. depois culpem a crise. se calhar afinal até há um culpado. já nem eu acredito. se não fosse a crise era outra coisa. mas nunca há dinheiro. estamos em permanente contenção de despesas no sector dos ordenados 500-800 euros. todos os anos a mesma cantiga - para o ano é que é, vá lá anime-se, perceba a situação da empresa, ponha-se no lugar do chefe que nem dorme à noite a pensar como vai conservar os vossos empregos, e agora vá lá trabalhar e não se esquça de fazer um esforço extra que no final do ano há avaliações! por outro lado, a partir da fasquia dos 1000 é um ver se te avias - telemóveis, almoços, férias, prémios, mais uns trocos pela porta do cavalo e a coisa compõe-se! preciso de mudar de sector. ou melhor, de arranjar um sector.

as coisas já chegaram a um ponto que uma pessoa chega a pagar para trabalhar, e mesmo assim as coisas não avançam. estou desiludida. estou em vias de constatar que neste momento não há mesmo espaço escrito em portugal para poder contar o que andam os stills e os elefant a fazer em palco pela europa fora, logo ali ao lado. o álvaro é que tem razão - esta cena dos blogs tem mesmo de começar a ser levada mais a sério. saudações à rapaziada de domingo à noite, é nestas alturas que tenho mesmo pena de não conseguir tirar pleno partido das oportunidades que me andam a dar.

Orelhas de Burro:

changes are no good, e a recuerdo do delírio @ triplex acentuado pelas recentes memories britânicas, como se apercebeu a doutora, também ela em delírio mesmo à minha frente na altura!

the end has no end

a saga do computador está terminada. até ver........ depois de resolvido (mais ou menos) o mistério dos sucessivos restarts, das várias deslocações a carcavelos e das quase duas horas de ligação de um sem número de fios que eu nem sabia de onde vinham nem para onde iam (temos muito em comum) sou neste momento um burro orgulhoso de sua obra, com ligação netcabo. sem curtos-circuitos, sem vírus e, muito importante, com muita música para ouvir e, por enquanto, pouca para sacar.


Orelhas de Burro:

slow hands by interpol, em loop e apenas em album version, os bons rapazes passam mais duas, uma do spoon britt daniels e a outra não me consigo lembrar......

sexta-feira, setembro 17, 2004

firecraker e outras harmonicas

a filipa ofereceu-me uma harmónica. chegou ontem por correio verde, em estreia absoluta da, ao que parece, mais prática invenção dos correios dos últimos tempos. diz ela que me queria fazer uma surpresa, mas eu não deixei, confirma-se. sou curiosa, muito mesmo, pelo que era certo que não a ia deixar desligar o telefone sem que antes me dissesse o que é que me queria enviar. tenho um fascínio absoluto pelo som da harmónica, chega a ser hipnotizante, mas não sei porquê nunca me deu para investir numa carreira paralela nesse campo. não sei tocar nenhum instrumento musical, tive flauta na escola primária como toda a gente e não gostava por aí além. detestava que na terceira classe nos fizessem tocar a toda a hora nas aulas de música. lembro-me perfeitamente de como em forma de protesto silencioso no dia da festa de final de ano em que toda a turma deveria tocar a peça em uníssono me "esqueci" da flauta em casa...... e não fui só eu. acho que ainda hoje muitas daquelas crianças da colheita de 1979 estão traumatizadas com o bolero de ravel. a filipa (outra filipa, a teles, grande amiga de infância com quem diariamente constato que esta história de cada vez falarmos mais de coisas passadas não pode ser muito bom sinal lol) pelo menos tb não gosta do bolero. temos também um trauma com uma música dos dire straits, de outra festa, que partilharei noutra oportunidade......

vou aprender a tocar harmónica, já percebi que não tenho muito jeito para o improviso, e estou determinada a conseguir tocar o "firecracker" do ryan adams - aquela entrada é um vício - o quanto antes. o deadline era o próximo sábado. o gonçálio já a toca na guitarra e eu comprometi-me a desenrascar-me com a harmónica com o auxílio da internet. tenho uma semana lol, e estou longe de descobrir qual o tom em que começa a música, quanto mais o resto..... e quem vai cantar? o concerto está para breve - para superar a madonna (que eu não cheguei a tempo de ver) só mesmo um show destes! escusado será dizer que é só para convidados lol, vou ligar ao ryan!

thanks filipa!

o delírio da tangueta

o mário chamou-lhe tangueta depreciativamente. o gonçálio achou piada, não só ao termo, mas sobretudo à minha indignação e à discussão que se gerou à volta do assunto. adoptou-o também. se não os podes vencer junta-te a eles, fiz o mesmo, e a partir de então qualquer música por mim sugerida era à partida considerada tangueta, mesmo sem audição prévia. a mala onde habitualmente levava os discos que não conseguia deixar em casa foi inclusivamente baptizada de maleta da tangueta. nem sei porque estou a dizer estas coisas nesta altura do campeonato........ acho que já é das saudades...... sinto a falta que me piquem acerca do assunto só porque sabem que vou reagir, dar luta, tentar defender e explicar que a tangueta é uma arte! :) às vezes resulta, mesmo que os resultados só sejam visíveis a longo prazo. outras acaba por ser apenas mais uma forma de passar tempo.
quando resulta é compensador.

converti o gonças à tangueta. enquanto trabalhámos juntos havia "batalhas" diárias de tangueta vs electrónicas. e convém não esquecer o rock javardo ou o cobra rock com que o mário apagava qualquer sonoridade alheia. já deviam ser os hives na altura! :) hoje já não estamos numa de converter ninguém, acho não minto quando digo que estamos todos mais interessados em saber o que andam os outros a ouvir. mas é claro que gostei muito do gonçálio me ter pedido no outro dia que lhe arranjasse urgentemente novas tanguetas, porque já estava a sentir a falta. também não se pode ouvir só josh rouse todos os dias. nem eu aguento! mas deixa lá gonçálio, que no sábado já tá prometido que levo um carregamento de novas colectâneas-tangueta para a janta!

always better on holiday

o estábulo continua netless......... acho que nunca tinha demorado tanto tempo.... o computador continua fora...... vou tirando partido do renovado sistema informático da santa casa de aprendizagem empacotada e instantânea onde agora me movimento a tempo inteiro.... ou melhor, onde a partir de segunda me movimentarei a tempo inteiro, pelo menos farei por isso, sem no entanto prometer nada de muito exaustivo....
acaba por ser positivo nao ter computador (temporariamente) em casa porque sobra mais tempo para o resto. o que é o resto não interessa, interessa sim que sobra tempo. e aí outra vez se calhar sobrar não é a palavra certa, porque o tempo já deixou de sobrar há muito tempo. quando se olha para o relógio - desde há muito que deixou de estar no pulso para estar no canto inferior direito do écran ou do telemóvel - são duas da manhã e já não se consegue pensar em mais nada se não no facto de haver um despertador programado para tocar quatro ou cinco horas depois........... não me posso queixar, ainda estou com espírito de férias, e a fazer vida de café, com horários trocados mas já em fase de lenta adaptação...... mais mental que outra coisa.... segunda-feira é a doer, há que encarar a situação com a frieza possível - apesar da nova vaga de calor que se faz sentir, o outono está aí há porta e isso é sinal que as férias acabaram. para o natal há mais!

sábado, setembro 11, 2004

terapia de voo

aos que vivem habituamente em violentos ciclos de altos e baixos, mais acentuados do que o costume, porque de altos e baixos nem o papa se safa, aconselho vivamente a que, se for caso disso, larguem as psico-terapias e invistam o dinheiro que nisso investem de alma e coracao em viagens regulares. mesmo que por tres ou quatro dias, o efeito eh instantaneo e permananece por muito mais tempo. se a pratica for mantida com regularidade tanto melhor. o problema sao efeitos secundarios: a experiencia pode tornar-se viciante, e depois nao havendo dinheiro para continuar o "tratamento" sai pior a emenda que o soneto, porque a necessidade de deslocacao pode tornanar-se obsessiva.


