quarta-feira, dezembro 31, 2003

ainda em 2003.... outros vícios musicais..... e até pró ano!

mq3 e bons rapazes - as quatro horas semanais de puro delírio radiofónico desorientado pelos dukes quintão e acosta. para além de boas propostas musicais sacadas num inovador formato mq3, você tem ainda a possibilidade de assinar em diferido um manifesto anti-bola completamente falso e dissimulado redigido por dois fanáticos de futebol que se auto-intitulam de bons rapazes. um clube que lhe dá ainda a possibilidade de conhecer convidados que não jogam com o baralho todo. : ) o burro aconselha: join the club! um ano em cheio para os good fellas, são os votos cá do estábulo.

o burro ouviu também muito mp3. em repeat mode tocaram estas e muitas outras.........

josh rouse - todas as canções de 1972 e mais algumas, e ainda a grande desilusão telefónica do ano de uma curta carreira

rufus wainwright - i don't know what it is

rufus wainwright - vicious world e mais uma vez todas e mais algumas, venha de lá o want two

ryan adams - as duas partes love is hell, o rock n' roll ao vivo, o solo de harmónica no soundcheck do elysée montmartre e o abraço em paris... ah! e os ids marados : )

50 cent - wangsta, in da club, 21 questions

beyoncé - crazy in love

the roots - break you off, the seed 2.0 e o concerto no zenith de paris

cody chesnutt - a voz e todo o headphone masterpiece

rosie thomas - i play music e a coca-cola no hotel da rua castilho

cosmic rough riders - justify the rain, for a smile e a conversa telefónica em escocês-chinês

erykah badu - love of my life worldwide, danger, bump it e os planos de ir a nova iorque em junho

the rasmus - in the shadows

justin timberlake - rock your body, like i love you, señorita

twilight singers - teenage wristband, st gregory e qualquer canção cantada por mr dulli

strokes - reptilia, 12:51, between love and hate e o room on fire quase todo

toranja - a carta e a casca

the doors - o misticismo do concerto

mesa - divagadora, esquecimento, mí­mica sí­smica e o álbum todo

outkast - hey ya

swollen members + nelly furtado - breathe

nelly furtado - powerless

unkle - what you are to me

plej - you

kings of leon - red morning light, molly's chambers e o álbum quase todo

the bens - bruised, just pretend, x-fire

robbie williams - o concerto

fountains of wayne - hey julie, stacy's mom, little red light e o resto do álbum - puras tanguetas

the thrills - big sur, big sur, sig sur e depois o resto do álbum

e os resistentes - :) - tribalistas

em 2003 a canção preferida do Burro foi.......





«Come Back (Light Therapy)», by Josh Rouse


i've been waiting for the longest hour
i want you to come back
maybe if the sun would shine
you'd bring my happy back in the dark
so tired of waking up and it's dark
so tired of being stuck on my own here
norway is cold, dear
and here comes june
the sun is gonna shine in june
the doctor says i'll feel better soon
feels my vitamin d pills
he hands me the big bill

cause i've been waiting for the longest hour
i want you to come back
maybe if the sun would shine
you'd bring my happy back
i'm gonna stay on this mountain high
til you come running back
don't leave me hanging out on that line
i want you to come back
i want you to come back

i miss my seratomin
my days are going nowhere fast
the language is so foreign and i can never understand
come back

i've been waiting for the longest hour
i want you to come back
maybe if the sun would shine
you'd bring my happy back

i'm gonna stay on this mountain high
til you come running back
don't leave me hanging out on that line
i want you to come back



e que 2004 seja um ano cheio de sol para todos os Burros que aí andam! o que este este mundo precisa é de mais gente iluminada.

em 2003 o disco preferido do Burro foi.......






Josh Rouse - «1972»

terça-feira, dezembro 30, 2003

1000 is a magic number

parabéns a toda a equipa do blitz!
1000 números..... são muitos números. venham de lá outros tantos!




ainda os radiohead

já que neste momento ninguém fala deles, o Burro arma-se em excêntrico e em vez dos tradicionais balanços aproveita esta súbita febre radiohead (desencadeada pela audição do "no surprises" numa revisão natalícia da "residência espanhola") para recordar a confusão de ideias que escreveu a quente, muito quente, por alturas dos concertos dos coliseu, e que acabaram por ir depois para à caixa de correio de alguns Burros amigos.

o thom yorke merece todo o alarido que foi feito à volta dos concertos dos radiohead ao longo dos últimos meses. eu confesso que mesmo antes de entrar no coliseu voltei a comentar com a rapariga que aguardava a vez para a entrar ao meu lado que não percebia o porquê de tanta histeria à volta de
um concerto. uma fila para entrar que ia quase até rossio, mas ela dizia que estava a andar depressa. e estava. e como estes sentimentos de euforia são contagiantes depois da primeira parte puseram um som de fundo parecido com os batimentos cardíacos e de um momento para o outro apercebi-me que também já tinha entrado na euforia e que se fosse de manhã também eu tinha ido para a porta antes do almoço para ter ficado na primeira fila. e que se estivéssemos três meses atrás também eu tinha comprado um bilhete para cada dia como aquele rapaz a quem eu lancei um olhar de espanto quando soube que ia aos três concertos de lisboa.
o concerto acabou há pouco tempo e parece que ainda tenho a voz do t.y. na cabeça. amanhã de manhã provavelmente já não vou sentir isto da mesma maneira por isso não me apetece dormir. sei que amanhã não vou estar a sentir o mesmo que sinto agora e não me quero esquecer. o gajo canta com uma intensidade arrepiante e até de costas a tocar piano ele consegue ser expressivo. cria momentos que poucos têm o dom de conseguir criar e quando acaba a música olha para nós com o ar mais simples do mundo, envergonhado até (e não me venham dizer que é para a figura que os tímidos identificam muito bem os tímidos), como se não se tivesse passado nada...
e posso finalmente riscar da minha lista mental de músicas obrigatórias a ouvir ao vivo o "street spirit (fade out)". O gajo é um artista. Nasceu para aquilo. Se a voz é o que é em disco, ao vivo é ainda melhor, e todos os tiques, as danças maradas, o ar de lunático e de gajo-esquisito, de cabelo no ar, cada vez mais magro, ajuda muito ao espectáculo. O paranoid android foi muito bom, o everyhting in its right place também, foi tudo muito intenso, deu mesmo para abstrair das palmas exageradas habituais do público e concentrar toda a atenção na música. O momento alto foi (depois do street spirit e tendo em conta que não tocaram high and dry nem fake plastic trees) o fecho do concerto. Escolheram o "how to disappear completely", a musica mais deprimente (no bom sentido porque eu o que eu mais gosto nos radiohead é mesmo a nostalgia toda que nos fazem vir ao de cima de um momento para o outro) do kid a, que só de pensar no que se passou ali ainda fico arrepiada. Como é que se perde uma coisa destas e se consegue
dormir à noite?
O t.y. é ele mesmo, é deprimente, é genuíno, intenso, é esquisito, é artista, é boa pessoa. Tem de ser.

O que me assusta: estive para vender o bilhete.

segunda-feira, dezembro 29, 2003

the bends

há poucos discos que o Burro se arrepende de comprar. não porque compre poucos (o vício é mais forte...), nem porque se documente sempre muito bem antes de comprar. uma boa capa desconhecida às vezes vale mais que dez críticas positivas assinadas por aqueles cujas opiniões nos são quase sagradas. o segredo muitas vezes está em esperar pela altura certa para ouvir o disco. não haverá concerteza Burro que se preze que nunca tenha apanhado uma tremenda desilusão com um disco por que esperou dois anos para ouvir. ou por um disco por que tenha dispensado 20 euros e afinal vistas bem as coisas aquilo não valia nem 10... ou por um que tem um single tão bom, tão bom, tão bom que tenha de ser comprado na íntegra naquele momento sem documentação prévia e que depois pouco ou nada tem que se aproveite. mas o engraçado no meio de todos estes arrependimentos a curto prazo é que passado algum tempo a coisa muda de figura. e basta um desses tiros ao lado ser ouvido segunda vez em circunstâncias diferentes um ano depois, que seja, para tudo soar diferente. redescobrir a própria "colecção" de discos, sabe quase tão bem quanto a sensação de chegar a casa com um saco cheio de discos novos e passar horas a descascá-los e ler os créditos. olhar para a parte de trás de um disco que nos lembramos como se fosse ontem onde, quando e com quem foi comprado e ver..... 1989! passaram mais de dez anos, a loja entretanto já não existe e o pagamento agora já não é feito pelos pais. de resto, tudo na mesma. e há tantos assim. podem estar anos sem sair da prateleira, mas volta não volta regressam todos ao local do crime. e é nessas audições mais a frio, que nos apercebemos da importância que certas músicas/discos tiveram para nós em tempos.
o Burro está nostalgia-mood por ter redescoberto "the bends". um desses discos que apesar de ter rodado incansavelmente cá no estábulo na altura em que saíu (1995), só por alturas das electrónicas assumidas dos radiohead é que parece ter sido interiorizado pelo Burro em toda a sua magnitude... de simplicidade, sobretudo. o Burro é fã dos radiohead quer seja em versão acústica, electrónica ou assim assim. é fã de thom yorke, e não há como não ser depois de ver o senhor ao vivo. mas o "the bends" é o "the bends" e não há efeito de sintetizador que supere uma canção como o "high and dry" ou como o "fake plastic trees", e o burro ainda não conseguiu perceber por que é que foi o "ok computer" que açambarcou logo ali o estatuto de "clássico instantâneo".

