quarta-feira, janeiro 28, 2004

chover no molhado.... ou a inutilidade dos canudos

não consigo achar nenhuma razão lógica para no 4º ano de um curso de comunicação social, numa cadeira de técnicas-jornalísticas-técnicas, pedirem aos alunos para fazer coisas como: distinguir fontes parcelares de fontes parciais; dizer se uma fonte não identificada é o mesmo que uma fonte anónima ou não, e justificar devidamente; indicar e caraterizar sucintamente os cinco elementos definidores do trabalho jornalístico, apontados por Stuart Adam; e ainda outras tantas coisas tão ou mais interessantes do que estas............... ah! muito importante - a última pergunta pede que o aluno indique algumas caraterísticas que considere essenciais na escrita jornalística.

o Burro é suspeito por estar a bater no ceguinho. armou-se em esperto, e foi enfrentar tal prova de fogo de mãos a abanar, convencido de que a avaliação seria prática. resultado - "desastroso", foi esta a palavra do senhor professor, "desastroso".

no meio desta palha toda, não é o "desastroso" que é grave. o que é grave é que a alguns meses da estreia no mercado de trabalho (vamos supor que sim) haja centenas de pessoas (falo no caso que conheço) a quem pedem para falar da escrita jornalística em vez de lhes pedirem para escrever. uma notícia. uma reportagem. qualquer coisa. o importante devia ser escrever. o que é que me interessa saber que devo escrever com frases curtas e palavras simples se depois me ponho com floreados e palavras difíceis e a escrever parágrafos intermináveis com a pontuação fora do sítio ou sem ela, como este aqui?

o que é que interessa eu saber que para o stuart adam o jornalismo tem de ser imparcial, factual, etc, etc, se depois na prática só me vou safar profissionalmente enquanto escrever aquilo que o meu chefe quer, ou o que chefe supremo do monopólio de comunicação em que me enquadro quer? o que é facto é que ou o Burro baixa as orelhas e vai com o resto dos Burros ao quadro escrever as diferenças das fontes parcelares para as fontes parciais, ou então nunca chegará a cavalo.



orelhas de Burro:




o serafim saudade é que sabia. toca a emigrar, que por aqui não há salvação possível.
já não há artistas da rádio, tv, disco e da cassete pirata.......

sexta-feira, janeiro 23, 2004

O Burro junta-se ao clube!

PARA OS QUE PASSARAM A BARREIRA DOS 25 - NÓS TIVEMOS SORTE!!!

Como já se diz aí pela net naqueles fwds-palha (mas este é dos bons) - Olhando para trás, é difícil acreditar que estejamos vivos. Por tudo isto:


- Viajávamos em carros sem cintos de segurança ou air bag.

- Não tivemos nenhuma tampa à prova de crianças em frascos de remédios, portas, ou armários e andávamos de bicicleta sem capacete, sem contar que pedíamos boleia.

- Bebíamos água directamente da mangueira e não da garrafa.

- Gastámos horas a construir os nossos carrinhos de rolamentos para descer ladeira abaixo e só então descobríamos que nos tínhamos esquecido dos travões. Depois de colidir com algumas árvores, aprendemos a resolver o problema.

- Saíamos de casa de manhã, brincávamos o dia inteiro, e só voltávamos quando se acendiam as luzes da rua.

- Ninguém nos podia localizar: não havia telemóveis.

- Partimos ossos e dentes, e não havia nenhuma lei para punir os culpados. Eram acidentes. Ninguém para culpar, só a nós próprios.

- Tivemos brigas, esmurrámo-nos uns aos outros e aprendemos a superar isto.

- Comemos doces e bebemos refrigerantes mas não éramos gordos.

- Estávamos sempre ao ar livre, a correr e a brincar.

- Compartilhámos garrafas de refrigerante e ninguém morreu por causa disso.

- Não tivemos Playstations, Nintendos e toda a parafernália de jogos de vídeo, nem 99 canais de TV Cabo, som surround, telemóveis, computadores modernos ou Internet.

- Nós tivemos amigos!

- Saíamos e íamos ter com eles. Íamos de bicicleta ou a pé até casa deles e batíamos à porta. Imaginem tal coisa... sem pedir autorização aos pais nem a ninguém, por nós mesmos! Lá fora, no mundo cruel! Sem nenhum responsável!

Como conseguimos fazer isto?

- Fizemos jogos com bastões e bolas de ténis e comemos minhocas e, embora nos tenham dito que aconteceria, nunca nos caíram os olhos nem as minhocas ficaram vivas na nossa barriga para sempre.

- Nos jogos da escola, nem toda a gente fazia parte da equipa. Os que não fizeram, tiveram que aprender a lidar com a decepção... sem psicólogos!

- Alguns estudantes não eram tão inteligentes quanto os outros. Eles repetiam o ano! Não inventavam testes extra.