Orelhas de Burro:

ainda os elefant, que se anteciparam aos stills numa feliz coincidencia

quinta-feira, setembro 09, 2004

presente!

eu ia ver os libertines, os velvet revolver e a madonna, mas já não vou...... vou bazar, vim picar o ponto pelos vários dias de ausência, mostrar que ainda há vida no estábulo apesar do silêncio........ não há é internet, há vírus maléficos! talvez para a semana esteja tudo a postos. vou passear, arejar as ideias, aprender mais qualquer coisa, esquecer outras tantas e dar início a uma nova etapa com o pé direito!

bons concertos a todos, se for o caso!


Orelhas de Burro:

the stills até terça-feira

quinta-feira, setembro 02, 2004

o M está de volta..... em blog!

o M foi um dos programas da antena 3 que me fez apanhar o vício da rádio. e quando digo vício é mesmo vício, quem passou pelo mesmo com este ou outros programas sabe de certeza o que é organizar a vida de modo a estar (quase) sempre disponível no sábado ou no domingo ou quando quer que seja às tantas horas para ouvir o programa x. não é fácil, falo por mim, que senti muitas vezes na pele a dificuldade de uma missão impossível ao tentar explicar a quem não partilha da mesma dependência o porquê que não poder estar aqui ou ali às tantas horas nesse dia porque queria ouvir um programa de rádio. visto agora de fora sinceramente até consigo perceber a posição dos outros. continuo a fazer por organizar a minha vida deixando tempo para ouvir este e aquele programas sempre que posso, até porque são cada vez menos os que me interessam ouvir, mas falando bem e depressa já não deixo de fazer isto ou aquilo por causa da rádio. tudo muda, não é assim que diz o slogan da estação que afinal não mudou nada? vendo bem as coisas e ironicamente foi a própria rádio que me fez perder o vício da rádio. nunca o da música, mas o da rádio. acho que não preciso de explicar a ironia..... tudo o que sempre me levou a ouvir determinados programas foi o cunho pessoal de cada um deles. eu não ouvia os programas, nem a música..... ou melhor, ouvia-os sim, mas´em primeiro lugar ouvia (e oiço) as pessoas e confiava cegamente nas sugestões que enviavam via rádio.
de volta ao m....... deixei de ouvir a mónica, pois deixei, partiram-na aos bocadinhos, sim a ela, porque ela era o m e o m era ela. felizmente nos tempos em que o vício estava mais aceso gravei cassetes atrás de cassetes, algumas delas já passadas para minidiscs, onde o m ainda era o m. e depois há sempre os programas que por uma razão ou por outra acabam por ficar na memória, mesmo sem suporte físico. (lembrei-me agora..... era só eu que me irritava (e ainda irrito!) com o facto das cassetes só terem 90 minutos e os programas serem de duas horas?)
enfim....... isto tudo para dizer à mónica que continuo a acreditar que o m voltará à sua versão integral-original, what goes around comes around, mas que enquanto isso não acontece vou estar atenta às sugestões do mmmusicas! what took you so long, m&m?


fica tudo em http://mmmusicas.blogspot.com (neste computador não consigo pôr links...)
ainda fase de testes mas já online, check it out!

domingo, agosto 29, 2004

porque hoje é domingo....

....... mas não me parece domingo e a roupa já está ao sol no estendal. é muito bom sinal. depois de várias e afincadas buscas consegui deitar a mão ao álbum novo dos trashcan sinatras - weighlifting. "all the dark horses" parece-me neste momento uma canção perfeita. mais um bom exemplo de tangueta no seu melhor. talvez lá para o fim do dia consiga desligar o repeat e ouvir o resto do disco. por agora não preciso de mais nada. lá fora, ao sol , vai soar ainda melhor.


Orelhas de Burro:


remember me

há semanas que ando a ouvir esta música dos zutons várias vezes ao dia. a melodia faz-me lembrar qualquer coisa que não há meio de conseguir identificar, mas que me é tremendamente familiar. confesso que me soava tão bem que nem sequer me tinha dado ainda ao trabalho de tentar perceber o que estava o david mccabe a cantar. apenas palavras soltas. e o keep the feelin' in do refrão. era o suficiente. mas agora, não sei por que carga d'água, dei por mim a prestar atenção à história desde o início e acabei por ficar para ouvir até ao fim, apesar do adiantado da hora e de já ter aberto oficialmente mais uma sessão nocturna de comentários absolutamente desnecessários e que se tudo correr amanhã já ninguém se lembra! pelo menos até à próxima passagem pelo bairro alto...... por hoje chega..... onde é que eu ia? percebi que este remember me dos zutons tem uma daquelas letras que já todos escrevemos pelo menos mentalmente, talvez de uma maneira um bocadinho mais desorganizada, mas de certeza até mais do que uma vez. e visto assim de fora parece tudo tão simples. agora é tudo tão simples. imagino o tempo que se terá passado entre a constatação dos primeiros versos e o doce fair-play expresso naquela última quadra.
e imagino os dias que vou andar a acordar com esta cena na cabeça, já está entranhado....

Orelhas de Burro:

Well we used to be the best of friends
And we used to hang around
Now I always see you and your new girlfriend
On the sunny side of town
Oh your body is the same and your face ain't changed
But your mind ain't where that's at

You're too busy hugging and a-kissing now
And for you that can't be bad


But I've made a deal with the clouds
Gonna turn that sun into rain

So you forget about your love
Come and see me again


Oh remember me I'm your best friend
And we don't talk no more
So if you're in the neighbourhood
Don't forget to knock on my door


Cause I've got to keep the feeling, keep the feeling in

Now I stand upon your path
And I'm shouting up to you
Won't you come and give me a minute now
There's a message here for you


Me and a couple of old school friends
We're going out to drink
You can come along but leave your girl at home
It'll give you time to think


But you called at the last minute
Said that you were staying in
Well this is not a joke old friend
I'm a-getting sick of this


Oh remember me when she leaves you
And you come and knock on my door
Well I can nurse your broken heart
Cause that's what friends are for


Cause I've got to keep the feeling, keep the feeling in

the zutons - remember me - who killed the zutons?


sexta-feira, agosto 27, 2004

re-audições

mais alguém foi remetido para o lose yourself do eminem depois de ouvir o re-tratamento dos da weasel? aquela batida inicial e que serve e suporte ao resto da música do pac e companhia fez-me recuperar ontem à tarde o hit do 8 mile que levei comigo para todo o lado durante meses no ano passado, e que me despertou em força o interesse por tudo o que o eminem fizera até então. com as dicas - os discos e as revistas - do mariño pus a matéria e a escrita em dia e passei a respeitar um artista que até então para mim não era mais do que um palhaço rico. gosto do single dos da weasel, mas como cada vez que o oiço só me vem à cabeça o lose yourself parece-me fraco........ ao vivo a conversa é outra!