O Burro é fã de:


sábado, dezembro 20, 2003

mary christmas

É entre papéis de embrulho, muitas prendas made in estábulo, cartolinas às cores e luzes de natal, que o burro deseja a todos um Feliz Natal e, se não nos virmos entretanto, um 2004 mais calmo e......... menos burro do que o ano que agora chega ao fim.

Peace to you all!

terça-feira, dezembro 09, 2003

plej - dancing boys from sweden

alguém sabe alguma coisa sobre estes rapazes? entraram no estábulo ainda agora via sol música, e já não voltam a sair. têm um som completamente viciante, ao estilo daft punk, com alguns daqueles toques jazz/blues que o burro tanto gosta nos st germain. «you» é o nome da música que estava a passar na televisão, e plej ao que parece lê-se plei. são suecos. e mais o burro não sabe por enquanto.


mais informação no site oficial

segunda-feira, dezembro 08, 2003

forever young...... not!

a propósito de passagem do tempo é engraçado constatar aos feriados via praça da alegria, olá portugal, sic 10 dez horas, herman sic ou qualquer outro programa da mesma família quão jovens estão os artistas portugueses do tempo de nossos pais ou avós, conforme a idade do burro em questão. e quem pensa que nenhum de nós anda a caminhar para novo, pois que se desengane. ele é só assistir ao rejuvenescimento de antónio calvário, fernando pereira, joel branco e outros tantos artistas da mesma lavra cujo nome o burro não sabe "por não serem do seu tempo". é assustador ver como as camadas de base triplicaram com o passar do tempo e como os cabelos estão cada vez mais loiros e sedosos e as barbas mais desenhadas. é a sociedade que obriga a isto? ou a televisão?

forever young

fora de prazo ou não os doors a la século 21 estiveram bem. o burro percebe o cepticismo dos seguidores de morrison. à primeira vista parece que manzareck e companhia estão a roubar a jim o que é de jim, e a dá-lo de mão beijada a ian astbury para que todos juntos consigam mais uns trocos. diz que não. que it's all about the music. que seja. a música sabe melhor quando é ouvida sem pensar, por isso ponham quem quiserem no lugar de morrison, que as canções continuam a ser as mesmas e a ter a mesma força. pelo menos foi essa a impressão que o mr cult passou. como é óbvio, o dramatismo, a teatralidade e a alma de morrison estavam lá apenas em espírito, mas quem cresceu a ouvir aquelas canções não recusa a oportunidade de as ouvir ao vivo. sobretudo quando essa possibilidade nunca teve sequer a mais pequena probabilidade de acontecer. é estranho poder assistir ao concerto de uma banda cujo vocalista morreu quase dez anos antes do nosso nascimento.
astbury desempenha bem o papel que lhe foi atribuído. os gestos são os mesmos, se bem que os mais provocadores a la mojo rising deixa-os apenas para as recordações dos que viam e vêem em jim morrison um mito. o burro é desses. an american poet too, so they say, cuja memória continua carregada de misticismo até hoje. o burro sentiu bem isso quando surgiu a imagem de morrison de braços abertos projectada na tela em palco, pouco arrepios antes de ter começado a soar a poderosa carmina burana.
não é difícil ficar do lado dos cépticos e ver todo aquele espectáculo pelo lado ridículo, mas a envolvência acaba por ser mais forte. são as canções. ainda assim o mais ridículo é que ao olhar para aqueles doors de longe, o burro sentiu por várias vezes que a única figura real que ali estava em palco era o jim morrison..... que afinal era o ian astbury. robbie krieger e ray manzarek pareciam menos eles próprios do que astbury parecia morrison. pelo menos para quem não lhes punha a vista em cima desde os sixties. em filme, claro.
ultrapassado o cepticismo e vendo as coisas pelo lado positivo, os doors do século 21 são a prova de que o rei lagarto continua a reinar um pouco por toda a parte e que ao contrário do resto da banda...... não envelhece.

sábado, dezembro 06, 2003

thinking of you

sexta-feira, novembro 28, 2003

where happiness lives

o Burro concorda plenamente quando ouve dizer que a música ouvida no computador é muito impessoal. normalmente esta frase surge como uma das justificações utilizadas por aqueles que se recusam a recorrer aos downloads. as outras são óbvias e por isso não voltam a ser para aqui chamadas. o Burro faz downloads como milhões e milhões de outros Burros. as razões também são as do costume. mas mais do que o preço dos discos, no caso de Burros addicted to music pesa bastante mais a curiosidade de ouvir os discos que nos interessam antes da data marcada pelas editoras. ou a curiosidade de ouvir os discos que à partida não têm sequer data marcada para chegar aos estábulos nacionais. nem todos os downloads são impessoais. nem pouco mais ou menos.
conseguir sacar uma música que se procurava há que tempos, e ficar a ouvi-la em repeat mode durante aquela hora inteira que temos de ficar em frente ao computador não tem nada de impessoal. tem até bastante mais impacto do que ouvi-la numa aparelhagem cujo leitor de cds só aceita tocar a música do princípio ao fim a partir da faixa 7 ou 8. Caso o número de série seja inferior, então é certo que a música será ouvida em puzzle mode. isso sim, impessoal. e uma música como «where happiness lives» by magnet, não pode nem deve ser ouvida em puzzle mode. é pura tangueta..... uma canção de inverno, a provar que nem tudo no inverno é mau. mesmo para os burros mais sensíveis à falta de sol e ao excesso de cinzento. e ainda só estamos agora a chegar a dezembro. mas num post onde se fala de felicidade há que lembrar que segunda-feira é feriado! :)


orelhas de burro ouvem:


ouvido primeiro em formato MQ3 e depois então em mp3.

quarta-feira, novembro 26, 2003

a pensar......

é engraçado como ao passear pelos blogs de consumo habitual, o burro dá conta de que quase todos eles são vetados à mesma sorte que este estábulo. o abandono temporário, o desleixo, o esquecimento, e sobretudo a falta de tempo. no dia da inauguração as ideias atropelam-se e a dificuldade em decidir qual o assunto que vai ser tratado primeiro é o único contra aparente. o blog parece funcionar como o meio de filtragem e transmissão de ideias por que se esperava há muito. pelo menos para aqueles que sabem bem que a pensar morreu um burro, mas que nem por isso conseguem deixar de se envolver em grandes enredos pensantes. mas como em tudo nos estábulos, dois meses depois a maioria dos blogs ou vai abaixo ou soma e segue a passo de caracol. é este o caso. e o mais engraçado no meio disto tudo é que quanto menos atenção os mentores dos blogs dedicam à actualização dos estábulos próprios, mais parecem dedicar os visitantes. é estranho, mas a verdade é que o burro já se deparou com comentários deste tipo em mais do que um blog. será que é a magia do suspense a funcionar?
um post um bocado fora do contexto, mas que exemplifica na perfeição o espírito e a inspiração do burro por trás da criação estábulo.

agora toma lá música:



como se comenta na capa do disco, em tradução livre: «uma espécie de badly drawn boy a desenhar com lápis de cera diferentes». tem harmónicas e tudo.

sexta-feira, novembro 21, 2003

it's time for a rock 'n' roll weekend!

brevemente numa sala longe de si.
mas o Burro vai zurrar de perto!



agora vê lá o que é que fazes, ó ryan... o Burro vai estar na cidade das luzes, do amor, dos croissants, no mesmo fim de semana que tu, em novembro. tu agora é mais rock & roll, mas continuas de certeza a saber apreciar uma boa coboiada, por isso vai mas é guardar a harmónica na mochila, porque o «firecracker» assim o exige. este teu álbum novo pode estar muito bom, acredito que sim, apesar de ainda não ter ouvido, mas concerto teu sem «firecracker» é como almoço de festa sem cenouras raladas. faças o que fizeres não te esqueças da harmónica, ryan! se não o Burro vai ter de zurrar para cantares o «everyhting i do, i do it for you», ou o «please forgive me» que também é pegajoso o suficiente para te fazer desatar aos coices.

a bientôt!

o burro. em estágio. em firecracker mood. ainda que só se ande a pregar o rock n' roll.

domingo, novembro 16, 2003

manifesto anti-bola

Por motivos óbvios o Burro recupera este post, que por muito antigo que seja, com o passar do tempo tem tendência a ficar cada vez mais actual...