- Éramos responsáveis pelas nossas acções e arcávamos com as consequências. Não havia ninguém que pudesse resolver isso. A ideia de um pai a proteger-nos, se desrespeitássemos alguma lei, era inadmissível! Os pais protegiam as leis! Imaginem!

- A nossa geração produziu alguns dos melhores compradores de risco, criadores de soluções e inventores. Os últimos 50 anos foram uma explosão de inovações e novas ideias.

- Tivemos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade, e aprendemos a lidar com isso.

terça-feira, janeiro 20, 2004

last but not least

a propósito da discussão à volta do hip hop, que vai no post and the beat goes box, apetece-me dizer que me irrita como poucas coisas a pose de certos iluminados (nothing personal) em relação a esta história das tendências musicais ou de hypes criados à volta de filmes. lembro-me bem do fenómeno buena vista social club. quando fui ver o filme pouco ou nada sabia sobre a história daqueles músicos cubanos e as palavras buena vista social club não me soavam a rigorosamente nada, confesso. fui ao cinema porque li muito e muito bem acerca do filme. vi-o duas vezes. e à segunda lembro-me também que a maioria das pessoas que a princípio dizia bem, já falava do filme com ar entediado, como quem diz "já vi isso há muito tempo", ou pior ainda "eu vi primeiro", ou ainda pior "isso agora parece que está na moda". aparentemente ninguém quer estar na moda. ninguém quer ir com a maré. ninguém quer ser igual ao vizinho do lado. continua a mesma mentalidade do "marcar a diferença" a todo o custo. nem que seja pela negativa. que é normalmente o que acontece.....
como o buena vista, há uma série de outros exemplos. a marisa monte é outro. na altura do "amor, i love you" também se ficou a saber que portugal inteiro tinha sido fã da marisa durante uma vida inteira, mas que agora já cansava. estava na moda. "quando a moda passar volto a ouvir", dizia-se. e agora o hip hop? não sei muito de hip hop, mas uma coisa que leio sistematicamente em entrevistas de mcs e grupos portugueses é que o hip hop não consegue sair do underground porque não lhe dão oportunidade. será que agora que está a conseguir furar, já não vão querer que isso aconteça porque se vai tornar comercial? so what? não é por ser comercial e por chegar a mais gente que se perde qualidade na música. a qualidade da música é aquela que quem ouve lhe dá. qtas mais pessoas ouvirem uma música, mais hipóteses há de alguém lhe reconhecer qualidade. não é à margem que as coisas avançam, por muito estilo que isso tenha. uma coisa é não conseguir ir da margem para o centro por motivos de força maior, outra é por opção.
e não interessa quem ouve/lê/conhece/faz/diz primeiro. interessa, sim, é passar a mensagem para que todos acabem por lá chegar. mais tarde ou mais cedo.


Orelhas de Burro:

o novo divine comedy acabado de sacar





segunda-feira, janeiro 19, 2004

let the soul sessions begin

acabadinha de chegar da holanda, joss stone encontrou finalmente o caminho de acesso ao estábulo. o Burro desconfia que, dado o atraso da chegada, a menina tenha tentado atravessar de carro a zona das amoreiras durante o dia, um erro que mesmo nós que já sabemos do caos que ali se vive, insistimos em repetir dia sim dia não, na esperança de que naquele dia todos tenham tentado um caminho alternativo. o problema é que já não há caminhos alternativos.... restam-nos discos como este «the soul sessions» para não dar asas ao stress que se apodera que qualquer Burró-condutor que vê o semáforo mudar de cor vezes sem conta.... sem sair do mesmo lugar. estábulo sweet estábulo.


Orelhas de Burro:



sexta-feira, janeiro 16, 2004

and the Beat goes Box

o mariño não gosta de blogs. diz que funcionam como uma espécie de portas de casa de banho públicas, e que algumas dessas portas até têm escritas reflexões bem mais interessantes do que certos blogs. o burro não concorda e não percebe. mas o mariño não é (o) burro. e percebe. percebe o hip hop, ele percebe.





Beat Box - Sic Radical - seg 20.30 + dom 13.30 + qui 13.30 + seg 09.00


como explica o mariño, himself:

O programa Beatbox não pretende ganhar nenhum Emmy. A não ser que o Emmy goste de Hip Hop, e nesse caso quer ganhá-los todos. E daí, até não... Já temos o Emi...nem! E todos os outros que engrossam a lista de nomes de uma cultura em expansão em todo o mundo. Portugal não é excepção, e está em primeiro lugar neste programa. E não é só música. É graffiti, é breakdance, é MCing e DJing. Está tudo no Beatbox. A SIC Radical passa a receita em dose semanal. Com 3 repetições para que nada, nem ninguém, se perca.