Orelhas de Burro:

as re-definições dos da weasel

a américa aqui tão perto........

tenho fases em que estou mais de um mês sem ir ao cinema. só me apercebo disso quando me começam a falar de filmes cujos títulos não me dizem rigorosamente nada. aí é que sinto que a alienação já foi longe demais. pego no jornal ou no cinecartaz e constato o óbvio - vai ser impossível pôr tudo em dia. como perdi o hábito de seguir os conselhos dos chamados entendidos na matéria acabo por começar por aqueles que, mesmo estando a leste do paraíso, dão mais que falar. aliás, acho que as únicas opiniões cinematográficas que ainda vou lendo são as do jmourinha@blitz, apesar de nas últimas semanas andar a falhar. eu, não o jm. acho-as descontraídas e descomprometidas.

fui ontem ver o fahrenheit 9/11. finalmente. andei a adiar porque já sabia que não ia conseguir sair da sala indiferente a tudo aquilo que é mostrado. não vou sequer comentar o estado da nação, o retrato do senhor presidente a jogar golfe, a caçar, a ler o cabritinho e o raio que o parta, o tão falado ódio de estimação do michael moore pelo bush-estica, as possíveis manipulações. manipulações? até já circula na net um documentário com provas de que o homem afinal não foi à lua.......... truth or dare? adiante.........

é claro que tudo o que é retratado no documentário do moore choca e não é pouco. os chico-espertos vão dizer que não, que com certeza já sabiam de tudo aquilo, que só não vê quem não quer e que só os parvos é que ainda acreditam....... que ainda acreditam e ponto final. sinceramente, fugindo ao óbvio, o que mais me choca no meio daquela pornografia política toda é ver ali explicada por a + b, a fórmula que faz girar todos os nossos mundinhos individuais. todos somos apanhados numa teia igual àquela, todos temos um bush de estimação no escritório, todos temos noção de que esse bush vai tão longe quanto as aranhas quiserem que ele vá. todos já sentimos na pele que dizer não ao bush é alistar-nos na guerra, mesmo que estejamos interessados na paz. soldados da paz? nesta guerra não foram os americanos que nos venderam as armas. trouxemo-las de casa. estamos em desvantagem. em número, não em estratégia. e o problema é que todos temos também a noção que para nos sagrarmos vencedores, para nos libertarmos da teiazinha em que nos atiram areia para os olhos, precisamos de ter a mesma atitude suicida que os árabes que se atiram contra os arranha-céus.

assusta-me pensar que é aquele esquema que faz andar (?) o mundo, mas assusta-me mais pensar que aqueles modos de agir e pensar estão a ser absorvidos pelas grandes e pequenas autoridades do resto mundo, que ao que parece andam a cumpri-los à risca. numa escala mais reduzida, mas andam.

segunda-feira, agosto 23, 2004

...... gotta keep workin'

é importante que comece a pensar em deixar depressa para trás a nostalgia de tudo o que se viveu na semana passada em coura, e que comece a aterrar em lisboa de uma vez por todas. expresso aqui a minha solidariedade para com todos os que tiveram de regressar ao hoje ao trabalho, à rotina dos despertadores, ao trânsito na A5, ao túnel do marquês, às passwords esquecidas, aos pontos que se picam à chegada porque os de saída só interessam às vezes, e demais especiarias que cada empresa oferece aos seus trabalhadores. não cheguei atrasada, foi um bom começo, cheguei antes da marreca, ninguém me chateou a cabeça. de resto... soube bem reencontrar o "grupo" e ver que o espírito continua o mesmo. o convívio durante o almoço nas "tias" ajudou a aguentar a tarde. é disto que vou sentir falta..........

ah! já disse que não curto a marreca? não suporto marrecas com pose de estrela, vedetas, pequenas autoridades, birras de gente grande (ou será pequena?), umbigos demasiado grandes e mal cicatrizados, queixinhas com ou sem fundamento, "amizades" ocasionais. e já disse que a marreca também não me curte? sou mal educada, mal comportada e não tenho consideração por ninguém. e agora além de tudo o mais sou invisível. cool.


Orelhas de Burro:

mais mp3 ao acaso, agora a versão do jason mraz para o viciante i melt with you

domingo, agosto 22, 2004

saudações sul norte

esta cena toda alucinada criada à volta de paredes de coura '04 não ficaria completa se não enviasse neste momento saudações sentidas ao pessoal do nuorte que encontrei, reencontrei, o que quer que seja, são todos da mesma "família", somos todos da mesma "família: cristina doutora - nice talking to you, bora a austin :)!; luís (que convictamente decidi chamar de pedro, lol, ainda não sei bem a que propósito) - see you soon; álvaro duke do norte, que por entre grande agitação e euforia rock n' roll ainda me conseguiu gritar ao ouvido um simpático welcome to the club a meio da zig zag session - duvido que te lembres, lol, mas na altura fez-me sentir em casa. e michael, não és do norte, mas fazes parte da banda, nice talking to you too, acabou por valer a pena andar a fugir aos seguranças, lol. aguardo triplex news pós-setembro!

nunca liguei muito ao que se diz sobre as pessoas do norte serem mais isto e mais aquilo e os lisboetas mais assim e mais assado porque as diferenças sinceramente nunca me tinha tocado tão a quente como nestes dias. a diferença norte-sul foi demasiado óbvia, e contra mim falo que sou de lisboa de alma e coração, anti-social - diz que sim, diz que sim - por natureza, ainda que com tendência para sofrer de alguns ataques súbitos de extrema sociabilidade. e é tudo tão mais fácil assim.

ainda não sei o que foi, talvez o conjunto de todas as boas coincidências, (re)encontros inesperados, desencontros planeados, mas este festival teve qualquer coisa a mais que os outros em que estive. não sei se é o tal ambiente de coura de que se fala e se é assim todos os anos, mas nunca saí do sudoeste, nem de vilar de mouros com a mesma sensação de saudades antecipadas com que saí ontem do local e que me fizeram passar a primeira hora da viagem de regresso em silêncio. ninguém queria regressar, ninguém queria parar para as obrigatórias despedidas. foi um festival e tanto.

repeat after me.......

fiquei de fazer cópias para o pessoal que chafurdou comigo na lama ao longo destes dias, da banda sonora que gravei na véspera de arrancar para o norte para facilitar a longa jornada ao volante de tão veloz viatura e que acabou por marcar coura '04 extra festival. a música não a velocidade, lol. sempre em andamento e aos zig zags e também em jeito de aquecimento e preparação para o alucinante after-hourz com z, ouviu- se em repeat mode durante a semana passada:

the killers - somebody told me
franz ferdinand - darts of pleasure
the stills - changes are no good
the killers - mr brightside
the postal service - become silhouttes
phoenix - you can blame it on anybody
the stills - lola stars and stripes
elefant - bookie
franz ferdinand - dark of the matinée
mylo - in my arms
felix da housecat - ready to wear
mylo - musclecars
phoenix - everything is everyhting
plej - you
radio 4 - party crashers
n.e.r.d. - she wants to move
postal service - such great heights
elefant - misfit
radio 4 - calling all enthusiasts
the stills - still in love

light therapy à chuva

lendo agora o post anterior, e já depois de ter conseguido dormir qualquer coisa, confirmo o que senti enquanto o escrevia - utilidade zero para quem lê, de resto como mtos dos outros provavelmente, mas mto útil para mim que me deu a clara noção de que a pouca ou nenhuma vontade de escrever que me consumiu em agonia crescente nos últimos meses e me fez (também) pôr em causa mais uma série de coisas que não as minhas crises existenciais "próprias da idade", está ultrapassada. se às seis da manhã não penso em mais nada se não ligar o computador pra escrever nem que seja 3 linhas, i'm back to normal, o que quer que isso seja. a sensação de dependência que me faz pensar apenas que se não as escrever naquele momento, já não as escrevo nem que seja 10 minutos depois porque já não fazem sentido, como aliás nunca fizeram, apenas na minha cabeça. e tenho de as escrever. evita também que me dê para acordar alguém a desoras com telefonemas parvos, com crises parvas que à medida que as horas avançam parecem ganhar cada vez importância, mas que assim que o dia clareia passam, para regressar apenas na insónia seguinte. vai na volta tenho é medo do escuro......... neste momento tenho é medo de ir abrir os sacos que levei para p coura e constatar que trouxe atrás uma data de restos da paisagem natural do local. deve ser mais lama do que roupa........ next stop - washing machine, já ali ao lado a olhar para mim.