O Burro está farto, fartinho de futebol. É que pior do que não gostar de uma coisa que é mais popular do que o papa, é não gostar de uma coisa que é mais popular que o papa e não ter meio de lhe passar ao lado, de simplesmente pô-la à borda do prato. Futebol, futebol, futebol, o que é que passa com esta malta, que isto nos últimos tempos parece que anda tudo ainda mais viciado? É um fenómeno de massas, so they say, há até vários estudos sobre isso e nas faculdades adoram dar esse exemplo quando o assunto é cultura de massas. É isso e o Big Brother. Mais uma inauguração, ena, ena........ adiante, que já basta o que nos dias que se seguem se vai falar sobre estes fenómenos na rua, no café, na mercearia, na cave mais famosa da sampaio e pina, na fila do supermercado. Burros anti-bola, uni-vos!

O Burro só consegue dizer:

quarta-feira, outubro 29, 2003

happy weekends - the boys are back in town!

confirma-se: o burro vai voltar a dar o devido uso às orelhas. este sábado, dia 1 de Novembro, miguel quintão regressa aos microfones da antena 3 , e repete a dose no domingo, acompanhado por álvaro costa. burros orelhudos, apontem então as coordenadas exactas, emitidas pelo próprio menino é lindo, posteriormente conhecido como o polvo (a propósito... voxx: rest in peace):

sábados das 18h-20h (já de si um horário mítico na história da antena3...) as viagens a solo de mr. quintão vão dar pelo nome de «MQ3». aos domingos das 22h-00h, a história é outra. álvaro costa entra também em cena, lado a lado com mq, pelo que vai ser possível assistir ao regresso de dois dos três dukes num programa chamado «bons rapazes».

aos olhos do burro são estas as melhores novidades da alteração da grelha da antena 3. saúde-se também o regresso do pedro costa às emissões diárias e do indiegente ao formato de hora inteira.

lamente-se que o «M» não tenha tido a mesma sorte e que continua a ser aplicado em formato comprimido, três vezes ao dia... que não tenha recuperado as duas horas de fim de semana... sobretudo numa altura em que a soul/r&b está com a força que está, e a julgar pelo caminho que o hip hop está a seguir, de fusão com a soul, essa força tende a ser cada vez maior. burrices à parte...

cumprimentos cá do estábulo à boa rapaziada e ao novo formato musical mq3. welcome back, boys!

domingo, outubro 26, 2003

Indies & Cowboys - go 5 it!






Número 5 já à venda - Tema Colombo, Tema Restauradores, Assírio & Alvim (Cinemas King), Livraria Barata (Av. Roma), Kingsize, CD GO/JoJos Music (Porto).

3 is the magic number

apanhando a boleia de uma sugestão ouvida na semana passada na radar, o burro aconselha a audição repetida da canção «three is a magic number» do bob dorough. cá no estábulo, foi uma surpresa, a única coisa parecida que conhecíamos era mais ao estilo de la soul. mas bob dorough, um nome que até há três dias o burro desconhecia por completo, é mais dado ao jazz que ao hip hop. diz um dos vários sites dedicados ao músico, que são muitos os que reconhecem imediatamente este nome. uns porque são fãs de jazz e bob dorough é nesse cápítulo uma referência obrigatória. outros porque cresceram a ouvir as suas canções na rádio ao sábado de manhã, mesmo que cantadas por outros. o burro não fazia parte da estatística.
bob dorough é americano, nasceu no arkansas, trabalhou com blossom dearie (que dá voz ao tema «figure eight» de mr dorough, e que muito se aconselha pela net, mas o burro ainda não conseguiu deitar mão...), miles davis, allen ginsberg, bill goodwin e mais uma data de burros.
bob dorough faz 80 anos no próximo dia 12 de dezembro. o burro aconselha a audição repetida da canção «three is a magic number». quem não conhece vai gostar e quem conhece sabe que vale a pena ouvir de novo. (...isto soa a burro gold...)

O burro quer ouvir:


bob dorough - «too much coffee man» - 2000

quinta-feira, outubro 23, 2003

you're just somebody that i used to know...



Elliott Smith (1969-2003)



rest in peace, elliott!
o burro está triste...



I had tender feelings that you made hard,
But it’s your heart, not mine, that’s scarred.
So when I go home, I’ll be happy to go -
You’re just somebody that I used to know.

You don’t need my help anymore,
It’s all now to you, there ain’t no before,
Now that you’re big enough to run your own show
You’re just somebody that I used to know.

I watched you deal in a dying day,
And throw a living past away,
So you can be sure that you’re in control,
You’re just somebody that I used to know.

I know you don’t think you did me wrong,
And I can’t stay this mad for long,
Keeping a hold of what you just let go -
You’re just somebody that I used to know.



(somebody that i used to know in «figure 8», 2000)

terça-feira, outubro 21, 2003

segunda-feira, outubro 13, 2003

Cameraman Metálico

A mensagem que se segue é da inteira responsabilidade de António Melão (aka Cameraman Metálico). Foi posta a circular na net pelo próprio, calculo até que já tenha chegado à caixa de correio de muitos dos poucos que por aqui vão passando. O Burro deixa assim bem claro, que não é nenhuma tentativa de sacar dinheiro ao próximo. Para os mais beneméritos, de preferência com meios para a ajudar, fica então o apelo do mítico fotógrafo português:


CAROS AMIGOS!
Vejo-me com problemas e venho pedir a vossa ajuda.
Desde 1999 o meu trabalho tem sido precario, free lance no jornal A CAPITAL, biscates nesta e aquela magazine e pouco dinheiro no bolso. Os que me conhecem sabem que não tenho luxos, o carro tem 12 anos, e a única coisa que tenho realmente com valor - a minha casa - querem-ma tirar.
A mensalidade à CGD está em atraso e agora recebi uma notificação do tribunal para pagar no prazo de 30 dias: 18.222 euros (mais de dezoito mil euros)...
Só me lembrei de vos pedir ajuda, ainda vou tentar o BES mas já me disseram que nestes casos não emprestam dinheiro, e eu não tenho emprego certo. Se álguem tiver conhecimento onde posso fazer este tipo de empréstimo, ou álguem possa emprestar particularmente, fico agradecido.
Vou tentar que algumas bandas toquem um concerto de beneficência a favôr do meu problema, mas não sei se consigo o dinheiro a tempo, nem sei qual vai ser a reação do público.
Mais ideias são benvindas.

Aqui ficam os NIBs das minhas contas para algum benemérito me ajudar:

CGD - 0035 0054 00052588900 12
BES - 0007 0015 0042 99800091 5

E a minha morada:
António Melão - Ap. Postal 1079 2856-909 Corroios
Obrigado pela ajuda e desculpem a sinceridade
António Melão
(Cameraman Metalico)

radar - a alternativa... indeed

a radar tem um programa da manhã renovado. depois de duas manhãs à escuta, o burro deu por si a pensar que talvez esteja ali mesmo o tipo de emissão que se andava à procura cá no estábulo. aparentemente ali não há fórmulas mágicas de sucesso garantido. aparentemente, porque o burro já não põe as patas no fogo por nada que diga respeito à espontaneidade na rádio que se faz hoje. sofia morais e pedro costa conseguem com uma atitude que muitas vezes parece rondar o desleixo e o deixa-andar passar a quem ouve a naturalidade que tanto estudam os senhores das ditas grandes rádios do nosso país.
o improviso e a naturalidade não se estudam e muito menos se fingem. só os melhores são capazes de o fazer aparecer onde ele não está, e a verdade é que os melhores (às orelhas do burro) neste momento ou estão arrumados no estábulo à espera da altura ideal para dar um coice na fila indiana de burrices radiofónicas que se tem vindo a acumular a olhos vistos, ou estão por força das circunstâncias numa dessas filas indianas, ou portuguesas, à espera que algo aconteça..... quem espera sempre alcança.... ou quem espera desespera?
na radar está a a pôr-se em prática um tipo de programa que o pedro costa já fazia na voxx no "preferia estar na cama". pode não ser o mais convencional, mas vistas bem as coisas todos temos acordares diferentes, então a que propósito se diz haver uma só fórmula ideal para um programa da manhã? ainda por cima, a julgar pela maioria da alternativas que temos, essa fórmula ideal consta de muito riso, muita gente, muita rubrica, muito barulho..... por nada. não há quem precise de acordares a meio gás, sem conversas a 100 à hora? para se despachar de manhã o burro não precisa de ficar com a sensação de que naquele estúdio está a acontecer uma revolução de movimento às sete e meia da manhã.... por outro lado, dá um certo conforto a quem está a acordar saber que há mais gente com sono para além de nós. e esse sono é provavelmente o responsavel pela espontaneidade e pela frescura que sai actualmente das manhãs da radar. é saudável. e no final da emissão de hoje houve zapping rotativo pelas outras estações nacionais. haja mais alternativas.

