com falta de paciência para tudo e todos. culpo a mudança da hora, as poucas horas de sono, o dia cinzento e de chuva, a segunda-feira, a crise, a longa espera para a primeira semana de férias. culpo tudo. tudo tudo, menos o verdadeiro culpado, não lhe querendo atribuir conscientemente tamanha importância.
enquanto reflito sobre o meu estado de espírito a bobina olha especada para mim, aguardando o adiado passeio por motivos de pluviosidade. apoia a pata em cima da minha mão direita antes de começar a lamber com vontade a parte de cima da minha mão, recentemente hidratada contra o cieiro. não conseguindo a atenção desejada, apoia a cabeça no meu braço. de seguida as patas no meu ombro, conseguindo finalmente a minha atenção. toc toc toc toc. o rabo abana, e o focinho está agora apoiado no meu ombro, sinto-lhe a respiração no pescoço.
sem sucesso, a bobina deita-se resignada ao meu lado para dormir mais uma horita. apanhou o meu estado de espírito. é dia de olhar para o infinito e de ver tudo mais complicado do que na realidade é.