zzzzzzzzzzz

a dieta saudável que fiz ontem à base de red bull e snickers para aguentar as 5 horas de viagem coura-lisboa sem pestanejar ainda faz efeito a olhos vistos..... literalmente...... já chega........ preciso de dormir e o ritmo dos batimentos cardíacos não dá hipótese...... deve ter sido por cenas como esta que o senhor doutor me mandou em tempos stay away from the coffee, enquanto me falava em taquicardias quando eu não fazia ideia de tal coisa existisse porque a ansiedade crónica já me tinha estabelecido como normal o ritmo de vida àquela velocidade, com tendência à aumentar quando posta em contacto com as chamadas pessoas "moles", que me parecem cada vez mais...... o problema deve ser meu. no need to worry, diz o senhor doutor com ar satisfeito, "é sinal que tem sangue na guelra". se visse as minhas olheiras neste momento já não achava tudo isto tao saudável, garanto-lhe.


Orelhas de Burro:

a esta hora só os restos sonoros frios do concentrado de som dos últimos dias


sábado, agosto 21, 2004

z boys - o desafio dos guerreiros

repito o que disse ontem (?) ao michael zag quintão na ressaca do after hours dos zig zag warriors - dez minutos depois do arranque zig zag já ninguém sabia onde estava, e o melhor é que nem queria saber, estava-se bem, foi tudo deles até às seis da manhã, mais coisa menos coisa. encerrado o concerto dos brmc - altamente prejudicado por (mais) um dilúvio interminável - o zé zig pedro chamou atraiu as atenções ao palco 2 com os clássicos da geração alcântara-rookie, hoje geraçao paredes de coura, que ainda gosta de saltar ao som dos prodigy, metallica, nirvana, rage against the machine e uma data de outros sons que em alturas como estas trazem ao de cima a nostalgia de outros tempos de rock n' roll. a mesma geração hoje quer os strokes, white stripes, radio 4, franz ferdinand, the killers, e outros tantos que mesmo sem saber que quer, quer.

voltei a encontrar o andré. a última vez que nos cruzámos tinha sido numa passagem dos z boys pelo lux. nada combinado, apenas gostos em comum, o andré diz-me que passara o dia a dormir, estava a acampar com o cláudio e mais uma uma data de gente que não dormia desde domingo, o dia em que tinham chegado ao recinto. diz-me o andré que acabara de acordar ao som dos ratm. eram perto de 3 da manhã e o cansaço era mais que óbvio, mas não aguentou ficar a ouvir lá de cima.

o cansaço da molha violenta dos brmc desapareceu, a roupa minutos antes encharcada secou no corpo, e o calor humano da malta toda que ali ficou madrugada fora aliado à vontade que toda a gente tinha de dançar rock n' roll sem pensar em escorregar na lama deixou que por por algumas horas desaparecessem casacos, gorros, impermeáveis e outros apetrechos que tais e se visse uma multidão de t-shirt a lembrar que afinal de contas estávamos num festival de verão. e o medo da sabotagem meteorológica desapareceu com a chuva.

saltos, mosh, copos na mão, cerveja no ar, no cabelo, na roupa que minutos depois também já estava pronta para outra, zig zags obrigatórios para sobreviver à agitação das primeiras filas e provavelmente das últimas, era de agitação que precisávamos todos. por melhores que sejam os concertos do programa das festas, não é fácil aguentar tantas horas quando as condições atmosféricas estão contra e as quebras são sucessivas. ´houve mtas quebras na passagem de uns concertos para os outros, e deixar o público murchar em situações de esforço é mandá-lo embora para as tendas. ver que às seis da manhã ainda havia aquela gente toda na disposição de ficar por ali até amanhecer, é ver que estava tudo sedento de andamento, rock n' roll, música, esquecer a chuva e a humidade dos últimos dias, esquecer tudo e deixar-se ir com a música fosse lá para onde fosse. para as tendas é que não.

não estive nos outros after-hours, nem por sombras vi os concertos todos do festival, mas do que assisti em paredes de coura este ano - em estreia pessoal- digo que não vi o público reagir daquela maneira a mais nada. ok, não vi os motorhead até ao fim.... :)


Orelhas de Burro:

outra vez os new radicals, you get what you give, agora apenas em versão mental dedicada aos z boys, que a esta hora e depois do andamento da última semana o silêncio tb é de ouro....... zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

portugal 2 - inglaterra 1

até ao sábado passado a hipótese de eu ir a paredes de coura estava fora do mapa por questões de alojamento que não interessa repetir. o drama pessoal estava no facto de isso implicar perder a estreia do josh rouse em portugal. pus de lado os discos do senhor, mentalizada que permaneceriam na sombra até passar o concerto de quarta-feira para (tentar) não me lembrar do que ia perder. a rádio trocou-me as voltas. o plano estava a ser cumprido à regra até ter ouvido o "rise" no final do mq3 da semana passada. podia ter desligado a aparelhagem, mas é pecado matar assim uma canção daquelas. ouvi-a até ao fim com a atenção com que a ouvi pela primeira vez e percebi imediatamente que com discos ou sem discos guardados na hora h ia acabar por me fazer à estrada.

independentemente do concerto ter sido ao ar livre, em festival, de dia, com lama, houve momentos em que achei que foi de longe melhor do que o que vi em londres numa espécie de salão de baile antigo e que me deixou em delírio durante umas boas semanas. esse marcou pontos pelo primeiro contacto com o senhor, pela proximidade da "conversa" final, pelo impacto dos olhos azuis, pelos malucos da primeira fila, por ser em londres.........

o concerto de paredes de coura marcou pontos porque não foi tão acústico, para além da guitarra do josh teve os teclados do curt perkins, nome já associado à música do josh rouse pelo menos desde os tempos do under cold blue stars e que em tempos foi visto a escrever e a cantar sonoridades bem mais cruas enquanto líder dos stella, também eles de nashville. sinceramente não sei se ainda mexem..... adiante.......... em vez da guitarra de daniel tashian, tivemos os teclados de perkins aliados à guitarra do josh, de cabelo cortado, quase rapado, a devolver-lhe o ar atinado que o cabelo (mais) comprido do início do ano fizera por bem desaparecer. não sei se foi do público ou não, da "chuva não é certamente", como dizia o outro, mas o artista tocou com uma entrega muito maior em portugal do que em londres. a imagem que ficou foi a de um músico a cantar não raras vezes de olhos fechados, a curtir sem pressas o momento, que acabava invariavelmente por desaguar num sorriso final para o público, que na plateia fazia o mesmo, cantava de olhos fechados e sorria de satisfação por ver que apesar desgaste natural provocado pela chuva, o sol acabou por aparecer para ouvir josh rouse. já que o concerto tinha de ser de dia ao menos que fosse com sol. e apesar desta vez não ter havido dressed up like nebraska (se não me falha a memória........) tivemos direito a miracle, my personal favourite. voltou a haver neil young, e tom waits. agora que já vejo isto mais a frio, se pudesse escolher voltar a ver um dos concertos, escolhia o de portugal. ver que o artista está a mesmo curtir estar ali é meio caminho andado.