Já agora....... alguém sabe o que se passa com a marginal? descubra o lado mais suave da rádio?

domingo, setembro 28, 2003

hey, hey you got me rocking now!

O burro foi a coimbra, viu um concerto para mais tarde recordar, mas o cansaço ainda é muito para descrever em pormenor os momentos que fizeram parar tudo cá no estábulo. o aparato daquilo tudo é de tal maneira monstruoso, que às tantas não se sabe para onde se há-de olhar... o medo de deixar escapar qualquer coisa que naquele momento nos parece a mais importante à face da terra não nos deixar fixar os olhos em apenas um ponto nem por um momento. até porque aqueles quatro magníficos são todos carismáticos de mais para se deixarem encandear uns pelos outros. e muito menos por todo aquele império de luzes e chamas. apesar de neste momento o burro ter já uma visão completamente do concerto, daquela que teve poucas horas depois de ter abandonado o estádio municipal de coimbra, as ideias ainda estão a assentar. e o mais engraçado é que neste momento, mesmo com plena consciência de que uma encenação visual daquelas não se vê todos os dias, o pormenor que o burro recorda com maior definição foi a chegada dos stones ao estádio. enquanto se aguardava tardiamente pela entrada no recinto, as limousines passaram ao pé das grades, jagger abriu o vidro e acenou ao pessoal. um gesto costumeiro, acredito, mas não é todos os dias que se tem um frente a frente com jagger, mesmo que por um segundo e em andamento. a presença do senhor é forte demais para se encarar a situação como muita naturalidade. o senhor impõe respeito apenas com um sorriso, pá!



27 de Setembro 2003 - Estádio Municipal de Coimbra
1ª Parte - Xutos & Pontapés e Primal Scream

sábado, setembro 13, 2003

see you around, Johnny!





Johnny Cash (1932-2003)

rest in peace, cowboy!

quarta-feira, setembro 10, 2003

happy birthday!

Um dia antes do fatídico 11 de Setembro, 2001, era lançado em Portugal o primeiro site de rádios online - o Cotonete. O Burro acompanhou tudo desde o primeiríssimo dia (e ainda acompanha), pelo que é com grande satisfação que deixa aqui no estábulo os parabéns a toda a equipa, não esquecendo aqueles que por motivos de força maior (ou prioridades trocadas de quem de direito...) foram ficando pelo caminho.

O Burro recomenda:

terça-feira, setembro 09, 2003

dylan jr.

a propósito da recente compra (a bom preço, diga-se de passagem) do álbum "red letter days" dos wallflowers, na festa do disco montada este fim de semana na mais badalada festa do seixal, o burro aproveita a deixa para expressar aqui no estábulo a admiração que tem pelo trabalho (e demais qualidades) de jakob dylan desde os tempos de "one headlight", a canção com que a antena 3 apresentou a banda de dylan jr ao burro, por volta de '96, mais coisa menos coisa.
verdade seja dita, os discos dos wallflowers não suscitam amores assolapados ao burro, falta-lhes ali qualquer coisa para se destacarem de toda a fornada rock que vem diariamente dos estados unidos, mas ainda assim o burro não consegue deixar de os comprar. aquelas canções soam bem ao ouvido e a voz do rapaz é agradável à vista. o burro acha que aquela quelque chose que falta ali aos discos dos wallflowers virá ao de cima quando o jakob se decidir a seguir as pegadas do pai dylan e começar a tocar a solo, de chapéu à cowboy e harmónica em riste, claro! nos entretantos, canções como "how good it can get", "closer to you", "see you when i get there" e o refrão de "when you're on top", assinadas pelo rapaz neste "red letter days", com o carimbo avante!, vão fazendo as delícias da carroça do burro.

o burro é fã de:


the wallflowers' jakob dylan aqui em gap style

quarta-feira, setembro 03, 2003

Fazei de josh rouse um fenómeno de massas

É em casos como “1972”, que o Burro dá graças a deus pelo milagre da multiplicação. Viva a pirataria, que faz com que já algumas dezenas de privilegiados andem encantados com a genialidade das novas canções do rapaz. O Burro nem consegue sequer articular um raciocínio coerente sobre o disco, not today, é preciso concentração e sobretudo distanciamente. Assim a quente, diga-se o que se disser fica sempre a impressão de que lhe estamos a tirar 90% do valor que ele tem. É dificil escolher uma canção preferida, é difícil não achar que a seguinte é sempre melhor que a anterior, é difícil passar à faixa seguinte porque esta é viciante, mas ao mesmo tempo é difícil não passar porque a curiosidade de descobrir se o melhor foi mesmo guardado para o fim é muito forte, é não sentir o estômago. É tão fácil gostar do Josh Rouse... É difícil escolher uma canção preferida mas o Burro gosta muito do ritmo funky-disco-nite de “Come Back (Light Therapy)”. Uma terapia de luminosidade musical, é o que este disco é. E vai daqui um coice positivo para a Radar que roda neste momento em regime de Novidade este vício chamado “Come Back (Light Therapy)”. Um verdadeiro fenómeno de massas cá no estábulo e arredores. Assim de repente, e para quem só lá vai com números, 10/10 é às orelhas do Burro a única classificação justa para "1972".

O Burro aconselha novamente:

sexta-feira, agosto 29, 2003

Just like a rolling stone

Será desta que o Burro vai ver o Stones live and direct? Depois de muito diz que disse o rumor acabou por ter um final feliz, pelo menos por enquanto...... vamos lá ver se não se mete mais nenhuma laringite no caminho do senhor Jagger. Com estas mudanças de tempo bruscas e com sessenta aninhos em cima é melhor não acender os foguetes antes da festa, mas ainda assim é impossível não entrar já em estágio e revisitar os clássicos (são tantos!) da banda. Para quem não tem 20,20 euros (preço Fnac) para dar por cada edição remasterizada dos álbuns dos Stones, aproveite-se o resumo da matéria dada em quarenta anos feito em "Forty Licks". O Burro sabe... it's only rock n' roll but i like it! Todos a Coimbra.

Orelhas de Burro ouvem:


  • Já cá cantam!



  • The Rolling Stones - 27 de Setembro 2003 - Estádio Municipal de Coimbra

    quinta-feira, agosto 28, 2003

    the real thing

    É engraçado como um disco pode soar perfeito às dez da manhã de um Domingo qualquer (neste caso, o passado), e doze horas, 450 audições e 2500 caracteres depois, é perfeito, sim, mas para despachar com o primeiro arrumador que nos aparece à frente a pedir dinheiro para comprar um bolo (o Burro continua sem perceber é que como é que com tantos bolos todos eles continuam tão magros.....). É irónico, um burro gostar tanto de música que chega ao ponto de decidir empenhar a quase totalidade do seu tempo livre a dissertar sobre discos e bandas, sobre música que gosta ou que, olha azar, gostasse, e depois deixar de gostar de canções que em tempos pôs num pedestal por ter de as ouvir até à exaustão........ É mais um exemplo da proximidade existente entre uma relação amor-ódio. É óbvio que esse ódio é apenas momentâneo e que se manifesta por uma simples e súbita acumulação de cansaço face ao que se está a ouvir e a escrever. Durante dois ou três dias, acordamos sistematicamente com uma daquelas músicas na cabeça, e não há meio de a desligar.
    No entanto, a melhor parte é que duas semanas depois, se calhar nem tanto, voltamos a ouvir o disco com o mesmo prazer com que o ouvimos as primeiras vezes. E a sensação de conhecer um disco de uma ponta à outra, com letras de cor, ordem das músicas interiorizada, e muitos outros pormenores que só a quem os ouve dizem respeito, não tem explicação. Uma sensação que lembra ao burro os tempos em que as mesadas não chegavam para comprar nem metade dos discos que se queriam ouvir por inteiro, mesmo que se deixasse de gastar os 500 paus (bons tempos.....) no almoço no McDonalds. Assim, aqueles que se conseguiam comprar rodavam até às últimas consequências, e por isso mesmo muitos deles permanecem hoje religiosamente riscados! :) O «Ten» (comprado num Natal qualquer de início de '90 na antiga VC do Fonte Nova) e o «Versus» dos Pearl Jam, o «Ride the Lightning» e o Black Album dos Metallica, todos os dos Guns N' Roses, que são mesmo os que estão em pior estado (não só os discos... ;)), o «Keep the Faith» dos Bon Jovi, ah pois é, e muitas outras coisas inconfessáveis.
    A julgar pela pontuação que estes discos têm hoje na memória do Burro, daqui a dez anos serão os discos que hoje causam acessos de saturação extrema no Burro, aqueles a ser recordados com maiores saudades. Who knows....