quinta-feira, janeiro 15, 2004

sem palavras... monstros & companhia - não esses, os outros

o Burro não entende por que motivo é tão difícil escrever sobre alguém/alguma coisa de que(m) se gosta. a falar é ao contrário - é mais fácil dizer coisas boas do que más. quando gostamos de alguém, quer queiramos quer não, falamos constantemente da mesma pessoa, pelas razões mais ridículas, porque qualquer que seja a razão é uma boa razão. o importante é falar muito, para não se esquecerem os pormenores. quando gostamos de uma música, ouvimo-la até à exaustão, em casa, no carro, nos phones sempre que possível, no computador do local de trabalho, onde acabaremos invariavelmente por passar o vício aos colegas, aos amigos e a quem mais calhar.... quando nos pedem para descrever no papel o que sentimos então em relação àquela pessoa ou àquela música, o caso muda de figura. as palavras perece que desaparecem como que por mistério. branca completa. parece que não há palavras para expressar o que sentimos de verdade. e que tudo o que possamos dizer não chega. porque desse lado nunca se vai perceber o que estou na realidade sentir. e as palavras, se o vento as leva quando são ditas, quando são escritas isso não acontece. é o peso da intemporalidade, do para sempre, do pensar de outra maneira no dia seguinte e não poder voltar atrás. porque está escrito e porque naquele momento era aquilo que queríamos dizer. ou se calhar não era, porque sob pressão dizemos e fazemos os maiores disparates. às vezes os melhores. escrever pode ser esgotante. e se for esse o caso é provável que estejamos realmente a conseguir deixar passar para o papel o que sentimos na vida real. e nem sempre é fácil. mesmo para quem tem a facilidade de o fazer de olhos fechados. sobretudo quando se gosta.


orelhas de Burro:

ryan adams - i see monsters

quinta-feira, janeiro 01, 2004

plágio de ano novo do Burro - perfect lovesong

neil hannon, where art thou?




nunca é demais ouvir uma canção como esta, sobretudo no primeiro dia do ano, em que mais do que nunca se acredita que nos tempos vindouros (é assim? estranho...) vai ser sempre a melhorar. o Burro ainda acredita. here's to the future...... the divine comedy!


Give me your love
And I'll give you the perfect lovesong
With a divine Beatles bassline
And a big old Beach Boys sound
I'll match you pound for pound
Like heavy-weights in the final round
We'll hold on to each other
So we don't fall down

Give me a wink
And I'll give you what I think you're after
With just one kiss I will whisk you away
To where angels often tread
We'll paint this planet red
We'll stumble back to our hotel bed
And make love to each other
'Til we're half dead

Maybe now you can see
Just what you mean to me

Give me your love
And I'll give you the perfect lovesong
Give me your word
That you'll be true to me always come what may
Forever and a day
No matter what other people may say
We'll hold on to each other
'Til we're old and grey


«perfect lovesong» by the divine comedy in «regeneration» (2001)

simple thoughts

cá está então o novo ano. e cá está também o sentimento de esperança do costume de que este ano é que vai ser. o quê não interessa. tudo aquilo que já queríamos no ano passado, mas que mais uma vez não tivémos a coragem de fazer, ou de dizer, ou o que quer que seja. e o bom do ano novo é que nos dá a sensação de termos uma imensidão de tempo à frente para fazer tudo com calma. sem prazos nem pressões. apenas com a convicção de que este ano é que tem de ser. seja lá o que for. o importante é dar mais um passo na direcção que nos interessa seguir. resta saber se sabemos (desculpe qq coisinha) que direcção é essa. se for esse caso então talvez o melhor seja começar mesmo por aí sem antes fazer os tão costumeiros planos megalómanos de quem quer tudo ao mesmo tempo sem saber bem porquê.
o ano novo é uma óptima oportunidade para reflectir. para comemorar sem pensar no que se está a comemorar. o ano novo é só uma desculpa. tal como nenhuma dieta resulta por ter sido começada numa segunda-feira, nenhum plano será necessariamente concretizado apenas porque é pensado no último dia do ano anterior. no dia seguinte já nada disso interessa. o ano já começou e a vontade de começar a pôr em prática aquelas ideias que no papel soavam tão bem não é nenhuma. e não é nenhuma porque agora é a valer.
já é dia 1. um dia que parecia tão longe apesar de já ontem termos vivido quase metade dele, mas que chegou num abrir e fechar de olhos. e quando as intenções deixam de poder ser pensadas no futuro para serem vividas no presente perdem o encanto. e quando isso acontece está tudo estragado. porque não tarda nada estamos a fazer planos para o ano seguinte e mais uma vez passámos o corrente a ver navios. doze meses são meses mais do que suficientes para fazer o que quer que seja. e quando o fizermos não temos por que perder deixar desvanecer o brilho. não temos por que pensar que se o conseguimos é porque não era suficientemente difícil. nem achar que temos a seguir de encontrar um objectivo mais difícil. a simplicidade é a mãe de todas as soluções.