dizias michael que o poder da rádio é pequeno? olhe que não, olhe que não

back to life, back to reality

paredes de coura '04 chegou ao fim, para o ano há mais. ainda no ar a sensação de vazio de algo que chega ao fim de repente. é verdade que ontem ao fim da tarde o cansaço, o frio, as ressacas várias da chuva, da lama, das greens, dos fumos e dos vapores vizinhos, já traziam à mente uma sensação de conforto ao imaginar que no dia seguinte pela mesma hora já estaríamos de regresso a casa. sem lama, sem molhas de corpo inteiro, sem zig zags intermináveis por estradas que à noite metem medo ao susto, mas que de dia contornam paisagens capazes de fazer balançar a eterna convicção citadina de que viver na capital é que é bom. de cortar a respiração. o ar puro que faz descer a temperatura, as ribanceiras logo ali ao virar da esquina sem qualquer tipo de protecção, os cavalos que saem à rua para passear os póneis nas bermas imaginárias às 5 da manhã, as vacas e os bois também eles noctívagos seguem o exemplo, um cão que se atira a correr para a estrada a ladrar desenfreadamente. e o sono........... o sono que impede a concentração de cumprir o seu papel e que espalha pelo escuro cerrado luzes de stop aqui e ali, que afinal não existem....... no dia seguinte, é inevitável não sentir o frio no estômago quando se aproxima a hora do regresso....

e agora que estou em casa sinto falta do cansaço da estrada, da paciência do vítor que cumpriu à risca a promessa que fez de não acelerar na carrinha e deixar o meu "porta-chaves" - :) - para trás, das farturas frias, da passagem do copo green/yellow/black gelado de mão e mão e boca em boca, dos bons-dias trocados pelas boas-tardes, do recepcionista manco que depois das 2 da manhã, por mais algazarra que fizéssemos, estava programado para acordar apenas com o barulho do bater da porta da rua da residencial. acho que até me sinto meia de mãos a abanar porque hoje ainda não recebi nenhum dos 300 pacotes de batatas fritas e doritos que aceitámos nos último dias para ajudar o pessoal do trabalho a despachar as remessas.

não há barulho, não tenho frio, já ninguém se queixa da chuva, já ninguém olha para os montes de lama com vontade de chorar de desespero porque não há onde pôr os pés sem que se enterrem pelo menos até aos tornozelos naquele merdum todo. a chuva ia sabotando o festival. acabou por deixar episódios que não teriam sido vividos de outra maneira. guarda-chuvas descartáveis improvisados a partir de caixas tipo televisores retiradas de uns caixotes de lixo refundidos que pelo aspecto, ironicamente, tinham ar de ser o sítio mais limpo de todo o recinto. molhas dos pés à cabeça que às tantas já nem deixavam sentir a água que continuava a cair e a escorrer pela cara, pelas costas, pelos pés. e quem caíu foi a carla, que escorregou na lama e desceu a encosta até lá abaixo qual escorrega a la aqua parque felizmente sem danos maiores nem menores - a alguém tinha de acontecer! apenas um dos episódios que deu azo aos estúpidos ataques de riso à chuva provocados pelo cansaço de quem já nem sabe onde está nem o que diz........ mas que me continua a fazer rir. deixa lá, carla, que para a próxima hei-de ser eu a malhar de alto no lamaçal! who cares? :)


Orelhas de Burro:

mp3 vários em random mode, neste momento new radicals - mother we just can't get enough

terça-feira, agosto 17, 2004

step out into the rain

não consigo, é mais forte que eu, com chuva ou sem chuva, com lama ou sem lama, mais mosquito menos mosquito (levo o fenistil!), mais duche ao ar livre menos duche ao ar livre, tenho de fazer isto para me sentir de consciência limpa. mesmo que à partida não faça ideia de onde vou dormir nos próximos dias. esta indefinição parece-me bastante mais apelativa do que uma semana de campismo à chuva devidamente planeada.

vou ali ver o josh rouse e os zig zag warriors e já venho.

Orelhas de Burro:




a lei.......

- quando uma pessoa se demite, e se está há mais de dois anos a trabalhar - efectiva - na empresa em questão, manda a lei que a saída se processe 60 (longos........) dias depois do pedido de demissão.

- quando a empresa demite um empregado, tem de o avisar apenas 15 dias antes da data em que os seus serviços são dispensados.


alguém me explique o sentido que isto faz, que eu não consigo arranjar nenhuma explicação lógica que não meta palavras que sei que a minha avó não ia gostar de ler. a ideia é não questionar, ja sei......... temos de ser bem comportados..... somos todos mais felizes assim..........

sexta-feira, agosto 13, 2004

vicious rufus

ganhei o dia. o rufus wainwright vem a portugal, à aula magna ainda por cima, e diz o mário lopes no dn de hoje que a data aponta para 9 ou 10 de novembro, portanto o calor das alcatifas velhas não atrapalhará a concentração na música, nem o barulho dos papéis a abanar quais leques improvisados atrapalhará a acústica do piano. quero armar-me em fina e ir para as doutorais. e quero pensar que para o ano teremos o josh rouse a actuar em lisboa nas mesmas condições, no inverno, na aula magna, mas com a banda, que o 1972 perde muito só com duas guitarras. e se tenho o rufus (o nome do meu eventual futuro cão) em lisboa, já não fico triste por não ir receber o josh a paredes de coura. não se pode ter tudo! :)


Orelhas de Burro:




Thought that maybe we'd fall in love over the phone
Thought that maybe I'd really love being alone
Everybody but Heaven knows how I was wrong
Oh Lord, what have I done to myself?
What have I done to myself?
In this vicious world
Such a vicious world
There isn't anything you can do
In this vicious world
SUCKING on the ice, makin' eyes all by myself
Didn't realize you were so top of the shelf
Just you want and see when you turn, turn 23
Oh Lord, what have I done to myself?
What have I done to myself?
In this vicious world
Such a vicious world
There isn't anything you can do
In this vicious world
Such a vicious world
There isn't anything you can do
In this vicious world
There isn't anything you can do
In this vicious world


rufus wainwright - vicious world - want one - 2003

quinta-feira, agosto 12, 2004

paranóias luminosas

não gostava dos elefant. foi uma daquelas embirrâncias de estimação que se criam à primeira vista. não gostei da primeira música que ouvi, "misfit". vinha arrumada no alinhamento de uma daquelas colectâneas de singles de avanço tipo euroexclusive, vanguard, ou coisa parecida feitas para as rádios europeias. (não sei para quê se depois parte das rádios europeias - as portuguesas, pelo menos - vão buscar consultores americanos para pensar por nós, cala-te boca...) mas por razões que se prendem mais com interesses profissionais do que pessoais, senti-me obrigada a dar-lhe o benefício da dúvida. não gostei de novo, mas também não me ficou indiferente e tão pouco consegui pôr imediatemante de lado. voltei a ouvir o misfit no mq3, já há umas boas semanas que isto já não é de agora, e a embirrância latente com a voz do mr diego garcia manifestou-se de tal maneira que desliguei o rádio. uma cena altamente disconexa....... uma voz arrogante, distante, pomposa, escura, que só me faz lembrar o estilo stuart staples e que a mim sinceramente me faz um bocado de comichão porque parece que estão sempre a projectar a voz e a cantar em esforço para manter aquele tom altivo. uma voz dessas a cantar melodias estilo california style pa pa pa pa pa pa pa, mas que de um momento para outro descamba em guitarradas de nova iorque, tipo de the strokes ou talvez até mais the stills? a mim fez-me comichão. mas o nome do álbum, "sunlight makes me paranoid", ficou-me na cabeça. escrevi uma série de argumentos cinematográficos que poderão levar alguém a afirmar uma coisa destas. nada de interessante, diga-se de passagem. no dia seguinte acordei com o misfit na cabeça. por cá ficou durante mais alguns dias. tinha de arranjar o álbum. thanks michael. estou viciada na voz do mr garcia e com dificuldades em deixar o disco onde quer que seja, e que à conta desta súbita dependência na última semana tem saltado do leitor de casa, para o rádio do carro, para o computador do trabalho, novamente para o rádio do carro e assim por diante. é o verdadeiro círculo vicioso. e é provável que volte a fazer-me comichão tão subitamente como me picou. pancadas.