    Para a semana, o Burro vai voltar a ouvir:


    The Realistics - «Go Ahead»

    sábado, agosto 23, 2003

    Vanilla Sky

    Já nem o filme é novo, nem o nome é novidade, mas o impacto quer de um quer de outro continua a ser o mesmo cá no estábulo. Depois de uma tarde de competição sonora entre as surrealidades da banda sonora «Vanilla Sky» e alguns êxitos do momento (tais como a nova da Madonna, a do Hollywood, as tatu a cantar morrissey, a britney a cantar i love rock n' roll, etc, etc) vindos de um computador vizinho, o Burro, que perdeu a batalha sonora por pura resignação à realidade, decidiu investir uma parte dos euros que já tinha de parte para a inevitável troca de telemóvel, no DVD do «Vanilla Sky». (A saga do tijolo continuará por mais algum tempo).
    Resignação é uma palavra que por enquanto ainda raras vezes entra no vocabulário do Burro, mas quando se trata de competições travadas em tamanho estado de desigualdade há que dar a mão à palmatória. Uma selecção musical (e o Burro diz isto sem ironia) que inclua o Hollywood da Madonna, a Avril Lavigne, o Billy Idol, a nova baladinha dos Foo Fighters, a Kylie Minogue, os Pet Shop Boys going to West, tem muito mais força do que um disco onde estão reunidos os Radiohead, REM, Peter Gabriel, Bob Dylan, Jeff Buckley, Josh Rouse, Afrika Bambaataa, Red House Painters. É assim a banda sonora do «Vanilla Sky». Uma selecção musical que aos ouvidos do Burro é praticamente um adversário imbatível. Ver o Tom Cruise acordar numa casa daquelas ao som de Everyhting in its Right Place...... ouvir o Josh Rouse a cantar Directions na festa de anos em que Tom Cruise e Penelope Cruz se conhecem..... ouvir o Jeff Buckley cantar Last Goodbye, com toda a tristeza a que a canção tem direito, no momento de maior felicidade do filme..... ouvir os Sigur Ros na despedida final entre Brian e Sofia..... everyhting in its right place. Se o Burro conseguisse perceber melhor a ideia do Sonho Lúcido, «Vanilla Sky», no seu todo enquanto filme/banda sonora, traduziria sem sombra de dúvidas, e na perfeição, o sentido que Cameron Crowe lhe terá atribuído. Por enquanto, o Sonho Lúcido continua a ser acordar de madrugada com a sensação de que o despertador já tocou há duas horas, e constatar que... é Sábado! Open your eyes.........

    O Burro aconselha:

    sexta-feira, agosto 22, 2003

    Go Freitas!

    O Burro não seguiu as transmissões de Paredes de Coura. O facto do festival decorrer durante a semana não ajuda e depois com tantos dias de concertos acaba por se perder o fio à meada. Perdas mais sentidas cá no estábulo: PJ Harvey (ainda não foi desta.......) e Radio 4 (um disco daqueles ao vivo pode ter proporcionado um dos melhores concertos do festival).
    Ontem à noite, em zappings cuja finalidade era simplesmente adiar por mais alguns minutos escritas que não mais podiam ser adiadas (you must know the feeling), o Burro apanha por acaso a recta final de um concerto de uma figura carismática, que apesar de em termos musicais pouco ou nada dizer ao Burro, cativou as atenções cá do estábulo, mesmo sem que se soubesse de quem se tratava. Mais à frente, foi desfeito o mistério por Nuno Calado e António Freitas: em palco estava Danko Jones.
    O Burro já tinha ouvido qualquer coisa do rapaz, mas verdade seja dita, rejeitou à partida quase metade do álbum. Talvez lhe volte a pegar agora. Não propriamente pelo pouco que ouviu no palco da Radical, mas antes pelo entusiasmo com que o Freitas falou do concerto. Visivelmente ainda em delírio pós-concerto, António Freitas falou da actuação de Danko Jones sem a frieza que habitualmente separa as declarações dos jornalistas das dos fãs. Quer seja por defeito ou formação profissional, a verdade é que cada vez mais começa a faltar vida e emoção à flor da pele nos relatos de quem fala de música. No futebol isso não acontece, por isso não se desculpa o amolecimento com a ideia de que jornalista não dá opinião.
    Quando se fala de um concerto, diz o Burro, é essencial que fique bem expressa a opinião de quem o viu para que quem lê contextualize o sentido que é dado às palavras. A música não é uma coisa em relação à qual se possa manter a frieza jornalística. A intervenção de António Freitas, ainda que de apenas cerca de cinco minutos, foi das melhores que o Burro se lembra de ter visto na SIC Radical. A perspectiva jornalística (ou o que lhe quiserem chamar) aliada à emoção que marca habitualmente as intervenções do público quando entrevistados no final dos concertos.

    Orelhas de Burro ouvem:



    domingo, agosto 17, 2003

    Porque hoje é domingo.........

    amanhã é segunda........... e não apetece nada. Não apetece pôr ordem na papelada, não apetece fazer a selecção dos jornais do fim de semana, não apetece procurar o "Under Cold Blue Stars" no meio de tantos ilhéus de discos pe(r)didos. Não apetece ler, não apetece escrever........... Não apetece nada. Apetece, sim, olhar para ontem, para o mar, mergulhar, para o sol, para ontem........ Por isso, o Burro só quer ouvir "1972" do Josh Rouse......... é um disco mimado este. Daqueles que não deixam o Burro dar atenção a mais nenhum quando está por perto. Não apetece escrever, não apetece nada, só apetece ouvir............ "Love Vibration" não diz nada de novo..... mas a maneira como tudo é dito, diz tudo. Como poucos sabem dizer.

    «step out into the sun
    step out into the world and love someone
    and save yourself from hate
    and save yourself from hate and all the hassle
    yeah you people all know what i'm talking about
    yeah you people all know what he's talking about
    spread the love vibration

    not everybody's scared
    scared of being lonely and abandoned
    if you find someone who cares
    if you find someone to love and understand you
    then you people all know what i'm talking about
    then you people all know what he's talking about
    spread the love vibration
    if you people all know what i'm talking about
    spread the love vibration»


    «Love Vibration» in «1972» by Josh Rouse, 2003



    Deixa lá Josh, que é desta que o Burro vai a Londres!

    sábado, agosto 16, 2003

    Trilogia inacabada.........

    A ideia do Burro era escrever mais um capítulo sobre o festival que inundou a Zambujeira no fim de semana passado, de modo a completar a trilogia Burro@Sudoeste. No entanto, vistas bem as coisas agora já não faz sentido... este tipo de coisas só resulta quando são escritas a quente, com as ideias a ferver, as impressões baralhadas, todas misturadas, e os zumbidos das colunas ainda a incomodar os ouvidos. O Burro tentou, é verdade, ainda escreveu dois parágrafos, mas apagou tudo. Para dramatizar ainda mais a coisa, há que dizer que a trilogia ficará para sempre inacabada.
    Fica apenas uma ideia geral: muitas vezes se disse que este foi o melhor cartaz de sempre. E talvez tenha sido. No entanto, aos olhos do Burro, perdeu muito por ser formado por bandas repetentes entre nós quase na totalidade. Quem vai a concertos com uma frequência razoável já tinha visto com toda a certeza pelo menos 80% do cartaz. E ainda por cima com uma propabilidade altíssima de cá voltarem novamente dentro dos próximos 6-12 meses. O Burro agora quer é ver bandas novas. O Beck é sempre benvindo, os Jamiroquai também, mas agora venha de lá o Josh Rouse, venha de lá a Erykah Badu, e é melhor pararmos por aqui.
    Além disso, é muito difícil haver todos os anos concertos memoráveis em festivais. É muita coisa a acontecer ao mesmo tempo, muita confusão, muita gente, muitos dias, muita música, muito por onde escolher. Quando se chega ao fim de uma noite já nem se sabe qual foi a primeira banda a tocar, quanto mais quando acaba o festival..... Resumindo e emburrando, o Burro gosta é de concertos na Aula Magna!