Orelhas de Burro:




quarta-feira, agosto 11, 2004

josh rouse: eu não vou.....

o comodismo é uma coisa que me assusta, especialmente quando o noto em mim. e especialmente também quando o vejo aliado às "desculpas" que nos últimos anos tenho vindo a inventar para poder sair de portugal cada vez com mais frequência. já nem falo da sensação de dependência de viajar que cresce a olhos vistos a cada vez que consigo passar mais quatro ou cinco dias aqui ou ali. o comodismo era o que me estava a fazer espécie ainda há pouco. nos últimos dias perdi a conta das vezes que justifiquei o porquê de tudo indicar a minha ausência no concerto do josh rouse em paredes de coura. até marquei férias para a próxima semana com a antecedência possível. tentei tratar do alojamento com a mesma antecedência mas um mal-entendido resultou em....... niente....... tudo cheio! e dou por mim a afirmar convictamente que não estou disposta a acampar duas noites por um concerto. admito que gosto do cartaz, mas analisando as coisas friamente são raros os concertos vistos em festivais que me ficam na memória. tendas e duches ao livre? já tive a minha dose e ainda ando a tentar esquecer-me do trauma físico e psicológico que foi carregar com uma tenda de 10 kgs devidamente atada na parte de cima de uma daquelas mochilas de campismo mostruosas durante duas ou três (sinceramente perdi a conta...... o regresso foi feito quando o dinheiro acabou...) semanas de inter-rail. campismo na iminência de levar com uma carga de água? not for me!

tendo em conta que o josh rouse é um dos poucos artistas que neste momento me faz pensar em deslocações a festivais (por razões que não se prendem só por preguiça), este meu súbito ataque de comodismo soa-me ainda mais a preguicite quando penso nisto - faz sentido uma pessoa viajar até londres propositadamente para ver o josh rouse em março, e em agosto dizer que dá mto trabalho ir até paredes de coura para o mesmo efeito e acampar duas ou três noites? lá está... começo a achar que eu queria era um motivo para ir a londres. tal como no mês que vem quero um para ir a austin. tal como no ano que vem quero outro para ir, sei lá, ao japão. é o vais! :)

Orelhas de Burro:


o copo meio cheio

são onze da manhã em lisboa e chove torrencialmente ali no terraço. as luzes brancas de escritório que nos deixam com ar doente e esverdeado, e que já não se acendiam de dia há uns bons meses dada a claridade própria da época, voltaram ao seu estado normal. acesas. nada indica que estamos em agosto. apenas o ausência de metade dos colegas de trabalho. numa sala onde trabalham, conversam, riem, discutem, cantam e, outra vez, trabalham, 9 pessoas estamos apenas 5. a diferença é enorme. o tempo passa mais devagar, mas sabe bem trabalhar em silêncio, para variar, ou pelo menos com menos colunas a tocar ao mesmo tempo. os chefes também estão de férias. outra vez o sossego. há mais tempo para pensar, e aí sinceramente já não veja nada de positivo.... e por isso prefiro queixar-me do tempo. está a chover e este cinzento faz-me dores de cabeça, parece que nunca chego a acordar totalmente. nenhum de nós quer acreditar que está a chover. alguém consegue ver o lado positivo da coisa. podia ser pior, é verdade...... podíamos estar de férias. para além do que se estivessem 30 graus lá fora e os sapos nos bloqueassem os carros debaixo de um sol radioso, é certo e sabido que estaríamos neste momento a dizer que "devia ser proibido trabalhar com este tempo...." ou que "eu estava bem era na praia!".
e entretanto parou de chover.......


Orelhas de Burro:

george michael no computador da frente

domingo, agosto 08, 2004

???

passei a tarde a tentar perceber como consegui juntar tantos discos sem qualquer tipo de etiqueta que me esclareça sobre o seu conteúdo. nada. tive de (re)ouvi-los todos. são colectâneas gravadas por mim com músicas vindas directamente dos saudosos audiogalaxy e napster, e dos mais recentes kazaa e soulseek, e que por preguiça, nada mais, na altura em que rodaram a 300 por cento cá no estábulo achei que não precisavam de qualquer tipo de identificação exterior porque assim como assim já sabia a ordem das músicas de cor. anos depois a conversa é outra. não consigo deitar nenhum fora, destes não, mesmo que no entretanto tenha conseguido comprar todos os discos onde originalmente vêm incluídas estas músicas que em tempos, e hoje também, foram e talvez continuem a ser vitais para o meu bem-estar. se fizer um esforço ainda consigo lembrar-me de alguns alinhamentos. outros nem pensar.... pior: há dois que ficaram de lado. estão a dar mais luta. por entre canções que ouvi dias a fio durante meses, têm músicas que não faço ideia de quem sejam e que não tenho memória de alguma vez as ter ouvido quanto mais gravado. estranho. oferecidos? impossível. a esquizofrenia organizativa não deixa margem para dúvidas. são meus. estranho. será que daqui a cinco anos, quando (re)descobrir a pilha de colectâneas que actualmente continuo a insistir não identificar pelas mesmas razões vou encontrar novas surpresas? é frustrante.


Orelhas de Burro:

muita tangueta

domingo, agosto 01, 2004

home improvement

guardei os últimos - sempre os últimos - dias de férias para as obrigatórias arrumações anuais. diz a minha a mãe que sou arrumada uma vez por ano..... mentira! :) os papéis, os jornais, as revistas, a roupa amontoada no sofá, a roupa amontoada na cadeira, a roupa que já não visto e a que nunca vesti......... e os discos, sempre os discos. adiei a compra de mais um móvel de arrumação o mais que pude, o espaço, o dinheiro, a desarrumação e depois a obrigatória e demorada arrumação........ mas a semana passada tive e o mesmo pensamento que o outro senhor dos óculos: "não posso mais". o bom destas arrumações e reorganizações é que se (re)descobrem discos que com o passar do tempo acabam injustamente (mais para nós do que para eles) por cair no esquecimento.


Orelhas de Burro:

muitos dos que povoam o novo brinquedo e dos que tiveram de ficar de fora. meet the estábulo, ou parte dele:


terça-feira, julho 13, 2004

encerrado.......