    Orelhas de Burro ouvem:

    stand-by

    Há posts que não apetece ter de deixar para trás e escrever em frente...... Depois das teorizações do Burro à volta da Tangueta, o post dedicado aos trunfos da Antena 3 - "Regresso ao passado.... pistas para o futuro" foi o que mais reacções positivas recolheu junto do Burro. Há por aí muitos Burros sem palas no olhos de orelhas bem abertas. Mais do que aqueles que se julgam menos Burros do que nós pensam.........

    terça-feira, agosto 12, 2003

    Regresso ao passado.... pistas para o futuro!

    O Burro tem pena de não ter acompanhado durante mais tempo as transmissões da Antena 3 feitas a partir do Sudoeste. Estiveram no comando das operações Mónica Mendes (ah grande M&M, continuo fã número 1!), Henrique Amaro (ainda estou à espera daquele autógrafo a preto no preto!) e Ricardo Sérgio (que gentilmente cedeu o lugar ao Burro na fila de autógrafos do BDB ;)), uma tripla digna de jackpot que ao longo dos quatro dias fez lembrar ao Burro as "velhas" emissões festivaleiras da Antena 3! Os tempos são outros, as condicionantes também, mas o espírito é o mesmo, o mítico "espírito de balneário" das saudosas noites da 3. O Burro nem sequer se lembra de qual terá sido a última vez de que se falou neste espírito a propósito de uma emissão feita por aquelas bandas...
    Mais do que pela transmissão dos concertos, este tipo de emissões ganha pelas pessoas que tem a conduzir o programa das festas.
    O Burro é suspeito. É ouvinte da Mónica Mendes e do Henrique Amaro há tanto tempo que já perdeu o hábito de lhes elogiar o trabalho com a frequência que eles merecem, por se ter habituado a vê-los (neste caso, ouvi-los) sempre em forma. Curiosamente, o Burro não se lembra de os ter ouvido antes a trabalhar em equipa assim tão directamente... ai, ai, os elefantes é que têm sorte....... enfim... o que interessa é que se topa a quilómetros de distância a diferença entre quem tem e quem não tem capacidade para conduzir uma emissão deste tipo sem perder a postura, independentemente de pelo caminho surgirem, ou não, imprevistos uns atrás dos outros.
    E se a boa disposição é uma coisa que hoje em dia se simula um pouco por todas as frequências nacionais, (e não só, provavelmente), a segurança (ou falta dela) ao microfone é uma coisa que não se inventa e muito menos se disfarça. O Burro volta a lembra que é suspeito, mas não resiste a dizer, e há admiti-lo que nos dias que correm é difícil arranjar concorrentes à altura para levar a cabo uma prova deste tipo. Gosto e conhecimentos musicais para dar e vender aliados a um desenrascanço e poder de encaixe de se lhe baixar as orelhas, e um poder comunicativo que só alguns eleitos detêm. Soa bem a quem está de fora ouvir a Mónica elogiar no ar a entrevista feita pelo Ricardo Sérgio ao Beck; assim como soa bem ouvir o Amaro e a Mónica, já estoirados no fim da transmissão de Domingo, lá para as três da manhã, trocarem algumas palavras motivadoras enquanto faziam o balanço do festival, para que não se fossem abaixo na recta final de tanto cansaço acumulado.... Soa bem ouvir a cumplicidade existente entre quem partilha o microfone.

    E sobretudo soou muito bem ao Burro poder voltar a ouvir falar a Mónica e o Amaro na rádio mais do que trinta segundos de seguida! A sorte da Antena 3 é ainda ter trunfos destes...... Pena é que quem dá o jogo não saiba distinguir os ouros da palha............ hi-hó!

    Orelhas de Burro têm saudades de ouvir:

    A música primeiro, os descambanços depois.........

    E antes que as impressões mais ténues se desvaneçam por completo, o Burro conta então que antes de se fazer à estrada rumo a Sudoeste no Domingo, assistiu via SIC Radical ao que por já lá se passava desde quinta-feira. E apesar de só ter visto algumas imagens e conversas entre a equipa destacada (e também em destaque!) no Sábado, o Burro ficou com a ideia de que as coisas correram muito melhor do que em Vilar de Mouros. Também é verdade que o Burro não viu tantas intervenções da dupla que a seu ver estragou grande parte da credibilidade da transmissão do festival de mouros.... e ainda bem, porque à chegada houve relatos que davam conta de que tinham sido ditas atrocidades (para quem é fã "atrocidades" nunca é uma palavra forte demais nestes casos) como "hoje actuam os Badly Drawn Boy". Parece que o fenómeno da multiplicação das espécies que costuma acontecer frequentemente no Sol Música chegou à SIC Radical........ Lá já temos os 50 Cent e os Eminem! :)
    As discussões à volta das bandas em cartaz, conduzidas por Nuno Calado, PGarcia, JorgeAmaral, JXavier, etc (desta vez eram muitos......) voltaram a fixar a atenção do Burro durante uma boa parte da tarde de Sábado. A opinião do Burro em relação à prestação destes senhores mantém-se, informam sem pretenciosismos, sem tiques de fato e gravata, e de maneira a despertar a curiosidade dos mais distraídos nestas coisas da música.É pena que no Curto Circuito diário não se promova entre os comentadores de serviço um espaço de 15-30 minutos de troca de impressões à volta de bandas/discos em alta ou baixa, ao estilo do que acontece habitualmente nos festivais. O Burro confessa que ainda sente saudades da primeira versão do CC, ainda no CNL... «A música primeiro, os descambanços depois», é a sugestão do estábulo para o CC.


    Sem palas nos olhos, o Burro viu:


    segunda-feira, agosto 11, 2003

    Próximos capítulos: Burro@Sudoeste

    A aterragem no estábulo está a ser feita pouco a pouco, as únicas reacções imediatas são as lembranças de um grande concerto dos Moloko (Roisin és a maior!), um pesadelo chamado Stereophonics (mas porquê estragar uma voz daquela maneira?), um início hipnotizante de Beth Gibbons & Rustin Man (e pena é que tenha sido já na debandada do recinto......), e a frustração de não poder ficar para ver o Beck......... uma frustração ainda maior ao ouvir uma parte do concerto na Antena3........ e uma frustração ainda maior ao ouvir também pela Antena 3 - via Mónica, Amaro e Ricardo Sérgio - que o Badly Drawn Boy estava em palco com Beck...... Refira-se ainda que deviam ser perto de três da manhã, mais coisa menos coisa. O concerto do Badly Drawn Boy propriamente dito foi importante demais para o Burro para ser falado assim em três tempos....... os delírios ficam para breve, sobre o concerto, o autógrafo do mestre, as transmissões SIC Radical nos primeiros dias, e o trabalho de equipa da 3 observado no recinto.

    Orelhas de Burro não querem ouvir nada.....


    sábado, agosto 09, 2003

    Rosie Thomas - as datas!

    Confirma-se: o Burro já está em estágio e recomenda que outros Burros façam o mesmo por meio de audições sucessivas de canções como "Wedding Day", "Two Dollar Shoes", "Bicycle Tricycle", "Have You Seen My Love" e "Finish Line". Todos os Burros citadinos (e não só... bastam que gostem de viajar) que quiserem sentir no pêlo os efeitos refrescantes de uma boa canção acústico-intimista não devem perder os concertos que a Rosinha vem cá dar para apresentar o novo álbum. Chama-se "Only with Laughter Can You Win". O Burro ainda não ouviu nada, mas a julgar pela amostra anterior não há que enganar. Let's hope so.....
    30 de Setembro é a data de Lisboa (sim, afinal não vai ser só no Porto) em local ainda a confirmar (e era tão bom que fosse na Aula Magna.......), e 1 de Outubro é a vez do Porto n'O Meu Mercedes é Maior que o Teu!

    Vozes de Burro saúdam:



    Thanks Gamma! Sempre em cima da actualidade, já desde o tempo dos padres........ agora substituídos pelos Simply Red (ou seriam os Simple Minds???) e pela SIC Notícias! :)

    Rosie Thomas is on her way....

    E tudo começa a a fazer mais sentido. Por entre cinco concertos ao ano de Placebo, Guano Apes, lamb, Ben Harper, Daniela Mercury e tantos outros, eis que vai sendo reservado cada vez com mais frequência algum espaço para outros nomes que ainda não têm um futuro (nem um presente) tão garantido entre nós. É óbvio que sempre se fizeram concertos de bandas/artistas que pouco ou nada tocam nas rádios (pelo menos agora....), mas o Burro só agora se começa a aperceber como podem ser tão diferentes as reacções de um mesmo Burro face a duas notí­cias muito semelhantes.
    Quando nos dizem que os Jamiroquai vêm ao Atlântico (for instance), isso é uma boa notÃícia, pelo menos para p Burro, mas não é tão "notí­cia" (no verdadeiro sentido da palavra) como se nos disserem que a ROSIE THOMAS VEM A PORTUGAL. E ao que parece vem mesmo! Porque os Jamiroquai nunca andam desaparecidos. E ainda bem.
    O Burro está feliz e contente porque cerca de um ano depois de ter ouvido o primeiro álbum da senhora, foram raras as vezes que voltou a ouvi-la na rádio.... dois ou três destaques na imprensa musical por alturas da edição do disco e depois disso nunca mais se ouviu falar até que começam a circular novidades acerca do novo álbum que aí vem..... mas desta vez para além do álbum parece que vem também a própria Rosie Thomas! Já há data, algures em Setembro, e local, no Porto, mas o Burro não sabe mais pormenores. Mais do que uma notícia, a vinda da Rosinha é uma boa surpresa! Tal como foi a do Rufus em Vilar de Mouros, e a do Badly Drawn Boy ao Sudoeste.
    Tal foi a surpresa que nestes dois últimos casos, o Burro confessa ainda ter andado uns bons dias na dúvida se seria mesmo verdade...... E não querendo estar sempre a dar coices na mesma tecla, se há público para os concertos, por que não há-de haver para a rádio? Será que há assim tantos Burros que mudam de estação quando ouvem uma canção do Badly Drawn Boy?
    Valham ao Burro os conselhos musicais daqueles que deviam ser os primeiros a ser consultados na abertura da época de caçaa aos consultores responsáveis pelos famosos estudos de mercado....... ah! que burrice a nossa...... eles são todos portugueses. E estudo de mercado que é estudo de mercado tem de ser feito por pessoal excêntrico que fala estrangeiro!
    Entretanto o Burro vai sintonizando a Radar, clicando no Cotonete e abusando do SoulSeek.


    Orelhas de Burro ouvem:


    quinta-feira, agosto 07, 2003

    Incompatibilidades.....

    Calor e computador são duas coisas incompatíveis...... o Burro tem muitas novas sugestões para partilhar com os habitués aqui do estábulo, mas hoje não há boa vontade que resista.... vai ter de ficar para amanhã...... e as melgas que começam a rondar o écrã da máquina? não há hipótese! o Burro vai pôr-se ao fresco e aconselha todos a fazer o mesmo. É que nem música apetece...... só o barulho da chuva podia fazer alguma diferença agora........ e já agora, só por causa das tosses:

    Vozes de Burro aconselham:



    terça-feira, agosto 05, 2003

    O Brother, Where Art Thou?

    Depois de uma longa espera, e a propósito de outras cobóiadas, o Burro aguarda ansiosamente por uma visita ao estábulo do senhor que se segue:



    Na foto: Stephen Fleming algures numa pradaria escocesa

    segunda-feira, agosto 04, 2003

    Spread the Love Vibration!

    O Burro está apenas a alguns minutos de consegui sacar o novo single de Josh Rouse! :)
    A alguns não diz nada, aos que já foram conquistados por tanto savoir-faire melódico diz tudo. Os da primeira equipa não terão de certeza ouvido "Miracle", uma canção que não tem nada de mais, mas que....... vai direita ao estômago, e o Burro não é capaz de deixar de a associar a um clima de optimismo assolapado e de grande confiança. Mais alguém que acredite em milagres!
    Depois de uma audição relâmpago do fecho do chamado Serviço Público Antena 3 há coisa de duas semanas, e depois outra na Radar, o Burro tem andado com a música na cabeça sem possibilidade de confirmar se as notas que lhe ficaram nas orelhas são as certas ou não. Que frustração.... E o Soulseek às vezes consegue ser pior do que o departamento da Segurança Social instalado Loja do Cidadão.... Ao que parece o Burro chegou tarde de mais - no fim de semana tirou a senha número 1024! Não é possível que haja uma fila de espera som estas proporções.... Quando o computador acabar de sacar as músicas todas, já o álbum chegou a Portugal, com certeza! No problem..... felizmente, um novo user deitou a mão a "Love Vibration" e aparentemente os 10 users que estavam à frente do Burro foram jantar porque o download já vai muito bem encaminhado! Spread the «Love Vibration»!

    Orelhas de Burro querem ouvir por inteiro:


    In stores August 26th

    olha, olha.... este parece que anda a emburrar desde 1972!

    domingo, agosto 03, 2003

    Poses........

    O Burro não sabe nada da arte de fazer televisão. Foge das câmaras a sete patas, como se alguém na outra ponta da sala lhe oferecesse um saco de cenouras e três fardos de palha. É preciso muito não sei bem o quê para se conseguir olhar para uma câmara e imaginar que está ali alguém. O Burro não tem esse não sei bem o quê. Para jogos mentais já bastam os do dia-a-dia.
    Há quem domine essa técnica de olhos fechados (por assim dizer... já que de olhos fechados até deve ser bem mais fácil imaginar que alguém está a ouvir o que dizemos) e consiga parecer tão natural como se estivesse num frente a frente. O Burro baixa as orelhas.
    Depois há os outros..... aqueles que querem parecer tão à vontade, que se enterram logo à partida. O Burro sabe que é fácil falar para quem está de fora, mas é impossível não criticar certas coisas, mesmo que os comentários se percam no meio de tanta palha.......
    Quando a teoria é muita, na prática fica a imagem de que quem apresenta o programa está a pensar em tudo menos no que está a dizer, o que tira por completo a credibilidade ao programa e à pessoa em questão. Neste caso, o Burro está a pensar no "Música do Mundo", o espaço que a SIC Notícias dedica à música. Aquelas poses do Filipe Moreira causam ao Burro uma espécie de urticária desde o primeiro programa... a princípio a pensava-se cá no estábulo, que com o andar da carruagem a coisa fosse ao sítio e que a naturalidade tomasse conta de todos aqueles movimentos estudados. Mas pelos vistos, o Burro continua a ser só um Burro! Com o tempo, os gestos de gente bem não só aumentaram de proporção como se aperfeiçoaram. Estão mais requintados, as mãos movem-se cada vez mais, as pernas ora cruzam ora descruzam com mais frequência, ....... No meio de tanto movimento, o efeito acaba por ser o equivalente ao das barras que passam em rodapé durante os telejornais. Ninguém consegue fixar a atenção em tanta coisa ao mesmo tempo. Já para não falar na moleza com que a informação é debitada...... então o que está a dar não continua a ser a televisão em movimento? Isto é mesmo tudo à base do 8 ou 80...
    Ó Filipe, olha que se falares um bocado mais depressa, como falavas nas manhãs da Antena 3, quando fazias por lá o trânsito, a malta percebe o que tu dizes na mesma, e assim talvez consigas incluir no programa o dobro dos artistas! Pensa nisso.
    É engraçado constatar que na página da SIC Notícias a apresentação do programa continua a cargo da Catarina Furtado! Talvez não seja mal pensado.......

    sexta-feira, agosto 01, 2003

    Agosto and everything after...

    É dia 1 de Agosto. Não é de estranhar que esteja o calor que está lá fora, apesar de ser quase uma da manhã. Toda a gente fala do calor, talvez porque não restem forças para falar de mais nada.... E afinal de contas, é Agosto. Mês de férias para alguns, de sufoco laboral para outros, que tentam contentar-se com o argumento (que começa cada vez mais a ser pouco válido) de que ao menos não há trânsito. É Agosto, em Lisboa. E o Burro lembrou-se de recuperar um dos clássicos cá do estábulo - «August and Everyhting After».
    Depois das primeiras euforias musicas proporcionadas primeiro pelos Guns N' Roses, depois pelos Metallica, Pearl Jam e Nirvana, o Burro foi enfeitiçado à primeira vista pelo shalalalalalala de «Mr. Jones». Neste mesmo estábulo descobria-se então os Counting Crows, que apesar de não terem deixado para a história da música as mesmas marcas que os outros, foram igualmente importantes para o Burro, pelo menos até ao segundo álbum, esse por culpa de "Long December", que o Burro continua a não conseguir evitar de associar ao fim do "2 de Rock", by Miguel Quintão@Antena3, algures em '98, mais coisa menos coisa. Nostalgia de Dezembro em Agosto......
    Mais de dez anos depois de «Mr. Jones» é engraçado ouvir o Duritz a cantar Joni Mitchell (que o Burro tb descobriu no entretanto), e ver que «Big Yellow Taxi», uma canção já para aí com os seus trinta e poucos anos, está mais actual do que nunca. Ainda para mais numa altura em que o Burro assiste resignado à distribuição de novas doses de alcatrão na praceta onde por aqui se estacionam as carroças. A seguir vêm os abomináveis parquímetros e, pior ainda, a praga dos sapos, mais rápidos que gafanhotos, e que por estas bandas vestem de bordeaux....... Confirme-se a profecia de Joni Mitchell:

    «They paved paradise and put up a parking lot
    With a pink hotel, a boutique, and a swingin' hot spot
    Don't it always seem to go
    That you don't know what you got 'til it's gone
    They paved paradise and put up a parking lot

    They took all the trees, and put em in a tree museum
    And they charged the people a dollar and a half to see them
    No, no, no
    Don't it always seem to go
    That you don't know what you got 'til it's gone
    They paved paradise, and put up a parking lot
    (...)»