.....para descanso do pessoal.
o burro lança-se à água.

sábado, julho 10, 2004

final straw

por enquanto não me ocorre mais nada....... ainda há mta poeira no ar, ainda não consigo rir-me das ironias, nem.......... nem de nada do que ouvi na última semana. tudo muito próximo, tudo muito a quente ainda........ e ainda assim sinto-me bem. o alívio e a paz de espírito já se começam a sentir a pouco e pouco. i'm out. pessoal - como se diz nestas cenas - you know who you are -, é pouco provável que aqui venham dar, mas obrigada pelo apoio ao longo dos últimos tempos e principalmente nesta última semana. origada por todos os sms que continuam a chegar e cujo conteúdo continua a fazer-me chorar. e neste caso, isolado talvez, não é de nervos. agora não se calem vocês, we're young, não fechem os olhos, a incompetência tem de ter limites. and we will all float on ok. see you all soooooooon! :)


Orelhas de Burro:

This could be the very minute
I'm aware I'm alive
All these places feel like home

With a name I'd never chosen
I can make my first steps
As a child of 25

This is the straw, final straw in the
Roof of my mouth as I lie to you
Just because I'm sorry doesn't mean
I didn't enjoy it at the time

You're the only thing that I love
It scares me more every day
On my knees I think clearer

Goodness I saw it coming
Or at least I'll claim I did
But in truth I'm lost for words

What have I done it's too late for that
What have become truth is nothing yet
A simple mistake starts the hardest time
I promise I'll do anything you ask...this time


chocolate by snow patrol

quarta-feira, junho 30, 2004

next stop: texas

Austin City Limits, Texas - 17, 18 e 19 de Setembro - Ziller Park - 3 dias - 8 palcos - 130 bandas



o evento ideal para assinalar o fim de uma etapa e o começo de outra marcada pelo espírito de aventura que se impõe em tempos de incompetência estagnada e omnipresente. patrocínios? vende-se bicicleta órbita de senhora, bordeaux, roda montanha, 10 mudanças, antiga mas em bom estado e de grande valor sentimental. artigo de luxo. o burro chegará assim ao limite, não de tractor, mas de bicicleta. é como se diz por aí: think big, start small, act now! mesmo que o limite por enquanto tenha de ser bem mais próximo. mas nunca se sabe........ next stop: texas!

terça-feira, junho 22, 2004

Vozes de burro confirmadas!

O norte-americano Josh Rouse actua no próximo dia 20 de Agosto no festival Paredes de Coura. A notícia foi apurada pelo Cotonete, com base numa fonte da promotora Ritmos.

Autor de quatro álbuns de originais, o mais recente dos quais, "1972", lançado no ano passado, Josh Rouse irá fazer a sua estreia em Portugal, com uma passagem pelo Palco Songwriters.


Fica a lista dos restantes artistas confirmados, até ao mometo, para a edição deste ano do festival minhoto.

Palco Principal

17 de Agosto
Noite Reggae/Roots

Arrested Development
Culture
The Roots

18 de Agosto
DKT /­ MC5
LCD Soundystem

19 de Agosto
Black Rebel Motorcycle Club
Scissor Sisters

Palco Songwriters

18 de Agosto
Howe Gelb

19 de Agosto
Mark Eitzel

20 de Agosto
Josh Rosue

LP / MMB

segunda-feira, junho 21, 2004

O Burro sempre Gold - under josh rouse's charms

too late, but never too late to write. faz amanhã uma semana que josh rouse chegou a londres, ido de espanha sem parar em portugal, para dois concertos de lotação esgotada. o Burro é suspeito para falar - do concerto, não da escala que não foi feita por aqui - sobre o assunto ou não fosse consumidor ávido de tudo o que tem a assinatura josh rouse. ainda assim, há que reconhecer que um álbum como 1972, cheio de pormenores devidamente colocados aqui e ali de modo a recriar o ambiente "datado" que se pretendia, não tem metade da força quando tocado apenas à guitarra acústica. duas guitarras acústicas aliás, uma para josh rouse outra para daniel tashian.

sem teclas, sem bateria, sem baixo, sem flautas, sem saxofones, sem backing vocals, sem a passagem de ida até 72 paga pelo disco, a dupla rouse-tashian apresentou 1972 de uma nova perpectiva. de uma perspectiva intemporal, capaz de se chamar não 1972, mas sim sunshine ou light therapy. light therapy é melhor, decididamente, já que de alguma maneira há que homenagear a canção, uma vez que foi das que mais sacrificadas saíu da operação acústica... nem sequer a linha de baixo..... e logo o maior vício do Burro....... por ser perfeita às orelhas do Burro, continuará a soar melhor em disco até uma próxima oportunidade.

em compensação, ficou provado que o love vibration soa bem de qq maneira, mas ao vivo faz muito mais sentido sobretudo quando se vê o efeito positivo instantâneo que a música surte no público. sorrisos para todos os lados. uma espécie de hipnose colectiva de felicidade, seja lá o que isso for. ficou provado também que o slaveship, apesar de soar ao Burro um pouco repetitivo em disco, porta-se muito melhor ao vivo e em acústico. desaparece metade da confusão sonora que por vezes cria uma certa implicância nas orelhas cá do estábulo, e o acompanhamento das palmas e as backing vocals são instintivamente asseguradas pelo público. um público participativo e entusiasta, dos 16 aos 60, que acabou por salvar ao vivo alguns dos pormenores mais importantes do disco, criando com uma brincadeira o melhor momento do concerto.

sparrows of birmingham já de si é uma das melhores canções de 1972. a melodia, o timbre limpo mais limpo não há de josh rouse, a força carregada na frase oh god was watching over you, o desconcerto arrepiante que se faz sentir quando josh rouse entoa simplesmente úúúúúúúúúúú....... não era preciso mais nada. não eram precisas palavras. quem conhece a versão disco sabe que a canção abre em canto gospel, uma preciosidade que volta a ser recuperada quase no final da canção. james nixon é o nome do preacher, que à semelhança dos saxofones, do baixo, das flautas, etc, tb não esteve em palco. estiveram felizmente dois dos companheiros de concerto do Burro, conhecidos no local, tb fãs de longa data do artista, que a tempo e horas decidiram vestir a batina e fazer as vezes de preacher do bush hall.

para grande supresa de todos, sobretudo de josh rouse, que perdeu inclusivamente por momentos o fio à meada da canção, a dupla masculina que optou por manter o anonimato, projectou a voz de maneira a fazer-se da primeira fila para o resto da sala, salvando o misticismo da versão original do tema de estúdio. crente ou não, o certo é que o resto do público entrou na missa, e josh rouse, por entre sorrisos abertos de teve de parar por alguns segundos. o espanto deve tê-lo feito procurar na sala por james nixon. e pouco depois a recompensa...... a pedido do público siga para late night conversation. fora do alinhamento inicialmente previsto, talvez por isso o único sem a prestação de daniel tashian, mas encaixado na perfeição. como qualquer outra que josh rouse cantasse. já não se fazem timbres vocais como aquele, que em rise esteve na sua melhor forma, fazendo do tema um dos que mais beneficiou da mesma operação acústica. lindo.

7 Março 2004


Orelhas de Burro:


domingo, junho 20, 2004

the damnwells

em dia de inauguração oficial de época balnear do burro, e em representação do lado introspectivo de nova iorque, longe da agitação do centro do mundo e do rasganço habitual das guitarras que por lá se fabricam, celebre-se o álbum de melodias que marca a estreia do quarteto nova-iorquino the damnwells. alex dezen é o mentor da banda, vocalista, guitarrista e autor de todas as letras de "bastards of the beat". ted hudson é o baixista, dave chernis o guitarrista, e steve terry o baterista, que em tempos tocou bateria com os whiskeytown por alturas do intemporal "stranger's almanac".

Orelhas de Burro:



quinta-feira, junho 17, 2004

qual é a coisa, qual é ela.....



it's as soft as a feather
2 birds singing together
they say it's as old as the sunshine
the one thing there's just not enough of...