    Orelhas de Burro ouvem em Agosto:


    Liguem as ventoínhas..................

    quinta-feira, julho 31, 2003

    Utah Carol in the house

    JinJa Davis e Grant Birkenbeuel são casados na vida real. Moram em Chicago, e mudaram de casa há muito pouco tempo. Agora têm mais espaço para arrumar a vasta colecção de discos e, quem sabe, para acolher o Burro durante uma semaninha, assim que houver palha suficiente para atravessar o Oceano.
    Na vida artística o casal responde pelo nome de Utah Carol e faz canções lindíssimas, que são também grandes exemplos de Tangueta do mais fino recorte. O Burro recomenda sobretudo o álbum "Comfort for the Traveler", que em princípio já pode ser encontrado sem grandes dificuldades na Kingsize e até na Fnac. A do Chiado pelo menos.
    A JinJa e o Grant estiveram a passar férias em Portugal há coisa de dois meses, mais ou menos (a memória do Burro, não é a de um elefante!), e telefonaram cá para o estábulo. Convém explicar que o primeiro contacto - via telefone - havia sido travado a propósito de outras (indies &) cobóiadas, e que ficara no ar o convite da praxe para que se um dia - num futuro longínquo e que provavelmente nunca chegaria a concretizar-se, mas que convém dizer porque fica sempre bem e eles até são pessoas fixes, e além disso até disseram que actuariam só para nós - passassem por cá dissessem qualquer coisa. Bem dito, bem feito! Eis que os Utah Carol ligam a dizer que estão em Sintra!
    No dia seguinte, estavam a jantar cá no estábulo, e a actuar na sala de jantar (não que haja outra, nem que se jante muito na sala, mas.....) para uma assistência de 5 Burros! JinJa nas teclas e Grant à guitarra, tocaram canções dos dois álbuns editados e algumas do que está para vir. O Burro estava burro. É difícil acreditar, mesmo quando as coisas estão à frente do focinho, que uma das bandas que mais gostámos de ter descoberto nos últimos tempos, está a actuar na nossa sala...... Felizmente há provas e testemunhas! :)

    [O Burro lembrou-se de partilhar este momento nesta altura do campeonato porque recebeu hoje notícias da dupla maravilha.]

    Orelhas de Burro recomendam:


    www.utahcarol.com

    terça-feira, julho 29, 2003

    E se um Burro chateia muita gente...

    Vários Burros chateiam muito mais. Já somos 500!

    Eis uma pequena parte da pandilha:


    Da esquerda para a direita: Flora e Claude

    segunda-feira, julho 28, 2003

    Em queda-livre!

    O Burro queria decorar o estábulo com qualquer coisa nova e de cores vivas, mas parece que está... emburrado! Nos últimos dias, as Burrices têm sido pontapeadas em catadupa para outras paragens, mais áridas por sinal, pelo que ao Burro só ocorre dizer: que bem que sabe começar a ouvir na rádio (pelo menos numa ou outra) com maior insistência o «Central Reservation» de Beth Orton, que imediatamante nos lembra da existência de «Sweetest Decline». Pode ser que passe amanhã... É isto o bom dos festivais terem cartazes fortes.
    Mas o que o Burro acha mais engraçado no meio disto tudo é que toda a gente anda para aí a comentar a qualidade do cartaz do Sudoeste deste ano, ele é Beck, ele é Morcheeba, ele é Jamiroquai, ele é Badly Drawn Boy, ele é música com selo de qualidade para dar e - sobretudo - vender, mas no fim vai-se a ver e que espaço ocupam esses nomes todos ditos fortíssimos nas rádios-estudos-de-mercado? Se há tanta gente a atravessar o país para ver ao vivo esse pessoal que os estudos dizem não interessar nem ao menino jesus, como se explica que depois não haja interesse em ouvi-los na rádio? A Radar não tem audiência? O Burro não sabe.......... Sabe que ouve, e que a música está cada vez melhor. Sabe que pelo menos até 10 de Agosto há sempre a possibilidade de a qualquer momento ouvir aquele segredo bem guardado chamado «Sweetest Decline» na rádio. Depois disso, como dizia a outra, adeus. E ainda bem. Não convém ouvir muito, que é para não estragar, porque canções como esta não é qualquer um que as faz. Canções destas não aparecem todos os dias.

    Orelhas de Burro querem ouvir mais:


    Beth Orton no Sudoeste@10 de Agosto@22h30

    É Muuuito TANGUETA



    PARABÉNS, MÃE!


    P.S. - a pedido de várias famílias, o Burro recupera um conceito de importância vital neste estábulo:

    Tangueta - substantivo feminino de cariz musical utilizado pelo Burro e seus amigos para designar um determinado estilo de música, cuja principal (e obrigatória) característica consiste na utilização de uma voz melódica, límpida e extra-suave, pelo que se deduz desde já que a Tangueta não é um estilo livre de ser praticado por qualquer um. Para além disso, no caso de um artista iluminado querer elevar uma canção sua ao estatuto Muito Tangueta terá necessariamente de cumprir mais alguns requisito: não levantar a voz, tocar harmónica sempre que possível (muito importante) e banjo uma vez ou outra; e dedicar alguns versos a Pa Pa Pa's, La La La's e Oooo Oooo Oooo's - a la Brian Wilson - para facilitar o trauteamento das canções. Há mais especificidades a ter em conta, que o Burro se encarregará de publicar aqui no Estábulo, assim que possível. Para melhor se compreender o alcance da Tangueta, a exposição será feita em contraposição com outro estilo muito apreciado pelo Burro, que é o Songwriting.

    sexta-feira, julho 25, 2003

    Encerrado para obras.......

    Ao fim de semana, o Burro joga aos índios e cowboys!

    Humanidades Sawhneycas

    O Burro foi à cidade. Universitária, leia-se. Há pouco mais de uma hora atrás ainda a Aula Magna estava completamente rendida ao poder daquele misticismo que não há meio de se descolar das cançõess do mestre Sawhney. E mais uma vez se comprova que quem sabe não precisa de o mostrar, e que quem tem o brilho agarrado à pele não precisa de solários para dar nas vistas. O Burro não tem palavras para descrever o que se sente quando se vê tanta humildade aliada a tanto engenho. Sawhney não precisa de estar no centro do palco para se tornar no centro das atenções. Aliás, parece mesmo que o evita. De ladecos, cede o protagonismo a quem dá voz às suas composições durante todo o tempo. As vozes mudam, entram e saem alternadamente, a negra, a branca, os cânticos indianos (we guess...) entoados com uma alma tão aberta que fazem de cada canção um momento de celebração espiritual. É muito forte, e mais intenso se torna quando se tenta perceber por que raio nos diz tanto uma música cantada numa língua que não nos diz rigorosamente nada. Não se explica, it's only human. «Human», o novo álbum de mr. Sawhney parece ser à primeira vista o disco do senhor que menos cativou o Burro. Verdade seja dita, tb ainda não houve tempo para lhe deitar as orelhas mais do que uma vez, mas o impacto foi menor que o habitual... talvez com o tempo comece a fazer sentido cá no estábulo.
    Por agora, recorda-se a soul de «Broken Skin» e o misticismo sagrado de «Nadia». Repeat, repeat, repeat! Lindo! Para ouvir noite dentro e pensar que espiritualidade está onde um Burro quiser, e que não é preciso envergar nenhum traje especí­fico para fazer crer aos mais cépticos que existe realmente algo de muito melhor por desbravar. Nitin Sawhney usa calças de ganga e uma t-shirt cinzenta.

    Orelhas de Burro ouvem (ainda):