......


Orelhas de Burro (ainda empanadas em):


domingo, junho 13, 2004

a bandeira do burro





sábado, maio 29, 2004

we all stand together

as músicas dos beatles nunca fizeram parte da minha lista mental de canções para ouvir obrigatoriamente ao vivo, não porque não gostasse delas o suficiente - antes fosse - mas porque acho que inconscientemente me conformei desde início com a impossibilidade do acontecimento. fazendo a comparação contextual do costume, sempre fui mais pelos beatles do que pelos stones, e sempre fui mais pelo george e pelo john do que pelo paul, mas ver o paul ali ao fundo, de vermelho como nas fotos, com a mesma expressão (bem disfarçada) de há tantos anos, e de guitarra levantada no ar como se vê na televisão, fez-me sentir o mesmo que senti quando vi o mick jagger em carne e osso em coimbra mesmo ali à frente - espanto. para quem cresce a ver estas figuraças na televisão é muito estranho vê-las em formato 3D. então os heróis sempre existem?

a experiência é uma coisa magnífica e o paul mccartney é um senhor, é vê-lo em palco e perceber o porquê do título. confesso que no meio de tantos regressos ao passado volta não volta a expressão do artista tornava difícil controlar a chegada aos tempos em que cá no estábulo mccartney era apenas uma cara ao lado de um urso branco, também ele vestido de vermelho, estampada na capa de um velhinho single em vinil que ainda para aí anda, não se sabe bem é onde. mas a música não era com sapos? pelo meio helter skelter, penny lane, let it be, live and let die e o fogo de artifício, eleanor rigby, yesterday, hey jude, tantas, e as emoções à flor da pele com as dedicatórias e os aplausos para os amigos john lennon e george harrison. para ringo, yellow submarine em edit mode.

Orelhas de Burro:


sábado, abril 10, 2004

nada se cria, nada se perde, tudo se transforma

never too soon, never too late, depois de darts of pleasure e do incansável take me out, o Burro ouviu finalmente o álbum dos franz ferdinand por inteiro. a morte do arquiduque acendeu a primeiro guerra mundial, o nascimento do álbum dos meninos de glasgow acende grandes tardes de aeróbica caseiras, ou nem por isso. como é que se consegue prever à partida que dali não sai mais nada digno de nota e que daqui a seis meses o franz ferdinand voltou a ser o arquiduque que sempre foi e cuja morte teve consequências drásticas? não me apetece comprar essa teoria. e o que me interessa a mim que os gang of four e outros tantos da mesma escola já tenham feito aquilo tudo no tempo em que os animais falavam (e que eu ainda não falava)? isto cheira a novo.

o Burro gosta desta onda ff, interpol, radio 4 - o gotham tb demorou semanas a descolar do leitor riscado -, white stripes seven nation army, the rapture i need your love, etc, etc, etc. aquele rock cru só entra cá no estábulo se for muito bem temperado, regado, disfarçado. esta vaga funk rock sabe muito melhor. e o disco dos franz ferdinand é mais um vício. e donde é que vem aquele power do "dark of the matinee"? o que é que será aquilo ao vivo? find me and follow me through corridors, refectories and files, you must follow, leave this academic factory, you will find me in the matinee, the dark of the matinee is mine.
e o andamento "this fire"? para ouvir em sequência com "reptilia" dos strokes e "changes are no good" dos stills, outro vício de cabeceira cá no estábulo. e depois o álbum todo dos ff outra vez. o Burro provavelmente vai fazer skip em cheating on you e michael. falta-lhes qq coisa. qq coisa que o resto do álbum tem para dar e vender. take me out.


Orelhas de Burro:



ainda por cima foi barato..... não chega a 15 euros you know where

domingo, abril 04, 2004

transmission c ou o exemplo perfeito da mais pura tangueta

tendo em conta que cada Burro vê à sua maneira e ouve à exacta medida das suas orelhas, e que nenhum Burro vê ou ouve exactamente o mesmo que o seu semelhante, então não haverá com certeza nenhum Burro a quem as canções de ron fountenberry soem neste momento tão perfeitas. ouvidas primeiro em formato mq3 aos sábados à tarde, as canções daquele que se auto-intitula the incredible moses leroy são agora consumidas compulsivamente no leitor de cds moribundo cá do estábulo, em computadores vários e no rádio da carroça - ;) - privada do Burro. também com os cumprimentos do mq3.

em fim de semana de muito sol, mar à vista, trabalho atrasado e prazos por cumprir porque o sol fala sempre mais alto do que a consciência, moses leroy become the soft.lightes. até porque o sol esteve muito forte e nas esplanadas já não se aguenta mais que uma hora sem um chapéu nicola. para que se absorva a diversidade artística e a criatividade do professor fountenberry "become the soft.lightes" deve ser ouvido do princípio ao fim. quando ouvido em separado corre-se o risco de se tomar a parte pelo todo de forma enganosa. corre-se o risco de não se conseguir passar de uma faixa ou outra. corre-se o risco de encalhar em "transmission c". fala a voz da experiência. a transmissão é perfeita. vício, vício, vício de verão antecipado. para ouvir 20 vezes ao dia. vício, vício, vício.


Orelhas de Burro:


segunda-feira, março 29, 2004

cloud number 9......1.6

não há luz tardia que compense a violência de um acordar prematuro de uma segunda-feira pós-mudança de hora. pelo menos de manhã. hoje devia ser sábado. as coisas melhoram com a perspectiva de conseguir atravessar a zona das amoreiras em 5 minutos. às sete e meia ainda só os semáforos é que empatam o trânsito. nem sequer o sol para atrapalhar como de costume. e na rádio neal casal canta st. cloud. é segunda-feira, e depois? st cloud está a dar na rádio. e o Burro tem uma fixação por esta música, mas por causa dos efeitos secundários não pode ouvi-la sem receita médica. instabilidades crónicas mandam que st cloud seja ingerida cá no estábulo com moderação e de preferência em fases sim. é o caso. o burro não viu tudo, nem tão pouco viveu tudo, como lamenta o neal. a identificação é quase nula, mas a maneira como a carta é escrita tem o poder de nos fazer dizer as mesmas coisas, pelas mesmas palavras, mesmo que não correspondam à verdade. em dias não, ou fases não, temos o dom de absorver tudo o que ainda nos faz pior. inconscientemente. daí a importância de não ouvir uma canção como st cloud quando quando a fase é não. é triste. ideal para nos deitar abaixo e não nos querermos levantar sozinhos. para evitar que fique associada e tempos que não nos interessam. que sabemos que são de transição. uma canção como st cloud deve ser guardada para quando a confiança regressa. para que se possa ouvir em repeat mode sem efeitos secondários e sem receita médica.


Orelhas de Burro:



neal casal - basement dreams

quinta-feira, março 25, 2004

meet matt nathanson

aconselhável a fãs de tangueta. pelo menos a julgar pelo single "suspended". o Burro não ouve outra coisa desde o meio-dia, mais coisa menos coisa. diz o all music que o rapaz é um songwriter de são francisco dado à comédia, e que ao vivo actua na companhia de outro matt, o fish, ás do violoncelo. o Burro não ouviu mais que o single, mas gostou do que ouviu. venha agora o resto de "beneath these fireworks". até porque a lista de similar artists fornecida pelo all music diz que o trabalho de nathanson (o nome é um tanto ou quanto rebuscado.......) segue a linha tecida por josh ritter (outro vício do Burro), david gray, joe henry, ron sexsmith, john mayer e freedy johnston (este não conheço).


Orelhas de Burro: